Dar-se Uma Chance
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Desculpem a demora, mas eu tenho uma boa justificativa para essas pausas mais alongadas entre um capítulo e outro; é intencional, porque eu não estou conseguindo dar conta de todas as minhas tarefas cotidianas. Eu sei MUITO bem o que é trabalhar com prazos apertados, eu sei que deveria ter mais compromisso com vocês... Eu sei muito bem disso tudo, mas eu sou velha demais para deixar a minha mãe pagar as minhas contas, por isso, eu tenho que colocar a mão na massa para suprir as minhas necessidades, ou seja, não me sobra tempo e nem cabeça no final do dia.
Nessas últimas semanas, eu fiquei completamente sem inspiração nenhuma para escrever. A vida está me dando na cara e eu voltei a ter crises de estresse. Pra mim, não vale a pena escrever quando estou nesse tipo de humor, porque o texto sai um lixo; dá-me a impressão que estou empurrando a história com a barriga e isso é imperdoável. Eu quero fazer algo decente e pra isso, precisei de um tempo para pensar.
Já defini um final, vai demorar mais um pouco para sair, mas, enfim... E defini outros aspectos importantes do enredo também, porque eu estava improvisando demais e já estava começando a perder o foco da trama. Horrível!
Obrigada pelos últimos comentários e favoritos... Agradeço de coração a NYV, pela recomendação fofíssima. Achei que as recomendações tinham acabado, mas sempre aparece alguém para me surpreender. Eu continuo essa história por causa dos meus leitores lindíssimos, porque se dependesse de mim, eu desistiria na metade. Eu odeio Dar-se Uma Chance, eu não suporto lê-la.
Espero que vocês não tenham me abandonado, haha! E, ah... Antes que eu me esqueça, esse capítulo tem vocabulário e está nas notas finais.
Beijocas! ♥
Escrito por KiiinN
Revisado por SamaChan
"Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito." — Oscar Niemeyer.
Capítulo 14
Sasuke estacionou seu Hyundai Genesis Coupé em frente à casa branca e bonita da família de Minato Namikaze. Ele havia debatido consigo mesmo a semana inteira sobre o que estava para fazer; interiormente, ainda tentou convencer-se de que a culpa do desentendimento absurdo que teve com Naruto era, de fato, do loiro barulhento, mas, avaliando melhor toda a situação, percebeu que a grande parcela da responsabilidade era dele, por ter sido orgulhoso o bastante para não admitir para o homem que foi peitar Hozuki Suigetsu a fim de evitar intrigas futuras.
E por orgulho, ele quase desistiu de ir conversar com o Uzumaki. Foi preciso uma semana inteira de silêncio da parte do mais novo para que ele pudesse tomar uma decisão, e, mesmo agora, o Uchiha não estava muito certo se conseguiria pisar em seu ego para correr atrás do outro homem.
Tamborilando os dedos no volante de forma impaciente com a sua própria irresolução, o corvo respirou fundo, antes de sair do carro. Quanto mais rápido fizesse, mais rápido terminaria, dessa forma, ele não teria como se arrepender.
Sasuke fez questão de calar seus pensamentos pessimistas para evitar que eles o fizessem correr de volta para o automóvel e arrancar para longe daquele lugar.
Ele tocou a campainha demonstrando uma segurança que não condizia com os seus reais sentimentos. Algum tempo se passou e ele pôde ouvir passos pesados do outro lado da porta, até que esta se abriu para revelar uma mulher pequena com os cabelos vermelhos vibrantes. O tom de ruivo dos fios que compunham a cabeça da fêmea era tão exótico e brilhante, que parecia uma cascata de chamas reluzentes. O estudante de administração estava quase hipnotizado.
– O que você quer, garoto? Eu não tenho o dia todo! – exclamou impaciente com a demora do rapaz em vocalizar o que queria. Se ela tivesse parado para prestar a devida atenção, perceberia que o corvo era bastante familiar.
“Bonita, mas grosseira. Até parece alguém que conheço...”, o moreno pensou com uma pitada de tédio.
– Sra. Uzumaki? – perguntou em dúvida.
– Sim e quem é você? – ela se apoiou no batente da porta e cruzou os braços diante dos seios. Kushina usava um vestido largo de lã bordô com mangas compridas, o comprimento da roupa ia até o meio das coxas e para cobrir as pernas torneadas, usava meia-calça preta fio 120. O visual a deixava mais baixa e os pés descalços no assoalho de madeira faziam com que ela parecesse uma criança arteira e malcriada.
– Sou Uchiha Sasuke, estou procurando pelo seu filho. – ele respondeu educadamente, estendendo a mão para que ela o cumprimentasse.
A matriarca olhou a palma estendida com uma sobrancelha erguida e voltou a encarar os olhos negros com uma densidade assustadora nos orbes cinza-chumbo. Sasuke começou a se sentir nervoso com o escrutínio indisfarçado, pois a mulher parecia ler todos os segredos da sua alma. Ele deveria ter escutado os alertas de Naruto sobre Kushina Uzumaki ser intimidante.
– E o que você quer com ele? – ela indagou com um tom de voz grave, que mostrava toda a seriedade contida naquela pergunta.
O moreno não sabia dizer o porquê, mas ele sentia que a questão tinha muito mais significados do que realmente aparentava. Algo em seu interior lhe gritava que se a resposta não agradasse a mulher à sua frente, ele arranjaria uma inimiga perigosa, caso o contrário, conseguiria uma amizade e um apoio incondicional.
Antes que ele pudesse se expressar, uma familiar voz rouca e o som de passos pesados descendo as escadas correndo interrompeu a breve conversa entre os dois:
– Mãe, você viu a minha camiseta laranja? – o homem perguntou distraidamente sem reparar em quem estava na porta, surgindo no campo de visão de Sasuke usando apenas uma calça jeans que caía baixo no quadril magro.
O loiro passou o braço esquerdo pelos ombros pequenos da mãe, fazendo com que ela aproveitasse da proximidade para bater no peito desnudo com um tapa ruidoso.
– Qual delas? Você tem uma infinidade de camisetas laranja, Naruto! – exclamou mal humorada.
Sasuke observava a interação entre mãe e filho com um meio sorriso divertido. Nessa pequena troca, ele pôde observar que se havia alguém que pudesse controlar a personalidade faceira do macho à sua frente, essa pessoa seria Uzumaki Kushina.
Quando o rapaz loiro iria retrucar, ele pagou um breve olhar para o visitante que estava na porta e se surpreendeu ao encontrar o corvo.
– Sasuke? – incredulidade pontuou o timbre masculino. – Estava me arrumando para ir até sua casa. Acabei de ligar para a Karin para saber se você estava em Nagano ou em Niigata.
– Hn. – pausa reflexiva. – E por que você não ME ligou para saber sobre isso? – contrapôs secamente.
A ruiva parou para prestar atenção na conversa. A mulher deu um sorriso misterioso, enquanto pensava que havia acabado de encontrar alguém que pudesse colocar um limite no filho, juntamente com ela.
Quando Naruto namorava Haruno Sakura, ele sempre dava um jeito de contornar as broncas que receberia; e tolamente, a rapariga nunca reparara no jeito esquivo da raposa. Os olhos azuis cerúleos quando adquiriam aquele aspecto de cachorro abandonado era quase um castigo e ela sabia muito bem como eles eram convincentes, afinal, tinha duas pessoas para dar como exemplo. O homem que estava diante de si – com o olhar firme e jeito sério –, poderia até dar corda para os desvios do mais novo, mas sempre daria um jeito de pegar o loiro, antes que este percebesse.
Ela conhecia a força naqueles orbes negros. O rapaz tinha um raciocínio rápido e sagaz, mas ele não era Uzumaki Kushina.
Felizmente, porque ele estava prestes a conhecer do que ela era capaz para proteger a sua cria. A sua intuição de mãe lhe dizia que este homem poderia machucar o seu menino de forma “quase” irreversível se o relacionamento entre eles não desse certo, e, nesse caso, ela não hesitaria em mexer alguns pauzinhos para evitar que isso acontecesse.
A ruiva assistiu o loiro coçar a nuca e tentar sorrir, mas o gesto foi tímido e contido. Ele tinha dado um deslize gravíssimo. As íris aguadas pousaram na figura pequena da mulher, antes de voltar a encarar o amante.
– Vamos conversar lá em cima. – murmurou de maneira séria, antes de agarrar a mão pálida para puxá-lo para dentro da casa.
– Prazer em conhecê-la, Sra. Uzumaki. – ele fez uma reverência desajeitada, já que Naruto não lhe deu nem tempo para dar um encerramento adequado à conversa, e ele quase não teve chance de chutar os sapatos antes de entrar no hall de recepção.
Kushina observou os dois rapazes subirem as escadas para o andar superior e deu um suspiro resignado ao caminhar para a cozinha, a fim de preparar algum doce para o chá da tarde.
(***)
O loiro passou pela porta do quarto, praticamente arrastando o outro homem consigo. Ele mal esperou fechar a entrada para começar a atacar os lábios finos do amante, ao mesmo tempo em que chutava a madeira e girava a chave no trinco. Sasuke nem pensou sobre o ato, optando por correspondê-lo e afundar os dedos nos fios dourados, puxando-os de maneira firme, mas não dolorida.
A carícia era urgente e desesperada; ambos tentavam, naquele gesto, demonstrar toda a saudade que tinham sentido durante a semana torturante.
O mais novo praticamente prensou o moreno de encontro à parede, empurrando a perna esquerda entre as coxas do Uchiha e a pélvis contra o quadril delgado. O estudante de administração sibilou quando sentiu o atrito que o movimento causou na parte mais sensível de seu corpo. Para demonstrar seu apreço, ele tornou o beijo que compartilhavam ainda mais energético e intenso, fazendo com que as respirações saíssem pesadas pelos narizes de ambos.
Naruto passou a arrastar os lábios no maxilar cinzelado até chegar à carne do lóbulo da orelha do outro, mordendo e sugando com vontade. Ele dava longos suspiros, atiçando o corvo com o som de seus sopros tão próximo ao seu ouvido. As mãos bronzeadas passavam pelos músculos definidos das costas com uma pegada fundamentada até encontrar as bochechas da bunda do moreno e apertá-las com anseio.
Sasuke correu os dígitos pela nuca do amante e começou a apertar pequenos pontos de tensão naquela área, repetindo o mesmo gesto na base do pescoço e ombros, fazendo com que o loiro desgrudasse a boca que explorava a pele pálida para gemer em deleite e fechar os olhos mais apertados para apurar a sensação do toque que estavam operando milagres em seus nervos retesados.
– Eu já te perguntei por onde você andou esse tempo todo? – indagou, puxando o homem pela camiseta para jogá-lo na cama espaçosa e deitar ao lado do moreno. – Você deveria ter aparecido mais cedo na minha vida, juntamente com suas mãos mágicas...
– Idiota. – rolou os olhos, ao mesmo tempo em que tentava segurar um sorriso singelo. – Você me fez essa pergunta estúpida quando nos conhecemos no festival.
Orbes azuis encararam o teto reflexivamente.
– É verdade... Eu me lembro... – deu um sorriso cafajeste. – Sua boca também deveria ter entrado na minha vida mais cedo. – virou-se de lado para encarar o perfil do Uchiha. – Você é sempre tão bom no que faz; tão bonito... – murmurou com a voz cada vez mais rouca, começando a brincar com o cós da calça jeans azul escura. – Sempre tão sexy... – o timbre era quase um estrondo grave e intenso, apesar de baixo. – Por isso eu me tornei tão ciumento. – desabotoou a peça em um único movimento hábil do indicador e polegar.
– O que está querendo dizer? – inquiriu apenas para ouvir as justificativas do mais novo, pois ele já sabia sobre o que Naruto se referia. Ele alternava o olhar entre a face cheia de marquinhas de bigode de raposa e os dígitos que brincavam com sua roupa. De repente, ele não sabia em qual dos dois deveria prender a vigilância.
Era óbvio para o corvo os motivos do Uzumaki, afinal, ele não era nenhum imbecil. O moreno ficaria igualmente marrento se os papéis se invertessem – caso alguém viesse exigir os direitos de propriedade sobre o seu loiro. Seu e de mais ninguém.
– Sabe por que eu te chamo de Suke? – perguntou repentinamente, ao mesmo tempo em que descia o zíper, revelando ainda mais da cueca boxer preta.
Uma sobrancelha negra se ergueu diante à questão, rapidamente decidido sobre prestar atenção nas palavras do homem, mas observar com cuidado os movimentos calmos e controlados da mão bronzeada.
– Não. – respondeu simplesmente, já se sentindo enrijecer de antecipação. Sasuke moveu um pouco o quadril, dizendo indiretamente que o outro deveria se apressar.
– Porque Suke me lembra “suki¹”. – a declaração atraiu total atenção de Sasuke, que o olhou com os olhos arregalados em choque. — Hontōni kimi ga suki, Sasuke². – sorriu de forma quase brilhante.
O Uzumaki era o único que conseguia falar coisas como essas parecendo um idiota. O sorriso escancarado, as pálpebras semicerradas, as pequenas rugas no canto exterior dos olhos e as cicatrizes repuxadas lhe davam um conjunto exótico e carismático que o atraía e hipnotizava. Seu coração se aqueceu e acelerou como louco dentro do peito, de maneira quase dolorosa, e o moreno mal se conteve ao puxar o outro homem pela nuca e colar os lábios juntos em uma carícia quase desesperada – sua maneira “sutil” de dizer que o sentimento da raposa era recíproco. O estudante de administração não conseguia definir o que sentia; era uma alegria tão grande, que parecia querer explodir seu íntimo.
As línguas se tocaram ao mesmo tempo e o beijo parecia sincronizado e ensaiado. Ambos rolaram pela extensão do colchão e só pararam quando os dois corpos colidiram com a cabeceira de madeira. O Uchiha colocou todo o seu peso no tronco do outro macho, querendo colar-se ao Naruto para que nenhum deles pudessem se separar novamente.
O corvo teria ficado assim por tempo indeterminado, se o mais novo não tivesse agarrado as laterais do rosto pálido para afastá-lo de si.
– Desculpe. – murmurou. – Eu agi como um idiota. Infelizmente, naquela hora, eu não pensei em ser sensato, porque estava louco de raiva e de ciúme. Eu não te procurei essa semana e nem te liguei para saber onde estaria esse final de semana, pois eu acreditei que você estava chateado; confesso que o orgulho me impediu também... — ele engoliu em seco, refletindo sobre as palavras seguintes.
A pausa longa, fez com que Sasuke entendesse que era o momento para se expressar, mas quando ele abriu a boca para começar a falar, o loiro o calou com um movimento da mão que pediu para que ele esperasse um instante e continuou logo em seguida:
– Eu me senti realmente decepcionado quando você foi atrás do Suigetsu naquela noite... — o moreno ameaçou se defender, mas o mais novo não lhe deu tempo para isso. — Não estou te acusando de nada. — pronunciou com um tom de aviso. — Eu estava cego naquela hora e não pensei que você poderia ter seus motivos, já que, se você quisesse voltar com o seu ex-namorado, teria o feito antes daquela confusão toda...
– Ainda bem que percebeu... — ironizou.
– Não comece com seu jogo de sarcasmo, Bastardo. — repreendeu. — Eu estou sendo sério, derramando o meu coração pra você, e você aí, me fazendo de colchão e zombando da minha cara... — estreitou os olhos perigosamente. — Chuto o seu traseiro para fora da minha casa, está me ouvindo?
O corvo fingiu nem ouvir ao apoiar o cotovelo direito próximo à clavícula do homem e o queixo na mão. Os olhos negros brilhavam divertidos e maliciosos e um leve sorriso era ostentado pelos lábios finos.
– Anata mo daisuki desu³.– sussurrou de maneira íntima.
Naruto voltou a sorrir, mas de maneira mais serena e carinhosa. Como forma de demonstrar que apreciou a resposta, ele deu um delicado puxão na mecha esquerda mais longa que emoldurava este lado do rosto pálido. Nenhum deles havia citado amor nessa breve conversa, mas o sentimento aquecido que acompanhou as declarações singelas deu uma nova perspectiva ao relacionamento do casal. Os dois sabiam que os passos que estavam dando eram pequenos, mas nenhum estava reclamando, pelo contrário, havia um entendimento mútuo de que cada um precisava daquele espaço, daquele tempo arrastado, pois ainda tinham muitos sentimentos mal resolvidos no interior de ambos.
– E, então...? – começou, fazendo o moreno erguer uma sobrancelha em um questionamento silencioso. – Por que bateu na porta da minha casa, teme? Veio correr atrás do seu amor perdido? – inquiriu com um tom debochado.
– Cala a boca, idiota! – rosnou, espalmando a mão na face com marquinhas de bigode de raposa, fazendo com que o outro amassasse o rosto em desgosto ao sentir seu nariz sendo esmagado. Sorte que a lesão feita no começo da semana já não o incomodava mais.
– Isso não responde a minha pergunta, bastardo. – disse com a voz abafada.
Ele tentou se desviar do ataque do amante, mas Sasuke apertou ainda mais o rosto bronzeado, mostrando quem estava por cima naquela situação.
Pelo menos, literalmente...
– Por que eu correria atrás de você, se eu tenho uma legião de fãs que dariam tudo para ficar comigo? – ironizou cruelmente.
– Porque eu sou o único que chutaria a sua bunda, caso você desse uma de engraçadinho como agora... Bastardo, filho da puta! – tentou empurrar o Uchiha, mas foi impedido pelo mesmo, que segurou seus pulsos acima dos fios loiros desgrenhados.
– Impaciente... – cantarolou com um tom zombeteiro.
– Você é um desgraçado, Sasuke. – rosnou, tentando se soltar do aperto fundamentado que o prendia. – Eu deveria ter dado corda aos avanços da Sakura ou do Gaara. – ele percebeu com gosto que, à medida que falava, o olhar negro se estreitava. – Se você está me fazendo descartável porque tem um monte de pretendentes, saiba que não é o único que pode escolher outras pessoas! – presunção escoou pelo tom rouco.
– Do que está falando? – intimou com um timbre de repreensão e aviso, apertando, involuntariamente, os dedos que seguravam o outro no lugar. Ciúme antecipado já o enchendo até a borda.
– Não te interessa, já que não é da minha conta o que veio fazer aqui. Eu já te falei, que se você começar com esse jogo de sarcasmo para cima de mim, eu chuto o seu traseiro para fora da minha casa! – praticamente gritou a ameaça. – Se nós vamos ficar brigando toda a vez que você não conseguir controlar o seu ego gigantesco, eu acho melhor acabarmos o que temos aqui e agora.
O corvo arregalou os olhos, primeiramente, porque não estava acostumado com o Uzumaki levantar a voz com uma fala tão séria, depois, por causa da sugestão sobre acabarem com o relacionamento.
– Você só pode estar brincando. – ele tentou sorrir em escárnio para disfarçar a insegurança, mas não conseguiu, pois seu timbre havia saído trêmulo. Ele esqueceu-se completamente do ciúme que sentia anteriormente.
Naruto estava brincando.
– Não. Eu não estou brincando. – blefou. Os olhos azuis, normalmente tão expressivos, carregavam um brilho grave que não condizia com sua postura normalmente alegre e descontraída. Agora, seria um problema se o moreno concordasse com sua sugestão mentirosa.
Sasuke rangeu os dentes em aborrecimento com a batalha que acontecia em seu interior confuso. Ele respirou fundo, decidido sobre o que fazer, afinal, ele havia ido até o seu amante justamente para deixar o seu orgulho de lado, confessar que havia errado e se desculpar. O corvo abriu a boca para começar a falar, mas a fechou novamente, encontrando certa dificuldade em expor os seus sentimentos.
Ele ponderou mais outro minuto, antes de se forçar a se derramar.
– Quando fui atrás do Suigetsu naquela hora, foi para pedir que ele não interferisse mais em nosso relacionamento, porque não havia nenhuma maneira de me convencer a voltar um namoro que só me prejudicou. – orbes negros adquiriram uma aparência distante, enquanto ele divagava sobre os acontecimentos que se seguiram após aquela noite. – Você não quis me dizer o porquê de ter me ignorado por tanto tempo e, droga, isso me irritou muito, porque, da mesma maneira que você não gosta quando lhe digo que “não é da sua conta”, eu não gosto quando me esconde as coisas. – voltou a focar o olhar nas íris aguadas. – E eu gosto menos ainda quando você some e me deixa sem notícias por dias. – admitiu, sentindo o rosto ficar quente.
Para o Uchiha, ele estava passando pelo momento mais constrangedor de sua vida.
O Uzumaki ficou em silêncio por um instante, parecendo refletir sobre o que ouviu, até que, de repente, ele abriu um sorriso que ameaçou dividir a face com marquinhas ao meio, fazendo o estudante de administração erguer uma sobrancelha em dúvida, pois os olhos azuis pareciam brilhar como os de uma raposa que acabou de encurralar a sua presa: maliciosos e brincalhões.
– Quer dizer que você gosta de receber a minha atenção, Suke? – ele balançou as sobrancelhas sugestivamente.
Instantaneamente o corvo fechou a cara.
– Limpe esse sorriso do rosto, dobe. – repreendeu. — Está muito cedo para agir todo presunçoso desse jeito, já que ainda não expliquei o porquê de não gostar quando você me ignora.
– Ah... – o loiro simulou uma cara de falso entendimento, tentando controlar o sorriso divertido. – Ainda tem um por quê...
Sasuke queria socar o mais novo até desfigurá-lo.
– É claro! – rolou os olhos, fingindo-se entediado. – Estou tão acostumado a ter você no meu pé, que quando fica quieto, torna-se um pouco estranho. – tentou, mas o moreno sabia que a desculpa havia saído coxa.
Ele ficou vermelho, em parte pela raiva de si mesmo pela humilhação que estava passando e parte pela vergonha. O corvo já estava esperando um acesso de risos e deboches do loiro, mas o que veio, o surpreendeu: a face risonha adquirira uma expressão mais séria e mãos bronzeadas agarraram as laterais do rosto pálido para encarar profundamente as piscinas negras.
– Prometo que não farei mais isso, até porque eu já resolvi todas as minhas dúvidas e confusões. – disse distraidamente, assistindo os próprios dedos brincarem com os fios de cor ébano. O Uchiha era repleto de contrastes harmoniosos e esse fator hipnotizava o estudante de engenharia; além do comportamento arredio, a aparência selvagem e o gênio forte, que escondiam um interior sensível e carente, como um gato manhoso.
Ele estava, definitivamente, apaixonado.
Naruto sabia que o amante estava dando o melhor de si para tentar vencer o orgulho, por esse motivo deixou as piadas de lado e passou a procurar uma forma de tranquilizar os sentimentos revoltos que ele via refletidos nas íris escuras, normalmente, tão impassíveis. O Uzumaki compreendia o homem, mesmo sob as brincadeiras infantis.
– E...? – o mais velho ergueu as sobrancelhas, incentivando-o a continuar.
O kitsune deu o sorriso matreiro que lhe era tão característico, antes de enlaçar o corpo acima do seu com as pernas, prendendo-as em torno do quadril estreito.
– Quero você... – sussurrou em um tom íntimo, afundando a ponta do nariz fino na concha da orelha do outro.
Imediatamente Sasuke se sentiu acender com a respiração pesada tão próxima à sua orelha e a voz rouca e sensual lhe causando arrepios na espinha. O estudante de administração sabia muito bem o que aquela frase significava e o entendimento dela fez com que sensações inéditas irrompessem pelo seu estômago – como um milhão de borboletas brincando e voando dentro de si – e seu coração falhar uma batida. O loiro apertou as coxas, trazendo-o ainda mais perto e causando uma fricção deliciosa em seu membro recém-desperto. O corvo gemeu.
– Você não deve dizer coisas como essa quando estamos na casa dos seus pais... – resmungou com a voz tensa, enquanto tentava resgatar o próprio autocontrole, que ameaçava fugir entre seus dedos apertados quando se tratava do macho diante de si.
– Tsk. – retrucou, arranhando a nuca e brincando com os cabelos curtos e escuros que estavam ali. – É só não fazermos muito barulho. Eles estão lá embaixo, nem vão reparar que estamos nos divertindo. – murmurou com a voz grave de excitamento, começando a distribuir pequenos beijos no pescoço leitoso e empurrar a pélvis de encontro à do amante.
– Eu ainda... – tentou retorquir com a voz ofegante, mas foi calado por um “shh”.
Naruto se contorceu todo e tateou às cegas a mesinha de cabeceira – já que o corpo acima do seu o impedia de se movimentar muito – atrás do controle remoto do minissystem que havia no quarto. Assim que encontrou, ele ligou em um CD qualquer que estava dentro do leitor e aumentou o volume, para, logo depois, esconder o objeto debaixo de um dos travesseiros.
– Satisfeito? – ronronou e depois lambeu a extensão da garganta do moreno, provocando um arrepio na cútis pálida.
– Hn. – grunhiu distraidamente, apreciando a sensação da língua correndo pela sua pele. Suas mãos rapidamente tomaram rumo ao peito desnudo, correndo a palma e os dígitos pelos músculos enrijecidos.
Sasuke passou a corresponder os movimentos do mais novo, simulando o coito, fazendo ambos suspirarem com o prazer que corria como louco pelos corpos excitados. Para abafar os gemidos que queriam escapar, devido à dança aquecida que partilhavam, o casal passou a trocar beijos famintos e exigentes, conciliando-os com respirações pesadas e ruidosas.
Para demonstrar a sua impaciência, o Uzumaki apertou as coxas em torno do Uchiha, levando-o a parar tudo o que faziam para tomar um fôlego profundo. As bocas se chocaram outra vez e o loiro fez questão de sussurrar o nome do amante contra os lábios finos a fim de chamar a atenção do homem para a sua própria necessidade.
Com a mão esquerda, o rapaz de olhos azuis empurrou a camiseta de malha fina azul escura que o corvo usava, para corrê-la pela curva da coluna, enquanto a outra se enfiava pela parte traseira do jeans aberto, arrastando o tecido pesado com o intuito de amassar a carne macia entre os dedos e empurrar o moreno mais para frente, como se, dessa forma, pudesse colá-los ainda mais.
O estudante de administração passou a degustar a pele bronzeada do maxilar quadrado e forte, descendo pelo pescoço para morder o ombro direito e depois sugar a tez com firmeza, formando uma pequena nódoa rosada, que ele sabia que não estaria mais lá no dia seguinte. O mais velho estava tão ansioso, que tremia na tentativa de desabotoar a peça que cobria a parte inferior do macho abaixo de si.
Naruto, percebendo sua dificuldade, soltou um riso leve e com um único movimento soltou o botão, antes de voltar a agarrar o torso do outro e puxá-lo para conseguir mais beijos molhados e urgentes. Ele não conseguia se manter afastado, precisava sentir o corpo todo junto ao seu sem nenhum empecilho que o impedisse de desfrutar daquele contato direto. Ávido, o loiro puxou a camiseta que cobria o tronco definido e a jogou em um canto qualquer da cama.
Se não fosse pelo som alto da música, os únicos ruídos que preencheriam o ambiente seriam dos beijos que o casal trocava, dos panos e das respirações ofegantes.
– Naruto... – chamou com a voz tensa. O Uchiha tentava a todo custo controlar suas emoções bagunçadas pela ânsia.
– Shh... – retrucou, pegando o pulso marfim e direcionando-o para baixo de sua barriga, orientando a mão para o bojo formado entre as suas pernas. Ele não se conteve e gemeu um pouco mais alto do que deveria quando sentiu a palma quente se esfregar naquela parte tão sensível por cima da roupa.
Como forma de retribuir a carícia, ele passou a fazer o mesmo pelo moreno, que suspirou ao experimentar a sensação dos dedos contornando o seu membro por cima da cueca. Olhos negros viram a face, normalmente bronzeada, tingida de rosa. O Uzumaki tinha os olhos semicerrados e os lábios vermelhos entreabertos; bebendo daquela imagem tão excitante, o corvo levantou a mão livre para tocar o beiço rubro com o polegar.
O mais novo deu um sorriso infame ao levar a ponta da língua para lamber o dígito e morder levemente a ponta logo em seguida.
Sasuke parou e gemeu. Seu pênis se contraiu ao ser esfregado daquela maneira tão atenciosa, e, a visão daquele rosto contorcido em tesão indisfarçado, estava levando o melhor dele para longe. Para provocá-lo ainda mais, o outro sugou o dedo para dentro da boca de forma lenta e torturante. Impaciente, o estudante de administração se sentou sobre os tornozelos – ainda posicionado entre as pernas do amante – e começou a puxar a calça e a boxer para longe do corpo do outro.
– Nós estamos apressados, né, Suke? – perguntou de forma divertida, ajudando-o a empurrar as peças que o cobriam.
– Silêncio, usuratonkachi. Não queremos que seus pais desconfiem do que estamos brincando agora, não é mesmo? – respondeu, inclinando-se para depositar beijos molhados na virilha do homem.
Naruto apoiou-se nos cotovelos para assistir a cena que desenrolava em sua frente. Ele suspirou ao assistir a língua cor-de-rosa passear pelo seu baixo-ventre, próximo demais de seu membro latejante em desejo. As mãos pálidas brincavam e beliscavam com os mamilos rosados do corpo esparramado na cama espaçosa. Para se distrair da sensação que a visão lhe causara, o loiro colocou o braço esquerdo sobre os olhos azuis, mas a tentativa pareceu ter saído pela culatra, pois com os orbes tampados, a percepção do toque de Sasuke sobre sua pele ficava ainda mais evidente.
O corvo viu, com diversão, o Uzumaki cobrir a boca para abafar um gemido alto, quando ele passou a lamber e pressionar com a língua a veia saliente na parte inferior do pênis, antes de abocanhá-lo e sugar com força a glande.
– Oh, Kami! – resmungou com a voz tensa, agarrando o tecido da colcha. – Você é o melhor nisso... – meio murmurou, meio gemeu.
Incentivado pelas palavras ditas em meio ao delírio de deleite, o moreno chupou a cabeça regurgitada para soltá-la com um pequeno “pop” e massagear a fenda com o polegar, tirando um palavrão ofegante da boca do mais novo. Cansado de torturar o homem, o Uchiha voltou a mamar, contraindo as bochechas para tornar a sucção ainda mais intensa. Ele segurou a pélvis delgada, que começou a empurrar de encontro ao seu rosto, e acariciou com os polegares, os ilíacos salientes.
– Sasuke... – praticamente choramingou em necessidade, fazendo o outro cantarolar em afirmação, vibrando a voz em torno do comprimento rijo e enviando sensações fantásticas ao outro rapaz, empurrando-o a beira do orgasmo.
Quando Naruto estava pronto para liberar a tensão que se construiu em seu corpo, o amante parou, fazendo-o resmungar incoerentemente.
– Eu queria tanto assistir o que você fez nessa cama quando falamos pelo telefone na última vez... – a declaração involuntária fez o moreno pensar em quanto tempo fazia que os dois não conversavam de verdade por horas à fio. – Eu não quero ser interrompido, por isso, só vou dar um jeito nisso... – murmurou, olhando sugestivamente para baixo. – E nós continuamos, assim que chegarmos em casa... – a voz se tornou duas oitavas mais graves.
Ele mal notou que disse “casa” como se fosse um lar para ambos.
O corvo empurrou a calça jeans aberta, que estava caída abaixo das bochechas da bunda – graças aos movimentos do loiro –, e a cueca, para logo em seguida, unir as duas ereções, tirando um suspiro de ansiedade de ambos; o mais velho começou uma masturbação dupla a fim de garantir o prazer para os dois, fazendo o Uzumaki se contorcer em agonia prazerosa.
O loiro acariciou o peito marfim, beliscou e esfregou os mamilos rosados. Ele puxou o homem para que pudesse uni-los e colar os lábios juntos; seu gemido sendo engolido pela boca do seu companheiro. A sensação da mão que acariciava seu membro enviando faíscas de prazer por toda a cútis bronzeada. Com o intuito de potencializar o desejo, ele levou a palma para massagear com carinho as bolas do companheiro, arrancando um grunhido baixo, mas animalesco.
Naruto, que já estava sobre a borda, logo gozou, sentindo-se tremer em espasmos irregulares. Ele mordeu o ombro direito do macho para prender uma exclamação de deleite e fechou os olhos com força, enxergando branco por vários segundos. Relaxando sob a mão que ainda ordenhava o seu pênis, até que a última gota de seu esperma pingasse pela ponta.
Sasuke caiu minutos depois; fraco perante a força do seu próprio orgasmo. Ele apoiou a testa na clavícula do homem, tentando normalizar a respiração ofegante, ao mesmo tempo em que empurrava a franja dourada colada à testa do rosto cheio de marquinhas e beijava com reverência o tronco desnudo. A sua vontade era se acalmar para que pudessem continuar o que faziam, mas ele sabia que em breve, alguém da família daria pela falta do casal.
Como se chamado pelo pensamento do Uchiha, um barulho estrondoso de porta tentando ser aberta – não encoberto pelo som da música que ainda tocava alto no minissystem – os assustou a tal ponto, que ambos se separaram como se um choque os repelisse.
– Naruto? – soou a voz feminina.
Do lado de fora, Kushina pode ouvir o ruído de um corpo colidindo dolorosamente com o chão, ao mesmo tempo em que a canção parava bruscamente.
– Mãe? – ela ouviu o timbre rouco ainda mais grave que o normal, seguido de um pigarro abafado pela porta ainda fechada. – Hai? – ele tornou a perguntar com o tom normalizado.
Ela franziu o cenho, confusa por um instante, até que compreensão a atingiu, fazendo-a abrir um sorriso maldoso. Ela havia interrompido os pombinhos.
– Traga Sasuke para comer alguma coisa, tenho certeza que ele está com fome. E por que a porta está trancada? – indagou propositalmente.
– Não precisa se preocupar comigo, Uzumaki-san, eu estou bem. – o moreno disse apressadamente no intuito de salvar o outro, que parecia ter emudecido do lado de dentro do quarto.
– Me chame de “Uzumaki-san” mais uma vez e eu sirvo a suas bolas para o jantar desta noite, Uchiha. – rosnou a ruiva. – Você não está ganhando pontos positivos com a sua sogra ao me chamar, indiretamente, de senhora.
Do lado de dentro, o corvo estremeceu com a ameaça. Era a primeira mulher que o enfrentava dessa maneira e conseguia arrancar uma reação diferente da usual apatia que ele fazia questão de apresentar, principalmente quando Karin mostrava sinais de loucura. Ele devia ter feito uma cara cômica, porque Naruto parou de pular a fim de se enfiar na calça jeans para rir escandalosamente.
Os dois ouviram os passos da matriarca se afastar. O loiro ainda ria se apoiando na mesa de estudos do cômodo, mostrando todo o seu físico bonito. O abdômen tatuado se contraía a cada espasmo de riso que atravessava o corpo bronzeado. O rosto cheio de marquinhas estava iluminado com felicidade e ele teria encontrado o homem encantador, caso não estivesse tão irritado. Aos poucos o som foi reduzido apenas à respiração ofegante do mais novo.
– Acabou? – curto e grosso.
O loiro deu um sorriso de lado. Ele até tentou disfarçar a diversão, mas não conseguiu. A face pálida estava contorcida em uma careta emburrada; só faltou o beicinho e os braços cruzados diante do peito para que o homem parecesse uma criança esquecida pelos pais no jardim de infância. O estudante de engenharia terminou de colocar a calça e se agachou para engatinhar até o amante.
– Tente chamar a “Uzumaki-san” apenas de “Kushina”, ok? – murmurou de encontro aos lábios finos.
– Eu estava sendo educado... – resmungou, tentando parecer irritado, mas com os pequenos beijos que eram depositados em sua boca, estava difícil permanecer imutável na decisão de castigar o outro pelo toco que recebeu da mulher.
– Nossa família não é cheia de frescura como a sua... Ouch! – Naruto se afastou para massagear a costela lesada. – Por que o soco, bastardo? – rosnou.
– Hn. – resmungou, se levantando do chão para começar a se vestir. No susto, ele tinha caído com tudo no chão e ficado estático de apreensão com a possibilidade da mãe do seu futuro namorado o pegar desrespeitando a sua casa. “Como conquistar os pais do cara que você ama, errando logo na primeira visita?”, questionou-se.
O loiro olhou para Sasuke e o encontrou com o cenho e os lábios franzidos em uma expressão de pura preocupação. Ele caminhou até o banheiro adjacente ao quarto e pegou a toalha de rosto para umedecê-la e limpar a sujeira esbranquiçada que estava em seu abdômen. Colocando a peça na cesta de roupas suja, ele andou até o amante e o abraçou por trás, aproveitando para apoiar o queixo no ombro do outro.
O Uzumaki entendia a aflição do Uchiha, porque ele sentia a mesma ansiedade quando imaginava o momento em que teria de conhecer o Sr. Fugaku. Mikoto e Itachi foram bem receptivos, mas ele não sabia dizer qual seria a reação do patriarca, levando-se em conta as coisas que o corvo lhe contou sobre o próprio pai. Tentando tranquilizar o mais velho, ele balançou levemente o corpo, como se o embalasse com uma canção lenta e silenciosa.
– Você não tem que se preocupar com a minha mãe... – murmurou de encontro ao ouvido do amante, arrepiando a pele leitosa quando o ar o acariciava. – Ela não vai servir as suas bolas para o jantar e, mesmo que ela realmente o quisesse, eu não deixaria... Seria um desperdício! – apertou a parte em questão como se o gesto pontuasse suas palavras.
– Tsk! – o moreno golpeou a mão para que se afastasse. Ele pensou um pouco e ponderou mais alguns minutos antes de vocalizar o que lhe atormentava. – Eu acho que sua mãe não gostou muito de mim.
– Por que acha isso? – sobrancelhas douradas se franziram em estranheza.
– Eu não sei... – mentiu. – Só tenho essa impressão... – pausa reflexiva. – Deve ser só impressão minha... – se afastou para colocar a camiseta que estava largada em cima da cama.
Naruto olhou com preocupação; Sasuke nunca agira dessa forma, tão vaga. Não que o corvo não quisesse dizer o que se passava em seu interior, mas ele não queria dar a entender que estava querendo causar uma intriga na família. O rapaz de olhos negros sentiu certa hostilidade vinda da mulher de cabelos vermelhos, como se ele fosse prejudicar o homem à sua frente.
Ele mordeu o lábio inferior, sentindo-se, de repente, intimidado com a insegurança.
– Suke?
Olhos ônix encararam azul cerúleo. Era como se ambos tivessem uma conversa silenciosa apenas por aquele contato. O Uzumaki sorriu com compreensão e puxou a nuca do macho para depositar um beijo singelo no topo da cabeça repleta de fios negros e bagunçados.
– A velha gosta de você. – afirmou, puxando-o pelo pulso. – Agora vamos, antes que ela volte ainda mais irritada.
O mais velho não conseguiu impedir a sensação de que estava indo para o abatedouro. Ele engoliu em seco e deixou-se ser arrastado por todo o corredor. O Uchiha, sem querer, se amaldiçoou por não ter acreditado quando o amante disse que Kushina Uzumaki poderia ser uma mulher assustadora.
Ele nunca viu tanto sentido na frase “Duas coisas matam de repente: vento pelas costas e a sogra pela frente” como agora.
Notas finais
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Quem gosta, copie o link e retire os espaços. Vocês vão entender a minha vibe nesse capítulo, haha. Quem não curte, imagine o que quiserem! ;P
Vocabulário:
¹ - Gostar;
² - Eu realmente gosto de você, Sasuke;
³ - Eu também gosto muito de você.
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