Quando eu e Harry voltamos para a festa ouvi meu celular tocar. Era um número desconhecido, mas mesmo assim atendi.

- Pois não?

- Oi! É do hospital, você se chama Emma e é filha do Robert?

- Sim, sou eu! Porque? Aconteceu alguma coisa com o meu pai? Quem está falando?

- Um vizinho me deu seu telefone e pediu que eu te ligasse, seu pai não está muito bem! Sugiro que alguém da família venha até aqui.

Desliguei, deixei Harry ali sozinho e fui avisar minha mãe. Meu pai ainda morava na Califórnia e é claro que minha mãe não poderia largar o trabalho e ir para lá. Então eu decidi ir, não sabia o que ele tinha, nem em qual hospital ele estava, mas precisava ir até lá.

Me despedi de minha mãe, de Louis e de todo mundo. Harry me levou para casa e enquanto estávamos no caminho de casa ele disse:

- Você não vai sozinha, eu vou com você! – Harry disse.

- Você pirou? Eu to bem, vai dar tudo certo.

Entrei em casa, peguei umas coisas e coloquei dentro de uma mala, arrumei uma bolsa e joguei tudo dentro do carro.

- Você me leva pro aeroporto? – perguntei.

- Que pergunta... Certeza que não quer que eu vá?

Sorri e beijei sua testa.

No caminho até o aeroporto não trocamos uma palavra. Não sabia como ia ser ficar esse tempo fora, não sabia nem quanto tempo ia ficar por lá. Eu estava uma pilha de nervos e não conseguia pensar em nada.

Quando chegamos no aeroporto notei aquelas pessoas correndo de um lado para o outro – provavelmente atrasadas – e tentei achar um lugar onde pudesse comprar uma passagem. Depois de andar durante alguns minutos finalmente consegui um voo que – para a minha sorte – sairia apenas há alguns minutos.

Harry estava achando tudo uma loucura e provavelmente estava tentando digerir tudo aquilo afinal, ele tinha acabado de me pedir em casamento... Acho que ele não imaginou que o dia terminaria daquela maneira.

- Tem certeza? Não quer esperar até amanhã? Quem sabe eu não vá com você... – Harry disse.

- É o meu pai, me desculpa. Eu acho que sei o que estou fazendo. Não se preocupa eu te aviso quando chegar lá.

- Se você prefere assim... Boa viagem, eu te amo. – Harry disse enquanto me abraçava.

- Obrigada, eu também. Te ligo mais tarde.

Nos beijamos e sentir meu coração apertar quando entrei no avião. Talvez podia ter esperado até a manhã seguinte mas... Meus pensamentos foram interrompidos pela aeromoça que dava as instruções que todos já sabem.

Eu dormi a maior parte do voo. Ao chegar na Califórnia senti medo e estava confusa devido ao fuso horário. Quando cheguei estava no começo da noite. Peguei minha mala e sentei em um daqueles bancos desconfortáveis de aeroporto.

Liguei para minha mãe, para Louis e Harry. Mandei uma mensagem para os meninos e resolvi procurar o hospital que meu pai estava. Liguei naquele mesmo numero que havia me ligado mais cedo.

- Boa noite, queria saber qual hospital é esse... Recebi uma ligação mais cedo e...

Uma moça um tanto quanto simpática me deu todas as informações que precisava. Peguei um taxi e cheguei no hospital. Fui direto ao balcão de informações onde um moça – provavelmente a mesma que havia me atendido – disse que meu pai estava no segundo andar, quarto de número 241.

Encontrei com um médico no caminho e perguntei sobre o que havia acontecido com meu pai. Sentamos em uma sala de espera enquanto ele me dizia que meu pai havia sofrido um acidente de carro e que provavelmente teria que ficar alguns dias ou semanas internado, mas que não corria risco de vida – uma das coisas que eu mais temia.