Daring Do e o escárnio em Hoovesdraw

1 Daring Do e o escárnio em Hoovesdraw.


Notas iniciais
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Daring Do e o escárnio em Hoovesdraw



Escrito e desenvolvido por

Guilherme Lopes Bezerra

Primeira parte:

*Daring Do narra a história*:

Estou seguindo uma das pistas que encontrei anteriormente: alguns misteriosos, dizendo-se viajantes... Dois pégasos de pelagem azul com marcas de espirais em seus flancos, o terceiro era um pônei comum, de pelagem creme com um chapéu verde e uma pena branca sobre suas orelhas, e o último, também comum, de pelagem cinza que carregava vários pertences deles em suas costas. Trotaram juntos desde o Império de Cristal em caminhos suspeitos, pareciam estar indo rumo ao deserto de São Palomino.

Investiguei bem de perto a estes viajantes e pude observar: eles escondiam alguma coisa, eu não sabia exatamente o que era, mas estava dentro daquela caixa oval com alguns buraquinhos que formavam o desenho de três espirais nela. Algo muito, muito suspeito, e os desenhos eram iguais aos flancos daqueles dois pégasos. Pela cara deles, estavam com medo de permanecer com aquilo.

Eles estavam viajando à procura de uma boa oferta, mas todos os negociadores que encontrei com eles, espantados tal como eles eram amedrontados por permanecer com aquilo, logo recusavam o produto. Continuei os seguindo. Eles trotavam para dentro de uma floresta…

Assim que descansaram, estava pronta para pega-los de surpresa e descobrir com os meus próprios olhos o que eles carregavam. Mas quando fui para cima deles, reparei que havia um mapa no bolso de um deles, mas não era um mapa qualquer, havia moldes de prata e ouro nele!

Sem fazer barulho algum, retirei o mapa do seu bolso. A luz do Sol refletiu o brilho da moldura do mapa bem nos olhos de um dos pégasos, o que os alertou de minha presença! Tentei voar para longe assim que os vi trotando atrás de mim, mas esbarrei de frente com um pônei que parecia ser mais um dos negociantes deles...

Ele me acertou um coice e eu cai no chão:

Desmaiei...

Quando acordei, estava amarrada. E aquele pônei de chapéu, um dos amedrontados, parecia mais confiante em si do que eu pensava: tentou-me com várias perguntas, pensou que eu sabia de algo e ofereceu muitos bits para que eu contasse a verdade, mas recusei…

Ele apontou uma lâmina, de um de seus cascos, diretamente para mim, colocando-a delicadamente em meu pescoço:

— Você é difícil, não? — ele me perguntou.

— O que você está escondendo? O que é esse mapa e o que tem dentro dessa caixa?

Ele resolveu me contar, acreditando que eu não sobreviveria a isso.

— Estamos procurando ofertas melhores, mas nós temos um comprador fixo.

— É... Aquele cara de monstro. — disse um dos pégasos.

Enquanto eu estava amarrada, observei que uma corda estava ligada àqueles pégasos, uma corda que estava presa à um tronco de árvore bem do meu lado...

— Sim! Hahaha! E vocês serão parte da oferta!

Com um olhar sinistro, ele rapidamente virou cortando a corda com o atrito da lâmina afiada do seu casco: Raptava aqueles dois pégasos, seus próprios companheiros, em uma armadilha!

— Seu maldito! O que você quer? — perguntei.

Mas o pior não acaba por aí, ele realmente me contou a respeito da caixa:

— Você queria saber o que tinha naquela caixa, não? Aqui: nós temos… Quer dizer… Eu! Tenho o Amuleto Sagrado de Hoovesdraw. Haha...

Mostrou para mim um pequeno cajado em diferentes tons de azul.

— ...E atrás de mim, os dois pégasos descendentes daqueles que deram origem ao amuleto. Segundo as inscrições deste mapa que você tentou roubar… Sua sem vergonha!...

— Hunf!

— Eles são a chave para o tesouro do deserto.

Ele virou as costas para mim, tentei escapar das amarras deste pônei, mas não conseguia. O pônei que havia dado aquele coice em mim, estava logo atrás me impedindo disso.

— Você acredita que haja um tesouro lá? Hahaha…

Fez-se o silêncio. Algum tempo depois, ele disse:

— Oh! Aí está ele!

Eu tentei virar a minha cabeça o máximo que podia para enxergar…

Era ele!

— Ahuizotl! Então você está por trás de tudo isso?

— Hahaha! Daring Do! Como é bom te ver em uma enrascada outra vez!

Ele olhou para aquele pônei de chapéu.

— Vejo que você me trouxe alguns presentes!

— Quem? Essa impostora que tentou destruir o nosso negócio!?

— Hum!? Estava atrás dela há algum tempo...

— Ela tentou roubar o mapa! Mas eu o guardei para o senhor.

— Você ainda tem o mapa!? Pois isso é mais do que a oferta! Soldado, rápido, dê ao Sweet Pretzels o dobro da recompensa, ele merece!

Então era esse o nome dele, o pônei de chapéu e pena, chama-se Sweet Pretzels!

Ambos começaram a rir. Aproveitei a desatenção deles, e com o “Soldado”, aquele pônei que me impedia de sair das amarras indo em busca da recompensa, era a minha chance de escapar!

Com a minha asa direita, retirei uma pequena faca que estava debaixo do meu chapéu, coloquei-a em minha boca e cortei uma das amarras, assim pude facilmente me soltar.

Eles ainda estavam rindo. Aproveitei para pegar o mapa do casco de Sweet Pretzels.

— Ah!! Peguem ela! — disse Sweet Pretzels em voz alta.

Ele trotou atrás de mim, mas eu voei a tempo de fugir das garras de Ahuizotl e com o mapa em minhas patas.

— Você vai ver Daring Dooo...! — bradou Ahuizotl.

— É o que veremos! — ri da cara deles.

Quando distante da floresta, aproximando-se do deserto de São Palomino, céu claro e poucas nuvens, sem ninguém por perto, decidi verificar aquele mapa. Fiquei algum tempo o analisando, tentando desvendar os mistérios dele. Eu o virei de cabeça para baixo, procurei várias maneiras de entender, mas tudo aquilo soou estranho.

...A espiral do meio parece muito maior que as outras e...

“Qual é a lógica disso?” — parei pra pensar.

O fato é que este mapa era um enigma, que posteriormente revelaria a outro, eu tinha certeza disso!

“Três espirais, o que significam?; Descendentes da origem do amuleto, haviam dois pégasos; E aquele Amuleto Sagrado de Hoovesdraw: uma chave, um pequeno cajado...” — pensei.

Enquanto estava concentrada olhando para aquele mapa, ouvi o barulho de asas batendo. Não eram as minhas! Percebi que alguém me seguia. Continuei tranquilamente até encontrar uma nuvem no céu do deserto.

Quando cheguei próximo da nuvem, escondi o mapa em meu chapéu. Virei para agarrar o misterioso arremessando-o sobre a nuvem, de modo que eu ficasse por cima dele.

— Daring Do!!

— Rainbow Dash!? O que você está fazendo aqui?

Era a minha fã, aquela pégasos de Ponyville com crina e cauda arco iris.

— Ah! É… Hehehe…! Eu estava com os meus amigos há um tempo atrás na floresta fazendo um piquenique com eles, disse que sairia por um momento, então eu te vi, voando para o alto e…

— ...E resolveu me seguir!?

Eu sai de cima dela, continuei a voar para o interior do deserto a procurar novas pistas e coisas que pudessem me ajudar.

“Isto é importante!” — pensei.

— Então, o que você está procurando? — Rainbow Dash me perguntou.

— Nada.

— Hum…

Ela ficou voando ao meu lado, atrapalhando...

Voei rapidamente para as nuvens, tentei me esconder dela, despista-la, mas o céu não tinha muitas nuvens, não havia para onde correr ou se esconder, e ela era mais rápida do que eu.

— Ah! Esquece... — eu suspirei.

Olhei para ela, inocente como da outra vez.

— Nada, nada mesmo? Porque você está se escondendo de mim?

— Você quer mesmo saber?

Receio quanto a confiar em alguém, principalmente a colocar os outros em perigo durante minha jornada. Mas a Rainbow Dash tem o jeito dela, e ela pediu!

— Eu não tenho pistas, estou apenas com este mapa, indecifrável… — mostrei o mapa a ela — Eu não sei exatamente o que é, mas tem algo relacionado com o Amuleto Sagrado de Hoovesdraw. E Ahuizotl está por trás disso.

— Hã!? Amuleto!? ...Espera um pouco! Ahuizotl está por trás disso?

— Sim... Quando você me viu, provavelmente foi o momento em que estava fugindo dele.

— Tem mais alguém com ele, não tem?

Pensei novamente. Não, não é bom que ela faça parte disso.

— Rainbow Dash! Eu gosto de você e sei que você quer me ajudar, mas você sabe que eu trabalho sozinha.

— Mas você viu o que aconteceu da última vez que tentou, não conseguiria sem mim.

Fiquei irritada com ela, mas era verdade. Pensando bem, que mal tem em uma aventura conjunta? Ela tinha razão.

— Ah! Tudo bem… O que quer saber?

— Qualquer coisa!

— Você não viu eles quando eu estava fugindo?

Ela começou a pensar e logo me disse:

— Agora que você falou, eu vi eles sim, eram oito! Não, sete!

— Espera! Quantos? Quem mais estava junto?

— Havia um pônei de pelagem creme.

— Sweet Pretzels!

— Os dois pégasos de azul com uma marca redonda em seus flancos e aquele pônei cinza carregando aquelas mochilhas.

— Isso, isso! Eram espirais nos flancos deles.

— Você disse Ahuizotl... Aquele que eu vi atrás das árvores provavelmente era ele.

— Aham! — concordei.

— E outros dois.

— Mais dois!?

— Sim, um que estava indo pegar alguma coisa daquele carruagem.

— Hum…

“Carruagem!?” — pensei — Eu não havia observado a carruagem, provavelmente foi como Ahuizotl chegou até o Sweet Pretzels pela floresta.

— Sim, e aquele pégasos enorme que estava amarrado nela.

— Espera, um pégasos? Enorme? De que tamanho? Ele era azul?

— Hã!? Sim, azul e grande, enorme comparado a um simples pégasos.

— Mas, azul como os outros dois? Ele tinha alguma marca em seu flanco?

— Eu acho que sim, não vi o flanco dele, mas eles eram bem parecidos.

— Hum… Então Ahuizotl está com o terceiro pégasos também, isso quer dizer que ele está com todos os três descendentes que deram origem ao amuleto! E se ele está com aquela chave. Oh, minha nossa!

— O quê?

— Se for verdade que sejam três descendentes com as marcas de espirais em seus flancos, assim como as que está neste mapa, isso quer dizer que Ahuizotl tem tudo para pôr as mãos neste tesouro! Isso não é bom.

— Qual tesouro?

— De acordo com a lenda deste livro que encontrei em uma das tumbas que explorei a alguns dias atrás, diz respeito a Hoovesdraw: uma antiga família de unicórnios em Equestria que coletava amuletos mágicos. Um dia, eles juntaram vários dos seus amuletos, dando origem a um novo e especial, de poderes únicos! Quando utilizaram este amuleto, começaram a abusar do seu novo poder, até que uma maldição calhou sobre esta família: tentaram, com o poder dele, criar asas para voarem livres como um pégasos! Entretanto, o que realmente aconteceu é que todos eles perderam o poder dos unicórnios e tornaram-se pégasos, e com isto, impossibilitados de utilizar o poder do amuleto, restringente apenas à magia unicorniana. Com tal amuleto, inútil para eles, assim como todos os outros que criaram, o que restou foi guardar seu segredo para que ninguém pudesse cometer do mesmo erro, e o mistério de todo o tesouro de Hoovesdraw foi passado de casco a casco aos seus descendentes…

— Wow!

— Dizem que o Amuleto Sagrado de Hoovesdraw é a chave para o tesouro da família, e que com ele, será possível encontrar todos os seus amuletos, inclusive o de sua maldição...

— Então quer dizer que Hoovesdraw era uma família de unicórnios, e agora eles são todos pégasos!? Que demais!

— Agora eu tenho que procurar por Ahuizotl e impedi-lo de colocar suas garras neste amuleto o quanto antes. Preciso ir!

— Espera! Você está maluca? Vai ir atrás de Ahuizotl sozinha?

— Eu não tenho outra escolha.

— Mas você tem o mapa.

— Sim, eu tenho um mapa inútil...

— Espere, deixa-me ver!

Hesitei em entregar o mapa.

— Rainbow Dash, não, eu já não te disse que trabalho sozinha? Eu vou continuar meu trabalho como sempre fiz. Será melhor assim, é perigoso!

— Eu não tenho medo do perigo, confie em mim.

— Não.

— Por favor!

— Não. — eu rejeitava.

— Por favor, por favor, por favor!!

— Não…

Ela foi persistente, olhou para mim com um sorriso a implorar que eu a levasse.

— ...Err!

Entreguei o mapa a ela, com ou sem ele não haveria outra saída mesmo a não ser ir me encontrar com Ahuizotl e...

— Ei, não é aquilo ali?

Rainbow dash assim que pegou o mapa, mostrou para mim as três espirais nele, e apontou logo abaixo de nós, três gigantescos espirais desenhados no deserto com enormes pedras e estacas firmes na areia, algo difícil de notar constando que elas eram quase da mesma cor do ouro e do amarelo, facilmente confundidas com a cor do deserto, mas eram exatamente iguais às espirais do mapa.

— Rainbow Dash, como você descobriu isso?

— Eu apenas observei com os meus olhos.

— Isso é incrível!

— Hehehe… Viu, se não fosse por mim, talvez você nunca teria encontrado isso. — ela disse, orgulhosa.

— É… Provavelmente eu estaria procurando por Ahuizotl neste momento. Mas nós ainda não sabemos o que se esconde por trás daquele amuleto, e Ahuizotl está com algumas peças deste quebra cabeça. Então, vamos lá!

Voamos em direção às espirais no deserto. Tentávamos desvendar mais dos segredos do Amuleto Sagrado de Hoovesdraw:

Assim que chegamos, começamos a investigar minuciosamente cada grão de areia que cercava aquele desenho.

— Deve haver mais alguma coisa neste mapa, não tem?

— Hum… As estacas no mapa parecem posicionadas a cada três pedras.

De ponta a ponta das espirais, nós procuramos, mas nada foi encontrado, até que...

— Olha! Esta aqui tem uma fita vermelha.

Rainbow Dash viu que uma das estacas do primeiro espiral era mais grossa e que possuía essa fita vermelha estranha ao redor dela.

— Aquela lá também! — Rainbow Dash indicou a que estava mais longe de nós, no terceiro espiral.

Voei rapidamente em direção àquela estaca do terceiro espiral, e vi outras duas no caminho, todas a mesma coisa…

— São quatro, posicionadas em uma linha reta...

— Escuta, o que é isso?

Ouvimos os trotes de alguns pôneis e o barulho de rodas.

— Rainbow Dash, rápido, esconda-se!

Peguei rapidamente uma nuvem do céu e levei o mais próximo dela.

— Onde!? Nós estamos no deserto, não tem como nos escondããã… — ela gritou:

Assustou-se quando a puxei para cima da nuvem, ao meu lado. Levamos a nuvem para cima antes que pudessem nos notar. De lá, foi possível visualizar e ouvir tudo o que acontecia:

— Mas chefe…

Observei a carruagem, e lá estavam todos eles: Sweet Pretzels, aquele pônei cinza, Ahuizotl e mais seis pôneis soldados seus.

— Ahuizotl! Eu sabia que ele viria! — exclamei, quase chamando a atenção deles para nós.

Rainbow Dash tapou minha boca com a sua pata por alguns segundos.

— Nada de ‘mas’, Sweet Pretzels! O seu burro de carga não presta pra nada.

— Eu não sou um burro senhor… — disse aquele mesmo pônei cinza que estava com eles para Ahuizotl.

— Não ouse me desafiar, um burro de carga faz mais do que você! Vamos soldados, levem estes pégasos para os estandes.

“Estandes!? Que estandes?” — pensei.

Eles revelaram. Haviam estandes, sim! Três deles, enterrados na areia! Bem no centro de cada um dos espirais.

— Nós não veríamos isso tão cedo! — sussurrou Rainbow.

Os soldados levaram os pégasos azuis em direção aos estandes e… Os desamarraram.

Estranho: aquela vez em que Sweet Pretzels os prendeu naquela armadilha, eles pareciam vítimas. Porém, agora eles estavam desse jeito, livres! Poderiam bater as suas asas e voar para longe... Mas não o fazem, por quê?

— Será que eles resolveram por recuperar o amuleto? Não, eu duvido disso!

Vi alguma coisa em torno dos seus pescoços, forcei os meus olhos para eles.

— Ah, então é isto! — apontei meu casco para que a Rainbow observasse.

Eles estavam usando colares de eletricidade, provavelmente seria ativado, eletrocutando-os caso desobedecessem. Alguém deveria estar os forçando.

— Temos que encontrar quem está com o controle daqueles colares.

Visualizei aquele do qual Rainbow Dash disse para mim, o terceiro e último pégasos:

— Nossa! Esse pégasos é enorme mesmo, é possível confundi-lo com um pequeno dragão!

— Não exagera Daring Do!

Quando os deixaram nos estandes das três espirais, cada um deles abriu suas asas de modo que se esticassem de estaca a estaca a prenderem suas asas nelas. O maior dos pégasos, quando o fez, ativou algo entre eles: abrindo as suas asas de forma que se esticassem até as extremidades do espiral central, ele encostou nas mesmas estacas que os outros dois pégasos. Com isso os olhos deles brilharam como relâmpagos, formando uma enorme linha horizontal vista dos céus.

— Wow! Talvez seja mesmo! Olha o tamanho das asas dele! — disse Rainbow, impressionada.

O brilho dos olhos deles cessaram.

— Não, não, aguardem um momento, está faltando alguma coisa! — disse Ahuizotl.

Ele começou a andar para lá e para cá, pensando.

— Aquele mapa não indicava uma das chaves no local do ato? Sweet Pretzels!?

— Eu não sei senhor…!

Ahuizotl bateu suas patas no chão!

— Não me diga que não sabe! Você estava com aquele mapa o tempo inteiro, onde está o mapa?

Eu pensei em dar uma olhada no mapa enquanto estávamos seguros na nuvem, mas quando fui pegar o mapa, ele não estava mais em minha posse.

— Ah, não! Onde está o mapa?

— Hã!? Você o perdeu? Como? — Rainbow me perguntou.

— Deve ter sido quando levei você para cá Rainbow, ajude-me a procurar!

Por um descuido, tenho certeza que deixei o mapa cair naquele momento em que subimos na nuvem. Agora deveria estar soterrado em algum lugar, debaixo das patas deles!

— Deixa comigo!

Rainbow Dash dividiu aquela pequena nuvem em que estávamos em duas menores, separando-se de mim, aos poucos movimentávamos furtivamente pelos céus à procura do mapa.

“Oh! Não sei se isso é a melhor maneira de procurar” — eu pensei, mas Rainbow já havia separado as nuvens.

Olhei para baixo, os soldados de Ahuizotl pareciam atentos a qualquer movimentação por perto. Não estava gostando disso.

Eis que, olhei para a Rainbow, ela fazia alguns sinais para mim, parecia ter encontrado o mapa.

Sweet Pretzels observava a estranha movimentação na nuvem, retirando um estilingue debaixo do seu chapéu. Eu parei para pensar.

— Não! Pare de sinalizar Rainbow, não!

Sussurrei bem baixo, fazendo gestos para que ela se abaixasse, mas ela demorou para me entender.

Era tarde demais: Sweet Pretzels atirou uma pedra para o alto, acertando diretamente uma das asas dela.

— Oh, aaaah… — Rainbow gritou, caindo da nuvem.

— Exatamente… No alvo! Haha… — Sweet Pretzels começou a rir.

“Oh, não, não… Rainbow!!” — pensei, desesperada.

— Eu estou falando com você Sweet Pretzels, e você brincando de atirar pedra em pássaros e rindo da minha cara!?

Ahuizotl colocou as suas garras no pescoço de Sweet Pretzels:

— Uh… Veja... Senhor…! — ele apontou para o alto, enquanto a Rainbow caía.

Queria muito sair daquela nuvem e descer para salva-la, mas ela estava muito perto do chão, caindo diretamente para aqueles soldados. Eram muitos, eu não daria conta de todos eles sozinha. Ela estava fora do meu alcance e eu precisava permanecer em segredo.

— Ora, ora! O que nós temos aqui? — disse Ahuizotl ao encontrar a Rainbow ferida — uma pégasos bisbilhoteira e intrometida? Soldados, amarrem-na!

Eles a levaram para longe, a amarraram na estaca do primeiro espiral sob a ponta da asa do primeiro pégasos. Fiquei com os olhos atentos para encontrar o mapa e uma oportunidade para tira-la de lá.

“Não deveria ter deixado ela sair de perto. Agora tudo ficou mais difícil.” — pensei.

Passaram-se alguns minutos, descobri uma pedra acima do estande central, na extremidade do espiral, não era uma estaca seguida a cada três pedras iguais as outras, mas outra pedra, diferente e com uma fechadura!

— Vocês não vão me dizer nada, não é mesmo? — disse Ahuizotl para os pégasos.

Sweet Pretzels entregou aquele cajado azul, o Amuleto Sagrado de Hoovesdraw, para ele.

— Ficarei até quando aqui esperando por ela Sweet Pretzels!? Você não disse que estava com a chave?

— Bem, eu estava com ela, mas aquela pégasos roubou de mim…

“Oh, minha nossa! O mapa também é uma chave?” — eu pensei, estava confusa.

— Sem desculpas, eu quero que você a encontre!

Ahuizotl com o seu rabo segurou a nuca de Sweet Pretzels de modo a levanta-lo do chão, e olhou diretamente em seus olhos. Estava furioso com ele.

— Agora!! — gritou Ahuizotl.

— Si… Si... Sim, senhor!

Rainbow Dash, de longe, observava seus amigos. Outrossim, eu os vi, trotando na direção de Ahuizotl e seus guardas. Não tinha ideia do que fazer quando se deparassem com eles, mas eles não sabiam de nada. Eu deveria salvar o mapa, que também era a outra chave do enigma, ou salvar a Rainbow Dash!?

— Rainbow! — chamavam por ela.

Twilight, Rarity, Fluttershy, Pinkie e Applejack estavam preocupadas. Trotaram rapidamente para perto dela assim que a viram, mas dois dos guardas de Ahuizotl as impediram.

Pararam de trotar.

— Ei! Soltem a Rainbow! — disse Twilight.

— Hããã!! — suspirou, fascinada — Olhem só para estas armaduras, elas são tão lindas! — exclamou Rarity, com um brilho nos olhos.

As outras pôneis olharam com seriedade para Rarity.

— O quê foi? Elas não são maravilhosas?

— Mas o quê em toda…! Não é aquele diacho de Azuo… Asot... Como é o nome dele mesmo? — perguntou Applejack apontando para Ahuizotl.

— Ahuizotl, sim, é Ahuizotl, o próprio! Deve estar tramando alguma coisa — disse Twilight, não gostando da ideia.

— Ohh... É… Com licença, será que eu posso…

Fluttershy tentou se aproximar, mas aqueles mesmos dois guardas de Ahuizotl impediram que Fluttershy chegasse à Rainbow.

— Oh! Tudo bem, então.

Ela estava saindo, mas Rainbow demonstrou que estava ferida ao reclamar da dor e com isso Fluttershy vislumbrou a asa machucada da Rainbow. Ficou em choque no mesmo instante e tentou correr para salva-la, mas os guardas apontaram duas lanças para ela, ameaçando-a de um ataque.

Neste instante, eu voei o mais rápido que pude para a areia do deserto. Eles me viram! Tentei a captura do mapa enquanto corria para a Rainbow Dash, desviando dos guardas, mas não obtive sucesso.

— Fluttershy! — bradou Pinkie.

— Aahhh! — murmurou Fluttershy.

Fluttershy virou para trás, colocando as patas na frente do seu próprio rosto. Ouviram as duas lanças perfurando...

— Fluttershy!!

Twilight e Applejack gritaram assustadas enquanto Pinkie momentaneamente ficou de boca aberta, e Rarity quase a desmaiar.

Mas os dois guardas estavam desmaiados e o barulho das duas lanças perfurando era apenas elas caindo sobre a areia. Foi um coice certeiro que dei naqueles guardas pouco depois do brado que a Pinkie Pie deu que salvou Fluttershy.

— Olhem, é a Daring Do! — disse Pinkie Pie.

— Vamos, tirem a Rainbow Dash e vamos dar o fora daqui! — disse Applejack, desesperada com o perigo do lugar.

Assim, com os dois guardas desmaiados e os quatro restantes a ficarem próximos daqueles pégasos e do Ahuizotl, nós chegamos perto da Rainbow Dash.

— Hehe… He… — riu envergonhada — Oi pessoal...

— Rainbow Dash, onde você estava? — perguntou Twilight.

— Não tenho... Muito tempo... Para explicações... — Rainbow disse enquanto se esforçava para retirar as suas asas das amarras naquela estaca.

— Ela me encontrou — eu disse para elas.

Rainbow Dash estava livre novamente.

— Ocê está bem Rainbow Dash? — perguntou Applejack.

— Eu estou sim, mas a minha asa… Está doendo!

— Oh! Rainbow, o que fizeram com você? — perguntou Fluttershy, massageando a asa dela.

— Eu sei muito bem quem machucou ela, e ele vai ver só!

Sweet Pretzels olhou para mim com medo do meu olhar.

— Não tô gostando disso — disse Applejack.

— Eu estou bem, eu vou melhorar — disse Rainbow — ajudem Daring Do a impedir Ahuizotl de colocar as mãos naquele amuleto!

— Hum…

Twilight pensava.

— Isso é algo a respeito do Amuleto Amaldiçoado de Hoovesdraw? — perguntou Twilight logo depois de observar a cena, mostrando-se conhecedora do assunto.

— Sim, como você sabe?

— Eu tenho um dos livros deles, é só uma velha lenda, não... É...? — disse Twilight, engolindo a própria saliva.

— Parece que não.

Então um breve silêncio se fez, e uma risada sinistra se sucedeu para todos nós:

— Hahaha! Hahahahaha! Hahaha…!

Todos nós olhamos para Ahuizotl.

— A chave, eu a encontrei!

Ele estava com aquele mapa que eu deixei cair, em uma de suas garras, e o Amuleto Sagrado em outra! Trotei em direção a ele e os quatro soldados restantes de Azuihotl se posicionaram na minha frente.

— Venham!! — eu exclamei aos guardas, estava preparada para lutar.

— Se a Rainbow Dash disse — Twilight olhou para mim e depois para suas amigas —, vamos ajuda-la!

Todas elas responderam:

— Sim, certo!

Twilight, Applejack, Pinkie Pie e a Rarity ficaram do meu lado.

— Daring Do, deixem eles conosco! — disse Rarity

— Certo, tomem cuidado, eu os impedirei! — respondi a elas, observando que Rainbow se aproximava — E Rainbow, fique longe, você nao está em condições de lutar.

Rainbow Dash olhou para mim e disse:

— Eu não posso voar, mas quem disse que não posso lutar? — sorriu para mim dando mais alguns passos à frente — Eu estou bem, e como posso ser leal aos meus amigos deixando eles em perigo na minha frente? Eu irei com você Daring Do!

— Ocê tem certeza disso? — Applejack disse.

Rainbow Dash mexeu as suas asas e respondeu:

— Sim, com certeza!

Fui modesta, mas ela resolveu ir atrás do temível Ahuizotl e aquele desgraçado do Sweet Pretzels ao meu lado.

Aos trotes, eu e Rainbow Dash fomos em sua direção, mas observamos aquele pônei cinza, ele estava com o controle dos colares naqueles pégasos, nós o observamos em seus cascos! Ahuizotl não tinha tempo para ler o que estava no mapa, contava com a vitória muito cedo, e sem aqueles pégasos de nada adiantaria suas chaves.

— Rainbow Dash, pegue o controle dele, eu tomarei conta destes dois!

— Certo!

Ela passou por mim, e eu fiquei diante daqueles dois...

— Ahuizotl, Sweet Pretzels, vocês vão ver!

Pulei em cima do Sweet Pretzels assim que pude, comecei a lutar contra ele.

Aquele pônei cinza era rápido, e Rainbow Dash não podia voar depois do ocorrido, estava tendo problemas para tomar o controle dos seus cascos. As amigas de Rainbow ainda estavam tendo problemas com aqueles soldados, mas olhando para elas, vi que estava tudo bem. Eu, por outro lado, desviava dos tiros de estilingue do Sweet Pretzels enquanto Ahuizotl estava decifrando o mapa, a situação não parecia boa.

“Eu te peguei!” — pensei.

Sweet Pretzels caiu no chão.

— O quê?

Ele começou a trotar para longe, e o que eu havia pego era o estilingue dele.

— Isso é pela Rainbow!

Atirei uma das pedras enquanto ele trotava, acertando exatamente em seu flanco.

— Agora, eu serei poderoso! — bradou Ahuizotl a desvendar o segredo do mapa, colocando o Amuleto Sagrado de Hoovesdraw naquela fechadura.

Nuvens negras cobriam a do luz do Sol enquanto ele a girava. O céu começou a relampejar. Os espirais fechavam-se em forma de um triângulo. Conforme a chave alcançava o fim do seu trajeto, uma tumba se abria logo à nossa frente, abaixo da areia ao oeste do deserto.

Todos nós perdemos o nosso foco, assustados e atentos com a fúria dos trovões. Mas eu logo olhei para Ahuizotl e disse:

— Não!

Chamei a atenção de Ahuizotl e tentei lutar contra ele antes que pudesse colocar suas garras no tesouro no final da tumba.

— Ele será todo meu, Daring Do!

Avancei para dentro da tumba atrás de Ahuizotl, mas com a sua cauda ele me jogou para trás. Levantei do chão e continuei atrás dele.

Na parede no final da pequena tumba, estavam quatro fechaduras, uma para cada das bordas de ouro e prata das extremidades do mapa. Apenas aquilo e ele seria imortal…

Tentei várias vezes impedi-lo, sem sucesso. Atirei uma pedra com o estilingue e ele conseguiu a refletir de volta para mim.

Olhei para trás, aqueles três pégasos estavam logo atrás de mim, sem aqueles colares, e com todos os soldados de Ahuizotl assim como Sweet Pretzels presos naqueles colares, e com o controle em posse dos pégasos!

“Rainbow Dash conseguiu!” — pensei.

Eu estava comemorando cedo demais, Ahuizotl estava colocando a terceira chave na parede.

— Não!!

Eles voaram numa velocidade surpreendente até Ahuizotl e o prenderam antes que pudesse colocar a quarta chave na fechadura.

Um estrondo ensurdecedor surgiu atrás de mim, a tumba parecia estar se fechando por causa deles terem saído dos estandes.

— Rápido, vamos sair daqui! — disse para eles.

Os pégasos nem olharam para mim, apenas disseram:

— Pode sair, este lugar é nosso.

— Mas… Vocês ficarão presos aqui!?

Um deles se virou e disse:

— O que um dia foi nosso, agora não é mais. Temos o nosso dever de proteger a nossa família.

— E quanto a ele?

— Ele? — apontou para Ahuizotl — Ficará conosco a pagar por tudo que tentou fazer contra nós, assim como estes pôneis.

Sem tempo, eu vi que metade da tumba já estava fechada. Eu observei os pégasos. Estava com pena e com orgulho deles, talvez tenha escorrido uma lágrima dos meus olhos, não sei dizer… Então voei para a saída.

— Você irá me pagar, Daring Do!... — bradou Ahuizotl.

Eu pulei para fora. A tumba se fechou com todos eles lá dentro.

Os céus pararam de relampejar e os espirais retornavam à sua posição original. Rainbow Dash e suas amigas, estavam todas bem.

— Nós conseguimos! — eu logo gritei de alegria.

— O que aconteceu com Ahuizotl, onde eles foram? — Rainbow me perguntou, tentando esticar as asas.

— Ele ficou na tumba com aqueles três pégasos.

— Hum… Espera um pouco, Ahuizotl ficou preso na tumba? — perguntou Twilight.

— Sim, ele ficou… Tem algum problema?

— Isso quer dizer que ele ficará alguns anos sendo o escárnio em Hoovesdraw.

— Escárnio em Hoovesdraw, como assim Twilight?

— É… Desculpa perguntar, mas o que é escárnio? — perguntou Fluttershy.

— Algo ridículo, zombador, motivo de riso.

— O que tem de zombador ou ridículo neles? — eu perguntei.

— Na verdade, segundo a lenda da maldição de Hoovesdraw, todos os anos uma criatura malévola deve surgir na tumba do deserto para ser motivo de riso e zombação: as criaturas malévolas que passarem por lá são obrigadas a usar amuletos que fazem tudo contra a sua vontade, exceto quando eles desejam coisas boas.

— Mas os amuletos não servem somente a unicórnios?

— Não, na verdade, não. Apesar de ainda existir alguns unicórnios presentes na família Hoovesdraw, este não é o fato…

— Espera, ainda há unicórnios na família? — perguntou Rainbow.

— Sim, os primeiros descendentes ainda são unicórnios.

— Isso quer dizer que a lenda do livro que Daring Do pegou era falsa?

— Criaturas de qualquer espécie podem usar estes amuletos, é por isso que a família se esconde nas profundezas do deserto, protegendo-os de qualquer mau que encontrarem. Mas durante isso, eles prendem todos os intrusos, fazendo este ritual de riso para descobrir se encontram a bondade neles.

— E o que acontece depois diss’? ‘Les nunca sairão di lá? — perguntou Applejack.

— Se eles forem bonzinhos, podem retornar a Equestria ou, se forem maus, a lenda diz que ficarão para sempre como pégasos e súditos da família — Twilight riu solenemente — acho que eles vão passar um bom tempo por lá.

Todos começaram a rir.

— Isso quer dizer que aqueles pégasos que nós vimos são súditos, escravos daquela família, e não descendentes dela? — perguntou Rainbow.

— Sim.

— Mas eles não pareciam maus, e isso não explica o jeito deles quando encontrei com Sweet Pretzels desde o Império de Cristal, eles pareciam amedrontados sempre que negociavam com alguém. — eu disse.

— Eles encontram criaturas com atitudes ruins e os incitam a ir atrás dos amuletos da família, se eles forem maus e almejarem o poder, certamente irão atrás. É difícil de descobrir sua verdadeira identidade. Provavelmente ficavam amedrontados quando encontravam alguém de bom coração pelo caminho, para não colocá-los em um perigo desnecessário. São inteligentes.

Fiquei impressionada.

— Vamos, está ficando tarde… — disse Rarity.

— E fazendo frio…! Brrr… Podemos usar isso!? — disse Pinkie Pie, apontando para a carruagem.

— Vamos! — todos responderam, menos eu.

— Você não vem conosco Daring Do? — perguntou Rainbow.

Eu voei em sua direção e a abracei, sem encostar em sua asa.

— Não, eu tenho outros trabalhos para fazer, espero te ver melhor.

Ela ficou triste.

— Obrigado pessoal, sem vocês talvez eu não teria conseguido.

Todas elas me abraçaram.

Sorri para elas, e elas sorriram para mim de volta no início do pôr do Sol...

Notas finais
Obrigado a todos pela leitura desta fanfiction. Aprecio qualquer sugestão, crítica e opiniões a respeito dela.
Foi inteiramente desenvolvida e escrita por mim, Guilherme Lopes Bezerra (a.k.a. Calena).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!