Dar-se Uma Chance

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Eu prometi terminar “Dar-se Uma Chance” no dia 8 de agosto, mas não consegui. Nas últimas semanas, eu passei por situações bem complicadas. O meu avô faleceu e, poucos dias depois, meu pai faleceu também. Foi um baque bem forte para a minha cabeça e, ao mesmo tempo em que eu pensava sobre tudo, eu não conseguia me focar exatamente em nada. Minha mente ficou a mil por vários dias e eu não conseguia sentar e escrever. Consegui colocar meus pensamentos nos eixos, mas eu fiquei bem cansada. Meu psicológico ficou exausto e isso repercutiu negativamente no meu corpo. Meu trabalho não estava rendendo direito, o que dobrava meu tempo no escritório... Sério, minha vida ficou uma bagunça! A minha sorte é que as minhas férias estavam marcadas para o dia 7 que passou e eu planejei um pequeno mochilão pela Europa. Usei esse tempo para abstrair e sossegar a minha mente. Meu físico não descansou muito, porque não parei um instante seguer, mas a diversão deu uma arejada no meu emocional e foi muito importante para mim, porque as experiências que tive foram ótimas e eu aprendi muito com essa viagem. Inclusive, tive novas ideias para outros enredos, vamos ver... Eu ia reclamar e me vingar sobre a falta de profundidade dos comentários nos últimos meses, mas depois de tudo o que aconteceu na minha vida, me parece desnecessário reclamar de algo tão banal. Eu só quero que vocês saibam que eu não escrevo por números, então, o “gostei e continua”; “amei”; “continua”, e o montante de comentários monossilábicos é desnecessário se vocês têm preguiça de articular um pouco mais. Eu procuro profundidade e opiniões que me façam pensar: É isso que eu precisava ler! Penúltimo capítulo está aí, graças à Deusa (modo Celta, porque ainda estou meio Irlandesa pelos dias que passei em Dublin), mesmo com todos os infortúnios. O último capítulo vai demorar um pouco mais, porque ele será longo, como o de “Deveres do Coração”, mas tenham paciência. Eu só espero que o Nyah! não tenha diminuído o número de caracteres máximo para cada capítulo, caso o contrário, terei que dividir em dois. Vocês da Administração, deem mais liberdade à criatividade, porque a expressividade faz bem para o coraçãozinho...

“A linha entre expectativas e decepções é tênue, menino. Mas as tentativas não são vãs ou vazias. O correr dos riscos nos impulsiona e nos aviva. Eu sei, a frequência dos acontecimentos é o que assombra. Cada episódio é fugaz e tão passageiro quanto nossas vontades. É que o futuro é abusado, ele vem e nem pede licença.” – Aline Diedrich.


Capítulo 26

Naruto levou um susto, quando o celular começou a tocar como louco na mesa de cabeceira. Ele tinha dormido sem perceber, depois de ficar mais de 24 horas acordado, dirigindo de Nagano para Niigata e de Niigata para Nagano com apenas algumas pausas de descanso. Ele se sentia esgotado, tanto física quanto emocionalmente, e não queria lidar com ninguém no momento.

No entanto, ele só franziu a testa em contrariedade e se ergueu o suficiente para pegar o telefone que ainda esperneava. Sem ver quem era, atendeu:

– Sim? – perguntou com mau humor perceptível na voz rouca pela falta de uso.

Ele olhou em volta do quarto escuro e percebeu que já tinha anoitecido. Afora da janela aberta, ele viu os postes de luz acesos e se perguntou quanto tempo havia se passado, desde que caíra no sono. Seu corpo ainda parecia querer dormir umas 48 horas, antes de se levantar.

– Eu te acordei? – o timbre masculino e familiar perguntou do outro lado.

“Sasuke...”, reconheceu dando um sorriso, sentindo sua raiva abrandar com um suspiro de alívio. Ele sabia que o homem ia chamá-lo em breve para conversar sobre a sua proposta, mas ele não esperava que fosse tão rápido. No fundo, Naruto temia a reação do Uchiha.

– Sim. – respondeu, esfregando os olhos. – Eu não dormi direito essa semana. – justificou, antes que o moreno perguntasse alguma coisa.

A linha ficou muda por um instante, enquanto o rapaz parecia hesitar.

– Eu te ligo mais tarde, então... – concluiu, soando preocupado e lhe tirando outro sorriso meio cansado, meio ansioso.

– Você já jantou? Eu nem sei que horas são... – indagou. – Você pode passar aqui e me pegar para comer alguma coisa... – jogou como se não quisesse nada. – Eu não aguento mais dirigir. – confessou com um gemido.

O homem bufou um riso condicente, e Naruto quase podia vê-lo balançar a cabeça negativamente, enquanto o encarava com repreensão velada.

– Você vai dormir em casa? – o Uchiha perguntou em um timbre que reclamava uma troca de condições e o loiro revirou os olhos.

– Eu durmo onde você quiser, – rebateu em tom de finalidade. – porque eu não estou com capacidade mental para discutir ou decidir nada agora.

Sasuke fez um som nasalado e debochado na ironia, porque, para alguém que não queria determinar nada, o Uzumaki estava muito mandão.

– Chego aí em 40 minutos. – murmurou, antes de desligar o telefone.

Naruto encarou o aparelho e piscou desnorteado para a despedida apressada. Era 20h15m. No final das contas, ele tinha dormido quase cinco horas desde que chegara em casa e tivera uma breve conversa com seus pais. Esfregando o rosto para minimizar a sensação de cansaço, ele se levantou e caminhou para o banheiro. Dava tempo de tomar um banho rápido para acordar, relaxar um pouco e se arrumar até que o Uchiha chegasse para buscá-lo.

Ele não sabia ao certo o que esperar do diálogo que teria com Sasuke. O mais velho parecia estar tranquilo do outro lado da linha, mas era difícil definir as emoções do homem à distância. Todos os sinais enviados pareciam positivos, no entanto, o Uzumaki preferia aguardar e ouvir do outro o que este realmente pensava, porque ele não sabia mais se estava disposto a tomar mais riscos. Se o moreno não se convencesse de que era digno de confiança nesse momento, ele abriria mão do relacionamento.

(***)

Naruto tinha acabado de colocar um copo vazio e recém-usado na pia, quando ouviu a buzina tocar do lado de fora. Seus pais haviam lhe deixado um bilhete em cima da mesa, avisando que estariam na casa de Jiraya e Tsunade, caso precisasse de alguma coisa. Então, ele utilizou o mesmo papel para escrever que tinha saído com o Uchiha e que não estaria de volta até o dia seguinte.

Ele apagou todas as luzes e saiu para encontrar o carro cinza escuro parado na calçada. O vento soprava gelado em suas orelhas e ele praticamente correu para o calor e conforto do carro. Ao bater a porta fechada, ele pensou em como o tempo havia passado rápido; era final de outono, e ele tinha conhecido Sasuke no meio do verão. Apesar dos poucos meses juntos, ele sentia como se ambos se conhecessem durante uma vida; passaram por tantas coisas...

– Hey... – ele cumprimentou com um beijo que deveria ter sido rápido, mas ele se sentiu repentinamente carente e emendou uma lambida despretensiosa, seguido de um chupão carinhoso no lábio inferior do mais velho.

Ele amava esse gosto.

– Hey... – o Uchiha retrucou num timbre distraído e ao mesmo tempo curioso.

Naruto entendia a estranheza, afinal, depois das brigas constantes nas últimas semanas, era difícil que um deles cedesse completa e facilmente ao contato físico. Ambos pareciam sempre preocupados e alertas, como se procurassem anteceder um ataque do outro e já estivessem preparados para se defender, caso necessário. E ele estava tão cansado dessa sensação de nunca ceder sem se sentir desconfortável e em falha consigo mesmo.

– Eu estou afim de comer no Ichiraku, pode ser? – perguntou diretamente.

Além de carente, talvez, ele estivesse se sentindo levemente nostálgico, com saudade de um tempo que não era tão duro e exigente. Quem sabe, ambos pudessem recomeçar pelo ponto que começaram em primeiro lugar. Pelo brilho intenso nos olhos escuros, Sasuke entendeu perfeitamente seu pedido singelo e aparentemente sem significados. Ele só acenou positivamente e colocou o carro em movimento, sem uma palavra sequer para dar a entender qualquer coisa, e o Uzumaki apreciou a compreensão silenciosa.

Havia várias sentenças não ditas pairando no espaço fechado do automóvel, mas ambos estavam determinados a ignorá-las. A quietude reconfortante os aproximava e calava as explicações que necessitavam ser dadas. Quando percebeu, o Uchiha estava com a mão firme em sua coxa e ele brincava com os cabelos escuros na nuca do outro. E no caminho inteiro, a única conversa entre eles foram os toques descompromissados.

O moreno estacionou o carro num lugar vago no lado oposto da rua e ambos andaram calmamente até o restaurante, que estava particularmente cheio de jovens e algumas famílias naquela hora da noite. Seus braços se tocaram às vezes, enquanto escolhiam os assentos distantes do restante dos clientes para que pudessem ter o mínimo de privacidade no diálogo que estavam prestes a iniciar. Havia chego o momento de falar além de gestos e colocar as cartas em cima da mesa, sem jogos.

– Oi, Naruto! – um senhor se aproximou rapidamente, apesar dos movimentos vacilantes sustentados por uma bengala de madeira escura. – Há quanto tempo eu não te vejo! O mesmo de sempre? – perguntou energeticamente e anotando o pedido sem esperar pela resposta do rapaz.

O loiro sorriu e balançou a cabeça em resignação.

– Sim, senhor Teuchi! – concordou e bateu um ombro no braço do moreno para chamar sua atenção. – E você, bastardo?

– Eu vou ficar com um Shoyu Lamen. – murmurou, tentando ignorar as ações infantis do homem ao seu lado. – Pode nos trazer chá de lavanda também?

– Claro! – exclamou, escrevendo a solicitação no papel. – Ayame-chan sempre me pergunta de você. Hoje ela está com Iruka, mas em breve, os dois estarão aqui para me ajudar a fechar o restaurante. – explicou. – Eu tento fazer tudo sozinho, mas ela acha que estou velho demais para dar conta. – riu.

– Eu acho que o senhor está ótimo, Teuchi-san! – o Uzumaki consolou com um sorriso divertido. Ele sabia bem das brigas entre pai e filha.

– Diga isso a Ayame-chan! – retrucou, enquanto se afastava. – Se precisar, eu estarei na cozinha. – despediu-se, passando o pedido para uma das meninas que corriam para atender todos os clientes.

Ele olhou para Sasuke e percebeu que o homem o encarava com intensidade.

– Iruka foi meu professor na escola. Foi ele quem me apresentou esse lugar. – começou, brincando com os guardanapos no recipiente. – Hoje ele namora a Ayame, aquela moça que nos atendeu quando viemos aqui na primeira vez. – explicou com um encolher de ombros.

Sasuke sorriu debochadamente e ele se sentiu defensivo.

– O quê?!

– Você sempre entra desse jeito na vida daqueles com quem se envolve? – o moreno perguntou com um toque de diversão. – Você é só um freguês nesse restaurante, mas faz parte da vida dos donos como um primo ou algo parecido. Você sai com o seu professor de escola. Propõe uma união comercial com o sogro, como se já não bastasse estar com o filho dele. – enumerou e lançou a indireta, fazendo o Uzumaki sorrir um pouco sem graça.

– Não estava nos meus planos propor esse acordo para o seu pai. – rebateu, passando a mão pelos cabelos e bagunçando os fios já desordenados. – Mas, a ideia surgiu e eu não vi o porquê de não tentar. Eu lancei a minha tentativa, mas é você quem decide o resto. Estou em suas mãos agora. – brincou para espantar o nervosismo, mas seu coração batia descompassado agora. Ele não teve noção do peso de suas escolhas, até aquele momento.

Sasuke olhou para os guardanapos e considerou brincar com eles como Naruto estava fazendo há minutos; só para se distrair das emoções conflitantes.

– É uma decisão importante. – murmurou. – É quase um pedido de casamento, você sabe... – divagou com um tom falsamente descontraído.

– Eu sei disso. – Naruto enfatizou o seu ponto com um aceno afirmativo. – Eu sei que estamos juntos há pouco tempo, mas nós já passamos por coisas o suficiente para decidir se queremos que isso continue ou não. Por enquanto, é só um acordo comercial, não é como se vamos precisar morar juntos ou adotar cachorros e gatos para formarmos uma família agora. Podemos levar as coisas devagar. Nós ainda vamos nos formar e, ainda vai levar um tempo até que meu pai decida se aposentar e passar tudo para o nosso controle.

– Esse é outro ponto que preciso conversar com você. – o Uchiha começou, mas parou quando uma mulher trouxe um bule cheio de chá e dois copos de cerâmica. Ela os cumprimentou com uma reverência e os serviu, sem notar o aceno agradecido de ambos. – Você se lembra do que aconteceu, quando viemos aqui pela primeira vez? – mudou de assunto rapidamente, só para aliviar o clima pesado.

– Como se eu pudesse esquecer. – resmungou, pegando o copo e tomando o chá para esconder o sorriso.

– Nós podemos repetir a dose, o que acha? – perguntou, insinuando a mão até debaixo da mesa e vendo o loiro afastar a cadeira com um sobressalto ruidoso e derramar parte do chá quente em cima da mesa.

– Não pense nisso! – exclamou com indignação, pescando os guardanapos para secar a bagunça que fizera. – Filho da puta. – xingou, atraindo uma risada do mais velho e começando a rir também. – Eu te odeio.

– Faz tempo que não fazemos nada arriscado. – Sasuke explicou, segurando o encosto da cadeira do Uzumaki e se aproximando até que seu peito encostou o braço do outro. Ele segurou a tentação de morder o pescoço bronzeado.

– Você sabe o que aconteceu a última vez que tentamos algo ousado. – bufou, tentando não se deixar afetar pela proximidade.

– Desde quando você se tornou tão certinho? – murmurou, correndo a mão direita para lateral do tronco delgado. O tecido grosso da blusa de moletom o impedindo de sentir as ondulações dos músculos firmes, pelos quais era tão apaixonado.

– Desde quando seu pai decidiu que eu sou uma má influência para você. – o loiro retrucou com insignificância. – Ele não sabe que eu era heterossexual antes de te conhecer. Se alguém aqui é uma má influência, esse alguém é você. – brincou, puxando o moreno para um meio abraço.

– Eu não chamo de má influência, eu chamo de mostrar os lados prazerosos da vida. – esclareceu, pegando o próprio copo de chá entre as mãos. A verdade é que ambos se libertaram. Naruto tinha aquela maneira livre de se entregar às pessoas que o contagiava. Quando estavam juntos, era somente os dois e mais nada importava.

Uma moça diferente trouxera os pedidos ordenados. Ela lançou um olhar curto para os dois como um cumprimento, antes de se afastar. Com a chegada da comida, eles se separaram para começar a comer. O silêncio era reconfortante, mas Sasuke se sentia pressionado. Ele precisava contar que, assim que terminasse a faculdade, ele sairia do país para fazer a pós-graduação. Agora, mais que nunca, ele estava motivado a estudar e dar tudo de si para fazer as decisões do Uzumaki valerem a pena. Ele queria fazer por merecer.

Se o mais novo reparou que o moreno estava tenso, ele não deu uma palavra para pontuar suas observações, pelo contrário, brincou e sorriu como se nada os incomodasse.

– O que os seus pais falaram sobre unir as duas empresas em um acordo? – o Uchiha perguntou, lembrando-se repentinamente desse detalhe.

– Minha mãe me deu livre arbítrio para decidir o que seria melhor para ambos os lados. No final das contas, acho que ela sabia desde o começo qual era a decisão que eu tomaria. Meu pai concordou, embora com certa relutância. Ele ainda está com um pé atrás em relação a Fugaku-san. Eu o entendo, mas não acho que seu velho continuará a nos perseguir. Ele pareceu me entender. – deu de ombros, enquanto limpava a boca com um guardanapo. – Minha mãe e o meu pai confiam plenamente em você. – confidenciou com aquele sorriso que lhe era tão característico.

Sasuke lambeu os lábios que ressecaram de repente.

– Não faça isso. – ele murmurou, tampando o rosto do outro com a mão.

– “Isso” o que? – perguntou com riso perceptível na voz. Era claro que o rapaz sabia o que “isso” significava, só pelo olhar necessitado no rosto pálido.

– Sorrir assim... – explicou, pegando o copo com chá para suprimir a vontade repentina de beijar o homem como se não houvesse o amanhã. Embora ambos adorassem se aventurar em lugares públicos pela adrenalina de serem pegos, Sasuke não gostava muito de demonstrações públicas de afeto.

– E depois eu sou o certinho. – o Uzumaki provocou, insinuando a mão para debaixo da mesa e esfregando a virilha do mais velho.

– Naruto! – rosnou em aviso. Os olhos negros brilharam em uma ameaça silenciosa, que o loiro não deu a mínima. Ele só acariciou o volume entre as pernas, antes de afastar a mão e morder o próprio lábio inferior.

– Eu só não continuo, porque não vou aguentar te provocar por muito tempo. – sussurrou num timbre mole, quase como se lamentasse o fato de estarem em volta de tantas pessoas, fazendo o Uchiha sorrir com diversão.

– Alguém está carente. – cantarolou com escárnio, ignorando o fato de que ele mesmo não estava aguentando a distância. Fazia tanto tempo que ambos não podiam estar juntos sem se vigiarem, que ambos se tornaram sedentos por algo que não podiam definir ao certo; talvez, a possibilidade de aproveitarem algo sem medo, sem questionamentos, sem inseguranças; longe de qualquer preocupação sobre o futuro ou o que a família e os amigos pensariam sobre suas escolhas, havia os tornado ansiosos.

– Você não pode me culpar. – justificou-se com um encolher de ombros. – Você me empurrou por semanas. – começou em um tom levemente emburrado. – Por vários momentos, eu achei que nada daria certo, que seria melhor cada um seguir o seu caminho e deixar tudo como estava. Cheguei a questionar se todo o esforço valeria a pena. – balançou a cabeça negativamente, enquanto refletia sobre o breve desabafo. – Mas, eu não sou alguém que desiste de algo assim tão fácil, mesmo dizendo que não aguentava mais a situação.

– Eu só fiz o que acreditava ser melhor para nós dois. – tentou se defender.

– Me empurrar para tentar resolver algo que ambos causamos não é uma boa ideia. Se você não confiar em mim, seu pai também não confiará. – explicou, brincando com o guardanapo distraidamente. – O fato de eu ter me afastado, só mostrou ao velho que eu sou alguém que foge nos momentos difíceis. E eu não sou assim. – lambeu os lábios. – E agora ele sabe disso.

Sasuke estalou a língua, enquanto mexia na sopa sem a vontade de comê-la. Ele perdeu o apetite. De certa forma, ele entendeu o que Naruto queria dizer: gestos falavam muito mais que palavras e, esconder o Uzumaki do problema só deu a imagem errada para Fugaku.

– Não pense muito nisso. – o mais novo pediu de repente, massageando o lóbulo da orelha do outro como forma de chamar a atenção para longe dos pensamentos perturbados do rapaz.

– Eu sou tão ingênuo... – murmurou com pesar e vergonha.

– Às vezes você é mesmo. – concordou sem hesitar. – Mas, eu amo esse ponto em você, – sorriu com diversão indisfarçada. – porque te torna mais humano, mais próximo de mim. – começou a comer distraidamente para ganhar tempo e pensar como explicar melhor seu pensamento. – Eu sou atrapalhado, distraído, temperamental e impulsivo. Eu tenho muitos defeitos que me fazem duvidar do motivo de estarmos juntos. Somos muito diferentes...

– Naruto... – tentou interromper o monólogo do outro, porque ele não gostava exatamente dessa linha de raciocínio.

– Não! – delimitou com um tom de voz mais firme. – Me deixa terminar, por favor? – pediu, fazendo o mais velho se calar. – Você tinha tudo para ter alguém melhor, atencioso, focado e bem-sucedido como você. Quem sabe uma pessoa mais séria e de poucas palavras também, não sei! – jorrou. – Mas, quando eu vejo que há algo que posso acrescentar na sua vida, eu me sinto mais ligado, como se, apesar de tudo, fossemos ainda mais capazes de nos complementar, sabe? – questionou com insegurança e, ao ver as sobrancelhas escuras erguidas em descrença, ele murchou. – Ok, eu soei brega como um filme de romance clichê. – fez beicinho.

Sasuke balançou a cabeça negativamente.

– Idiota. – murmurou, cutucando o nariz na bochecha marcada, “você me complementa em mais maneiras que pode pensar”, pensou consigo mesmo, antes de voltar a comer com o humor mais leve.

(***)

Sasuke pegou um cinzeiro limpo em cima da mesa de centro na sala de estar e andou até a varanda para se sentar em uma espreguiçadeira. Com os gestos calmos, ele puxou um cigarro dentro do maço e o levou até a boca. Seus pensamentos distraídos o impediram de acendê-lo de imediato. Ele olhou as luzes reluzentes dos postes e contemplou o silêncio da madrugada, antes de riscar o isqueiro. Uma tragada curta para carburar o tabaco e outra mais longa como deleite.

Naruto estava dormindo profundamente no quarto. De tão cansado, o mais novo tinha começado a ressonar no carro mesmo, enquanto o Uchiha dirigia para Nagano. O rapaz só acordou para subir até o apartamento e, logo em seguida, voltou a dormir como uma pedra. Ele tentou descansar também, mas não conseguiu; sua cabeça estava a mil.

Conforme a noite foi passando, ambos conversaram sobre tudo e ele acabou deixando um dos tópicos mais importantes escapar. Em sua cabeça, os dois conversariam melhor em um ambiente particular, sem qualquer interrupção. No entanto, não houvera tempo para resolver o que deveria ser resolvido e, ao fim, nada fora decidido. Ele precisava dizer que estava de viagem marcada e que, apesar de precisar se afastar, ele voltaria para honrar o acordo proposto.

E quanto mais as horas passavam, mais ele se sentia nervoso e ansioso.

– Senti a sua falta na cama. – a voz do homem que ocupava seus pensamentos retumbou com rouquidão, assustando-o levemente.

Ele estendeu a mão como um convite para que o outro se aproximasse.

– Desculpe, eu não conseguia dormir. – respondeu calmamente, prendendo o cigarro no cinzeiro e o colocando na mesa ao lado da espreguiçadeira.

Naruto se aproximou e se sentou entre as suas pernas. Suas sobrancelhas claras estavam franzidas e era visível que sua admissão o deixara preocupado.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntou com cuidado, um pouco receoso e desconfiado. Em sua cabeça, ele rezava para não ser outro problema.

– Preciso conversar com você. – ele começou, ajeitando-se para que o mais novo pudesse se encostar em seu peito. – Eu tenho uma viagem marcada para agosto do próximo ano, logo depois que eu terminar a faculdade. – explicou, deixando um espaço em aberto para que o Uzumaki tirasse suas próprias conclusões.

– Pela forma como você fala, não parece ser uma viagem de lazer. – supôs, virando o corpo para poder encarar o homem e avaliar suas emoções de perto.

– Eu vou fazer a minha pós-graduação na Suíça. Ficarei dois anos fora. – confessou, assistindo o loiro passar a mão pelos cabelos, desnorteado.

– Você me pegou de surpresa agora. – soprou a admissão num só fôlego. – Há quanto tempo você estava planejando isso? Não estava nos seus planos me contar? – tornou a franzir as sobrancelhas, mas de contrariedade dessa vez.

– Eu já estou planejando isso faz um ano e meio. Eu não sabia se o nosso relacionamento duraria. Caso o contrário, eu te contaria assim que terminássemos a faculdade, em torno de fevereiro. – deu de ombros, ignorando a raiva do outro. – Não está nos meus planos desistir. – antecipou, caso o rapaz decidisse fazer o pedido.

No entanto, a sua última declaração só fez Naruto aprofundar a careta e Sasuke se preparou para uma nova briga.

– Eu jamais te pediria para desistir dos seus objetivos. – o loiro resmungou. – Não vou mentir e dizer que estou completamente satisfeito com as suas escolhas, porque vai ser horrível passar tanto tempo longe de você, mas se é o que te faz feliz, então, só me resta te apoiar. – desviou o olhar e encarou as mesmas luzes que ele observara mais cedo.

Sasuke podia ver que Naruto estava muito chateado, mas ele não parecia querer fazer um alarde sobre o assunto, pois não cessara o contato físico e nem começara uma greve de silêncio. Sua mão ainda passeava pela sua coxa, como se reforçasse a sugestão de amparo.

– Eu não vou pedir que me espere. – declarou a contragosto, mesmo querendo pedir o contrário. Ele realmente não queria que o Uzumaki encontrasse outra pessoa em sua ausência, mas ele não podia ser tão egoísta.

– Mas, também não me peça para seguir em frente assim. – o loiro pediu, colando a testa na do mais velho e o encarando profundamente. – Eu posso sobreviver alguns meses sem sexo. – brincou, fazendo o Uchiha rir e abanar a cabeça negativamente.

– É só para isso que sou importante para você? – Sasuke o cutucou com o pé e arqueou uma sobrancelha. Ele tinha a dica de um sorriso impresso em seu rosto, mas ele tentou manter sua expressão séria.

– Só. – mentiu com um olhar autoexplicativo, agarrando o tornozelo magro e inclinando o tronco para roubar um beijo dos lábios pálidos. – Para que mais seria? – indagou de forma indulgente, recebendo um beliscão na parte interna da coxa. – Ai, bastardo! – se afastou, esfregando o local lesado.

– Idiota. – ele murmurou, antes de voltar a se reaproximar. Sua boca bateu na bochecha marcada em um pedido mudo de desculpas. – Machucou muito? – seu tom abaixou dois tons.

Naruto, mais preocupado em resmungar sua contrariedade, não percebeu o timbre predatório vindo do Uchiha.

– Óbvio! – rosnou. – Você não mede a sua força às vezes. – ele se calou, quando os dedos longos friccionou o local que já começava a ficar levemente avermelhado com o abuso.

– Aqui? – manteve a voz mansa, fazendo o mais novo engolir em seco e concordar com a cabeça.

Sasuke o olhava de maneira tão intensa, que sua mente se tornara um espaço nebuloso. Ele se sentia hipnotizado e quase não percebeu quando o moreno abriu suas pernas para enfiar a cabeça entre elas e beijar o local onde havia beliscado. Sua respiração engatou, enquanto sentia a língua massagear a sua pele e fazê-lo esparramar ainda mais as coxas.

O Uchiha riu com a súbita disponibilidade do homem. Nem parecia que há minutos, ele estava reclamando sobre um mero beliscão. Ele subiu a barra do samba-canção que o outro usava e deu um chupão particularmente duro perto da virilha, fazendo-o suspirar com dificuldade.

– Melhorou? – ele perguntou com um sorriso arrogante, que Naruto nem se dera o trabalho de reconhecer.

– Eu não sei... – o mais novo murmurou. – Dessa vez, eu sinto um incômodo aqui, — massageou o volume crescente em seu baixo-ventre. – mais pra cima, sabe?! – seu corpo estremeceu com expectativa, quando viu os olhos escuros caírem para onde ele indicava.

– Aqui? – perguntou e cobriu a mão bronzeada com a sua, intensificando a carícia com os dedos firmes.

Naruto assentiu com um gemido e se inclinou sobre a espreguiçadeira. Por um minuto, ele resistiu ao impulso de fechar os olhos para intensificar a sensação do homem tocando seu pênis, mas o loiro não conseguia parar de encarar as ministrações quase reverentes do outro. Ele se sentiu desejado, amado e, por que não, triunfante e arrogante? Era para ele que Sasuke mostrava esse lado entregue e despreocupado, quase como se o moreno à sua frente fosse alguém diferente daquele que as pessoas conheciam.

Seus dígitos correram pelo cabelo negro, atraindo o olhar do mais velho, e ele empurrou a franja escura para trás da orelha. O Uchiha roubou outro beijo de seus lábios, antes de descer o toque pelo peito largo, arrastando os dentes pela tez quente. Ele deu um aperto no membro rígido e o bombeou por cima do tecido de seda, arrancando mais alguns sons satisfeitos do Uzumaki. Com um sorriso quase sádico, continuou a carícia atrevida, sabendo como Naruto gostava de um tratamento um pouco mais áspero.

– Melhor? – soprou ofegante, fazendo os cabelos claros do homem se arrepiar com a necessidade flagrante em sua voz.

O loiro empurrou a calça que Sasuke usava com certa urgência e este chiou, quando o ar frio tocou seu pênis intumescido. As mãos seguraram o quadril magro e fizeram com que o moreno se levantasse, para que a pélvis pálida ficasse diante do seu rosto. Ele lambeu a pele lisa da virilha e esfregou o nariz nos pelos ralos, apreciando o cheiro, antes de chupar uma das bolas com delicadeza para não machucar.

O Uchiha estremeceu, gemeu e segurou os seus cabelos e um dos ombros com força para se firmar, e ele gemeu também, fascinado com a forma como os ligamentos das pernas longas ondulavam sob os seus dedos.

Seus lábios e língua se arrastaram pelo falo rígido até chegarem à ponta. Com um olhar provocativo, que Sasuke fez questão de responder com um puxão em um tufo de fios claros, Naruto começou a sugar o comprimento vagarosamente, tomando seu tempo para relaxar os músculos da garganta. Ele deixou que o homem fodesse com a sua boca e fez questão de mamar no membro túmido com entusiasmo, para que o mais velho sentisse sua laringe torcer sobre sua intimidade.

– Porra... – respirou em elogio, passando as mãos pelas mechas rebeldes que compunham a cabeça loira em um carinho entregue. Na verdade, ele queria dizer o quanto amava o Uzumaki, mas seu cérebro não era capaz de formar frases coerentes naquele momento.

Naruto agarrou o joelho esquerdo do moreno e fez com que ele apoiasse o pé na espreguiçadeira, correndo a palma pela coxa delgada até chegar ao saco escrotal, que já começava a inchar com o prazer. O mais novo dedilhou cada testículo com calma, vendo o Uchiha jogar a cabeça para trás e chupar o ar com força, e arrastou um dos dedos para pressionar o períneo e massagear a próstata sem a penetração. Sasuke rosnou e seu estômago se contraiu.

O loiro parou o boquete que estava fazendo para firmar o corpo masculino que balançou violentamente. Ele passou os braços pela bunda pálida e começou a espalhar pequenos beijos na barriga plana, a fim de acalmar as emoções do homem à sua frente. O mais velho, sentindo os movimentos tranquilos, soltou um suspiro contido; seus membros começando a arder ao estabelecer certa tensão e ele não via a hora de poder relaxar.

Os dígitos atrevidos do Uzumaki se arriscaram para a entrada enrugada e o mais novo levantou uma sobrancelha, quando sentiu a pele lisa de lubrificante e não encontrou resistência no anel de músculos em torno do ânus. Ele olhou interrogativamente para Sasuke e este lhe deu um sorriso complacente.

Naruto gemeu e jogou a cabeça para trás.

– Você vai ser a minha morte um dia, Uchiha. – soltou em um lamento longe de ser triste. Sua mente sendo preenchida por visões eróticas do homem tocando a si mesmo.

– Eu me preparei antes de te encontrar. – explicou com a voz rouca, remexendo o quadril de forma provocante e tirando outro gemido do mais novo.

– Você vai precisar sentar no meu pau agora, — resmungou, enquanto chutava o calção para fora do seu corpo com urgência, pouco se importando com o ar frio de encontro ao seu corpo quente. – porque eu tenho medo de não aguentar por muito tempo! – mordeu com certo temperamento, fazendo o moreno soltar um riso rouco e grave.

Sasuke segurou o rosto aquecido entre as mãos e roubou um beijo da boca avermelhada, antes de se posicionar sobre o loiro.

– Você é tão impaciente... – suspirou com os lábios no pescoço longilíneo, descendo sobre o membro túmido e suspirando com a sensação de estar preenchido.

Naruto correu as mãos pelas costas pálidas e ofegou com o aperto e o calor o engolindo vagarosamente. Ele respirou fundo para resistir à vontade louca de empurrar a pélvis com força, deixando o homem tomar o seu próprio tempo para se acostumar com a penetração.

– Diz aquele que começou o sexo sem mim. – tentou reclamar, agarrando o quadril delgado com pressa, quando Sasuke deu seu primeiro impulso para calar a sua boca. Ele gemeu e apoiou a testa no ombro do mais velho.

O Uchiha decidiu não articular uma resposta, ele começou a se movimentar, para frente e para trás, para cima e para baixo, testando a melhor forma de estimular o ponto que o levaria ao nirvana. Seus dedos pálidos agarraram o cabelo dourado levemente úmido de suor, enquanto sua boca reivindicava os lábios do outro em um beijo entrecortado por respirações rasas.

O vento frio batia em suas costas e o contraste arrepiava a sua pele, mas ele estava longe de se importar, quando a sensação do pênis massageando suas paredes internas parecia entorpecer todos os seus sentidos. Ele fechou os olhos e gemeu novamente. Naruto apertou a carne da sua bunda, espalhando-a, como se concordasse com o seu lamento. Era óbvio que o Uzumaki estava lutando pelo controle, mas Sasuke estava feliz em torturar o loiro, impondo seu próprio ritmo, não necessariamente lento, mas longe de ser apressado.

– Sasuke... – o mais novo respirou com dificuldade, passando os braços pelas costas delgadas e tentando estabelecer um compasso mais agressivo. – Mais rápido. – praticamente implorou. A ansiedade escorrendo pela sua pele.

Vendo que o homem estava prestes a perder a paciência, ele intensificou os movimentos, montando o membro com mais força e arrancando um rosnado satisfeito. Ele ofegou, sentindo seu conjunto de nervos esfregado com leveza, quase impaciente para sentir aquela tortura costumeira que o prazer intenso acarretava. Percebendo sua dificuldade, Naruto se inclinou para trás e revirou o quadril para acompanhar as cavalgadas.

Ele engasgou.

– Ali! – grunhiu com dificuldade em meio às respirações ofegantes.

Com pressa, o mais novo enfiou a mão entre seus corpos e tateou entre as pernas do mais velho até encontrar o ponto que procurava. Com destreza, ele pressionou o períneo com movimentos circulares, continuando o seu ataque na próstata, tanto interna como externamente. Sasuke estremeceu e segurou a mão que o atacava, pedindo silenciosamente que o outro parasse, uma vez que ele só conseguia lamentar a agonia do orgasmo iminente.

Mas, Naruto não parou e ele só teve tempo de chamá-lo pelo nome, antes de gozar. Seu estômago convulsionando com cada jato de esperma que saiu pelo seu pênis, manchando a barriga bronzeada. Ele rugiu com a força do clímax vibrando por todos os seus músculos, fazendo-o cair sobre o Uzumaki com o desgaste.

– Idiota. – fingiu raiva, enquanto tentava acalmar o fôlego.

O loiro riu de forma ofegante e o abraçou, acariciando as costas pálidas e dando tempo para que o outro pudesse curtir o relaxamento pós-orgásmico. Ele inverteu as posições, deitando o Uchiha sobre a espreguiçadeira e se colocando entre as pernas delgadas. Empurrando a franja dos olhos escuros semicerrados, ele começou a se mover vagarosamente, sentindo as mãos do homem correr pelos seus lados até chegar a sua bunda, a fim de empurrar a pélvis ao seu encontro.

Mesmo nessa posição, Sasuke gostava de ditar seu próprio ritmo e ele sorriu para o moreno, deixando-o conduzir o ato como quisesse.

No entanto, sua paciência não durou muito, quando o mais velho começou a comprimir o ânus ao redor do seu pau, empurrando-o para o orgasmo. Ele aumentou a intensidade das estocadas, tentando não ser muito agressivo para não machucá-lo, e gemeu; não tendo o suficiente do calor que o engolfava.

Seus braços prenderam o corpo masculino, reforçando o vai-e-vem vigoroso. Ele gemeu ainda mais ansioso, ao sentir seus músculos enrijecerem com o prelúdio do clímax. O moreno, pressentindo sua angústia, arrastou os dígitos pela sua coluna até à curva entre as nádegas, provocando a sua entrada com os dedos experientes, antes de penetrar um dedo no anel apertado, forçando-o mesmo com a resistência. Por um momento, Naruto perdeu o compasso dos próprios movimentos, sem saber para que lado se inclinar; o calor molhado que o devorava ou a intrusão provocativa que incitava.

Decidindo pelo loiro, o Uchiha empurrou ainda mais no canal estreito, fazendo com que o mais novo movesse o quadril em sua direção por reflexo. Ele ofegou ruidosamente em seu ouvido e Sasuke já estava começando a se sentir ligado novamente, só com o som ofegante e entrecortado e a forma como ele se entregava tão facilmente aos seus estímulos. Mas, não foi sempre assim? Com o loiro se deixando levar pelos seus incentivos?

Ele só podia agradecer mentalmente pelo Uzumaki ser tão curioso e aberto às novas experiências, porque ele não saberia dizer se o mesmo aconteceria se as situações se invertessem.

As costas bronzeadas se retesaram e Naruto comprimiu ao redor do seu dígito. O loiro rosnou e estremeceu sobre o moreno, liberando a tensão que construíra em seu corpo através do orgasmo. Sua cabeça afundou no pescoço pálido, e o mais novo inalou o cheiro característico do homem aliado ao almíscar do sexo. Ele ainda arriscou mais algumas estocadas, até que seu pênis tivesse liberado toda a sua essência.

Sasuke puxou as mãos para massagear os ombros fortes.

– Karin vai nos matar se souber que transamos em sua espreguiçadeira favorita... – o moreno comentou casualmente, totalmente confortável com o cobertor humano o aquecendo do frio de final de outono.

– Então, é melhor ficarmos calados, porque ela já prometeu me castrar, quando comentei que meu sonho era transar em cima daquela mesa de bilhar na sala... – respondeu com diversão.

– Ela prometeu te castrar. – provocou, cutucando as costelas do outro e sentido ele se contorcer todo. – Nós ainda podemos brincar se você for castrado, não vejo problema nenhum nisso. – caçoou, recebendo uma carranca azeda do Uzumaki; os olhos azuis brilhando como se lhe lançasse dardos.

– Não brinque com isso, bastardo! – resmungou. – Você iria sentir falta do meu pau fodendo você... – apertou as coxas que ainda o abraçava, para reforçar o que estava dizendo.

O Uchiha deu um sorriso jocoso e beijou a têmpora do outro.

– Isso não é problema, eu posso arranjar outro pau para me foder. – deu de ombros com indiferença, mas pelo silêncio incômodo do loiro, ele percebeu que tinha dito algo errado na hora errada. – Ei, eu estava brincando. – deu leves tapinhas nas costas bronzeadas para chamar a atenção do mais novo.

Naruto enfiou o nariz na clavícula do homem e aspirou o cheiro inebriante.

– Você promete que vai me dizer se encontrar alguém na Suíça? – ele tentou não pensar por esse ângulo das coisas, mas não conseguiu evitar, quando Sasuke mencionou encontrar outra pessoa.

O peito do moreno se apertou com o olhar distante nos olhos azuis.

– Nós... – ele continuou. – O que nós temos não tem nada a ver com o acordo que propus ao seu pai ontem. Uma coisa é trabalho, outra totalmente diferente é o que fazemos fora do escritório; ou dentro dele, dependendo da situação, mas você entendeu! – divagou com um sorriso meio chateado, meio brincalhão no rosto. – Essa sua viagem dá outra dimensão para o nosso relacionamento, sabe? E, por mais que eu queira mandar no futuro, ainda não temos garantia nenhuma do que acontece daqui para frente. – se levantou para se sentar entre as pernas delgadas, fazendo o Uchiha estremecer com o frio que penetrou seu corpo antes protegido pelo calor do loiro. – Eu sei que esse contrato é uma decisão importante, quase um pedido de casamento... – enfatizou, utilizando as mesmas palavras que Sasuke tinha usado mais cedo. – Mas, ele não nos prende a um matrimônio, você é livre para fazer o que quiser.

Ele ponderou por um instante, antes de puxar a figura masculina ao seu encontro novamente. Agora que seus corpos tinham resfriado, o vento gelado do outono estava ficando incômodo.

– Você quer terminar? – ele perguntou subitamente nervoso. Automaticamente, o moreno procurou pelo cigarro abandonado no cinzeiro, com a esperança de que este não tivesse queimado por inteiro sozinho, mesmo sabendo que só haveria o filtro esquecido ao lado das cinzas.

O Uchiha suspirou, caçando o maço e o isqueiro em cima da mesinha.

– Eu não quero dizer isso. – Naruto se defendeu. – Eu estou tentando dizer que podemos tentar e ver como as coisas acontecem. Só quero que você me diga se encontrar outra pessoa por lá e seja sincero, quando sentir que a distância não está trabalhando bem para o nosso relacionamento, entendeu?

– Se você fizer o mesmo... – não era uma chantagem, mas um pedido simples de reciprocidade. Ele não queria entender o ponto do Uzumaki, mas entendia. A vida não era como um filme de romance clichê; o tempo muda qualquer pessoa, ele não podia dizer com exatidão que ambos nutririam os mesmos sentimentos que nutriam para sempre. Mas, enquanto aquela relação continuasse, ele seria plenamente feliz. – Depois que você me chamou para trabalhar com vocês, dando parte da empresa para a corporação da minha família, eu só tive mais certeza do que queria. Eu quero ser e fazer o melhor para a Kyuubi Engenharia & Construção, para honrar a sua confiança. E é por esse motivo que não quero desistir. Você tem razão, quando disse para o meu pai que não nasci para ficar na sombra de Itachi; você está me dando uma oportunidade para provar o meu próprio valor dentro do meu clã, e essa foi a forma que encontrei para mostrar a minha gratidão.

Naruto apertou os braços ao seu redor e fungou.

– Você está chorando? – o moreno perguntou com perplexidade, se afastando para olhar nos azuis profundos.

– Você me deixou emocionado! – justificou-se com um beicinho mal-humorado, fazendo o Uchiha abrir um sorriso satírico. – Pare de ser um saco de merda!

E com isso, Sasuke gargalhou profundamente.

– Eu amo você. – murmurou em meio ao riso, apertando os braços na cabeça loira em um abraço, fazendo-o relaxar com a confissão.

– Eu também amo você. – suspirou e bocejou.

– Vamos entrar, está frio e eu acho que precisamos de um banho. – sugeriu, vendo o homem concordar com a cabeça.

Naruto se levantou e caçou as roupas jogadas pelo chão. Ele vestiu o próprio calção e jogou a calça de moletom que o moreno usava para que este pudesse vesti-la. O mais novo estendeu a mão para ajudar Sasuke a se levantar e começou a caminhar para dentro. O contraste entre o ar gelado do lado de fora e o ambiente aquecido pelo aquecedor os acolhendo rapidamente.

O loiro assistiu como o Uchiha se inclinou para o guarda-roupa, procurando algo limpo para vestirem. Seu peito se apertou em saudade antecipada. Ele não brincou quando disse que seria difícil passar tanto tempo longe, e que seria impossível seguir em frente, quando ainda havia aquela possibilidade de darem certo, mesmo com a distância. Ele era um bobo apaixonado, no final das contas, e ele esperaria.

Notas finais
Eu sei que muitos vão ficar decepcionados com as escolhas do Sasuke e do Naruto. Mas, eu quero que vocês entendam que a vida não é um conto de fadas, e um relacionamento não é uma comédia romântica. O amor real, não aquele narrado em fábulas, acrescenta. Se alguém disser algum dia, que vocês não podem ou não são capazes de fazer algo que envolve crescimento pessoal ou alcance de sonhos, porque essa pessoa é egoísta e tem sérios problemas de autoestima, é o momento de vocês se perguntarem se esse é tipo de pessoa que vocês querem que te acompanhem no futuro. Porque, o custo de se sacrificar, sacrificar seus sonhos, em nome de um relacionamento que pode ir e vir a qualquer hora, é muito alto. Cada um precisa estar consciente se vai se arrepender das escolhas tomadas no passado ou não... Se você tem plena certeza de que não vai se lamentar de não ter feito algo em nome de outra pessoa, ótimo, mas se você não sabe se vai olhar para trás e sentir aquele comichão do “eu podia ter feito”, é preciso analisar prioridades. Na vida, muitos de vocês vão ter vários relacionamentos, mas a vida de vocês é uma só. Eu soei meio Jout Jout em “Não tira o batom vermelho”, mas é a forma como eu penso. Eu sempre digo que procuro pessoas que me acompanhem e se não puderem me acompanhar, que não me impeçam de correr atrás dos meus sonhos. É minha vida; é meu futuro. Então, não hesitem em correr atrás do que lhes move, porque o futuro de vocês é só de vocês, e por mais que se abdiquem por outra pessoa, são vocês que carregarão o peso das suas escolhas. Nem pai, nem mãe, nem namorado (a) vão responder por vocês, quando vocês se questionarem. Só vocês. Portanto, força nessas perucas, porque vocês podem e devem fazer o que bem entenderem e ser plenamente felizes ao se jogarem nessa vida cheia de surpresas. Não se coloquem em segundo lugar, porque ninguém é melhor ou mais importante que ninguém. Amor ao invés de beijos. Até mais...