Dar-se Uma Chance

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Eu nem vou dizer oi, porque vocês quebraram as minhas pernas essa semana, haha!
Aliás, SamaChan e Mino Saan quebraram as minhas pernas essa semana. Eu estou até agora sem reação nenhuma... Eu não sei nem o que dizer, porque obrigada, para mim, está parecendo muito pouco!
Eu estou chocada e tipo: me colore porque eu fiquei bege!
Duas recomendações essa semana enaltece o ego, mas me deixam com uma puta responsabilidade nas mãos. É agora, mais do que nunca, que me sinto em dívida com vocês e a única maneira que vejo para retribuir tamanha paixão pela minha história, é fazer ainda melhor sempre.
Vocês ainda acabam com o meu coração. Tenho 23 anos com o emocional de uma velha de 150, vocês ainda me dão uma parada cardíaca! *exagerada~~
Eu sou imensamente agradecida e não me canso de dizer obrigada, mas pra nós que escrevemos, mesmo o menor gostei significa muito para um agradecimento pequeno.
Arigatôôô!
P.S.: Espero que se divirtam lendo este capítulo.

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos." — William Shakespeare.


Capítulo 11


Naruto e Sasuke olhavam o apartamento lotado com estranheza, o primeiro parecia muito mais expressivo que o segundo, mas no rosto pálido, via-se a sobrancelha esquerda tremular levemente, enquanto observava a agitação na sala normalmente vazia do apartamento espaçoso. Todos da turma do Uzumaki estavam presentes, até mesmo o carrancudo Shino e a tímida Hinata. Dentre a pequena roda de amigos do estudante de administração, Juugo e Karin conversavam animadamente no corredor que ligava o cômodo para a cozinha. O moreno ainda não conseguia acreditar que Ino conseguiu convencer toda aquela gente a compactuar com um plano insano.

O rapaz, de olhos azuis cerúleos, encarava todos com um olhar perplexo e a boca aberta em surpresa. Na mão bronzeada direita havia um copo que lhe tinha sido entregue, embora não conseguisse especificar quem lhe ofereceu e nem o que era, mas sabia que tinha álcool. O domicílio parecia estar em uma festa; só faltava a música alta, porque a baderna já estava sendo feita. Quando o loiro pegou o vislumbre da cabeleira platinada da Yamanaka, ele agarrou o braço fino e a puxou para que pudesse confrontá-la.

– Como você conseguiu isso? – indagou com urgência.

– Eu falei com o Kiba que estava a fim de ir para um bar GLS e ele fez questão de chamar a galera toda... – disse com naturalidade.

O homem soltou o braço delgado para bater na própria testa. Era só o Inuzuka saber que a rapariga loira estava indo para algum lugar, que ele dava um jeito de arrastar todo mundo que conhecia para ter um pretexto de estar perto da garota. “Como um cão carente...”, resmungou em pensamento. Naruto não conseguia entender o porquê do amigo não confessar logo de uma vez que estava apaixonado pela estudante de psicologia e compreendia menos ainda o fato da mulher nunca ter reparado em nada, sendo ela, tão perspicaz com relação ao sexo masculino.

– Nós vamos sair daqui a pouco, vocês já estão prontos? – ela correu os olhos de cima a baixo pela figura de Sasuke, vendo-o vestido com um blazer de feltro cinza com corte militar, uma camisa grafite de manga comprida, uma calça jeans de lavagem levemente desbotada e um par de botas cano curto. “Um verdadeiro gato!”, pensou, encarando descaradamente o moreno, que estava completamente indiferente ao escrutínio da fêmea.

– Ino? – resmungou o Uzumaki, reparando no olhar nada discreto da amiga.

– Oi? – ela ergueu os olhos para o homem. – Desculpe, Naruto, mas você tem um pedaço de mau caminho e tanto na sua posse, eu não posso me conter! – lançou uma piscadela e sorriu apologética, antes de se afastar.

O loiro apenas balançou a cabeça de um lado para o outro, meio resignado e divertido, ele jamais poderia discriminar a mulher por admirar o Uchiha, afinal, o rapaz mais velho era realmente um cara extremamente atraente. O homem, por sua vez, estava com as duas mãos nos bolsos, encarando as pessoas com os lábios franzidos em aborrecimento. O estudante de engenharia puxou o braço esquerdo do amante, incitando-o a caminhar para a varanda e, assim, evitar que o outro ficasse ainda mais irritado.

– Seus amigos são um punhado... – a voz grave reclamou. – Se Kiba não tivesse convencido todas essas pessoas para irem a um bar GLS, não teríamos que passar por isso... – cruzou os braços, cada vez mais emburrado.

– Nós podemos ficar aqui e nos divertimos sozinhos, o que acha? – ele balançou as sobrancelhas douradas sugestivamente, sentando-se em um divã e puxando o corvo para se acomodar entre suas pernas. – Não somos obrigados a ir. – deu de ombros. – Embora eu ache que vamos nos divertir... – mordeu o lábio inferior para segurar uma risada, apesar de toda a expressão denunciar o seu divertimento. – Quero ver como os outros rapazes lidam com um lugar tão cheio de outros gays... – não conseguindo mais segurar o riso.

Sasuke parou um instante para pensar na lógica do outro e mesmo que ele tenha tentado não imaginar a situação, seu cérebro imediatamente criou uma imagem mental hilariante. Franzindo os lábios para se impedir de sorrir, ele encarou os olhos azuis que brilhavam em felicidade.

– Hn. – concordou com a cabeça e desviou o olhar para a paisagem de Nagano, assistindo a cor arroxeada do céu anunciando o início da noite.

Os dois ficaram em um silêncio contemplativo; cada um perdido em seus próprios pensamentos. Ambos acordaram de seus devaneios pela voz grossa de Kiba chamando e quebrando o silêncio reconfortante do local.

– Vocês me cansam... – resmungou o Inuzuka. – Já estão juntos outra vez e apreciando o pôr do sol como um casal de velhos... Argh!

– Com ciúmes, seu punk? – brincou Naruto, sorrindo, enquanto via o amigo se sentar em uma poltrona próxima segurando uma lata de cerveja na mão.

– Sim. Não te vi o final de semana passado e quando te vejo, você está grudado com esse cara! – apontou Sasuke com um bico amuado. – Sinto que estou perdendo o meu melhor amigo!

– Não se preocupe, velho... – bagunçou a cabeleira castanha com as mãos. – Eu ainda te amo, já te disse isso... – puxou o outro homem e lhe deu um beijo estalado na bochecha, recebendo uma careta enojada como resposta.

– Eca! – gritou, esfregando com força o local melado de saliva. – Acho que você está levando esse lance de homossexualidade muito a sério! – brigou, fingindo estar com raiva. Fingindo, porque ele nunca conseguiu ficar bravo com o Uzumaki por muito tempo.

O loiro era seu irmão de consideração, aquele que nunca saiu do seu lado, mesmo quando um levava bronca do Iruka-sensei no primário, o outro estava junto para minimizar o sermão. Ele havia errado feio com o homem quando descobriu que o estudante de engenharia tinha ficado com o corvo e, mesmo assim, Naruto não guardou qualquer rancor das coisas horríveis que havia dito. “Não tem como não amar esse cara”, pensou com carinho, dando um soco amigável no ombro do amigo.

O Uchiha assistia a interação com uma sobrancelha erguida, vasculhando no bolso do blazer o maço de cigarros. Ele não entendia muito bem esse tipo de vínculo que seu amante e Kiba tinham, afinal, o moreno e Karin tinham um tipo de relacionamento muito diferente da amizade usual, mas ele gostava de pensar que o rapaz, de grandes olhos azuis, possuía alguém com quem contar nos momentos difíceis quando ele estava longe. Sasuke havia se tornado muito protetor do outro nos últimos dias, embora não houvesse motivos para tal, porque o homem sabia se cuidar sozinho. Ele só não conseguia se autoajudar, principalmente agora, quando tomou conhecimento sobre seus sentimentos. E tudo parecia se agravar por não saber qual tinha sido a reação dos pais do Uzumaki.

Tudo isso, somado ao fato de que desconhecia a razão por ter sido ignorado. "O que será que aconteceu nesses dias?", perguntava-se a todo instante.

Ele tentou perguntar para Naruto o que tinha acontecido na hora em que estavam se preparando para dormir, mas ele se esquivou como uma raposa desconfiada, como se ainda receasse sobre o que dizer. A maneira como o loiro estava lidando com a situação, estava deixando-o com o interior agitado, já que desde o começo, o outro mostrou ser uma pessoa completamente transparente, que mostrava todas as emoções, sem qualquer hesitação.

O mais velho queria fazer parte de cada pedaço da vida do estudante de engenharia e vê-lo escondendo o que estava errado, deixava-o frustrado.

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz rouca do homem que roubou sua mente. E seu coração.

– O que você fez para convencer todos os caras a aceitassem ir para um clube GLS? – perguntou com genuína curiosidade.

– Eles não sabem... – deu um sorriso cafajeste. – Eu sei que o Neji e o Gaara vão ser os primeiros a querer me matar, depois o Kankurou e o Shino, mas você sabe... Festa, para mim, tem que ter a turma toda... – deu de ombros.

– Sei... – retorquiu o loiro com desconfiança, enquanto assistia o Uchiha dar uma longa tragada em seu cigarro, segurando a fumaça por um longo tempo, antes de soltá-la casualmente para cima. – Eu acho que vai ser engraçado... – riu juntamente com o Inuzuka.

– E aí, cara! – deu um empurrão delicado no melhor amigo para chamar a atenção do Uzumaki, que encarava fixamente, e distraidamente, o corvo. – Fiquei sabendo que seus pais descobriram que você está com o Sasuke. O que aconteceu?

O tópico da conversa atraiu o moreno, que estava olhando distraidamente as estrelas surgirem com o passar dos minutos. Ele virou o pescoço tão rápido para encarar o loiro, que ficou surpreso por não ter um torcicolo. Naruto encostou mais no divã, jogando o braço direito sobre os olhos e dando um suspiro cansado, enquanto pensava sobre como contar sobre a reação da sua família.

– Minha mãe está agindo como uma adolescente temperamental sobre isso... – resmungou com impaciência.

– Ela não aceitou? – indagou o corvo, sentindo-se alarmado. Seu batimento cardíaco acelerando consideravelmente à medida que o outro demorava em responder.

– Meu pai disse que ela não me discriminaria por algo que eu não tenho escolha. – ergueu o braço e o deixou descansando na própria testa para poder encarar os dois. – O problema é que ela não me dirige a palavra desde então, e, eu não posso ter certeza se é isso mesmo o que ela pensa, porque ela não vai me dizer, enquanto não me desculpar por eu ter ocultado algo importante sobre mim para a minha família. – resmungou. – Tou-chan ainda quer conhecer você, bastardo. – sorriu minimamente, puxando docemente a mecha mais comprida que emoldurava o rosto delicado.

– Então, quer dizer que pelo menos o seu pai aceitou tudo numa boa? – indagou Kiba.

– Sim. – deu um pequeno sorriso, enquanto se lembrava da conversa.

– E é só isso? – rosnou o Uchiha.

Sasuke estava com raiva. Muita raiva.

Ele apertou o filtro do cigarro com força entre os dedos e encarou os olhos azuis como se lançasse labaredas pelos orbes escuros. A força da sua ira era tanta, que os olhos pareciam vermelhos. O peso do olhar parecia ter alarmado os dois amigos. O Inuzuka, vendo que a situação ficaria complicada, murmurou que iria jogar um pouco de sinuca com Kankurou, mas o casal nem prestou atenção nas palavras, já que estavam muito centrados em ler as emoções um do outro.

– O que você quis dizer com isso? – franziu os lábios, sentindo-se defensivo com o ataque repentino. Ele não estava conseguindo entender o porquê o moreno estava tão irritado.

– Você me ignora por três dias quando o seu pai aceitou o que temos e sua mãe só está agindo como uma vadia porque ocultou sobre isso dela? – seu tom era gutural.

– Controle a língua, bastardo! Veja lá como se refere sobre a minha mãe... – murmurou de forma tensa, tentando controlar o seu temperamento explosivo e a vontade de socar esse homem até se sentir satisfeito.

A maneira feroz com que o Uzumaki estava o encarando, fez o corvo perceber que pisou no calo errado. As mãos bronzeadas estavam fechadas em cima da coxa vestida com uma calça de sarja em modelagem reta na cor branco navajo. O loiro apertava os dedos com tanta força, que os nós dos dedos ficaram brancos e a boca carnuda estava com os cantos virados para baixo. Instantaneamente o Uchiha se arrependeu do que disse, afinal, se os papeis se invertessem, ele também ficaria louco.

– Desculpa... – murmurou com esforço e com os dentes cerrados, sem graça, já que ele odiava admitir que estivesse errado. – Eu só fiquei nervoso, porque você não me deu um sinal de vida por algo tão simples. Eu sei que são os seus pais e que não é fácil lidar sozinho com a revelação, ainda mais pela forma como sua mãe parece estar reagindo ao fato. Eu já passei por isso. – lambeu os lábios secos. – Ponha-se em meu lugar, ok? Foi por culpa da minha mãe que tudo isso aconteceu, não estava nos nossos planos e o que tínhamos combinado é que eu estaria do seu lado quando você decidisse contar... Nada disso ocorreu e eu fiquei preocupado, caramba! – exclamou, deixando toda a tensão dos últimos dias irem embora com o desabafo. – Eu não estou zombando a sua família. Eu só quero saber o porquê de me deixar de lado, quando não havia motivos para isso!

Naruto parecia desnorteado com a quantidade de informações que havia sido jogado em cima dele tão subitamente. O corvo nunca tinha sido tão falante como nos últimos segundos... Ou minutos; ele não saberia dizer. Ele franziu os lábios em um bico, numa careta pensativa, enquanto refletia sobre como se sentiria se estivesse no lugar do moreno. O loiro não poderia ser injusto, ele sabia muito bem como o sentimento de ser ignorado é angustiante, afinal, sentia isso o tempo todo quando alguém, vulgo Uchiha Sasuke, fingia que ele não existia por birra.

– Então, eu também lhe devo desculpas... – coçou o topo da cabeça, desviando os olhos azuis, sentindo-se completamente tímido.

– E uma justificativa descente. – resmungou ainda emburrado, não sentindo tocado pela pose involuntária, mas completamente cativante do Uzumaki.

– Eu precisava de um tempo para repensar sobre o nosso relacionamento, Sasuke... – o tom grave e anormalmente sério alarmou, novamente, o outro.

O rumo da conversa deixou o Uchiha tão nervoso e inseguro, que sua mão direita tremeu levemente quando ele levou o cigarro para os lábios, antes de tragar uma boa quantidade de fumaça, que fez com que suas bochechas inchassem um pouco, para empurrar o ar com fumo para o pulmão. Ele sentiu uma leve ardência na garganta, distraindo-o momentaneamente para o que o preocupava.

Ele tentou evitar pensar que o rumo da conversa resultaria em um término. Ainda mais agora.

– E...? – o barítono profundo soou neutro, embora seus sentimentos estivessem uma bagunça.

– E? – perguntou, com um sorriso divertido, embora ainda houvesse aquela aura pesada em torno da figura estonteante e bronzeada de Naruto. – Precisamos avaliar o que realmente queremos, porque isso... – apontou para si mesmo e depois para o mais velho. – Está tomando proporções bem sérias. – levou os braços para a nuca para apoiar o tronco. – Sua mãe disse para a minha família que estamos praticamente planejando nos casar... – pausa para observar um brilho cor-de-rosa tomar conta das maçãs da bochecha normalmente pálida. Ele riu, ganhando uma carranca corada em troca. – Logicamente, meus pais criaram expectativas sobre o que foi dito, quando não temos nada muito certo. Todos estão criando esperanças sobre algo que conversamos para não ter pressa e que não sabemos se vai dar certo...

– Principalmente, porque nós só nos conhecemos a duas semanas... – completou o rapaz de profundos olhos negros, enquanto amassava o cigarro no cinzeiro de vidro na mesinha ao lado do divã.

– Yeah... – ergueu as pernas e entrelaçou-as na cintura delgada do Uchiha, puxando-o para mais próximo de si. – Eu expliquei para o meu pai a situação, mas vamos deixar o resto como está? Eu não quero que a Mikoto-san fique magoada e desiludida. – brincou e corou levemente, denunciando que havia um pingo de seriedade na brincadeira.

Sasuke observou a expressão ainda hesitante do amante com cautela, enquanto experimentava a sensação de todo o seu interior se aquecer com a demonstração de afeto do mais novo para com alguém da sua família.

– E é só isso? – ergueu uma sobrancelha, acentuando ainda mais a dúvida. – Você não tem mais nada para me dizer? – o moreno logo descartou da sua lista de possibilidades o rompimento do relacionamento, por causa da linguagem corporal do Uzumaki.

– Tenho, mas eu não vou dizer isso agora. — sorriu misteriosamente.

– Por que não? — franzindo o cenho indignado. O moreno estava começando a não gostar desse mistério todo e apreciava menos ainda o fato do loiro estar escondendo algo.

– Simples: porque não! — resmungou com um bico mal humorado, irritado com o fato do corvo não entender que não gostaria de conversar sobre isso agora, porque era cedo e ambos não sabiam ao certo o que queriam.

Ao menos, ele tinha certeza, mas não podia colocar a mão no fogo pelo Uchiha. O loiro preferia esperar um pouco mais, antes de dar um passo adiante no relacionamento, porque os dois haviam acabado de sair de namoros longos – ele principalmente. O Uzumaki era um adulto e tinha que agir como tal. Envolvimentos repentinos existiam nos filmes e contos de fadas, a realidade era totalmente diferente na vida real. Situações planejadas nunca davam certo, mas as impulsivas também não, e, ele aprendeu isso da pior maneira possível.

No passado, Naruto pressionou um relacionamento com Sakura, pois acreditava que conseguiria mudar os sentimentos da mulher de cabelos cor-de-rosa. Ledo engano. O casal de ex-namorados viveu momentos muito felizes juntos por três anos, mas acabou como um passe de mágica, tão repentino quanto começou. Normalmente, ele já teria se jogado em uma relação mais séria com o estudante de administração, declarado mil amores, porque este era o seu jeito. Ele negava quando Sasuke o chamava de carente, mas sabia que era assim, e, por este motivo, estava se contendo tanto. Ele errou antes, mas não queria cometer a mesma falha com alguém que havia se tornado tão importante para si.

O Uchiha iria replicar a resposta curta e mal educada, mas foi interrompido por uma voz doce e feminina:

– Etoo... Naruto-kun, Uchiha-san, nós já estamos saindo. — avisou Hinata, envergonhada por cortar qualquer momento do casal.

– Obrigado, Hina-chan! — o Uzumaki deu um sorriso gigantesco em agradecimento, completamente esquecido do assunto que discutia com o amante. Ele se separou do corvo e caminhou até a figura bonita de Hyuuga Hinata, passando o braço esquerdo pelos ombros pequenos e apertando-a em um meio abraço, fazendo a menina corar ainda mais tímida pela atenção que estava recebendo da sua antiga paixão. — Vamos lá, teme! Na ida, quem está dirigindo é você... Eu dirijo na volta. — exclamou entusiasmado, enquanto puxava a mulher de longos cabelos preto-azulados.

O moreno cerrou as mãos em punhos, irritado pela interrupção e pela falta de respostas. Ele não conseguia pôr um dedo sobre o que o loiro estava escondendo e, novamente, sua mente começou a criar mil possibilidades, cada uma pior que a outra.


(***)


Três horas de viagem mais tarde, eles se encontravam em uma das áreas mais badaladas de Shinjuku em Tóquio. O grupo de amigos estava em frente a uma casa noturna chamada Dragon Men, um dos poucos clubes voltados para o público masculino homossexual que aceitava mulheres como visitantes — a maioria só entravam homens e não teria cabimento separar todo mundo, quando houve tanto trabalho para juntá-los. Gaara se aproximou de Naruto, receoso, quando um macho passou praticamente lhe devorando com o olhar e roçando o seu corpo delgado no ruivo. A aparência exótica e frágil do rapaz, de curtos cabelos vermelhos, logo atraiu a atenção, além do fato dele aparentar estar solteiro.

O Uzumaki tentou segurar o som do riso, mas não conseguiu. O Sabaku parecia tão assustado e intimidado, que deixou completamente sua usual pose assustadora. Os olhos verdes claros encaravam a tudo atordoado, enquanto estava praticamente se fundindo ao melhor amigo, colando o braço esquerdo no direito da figura bronzeada.

– Eu vou te matar. — rosnou, sentindo-se menos ameaçado agora que estava na segurança do outro.

– Não coloque a culpa em mim, vai tirar satisfação com o Kiba! — respondeu risonho. — Ele que te chamou em primeiro lugar. E tente ser legal comigo, ou eu te deixo sozinho e grito para todo mundo que você está se sentindo sozinho e que precisa de alguém para te consolar, tenho certeza que aquele cara ali, será o primeiro a se oferecer... — disse, apontando para um rapaz que estava na calçada encarando Gaara com um brilho de expectativa.

– Eu te odeio... — murmurou, emburrado.

Sasuke encarou a troca entre os dois com desconfiança, pois nunca tinha assistido Naruto conversar muito com o ruivo. Ele ergueu uma sobrancelha, sentindo-se levemente enciumado e querendo empurrar o homem de distância, mas sabendo que se fizesse isso, seu amante ficaria irritado. Não que ele se importasse em aborrecer o Uzumaki, mas o casal já estava em uma situação delicada depois da conversa inconclusiva que tiveram mais cedo naquele dia. O moreno estava irritado — e inseguro -, talvez por isso estivesse agindo tão defensivo sobre o que era seu.

Antes que ele pudesse concluir os seus pensamentos, ele ouviu Ino comentar casualmente:

– Não se preocupe, Neji e Kankurou. — abanou a mão em descaso, caminhando para a porta de entrada da casa noturna e entregando sua identificação para o segurança. — Ninguém vai atacar sexualmente nenhum de vocês, parem de agir como um bando de idiotas! — brigou indignada, mal esperando os amigos para entrar no clube.

– Ela tem razão, ninguém vai desrespeitar ninguém aqui. — retorquiu tranquilamente o loiro com o cenho franzido.

Os amigos viram Temari e Shikamaru andarem em direção à porta de ferro; o último murmurando "problemático" de cinco em cinco minutos e recebendo um cascudo da namorada em retaliação. Seguindo o exemplo, todos os outros – alguns resmungando sob a respiração – começaram a entrar, depois da autorização do Host. O interior estava escuro, com muitas luzes coloridas correndo ao longo do espaço da pista e a música rolava, com alguns dançarinos fazendo graça em suas coreografias ousadas. Havia poucas pessoas espalhadas pelo local, já que eram 23h30m e a festa começava a ficar mais agitada a partir da uma da manhã.

Todos os rapazes se reuniram em torno do bar, enquanto as mulheres correram para o único banheiro coletivo e unissex da Dragon Men.

– Não é tão ruim assim, não é? — perguntou o Inuzuka, cutucando Shino no braço. O último lhe deu um olhar de soslaio, antes de dar de ombros, indiferente, recebendo um brilho indignado dos olhos castanhos do tatuado.

– Quem teve a brilhante ideia de nos trazer para esse lugar? — perguntou Neji, encarando diretamente Naruto, já deduzindo por si só quem sugeriu.

– Não olhe para mim! — ergueu as mãos em sinal de rendição e se virou para o barman que estava esperando os pedidos do grupo, impaciente com a demora. — Jägerbomb. — olhou para Sasuke, indicando que ele deveria pedir.

– Devo me precaver e tomar um drink sem álcool ou esse será o primeiro e o último coquetel que você vai tomar? — ironizou, fazendo o Uzumaki corar de vergonha e murmurar um "bastardo estraga prazeres" como resposta. — Eu vou ficar com o pedido dele e dê a esse idiota um Art Flair.

– Por que eu me ofereci para dirigir na volta e por que está escolhendo para mim? — resmungou, emburrado.

– Hn. — grunhiu, atraindo risos de Kankurou e Kiba e um leve sorriso do Hyuuga.

– Sasuke-kun, Juugo! Vamos para a pista! — Karin surgiu repentinamente, puxando os dois homens com ela.

Todos os homens ficaram olhando para onde o restante das meninas estava juntamente com os dois machos que foram arrastados pela ruiva. Temari vinha em direção a eles com um sorriso leve no rosto dirigido ao namorado, que desviou o olhar, sem graça. O grupo ficou dividido dessa forma por um bom tempo e ao longo dos minutos, a casa foi enchendo a tal ponto, que era quase impossível andar. O Uzumaki assistia de longe a prima dançar, tentando incentivar o Uchiha a fazer o mesmo.


(***)


Apesar de acontecerem algumas investidas para com a pequena turma de garotos bonitos, os interessados entendiam, apesar de chateados, as recusas. Mais tranquilos por estarem sendo tão respeitados em um ambiente tão diferente, os rapazes de soltaram um pouco mais.

O loiro pegou a bebida quase quente — devido o tempo de espera — de Sasuke que estava no balcão, ele pediu licença aos amigos e se dirigiu a outra roda. Ele entregou o copo para seu dono, aproveitando para dar um selinho no amante, antes de puxar Ino para dançar. Ele a segurou pela mão, encaixando os dois corpos juntos e tentando acompanhar os movimentos fluídos do quadril arredondado da mulher. A Yamanaka segurou a barra da camiseta manga curta com gola tipo fenda de algodão branco do outro, impulsionando o seu tronco e pélvis para frente bruscamente, roçando sua figura alta na do homem. Os dois fecharam os olhos, com sorrisos leves em seus rostos, enquanto aproveitavam para se esquecerem do mundo à volta.

Ficaram dessa maneira por vários minutos, até que Naruto se lembrou de algo que precisava conversar com a estudante de psicologia.

– Ino? — chamou, praticamente gritando no ouvido da rapariga para se fazer ouvir, ela olhou para ele com os orbes verdes-água brilhando em questionamento. — E a Sakura?

– Esquece, Naruto. — rolou os olhos em tédio para o tópico da conversa. — Ela ainda está agindo como uma mulher naqueles dias sobre o que aconteceu no Ichiraku. — resmungou.

– Você não tentou conversar com ela? — perguntou com preocupação.

– Eu conversei. — ela colocou uma das mãos no ombro desenhado por músculos firmes. — Sakura está chateada com algumas coisas que não havia se dado conta antes, mas percebeu depois do que aconteceu...

– E, por que ela está chateada? — tornou a indagar, mas dessa vez, com incerteza.

– Não é o meu lugar para dizer, me desculpe. — deu de ombros, não estando verdadeiramente arrependida. — Eventualmente, a testuda irá te procurar para conversar... — deu o assunto por encerrado, voltando a mexer o corpo recheado de curvas vestido com um micro short balonê, uma camiseta acinturada estampada e um blazer estruturado rosa choque.

– Vou roubá-lo um pouco de você, Yamanaka. — um barítono profundo soou as costas da garota.

– Sem problemas. — sorriu, antes de se afastar e ser abordada por Kiba.

O Uzumaki encarou os olhos ônix sempre sérios com um sorriso de orelha a orelha, fazendo o Uchiha desviar o olhar para o lado, ao mesmo tempo em que respirava fundo com uma expressão entediada; os cantos dos lábios finos voltados discretamente para cima denunciou o humor ameno do moreno.

– Estava começando a me sentir trocado vendo você se esfregar nessa loira oferecida. — brincou, enfiando a mão esquerda no bolso traseiro da calça de sarja do amante e o puxando para mais próximo de si.

– Você não tem que se sentir assim, eu sou todo seu... – piscou os olhos rapidamente, tentando acentuar um olhar falso de inocência, enlaçando o pescoço pálido.

– Hn. – grunhiu.

Naruto logo interpretou o som pequeno com “acho bom” e riu, balançando a cabeça negativamente. Ele afundou os dedos nos cabelos revoltos e negros da nuca do amante, massageando a região e fazendo com que Sasuke fechasse as pálpebras em deleite.

– Está menos azedo agora? – referiu-se ao humor inconstante e mal humorado do moreno. Os dois se balançavam levemente, contrariando o estrondo frenético da música.

– Culpa daquela bebida horrível que você pediu. – resmungou, esfregando círculos na barriga lisa para, logo depois, enfiar a mão por debaixo da peça de roupa branca a fim de sentir a pele bronzeada do outro, que se arrepiou com o toque fantasma dos dígitos gelados.

– Está tentando me seduzir, teme? – disse de encontro aos lábios finos e rosados.

– Está funcionando? – lambeu a carne do beiço com lentidão, deixando o Uzumaki impaciente. Quando o loiro foi capturar a boca do outro em um beijo necessitado, o corvo afastou o rosto e deu um pequeno sorriso afetado. O mais novo rosnou de raiva.

– É assim? – perguntou, com as sobrancelhas douradas franzidas em aborrecimento.

– “É assim”, como? – tornou a indagar, se fazendo de desentendido.

Naruto desceu os braços para poder agarrar o quadril delgado do Uchiha em um aperto fundamentado, colocando uma das pernas entre as coxas vestidas pela calça jeans escura. Seguindo o ritmo suave, mas rápido da canção, ele moveu a pélvis de encontro ao outro, criando um atrito delicioso para seus membros cobertos pelas roupas. O estudante de engenharia, não contente, correu o tato até as bochechas da bunda do amante, dando um apertão que impulsionou o corpo leitoso em direção ao seu, aumentando ainda mais a fricção na região sensível.

Ambos já conseguiam sentir o estado latente da excitação.

– Provocando... – Sasuke murmurou no ouvido do loiro, antes de sugar a pele sob o pulso e massagear o local com a língua.

O chupão deu à cútis bronzeada, uma pequena marca rosada, que o fez fazer uma careta em desagrado. Não era a primeira vez que tentava marcar o homem à sua frente, mas o mais novo tinha uma alta capacidade de cicatrização e cura; ele sabia que em poucos minutos, a nódoa não estaria mais lá.

– Você quem pediu por isso. – seu riso divertido saiu como um estrondo grave. Ele beliscou o queixo delicado com os dentes para, logo após, capturar os lábios finos em um beijo urgente e agressivo.

– Você está jogando sujo, usuratonkachi. – disse depois que se afastaram, afundando os dedos nos fios dourados e desgrenhados, segurando-os com força, mas de forma que não machucasse o Uzumaki, apenas limitasse seus movimentos.

Antes que ele pudesse fazer o que queria, o casal foi interrompido por uma voz levemente nasalada.

– Que coincidência te encontrar aqui, Sasuke.

O Uchiha reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Ele se virou lentamente, esperando que sua mente estivesse lhe pregando peças nada engraçadas. Ao encontrar os familiares olhos azuis escuros, quase violeta, ele praguejou baixinho, ganhando uma sobrancelha erguida de Naruto em troca, que perguntava silenciosamente quem era aquela presença.

– Suigetsu... – disse entre dentes cerrados, irritado por ser interrompido, pela milésima vez naquele mesmo dia, pela pessoa que menos desejava ver.

– Hee... – sorriu de lado. – Vejo que está acompanhado pelo meu substituto. – a declaração fez o loiro enrugar a testa em confusão e estranheza.

“Do que esse cara está falando?”, indagou-se o estudante de engenharia.

– Prazer, eu sou Hozuki Suigetsu, ex-namorado do Sasuke. – casualmente estendeu a mão para o acompanhante do moreno.

Notas finais
Antes que vocês pensem: Nossa, que coincidência!
Eu sei que em um país, a chance de se encontrar alguém são poucas, mas quando se tratam do público GLS no Japão, a coisa muda totalmente de figura. Eu sei que a maioria pensa que os japoneses são superacostumados com a realidade homossexual, mas isso não é verdade.
O Japão é um país com um povo MUITO tradicional e os comércios voltados para esse tipo de público é bem vasto, mas apenas em algumas regiões, como Shinjuku, Shimbashi, Hamamatsu e Shizuoka. Existem outras, mas não são tão famosas como essas. Como as outras províncias são muito afastadas, eu deduzi que os bairros de Tóquio são os mais procurados para quem mora na região de Niigata e Nagano.
Espero que tenham gostado!
Beijocas! ♥