Dar-se Uma Chance
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Nos comentários do capítulo anterior, eu fui realmente grosseira com uma leitora... E, não, eu não estou escrevendo para me retratar, porque eu não me arrependo de qualquer palavra que utilizei naquela resposta. Eu estou querendo lembrar algo que algumas pessoas esqueceram: escritor não é robô.
Uma vez, li no Twitter de um escritor e jornalista, Marcelo Rubens Paiva, a seguinte citação de Hugo Polosso, "Quem se curva demais para o público, fica de quatro para ele".
Eu levo realmente a sério cada palavra que me mandam como comentário. Daqui eu conheci pessoas maravilhosas, que faço questão de grudar para a vida inteira. Eu aceito críticas bem estruturadas e aceito sugestões, quem acompanha a forma como lido com as minhas histórias sabe muito bem disso, mas eu não aceito ordens de quem acha que entende alguma coisa... É fácil você chegar em um autor e dizer "não quero o mesmo final em Dar-se Uma Chance como aconteceu em Deveres do Coração", "faltou o lemon", "diminui os capítulos porque eles são muito grandes" e BIBIBIBOBOBO... Que tipo de pedidos são esses? O autor não tem mais a autonomia de criar as suas próprias histórias?
Caralho, eu dou um puta valor para cada comentário que eu recebo, tanto que faço questão de agradecer pessoa por pessoa nas notas no final de cada enredo. Faço questão de ser atenciosa e responder a todos como se vocês fossem meus amigos de nascença, mas eu não vou admitir, que a pessoa chegue em mim e me diga que eu não tenho nexo por deixar o filho do Sasuke sem família (quem acompanha Deveres do Coração vai entender do que estou falando), porque eu não levo desaforo para casa e também não sou monge tailandesa para engolir esse tipo de situação. Eu não vou ficar de quatro por ninguém e muito menos lamber o cu das pessoas, só para preservar leitor.
Eu não gosto de Incesto e MPREG e nem por isso eu fico comentando nessas histórias para dizer: Muda essa porcaria, porque não acho legal homem gestante e barrigudo, e irmão pegando irmão, 'tá ligado?
Não! Pelo contrário, ainda dou o braço a torcer e acompanho algumas histórias com esse segmento, porque eu vejo que o autor realmente se empenhou e fez uma puta história bacana, que o autor se dedicou. Sou menos orgulhosa ainda e mando um comentário para o autor, dizendo: Nossa, eu não gosto de MPREG e Incesto, mas a sua história está tão fascinante, que eu não pude deixar de acompanhar, quero mais capítulos A-GO-RA.
E outra, se eu não gosto do enredo, eu simplesmente fecho a janelinha e fica tudo por isso mesmo; e o mundo permanece em paz, olha que belezinha?!
Erro de ortografia e gramática, falta de estrutura na história, falta de coesão e coerência, má utilização das técnicas de redação, a gente realmente deve comentar com o autor para que ele melhore a exposição dos fatos, mas podá-los ou exigir que eles insiram algo que não se enquadre com a história? Jamais. Vejo um monte de gente arriscando colocar um limão na história, quando está na cara que o autor não tem feeling para isso... História É FEELING, galera. É você sentir o que ela precisa, sem tirar a sua identidade narrativa. Onde está escrito que toda literatura deve ter material pornográfico ou capítulos de até 2.000 palavras? Cadê essa regra, que ninguém me avisou?
Estou falando tudo isso, porque tem algumas pessoas que nasceram sem Semancol. Vejo um monte de autor bom reclamando dos leitores sem noção, então, eu vou tomar partido por todos eles e deixar o recado aqui: coloquem a mão na consciência e comecem a medir o que falam e como falam, porque, por causa de gente babaca, muita gente desiste por desmotivação e falta de vontade, saúde e paciência para lidar com esse tipo de situação.
A vontade que dá, é levantar da cadeira, oferecê-la para essas pessoas e perguntar: "Quer escrever no meu lugar? Fica a vontade, é menos trabalho para mim!". Você não ganham nada em ler essa merda e eu também não ganho $$$ por essa merda, a única coisa que ganhei com essa porra de história do caralho, são as pessoas que conheci por aqui.
E é isso. Sinto muito se fui indelicada com quem não merecia e pela quantidade estratosférica de palavrões, mas eu precisava desabafar e a minha boca é suja assim mesmo. Já perdi leitores sendo a carrasca com a outra menina lá, o que é um peido para quem já está cagado?
Eu já falei que quando algo me entala na garganta, eu falo mesmo, avisei no primeiro capítulo!
Obrigada pelos comentários e a quem adicionou a história aos favoritos. Desculpem a demora, mas eu estava adiantando uma nova história que vem por aí...
Espero que gostem desse novo capítulo,
Beijocas ♥
Escrito por KiiinN
“Aqueles que não conseguem mudar de opinião, não conseguem mudar nada.” — George Bernard Shaw.
Capítulo 20
Kushina emudeceu com o pedido. Seus olhos cinzentos escanearam a figura masculina pelo que pareceram longos minutos. A postura ereta e o queixo erguido mostraram a Sasuke que ela era o tipo de mulher que não brincava em negócios, embora sua personalidade usual fosse extremamente despojada e descontraída.
Ela tamborilou os dedos longos de unhas cuidadosamente pintadas em vermelho no balcão de madeira escura, ponderada, antes de soltar:
– E qual seria essa proposta? — ela perguntou com cuidado. Seu tom ameno e razoável, como se tivesse receio de que suas palavras pudessem atrapalhar o seu exame minucioso sobre a situação.
– Eu quero que a Kyuubi Engenharia & Construção seja uma das acionistas da Mangekyou. — o moreno explicou, jogando a informação de forma descuidada, pois, de certa forma, sua segurança lhe dava mais certeza sobre o que estava fazendo.
A ruiva arregalou os olhos com o pedido inusitado.
Ela esperava tudo... Esperava que Sasuke pedisse ajuda para lidar com Naruto; esperava que ele pedisse para que ela e/ou Minato conversassem com Fugaku... Mas, com certeza, ela não esperava que a proposta envolvesse algo tão sério. O que se passava na cabeça desse Uchiha, ela não entendia, no entanto, estava disposta a descobrir o quanto antes.
– Seu pai nunca permitiria algo do tipo, Sasuke. — ela deu um sorriso sem jeito, tentando fazer o menino colocar a mão na consciência e pescar sobre as últimas atitudes do patriarca.
– Eu sei disso. — ele pigarreou e se moveu para pegar um envelope pardo, que estava em cima do balcão e que Kushina não reparara. — Por isso, quero passar parte das minhas ações para o nome da sua empresa. É pouco, apenas 5% do que tenho, mas é uma forma de garantir que vocês tenham uma verba para manter a Kyuubi funcionando, enquanto não conseguem estabilizar os negócios. A porcentagem do valor dos lucros de direito para cada acionista vai mantê-los até tudo se arrumar e é uma forma que encontrei de pedir desculpas sobre as atitudes do meu pai, porque eu fui parte responsável pelo que aconteceu... — finalizou, desviando o olhar para o par de hashis parado em cima de um suporte de cerâmica.
Em cada palavras, as pálpebras da ruiva se dilatavam mais.
– E como...? — ela balbuciou perdida até que entendimento recaísse em seu cérebro. — Sasuke, Fugaku-san vai te matar! — ela exclamou, batendo a mão direita na cabeça com uma expressão lívida. — Se Naruto fizesse algo assim, com certeza, eu o mataria! — a mulher começou a divagar chocada. — E como você conseguiu isso? Que eu saiba, o seu pai não lhe deu controle total sobre os seus bens, quando você completou 20 anos, porque esperava que você terminasse a faculdade e a pós-graduação primeiro, a fim de evitar precipitações!
Sasuke corou, envergonhado por ter de admitir que praticamente roubara o próprio pai e por descobrir que “seus sogros” sabiam que ele não confiava o suficiente em sua capacidade; era humilhante.
– Eu tive que tomar algumas medidas... — respondeu vagamente, desviando o olhar para qualquer canto, menos os orbes cinza-chumbo.
– Você é louco... — ela murmurou, balançando a cabeça negativamente. — Mas, é por isso que gosto de você! — ela sorriu ao ver que conseguiu atrair a atenção do rapaz, que a olhou surpreendido. — E esse envelope na sua mão é o documento que temos de assinar? — perguntou, apontando o envelope pardo com o dedo.
– Isso. — estendeu-lhe o documento. — Você e Minato-san devem assinar esse contrato e me entregar, porque cuidarei do resto sozinho. — tornou a explicar, sorrindo levemente para com o elogio recebido. Ele percebeu que gostava, quando era reconhecido pela mulher à sua frente.
– Eu vou precisar conversar com Minato sobre isso, mas se ele se recusar a assinar, eu não poderei forçá-lo. — avisou, fazendo o mais novo titubear à sua frente. — E também não sei como Naruto vai reagir com a notícia. Ele não tem controle sobre a Kyuubi ainda, mas será o futuro dono da empresa, então, precisa estar ciente; isso é um acordo para a vida toda.
Nesse ponto, Sasuke se remexeu incomodado.
Naquele momento, o garçom chegou, trazendo os pratos de comida e os servindo ordenadamente. Com agilidade, ele distribuiu os pedidos, fez uma reverência pequena e se retirou, fazendo tudo no mais absoluto silêncio. Por alguns minutos, os dois permaneceram quietos, até o instante que o Uchiha se fez ouvir novamente:
– Sobre isso... — pausa reflexiva. — Eu não quero que Naruto saiba. — disse, surpreendendo a mulher pela terceira vez em menos de 20 minutos.
– Por quê?! — a pergunta escapou pelos seus lábios, antes que se desse conta.
– Porque eu conheço o seu filho. — murmurou como se a explicação fosse válida. — Nós somos diferentes em muitos aspectos, Kushina-san, mas também somos muito parecidos em outros... Eu sei que, se ele souber que está recebendo ajuda financeira minha, mesmo que indiretamente, ele vai recusar e fazer um escândalo sobre esse contrato. — brincou distraidamente com a borda do copo de chá à sua frente. — Nessa parte, pensamos da mesma maneira, porque se Naruto fizesse algo do tipo, eu também recusaria. — murmurou. — Eu acho que somos orgulhosos e arrogantes demais, mas por entendê-lo, que quero evitar mais dores de cabeça no momento, depois eu me viro com ele...
Kushina o olhou por um longo tempo, contemplando as informações que acabara de receber e ponderando o pedido com cuidado. Sasuke tinha razão. Naruto recusaria a ajuda financeira do rapaz e faria um inferno na casa, caso soubesse que seus pais estavam dispostos a aceitar a proposta do moreno. Ela não condenaria o pensamento do seu primogênito, porque também pensava da mesma forma, mas a situação exigia sacrifícios agora, caso contrário, Kyuubi Engenharia & Construção quebraria e eles ficariam sem nada. Com o dinheiro das ações, eles poderiam manter os gastos da corporação até que tudo se estabilizasse e eles não precisassem mais recorrer ao dinheiro dado pela Mangekyou. O corvo pensou em todos os detalhes, deixando-a admirada e cada vez mais "apaixonada" por aquele garoto. Seu filho realmente fizera uma boa escolha.
Com um sorriso agradecido e compreensivo, a ruiva retrucou:
– É bom saber que pensa dessa maneira, assim não terei que me preocupar em saber se Naruto namora um cara interesseiro e mercenário. — soltou, fazendo o Uchiha a olhar com receio, antes de sorrir minimamente.
– Mercenário, com certeza, não, mas interesseiro, não posso lhe garantir... — ele jogou misteriosamente; um traço de diversão brilhando em seus olhos negros. — Tudo em Naruto me interessa, Sra. Uzumaki, se é que me entende, hm?! — completou com malícia e um olhar que dizia claramente sobre o que estava se referindo, vendo a mulher abrir a boca em surpresa, claramente chocada e alegre.
– Sasuke! — gritou e empurrou levemente o homem, antes de cair na gargalhada.
(***)
Quando Minato voltou para casa, ele encontrou a sua esposa sentada displicentemente na cadeira do seu escritório pessoal. Os pés estavam descalços, como sempre, e ela usava um chemise cinza e preto, extremamente confortável em contraste ao tailleur que vestia mais cedo naquele dia. Suas costas estavam apoiadas em um dos braços estofados e as pernas jogadas frouxamente no outro, largada e descontraída. Ela segurava e encarava fixamente um papel, parecendo perdida em pensamentos.
Se não fosse pela batida leve na porta, a ruiva não teria acordado dos seus devaneios tão cedo.
– Oi. — ele a cumprimentou, jogando sua pasta em uma das poltronas no canto da sala e caminhando até ela.
– Oi... — respondeu vagamente com um sorriso leve no rosto.
– E Naruto? — perguntou, caminhando até a ruiva para pegá-la no colo e tirá-la de sua cadeira. Minato a colocou em cima da mesa e depois se sentou onde ela estava.
– Fora, como de costume. Você sabe que ele não anda ficando muito em casa nos últimos dias. — ela retrucou, deixando o papel de lado e apoiando os pés nas laterais do quadril do esposo.
Apesar da posição sugestiva, com ele entre as pernas da esposa, Minato suspirou e esfregou os olhos com o polegar e o indicador, visivelmente cansado.
– E eu achando que ele pararia depois da conversa que tivemos há alguns dias...
– Você sabe o quanto ele é teimoso. Ele não seria o meu filho se não fosse tão cabeça dura. — ela o lembrou, dando um sorriso.
– Não sei se me sinto melhor ao ouvir isso... — ele brincou, rindo levemente, quando sentiu a mulher lhe dar um chute no peito, que só não o mandou para o outro lado da sala, porque o loiro segurou a panturrilha de Kushina.
– Não brinque comigo, Minato! — ela gritou com um aviso explícito no olhar.
– Desculpa. — pediu com um tom divertido, acariciando a parte interna do joelho pálido.
A mulher, assim como o resto da sua família, tinha um tom de pele tão translúcido quanto à família Uchiha. Chegaria a ser doentio, se não fosse o brilho anormal de seus cabelos vermelhos, que lhe dava vida. O tom era tão intenso e vívido, que as pessoas sempre perguntavam se eles eram naturais. O próprio Namikaze sempre se surpreendia, mesmo depois de tantos anos juntos, com a cor que o lembrava duma pedra de rubi e chamavam a atenção, mesmo há metros de distância.
Kushina bufou.
– Que seja... — deu de ombros grosseiramente e pegou o papel que havia esquecido momentaneamente. — Eu preciso conversar com você... — comentou de forma casual.
Apesar da atitude despretensiosa, a declaração deixou Minato preocupado. Internamente, seu cérebro o alertou que a esposa não era do tipo que anunciava que precisava conversar, quando o assunto era sério, porque ela simplesmente derramava suas opiniões de maneira bem direta, sem firulas e enrolações desnecessárias. Era uma qualidade a qual ele apreciava, mas, naquele momento, a mulher acabara de entrar em contradição com o que ele pensava.
– Foi algo que fiz? — o tom temeroso atraiu um olhar mais atento por parte da outra. Ela vasculhou os orbes azuis, tentando ler o motivo de tanto receio, e, quando entendimento caiu sobre a cabeça vermelha, ela riu tranquilizadora.
– Por enquanto, não. — ela brincou, aproximando-se para depositar um beijo suave na boca do homem. — É sobre Naruto e Sasuke. — alertou, fazendo-o suspirar outra vez, mas, dessa vez, de frustração, uma vez que o seu momento, que poderia se tornar de intimidade, seria desfeito por outra preocupação.
Ela se afastou e estendeu o papel para o marido. Minato pegou o contrato com o cenho franzido, correndo os olhos sobre as linhas escritas. A cada palavra, seus olhos se arregalavam mais, surpresos e confusos. Em sua mente, ele não entendia como Sasuke havia conseguido uma parte das ações da Mangekyou para passar para a Kyuubi, sendo que ele ainda não tinha pleno controle dos seus próprios bens.
– Como...? — ele conseguiu balbuciar, sem tirar a vista do documento.
– Não importa como, ele apenas conseguiu... — a ruiva acenou com descaso. — É uma ideia muito inteligente, não é?!
Seu silêncio pontuou a sua resposta. Era uma tacada de mestre, ele tinha de admitir, mas não significava que podia dar certo. Minato não podia aceitar a ajuda, principalmente por saber o quanto aquilo prejudicaria Sasuke. Fugaku poderia entrar com uma ação judicial contra a sua família e o próprio rebento, o que pioraria a situação três vezes mais.
No entanto, conhecendo o patriarca Uchiha como conhecia, talvez o homem não fizesse absolutamente nada, porque era realmente humilhante admitir que seu próprio filho o havia roubado... Contudo, levando-se em conta as últimas atitudes do seu melhor amigo, ele já não sabia mais o que esperar do moreno. Às vezes, era melhor prevenir que remediar.
– Eu não sei, Kushina... — admitiu com certo receio.
– Eu sei o que está pensando-
Minato a interrompeu:
– Então, se sabe, já deve suspeitar que eu não aceitarei assinar esse documento, não é? — ele avisou, deixando o papel de lado como se fosse nada.
O loiro se levantou e caminhou resolutamente para a porta, um tanto aborrecido que sua esposa, sempre tão inteligente, havia cogitado algo tão ingênuo e burro.
– Eu confio no Sasuke-kun, Minato, ele nos garantiu que ficaria tudo bem. Nós precisamos de ajuda e se tudo continuar como está, Kyuubi Engenharia & Construção não durará um ano! — ela teimou, correndo atrás do marido para alcançá-lo.
Graças aos deuses que ambos estavam sozinhos, porque, com certeza, a discussão atrairia a atenção de Naruto se ele estivesse em casa, e ela não teria como fugir das perguntas insistentes do rapaz sem dedurar Sasuke.
– A questão não é essa, Kushina. Eu também confio no Sasuke, mas não confio no Fugaku. Você viu o que ele fez com a gente! — ele teria apontado, se tivesse algo físico que denunciasse a situação em que se encontravam. — Eu sei que precisamos de ajuda, mas precisamos arranjar uma forma de lidar com esse problema, sozinhos. Nada jamais nos impediu de nos virar com o que tínhamos antes, o que nos impedirá agora? — ele se virou, aproximando-se da mulher. — Fora que Naruto vai ficar louco, quando souber que estamos aceitando ajuda financeira do namorado dele, e você também sabe muito bem disso, afinal, ele teve a quem puxar!
Ela se absteve de reclamar, pois sabia que o marido tinha certa razão sobre o que estava falando. A ruiva apenas fez um bico amuado e esperou o homem chegar mais perto. Quando ele o fez, apenas a puxou pela nuca e bateu os lábios na sua testa coberta de cabelos vermelhos, antes de murmurar de encontro à sua pele:
– Para não dizer que estou descartando completamente a sua opção, eu vou considerá-la mais tarde... — prometeu. — Mas confie também em mim e em nós, Kushi. Vamos conseguir sair dessa confusão com ou sem a ajuda de Sasuke.
Ela sorriu e concordou com um movimento de cabeça. Minato era o melhor marido do mundo, ponderado e compreensivo, sempre a apoiando com pequenos gestos significativos. Ele não se importava com o fato de ela não ser uma esposa convencional da cultura oriental e a aceitava como era, sem fissuras. Não era à toa que Kushina havia se apaixonado; o Namikaze era o homem que toda mulher, mesmo a mais ferrenha como ela, sonhava em ter como companheiro.
A ruiva só esperava que essa consideração por parte do loiro não demorasse muito, porque ela não queria atrapalhar os planos do seu futuro genro.
(***)
A primeira coisa que Karin fez ao acordar naquela manhã, foi separar uma muda de roupas quaisquer e colocá-las dentro de sua mochila, desordenadamente. Sasuke ainda dormia quando ela saiu de casa. A ruiva andou calmamente até o seu Mitsubishi Lancer Evolution X vermelho brilhante, jogou a mala no banco traseiro e entrou, mal esperando fechar a porta para girar a chave no contato. O carro tremeu e roncou violentamente com a força que ela fez ao pisar na embreagem e no acelerador ao mesmo tempo para esquentar o motor. O frio do outono estava começando a ficar cada vez mais rígido, anunciando aos poucos a chegada do inverno, o que prejudicava o sistema de funcionamento do veículo.
Ao colocar o carro em movimento, ela ligou o aquecedor e o som, preenchendo o ambiente com a melodia de "A Woman's Worth" de Alicia Keys e um calor reconfortante, enquanto dirigia apressadamente para fora de Nagano, mais especificamente na direção de Niigata. A rapariga sabia que o melhor amigo ficaria um pouco injuriado ao saber que ela estava indo visitar Naruto, principalmente porque ele não queria nutrir as esperanças de ouvir alguma informação que lhe interessasse e que o fizessem vacilar em suas decisões. Mas, a mulher estava um pouco preocupada com o primo e precisava vê-lo com os próprios olhos a fim de garantir a si mesma que ele estava bem. Ela não chegou a estar na presença do loiro depois que ele e o moreno se afastaram e Karin estava disposta a mudar essa situação.
Horas de estrada depois, ela finalmente parou, deixando seu veículo praticamente colado ao BMW Coupé M3 branco de Minato.
Seu tio a olharia com repreensão indisfarçada, mas pouco lhe importava, porque a ruiva não estava com paciência para manobrar melhor. Ela tocou a campainha e esperou pacientemente.
Quem abriu a porta foi Kushina, ela carregava uma expressão irritadiça e cansada na feição sempre alegre, o que fez a mais nova se perguntar se a responsabilidade dessa mudança não era dos acontecimentos recentes a que estavam sendo submetidos. Agora ela entendia Sasuke e a sua pressa. Ele realmente precisava arrumar aquela circunstância o quanto antes.
– Oh, Karin, é você... — deu passagem para a jovem passar e fechar a entrada, pois um vento gelado entrava pela brecha escancarada, minimizando o efeito do sistema de aquecimento da casa.
A frase curta e impessoal deu a entender que a outra fêmea não estava muito afim de alongar a conversa, e a estudante de design respeitaria esse pedido mudo de privacidade, depois que descobrisse o paradeiro do seu primo idiota.
– Naruto está? — perguntou suavemente, dando um meio abraço em Minato quando este passou pelo hall de entrada.
O homem não poupou um sorriso amável ao bater carinhosamente a mão direita no topo da cabeça vermelha, tão parecida com a da esposa, só que mais desordenada, já que Karin não fazia questão de deixar os cabelos arrumados. A atitude paternal e terna do tio a fez derreter, porque a fazia se lembrar vagamente da sensação quente de ter a sua família por perto. O casal à sua frente minimizava a falta que seus pais faziam em sua vida, justamente por sempre agir como se fossem os verdadeiros progenitores da jovem. Perto deles, ela jamais seria capaz de se sentir sozinha; seria considerado até um insulto ter esse sentimento, visto como os dois sempre cuidaram para que ela se sentisse bem e querida.
– Procurando o Naruto, pelo o que vejo... — concluiu com obviedade, apontando o queixo para as escadas que davam ao andar superior. — Ele está lá em cima com uma amiga.
Ela parou. "Amiga?", perguntou-se com estranheza. Antes que a jovem pudesse correr para encontrar o seu alvo, Kushina a interrompeu:
– Karin? — chamou com um sorriso forçado. — Obrigada.
A menina vacilou em seus passos, assistindo com perplexidade a mulher se afastar. Ela desviou o olhar para o chão, encarando com interesse fingido o carpete que cobriam os degraus abaixo de seus pés. A ruiva sentiu os olhos lacrimejarem ao notar a apatia que tomou a personalidade sempre alegre de sua tia. Era visível que a matriarca estava preocupada e por esse motivo não conseguia agir com o seu gênio alto habitual. Entristecia-a ver pessoas que a apoiaram, quando ela precisava, em um momento tão difícil. A Uzumaki se sentia impotente, pois não tinha ideia de como ajudar aqueles que sempre estavam lhe estendendo a mão.
O agradecimento de Kushina dizia claramente: "Obrigada por cuidar dele para mim, visto que eu não sou a melhor pessoa para fazê-lo no momento".
Respirando fundo, Karin seguiu em frente com a confiança retomada. Ela faria aquilo que estivesse ao seu alcance para minimizar o peso dos ombros de seus familiares e, naquele momento, a ruiva só iria garantir se estava tudo bem com o seu primo idiota.
Marchando em direção ao quarto do rapaz, ela abriu a porta sem ao menos se preocupar em bater, no entanto, a visão que a recepcionou, fê-la paralisar.
Naruto estava deitado na cama espaçosa, brincando distraidamente com o celular — jogando-o e girando -, enquanto falava com a cabeça apoiada no colo de uma mulher, que a ruiva nunca havia visto na vida. Essa cena era familiar, porque o loiro sempre fazia o mesmo com ela, quando balbuciava sem parar sobre um assunto qualquer.
Aquilo a enfureceu e enciumou, e, antes que pudesse perceber o que estava fazendo, ela pisou pelo quarto, assustando o casal distraído com o barulho de seus passos no chão, e agarrou a orelha do loiro, puxando-o para se afastar da outra figura feminina presente no cômodo.
O Uzumaki gritou, indo de encontro à mão que o segurava para minimizar a dor. Os olhos azuis, quase violeta, se arregalaram em surpresa, enquanto assistia a ruiva pequena praticamente arrastar um homem tão alto quanto o estudante de engenharia. Sentindo que não era o momento certo para se manifestar, Shion continuou calada, vendo-os sair sob os resmungos do universitário.
A mais nova nem se importou em estar se comportando como uma louca na frente de uma visita. Ela apenas bateu a porta sem pedir licença, fechando-a, para conseguir mais privacidade com Naruto. Soltando-o com um movimento nada delicado, ela indagou em um sussurro raivoso, como se estivesse gritando em voz baixa, e um lhe lançou olhar irado:
– O que pensa que está fazendo? Quem é essa mulher?
– Itai, itai... — o loiro repetiu, massageando a carne lesada. — O que vocês, mulheres, são? Putas neuróticas? — jorrou grosseiramente, sem se importar de estar ofendendo sua prima.
Os olhos castanho-avermelhados lançaram um aviso claro: desembucha, antes que eu comece a forçar as informações para fora de você!
– Ela é uma amiga. — ele esclareceu, engolindo em seco. Karin podia ser assustadora, quando queria; coitado do homem que a namorasse um dia, pois esse sujeito sofreria o que ele era obrigado a sofrer pela convivência. Ele sonhava com o momento em que a mais nova encontrasse alguém para se envolver, pois, dessa forma, a ruiva teria outro alguém para importunar e o deixaria em paz.
Eram divagações coxas, ele sabia, afinal, ele amava a mulher mais que tudo na vida e só de vê-la descabelada e irritada, ele tinha vontade de abraçá-la e nunca mais largar; sua priminha era uma fofa.
– "Uma amiga". — ela imitou debochadamente. — Pare de mentir para mim! — começou a socá-lo no peito com o punho direito, fazendo Naruto gritar novamente de dor, rir e segurar o pulso magro, tudo ao mesmo tempo, levando-a usar o outro braço para agredi-lo.
"Caramba, ela é forte!", pensou com divertimento, segurando a outra mão.
– Eu não estou mentindo! — ele tentou, mas ela o interrompeu.
– Eu não acredito que você está pegando essa piranha, depois de tudo o que aconteceu entre você e o Sasuke! Eu sei que o que ele fez é errado, mas você não tem o direito de machucá-lo. Aprenda a manter as suas calças no lugar! — ela se debateu para puxar os punhos do apego fundamentado. — Eu o ameacei para prevenir que você não se decepcionasse, mas eu nunca imaginaria que você fosse tão idiota de fazer o contrário! — ela continuou balbuciando, não percebendo que o olhar brincalhão, dera lugar a um brilho carinhoso e saudoso.
– Eu pensei que você me achava um idiota, afinal, sempre me chamou assim... — comentou casualmente, num tom meigo, que a rapariga, de tão brava, mal percebeu.
Ela nem conseguia segurar as declarações, antes de derramá-las despretensiosamente em seu discurso irado.
– Isso não quer dizer que eu concordava com as minhas palavras, idiota! — ela meio gritou, meio rosnou, puxando os pulsos com um impulso violento e se libertando do aperto que a agarrava, para empurrar o homem com raiva.
Quando sua palma bateu de encontro ao peito forte, Naruto deu um passo para trás, a fim de manter o equilíbrio, e espalmou a mão acima dos dedos femininos, agarrando-os para puxá-la para um abraço. A cabeça vermelha bateu em algum ponto do seu ombro, mas ele não chiou, apenas rodeou os braços na figura pequena e a embalou como se ela fosse uma criança.
– Obrigado... — ele pediu, não notando a forma como os olhos castanhos se arregalaram em surpresa.
Karin até replicaria mais um pouco, mas ela estava confusa demais para formar um argumento válido. Ela não entendia o motivo do abraço e muito menos do agradecimento sem sentido, no entanto, a atitude tinha desencadeado o seu lado mais sensível, pois a ruiva sentiu os olhos marejarem pela segunda vez naquele dia.
E ela odiava estar tão emotiva, mas não conseguia se ajudar, principalmente por ser alguém extremamente sentimental. Por isso, ela respirou fundo e olhou para o teto branco do corredor, piscando diversas vezes para espantar as lágrimas insistentes. Ela não aceitava chorar sem motivos.
Antes que ela pudesse retrucar, o loiro continuou:
– Shion é minha amiga, acredite em mim. — ele murmurou em seu ouvido. — Eu jamais desistiria do Sasuke; até parece que você não me conhece. — ele brincou, apertando ainda mais os braços em volta da cintura fina. — Eu amo aquele bastardo, muito mais do que me permiti admitir. — suspirou. — Shion é bonita e muito simpática, confesso que se fosse em outra ocasião, eu teria cedido aos seu encantos... Mas, mesmo que o filho da puta tenha me pedido um tempo, eu ainda me sinto como se tivesse um compromisso com ele, por isso, confie em mim.
Karin mordeu o lábio inferior, divida sobre o que deveria fazer. Ela só não queria que o seu melhor amigo sofresse pelos deslizes do seu primo, mas também sabia que Naruto seria incapaz de deixar as coisas inacabadas com Sasuke e partir para outro relacionamento. Mesmo magoado, o Uzumaki tinha a grande tendência em pensar nos outros primeiro, e, se antes ela amaldiçoava essa característica honorífica, agora ela agradecia o coração grande daquele homem.
No entanto, havia algo que o loiro não havia percebido, e, antes que pudesse vocalizar os seus pensamentos, uma segunda voz feminina, suave, mas constante e firme, com uma certeza velada por trás da delicadeza implícita, se fez ouvir:
– Desculpe interromper... — ela começou, fazendo os dois parentes se afastarem para olhá-la. As duas mulheres se encararam em uma batalha silenciosa, seus olhares falando em volumes. — Eu vou indo, Naruto. Nos encontramos mais tarde? — ela perguntou, sem desviar o foco dos orbes castanhos.
O Uzumaki, indiferente à briga que ambas travavam, respondeu:
– Claro! — sorriu.
Ela sorriu de volta para ele, antes de desviar a atenção para a rapariga presa nos braços bronzeados e lhe lançar um brilho malicioso e cheio de significados. Shion saiu sem uma única palavra, enquanto Karin se controlava para não voar no pescoço magro e apertá-lo até ouvir um estalo que denunciasse a ruptura de seus ossos finos. Não seria tão difícil massacrar a loira, visto com ela possuía a estrutura frágil. Ela estava louca para descontar a sua frustração em alguém, e nada melhor que um dos motivos de seus incômodos.
Esse era o ponto que Naruto não havia percebido: aquela mulher não desistiria tão cedo, e a ruiva faria de tudo para impedir as intenções da loira.
(***)
Karin havia planejado passar o final de semana na casa dos tios, mas devido aos últimos acontecimentos, seus intentos se foram por água abaixo. No segundo que a outra mulher sumiu pelas escadas do andar superior, ela se virou para o primo e o olhou analiticamente. A intensidade do seu olhar deve o ter feito nervoso, porque ele começou a rir sem jeito e a coçar a nuca. A ruiva não precisou de meia palavra para que ele se derramasse, porque, de certa forma, Naruto sabia que se ele não falasse, ela arrancaria a informação que queria a força.
Shion e ele haviam combinado de ir a um bar distinto, próximo ao centro de Niigata, chamado Haruniwa. O lugar era extremamente requintado e, para algumas mulheres, chegava a ser romântico, devido à aparência veneziana do local. Eles iriam beber algumas cervejas, talvez comer alguma coisa, e depois partiriam para a Progressive Energy, uma casa noturna da região. O lugar era um ovo, pequeno e parecia uma caverna psicodélica, mas era realmente badalada naquela área pelos amantes de música eletrônica como o estudante de engenharia.
Sabendo da rota do "casal", ela saiu da casa dos Uzumaki como um raio, sem ao menos se despedir de Kushina e Minato. Não querendo perder tempo, Karin discou um número conhecido, a qual ela não usava desde que Ino começara a sair com Kiba. A Yamanaka atendeu no terceiro toque e logo que soube que a ruiva pretendia reunir o grupo para uma noitada, ela não perdeu tempo em se oferecer para contatar o resto da turma. A futura psicóloga era festeira por natureza, por isso, a rapariga usou essa característica singular da loira para seus desejos. Era oportunismo? Era, mas ela não deixaria Naruto ficar sozinho com aquela mulher; ela estragaria qualquer plano que Shion possuía, porque ela não deixaria Sasuke sofrer.
Nem Sasuke, nem Naruto. Os dois eram notoriamente apaixonados um pelo outro, mas eram orgulhosos e temerosos demais para deixar os sentimentos fluírem. O por quê? Ela não sabia, mas suspeitava que fosse pela novidade da relação de ambos. O Uchiha não estava acostumado a lidar com alguém que se empurrava para trás constantemente, como acontecia com o Uzumaki. Mas, ele também não percebia o quanto tudo era estranho para o mais novo, o que o tornava alguém inseguro e resguardado como jamais fora com outra pessoa.
Partindo por essa linha de raciocínio, ela acreditava piamente que Shion estava usando esse sentimento de inadequação do homem ao seu favor, fazendo-o se sentir a vontade ao seu redor, como ele, às vezes, não se sentia ao lado do moreno.
Estalando a língua, ela tomou uma decisão. Zelaria pelos dois, uma vez que ambos estavam distantes demais para cuidarem de um relacionamento que, naquele momento, era quase inexistente.
Virando o volante, Karin encontrou o conjunto de prédios onde vivia com Sasuke e parou em uma vaga em frente ao seu bloco. Mal tendo paciência para manobrar corretamente, ela parou o carro do jeito que o encaixou a primeira vez, meio torto com relação à guia da calçada, e saiu, fechando a porta com um baque violento e acionando o alarme para trancá-lo.
Com um aceno para o porteiro, ele liberou a sua entrada, já acostumado com os rompantes mal-humorados da menina de cabelos vermelhos, vendo-a marchar com pressa até o hall de entrada, onde ficava o acesso aos elevadores, sem se importar com os chiados que seus tênis produziam no chão de mármore. Sua linguagem corporal agressiva atraía olhares temerosos, mas ela não ligou, por estar concentrada demais em seu objetivo.
Quando ela chegou em seu andar. Os seus movimentos eram automáticos: pescou a chaves dentro da sua jaqueta jeans resinada, abriu a porta, entrou e a trancou, para caminhar até o corredor que ligava a sala com os quartos.
Sasuke estava sentado em sua cadeira, em frente ao computador. A bermuda do pijama estava caída em seu quadril, mostrando os ilíacos salientes, e o peito estava desnudo, mostrando que ele não fizera absolutamente nada, além de ler algum livro qualquer, desde que tinha acordado. Suas pernas pálidas estavam apoiadas na superfície plana da mesa, onde havia um cinzeiro com um cigarro aceso em descanso desinteressado.
Em qualquer outro momento, Karin teria parado para apreciar a cena, mas agora, ela estava focada em outros fins. O Uchiha nem se deu ao trabalho de encará-la, habituado aos ataques enlouquecidos da rapariga. Mas, a partir do instante em que ela abriu o seu armário e começou a vasculhá-lo como se procurasse pela razão da sua vida, ele se levantou, pronto para dar um fim naquela atitude descompromissada. O moreno gostava de privacidade e ele ainda não dera liberdade à mulher para ela ir vasculhando os seus pertences daquela maneira.
No entanto, antes que ele pudesse chegar até a melhor amiga, um objeto fofo e mole bateu em seu rosto.
– Karin? — chamou com o timbre sério, quase ameaçador, retirando o tecido do seu rosto, para perceber que era uma de suas camisetas de malha preta, que por sinal fora um presente da ruiva em seu 19º aniversário. O decote da peça era um V profundo, ornado por botões que não fechavam e nem abriam. O pano era leve e, por esse motivo, marcava muito as curvas do seu corpo. Ele gostava da blusa, mas o que a Uzumaki queria fazer com ela, ainda era um mistério.
Vendo que ela não lhe responderia, ele decidiu insistir, principalmente porque a mulher estava pegando sua calça jeans de tingimento resinado e a jogando, sem um cuidado no mundo em cima da cama. Devido ao acabamento, a roupa parecia feita de couro, o que lhe dava um ar ainda mais misterioso e sensual, era a sua preferida e ao vê-la sendo tratada com tanto descaso, quase o deixou com raiva.
– Karin, o que pensa que está fazendo? — sua voz retumbou pelo cômodo numa demanda clara: ele exigia respostas.
– Nós vamos sair. — ela disse simplesmente e o moreno percebeu que ela não estava disposta a explicar a situação a não ser que ele fosse ainda mais incisivo.
– Karin. — segundo chamado em tom de aviso; mais um e ele perderia a paciência.
A resposta que ele recebeu, foi o baque forte das portas do armário se fechando. Os olhos negros a seguiram, enquanto ela andava até a sua sapateira e vasculhava os seus pertences mais uma vez. Não demorou nem meio segundo, até que a ruiva encontrasse um par de botas de couro e colocasse ao pé da cama, perto da calça. Sem qualquer satisfação, ela começou a sair do quarto, puxando a jaqueta para fora do corpo, com o intuito de se despir e tomar um banho.
Sasuke ficou meio período sem reação, olhando para a roupa separada com uma sobrancelha erguida, enquanto pensava nas últimas atitudes de sua melhor amiga louca. Tomando uma decisão, ele decidiu que não iria a nenhum lugar, até o momento que recebesse informações claras sobre o que estava acontecendo.
Marchando até a mulher, que, naquele momento, estava sentada na privada do banheiro da sua suíte, tirando os tênis clássicos da Converse All Star, ele a chamou pela terceira vez:
– Karin-
Começou, mas foi interrompido.
– Naruto vai sair com uma amiga e nós vamos juntos. — ela fez questão de frisar a palavra "amiga".
O Uchiha estreitou os olhos, enquanto considerava o olhar sério da ruiva. Ele ficou em silêncio, enquanto sopesava cuidadosamente a declaração enfática. Apertando a camiseta, que ainda segurava, entre os dedos, ele estalou a língua e desviou a atenção para a janela.
– Você a viu. — não era uma pergunta. Desde que ligara para Naruto há quase duas semanas, ele sentiu que havia algo errado naquela amizade repentina. Se o loiro não estava com outra pessoa, pelo menos tinha cogitado a hipótese de se envolver novamente. Naquele momento, ele entendeu um pouco a fúria da ex-namorada do Uzumaki, porque, mesmo que não soubesse o que estava acontecendo realmente, ele estava se sentindo trocado, como se o relacionamento que tiveram não tivesse significado absolutamente nada para o outro.
Ela o olhou atentamente, franzindo os lábios ao assistir a postura distante, quase derrotada, do rapaz à sua frente.
– Sim.
– E você acha que... — ele mal conseguiu formular a pergunta, engolindo em seco
– Não. — a certeza na voz feminina o surpreendeu. — Ainda não. — ela o avisou, chutando os tênis para o lado, debaixo da pia do banheiro. — Você tem sorte que Naruto está confiante de que você vai voltar... — acrescentou, vendo os olhos negros brilharem uma emoção diferente. O rosto continuava em branco, mas os orbes gritavam alívio para com a informação recebida. — Mas, — pausa. — ele está ficando inseguro e se você não lhe der um sinal de que pretende continuar, ela vai conseguir o que quer. — lançou um olhar penetrante. — Os dois estão grudados desse jeito, porque ela está o cercando, dando o que você está negligenciando... — acusou.
Sasuke odiava aquele tom acusatório, que fazia suas defesas se erguerem involuntariamente. Ele odiava ser responsável por algo que não tinha pleno controle. Não era somente culpa dele que ambos estavam distantes daquele jeito. Ele pediu um tempo, mas não acabou definitivamente com o relacionamento. Naruto que era carente e não conseguia se manter sozinho e tinha que arranjar algum tipo de estepe para substituí-lo. Se alguém era culpado por aquilo, era o primo idiota da sua melhor amiga. E se ele soubesse que aquele envolvimento lhe daria aquele trabalho todo, ele nem ao menos teria cogitado instigar o mais novo quando se conheceram.
Ele estava com raiva agora.
– Isso não é-
O Uchiha não conseguiu terminar o rosnado, porque a mulher praticamente voou em sua direção e lhe acertou um tapa espalmado na testa, que deixou a pele pálida avermelhada e o empurrou para trás.
– Nem ouse terminar essa frase. — ela ameaçou, fazendo-o engolir em seco. Karin estava tão ameaçadora quanto a primeira vez que o ameaçou de morte, em proteção a honra do irmão de consideração, naquela praia, depois do festival de música, onde havia conhecido Naruto. — Se você tivesse confiado nele e o deixasse te ajudar, ao invés de pedir um tempo, nada disso estaria acontecendo. — seu tom era grave e irado e, se ele fosse outra pessoa, teria se encolhido de medo. — Então, se você o quer tanto quanto diz, arque com as consequências dos seus atos e mostre para ele que se importa! — ela apontou para a porta, num aviso mudo de que ele deveria sair agora. — Ou eu a incentivo a pegar o homem que você ama.
Ônix e castanho-avermelhado digladiaram em um silêncio opressor. A ruiva estava falando sério e ele não estava pagando para duvidar de suas convicções. Karin era instável e bipolar, seus desejos mudavam de acordo com o seus interesses e, se ela visse que a tal amiga do Uzumaki merecia uma chance, ela lavaria as suas mãos para ele... E isso, Sasuke não queria.
– Me avise quando estiver pronta. — ele respondeu e saiu, tentando ignorar o sorriso satisfeito no rosto feminino.
Notas finais
Obrigada ao Eu Uzumaki Uchiha e a Nemesis pelas recomendações super fofas. Fico feliz em saber que sou merecedora de tantas palavras incentivantes e bonitas, vocês são demais! ♥
Espero que tenham gostado!
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