Dare To Dream
2 Banho de sol
Notas iniciais
PS.: o capítulo chama "banho de sol" porque para a Jennifer a escola era uma cadeia, ela detestava aquilo, pelo menos aquela que ela estudava. Na cadeia, os presos tem um momento de "liberdade" no pátio, que chama de banho de sol (eu acho u.u), então o tempo antes dela entrar na escola era o seu banho solar.
Acordei irritada, entediada e decepcionada. Não que meus outros dias fossem melhores, mas só pela noite que tive, estou prevendo o saco que vai ser. Embora tenha tido um dos melhores sonhos da minha vida, aliás, foi o melhor momento de todos, só teve um defeito: ter que acordar, o que significa que não aconteceu. Um sonho?! Ter um sonho estranho com seu ídolo de vez em quando é normal, mas esse não foi o primeiro. Ouvi dizer que sonhos são tipos de sinais, e esse me pareceu tão real. Minha ansiedade para que depois de amanhã chegue logo pode ter causado esse sonho também, já que sairá a lista da turnê mundial.
Mas hora de aceitar e seguir em frente. Sinal ou não, não iria descobrir se ficasse ali pensando e pensando e minha ansiedade também não iria diminuir, só iria me fazer perder aula e por mais que eu odiasse aquele covil, popularmente conhecido como escola, a única condição que minha mãe impôs pra mim fazer meu intercâmbio, era conseguir completar pelo menos o primeiro colegial com notas boas. "Cada escolha tem seu sacrifício" dizia mamãe, sempre que encontrava uma brechinha, ou seja, sempre.
*Notas on*
Escola sempre foi mais que um tédio pra mim, pelo menos a que eu estudo. Não aguentava ficar cinco horas encarando professores chatos, que estavam com tanta vontade de dar aula assim como eu estava com vontade de assisti-las. Nenhum dos grupinhos da escola me atraiam. Vamos combinar que não é nada prazeiroso ficar ouvindo meninas reclamando que seu pai não deu dinheiro à elas pra comprar "o sapato de salto lindo, chique e caríssimo" , ou outras que tiveram meio ponto descontado do teste, ou que levou um fora do ficante, ou seja lá qual for o assunto, nenhum deles é agradável.
Anna era a única pessoa que me fazia sentir bem ali, ela também era Directioner e Louis era seu favorito. . Cresci com ela e estamos juntas sempre. Exceto pela escolha de salas, porque esse ano os maravilhosos professores resolveram nos seprar. Mas isso é o de menos. Temos uma amizade tão forte, que é mais que fraternal. Sem dúvida ela é a única pessoa, depois de mamãe, que eu sei que posso confiar.
Eu nunca conheci meu pai. Sempre foi eu, minha, Polo, mamãe, mas na minha vida havia Anna e Joanne, sua mãe, que eu chamava carinhosamente de tia. Aliás, mamãe e tia Jo eram muito amigas também, eu e Anna. E essas eram as únicas pessoas — e Polo — que me faziam me sentir completamente bem com sua presença, conseguia ser eu mesma.
*Notas off*
Lutei contra a preguiça e o sono e levantei da cama, lentamente mas consegui. Esfreguei os olhos e fui direto pro banho. A água quentinha batia em meu rosto e eu comecei a relembrar todo aquele sonho. Embora tenha ficado decepcionada, senti uma vontade de rir um pouco ao perceber o quão louco seria se acontecesse. Eu sempre canto quando eu estou no banho, não sei o porquê, mas é inevitável.
"Happy Birthday to you, happy birthday to you, happy birthday to you, my Liam..." Cantarolei, mesmo não sendo 29 de agosto, mas como Liam gostava de cantar essa música no banho, foi a primeira coisa que me veio a mente. Fiquei mais um tempo ali, pensando na vida.
- Jen, vamos! Você vai se atrasar! — anunciou minha mãe, aos berros. — Jennifer, anda logo! Vá se aprontar.
- Tá bom mãe! — respondi e pensei "que saco".
Ao sair senti a brisa um pouco gélida, que me fez tremer. Corri para o guarda-roupa escolher alguma coisa confortável. Já que cantei para Liam, seria hora do Zayn. Coloquei uma jeans, all star vermelho e jaqueta varsaty, como a do Zayn. Prendi o cabelo num rabo de cavalo de modo que só minha franja ficasse na lateral esquerda. Percebi que Polo ainda arranhava a porta e latia, "Oh, meu Deus, esqueci de você, amigão!". Abri a porta e ele veio em disparada e pulou em mim, o que quase me fez ir ao chão (ele era de raça Bouvier Bernois). Minha bolona de pêlo estava com o rabo abanando mais rápido que nunca, quando olhei pra ele, tive a impressão dele estar sorrindo pra mim e o abracei. Polo latiu e correu pelo quarto, alegre.
- Polo, vem cá, bobão. — Chamei gargalhando. Ele era tão fofo que era impossível não se encantar.
Ele veio correndo, latindo e latindo e pulou em cima de mim e desta vez, sim, me levou ao chão e me deu uma lambida da bochecha aos olhos. Estava tendo um ataque de risos e quase não conseguia me mexer com tanto peso em cima de mim.
- ECA, POLO! PARA DE ME LAMBER *risos* SAI, BOBÃO... SAI — tentava dizer em meio as gargalhadas, mas era difícil, sentia estar ficando vermelha. Polo tentava lamber meu rosto, mas conseguia me proteger com as mãos.
- Vem, Polo! Agora! — Ordenou minha mãe, que me olhou no chão, em pleno ataque de risos, limpando meu rosto com cara de nojo. A essa altura eu já estava toda descabelada e cherando a cachorro. Mamãe começou a rir de mim e eu fiz biquinho "para, mãe." — Desculpa, meu anjo, mas a cena foi engraçada. — Ela passou a mão no rosto e suspirou. — Mas agora chega, vá correndo lavar esse rosto e tirar esses pêlos de cima de você, se não irá se atrasar. Ainda tem que tomar seu café antes de ir, então agiliza.
Obedeci, peguei minha mochila e logo desci. Enquanto estava tomando café, minha mãe pegou minha mochila e ficou analisando-a. Ela era preta com corações coloridos estampando todo o pano. Enchi o bolso da frente com bottons do One Direction pra ficar mais com a minha cara. Minha mãe olhava confusa, parecia que estava tentando descobrir o nome de cada um dos meninos. Ao ver aquilo não consegui evitar um breve riso, que a fez olhar pra mim e perceber sua posição, e riu também.
- Você gosta mesmo deles, não é?
- Sim, mamãe. Eles me fazem.. me fazem me sentir bem, bonita e feliz..
Ela apenas me olhou por uns instantes, sorriu e se virou, me deixando terminar o café sozinha. Escovei os dentes e segui pro carro. Antes de ir pra escola, pegávamos Anne.
No carro, coloquei meu Up All Night pra ouvir, como sempre fazia e me surpreendi ao ver minha mãe cantando WMYB. Ela catava tudo errado, mas fiquei feliz ao vê-la. Ela não tinha uma voz ruim, só seu inglês mesmo. Rindo, olhei pra frente e continuei cantando.
Chegamos na casa da Anne e mamãe buzinou. No caminho da casa até o carro, gritei:
- Por acaso você é Louis que pediu um boat?
- He dresses like he owns one cause he's got no other clothes.
Risos e mais risos. Ela entrou no carro e seguimos nós três, cantando One Direction como se não houvesse amanhã.
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