Daring Love
5 Capítulo 5
Preciso dizer o quão difícil é para mim o relatar dessa história. Ter que lembrar de todos os momentos, e ainda transcrevê-los, aperta meu coração. Para ser sincera ainda não sei o que me levou à conclusão de que seria interessante tornar estes eventos conhecidos, mas agora que comecei preciso continuar. Voltando a onde paramos. Pois bem, eu tenho um namorado. E você agora deve estar se perguntando “Como, quando, onde, por quê, de que maneira, cuma, ahn, etc...” Por mais estranho que pareça, e por mais que ninguém entenda, nós nos entendemos quanto a esse assunto. Ou seja, ele sabia do que eu sentia por ela. E eu me permito parar por aqui pois essa seria outra história.
Estavamos lá na feira cultural, minha amiga e o namorado dela, meu namorado e eu, além dos amigos do colégio. Nossa peça aconteceu no pátio, e quando terminou subimos ao 7º andar onde acontecia a Feira propriamente dita. Obviamente mal olhei os estandes, não que não fossem interessantes, mas naquele momento nada era mais interessante do que aqueles olhos verdes. Eu falava tanto dela para o meu namorado que sabia que era hora de ele a ver, eu queria saber o que o homem que eu amo acharia da mulher que eu amo. Passaram-se alguns eternos minutos, em que eu tentei disfarçar meu nervosismo e ansiedade. Parecia que ela fazia de próposito, olhava todos os estandes e pedia informações detalhadas sobre cada um, enquanto eu quase pulava de raiva pela espera. Enfim, ela passou por nós, aproveitei pra falar com ela, que estava toda sorridente segurando uns 3 vasinhos de flores, que os alunos estavam entregando aos professores. Parecia uma criança no natal. E eu achava a coisa mais linda do mundo, claro! Quando falava com Ela, tudo ao meu redor parecia suspenso, tanto que nem apresentei ninguém que estava com a gente, esqueci que mais alguém talvez quisesse falar. Acho que nem se um avião colidisse com o prédio naquele momento me tiraria do meu estupor. Nem precisei dizer nada que sinalizasse ao meu namorado que ela era ela. Afinal, além da minha provavel cara de boba, a descrição que eu dei a ele era simples de perceber, embora eu fantasiasse apenas um pouco. Coisa normal de apaixonado. Assim como ela veio, também foi embora. Para o próximo estande, na verdade. Após esse, ela iria para um que era feito por amigas nossas. Mas eu tinha que ir embora, a impaciência materna é incrível. Ao me despedir, dei um beijo no meu namorado, mas me esqueci que ela estava atrás de nós. Não sei se ela viu, mas provavelmente, porque depois disso as coisas ficaram um pouco diferentes. Não me lembro mais do decorrer dos dias com exatidão, não posso dizer quando na semana ocorreram alguns fatos e quantos dias exatamente se passaram. Mas após a feira, ela estava mais distante, meio fria. Aí começa aquele questionário na sua mente, imaginando o que você fez ou disse de errado e você não consegue lembrar de nada. Pergunta para quem estava perto e ninguém notou nada também. Eu até queria perguntar pra ela, mas podiam ser tantas coisas. E se eu tocasse numa ferida sobre a família dela, sobre o marido. Também comecei a pensar que talvez a diretora tivesse visto algo, e ela tivesse sido advertida a não falar comigo. Pensei tantas coisas que nem adianta listá-las. Cada vez mais, o fim do ano ia se aproximando. Quase tudo agora era direcionado à formatura e aos dias de trote das últimas semanas. Era desesperador. Enfim, ia ter o dia do troca, onde as meninas iam de meninos e vice-versa. E que melhor maneira de conquistar uma mulher hétero do que vestida de homem, pensei eu. Era pra ser um dia perfeito, pelo menos teoricamente. Eu ia comprar rosas pra ela, mandar entregar enquanto ela ainda dava aula, e depois, na saída, a chamava e me declarava. Mas tudo deu errado. Não consegui achar nenhum lugar que vendesse rosas de manhã, e nem uma floricultura aberta no dia anterior. Comecei a ficar desanimada, mas ainda podia falar com ela, mesmo sem as flores. Lá estava eu, na rua, com a minha roupa de homem, esperando que ela passasse. O que eu queria mesmo era procurar por ela, porque pra mim não tinha graça ficar lá fora sem ver ela. Mas eu sabia que seria injusto com a minha amiga, que acabaria me acompanhando e perderia a diversão dos últimos dias de aula. Então me contive. Eis que ela passa, eu já frustrada com meus planos, fui falar com ela e disse que estava a procurando, que precisava falar com ela. Mas quando ela perguntou o que era, eu simplesmente não consegui falar, e disse que não era nada. E assim que eu disse, desmoronei, me senti um nada, uma criança incapaz de dizer o que sente com racionalidade. Eu poderia ter falado, aproveitar que ela estava sendo receptiva, mas eu desperdicei. Acho que meu orgulho foi maior, eu me senti tão mal de tudo ter saído tão errado, que me recusei a falar de algo tão importante pra mim ali, no meio de tanta gente, sem nem poder segurar nas mãos dela. Mas acho que teria sido melhor.
Voltei para casa naquele dia arrasada. Queria cavar um buraco e só sair dele em outro país, bem longe dela. Mas mesmo com todos esses problemas, lágrimas e contra-tempos, eu ainda tinha fixa na minha mente a idéia de me declarar. E isso eu faria de qualquer maneira.[Continua]
Notas finais
Espero que gostem. Obrigada por lerem e review please^^
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