Dar-se Uma Chance

27 Capítulo 27


Notas iniciais
Eu estou emocionada! Sério, eu tenho tanta coisa para dizer, mas não sei por onde começar, então, vou fazer minhas considerações nas notas finais. Espero que gostem e desculpe a demora de novo!

“A experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido.”
Confúcio.

Capítulo 27

Naruto se encarou no espelho mais uma vez, enquanto abotoava os punhos da camisa social branca. Por um segundo ou dois, ele se questionou novamente se deveria colocar uma gravata, mas ele odiava aquelas coisas apertando o seu pescoço e desistiu. Sasuke reclamaria assim que o visse tentando parecer casual em um smoking Balenciaga, mas ele não se importava. A estrela da noite era o seu namorado, então, ele não precisaria parecer tão pomposo na frente de tantas pessoas.

Era a festa de comemoração do 11º aniversário da união entre a Mangekyou e a Kyuubi Engenharia & Construção. A celebração era festejada religiosamente todo o mês de novembro, a partir do 5º ano de parceria, para glorificar o crescimento exponencial das duas empresas desde a sociedade. Ninguém nunca imaginou que aquela junção fosse dar bons resultados, principalmente depois dos desentendimentos entre as duas famílias. Os jornalistas criticaram a estratégia mal estruturada e outros empresários também deram seus pareceres negativos, mas a decisão já tinha sido tomada.

Sasuke não dormiu direito por meses, preocupado com a repercussão das notícias, temeroso que as opiniões recriminatórias fossem prejudicar ainda mais os negócios. Ele mesmo não estava conseguindo ter sossego ao assistir o homem perambular pela casa como um zumbi ansioso e angustiado. Naruto sempre soube que tudo ficaria bem, mas confie em um Uchiha para se tornar paranoico e não parar até que todos os problemas estivessem eliminados.

Seu namorado trabalhou com afinco por horas, junto a Minato, a fim de garantir estabilidade, enquanto ele estivesse na Suíça. Os dias que antecederam a viagem do mais velho foram uma loucura, porque além da imprensa para se atentar, o moreno tinha os detalhes do intercâmbio para checar e ambos ainda tinham os trabalhos finais da faculdade para entregar. Fora que ele decidiu ver um apartamento para si mesmo e não contou para ninguém o que estava fazendo, porque seus pais estavam muito atarefados com a mudança na empresa, Sasuke andava irritado demais com a quantidade de coisas para resolver e correr atrás, e ele não queria causar mais estresses.

O Uchiha nunca pareceu tão chateado, quando ele mostrou o apartamento pela primeira vez. Pelo menos, o homem se acalmou ao perceber que ficar nervoso só pioraria a situação. Sem perceber, os dois estavam se afastando novamente pela falta de humor do moreno, que considerava a tranquilidade do Uzumaki uma forma de descaso, quando, na verdade, eram apenas maneiras diferentes de encarar uma mesma situação. Eles tinham jeitos divergentes para lidar com certas circunstâncias e precisavam aprender a trabalhar essas distinções em conjunto – ajudando-se mutuamente – se quisessem trabalhar juntos.

– Naruto, eu estou cansado e quero ir para casa, cair na minha cama e dormir. – Sasuke reclamou com o temperamento cada vez mais azedo.

– Eu sei, mas eu quero te mostrar uma coisa! – persistiu, conduzindo o caminho por um corredor estreito com paredes escuras e várias portas de mogno.

Ele parou na porta com o número 27 e abriu a porta. Sasuke deu de cara com uma sala espaçosa, apesar de pequena, com poucos móveis. O espaço só tinha um sofá creme em forma de L e uma TV de 42 polegadas no chão de madeira. Logo que ele deu de cara com o cômodo quase vazio, ele entendeu o que estava acontecendo e rapidamente perdeu o sono.

– Naruto... – começou, mas não conseguiu terminar.

– Eu comprei esse apartamento faz uma semana. – explicou timidamente com um sorriso vitorioso. – Consegui um financiamento no banco e foi o máximo que consegui com o dinheiro. É pequeno, mas é perfeito para mim. – deu de ombros. – Alguns móveis chegaram ontem, se você quiser, podemos passar a noite aqui. Mamãe trouxe um futon que tínhamos em casa hoje para eu dormir, enquanto eu não compro uma cama. Podemos pedir o jantar e tomar café da manhã aqui em baixo, já que eu ainda não tenho uma geladeira, fogão...

Sasuke olhou para ele com um misto de perplexidade e insegurança. Os olhos azuis brilhavam em expectativas, quase implorando por uma aceitação; o seu consentimento. O ar esperançoso fez o coração do Uchiha se apertar mais e ele franziu o cenho num gesto automático de preservação. Ao ver sua careta, o loiro começou a ficar em dúvida.

– Por que você não me contou que planejava comprar um apartamento? – não queria elevar a voz, mas quando se deu conta, já estava praticamente gritando.

Naruto abriu a boca como se quisesse se defender com o mesmo tom, mas ponderou e tornou a fechá-la. De certa forma, o mais novo entendia a raiva do outro. Se os papéis se invertessem, ele também estaria chateado.

– Porque você já estava uma pilha de nervos com as questões da empresa e eu não queria te dar outra coisa para se preocupar. – murmurou. – Olha, eu não quero brigar, eu só estava preocupado com você também. – pegou uma mecha da franja que cobria o rosto pálido e a empurrou para trás da orelha. – Você está correndo tanto com o meu pai que eu me senti egoísta em te pedir ajuda, quando você já está nos ajudando tanto. – sorriu tranquilizador. – Quando você vier para Niigata para alguma reunião da Kyuubi Engenharia & Construção, você pode ficar aqui e descansar. Acho que vai ser melhor do que estar na mansão dos seus pais, porque você vai ter um pouco de privacidade. – pausa. – Nós vamos ter privacidade.

O moreno ficou em silêncio, rodando os olhos pela sala espaçosa. Ao lado, ele podia ver o que seria a cozinha e a sala de jantar, que ainda estavam vazias, exceto pelos armários embutidos na parede. Havia duas portas, que ele deduziu dar para o quarto e o banheiro. Naruto tinha razão, estava sendo mais cansativo vir para Niigata resolver as coisas e voltar para Nagano, quando queriam ficar juntos. Nas casas de seus pais, ambos não tinham seu próprio espaço e eles se sentiam incomodados em dormirem juntos.

– Você poderia ter ficado no meu apartamento, sabe? Eu vou sair em breve e Karin vai precisar de ajuda com as despesas. Nosso apartamento é grande e caro para manter sozinha. – ele tentou novamente, mesmo sabendo que já não adiantaria de nada, quando o Uzumaki já tinha visto tudo.

– Eu não sei o que Karin quer fazer. – murmurou, fechando a porta atrás deles e caminhando até o sofá grande e confortável. – Algo me diz que ela vai querer conversar com Shion antes de tomar qualquer decisão. – bateu no espaço vago ao seu lado para indicar que Sasuke deveria se sentar.

O Uchiha olhou para Naruto por um instante, avaliando o homem, e caminhou até o outro, apontando para a TV enorme com uma sobrancelha erguida.

– Por que eu não me surpreendo que seu primeiro eletrônico seja uma TV? – indagou com escárnio. – Onde está o seu videogame?

O mais novo gargalhou alto, jogando a cabeça para trás.

– Eu precisava de alguma coisa para me distrair, enquanto você não está aqui. – brincou, puxando o namorado para o seu colo. – Eu não tive tempo de trazer o videogame ainda. – rebateu, enquanto beijava o pescoço pálido do Uchiha. – O meu segundo eletrônico será um microondas, para eu preparar meus copos de lámen.

Sasuke revirou os olhos e sorriu, apoiando os braços nos ombros firmes.

– Espero que esse lugar esteja totalmente pronto e mobiliado, quando eu voltar. – ameaçou com uma voz longe de ser ameaçadora. Seus olhos brilhando com diversão indisfarçada, antes de puxar o homem para um beijo cheio de carinho e promessas.



E quando Sasuke voltou, os dois decidiram manter o apartamento pequeno de Naruto, uma vez que o espaço lhes convinha. Karin tinha escolhido morar com Shion em Niigata, uma vez que ela era autônoma e usava seu próprio nome para conseguir trabalhos como designer. Foi triste assistir a venda dos móveis sofisticados escolhidos pela sua prima e pelo seu namorado ao longo dos anos morando juntos, mas ambos acabaram usando o dinheiro para a mudança.

Por mais que ele tenha comprado aquele lugar, o Uchiha fizera questão de dar sua opinião e seu toque em tudo, como se já tivesse nos seus planos morar ali quando voltasse da Suíça. O moreno o ajudou muito financeiramente, mesmo que ele tivesse recusado. De repente, o mais velho aparecia com um conjunto de panelas, um aspirador, um jogo de cama e despesas de supermercado, com a justificativa de que, se dependesse só do Uzumaki, ele viveria em situações precárias.

Não que ele discordasse totalmente, porque sozinho, ele só comia macarrão.

Sua mãe estava em êxtase que existia alguém responsável para olhar por seu filho. Quando Sasuke e Kushina se juntavam, Naruto saía da cozinha com as orelhas inchadas de tanto escutar sermões de como ele era negligente, que ele não era mais criança para ser tão desatento com seus hábitos alimentares e higiênicos... Ele passava horas revirando os olhos e dizendo mentalmente que se vingaria, quando fossem para a mansão dos pais do Uchiha.

E ele fazia questão de dar o troco. Nos almoços em família, ele passava horas enchendo o saco do namorado junto com Itachi até o rapaz gritar de nervoso. Mikoto gargalhava com as birras, enquanto Fugaku observava atentamente a troca com um olhar divertido no rosto. Sasuke não admitia em voz alta, mas ele sabia que os encontros familiares do clã nunca foram tão animados e divertidos antes, visto como todos eles pareciam ser extremamente formais e apegados a regras e tradições.

No começo, ele não se sentia a vontade no ambiente sério, mas com o tempo ele foi se abrindo até perder qualquer senso de limite e agir como agia em sua própria casa. Foi quando todos eles estavam se acostumando com a rotina de estarem juntos como uma família que Sasuke precisou sair. Fora a coisa mais difícil vê-lo fazer as malas e preparar as coisas para passar dois anos fora. Ele ajudou no que pôde, mas não conseguiu conter o sentimento meio amargo de ver o homem ir embora. De certa forma, o mais velho entendeu e não julgou, quando Naruto preferiu se manter um pouco distante.

Naruto assistiu Sasuke abraçar Mikoto apertado. Ele já tinha falado com Itachi, Fugaku, Minato e Kushina. Karin tinha começado a chorar, enquanto esperava sua vez para se despedir. Ele mesmo estava tentando arduamente não ceder aos próprios sentimentos contraditórios que digladiavam em seu peito, ao ver o homem dizer tchau para todo mundo e o deixar por último para que pudessem dizer o que precisavam com calma.

O Uchiha fora muito mais suave e receptivo nas últimas duas semanas, mas nada diminuía a sensação de saudade antecipada que o preenchia por inteiro, consumindo-o, assim como a sensação irremediável de vazio e perda. Eles ainda estariam juntos, apesar da distância, mas seriam meses separados. Os dois só podiam contar com o esforço que fariam para manter o relacionamento, mas o futuro ainda era incerto.

Por muitos dias, ele questionou se deveria largar tudo no Japão e acompanhar o namorado, mas ele tinha obrigações com a empresa da sua família e sabia, mesmo não querendo, que às vezes era preciso manter a individualidade. Ele mesmo tinha seus planos e projetos. Seu sonho sempre foi ter estabilidade o suficiente para uma independência e, agora que tinha conseguido um espaço para si mesmo, ele queria mantê-lo. Mais que nunca, ele precisava trabalhar para pagar as próprias contas.

Sasuke batalhou a fim de preservar o estilo de vida boêmio que teve desde criança, mas ele era afortunado, uma vez que sempre estudou nas melhores escolas e sempre teve uma educação voltada para os negócios. Para alguém de um clã importante no Japão, falar outros idiomas era algo natural, mesmo que fossem necessários anos de estudo para adaptar o sotaque. Ele viveria apoiado no mais velho até conseguir se adequar ao inglês, porque só sabia o básico. E ele não queria depender de ninguém.

O moreno franzia a testa para o excesso de orgulho, mas não dizia muito, pois se os papéis se invertessem, ele sabia que também não contaria com a ajuda.

O rapaz trocou algumas palavras com Karin e se virou para o Uzumaki quieto e anormalmente sombrio. Sua primeira atitude foi passar o polegar no vinco entre as sobrancelhas douradas para suavizar as rugas da careta mal-humorada e puxar o corpo masculino para um abraço apertado. Os peitos firmes bateram de forma um pouco dolorida, mas nenhum deles se importou de fato.

Os dois ficaram assim por vários minutos e, por um segundo, Naruto viu o flash de uma câmera mesmo sob os olhos apertados. Sua mãe estava tirando fotos de todo mundo, mesmo que Mikoto e Karin estivessem com os rostos inchados e vermelhos de tanto chorar. A inconveniência era uma característica Uzumaki no final das contas.

– Eu vou sentir a sua falta. – ele murmurou com a voz embargada, tentando gravar a sensação dos braços rodeando o seu pescoço, do cabelo escuro e sedoso fazendo cócegas na sua bochecha e o corpo musculoso de encontro o seu. O cheiro cítrico e fresco da pele pálida entorpecendo os seus sentidos. Por uns segundos, ele segurou o tecido da camisa simples de malha do outro, como se não quisesse deixá-lo ir.

– Eu também vou sentir a sua falta. – Sasuke sussurrou com a voz um pouco trêmula, beijando a sua têmpora num toque demorado e exigente.

Pela forma como o moreno engoliu em seco, ele sabia que não era o único afetado com a futura distância. Ele tentou segurar as lágrimas que queimavam seus olhos, mas não conseguiu. A contrição em seu peito era tanta, que ficava difícil respirar. Quando se deu conta, ele estava chorando como Karin e Mikoto. Lá dentro, ele estava se perguntando como seriam seus dias sem o Uchiha ao seu lado sem sentir aquele vácuo interno que só parecia crescer.

– Não se esqueça de escovar os dentes e tomar banho todos os dias, lavar atrás das orelhas e obedecer a sua mãe... – a voz grave começou, fazendo-o rir sem fôlego em meio às lágrimas; as pessoas em volta sorriram e, naquele momento, sua mãe começou a chorar junto com ele também. – Eu vou fazer questão de ligar para Kushina a fim de saber se você está sendo um bom menino. – continuou com o timbre falho, aliviado por arrancar pelo menos um sorriso do seu raio de sol. – Eu te ligo assim que eu chegar em Seoul, vou ter cerca de duas horas e meia para embarcar para Amsterdam e a gente pode conversar um pouco. Quando eu chegar na Holanda, te aviso também, porque vou ter mais um tempo até pegar o voo para Genebra. – explicou, encarando profundamente os orbes azuis para firmar suas palavras. – Nós não vamos deixar de nos falar, entendeu? – indagou, segurando o rosto entre suas mãos.

Os polegares acariciando as cicatrizes das bochechas.

– Entendi. – murmurou, sentindo-se mais reconfortado com a preocupação de Sasuke. – Vou ficar olhando para o celular toda hora, esperando você me ligar. – reafirmou para se consolar; dizer a si mesmo que ambos estariam longe, mas estariam perto de alguma forma.

O mais velho abanou a cabeça afirmativamente, escrutinando o rosto do outro, como se quisesse guardar na memória os recursos familiares. O tom dourado da pele que parecia contrastar enormemente com a brancura da sua; as íris intensas que tinham o tom mais bonito de azul que ele já tinha visto na vida, a forma como os cabelos claros caíam em sua testa e como as marcas de bigodes de raposa lhe davam uma aparência particular e exótica.

Sasuke engoliu em seco outra vez, seu pomo de adão subindo e descendo com o movimento descompassado, antes de puxar o loiro para um selinho. O que deveria ser apenas um beijo breve se tornou uma carícia longa e cheia de significados, desejos e anseios. Ambos queriam guardar a maneira como seus lábios se encaixavam, se afagavam e deslizavam numa perícia prática. Os dois cobiçavam manter aquele gosto reservado que pertencia ao outro, mas que ao mesmo tempo se combinava e se tornava outro sabor que era só deles, numa única essência que só eles conheciam.

O casal se separou insatisfeito, mas plenamente consciente das resoluções que tomaram para suas vidas.

– Eu preciso ir. – Sasuke anunciou ao mesmo tempo em que olhava para o relógio. – Nos falamos mais tarde. – prometeu para todos.

Ele sorriu para loiro, tentando dizer naquele gesto simples que, apesar de tudo, estava feliz e que tudo terminaria bem. Dando um último abraço no namorado, ele acenou para o resto das pessoas que vieram se despedir, pegou sua mala de mão, documentos e casaco com Itachi e entrou no corredor que levava todos os passageiros até a revista pessoal.

Naruto só pôde engolir o nódulo que parecia crescer em sua garganta e olhar para o celular com ansiedade crescente. Dois anos podiam passar depressa.



Naruto desligou a TV, que falava sozinha na sala de estar. Sasuke tinha saído mais cedo para checar pessoalmente os últimos detalhes da festa. Os anos só tornara o mais velho ainda mais pragmático, e o Uzumaki ficava dividido entre achar engraçado e se sentir admirado com a capacidade do homem em lidar com tanto ao mesmo tempo. Mesmo Minato ficara impressionado. Depois de ceder o controle da Kyuubi Engenharia & Construção por completo, o Uchiha entrara nos negócios de forma agressiva e quase impiedosa.

Por vezes, ele se sentia só um espectador diante da capacidade administrativa do namorado. Sasuke era a pessoa que encabeçava todas as negociações e ele ficava com a parte criativa, junto à sua equipe. Depois que o moreno partiu pra a Suíça, o loiro começou a estudar inglês e procurar se especializar em arquitetura, uma vez que era sua mãe é quem cuidava disso, enquanto seu pai cuidava da parte burocrática da obra. Ele não precisava fazer tudo sozinho, mas precisava ter noção das duas áreas para coordenar as construções pessoalmente.

Seu celular apitou, distraindo-o das memórias. “Onde você está?”, ele leu na mensagem enviada pelo namorado. “Saindo de casa.”, digitou com pressa.

Com uma última olhada para o apartamento, ele verificou se estava tudo bem, antes de sair. Ele chegou ao hall de entrada do prédio onde morava e estalou a língua para a garoa fina que caía do lado de fora. Com um encolher de ombros, ele correu até o Nissan Skyline grafite parado no estacionamento do outro lado da rua. Um dos poucos luxos que ele se deu o trabalho de comprar, quando recebeu a primeira participação dos lucros da parceria entre a Mangekyou e a Kyuubi Engenharia & Construção.

Sasuke tentou não se divertir com a forma como ele parecia uma criança com um brinquedo novo. No começo ele sonhou em turbinar o carro, mais por achar bonito que vontade de disputar corridas, mas o Uchiha fora totalmente contra. “Eu não quero que pensem que você é um desses filhos que participa dessas disputas organizadas pela Yakuza.”, o homem frisou categoricamente, e eles discutiram por alguns minutos antes que ele cedesse.

Os dois ainda brigavam por qualquer coisinha, mas o tempo que ficaram longe dera outra dimensão para o relacionamento. Hoje, as discussões eram mais como implicâncias frívolas, porque a distância fizera com que o entendimento entre eles crescesse; uma única troca de olhares e ambos já sabiam o que precisava ser feito. Em reuniões, eles eram quase imbatíveis, pois tinham essa sinergia harmônica que os norteava e fazia outros empresários se sentirem excluídos e cientes de que acontecera uma conversa secreta e não verbal sem eles. Mesmo Fugaku parecia incerto, quando os assistia juntos.

Demorou um tempo para que eles pudessem se entender dessa maneira. No começo foi difícil, porque ambos não se entendiam de jeito nenhum. As milhas que os separavam pareciam deixar tudo ainda pior e incerto. Por muitos momentos, tanto Naruto quanto Sasuke pensaram em desistir e apenas permanecerem como parceiros comerciais. Mas, eles insistiram, resistindo ao ciúme que os consumia por vezes, as inseguranças e dúvidas que pareciam caminhar o tempo inteiro com eles aliadas à vontade insana de largar tudo para só ficarem juntos de novo.

Foi complicado, mas cada dia valera a pena.

“Você pode entrar no Skype lá pras 18? Eu vou entrar mais tarde no café hoje.”

Eram 2h52min, quando Naruto viu essa mensagem. Era começo de domingo, e ele passara o dia na casa de praia da família Sabaku com os amigos. Depois de se formarem, o tempo entre o grupo estava ficando cada vez mais escasso. Era raro para todos eles conseguirem se encontrar e passarem um final de semana inteiro juntos. Normalmente, quando um podia o outro já tinha algum compromisso marcado, então, o Uzumaki esquecera absolutamente tudo sobre o seu celular em benefício do momento.

Amaldiçoando mentalmente, ele digitou uma mensagem rápida: “Desculpa, eu só vi a sua msg agora. Estou na casa do Gaara com o pessoal.”. Mandou com uma careta receosa, já sabendo que iria escutar um sermão. Nos últimos dias, ambos estavam à flor da pele e qualquer coisa era motivo de briga. Mesmo ele estava ficando irritado com o pouco tempo que tinham para conversar.

Sasuke já estudava em Lausanne, na Suíça, por sete meses. Ele tinha aulas de segunda à sexta no período da manhã até às 16 horas. Depois disso, ele trabalhava por meio período em um café no centro da cidade até os sábados, a fim de pagar as despesas do apartamento que dividia com outros estudantes estrangeiros. Fugaku até se ofereceu para mandar dinheiro para o caçulo, mas o rapaz de recusara a receber qualquer ajuda, pois manteve o dinheiro das vendas dos móveis da casa de Nagano em caso de necessidade.

Por um momento, ele pensou que o Uchiha ainda estivesse trabalhando, uma vez que eram oito horas de diferença entre os fuzos horários, mas seu celular tornou a vibrar alguns segundos depois: “Não importa.”.

Ao ver a resposta seca e direta, seu coração acelerou. Naruto sabia que tinha pisado no calo do mais velho e agora seria um sacrifício fazê-lo se acalmar. Não havia justificativa plausível para ter esquecido o celular, mas ele estava tão empolgado em passar o dia com os amigos, que simplesmente esqueceu.

“Você está trabalhando ainda?” – digitou e apertou “enviar” com certo receio.

Ele esperou por 14 minutos por uma resposta, mas esta não veio. Sentando na cama onde dormiria durante o final de semana, ele bateu os pés no chão com ansiedade e impaciência, tentando decidir o que fazer. Ele não sabia ao certo que horas Sasuke tinha começado o trabalho naquele sábado e, pelos seus cálculos, ele poderia ter saído por aquele horário. Ou não. A falta de resposta poderia significar muitas coisas, entre elas, que o mais velho ainda estivesse trabalhando. Mas, também poderia ser um ataque de frieza.

Naruto não sabia. E ele esfregou o rosto para se acalmar.

Às vezes ele odiava o temperamento Uchiha. Com excessão de Mikoto, Itachi, Shisui e Obito, a família toda do seu namorado tinha um gênio difícil. Por um momento, ele ponderou seriamente sobre o que deveria fazer para aplacar o humor do outro. No andar de baixo, a festa entre seus amigos continuava imperturbável. A música alta, mas abafada pelas paredes, e o burburinho de conversas e risos se misturavam numa cacofonia confusa.

Ele olhou para o celular novamente e tomou uma decisão: ligaria para Sasuke. Os dois precisavam conversar seriamente sobre o que estava acontecendo. De repente, a conexão que tinham parecia inconsistente novamente, e ele estava cansado de viver passando por esses períodos torturantes de distanciamento emocional.

Por vários meses e vezes, eles só pareciam não se reconhecer.

Abrindo o Line, ele procurou o número conhecido e, esperando mais minutos do que o costume, devido à longa distância, o som de chamada finalmente se fez ouvir. O toque soou três vezes, antes que o tom profundo do homem ecoou:

– Você demorou mais que o previsto para me ligar. – Sasuke parecia quase arrogante ao confirmar

– Eu não sabia ao certo se você estava trabalhando ainda ou não, porque você não respondeu a minha pergunta. – acusou em um timbre amargo. – Eu não queria atrapalhar.

– Você saberia se tivesse falado comigo no horário em que te pedi. – retrucou de forma cortante, não dando espaço para que o Uzumaki o culpasse de novo.

– Eu já te expliquei o que aconteceu. – ele rebateu, começando a se arrepender de ter ligado. – Me desculpe, mas eu esqueci completamente do meu celular. Faz tempo que eu não tenho um tempo com o pessoal e acabei me distraindo. – tornou a se explicar, mas em voz alta ao invés de um texto.

Um silêncio incômodo cresceu entre eles por alguns segundos, até que a voz de Sasuke finalmente soou do outro lado da linha:

– Ultimamente, você parece estar esquecendo tudo sobre mim. – a sinceridade das palavras fez com que Naruto engolisse em seco, sentindo o peito apertar em um sentimento inexplicável de culpa e confusão. – Me diga a verdade, você já encontrou outra pessoa?

A pergunta o pegou desprevenido e, repentinamente, ele percebeu de onde a agressividade repentina do Uchiha estava vindo: ciúme e insegurança. De fato, o loiro parecia mais distante, mas ele só estava correndo para alcançar o rapaz com a pós-graduação e o curso de inglês, afundando de cabeça nos estudos para se distrair até que o tempo passasse como um flash e, quando caísse a ficha, já era o tempo do seu namorado voltar.

– Do que está falando? – perguntou num timbre bem mais suave e carinhoso. – Eu já teria te contado, se tivesse encontrado outra pessoa. Eu não sou infiel. – murmurou um pouco magoado com a insinuação.

– Hn.

– Eu sei que pareço um pouco distante, mas eu me sinto meio culpado em te ver correndo tanto para estudar e ser melhor, que eu me senti meio que sendo deixado para trás, sabe?! De alguma maneira, quero estar do seu lado, mesmo estando longe, para que possamos caminhar juntos quando você voltar. Eu quero te alcançar. – explicou com um tom meio distante, pensativo e, de certa forma, divertido. – Os estudos são ótimos para mim, porque me distraem.

Sasuke estava muito quieto e ele se sentiu inseguro sobre os pensamentos do homem. Incomodado com o silêncio, ele se forçou a continuar:

– O tempo tem passado mais depressa, agora que tenho outra coisa para me focar, entende? – brincou distraidamente com uma linha solta na colcha que cobria a cama onde estava sentado. – Já se passaram sete meses e só faltam 17 para você voltar, Sasuke, já pensou nisso? – perguntou com entusiasmo. – Eu estou fazendo a contagem regressiva! – riu.

A quietude do outro lado continuou por alguns segundos ainda, até que a voz profunda rebateu com uma tranquilidade incaracterística:

– Usuratonkachi.

O que fez Naruto sorrir incontrolavelmente, sabendo que, de alguma forma, os dois estavam bem novamente.

– Você percebe que no próximo mês vai fazer um ano que nos conhecemos? – tornou a falar em um tom meio incrédulo. – Parece que nos conhecemos há muito mais tempo, não parece? A gente já passou por tanta coisa... – divagou com um suspiro nostálgico e saudoso. – Sinto como se fôssemos um casal de velhos sem a impotência sexual, porque ainda sinto meu pau endurecer só de pensar nessa sua bunda maravilhosa. – brincou, ouvindo o outro bufar.

– É uma pena que não vamos poder comemorar decentemente. – murmurou em um tom vago, talvez por estar pensando no passado também. – É nessas horas que me arrependo das decisões que tomei.

– Não pense assim! – Naruto franziu a testa, mas sorriu como se soubesse de algo que Sasuke não sabia. – Nós precisamos disso. Sua vontade em se tornar melhor me fez querer ser melhor também, sabe? Nós dois estamos crescendo separados, mas ao mesmo tempo juntos. – lambeu os lábios ressecados. – E quem disse que não podemos comemorar decentemente?

– E como vamos comemorar, Dobe? – indagou como se o Uzumaki fosse um absurdo. – Um jantar a luz de velas por Skype? – ironizou.

Naruto gargalhou ao imaginar a cena.

– Não, idiota! – murmurou, pensando sobre o que iria dizer em seguida. – Eu ia te contar no dia do nosso aniversário, mas como você acha que estou sendo negligente com você; vou adiantar o que eu planejei para comemorarmos. – pausa dramática, o que fez o Uchiha bufar com impaciência do outro lado. – Comprei passagens para passar o Natal e o Ano Novo na Suíça. Não vamos comemorar na data certinha, mas pelo menos vamos passar as festas juntos.

Um momento de silêncio se passou e Sasuke respondeu:

– Você escolheu a pior época para viajar, Naruto. – pausa. – Precisamos torcer para que o tempo não esteja ruim o suficiente para atrapalhar o voo.

– Eu sei, por isso escolhi viajar no dia 18 de dezembro, porque se decidirem adiar o voo para uma data posterior, pelo menos nós teremos uns cinco dias para nos reunirmos no Natal. – tentou segurar o sorriso, mas não conseguiu por estar ficando antecipadamente animado com a perspectiva de ver Sasuke e conhecer outro país. – Voltar não é um problema; meus pais podem segurar as pontas por aqui, enquanto eu estiver fora.

– Como conseguiu o dinheiro para tudo? – o mais velho perguntou, sabendo que o salário do loiro era suficiente apenas para pagar a pós-graduação, os cursos e as despesas do apartamento. Se Naruto estava planejando isso há muito tempo, ele deve ter cortado uma pilha enorme de gastos para manter o orçamento, e isso incluía deixar de sair com os amigos.

– Eu peguei alguns projetos por fora da Kyuubi Engenharia & Construção. – admitiu com certa timidez, levantando-se para encarar a noite pela janela. Pela vista, ele podia ver as ondas do mar quebrando na areia. Ele adorava aquele som tranquilizante e o cheiro de maresia. Por um instante, ele desejou que Sasuke estivesse ali também para entender o porquê de ele ter esquecido tudo sobre o celular.

– Fazendo projetos para a concorrência, Dobe? – indagou com falsa seriedade. Depois da notícia, o moreno parecia mais suave e tranquilo, quase carinhoso, e o tom de cuidado só o fazia querer sorrir ainda mais; estar cada vez mais junto.

– Foram projetos pequenos, reformas simples de casas e apartamentos, nada perto do que seus olhos ambiciosos almejam. – rebateu. – Eu vou te mandar uma foto da vista do meu quarto pelo Line.

– Mande, e mande um oi para todos por mim. – pediu. – Agora vá, antes que o Kiba sinta a sua falta e comece a gritar o seu nome. Ele é sempre o primeiro a notar a sua ausência. – Sasuke acrescentou em um tom de escárnio, como sempre usava para tratar seu “bromance” (como ele costumava chamar) com o seu melhor amigo.



Naruto puxou o carro para a entrada do Toki Messe Niigata Convention Center, onde um manobrista já o aguardava para a retirada do automóvel. A cada ano, a festa pareceu crescer mais. As pequenas convenções em hotéis simples em Niigata dera lugar a comemorações grandiosas. Quando eles alugaram esse espaço pela primeira vez há dois anos, ele entendeu melhor a profundidade do que estava acontecendo em sua vida.

Sasuke estava do lado de fora, com um cigarro na mão, observando-o calado. Ele acenou com a cabeça, entregou a chave para o funcionário do edifício e se aproximou do namorado, apreciando a aparência elegante do homem como se o visse pela primeira vez em muito tempo.

– Você demorou... – o moreno comentou casualmente, jogando o filtro em um cinzeiro na calçada e se surpreendendo quando os lábios quentes capturaram os seus num selinho carinhoso.

O moreno não gostava muito de demonstrações públicas de afeto, e o Uzumaki respeitava o jeito reservado, contudo, ao se lembrar dos meses que ficaram separados, Naruto se sentiu extremamente carente e tátil.

– Eu estava me arrumando para você. – justificou-se e deu uma volta para que o homem tivesse uma visão completa de sua aparência. – E então? – pediu indiretamente que o outro o elogiasse, ajeitando a lapela do smoking, ele ainda estava se sentindo um pouco necessitado de atenção.

Ele olhou para o moreno e o viu lhe lançar um olhar em branco, ao mesmo tempo em que sua bochecha direita tremia para segurar o riso.

– Você parece bom. – a declaração podia parecer sem graça e reticente aos ouvidos alheios, mas Naruto pegou o brilho sugestivo no olhar escuro e aquilo era o suficiente. – Onde está sua gravata?

– Em casa. – rebateu sem hesitação, fazendo o outro revirar os olhos. – Você sabe o quanto odeio usar esse negócio! – fez um bico emburrado, tentando tocar o coração gelado do Uchiha, sem ligar para o fato de que ele já tinha 33 anos nas costas para parecer comovente.

Sasuke lhe lançou um olhar indulgente e se aproximou para sussurrar em seu ouvido:

– Uma pena, eu achei que poderia usar a sua gravata para te amarrar na cama essa noite. – estalou a língua, fingindo não notar o olhar abalado. – Eu pensei que poderia brincar com você, acariciar você, até que estivesse implorando para me tocar de volta. – correu a mão pelo peito firme, sentindo os músculos tencionarem sob os seus dedos.

Naruto começou a engasgar com a própria saliva, enquanto sua mente criativa criava imagens bem explícitas.

– Podemos usar a sua gravata ou podemos voltar para casa ao invés de ficar em um dos quartos do hotel. – lançou com convicção, esperando que o mais velho se convencesse.

O moreno só lhe lançou um último olhar, antes de começar a se afastar.

– Karin está arrumando os últimos detalhes da decoração da festa – informou. –, ela vai querer falar com vocês, antes que os convidados comecem a chegar. – e sumiu no final do corredor, onde ficava a entrada para o hall de eventos.

Naruto só passou a língua nos dentes para segurar um suspiro de frustração. Ele olhou para o teto e contou até 10 para esfriar o próprio sangue, antes de seguir o outro para onde aconteceria a festa. Sasuke sempre fazia aquilo. Desde quando se conheceram, o Uchiha sabia quais eram os pontos que deveria apertar para deixá-lo em estado de ebulição. Até mesmo separados por milhas, o homem conseguia acendê-lo facilmente como pólvora.

Seu namorado sabia que o tinha ao redor do dedo e fazia questão de usar o artifício para obter tudo o que queria. Bastardo.

O professor de Planejamento Urbano estava a quase 30 minutos falando sobre estética do desenvolvimento metropolitano. Sua voz monótona adentrava em seus ouvidos surdos como uma canção de ninar. Naruto estava morrendo de sono, a bochecha direita amassada na palma da mão que impedia sua cabeça de inclinar na inconsciência. Ele estava tão cansado.

De repente, seu celular vibrou em seu colo. A tela se iluminou com o nome de Sasuke e ele sorriu com a distração bem-vinda. Sem hesitar, ele desbloqueou o aparelho e abriu a mensagem...

Naruto deu um pulo em sua cadeira, fazendo os pés de metal gritar no piso de mármore gasto e áspero num aviso errado. Ele escondeu a tela em seu peito, porque esqueceu qual era o botão que apagava o visor, sentindo o coração martelar sob os seus dedos com a violência do seu susto. Seu professor e os outros alunos olharam para ele em confusão e, seu rosto já corado, ardeu como se estivesse em chamas; de vergonha e raiva.

Ele engoliu em seco.

– Desculpe... – tentou dizer, mas seu tom saiu engasgado. Ele apontou para a porta com a mão livre, indicando que precisava ter um minuto e, sem esperar por uma resposta, ele saiu da sala de aula, sentindo-se sufocado.

“Sasuke, seu filho de uma puta!”, gritou em pensamento, enquanto seus pés caminhavam com pisadas fortes para o banheiro masculino e ele se esforçava para ignorar a dor latejante entre suas pernas.

Em sua cabeça, ele tentou lembrar se alguém ao seu lado viu o que a tela do seu celular mostrou tão descaradamente. Mas, ele estava tão assustado, que só pensou em pedir para sair, ao mesmo tempo em que tentava acalmar as batidas violentas em seu peito. Com um suspiro irritado, ele entrou em um dos boxes privados, trancou a porta e se apoiou na parede.

Seus dedos trêmulos começaram a tarefa árdua de desbloquear o celular, que naquela altura já tinha bloqueado sozinho. E, mais uma vez, ele foi assaltado com a imagem de um pênis duro, corado e orgulhoso, como se demandasse a atenção que seu dono parecia mendigar com os lábios presos entre os dentes. Sasuke estava simplesmente lindo. O ângulo da câmera mostrava o seu rosto corado como um mero coadjuvante por trás daquele pau inchado e bonito. Os olhos negros o chamavam; brilhantes e predatórios.

Ele estava perdido. E morto.

Batendo a cabeça na parede com um gemido baixo e miserável, ele digitou: “Eu te odeio tanto agora!”. A resposta não tardou em chegar: “Sonhei com você e acordei sentindo a sua falta...”. Por mais que o loiro estivesse com raiva e excitado, uma queimação desagradável rompeu pelo seu peito, constringindo-o. Ele também sentia a falta, mesmo que seu namorado fosse um bastardo a maior parte do tempo.

Ele ainda estava tendo um momento difícil para desgrudar os olhos da imagem sedutora, mas ele escreveu uma resposta, sentindo seu emocional acalmar o seu pequeno problema lá embaixo: “O que você sonhou?”.

Sasuke demorou a responder, mas a mensagem surgiu hesitante: “Sonhei que estávamos juntos no Japão. Eu sinto falta de casa, eu sinto a sua falta. Nós estávamos na cama, como costumávamos ficar quando não queríamos fazer absolutamente nada. A gente conversava, se tocava, se beijava... Eu podia sentir sua boca, sua respiração e suas mãos na minha pele. Você reverenciava o meu nome como você faz quando estamos sozinhos.”.

Naruto engoliu em seco novamente, sentindo um bolo desagradável preso em sua garganta. Seus olhos arderam, mas ele não chorou, embora as emoções parecessem querer borbulhar de dentro para fora, efervescendo. Ele olhou em volta e percebeu que estava no lugar errado para ter aquela conversa. Internamente, desejou poder falar em particular, ao invés de estar naquele banheiro público e nojento.

Ele digitou: “Não existe nada que eu queira mais que estar com você”. E antes mesmo que o outro pudesse responder, continuou: “Mesmo que você esteja longe, continuo dizendo a mim mesmo que, de alguma forma, você está perto de mim. Nem que eu tenha que imaginar sempre o seu toque, a sua presença, o seu calor... Às vezes, eu sinto como se estivesse louco, mas é dessa maneira que você me faz sentir desde que nos conhecemos, então, não faz tanta diferença. Eu nunca hesitei perto de você, mesmo que já tenha duvidado do nosso relacionamento às vezes, ainda confio em você. E sei que, de algum jeito, nós faremos isso dar certo.”.

E mais uma vez, o mais velho demorou a responder. Ele ponderou sobre rolar a tela até onde estava a foto tentadora, mas decidiu que iria apreciar melhor a imagem se estivesse num lugar mais privado. Sua boca salivou ao lembrar os detalhes que pareciam queimar a parte interna dos seus olhos. Sasuke podia parecer puritano e frígido em público, mas só ele sabia o que o homem era capaz de fazer em quatro paredes, ou quando ele achava que ninguém sabia o que ambos estavam fazendo.

“Saiba que eu não sou emocional como você.”, seu celular vibrou com o texto e ele revirou os olhos; confie em um Uchiha para acabar com o sentimentalismo do momento. Antes que ele pudesse digitar um retorno, outra mensagem pulou no aplicativo: “O que achou do meu presente? Passei a manhã inteira batendo uma pensando em você!”. Todos os pelos da sua nuca se arrepiaram com a visão mental que seu cérebro decidiu criar.

– Eu te odeio ainda mais agora. – ele sussurrou para si mesmo, meio chateado com a distância, mas ligado com o novo tipo de intimidade que tinham adotado.

“O que você pensou, enquanto se masturbava?”, ele não queria dar corda, mas quando foi raciocinar sobre o que dizer, ele já tinha batido em “enviar”. Para arrefecer o próprio sangue, que bombeava aquecido em suas veias, ele tornou a escrever: “Eu estava na aula, alguém poderia ter visto, sabia?”.

Impaciente, ele abriu a porta da cabine do banheiro e saiu. Ele ainda tinha 24 minutos antes da aula acabar, daria tempo de ligar para Sasuke e conversar decentemente antes que o mar de alunos o interrompesse. Deslizando o dedo para a discagem, ele começou a caminhar até o pátio do campus.

Um toque depois e o homem atendeu:

– Alguém ficou ansioso. – a voz profunda pronunciou com escárnio, fazendo-o ranger os dentes com raiva. Ele odiava a presunção do mais velho. – Vai me dizer que eu não tornei a sua aula mais interessante?

– Eu precisei sair, antes que aula terminasse, imbecil. – disse, arrancando um riso do moreno. – Eu teria que arrancar os olhos de alguém se algum deles tivesse visto aquela foto.

– Você está ficando muito possessivo. – observou.

– É a convivência. – rebateu com ironia. – Então, você não vai me dizer o que pensou, enquanto batia uma pensando em mim? – insistiu, sentando em um banco isolado entre algumas árvores. Como a maioria dos alunos estavam em aula, o lugar estava deserto, exceto por alguns estudantes no fumódromo do outro lado do pátio.

– Pelo barulho, eu posso supor que você está na rua, tem certeza que quer ter essa conversa agora? – indagou em um tom sério.

– Eu estou sozinho, não farei nada que me comprometa. E daqui, ninguém vai poder dizer se tenho um duro ou não. – murmurou com a voz rouca. Mesmo que sentisse que ia se arrepender depois, ele queria saber, ele precisava disso. – Eu posso fazer algo com relação a isso mais tarde.

– Não se esqueça de me chamar nessa hora. – a voz soou ainda mais grave.

– Quem sabe a gente não faz alguma coisa por webcam? – sugeriu e balançou as sobrancelhas sugestivamente como se o outro pudesse o ver.

– Eu vou gostar disso. – o outro concordou, soando repentinamente sem fôlego. – Melhor que ver, é poder tocar e chupar você. – Naruto precisou suspirar para disfarçar o gemido necessitado. – Imaginei o seu rabo apertado montando o meu pau, porque você sabe o quanto eu amo te olhar quando transamos.

Instintivamente, suas pernas se espalharam no banco e ele apoiou as costas no encosto duro de madeira. Seus olhos cerúleos se desviaram para o céu azul e ele cobriu o rosto com a mão livre, tentando esconder a vermelhidão que parecia correr até a ponta das orelhas.

– Deus, eu não deveria ter insistido! – rezou por misericórdia. – Vai precisar fazer algo sobre isso quando eu chegar aí no final do ano.

– Não duvide disso. – Sasuke murmurou com um tom mais brando, como se estivesse tocado pelo seu sofrimento. – Eu vou te foder tanto, que você não vai poder ver a cidade por não conseguir andar.

Naruto riu. Seu riso saindo muito mais grosso do que normalmente.

– Cala a boca! – rebateu com um sorriso. – Eu vou desligar, porque preciso acalmar um “grandíssimo” problema, antes de voltar para sala e pegar meus materiais. – informou com arrogância bem-humorada.

– Não se faça maior do que é, Dobe. – retrucou. – Nos falamos mais tarde. – a forma como o moreno o intimou, dizendo claramente que era uma cobrança ao invés de um pedido.

Naruto bufou e Sasuke encerrou a ligação sem esperar por uma resposta. Filho insensível de uma mãe...



– Nossa! Finalmente! – Karin exclamou ao vê-lo entrar no salão de festas. – Me ajude a colocar esses arranjos em cima das mesas! – ordenou mais que pediu, apontando para o carrinho de metal cheio de vasinhos.

Naruto tomou um olhar para o artigo decorativo. Havia uma flor branca presa por pedras marrons no fundo de um recipiente de vidro cheio d’água. Uma vela flutuante ainda apagada boiava na superfície. O loiro tinha que dar o braço a torcer, sua prima era boa no que fazia.

– Por que você não pediu para o Sasuke, ao invés de me esperar até agora? – gritou em indignação, ao perceber o homem sentado em uma mesa no canto, rodeado por papéis.

– Porque ele está estudando os gráficos e o discurso que será apresentado mais tarde, idiota! – Karin rosnou, seu vestido preto e rodado voando com seus movimentos apressados. Ela estava bonita com o cabelo vermelho preso em um coque desordenado. O estilo rebelde combinando com sua personalidade livre. Com certeza, ela tinha escolhido o modelo na altura do joelho para ter liberdade para correr, enquanto arrumava a decoração da festa.

– Você confia nele sem quebrar nada, ruiva? – uma voz feminina interrompeu seus pensamentos e ele se virou para ver Shion se aproximar com um sorriso.

Ele soltou um assovio impressionado. A perna longilínea direita aparecendo pela fenda do vestido comprido cinza. Os cabelos longos presos em um coque apertado no alto de sua cabeça, dando aquela imagem de mulher austera que mantinha nos tribunais. Os olhos violáceos intensos na maquiagem translúcida.

– Você está absolutamente comestível! – exclamou, correndo os olhos pela figura feminina e fazendo Karin e Sasuke erguerem a cabeça com expressões nada amigáveis. – Sasuke é a estrela, mas você é quem vai roubar os olhares.

Shion riu carinhosamente e abraçou o homem alto.

– Você também está maravilhoso, Naruto. – elogiou, fazendo a ruiva bufar. – Eu seria uma pouco mais abusada, mas eu tenho uma namorada ciumenta...

– Os dois podem parar de agir como se não estivéssemos aqui? – a mais nova rebateu e apontou para os arranjos no carrinho. – Coloque esses vasos no centro das mesas, idiota!

Naruto agradeceu por estar metros de distância da sua prima carrancuda, pois ele tinha quase certeza que se estivesse próximo, ela daria um jeito de meter aquele salto agulha em um dos seus pés. Shion deu um sorriso, se afastou e se aproximou da outra mulher. Ele observou com cuidado, a mais velha se inclinar em direção à Uzumaki e lhe sussurrar alguma coisa no ouvido. Elas, assim como ele e Sasuke, eram um casal bem contrastante.

Karin era cheia de cores: o cabelo vermelho vibrante, a pele cor pêssego e as roupas sempre gritantes; além da atitude energética como a de uma criança inquieta. Era totalmente o contrário à maneira como a mais velha se portava. Contudo, ambas se entendiam, assim como ele e seu namorado. E isso tudo era muito irônico e engraçado.

– Você está encarando demais. – uma voz profunda sussurrou em seu ouvido. – Devo ficar com ciúme?

– Eu nunca pensei que as duas dariam certo. – explicou em um tom distante, meio reflexivo. Com um encolher de ombros, ele encarou os olhos escuros e sorriu, demitindo o assunto como se fosse nada. Ele sentiu a vontade repentina e insistente de beijar aquela boca de novo, mas se segurou.

– Assim como pensamos diversas vezes que não daríamos? – perguntou com diversão inegável.

Naruto arrastou a sua mala pelos corredores que davam para a saída. Ele tinha acabado de passar pela polícia, pego sua bagagem e sua mão estava cheia com seus documentos, casacos e travesseiro de pescoço. Ele estava animado. E um pouco perdido. As aulas de inglês não eram nada perto de uma conversa com um nativo e, no avião, ele agiu por impulso na maior parte do tempo, por não entender direito o que as pessoas estavam dizendo.

Com o coração acelerado, ele saiu pela porta que dava para a recepção, onde um monte de pessoas aguardavam parentes, amigos e amores. Ele procurou em meio ao bando de gente, uma cabeça com cabelo estilo bunda de pato, mesmo sabendo que o cabelo de Sasuke estava grande demais para manter o penteado que ele estava tão acostumado.

Quando ele o viu, um mundo parecia ter sido tirado de seus ombros. O sorriso que rompeu o seu rosto ameaçava dividir o seu rosto em dois. O homem ainda parecia o mesmo, mas de alguma forma diferente. Seus olhos escuros sempre tão inexpressivos estavam suaves, quase apaixonados. Ele raramente via o mais velho sorrir, mas naquele momento, os cantos dos lábios estavam apontados para cima, naquele sorriso tão singular que lhe era tão característico.

Sem pensar muito, ele praticamente correu para o Uchiha, largando a mala de qualquer jeito atrás de si mesmo e enrolando o braço livre no pescoço delgado. Naruto sentiu o aperto fundamentado em sua cintura, o cheio inconfundível do perfume masculino e quis chorar. Há quanto tempo ele tinha esperado por aquele reencontro? Para sentir o calor daquele corpo tão firmemente colado ao seu? Não sabia mais, só sabia que tinha contado todos os dias como se a sua esperança não estivesse murchando aos poucos.

Infelizmente, uma das suas mãos estava ocupada segurando uma infinidade de coisas, mas a outra parecia não querer perder tempo em lembrar a sensação dos fios grossos de ébano contra os dígitos famintos. E, ele não quis saber se Sasuke era avesso às demonstrações públicas de afeto, porque precisava dos toques, dos beijos, do gosto... De qualquer coisa que o fizesse ter aquilo que ele tinha perdido por tantos meses.

No entanto, o moreno parecia tão necessitado quanto ele, pois fora o Uchiha quem tinha colado os lábios em sua boca em primeiro lugar, contrariando a si mesmo e às próprias determinações. Seus olhos arderam e o loiro precisou se afastar alguns milímetros para puxar uma respiração trêmula. Os narizes ainda se tocavam, numa reclamação silenciosa de que não se separariam tão cedo. Por vários minutos, ambos só ficaram assim, orbes colados dizendo o que não conseguiam dizer em voz alta.

Era como uma parte perdida que Naruto tinha reencontrado; a peça certa que faltava para o seu quebra-cabeça confuso.

– Eu vou demorar um tempo para me acostumar com esse cabelo comprido. – o mais novo comentou sem qualquer tipo de tato, ignorando a forma como seu interior parecia querer gritar o quanto estava se sentindo completo naquele instante. – Você está parecendo o seu tio Madara, só que com o cabelo mais curto. Antes você parecia mais com o seu tio Izuna, e com a sua mãe.

Sasuke bufou e tentou segurar um sorriso, mas não conseguiu.

– E você sempre consegue estragar o momento, Usuratonkachi. – murmurou com carinho, dando um tapa leve na nuca do outro. – E desde quando você presta atenção nos meus tios? – indagou, pegando a mala do loiro e seguindo a direção do estacionamento.

– Desde que percebi o quanto eles se parecem com você. – retorquiu, correndo para alcançar o namorado, que parecia não se importar em abandoná-lo. – Não se preocupe, eu sou gay apenas para você! – Ele agarrou a mão branca e entrelaçou os dedos, notando o contraste entre os tons de pele. – Eu senti a sua falta. – murmurou, apertando ainda mais os dígitos.

O mais velho só o encarou de volta, antes de sussurrar:

– Eu sei. – daquela maneira simplória que parecia dizer muito mais do que significava. – Eu sei... – tornou a dizer, puxando sua mão para tocar os nós dos dedos com os lábios.

– Nós vamos ficar sozinhos em seu apartamento? E seus outros colegas? Você sabe que nada no mundo me impediria de transar hoje, nem seus companheiros de apartamento, não sabe? – o Uzumaki começou seu monólogo costumeiro, fazendo Sasuke sorrir ainda mais com aquele sentimento familiar de ter o outro por perto. Ele, com certeza, sentiu falta daquilo também.



Naruto estava com os braços cercados em volta de uma menina pequena, de três anos de idade. Sua coroa de flores roxas frouxa em sua cabeça loira cheia de cachos grandes. O vestido rosinha rodado fazendo com que ela parecesse uma fadinha pequena. Se ninguém soubesse que o Uzumaki era praticamente casado com um homem, as pessoas teriam especulado que a garotinha fosse sua filha. No entanto, o tom dourado dos fios era muito mais pálido e os olhos grandes eram esverdeados.

Izumi era filha de Ino e Kiba. A criança era a cara da Yamanaka, graças aos Deuses, porque ele passou noites rezando para que a miúda não puxasse a feiura do seu melhor amigo. Desde que a família tinha chego na festa, ela não tinha saído do seu colo. Ao longe, ele podia ver seus amigos conversando no meio do salão, em uma roda, enquanto ele ainda continuava a cumprimentar os convidados.

Sasuke estava a alguns metros de distância, falando com um casal de velhos. Seus pais até tentaram desvencilhar os bracinhos da menina do seu pescoço, para que ele pudesse saudar as pessoas com mais calma, mas Izumi estava irredutível sobre ficar com o tio favorito. No final das contas, Naruto não ligava, se dependesse dele, também não desgrudaria da garota, porque ele amava a menina como se fosse sua filha também.

– Mikoto! – quase gritou de alívio. Ele não estava mais aguentando dizer “boa noite e sejam bem-vindos” com aquele sorriso de borracha colado em sua cara.

Agora ele entendia o porquê de o namorado odiar tanto aquelas reuniões.

– Naruto! – ela o abraçou junto com a menina. – Vejo que ela já está grudada em você. – sorriu com carinho para a pequena, se lembrando com saudades da época que seus próprios filhos eram pequenos.

– Ela é minha companheira de trabalho, não é, ‘zumi-chan? – apertou os braços em volta das perninhas gordinhas, fazendo-a sorrir em concordância.

– Sasuke também era assim quando criança. – a matriarca confidenciou com um sorriso bem-humorado, pescando uma taça de champanhe de um garçom que passou por eles. – Mas, ele não gostava muito de colo. Segurava a minha mão e não soltava até que Itachi aparecesse para distrai-lo.

– Mãe... – uma voz chamou em tom repreensivo. – Pare de contar esse tipo de coisa para ele, vai enchê-lo de ideias estranhas.

– Ora, mas é a verdade! – a morena retorquiu inocentemente, tomando um gole de sua bebida para cobrir o sorriso satírico. Sasuke estreitou os olhos, porque a mulher estava ficando muito espertinha para o seu gosto. – Ele sempre foi muito orgulhoso, sabe? Não admitia que fosse um garoto tímido quando era mais novinho, mas ele inchava as bochechas e ficava vermelho quando recebia muita atenção dos convidados, como se ninguém soubesse que a cara fechada era de vergonha. – assumiu, fazendo Naruto gargalhar com gosto.

Mesmo Izumi riu, mais por achar a risada do Uzumaki engraçada do que por entender o que estavam sendo dito.

– Mãe, para com isso!

– Awn! – o loiro exclamou, puxando a cabeça do mais velho para o seu peito em um abraço dramático. – Você deveria ser tão bonito quando bebê, e agora que cresceu só vive fazendo essa cara feia!

Sasuke bufou e tentou sair dos braços do homem, tentado a bater na cabeça dourada até colocar um pouco de senso, mas o loiro apertou ainda mais o seu apego, impedindo-o de sair.

– O tio Sasuke não é feio! – a menina pequena defendeu. – Quando eu crescer, eu quero que meu marido seja igual a ele!

– Você não acha que é nova demais para ficar se preocupando com esse tipo de absurdo, garota? – Naruto gritou em indignação, soltando o moreno e fazendo Mikoto rir. – Cresça primeiro antes de dizer que quer um marido, sua pulguinha! – balançou a cabeça em descrença. – Até meninas dessa idade, Sasuke? Você não toma vergonha nessa sua cara? – virou para o namorado, que só revirou os olhos com o ataque infantil. – Tome, fique com seu novo tio favorito, já que você gosta tanto dele!

O mais velho pegou a menina no colo, tentando esconder o sorriso. Mikoto só olhava a cena completamente cativada. Era uma pena que ambos não queriam ter filhos, eles seriam pais fabulosos. Ela queria netos, mas Izumi era o mais próximo que ela podia ter de um, uma vez que nem mesmo Itachi dava indícios de querer continuar o legado da família.

– Eu não sou uma pulguinha! – fez beicinho.

– É, porque tem o tamanho de uma! – rebateu sem perceber que estava em um argumento com uma menina de três anos de idade. – Vou alertar o seu pai sobre o modelo que você deseja para marido. – murmurou como se a ideia fosse repugnante. – Ele vai concordar comigo que é algo inaceitável!

Sasuke não aguentou e gargalhou. Izumi, que ainda carregava uma carranca, encarou-o com curiosidade. Mikoto também riu, entendendo o significado da cena e achando a situação ainda mais encantadora. Naruto ficou com ciúme, não exatamente de Sasuke, mas da sobrinha. Em sua cabeça superprotetora, a menina não deveria pensar em namorados, porque ela não deveria ter um. E alguém como o Uchiha só representava o fim da sua inocência de criança.

Porque só Naruto sabia o quanto seu namorado podia ser pervertido, imoral e depravado. Era inaceitável!

Naruto não soube dizer o quanto foi difícil. Ele estava há uns bons três minutos encostado ao lado da porta de entrada, vendo Sasuke andar pelo apartamento que lhes pertencia, como se quisesse reconhecer o ambiente que viu há quase dois anos. Ele também não sabia dizer o quanto esperou para ver aquela cena à sua frente; só sabia que ele ansiou o retorno do homem como uma criança pelo presente do Papai Noel.

– Esse lugar está limpo e organizado. – o moreno comentou, inspecionando o banheiro com uma expressão impressionada. – Sua mãe te ajudou na faxina ou você tomou jeito? – indagou, virando-se para encarar o Uzumaki, que ainda parecia colado no mesmo lugar desde que chegaram.

Entre as sobrancelhas douradas, uma ruga profunda, e os lábios contritos em uma linha fina e rígida. Sasuke estranhou.

– Está tudo bem? – perguntou, afastando as inúmeras malas do meio da sala, para que ele pudesse chegar até Naruto e avaliar qualquer possível dano.

O mais novo soltou uma respiração trêmula.

– Você está aqui. – confirmou estupidamente, sem conseguir sair do lugar. Uma parte dele com medo que aquilo fosse um sonho bizarro e cruel. Por quanto tempo ele tinha desejado por aquilo mesmo?

A tensão preocupada que o Uchiha começou a acumular nos ombros e na testa relaxou. Ele deu um meio sorriso e levantou as mãos para passar os polegares nas sobrancelhas franzidas para suavizá-las.

– Eu estou aqui. – reafirmou com um timbre simples, quase carinhoso.

Naruto soltou outro suspiro entrecortado, mais aliviado. A perspectiva de que os tempos conturbados acabaram soando quase suspeito em seus ouvidos. Desde o começo do relacionamento, eles viveram naquela inconsistência louca entre estarem juntos ou afastados, bem ou mal, certos ou desconfiados. Até uns meses atrás, eles não sabiam o que eram um para o outro, se podiam se reafirmar num envolvimento sólido ou se conformar com a probabilidade ser apenas uma tentativa inválida.

Seus braços agiram por impulso, enlaçando a cintura do homem e o puxando para um abraço necessitado. Por mais que eles já tivessem compartilhado aquele contato no aeroporto, não parecia suficiente. Ele precisava da sensação firme que o contorno de Sasuke lhe proporcionada, para ter a plena certeza de que ele era consistente o bastante para segurar os fundamentos de algo que parecia só balançar a flutuar como um barco sem velas e sem remos.

– Você está aqui... – repetiu novamente, dessa vez, com a voz embargada.

As mãos pálidas correram pelos cabelos da cabeça loira. Os fios estavam bem mais curtos que ele se lembrava. Ele puxou o rosto que se afundou em seu pescoço e beijou a têmpora, próximo ao canto dos olhos, que estavam úmidos pelas lágrimas não derramadas. Uma parte do Uchiha ficava em dúvida entre ficar agradecido com o tipo de devoção que Naruto reservava só para ele, ou se sentia intimidado.

Em pensar que ele era apenas um cara que ele conheceu em um festival de música qualquer. Um homem com outra história no passado, que nada tinha a ver com a história que ele mesmo teve.

– Eu não vou embora, você sabe. – era mais uma afirmação que uma pergunta, quando os braços em torno da sua cintura apertaram seu apego.

– Eu não sei. – ele respondeu com incerteza, capturando os lábios do outro. Prendendo a carne magra do beiço fino entre os dentes.

Suas bocas se uniram sedentas, em meio às respirações vacilantes. As peles se raspavam necessitadas e se desdobravam entre toques fundamentados. O gosto saudoso do contato parecia quase nostálgico, era semelhante, mas ao mesmo tempo diferente. Eles não eram mais os garotos que foram no passado, mas de alguma forma pareciam se encaixar perfeitamente como imãs de polos opostos. Existia mais paciência, mais intimidade, mais saudade.

O beijo era calmo e analítico, apesar de carente, como se ambos quisessem memorizar aquelas novas particularidades que precisavam redescobrir. Sasuke moveu as mãos pelo pescoço delgado, sentindo as veias salientes pelo esforço pulsarem sob os seus dígitos. Naruto estava sobre a borda, mas ele também não parecia disposto a apressar as coisas. A boca vermelha pela raspagem de barba mal feita correu pela sua bochecha até a orelha.

Ele ouviu o suspiro falho, mas não hesitante, quase como um aviso, antes que a língua molhada do mais novo afundasse na concha de seu ouvido. Os dentes arranharam o lóbulo macio, antes de descer pelo seu pescoço; respiração úmida e quente, em círculos firmes sob a pele salgada, mexendo com os seus nervos. O moreno prendeu o fôlego, sentindo o sopro pesado sobre os poros, arrepiando-os.

Suas mãos desceram, enfiando-se dentro da camiseta de malha simples. Os músculos ondularam sobre o contato gelado, até que Naruto perdesse o pouco que restava da paciência e puxasse a peça ofensiva para longe do seu corpo. Sasuke fez o mesmo, agarrando a gola e puxando até que se visse livre do tecido restritivo, antes de puxar o homem para outro beijo, mais urgente comparado aos anteriores. A pressão de pele contra a pele parecendo apertar um gatilho desenfreado.

A mente do Uchiha nem lembrava mais do cansaço sobre a viagem, ele estava focado única e exclusivamente na forma como o outro ondulava a pélvis de encontro a sua, raspando as ereções vestidas, provocando-o. As gotículas de suor que umedecia a cútis bronzeada fazendo o homem parecer uma escultura dourada. Ele não resistiu o impulso de correr a língua pelo ombro até um dos mamilos, chupando e mordendo o bico túmido.

O loiro gemeu e agarrou os fios compridos, esmagando-os entre os dedos em um aperto que teria machucado, se o mais velho não estivesse tão distraído. O ar quente da respiração ofegante de encontro à sua carne úmida de saliva tornando a sensação da carícia ainda mais intensa, como se tivesse gravada no seu corpo. Ele afastou a boca que o atacava, puxando os cabelos negros. Por um instante, Naruto só olhou os orbes semicerrados e beijou os lábios numa conversa muda, antes de se separar e virar as costas para o moreno.

Sasuke entendeu de prontidão o convite silencioso. Quase reverente, correu os dedos pela curva da espinha, vendo o outro se contorcer em necessidade. Com um sorriso, ele afundou o nariz na nuca e aspirou o cheiro familiar de colônia cítrica e suor. O loiro encaixou a tenda volumosa em sua traseira, entre as nádegas ainda vestidas, e se impulsionou para trás, fazendo-os rosnar com a perspectiva que o movimento simples implicava.

Suas mãos se moveram para frente, apalpando o volume entre as pernas do mais novo, antes de abrir a braguilha e descer o zíper. De repente, o Uchiha se tornou ansioso e faminto, seus dentes rasparam toda a extensão das costas bronzeadas até a curva da bunda que se inclinava de forma tão carente em sua direção. Sem muita enrolação, ele puxou o jeans para baixo e ajudou Naruto a sair da peça apertada, antes de afastar as coxas.

O loiro gemeu, antecipando as suas ações, e apoiou a testa suada na parede. Ele sentiu um beijo na parte traseira, próximo à nádega esquerda, e uma das mãos atrevidas viajarem da sua panturrilha até os testículos pesados pela excitação. Os dedos experientes dedilharam o seu saco, correndo os dígitos pela pele fina em um apego fundamentado, mas não forte para machucar. A aspereza da palma calejada intensificando a carícia.

Seu fôlego curto tremeu e ele tentou empurrar a pélvis de encontro ao afago íntimo entre as suas pernas, mas Sasuke manteve o controle do seu quadril, impedindo-o de se mover. Quando os polegares afastaram as bochechas da sua bunda para mostrar a entrada enrugada, ele precisou procurar as mãos do homem para agarrá-las, em busca de apoio para a necessidade que só parecia crescer em seu interior contrito. A bola de excitação enrolava e se agitava em seu baixo-ventre, desesperada por liberação.

Quando a respiração quente bateu em seu buraco, Naruto sibilou. O homem nem tinha encostado nele ainda e seus dedos dos pés já se embrulhavam em expectativa indisfarçada. A língua úmida se empertigou no botão sensível e ele soltou um grito trêmulo, abafado pela parede fria. Seu nariz amassado na superfície plana. Se os dois estivessem na cama, o Uzumaki já teria acumulado o lençol entre os dentes para se impedir de urrar a cada golpe em seu ânus.

– Sasuke... – choramingou o nome como se implorasse compaixão.

O homem sabia que beijo grego era uma de suas fraquezas. Ele se contorcia o tempo inteiro, gemia como uma atriz pornô e quase sempre gozava só com a carícia ousada. Dava-lhe a sensação de liberdade, como se o ato sujo fosse de alguma forma libertador. Quando namorou Sakura, ele nunca pensou que ter uma boca em sua bunda fosse tão maravilhoso.

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Quando a língua atrevida forçou entrada, Naruto apertou mais as mãos que apoiavam o seu quadril estreito e tentou empurrar a pélvis de encontro ao rosto do homem. Ele rosnou, de novo e de novo, ao sentir o músculo firme se mover pelas paredes internas com experiência praticada. Ele odiava e amava o fato de seu namorado ser tão talentoso usando a boca, porque ele sentia como se fosse morrer em breve. Seu coração acelerado, a respiração falha e os tremores violentos do seu corpo mostrando que ele iria vir em breve, se o Uchiha não parasse.

– Sasuke! – chamou de novo, dessa vez, como aviso.

E ele não soube dizer se ficou aliviado ou desapontado, quando o moreno se afastou. Mas, a sensação de abandono não demorou muito, quando um dedo molhado de saliva espreitou no canal estreito.

– Você espera até eu buscar o lubrificante no quarto? – sussurrou quase com medo de que sua voz fosse quebrar o encanto do momento. – Já faz um bom tempo e isso vai doer um pouco. – para enfatizar o seu ponto, ele empurrou o dígito para cima, como se quisesse forçar a tensão do anel apertado para inserir outro dedo.

Naruto sentiu o desconforto, mas estava impaciente.

– Eu tenho certeza que seu pau está molhado o bastante por agora. – rebateu tentando não dar muita abertura para suas emoções conflitantes. – Sasuke, eu esperei isso por meses agora! – explicou. – Eu não quero esperar mais! – e sibilou, quando um segundo dedo invadiu o seu reto.

– Tem certeza? – a voz rouca parecia fazer a sua pele formigar, correndo os lábios pelo ombro e extensão do pescoço. – Eu vou devagar... – sua mão livre correu pelas costas do outros, firme, amassando os músculos tensos pelo desconforto. – Assim... – sussurrou, rodando os dedos vagarosamente pelas paredes internas, tentando aumentar a abertura estreita e roçando a próstata com as pontas dos dedos.

Naruto gemeu de novo, arqueando de encontro ao toque. Ele estava ficando mais ligado com a voz profunda sussurrando obscenidades em seu ouvido e o afago suave em seu ponto sensível. O outro estava se movendo de forma tão vagarosa, que a queimação em sua traseira parecia uma dor surda comparada às outras sensações.

Os dedos sondaram, enquanto lábios famintos corriam pelo seu tronco. O frio da parede não arrefecia mais o seu sangue, mas ele não pareceu perceber. Suas mãos suadas tocavam o máximo que podia do homem, naquela posição desconfortável. Puxou os fios escuros em seus dedos e beijou a boca que sempre fazia maravilhas em seu corpo, tornando-o consciente de si mesmo.

Sasuke não era só a pessoa que tornou um dos pilares mais importantes da sua existência. Ele o incentivou a conhecer o seu próprio corpo em maneiras que nenhum relacionamento lhe deu abertura antes. Ele lhe deu a liberdade para ser quem era sem restrições e contenções. Ele o fez sentir coisas que ninguém mais fez. Naruto duvidava que, se qualquer outro homem o tivesse abordado, ele se abriria tão rapidamente quanto tinha feito naquele festival. Era porque Sasuke era Sasuke que eles estavam juntos.

– Eu vou entrar em você agora. – o Uchiha murmurou, interrompendo seus pensamentos reverentes.

O mais velho pressionou o peito em suas costas e o loiro afastou ainda mais as pernas. Sua bunda empinada sentiu o ar fresco do apartamento, antes que o moreno cobrisse ambas as bochechas com as mãos, afastando-as. A pressão de algo muito mais espesso o fez reclamar com um gemido preso no fundo da garganta. O outro abrandou um pouco e tentou novamente.

O processo foi lento e levou um grande grau de paciência. Sasuke pingava de suor, tamanho era o esforço que fazia para manter as coisas devagar como havia prometido. Ele queria prolongar aquilo até que raiasse o dia, até que voltasse cair à noite, mas o aperto em seu pênis estava comprometendo sua convicção e ameaçando quebrá-la em pedaços.

Quando os dois estavam empolados firmemente um contra o outro, o mais velho começou a se mover. O vai e vem era vagaroso. Sua respiração sôfrega soava nos ouvidos do corpo abaixo do seu e Naruto fazia o possível para acompanhar seu ritmo. Ele tentou se manter, mas ao perceber que o outro estava tremendo com a ânsia de liberação, começou a se mover com mais energia. A figura masculina do seu namorado estava inteiramente apertada na parede, exceto a pélvis arrebitada para tender às suas estocadas. Era uma visão bonita.

Quando ambos perceberam, estavam emaranhados numa dança angustiada, sedentos pelo desenrolar daquela bobina que apertava em seus ventres. Eles soltavam gemidos e sussurros incoerentes, perdidos num prazer tão individual e ao mesmo tempo coletivo. Sasuke tentou colar seus lábios ao do outro, mas naquela posição e em meio a tantos movimentos bruscos, ele só conseguiu esfregar a boca na bochecha marcada.

Naruto soltou um rosnado baixo, quase desesperado e empurrou seu corpo da parede e cobriu a cabeça do seu pau para impedir que seu sêmen manchasse a superfície branca. Depois de tantos meses de ausência, aquilo era o máximo que conseguiu segurar. Sasuke se manteve por mais alguns minutos, até vir com suspiros entrecortados, enquanto seu corpo convulsionava com a força de seu orgasmo. Pontos brancos nadaram por trás de suas pálpebras e ele caiu em cima das costas bronzeadas, ofegante.

Há quanto tempo eles tinham esperado por aquilo mesmo?

– Eu acho que todos os vizinhos ouviram o que nós fizemos. – o Uzumaki murmurou como se comentasse sobre o clima e ele riu. Que se danem, havia muito tempo que ele não se sentia tão pleno e completo quanto agora. O mundo poderia acabar agora, que Sasuke simplesmente não se importaria.



– Agora vou deixar o resto dessa conversa com o meu irmão: Sasuke. – Itachi chamou para o pequeno palco à frente do salão, batendo palmas junto aos outros convidados. Ele tinha apresentado um balanço geral da Mangekyou e agora era a vez do caçulo fazer seu papel como CEO da Kyuubi Engenharia & Construção. Seu pai estava em uma das mesas principais, exibindo o pequeno sorriso de orgulho que ele só se dava a liberdade de soltar algumas vezes.

O mais novo Uchiha chegou e meneou a cabeça em um leve cumprimento, antes de se posicionar no centro do anfiteatro. Ele testou o microfone, antes de começar a falar:

– Isso vai ser um pouco difícil. – confessou com um suspiro, fazendo algumas pessoas sorrirem. – Nos anos anteriores, quem apresentou todos os balanços foi o meu parceiro de negócios, namorado e melhor amigo, porque todos nós sabemos que ele tem melhor desenvoltura com o público que eu. No entanto, ele decidiu que dessa vez seria diferente e decidiu me largar sozinho na frente de todas as atenções. Se eu fiz qualquer coisa errada, juro que teria preferido dormir no sofá... – explicou com uma dose de ironia, fazendo alguns rir.

Sasuke olhou diretamente para Naruto e o homem infantilmente mostrou a língua com uma careta bem-humorada.

– Mas, ele me ajudou a montar essa palestra e acho que vocês vão ver que há muito mais dele nesse discurso do que parece. Naruto pode não ser a pessoa mais inteligente do planeta, mas ele realmente é muito bom com as palavras. – brincou e mesmo Fugaku parecia brilhar com diversão indisfarçada. Kushina riu audivelmente e Minato só balançou a cabeça em resignação: eles nunca mudariam. – É muito comum as pessoas avaliarem a vida baseada em números: salários, bônus, metas, resultados... Justamente para saberem se algo teve bons resultados ou não.

Conforme ele ia dizendo, ele apertou um botão no controle remoto para mostrar as planilhas e gráficos do balanço do primeiro trimestre.

– Para não dizer que não trouxemos os números e os cálculos, eles estão aqui para quem quiser olhar, mas o que eu quero dizer... – fez um gesto em direção ao Uzumaki mais novo, indicando que ele era o responsável pelas frases. – Nós queremos dizer – se corrigiu. –, é que nosso crescimento nos últimos cinco ou seis anos não foram baseados apenas em números. O maior responsável por todos esses bons resultados foi o comprometimento e o respeito de todos os funcionários. Sem qualquer um deles, nada disso seria possível.

Os slides iam passando automaticamente, conforme ele falava e gesticulava, e assim que terminavam, voltavam a passar para que as pessoas pudessem rever os números se tivessem perdido algum detalhe específico. Ele e Naruto concordaram que falar sobre números, mesmo que fossem apenas por alguns minutos, seria desgastante e as pessoas perderiam o interesse.

– Eu vou tentar ser o mais breve possível, mas basicamente o que quero dizer é que o fato dessas pessoas acreditarem na empresa e estarem lá, apoiando os nossos projetos, nos dando sugestões criativas e estando prontos para nos motivar, caso alguém pensasse em desistir manteve a corporação em pé, ou seja, o desenvolvimento da Kyuubi é um conjunto de ações vindas de pessoas brilhantes, que formam essa equipe incrível. – gesticulou, enquanto tentava desarticular alguns tópicos do monólogo que, apesar de meio planejado era completamente improvisado. – Naruto é muito mais engajado nessa parte produtiva da empresa, mas, apesar de me ater às partes burocráticas, eu percebo o comprometimento das outras pessoas.

Ele sorriu, olhando para o namorado que mantinha um sorriso que ameaçava dividir seu rosto em dois. Os olhos azuis apertados brilhavam entre os pés de galinha cativantes que enrugavam o seu rosto. Ele deveria impedir o loiro de exibir aquela expressão em público, era um crime quando estavam no meio de tantas pessoas.

– Então, eu quero que a próxima salva de palmas seja direcionada a essas pessoas incríveis, que representam a Kyuubi Engenharia & Construção muito mais que qualquer número faria. – declarou, fazendo o barulho de aplausos soar como uma cacofonia enlouquecida. Ele mesmo largou o microfone no púlpito no canto direito do palco para aplaudir os funcionários da empresa.

Quando ele desceu do anfiteatro, Naruto estava andando em sua direção sem abandonar a cara de alegria infinita. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, o homem o puxou para um abraço.

– Você foi ótimo! – elogiou. – Estudou tanto para nada, você quase não usou aquele monte de papel que separou essa manhã. – provocou, sorrindo e se curvando para alguns convidados que vieram os cumprimentar pelas palavras breves, mas muito significativas.

Ele pegou duas taças de champanhe e esperou o Uchiha terminar de falar com todo mundo, antes de oferecer a bebida.

– Vamos fumar um cigarro? – indagou, apontando para o corredor que dava para a saída. Naruto assentiu e ambos começaram a sair. Antes de alcançar a saída, Sasuke apertou o antebraço do outro, indicando que queria ir por um caminho diferente. Eles andaram um pouco e pararam em uma porta afastada, perto do corredor dos toaletes.

Os dois entraram e deram de cara com uma sala simples, cheia de cadeiras e um quadro branco, indicando que aquele espaço pequeno deveria ser usado por empresas para palestras menores e cursos. Ambos caminharam até uma janela ampla, colocaram suas taças de champanhe intocadas no batente e o moreno puxou o maço no bolso interno do smoking preto.

Ele entregou um cigarro para o loiro e pescou um para si mesmo. Ele olhou para o rosto bonito do seu namorado e sorriu, prendendo o fumo entre os lábios. Sem uma palavra, ele estendeu o isqueiro já aceso. Os dois acenderam o tabaco, em silêncio contemplativo.

– Eu tentei seguir o seu conselho sobre não me prender muito a papéis e gráficos. Quando eu cheguei lá na frente, percebi que nada daquilo que eu estudei adiantaria muito. – explicou. – Uma coisa é falar na frente de uma sala de reunião, outra totalmente diferente é apresentar algo na frente de quase 1.000 pessoas.

– Você estava maravilhoso. – riu. – As pessoas sorriram e riram o tempo inteiro, nenhuma delas podia tirar os olhos de você. Me senti um pouco ciumento. – admitiu, usando a mão livre para segurar o quadril estreito. O polegar descendo e subindo pelo ilíaco saliente, mesmo sob todas as roupas.

– Agora você sabe como me sinto todos os anos. – Sasuke murmurou, puxando uma mecha do cabelo claro para que pudesse beijar os lábios carnudos.

Os dois estavam tão entretidos no ósculo que não escutaram a batida na porta. A entrada se abriu e uma cabeça meio loira espreitou pela fresta.

– Sasuke-kun? – a voz suave e calma de Minato se fez ouvir. Mesmo que ele não quisesse assustar os dois homens, ambos pularam com a interrupção.

O casal olhou para onde a voz veio e encontraram o mais velho sorrir daquele jeito tranquilo e significativo que só ele poderia fazer.

– Um de vocês precisa lidar com os jornalistas. – pediu, fazendo-os abanar o rosto em concordância. – Achei melhor vir chamar vocês no lugar de Fugaku, porque nós sabemos o que aconteceu da última vez e ninguém sabia dizer ao certo se vocês decidiram se aventurar de novo ou não. – riu.

Naruto e Sasuke coraram com a insinuação direta. Quem sabe, se o Namikaze tivesse chegado um pouco mais tarde, eles realmente teriam extrapolado. Nenhum deles pensava muito racionalmente quando estavam juntos. Havia apenas aquele impulso que os ligava desde o começo, e quando percebiam, já estavam emaranhados, entregues um ao outro, como se separados fossem incapazes de encontrar a felicidade outra vez.

Mesmo que agora, depois de tantos altos e baixos, dentre tantas chances que deram a si mesmos, nada poderia abalar o que construíram juntos.

Notas finais
Finalmente, eu terminei esse enredo... Sabem o que significa para mim? Foi a história mais difícil de terminar, não pelo apego, mas pelos meus erros. Eu me desfoquei, me perdi no significado da trama, entrei em crises criativas por conta dos meus deslizes, mas consegui. Aqui dentro, sinto como se tivesse dado um fim a um projeto enorme. E foi mesmo, porque durou mais de três anos. Um tempo longo. Nesse meu casamento com essas histórias, eu queria ter terminado “Dar-se Uma Chance” no dia do aniversário que publiquei nesse site pela primeira vez, mas não deu, infelizmente. Então, fica meu pequeno presente de Natal para vocês e meu encerramento para esse ano bagunçado. 2015 foi o meu ano pessoal 9 e, como manda a numerologia, eu tinha que terminar tudo o que eu havia iniciado nos anos anteriores para começar um novo ciclo. Esse enredo representa uma fase, porque ele foi muito prematuro. Eu mudei muito nos últimos três anos e já não me encontro mais nos primeiros capítulos dessa trama, então, futuramente eu vou revisar essa história de maneira que se enquadre mais com o meu eu hoje. Mas, a partir do ano que vem, eu quero trabalhar em coisas novas, quem sabe, começar a me preparar realmente para escrever um livro no futuro. Essa história surgiu na minha cabeça, depois de ver o clipe da música “You're Gonna Love Again” das meninas do NERVO. Naquela época, eu estava me recompondo de um término conturbado, de uma história louca, e essa música me dá um ânimo danado com a perspectiva de que algo novo vai surgir em breve, então, pensei: por que não colocar essa perspectiva em uma história? Eu acho que tem muita gente por aí, precisando saber que elas podem amar de novo e serem felizes de novo. E foi o que me fez conversar tanto com vocês. Eu me uni a pessoas aqui, que nunca pensei ser possível. Há alguns meses, eu fui em uma pequena rave com duas leitoras e eu jamais pensei que a realidade alternativa dos meus enredos fosse alcançar fora dele. E foi mágico. Eu estava dançando feliz, numa roda cheia de gente com elas e foi como se estivéssemos compartilhando algo lindo. E foi, porque meu coração não se contém até hoje. Obrigada pelo apoio, por cada comentário, por cada forcinha, seja pelo enredo ou fora dele, porque teve gente aí, que esteve comigo em momentos inimagináveis, que eu confio o bastante para dizer coisas que não digo nem aos meus amigos de longa data e, inclusive, tomou conta de mim bêbada no mês passado, HAHA! Como diz Jout Jout: Não é todo mundo que sabe lidar com tudo o que eu sou. Vocês são lindos, tão lindos que estou lhes dando um limão de Natal. Não gosto de escrever sexo em últimos capítulos, porque acho que empobrece o texto, mas meu revisor me fez pensar com um: “Esse enredo é diferente, mais sensual, você precisa fazer algo com relação a isso!”... Então, eu fiz, mais por vocês que por qualquer outra coisa, porque eu sou bem inflexível nas minhas concepções. Eu não dormi um minuto sequer e vou viajar, por isso, eu me vou. Desculpem as respostas de comentário apressadas, eu estou vesga de cansaço. Acho que nunca respondi comentários tão rápido. Vejo alguns de vocês em “Dois Pesos e Duas Medidas”. Feliz Ano Novo e que 2016 lhes traga o que 2015 não trouxe!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!