Dar-se Uma Chance
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Sentiram a minha falta? Digam que sim, só pra me deixar feliz, haha!
Eu estava precisando desse tempo bom e dessa pausa na minha rotina. Essa viagem me fez um bem danado sol, piscina, gente bonita e engraçada, muita música alta, cerveja e caipirinha , porque eu estava muito estressada. Eu já estava ficando sem inspiração e nem cabeça para escrever.
Voltando ao que interessa:
Eu estou chocada com o número de recomendações. Estou começando a achar que vocês são realmente exagerados, haha, porque eu não vejo a minha história como sendo tudo isso... Enfim... A voz do povo é a voz de Deus, então, quem sou eu para contradizer? Eu quero agradecer a Cris24, a AdriaLisandra, Mail Jeevas e Sabbatha-chan. Vocês são lindas e eu lhes morderia em gratidão, mas com muito carinho!
E quantas vezes vou ter de dizer que quem tem de agradecer SOU EU? Haha! Muito obrigada a todos os meus leitores!
E eu tenho que agradecer a minha nova revisora linda, que deixou o meu texto com outra cara! Ela deixou tudo à base da perfeição e eu nem preciso dizer que amei isso, afinal, nem sou virginiana convicta! :P
E espero que se divirtam!
Escrito por KiiinN
Revisado por SamaChan
"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil." — Clarice Lispector.
Capítulo 12
Naruto estreitou os olhos azuis, observando como um falcão o homem de cabelos platinados trocar o peso do corpo de um pé para o outro. Suigetsu sorriu casualmente diante do escrutínio do atual companheiro de Sasuke; ele jamais recuaria sobre o olhar intenso, principalmente pelo fato de ter começado a pequena troca de farpas. O ex-namorado do Uchiha poderia dizer, só com uma encarada, que o loiro era um rapaz de sangue quente, e que, se ele apertasse os botões certos, faria o outro pisar em ovos, sozinho.
– Do que está falando, Suigetsu? – o moreno cruzou os braços, aborrecido com a presunção do antigo amante.
– Não é somente para isso que ele serve, Sasuke? – provocou e tentou se aproximar do estudante de administração. – Para me substituir?
O Uzumaki rosnou quando viu o Hozuki chegar cada vez mais perto. Ele estava louco de raiva. Ainda pouco afetado pelo ciúme, mas, sobretudo, por causa das palavras desafiadoras. Se o macho não parasse logo de fazer insinuações sobre o que não sabia, ele teria que fazê-lo se calar com as próprias mãos. O jovem com o rosto marcado sabia – em partes – sobre a história do casal e tinha plena ciência sobre os sentimentos negativos que o mais velho nutria para com o homem.
Sasuke riu.
Ele verdadeiramente riu com a arrogância desmedida e sem motivos de Suigetsu. Balançando a cabeça de um lado para o outro com resignação, pegou o braço bronzeado do amante para puxá-lo e afastá-lo do ser incomodante, pois ainda tinha planos para Naruto esta noite e nenhum deles envolvia perder tempo com o seu ex-namorado. Ele teria conseguido o seu intento se o loiro tivesse se movido. O corpo do mais novo nem se mexeu, enquanto ainda encarava o rapaz de cabelos platinados com um brilho intenso e ameaçador.
– O que você quer dizer me chamando de substituto, seu grande saco de merda?! – a voz rouca estava tão grave que enviou um arrepio na espinha do Uchiha, que segurou ainda mais forte o bíceps bronzeado a fim de controlar qualquer ação do amante.
– Exatamente o que eu disse. Ou você é tão burro que não consegue entender o que um simples “substituto” significa? – esnobou com um sorriso afetado, pousando uma das mãos no quadril.
– A quem você está se referindo de burro, babaca? – cerrou os punhos, cada vez mais aborrecido. – Que eu saiba, o pedaço de asno é você, infeliz. Afinal, você mal consegue entender que nada de você interessa ao Sasuke!
– É isso o que pensa? – gargalhou o Hozuki, contrariando seu interior balançado pela verdade dita pelo “rival”. – Eu sei que o magoei há algumas semanas, mas nada vai impedir que eu o recupere de volta. Nosso relacionamento acabou há pouco tempo, você acha mesmo que ele não se sentiria afetado pelo cara que namorou há mais de um ano? Eu sei que Sasuke ainda gosta de mim.
O corvo rolou os olhos, pensando em como Suigetsu poderia ser ingênuo; era tão óbvio que ele jamais voltaria a olhar para o antigo companheiro como alguém além de um incômodo. O moreno só não conseguia entender porque o outro não percebia isso. Olhos escuros viram o Uzumaki se remexer desconfortável com a declaração, fazendo-o bufar em aborrecimento. Era só o que lhe faltava.
– Eu jamais voltaria para você, Suigetsu. — afirmou o Uchiha, totalmente impaciente. — Você acredita mesmo que eu retomaria o nosso namoro depois do que você fez? — riu debochadamente. — Eu não sou um idiota, esse cargo, eu deixo para você.
– O que esse cara sabe sobre você? — apontou para o loiro, que estava cada vez mais irritado e alheio na conversa. — Eu tenho certeza que ele não sabe metade das coisas que lhe fazem bem. — jorrou, tentando convencê-lo de que era melhor do que o atual parceiro do ex-namorado. — Será que ele tem alguma ideia do quanto você gosta quando ficamos de quatro para você? Ou que você adora se sentir dominador na cama? — quando ele assistiu olhos azuis se desviarem para o outro lado da boate e o moreno apertar os punhos para procurar se controlar, percebeu que havia alguma coisa errada na relação cor-de-rosa de ambos, fazendo-o sorrir ainda mais. — Oh. Eu acho que ele não sabe...
– Cala a boca. — mandou Naruto com a cara de poucos amigos.
– Peguei em alguma ferida? — provocou novamente, balançando os ombros em uma pose de descaso que contradizia com suas emoções.
O estudante de engenharia sabia muito bem do que o corvo gostava – e ansiava. Agora, mais do que nunca, se sentiu pressionado por não ter cedido ao que o amante queria mais cedo, pois teria se poupado desse sentimento involuntário de humilhação e incapacidade de satisfazer alguém tão importante para si. Ele tinha plena ciência de que se sentia bem com a forma que seu envolvimento com Sasuke estava caminhando, mas as manifestações desafiadoras do Hozuki estavam lhe abrindo uma porta de dúvidas, e ele não saberia dizer se o moreno se sentia da mesma maneira.
– Naruto, vamos embora. — o Uchiha tentou puxá-lo novamente, sendo ignorado mais uma vez.
– Eu não vou deixar essa situação assim, Sasuke. — fez um movimento brusco para tirar o braço do aperto fundamentado que o segurava. — Esse cara não vai sair daqui com um monte de conclusões precipitadas sobre nós; fazendo um monte de suposições e acreditando que pode tentar retomar esse namoro. — rosnou.
O moreno encarou os orbes azuis profundos, tentando ler as emoções confusas que eles transmitiam. Havia um toque de medo e desespero nas íris claras, juntamente com uma determinação de fogo – no fundo, no fundo, ele sabia que tinha algo mais, que não conseguiria colocar o dedo sobre o que era. Ele podia entender o porquê do Uzumaki estar tão inseguro, ao mesmo tempo em que replicava consigo mesmo, dizendo que o loiro não tinha motivos para tais temores.
– Nós não temos que dar satisfações para ele, Dobe. — retorquiu com seriedade, tentando demonstrar a sua própria segurança para amenizar a postura incerta do outro.
– Eu acredito que se ele está com medo e queira se justificar para mim, Sasuke, é porque têm motivos... — deleitou-se com um brilho de morte que recebeu do casal.
Naturo estava de saco cheio. Ele não queria admitir, mas as palavras do homem estavam tirando o melhor de sua pessoa, já nada tranquila. As declarações esnobes do macho de cabelos platinados pareciam atingir o seu interior, diretamente em seu ponto fraco naquele relacionamento. Ao invés de se sentar e lamentar essa realização, sua maneira de demonstrar que estava descontente era através da raiva, porque ele não era alguém que reclamava e não fazia nada sobre o que pensava e sobre o que queria. Ele iria mostrar para Suigetsu que nada do que o outro rapaz acreditava fazia sentido e, depois disso, daria um jeito de eliminar qualquer fraqueza em seu envolvimento com o corvo.
– Para mim já chega; eu vou matar esse cara! — avisou, antes de agarrar o colarinho da camiseta polo branca que o homem usava. Ele, a cada minuto na presença do outro, perdia lentamente sua razão e linha de raciocínio.
O Uchiha mal teve tempo de tomar uma reação. Ele praguejou baixinho por ter ficado desnorteado com a afirmação do loiro ao invés de tomar uma atitude sobre a situação que estava tomando proporções cada vez maiores. Ele sempre foi conhecido por ter reflexos rápidos nas aulas de artes marciais e, agora, o moreno só encarava a cena, atônito. Em dado momento, procurou saber se estavam chamando muita atenção, mas era tarde para agir com cautela, quando uma roda de pessoas curiosas já havia se formado ao redor do trio.
Kiba empurrava a multidão com impaciência, pois, assim que ele viu o seu melhor amigo no meio do que era, possivelmente, uma briga, seu estado semialcoolizado deu lugar a inquietação. O Inuzuka viu o Uzumaki segurando outro rapaz com um aperto forte e um olhar arisco, e apesar de homem ser mais alto do que o estudante de engenharia, o tatuado conseguia ver a diferença de força física; o mais novo tinha o corpo bronzeado construído por músculos firmes e definidos. Ele quase deu um sorriso, expondo seus caninos salientes, ao ter um familiar sentimento de adrenalina. Se precisasse, ele não hesitaria em entrar no meio.
Ele sabia que seu irmão de consideração dava conta, afinal, ele, Gaara e Naruto não foram considerados os encrenqueiros de Konoha Gakuen no Ensino Médio à toa. Na época da escola, os três formavam uma pequena gangue de desordeiros, que enlouqueciam e aterrorizavam todos os professores, a diretora e os pais das outras crianças. Ele perdeu a conta de quantas vezes Kushina, Karura e Tsume chegaram – arrancando os próprios cabelos – na secretária do colégio para se reunir com a administração da instituição de ensino. Eles só não foram expulsos, porque a velha mentora é avó do loiro.
Foi pela rebeldia que o Sabaku e ele tatuaram o rosto e Naruto escarificou as bochechas aos 16 anos. O gesto de "anarquia e revolução", como o grupinho costumava chamar, fazia muito sentido. Eles não queriam se encaixar dentro dos padrões perfeitos e restritivos ditados pela cultura japonesa, pois gostavam de ser diferentes. Atualmente, tendo amadurecido e adquirido uma nova perspectiva de vida, perceberam que há aspectos muito mais importantes para se preocupar; eles podiam ser eles mesmos, sem, necessariamente, causar uma baderna no "sistema".
Hoje, eles pensavam duas vezes antes de recorrer à violência para resolver os problemas, mas quando a briga batia na porta e os desafiava, era quase impossível resistir à tentação de se deixar levar pela adrenalina da luta.
– O que aconteceu? – um familiar ruivo apareceu ao seu lado com o rosto pálido amassado em confusão.
– Eu não sei, quando olhei, o idiota já estava metido nessa confusão... — Kiba via, um pouco afastado, que o seu melhor amigo respondia a algo que lhe foi dito com uma expressão alterada.
Do outro lado da cena, Karin e Juugo se aproximaram do trio. A primeira estava ofegante e parecia ter corrido uma maratona para ter chegado até ali. Ela puxou o pulso pálido de Sasuke para chamar a sua atenção, mas foi prontamente ignorada, já que o Uchiha estava mil vezes mais atento na tensão que se construía entre os dois loiros, que se encaravam como se fossem se matar a qualquer momento.
– Dobe, largue o Suigetsu. — pediu o Uchiha com tranquilidade, embora estivesse tão aborrecido quanto os outros envolvidos. Ele tentou puxar a parte traseira da camiseta branca que o amante usava; sem sucesso.
– Ele não vai fazer o que você pediu, porque ele é um ogro mal educado que não sabe resolver seus próprios problemas com uma conversa civilizada. Tenho certeza que ele mal processou o seu pedido, de tão burro que deve ser... — debochou o Hozuki mais uma vez. — Você não vê que ele só irá te prejudicar? Esse imbecil não sabe lidar com as pessoas, como saberá te fazer feliz, Sasuke?
O moreno iria responder, mas foi interrompido pela voz rouca e grave do Uzumaki.
– Já que você não sabe calar a boca sozinho, pode deixar que eu a faço calar por você. — o tom agressivo foi seguido de um forte soco na mandíbula do outro rapaz, que cambaleou para trás, mas foi impedido de cair pela outra mão bronzeada que ainda segurava o colarinho da blusa em um aperto de morte. Naruto só pensava em fazê-lo ficar quieto e tudo o que conseguia ver era vermelho em sua frente.
O Hozuki sentiu o gosto de sangue e uma dor alucinante no maxilar. Ele tentou mover a boca, mas não conseguiu, porque o estudante de engenharia conseguiu deslocar algum osso do buco-maxilo com a intensidade do seu golpe. O corvo agarrou os ombros do mais novo com o intuito de afastá-lo do ex-namorado, mas o amante parecia se recusar a largar a roupa e o contato visual com aquele que considerava uma ameaça. Sasuke entendia a pose defensiva, mas precisava mantê-lo o mais longe possível do outro. Antes que ele conseguisse realizar o seu intento, seu antigo companheiro se moveu para se aproximar do loiro.
– Merda! – o moreno rosnou entre dentes, enquanto tentava segurar o mais novo e Suigetsu ao mesmo tempo.
– Filho da puta, eu vou acabar com você! — o rapaz de cabelos platinados murmurou com dificuldade, por causa do incômodo em seu rosto, que já ficava com uma grande contusão roxa.
Os dois homens tentavam sair do controle acirrado do Uchiha para continuarem com a briga. O moreno percebeu que ambos mal reparavam em sua figura entre eles, tão preocupados que estavam em matar um ao outro. Era visível que, além do ciúme, existia uma batalha de egos. Pelo pouco que o corvo conhecia do Uzumaki, ele sabia que o estudante de engenharia não aceitava que fizessem pouco sobre a sua pessoa e subestimassem sua capacidade de realizar o que queria. E ele também tinha ciência de que seu ex-namorado não conseguia se convencer que suas chances foram passadas para outra pessoa — na verdade, o Uchiha não via qualquer possibilidade de retorno para seu velho relacionamento, como o outro enxergava.
Vendo a dificuldade do amigo, Juugo puxou o Hozuki com força – sem opções, Naruto teve de largá-lo. O mais velho agarrou o rosto bronzeado, e com marquinhas de bigodes de raposa, entre as mãos e praticamente o obrigou, silenciosamente, a encará-lo. Quando azuis cerúleos e negros ônix se encontraram, o loiro sentiu como se uma avalanche contraditória de emoções o atingisse, mas o que mais se destacou foi a calmaria súbita que o preencheu. Repentinamente, ele se deu conta do que estava fazendo e arregalou os olhos, enquanto assistia a expressão séria do homem diante de si.
– Sasuke... – balbuciou atordoado.
– Você não precisa disso, Usuratonkachi... – resmungou, menos irritado do que estava antes, ao perceber o estado mais relaxado do Uzumaki.
Vagarosamente, ele soltou o amante, ainda meio receoso de que Naruto pudesse dar uma de louco novamente e atacasse Suigetsu, que ainda era mantido pelo cárcere de Juugo. A multidão, ao ver que a briga tinha abrandado, começou a se dispersar, enquanto cochichavam sobre a discussão. Dois seguranças, tardiamente, apareceram com as expressões fechadas, perguntando se estava tudo bem ou eles precisariam jogar os baderneiros para fora da boate.
O melhor amigo do corvo, não sentindo mais nenhuma ameaça por parte do rapaz de cabelo platinados afrouxou o aperto que o mantinha no lugar. Antes que ele pudesse reagir, o macho estava partindo para cima do loiro, em uma tentativa de resgatar o orgulho ferido. O Hozuki assistiu a interação entre o casal e se sentiu ainda mais irritado, pois percebeu que nada do que fizesse, poderia lhe dar o moreno de volta.
Ao menos, ele poderia se sentir vingado depois que acabasse com atual companheiro do seu ex-namorado.
As ações seguintes foram um flash confuso para as pessoas que ainda assistiam a cena. Todos os amigos dos enamorados, inclusive o próprio Uchiha e Uzumaki, não tiveram reação para a ação seguinte.
– Seu desgraçado, eu ainda não terminei com você! – rosnou, avançando para cima da figura bronzeada do estudante de engenharia.
Naruto até tentou se desviar do punho que veio de encontro ao seu rosto, rasgando o ar com velocidade, mas não conseguiu impedir que o golpe acertasse o seu nariz. Ao longe, ele pôde ouvir um grito feminino, embora não tenha pagado muita atenção para o som. Ele mal ligou para o sangue que escorria pela sua boca e pelo seu queixo, quando agarrou o braço que havia o atingido para puxar o corpo a fim de posicioná-lo de frente para o seu. Com a mão livre, ele empurrou o tronco do rival para baixo, ao mesmo tempo em que seu joelho voava contra o estômago magro do antigo parceiro de Sasuke.
Suigetsu cuspiu o líquido vermelho que subiu pela sua garganta e gemeu de dor.
O loiro teria continuado a sessão de troca de socos e chutes, mas foi fortemente agarrado por um dos seguranças, enquanto o Hozuki era amparado pelo outro.
– A diversão para você acaba por aqui. – exclamou o homem, enquanto puxava o ex-namorado do moreno para fora.
– Vou deixá-lo aqui, porque eu vi que não foi você quem começou a briga, mas saiba que mais uma gracinha, você está fora; entendido? – rosnou o funcionário da Dragon Men.
– Sim, senhor. – deu um sorriso de raposa, que o deixou com uma expressão ainda mais ameaçadora e debochada por causa das cicatrizes que se salientaram com o repuxar da pele e o sangue que escorria de sua narina. O jogo de luzes parecia dar à íris azuladas uma tonalidade vermelha. O guarda sentiu um leve arrepio na espinha.
“Estou começando a ficar cansado, pois estou imaginando coisas...”, resmungou o segurança para si mesmo, afastando-se do grupo.
– Eu já volto. – murmurou o Uchiha, virando as costas e indo para a mesma direção onde Suigetsu foi levado.
Ele não viu um par de sobrancelhas douradas se franzirem em descontentamento.
(***)
– Suigetsu...
Suigetsu estava avaliando o estrago feito em seu rosto no reflexo do vidro da porta do passageiro de seu carro, antes de ser chamado pela voz que menos esperava no momento, ainda mais depois do que havia feito. No lado esquerdo de sua mandíbula tinha uma grande nódoa roxa, quase negra, e um inchaço evidente, que deixava a face cinzelada um tanto disforme. Ele se virou para encarar os olhos negros de Sasuke Uchiha.
– Veio rir de mim, Sasuke? – perguntou com amargura em seu tom de voz.
A expressão em branco o moreno continuou impassível perante o olhar caído do ex-namorado. Ele enfiou as mãos pálidas nos bolsos dianteiros da calça jeans e mudou o peso de um pé para o outro. O estudante de administração só foi até ali, porque precisava confrontar o antigo companheiro para evitar que situações como essas se repetissem mais uma vez.
– Espero que você entenda, de agora em diante, que nosso relacionamento não tem mais volta. – apesar do timbre calmo, o corvo falava com uma dureza de aço. – Eu achei que isso tivesse ficado bem claro quando o flagrei com outra pessoa e devolvi todos os seus pertences na mesma semana, mas, pelo visto, você é idiota o bastante para não ter tomado a dica.
– Eu errei, Sasuke. – admitiu o loiro. – Eu não queria que as coisas terminassem desta maneira... Eu gosto de você e quero continuar do seu lado, mas você não me deu uma chance para me justificar. Eu só te traí, porque...
Sua frase foi bruscamente cortada por um rosnado do Uchiha.
– Agora você está querendo justificar a sua falta de fidelidade? – apertou os punhos dentro dos bolsos. – Não importa o que você diga, nada vai fazer com que eu mude a minha decisão.
O pior de saber que foi traído, não era o conhecimento do fato em si, mas o sentimento negativo que o corroia com a lembrança. Ele nunca se sentiu tão enganado e tão ingênuo como nos dias que se seguiram após a descoberta. Seu orgulho foi ferido e toda a sua autoestima tinha ido embora, devido ao pensamento constante de não ser o suficiente para o seu parceiro, ao ponto de ele ter escolhido recorrer à outra pessoa. Ele tinha plena ciência de que não era alguém de fácil convivência, mas para Sasuke, nada justificava o que o Hozuki havia lhe feito.
Por mais narcisista que o Uchiha pudesse ser, demorou um bom tempo para o moreno recuperar sua autoconfiança. Ele sentia os reflexos da ação de Suigetsu em seu atual relacionamento com Naruto, pois, vez ou outra, ele encontrava-se duvidando da sua própria capacidade em conduzir o envolvimento que ele tinha com o loiro. E mesmo que Karin tenha pedido para que ele não comparasse os dois homens, involuntariamente ele se via desconfiado do Uzumaki.
– Eu sei que não, embora tivesse esperanças para que me aceitasse de volta. – apoiou-se no carro. – Eu te quero, porque realmente gosto de você, Sasuke, mesmo que não mereça, porque você é um desgraçado. – apontou. – Depois daquele dia, em que estava com Sai e que você nos pegou juntos, eu percebi que ninguém poderia substituir o que você é para mim: alguém de suma importância na minha vida.
– Se gostasse de mim tanto quanto gosta de frisar, nem teria cogitado em ficar com esse cara, pois saberia, de antemão, que ninguém substitui o valor de uma pessoa, principalmente alguém que se ama. – respondeu, começando a virar as costas. – Você, melhor do que todos, deveria saber que Naruto não é um mero substituto do que um dia você significou para mim. Afinal, como fez questão de destacar, eu sou um desgraçado e jamais deixaria qualquer pessoa entrar na minha vida.
O Hozuki até tentou interromper o discurso para tentar convencer o moreno mais uma vez, mas perdeu a voz quando ouviu a continuação que anunciava o fim do diálogo.
– Eu o amo, Suigetsu, e se eu te ver tentando arruinar o meu relacionamento mais uma vez... – roubou um olhar na direção do loiro. – Eu te mato. – e entrou novamente na casa noturna.
O homem sentiu um arrepio de medo com o tom incontestável usado pelo Uchiha.
(***)
Sasuke passou no espaço reservado para fumantes, antes de tentar procurar Naruto, pois estava irritado e precisava se acalmar um pouco antes de enfrentar o outro rapaz. Ele encontrou Neji, que sussurrava algo no ouvido de uma tímida Hinata. Os dois estavam bem próximos e sem querer ele se lembrou de uma conversa que o Uzumaki teve com Ino na primeira noite em que se conheceram. Sem se importar com o possível clima que estaria interrompendo – parte da sua retaliação pela Hyuuga ter quebrado um momento dele com o estudante de engenharia mais cedo naquele dia –, pegou no ombro do macho, assustando-o a ponto de fazê-lo se afastar da garota.
A morena corou violentamente, talvez, apenas dando-se conta de como ela e seu primo estavam próximos naquele momento.
– Onde está o Naruto? – perguntou diretamente, dispensando delicadezas.
– No banheiro. – resmungou o outro, irritado.
O corvo nem ao menos agradeceu, antes de se dirigir ao toalete unissex do clube. Quando ele entrou, o local estava cheio de pessoas brigando por um espaço em frente ao espelho e conversando em volumes altos para se fazerem ouvir acima do som ensurdecedor da música na pista. Ele encontrou o Uzumaki sentado na pia, com a Yamanaka entre suas pernas, pressionando um pedaço de papel no nariz do loiro; Gaara e Kiba estavam junto ao grupo pequeno.
– Eu não sou uma enfermeira, Naruto. Quem deveria avaliar melhor o estrago é a Testuda, mas eu acredito que só deve estar deslocado. – ela tirou o papel para tentar olhar por dentro. – Eu acho melhor você ir a um pronto-socorro e tirar uma chapa dessa lesão. – disse, enquanto observava a narina, normalmente fina e cinzelada do loiro, agora levemente inchada. – Você consegue respirar?
– Normal... – deu de ombros, lançando um olhar de soslaio para o moreno, que parou ao lado do ruivo.
– Certo. – se afastou. – Não acho que vai sangrar mais, mas em todo o caso, fique segurando esses papeis para ter certeza. – ela roubou uma encarada no moreno e acenou com a cabeça afirmativamente, antes de agarrar os outros dois amigos e puxá-los para fora do banheiro.
Ela sabia que o casal precisava ficar sozinho por um tempo.
– Você está horrível... – Sasuke murmurou com diversão.
– Obrigado por constatar o óbvio, bastardo. – resmungou, desviando os orbes azuis cerúleos para algum ponto da parede atrás do Uchiha.
– Está doendo? – perguntou suavemente, estreitando os olhos levemente para o comportamento anormal do mais novo.
– Um pouco... – dando de ombros. – É suportável... – balbuciou, não sabendo mais o que dizer.
Naruto abaixou a cabeça, ainda segurando firmemente as toalhas de papel de encontro ao nariz inchado. Ele estava chateado. Ver o corvo seguir o mesmo caminho que Suigetsu, ao invés de se preocupar com ele, fê-lo se sentir terrivelmente rejeitado. O loiro sabia que estava agindo como uma garota sensível, mas ele não conseguia se autoajudar; não quando ele ainda não tinha certeza sobre o que o moreno sentia. Ele respirou fundo, tentando recuperar a sua confiança perdida, antes de focar sua visão nas íris negras. Afinal, ele não poderia sair por aí agindo feito uma menina magoada e temperamental, que espera o parceiro adivinhar o que se passava em sua cabeça; ele já passou muito por isso com Sakura e sabia o quanto era desagradável.
– Divertiu-se com o seu ex-namorado? – ele não conseguiu segurar a indagação que saiu de sua boca em um tom jocoso.
Ele – só – não podia evitar em lidar com a situação como se fosse uma mulher possessiva. O Uzumaki sentia vontade de amuar como uma criança mimada por ciúme.
Sasuke ergueu uma sobrancelha, a principio, com incredulidade. Quando as palavras do amante afundaram dentro do seu cérebro, ele mal conteve um sorriso de Cheshire que se formou em seus lábios.
– Deixe-me ver o seu nariz... – assistiu o homem soltar um “tsk”, antes de fazer um bico emburrado e tirar o papel que cobria aquela parte específica do seu rosto.
O Uchiha avaliou por um minuto e tentou tocar na pele que cobria os ossos que compunham a base da narina, ganhando um silvo de dor e fazendo Naruto se afastar por reflexo.
– Isso dói, teme! – exclamou, tentando esconder a face entre as mãos.
– Pare de agir feito um gatinho assustado, eu mal consegui me aproximar... – rosnou, começando a ficar mal humorado; o Uzumaki estava agindo feito um pirralho que lhe foi negado um doce.
O loiro resmungou algo ininteligível e expôs o rosto novamente, dando a liberdade de Sasuke fazer o que quisesse. O moreno olhou por um tempo, com um brilho crítico nas íris negras e tentou, mais uma vez, tocar a lesão, fazendo o mais novo chiar de leve, embora não tenha se afastado. O corvo pegou os papéis abarrotados e os jogou no lixo.
– Eu creio que não sangrará mais e também não acho que quebrou, mas o inchaço vai demorar um pouco para sumir, o que é uma pena... — segurou o queixo quadrado da face bronzeada. — Não gosto de nada deformando esse rostinho bonito.
– Não sei o motivo de estar tão preocupado agora. Por que não continuou com o Suigetsu do lado de fora? — perguntou com sarcasmo.
O Uchiha contorceu a expressão em uma careta de desagrado. Naruto não ia deixar o assunto passar. Ou ele resolvia isso, ou o mais novo o pressionaria até esclarecer o mal entendido. Mesmo o conhecendo há pouco tempo, o estudante de administração já percebeu que o amante jamais desistia de algo quando realmente queria, porque tinha uma cabeça muito dura para simplesmente deixar algo passar pelas suas vontades.
O irônico da situação é que quando o moreno precisou saber o porquê de ter sido ignorado, o loiro nem ao menos fez questão de se explicar, deu-lhe apenas um "não quero conversar sobre isso agora" e foi embora abraçado com a garota Hyuuga. A culpa também era de Sasuke por não ter paciência de ficar discutindo o assunto, mas se o homem de olhos azuis achava que tudo iria ficar por isso mesmo, ele estava redondamente enganado.
– Eu não quero conversar sobre isso, Dobe. — franziu o cenho.
Essa era a sua vingança para a falta de diálogo do companheiro.
– Tem razão! Não é nem da minha conta o que você e seu namoradinho fazem ou deixam de fazer. — rosnou com as sobrancelhas douradas vincadas em fúria.
O corvo até tentou replicar a declaração enciumada do outro, mas ele mal teve tempo de raciocinar, antes que o amante o afastasse e partisse, pisando duramente no chão, para a pista de dança. Ele amaldiçoou mentalmente o seu orgulho, que por vezes, falava mais alto que a razão. Sem querer, o rapaz de cabelos negros deixou o loiro, já há muito aborrecido, ainda mais nervoso, e quando isso acontecia o Uzumaki perdia completamente a capacidade de raciocínio, tornando-se ainda mais impulsivo e ainda mais sujeito a fazer besteiras.
(***)
Naruto estava procurando Kiba, mas quando o encontrou, acabou por mudar de ideia, pois o rapaz parecia estar envolvido em uma conversa bem séria com Ino. Mudando o rumo dos seus passos, ele se dirigiu até Gaara, que estava encostado no balcão do bar conversando com Lee, TenTen, Shikamaru e Temari. Ele fez um gesto pequeno com a cabeça para indicar ao melhor amigo que precisava conversar, sem ninguém por perto. Quando o ruivo se aproximou da figura visivelmente fumegante do loiro, ele enfiou as mãos nos bolsos dianteiros da calça jeans preta em modelagem Slim Fit, esperando o outro começar a derramar o seu temperamento.
– Eu vou para casa. — avisou e sem esperar uma resposta, começou a se afastar, sendo impedido pela mão pálida do Sabaku.
– Tem certeza? — ele simplesmente perguntou, percebendo que o loiro não estava a fim de conversar. — Quer que eu vá com você?
– Faça o que quiser. — deu de ombros, andando até a saída.
O estudante de engenharia ficou aliviado que o outro rapaz não fez tantas perguntas. O Uzumaki assistiu de longe o rapaz conversar com a irmã mais velha e voltar calmamente para onde ele o esperava. Ambos caminharam em silêncio para fora do estabelecimento, apreciando o vento gelado que anunciava o começo do outono até chegarem onde o Mustang 68 estava estacionado. Sasuke tinha vindo com o loiro, mas como Karin tinha pegado o próprio carro, deduziu que o homem não ficaria sem carona para casa.
Os dois entraram no automóvel simultaneamente, logo partindo em direção a Niigata.
Naruto só precisava sair e deixar de lado essa noite desastrosa.
Notas finais
Primeiro de tudo, quem terminou o relacionamento entre o Naruto e a Sakura, foi a própria Haruno e, por mais que ela tenha demonstrado um interesse no Sasuke, ela jamais atrapalharia o atual envolvimento do seu ex-namorado, quando eu deixei bem claro, desde o começo, que a rosada considerava o Uzumaki como um bom amigo. Apesar de o loirinho ter ficado um tanto chateado, a quebra do vínculo que eles tinham foi bem amigável... De certa maneira...
Ao contrário do Suigetsu, que não sei se vocês lembram, mas eu citei no capítulo dois que ele tentou retomar o namoro com o Sasuke, logo, seria natural que o primeiro tentasse impedir o segundo de ser feliz, porque não o envolvia... Entendem? Eu sei, posso ser bem confusa quando eu quero! x/
A partir de agora, vocês começarão a ver o quanto o relacionamento entre Sasuke e Naruto é instável. Os dois ainda carregam mágoas dos namoros anteriores e isso acaba se refletindo no envolvimento atual. Há muitas desconfianças, medos e inseguranças, que os impedem de se entregar à felicidade e ao amor plenamente. Fora que a experiência dos dois é muito inédita, principalmente pro Naruto, que está com um homem pela primeira vez. Sem querer, o ser humano tende a refletir os antigos namoros nos atuais, porque nem todo mundo sabe separar uma pessoa da outra, é um saco! Um exemplo disso é quando alguém acha que todos os homens são canalhas e todas as mulheres são vigaristas.
Enfim... Cansei de escrever. Espero que eu tenha esclarecido algumas coisas pra vocês... Eu sei que muitos devem ter entendido, mas vai saber se eu não deixei claro no enredo, né?! Melhor prevenir do que remediar, hehe.
Beijocas! ♥
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