Dar-se Uma Chance

9 Atração – Parte 9/9


Notas iniciais
Reestruturação dedicada à fran_silva.

Fixação (substantivo feminino):
1. Ação ou efeito de fixar (-se);
2. Ato ou efeito de tornar equilibrado, estável;
3. Recomendação precisa; determinação, marcação;
4. Retenção em (memória, espírito); memorização;
5. Grande interesse; atração;
6. Qualquer dos processos pelos quais um composto ou elemento químico é convertido em uma forma utilizável pelo ser vivo;
7. Operação a que se submete uma emulsão fotográfica, depois de revelada, para a remoção dos sais de prata não utilizados;
8. Interesse ou ligação emocional de origem psicossexual cujo estabelecimento remonta à infância.

Ainda era o início de tarde de uma terça-feira, quando Sasuke saiu acabado de uma aula longa e exaustiva sobre Comunicação Empresarial. O seu celular tinha vibrado em seu bolso a manhã inteira e ele não quis ver as notificações, tentando se atentar ao discurso do professor a respeito dos stakeholders. Ele já tinha até uma ideia de quem estava o perturbando tão cedo: Naruto.

O homem simplesmente não desistia. Ele começava com uma mensagem de “bom dia” e emendava um assunto no outro, aleatoriamente e em momentos distintos, sem se importar se o Uchiha fosse responder ou não. Ele apenas contava tudo! O que sua mãe disse na hora do café, o que aconteceu na faculdade e foi um absurdo ou foi muito legal, avisava se ia comer no Ichiraku ou apenas almoçaria na empresa dos pais. Ele narrava sempre algum ponto marcante do trabalho e, à noite, quando Sasuke se dava o trabalho de olhar o Line, a conversa deixava de ser unilateral e os dois passavam horas conversando por chamada de vídeo. Às vezes, até um deles cair no sono.

Ele estava facilmente se acostumando com a atenção frequente, mesmo não sendo de o seu feitio dar corda às conversas fúteis do dia a dia. Mas, ele gostava de ler o que o Uzumaki tinha a dizer, mesmo com os erros de digitação na pressa de concluir uma ideia, que muitas vezes não era concluída. Era engraçado e ele se flagrava sorrindo sozinho quase sempre para algum acontecimento X que só era possível acontecer na vida de Naruto, porque pessoas imprevisíveis parecem chamar situações ainda mais imprevisíveis.

Movido pela curiosidade, ele equilibrou os livros que precisava ler em um braço e tentou pescar o telefone no jeans. No último texto, leu: “Não sei porque eu insisto, você nunca responde mesmo!”, seguido de um sticker de uma raposa com raiva.

Sasuke riu sem se preocupar com as pessoas em volta.

E digitou um apressado: “Eu estava na aula, dobe. Você sabe que não costumo olhar o celular, quando estou em classe. Já estou indo para casa!”. O loiro sempre chiava com as suas demoras, mas o Uzumaki também deixara bem claro que eram apenas reclamações vazias, uma vez que ambos entendiam que tempo era algo complicado em época de graduação. Muitas vezes, ambos não conseguiam se pegar com horas livres no mesmo momento, então, a comunicação tinha lacunas. Vez ou outra, ele só conseguia responder Naruto no dia seguinte e, vez ou outra, era o mais novo que passava horas sem enviar um emoji sequer.

Eles tinham compromissos para atender e tentavam ser compreensivos um com o outro. Além disso, eles viviam em pontos meio afastados. Os finais de semana eram o que restavam para que os dois pudessem aproveitar a companhia. E só ele sabia o quanto já estava sentindo falta do homem em sua cama, da pele nua contra a sua pele também nua, do abraço quentinho, das provocações e do sexo gostoso.

Suspirou.

Isso porque Naruto só tinha passado uma noite em seu apartamento. E ele nem era tão chegado ao sentimentalismo, uma vez que tinha crescido e fora criado em uma família emocionalmente distante, que prezava a racionalidade acima de tudo e era seca em quase todas as atitudes. No entanto, lá estava ele, parado no canto de um corredor movimentado da Nagano University, encarando a tela do smartphone e pensando numa maneira de sequestrar o Uzumaki e trancá-lo no seu quarto para que ele atendesse às suas necessidades sempre que quisesse.

Antes que pudesse guardar o celular novamente, o Uchiha sentiu algo indo de encontro ao seu ombro com violência, fazendo todos os livros se desequilibrarem do braço e se espalharem pelo chão. Por reflexo puro, ele apenas se abaixou para arrumar as edições, sem olhar para o motivo que o tinha feito derrubar tudo.

— Você era muito mais atento, Sasuke...

A voz conhecida quase ecoou pelo corredor vazio e ele congelou por um instante, tenso com a perspectiva de ter que ligar com ninguém mais que Suigetsu Hozuki. O homem se abaixou para ajudá-lo a recolher a bagunça.

Sasuke suspirou para acalmar o temperamento.

— Se você estava tão atento, poderia ter se desviado, idiota. – grunhiu, terminando de pegar os livros e arrancando os cadernos que o ex-namorado segurava.

— Sempre tão receptivo... – comentou acidamente.

O moreno parou para encarar os olhos claros do rapaz à sua frente.

— Apenas com quem merece. – rebateu com impaciência e se levantou.

Ele estava prestes a sair, quando o outro agarrou o seu pulso.

— Sasuke, eu acho que a gente precisa conversar. – Suigetsu prosseguiu, apertando o braço entre os dedos, como se pudesse dissuadir o Uchiha a ficar.

Um minuto de silêncio se seguiu. Por um momento, o Hozuki acreditou que Sasuke estava pensando sobre o seu pedido.

— Não temos mais nada para conversar, Suigetsu. – murmurou, olhando-o. – Você deixou suas escolhas bem claras, quando decidiu... – relutou em dizer aquilo que o machucava em voz alta e, por fim, cuspiu o que precisava ser dito. – Você me traiu; você decidiu sozinho que nosso relacionamento precisava terminar. – olhou para a mão que o segurava. – E acabou.

Suigetsu o encarava um pouco surpreso com a tranquilidade relutante, mas firme que as íris escuras transmitiam. Seu coração se apertou dolorosamente e ele quase afrouxou o aperto no pulso, mas algo em seu interior ainda resistia. Ele não queria que acabasse. Ele tinha se arrependido.

— Será que é tão difícil para você me perdoar? Eu errei, eu confesso! – seus olhos se agitaram, enquanto ele procurava palavras para expressar o que pensava. – Todo mundo erra, Sasuke. Você errou também, ou você acha que eu gostei de ser tratado como merda por todos esses anos? Você acha que é bom demais para as pessoas e não deixa ninguém te alcançar. – apontou. – Eu aguentei a sua indiferença tentando me convencer que era apenas o seu jeito de lidar com as coisas e o desprezo da sua família, por saber o quanto é difícil para você, mas você procurou me entender? – franziu a testa. – Você ao menos conseguiu me enxergar como seu namorado?

Sasuke puxou o braço com brusquidão, como se estivesse enojado. O coração queimando aos pulos com as acusações.

— Você poderia ter saído fora, se não podia lidar com tudo isso. Se eu sou tão ruim para você, por que insistir em voltar?! – perguntou com ira, esquecendo-se de que estavam no meio de um corredor onde pessoas circulavam livremente e poderiam presenciar a discussão. – Se não estava feliz, era só sair fora que eu não te seguraria, mas você ficou e não pensou em nenhum momento como eu me sentiria. Você me humilhou, Suigetsu. Mais do que me trair com aquele... – parou como se a menção do homem o deixasse doente. – Você me humilhou e eu não vou me esquecer disso!

Os dois se encararam com firmeza, cada um tentando se valer por seus motivos.

— E outra – o Uchiha continuou. –, a fila andou, Suigetsu. – disse, fazendo-o arregalar os olhos com surpresa e apertar as mãos em punhos. – Eu estou com outra pessoa agora. O quê? Você achou que eu ia perder meu tempo, remoendo o nosso término? – fingiu surpresa com a reação do outro. – Me faça um favor? Siga com a sua vida, porque eu estou seguindo com a minha. – encerrou, dando as costas para o homem e ouvindo um punho encontrar com a parede, antes de virar o corredor.

(***)

Sasuke ainda passou em um mercado, antes de ir para o apartamento. A despensa estava ficando sem suprimentos e ele precisava renovar o estoque, já que Naruto tinha acabado com o resto de comida que tinha. Ele queria fazer uma compra decente, mas como seu carro ainda estava na casa dos pais em Niigata, ficava difícil sair por aí carregando as sacolas do mercado e a mochila da faculdade, pesada com os livros.

Logo no hall do andar, ele pôde sentir o cheiro de comida. Ao abrir a porta, o odor ficou ainda mais evidente e sua barriga roncou em protesto. Sorte que era o dia de Karin cozinhar e ela saía mais cedo às terças, porque ele morreria de fome se fosse esperar o tempo de preparar algo aceitável.

Tirou os sapatos, largou a bolsa em cima do sofá e foi até a cozinha.

— O cheiro está bom! – comentou casualmente, parando ao lado dela para ver que ela fritava pequenos gomos de shimeji na manteiga.

A ruiva sorriu, reconhecendo a presença familiar.

— Já vai ficar pronto... – garantiu com um olhar tranquilo, voltando a prestar atenção no fogão à frente. – Como foi o dia até agora? – indagou.

— Hn. – grunhiu, sem vontade de contar para Karin que tinha encontrado Suigetsu, mas precisando tirar o acontecimento do seu sistema. – Estava indo muito bem até esbarrar “num certo alguém” no corredor do campus. – a forma como disse atraiu o foco da mulher. – Ou melhor, ele esbarrou em mim de propósito, derrubou todos os meus livros no chão e quer voltar.

Ele estava fingindo naturalidade, enquanto tirava as compras dos sacos de pano.

— Espera! – pediu. – É de Suigetsu que estamos falando? – inquiriu, agitando hashis na direção do amigo. – É muito abuso desse infeliz! – exclamou indignada.

— Hn. – concordou. – Me responda: eu me acho melhor que as outras pessoas e não reconheço sentimentalmente aqueles com que me envolvo? Mesmo na amizade? – titubeou, mas perguntou, querendo tirar as palavras do homem da sua cabeça.

— Sasuke... – murmurou o nome do amigo, como um lamento. – Ele te disse isso para jogar a culpa da traição em você? É muita cara de pau! – rebateu com mais raiva.

— Me responda sinceramente, por favor... – murmurou em um tom assertivo, vendo que ela ia começar a se desviar do assunto para resmungar sobre o quanto o Hozuki era a pior pessoa que ela já conheceu.

Ela suspirou e jogou molho de soja para adicionar cor aos cogumelos na panela.

— Eu acho que você é muito mal interpretado, Sasuke. – começou, fazendo-o franzir a testa em confusão. – Quem não te conhece, pode te achar meio insensível, sim, e arrogante, mas a verdade é que as pessoas não conseguem entender o seu jeito. É só mais uma prova de que Suigetsu nunca se deu ao trabalho de te compreender. – articulou simplesmente com um encolher de ombros. – Se eu me sentisse mal pelo seu comportamento, eu não estaria aqui, concorda? Só que você cuida de mim, está sempre de olho para saber se eu estou bem ou preciso de alguma coisa, mesmo que não expresse isso o tempo todo. Debochado? Você é mesmo, mas eu nunca me senti insegura, porque, por trás das suas piadas irônicas, seus olhos brilham, quando eu conquisto algo e, nesse momento, eu sei que você está feliz por mim.

Ela sorriu e desviou o olhar do que fazia para encará-lo.

— Ele não mexe comigo, Karin, mas a traição dele, sim. – finalmente admitiu. – Ouvi-lo dizer que eu sou o culpado me fez perguntar se eu também não foderia as coisas com Naruto; que não importa com quem eu esteja, eu jamais serei o suficiente.

— Ya! – gritou para calá-lo. – De onde veio toda essa merda?! – contestou incrédula. – Eu juro, eu vou matar o Suigetsu! Não tem sentido nenhum, ele te responsabilizar pelas próprias escolhas. Ele te traiu, porque tem um desvio de caráter enorme. Não é culpa sua, não se esqueça disso! – tentou deixar claro.

— Hn. – rebateu simplesmente, cansado daquela conversa e sem saber se sentia convencido ou não. Suigetsu lhe atingira num nervo sensível.

— Você é um homem de poucas palavras, Sasuke. – a ruiva continuou, vendo que ele ainda parecia meio abatido. – Já o Naruto é um homem de muitas palavras. Vocês vão se tornar um casal muito bem equilibrado. – tentou brincar e ganhou um olhar contrariado como resposta. – Eu estou brincando, mas é sério. Uma das maiores e melhores capacidades do meu primo bobão é que ele tem uma habilidade estranha de ler as pessoas. Em poucas horas, ele já conseguiu distinguir seus grunhidos, não foi? Se o relacionamento não der certo, não será por causa da sua inaptidão social, pode ter certeza. – tranquilizou com um toque jocoso, mas ainda carinhoso.

Sasuke forçou um sorriso que dizia claramente que ele queria matá-la. Karin deu o mesmo sorriso. Eles ficaram se encarando com olhares assassinos, até que os dois desistiram de manter a fachada assassina e começaram a gargalhar juntos. Ele definitivamente odiava e amava Karin Uzumaki.

(***)

Ele tinha acabado de encerrar o trabalho daquele dia e assistia um vídeo de tutorial no YouTube, quando o celular tocou ao seu lado.

Sem olhar para o identificador de chamadas, atendeu:

— Sasuke falando.

Um riso rouco e grave ecoou do outro lado da linha, fazendo-o sentir os pelos dos braços levantarem involuntariamente com o som familiar e agradável.

— É assim que você atende ao telefone normalmente? – Naruto soou divertido.

Sasuke rolou os olhos e sorriu.

— Eu estava distraído e não vi o identificador, antes de atender. Mas, sim, é como eu atendo o telefone normalmente, quando estou correndo com o trabalho.

— Estou atrapalhando alguma coisa? – perguntou com preocupação.

Pausou o vídeo, levantou da cadeira e foi até a cama.

— Não, acabei de terminar um relatório de vendas e estava perdendo meu tempo no YouTube. – deu de ombros. – Ansioso demais para esperar para nos falarmos mais tarde, usuratonkachi? – referiu-se a ligação repentina em um horário que nenhum deles estava acostumado. Normalmente, eles se falavam depois das 21h, quando já tinham feito tudo o que precisavam.

— Saí mais cedo do trabalho, porque precisava fazer uns trabalhos de faculdade, só que eu recebi uma mensagem estranha da Karin e achei melhor ligar para você? – a afirmação parecia uma pergunta, por conta da incerteza.

Sasuke suspirou e apertou o espaço entre os olhos com as pontas dos dedos. Karin e a mania de se meter onde não era chamada.

— O que aquela descabeçada fofoqueira disse?

— Nada demais, só disse que você teve um dia difícil. Ela precisava me dizer algo importante ou você pode me dizer por si mesmo?

O moreno não podia ver Naruto, mas ele tinha certeza que uma sobrancelha loira se ergueu em desconfiança só pelo tom de voz e pela pergunta cautelosa.

— Eu trombei com Suigetsu, o meu ex-namorado, esta manhã... – explicou.

Como ele não deu indícios de que iria articular mais, Naruto insistiu:

— E...?

— E acabou. Karin sensibiliza demais certas situações. Só fiquei irritado com algumas coisas que ele disse, mas já passou. No final das contas, ele só falou a mesma coisa de sempre: que quer voltar e é isso. – contraiu a testa em contrariedade e omitiu uma parte da conversa, porque não estava afim de falar sobre aquilo naquele momento.

Naruto fez silêncio por um minuto e, por fim, indagou:

— E você quer voltar?

— Eu não vejo o porquê dessa pergunta ser importante. – Sasuke respondeu ainda mais impaciente para acabar com o tópico enfadonho.

— Para você pode não ser, mas para mim é um pouco importante, sim. – a resposta foi clara. – Nós não temos nada sério, sei muito bem disso e não estou te cobrando nada, mas eu quero saber o que esperar de você, Sasuke. Eu não quero acordar um dia e me deparar com você querendo voltar para o seu ex-namorado. – rebateu.

O moreno entendeu o ponto, mas ainda não queria conversar sobre o assunto novamente. Já não bastava tê-lo revivido com Karin na hora do almoço.

— Entendi o seu ponto, Naruto. – pontuou. – Mas, sinceramente? Eu não quero falar sobre Suigetsu. Ele me disse algumas coisas que eu não gostei e eu não quero mais pensar nele por hoje. Outro dia, prometo falar abertamente, mas hoje, eu só estou afim de esquecer qualquer coisa que o envolva! – murmurou, rezando internamente que o Uzumaki entendesse. – E não, eu não vou voltar com ele.

Depois de um bom tempo, o outro apenas suspirou audivelmente, deu a entender que diria alguma coisa, mas parou, e o Uchiha não sabia dizer se o rapaz estava bravo ou apenas cansado demais para insistir.

— Ok, vamos mudar de assunto. – murmurou, depois de um suspiro resignado. – O que você está vestindo? – sussurrou com um timbre ainda mais grave e íntimo.

O Uchiha franziu a testa em confusão e piscou, não entendendo o tema repentino e o que sua roupa tinha a ver com alguma coisa relevante. Ele olhou para baixo.

— Camiseta e jeans. – respondeu simplesmente com um encolher de ombros, ainda com a cara amassada em estranheza. – Por quê?

— Sem nada por baixo? – o moreno ouviu um leve arfar do outro lado da ligação.

Dobe...— repreendeu, com o rosto tenso em irritação. – Nem no telefone podemos ter uma conversa séria e civilizada? É incompreensível como você consegue mudar de humor assim, do nada e tão rápido!

— Ouch! – fingiu uma exclamação de dor. – Você disse que não queria pensar mais no seu ex-namorado, Suke! Eu só estava te lembrando dos motivos para pensar em mim. Só em mim! – acrescentou a última frase com um tom ardente.

Sasuke sentiu a nuca e os braços se arrepiarem instantaneamente em réplica à voz nebulosa e determinada. Ele amaldiçoou internamente a distância grande entre os dois naquele instante.

— Você não precisa me lembrar disso. Acredite, eu penso em você o tempo todo, até quando eu não quero. – deitou-se na cama de bruços e pensou sobre o que queria falar em seguida. – E isso me lembra sobre algo muito importante para conversar e resolver com você... – começou, abraçando um dos travesseiros. — Me diga, dobe... – pediu, ouvindo o outro engolir audivelmente em nervosismo, como se adivinhasse seus pensamentos através do celular. – Você não se sente nenhum pouco curioso sobre como me sinto quando transamos? – indagou, apertando os olhos como os de um gato espreitando a sua presa. – Eu posso te mostrar o quanto sexo anal é bom...

Seu coração estava agitado com a adrenalina e a ansiedade. Não é como se ele já tivesse tido aquela conversa antes, tão abertamente. Em seus relacionamentos anteriores, tudo ficava subentendido, tudo dependia do humor, do momento, da vontade... Ele não precisava pedir, apenas acontecia e estava tudo bem.

Infelizmente ou felizmente, ele não sabia dizer ao certo, Naruto não nada era como os seus relacionamentos anteriores.

Não era só desafiador para o Uzumaki, era desafiador para ele também.

— Sasuke... – tentou desconversar.

— Me responda. – ordenou em um tom de quem não aceita objeções. – Eu realmente quero ouvir o que você tem a dizer. Assim como você quer me entender, eu quero te entender. Eu não quero forçar uma situação que você não esteja confortável!

— Eu não sei! – pausa. – Toda às vezes em que fomos juntos, você parecia ter dor. – o Uchiha ouviu um leve farfalhar de tecidos. – É diferente, é estranho e... – respirou fundo. – Eu nunca estive nesse papel, nesse lado da transa, não sei como lidar com isso e como eu me sinto. – balbuciou meio desajeitado para tentar encontrar uma explicação. Não só para o moreno, mas para si mesmo também.

— Você acha que é somente isso que eu sinto? – perguntou com seriedade. – Dor? – completou a pergunta. – Eu sei que deve ser estranho e até certo ponto... – tentou encontrar a palavra certa. – Humilhante? – indagou, mais para si mesmo que para o Uzumaki. – Mas é um estímulo sexual como qualquer outro que independe da sexualidade, por mais que a sociedade diga o contrário.

— Não é isso! – a réplica o fez parecer escandalizado. – Não é sobre me sentir humilhado, é sobre não saber o que fazer. Eu sei que é só mais um lado que posso explorar no meu corpo, mas eu me sinto inadequado, esquisito e... Inexperiente? Não sei se vou conseguir te agradar e se será prazeroso para ambos, porque vou estar todo desajeitado! Eu fico nervoso só de pensar! – atropelou as palavras. – E a dor não quer dizer muita coisa, afinal, algumas pessoas sentem tesão pela dor!

Sasuke suspirou, parte de alívio, parte de resignação.

— Me tranquiliza saber que você não se sente incomodado pelos papéis na cama. Eu gosto da flexibilidade, porque, para mim, o sexo é sobre o prazer, não sobre qual função cada um deve se prestar. – explicou. – Eu quero estar com você, isso é o que importa. De todos os jeitos. E se você não quiser, tudo bem, só me diga ao invés de ficar fugindo, porque isso me chateia. Fico pensando se ultrapassei meus limites com você! – expôs com sinceridade. – No começo incomoda um pouco, não posso negar, mas se você sabe como fazer, torna-se prazeroso. – respondeu ficando com a voz levemente rouca ao imaginar. – Eu posso te fazer sentir bem. – insinuou, lambendo os lábios inconscientemente.

Naruto ficou em silêncio por vários segundos, que pareceram horas. Ele já estava considerando o pior, quando o loiro finalmente respondeu:

— E como você faria eu me sentir bem? – inquiriu no mesmo timbre áspero.

O coração e seu ouvido se animaram de excitação diante da pergunta murmurada daquele jeito tão íntimo. Era a maneira indireta do loiro de dizer que estava aberto à tentativa, e Sasuke precisou se remexer para reprimir o sentimento quase eufórico que crescia em seu peito. Naruto realmente era o seu número, se estava disposto a se arriscar em coisas novas assim, sem pestanejar. Aliás, depois de pensar melhor, ele se deu conta de que fora um imbecil por ter ficado inseguro sobre o Uzumaki. Era claro como água que o homem era livre de amarras. A primeira vez que ficaram juntos já tinha mostrado que ele era pouco ortodoxo para fazer as coisas que queria. Ele só precisava conversar para sanar dúvidas.

É que tudo era tão novo para ele (para eles), que Sasuke se sentia pisando em ovos o tempo inteiro. Não era só o mais novo que se sentia inadequado.

— Eu tenho algumas opções. – o timbre cada vez mais grave. – Eu ia passar as mãos pelo seu corpo, descê-las pelo seu peito, brincar com os seus mamilos. Eu vou estar às suas costas, gemendo no seu ouvido e dizendo o quanto eu amo ter você contra mim assim. Eu ia pegar seu pau e te bombear devagar, até você implorar para eu ir mais rápido. – mordeu o lábio inferior, enquanto amaldiçoava a imaginação, porque conforme falava, sua calça se tornava cada vez mais apertada. – Eu ia te devorar por inteiro, te morder, te chupar... – o loiro parecia ofegar no outro lado da linha, fazendo ele mesmo sentir a própria respiração ficar difícil.

(***)

Em Niigata...

— E o que mais? – ele não acreditava que estava dando corda para Sasuke, mas não conseguia se parar. Sua mente já viajava, acompanhando as palavras do outro. Seu corpo criou vida própria e decidiu por si mesmo que estava gostando do caminho que a sua imaginação estava andando.

— Quando minha boca chegar ao seu pênis, vou te lamber das bolas à cabeça. E eu vou ter certeza que até o final, você vai estar se contorcendo e se segurando para não me foder, da mesma forma que meus dedos estarão fazendo com a sua bunda deliciosa. Vou deslizar um e depois dois dentro de você e ter certeza que você nunca se esqueça de que eu fui o primeiro a te tocar assim...

O tom de voz de Sasuke estava tão agressivo, que enviou um arrepio na espinha do loiro. Ele estava deitado de barriga para cima na cama grande no seu quarto, o sol ainda alto no céu, anunciava que o dia estava longe de acabar. Era um pouco cedo para ter aquele tipo de conversa, mas para Naruto, não havia outro horário melhor. Ele brincou de leve com a barra da camiseta laranja.

— Só isso? – provocou e lambeu os lábios inconscientemente.

— Você quer mais? – o moreno perguntou divertido e malicioso. – Para quem estava hesitando, você está muito disposto agora.

Naruto sorriu e mordeu o lábio inferior. Sua fome era inegável.

— Estava esperando que me convencesse... Já te disse, eu gosto de ser conquistado. – ofegou. – Como você pode me fazer sentir bem? – levantou o tecido e começou a brincar com a pele da barriga lisa, arranhando-a vez ou outra.

Uma pena que Sasuke não estava ali. Ele realmente estava bem disposto. E com a voz grave dizendo aquelas coisas no seu ouvido, era muito difícil não se sentir uma puta. Ele o queria agora.

— O que você está vestindo? – o corvo jogou com o timbre rouco.

A pergunta fez o Uzumaki rir sem fôlego.

— Cadê a garota escandalosa que estava reclamando sobre termos alguma conversa séria e civilizada? – indagou, fazendo-se mais confortável na cama espaçosa.

— Me diga de uma vez, usuratonkachi. – comandou.

— Estou de camiseta, jeans e boxer... – lambeu os lábios outra vez, sentindo-se cada vez mais ansioso.

— Aquele tipo de calça que você usa e que cai do seu quadril? – meio que gemeu e meio que resmungou. – Eu deveria proibi-lo de usá-las.

— Por quê? – franziu o cenho em confusão.

— Eu gosto de você nelas, mas eu gostaria que só eu pudesse ter o prazer de vê-las em você. É tentador toda vez que você levanta os braços e a camiseta se ergue, porque você tem entradas na virilha que indicam bem onde alguém gostaria de estar naquele momento.

Ele riu surpreso, achando difícil respirar adequadamente.

— Sentindo-se ciumento, Suke? – ergueu uma sobrancelha. – Você é tão gracinha.

— Pare de estragar o clima! – ralhou, fazendo o outro rir. – Se eu estivesse na sua frente agora, eu o colocaria de joelhos e te daria uma surra por me provocar o tempo inteiro...

A declaração fez a mente de Naruto fabricar imagens nada inocentes. E pela calma repentina de Sasuke do outro lado da linha, com certeza, ele imaginava o mesmo.

— Esse é seu plano de me fazer sentir bem? – perguntou, lambendo os lábios. – Você não está me conquistando. – mentiu sem querer parecer convincente.

— Eu te quero rebolando... – murmurou com o tom grave.

— O que? – ele ergueu uma sobrancelha, em dúvida se tinha ouvido direito.

— Você... – disse casualmente a princípio, como se explicasse muito. – De quatro... – soou ofegante. – Rebolando... – pausa. – Oferecendo sua bunda para mim...

Naruto lambeu o lábio inferior e depois o mordeu, sentindo-se mais excitado com as declarações ditas em forma vagarosa e faminta.

— Com a calça e a cueca em torno dos joelhos...

— Sasuke... – chamou com urgência e necessidade, ao mesmo tempo em que corria a mão que estava na barriga, para o peito.

— Onde você está agora? – o Uchiha perguntou com a voz gutural.

— Deitado na cama. – fechou os olhos, gostando cada vez mais do barítono profundo em seu ouvido, dizendo pornografias. Ele poderia muito bem se acostumar a isso.

— Faça o que eu disse antes: calça e boxer nos joelhos. Já está em seu estômago? Se não, role e fique de barriga para baixo. – ordenou com a voz firme. – Depois abra bem as pernas e empine seu rabo para cima, mostrando-se para mim, como se eu estivesse bem atrás de você. – gemeu longamente. – Eu queria tanto estar aí agora. – lamentou.

Naruto hesitou por um segundo, mas por fim prendeu o telefone entre a orelha e o ombro, abriu o botão da calça e desceu o zíper para logo em seguida erguer a pélvis e empurrar as roupas para os joelhos. Girando o corpo, deitou de bruços, sentindo o pênis semirrígido se esfregar deliciosamente contra o tecido macio da colcha. Ele chiou baixinho com a sensação e se segurou para não começar a se masturbar. Espalhando as pernas, fez as peças que cobriam suas partes inferiores deslizassem até os tornozelos.

— Espalhado o bastante para você? – murmurou subserviente.

— Não diga coisas assim nesse tom! – a exclamação sofrida quase fez o loiro rir. – Se fosse possível, eu pediria para que você tirasse uma foto para mim.

— Eu acho que não tenho mãos o suficiente para tudo... – resmungou. – Você ainda está vestido? Eu não quero fazer isto sozinho...

Naruto não conseguiu deixar de comparar o relacionamento atual com o antigo namoro. Ele sempre tentou fazer sexo por telefone com a ex-namorada, mas Sakura sempre desconversava ou lhe dava bronca, chamando-o de pervertido e o acusando de só pensar “nisso”. Era óbvio que ele pensava constantemente em transar, afinal, é algo que ele gostava. Acreditava ser extremamente saudável e necessário refletir, conversar e vivenciar a sexualidade livremente, sem moralidades excessivas, tanto para as mulheres quanto para os homens. Ele estava cada vez mais apaixonado e viciado por esta liberdade que Sasuke lhe oferecia. O moreno até tentava resistir às vezes, mas acabava sendo tão ou mais participativo que o próprio loiro.

Ele deu um suspiro audível, enquanto remexia o quadril e friccionava mais o pênis na cama.

— Não comece sem mim, usuratonkachi.

O loiro ouviu o farfalhar de tecidos, indicando que Sasuke estava tirando as roupas. Ele fechou os olhos e subiu a camiseta até a altura das axilas, imaginando os músculos firmes ondulando enquanto o outro se movia para se despir. Era quase possível sentir a pele macia do homem tocando as suas coxas e panturrilhas. Afundando o rosto no travesseiro e segurando o telefone firmemente contra a orelha direita, ele engoliu a saliva com força.

O ponto negativo de fazer sexo à distância era justamente a distância. Se o moreno estivesse em sua frente agora, ele estaria o tocando, lambendo e arranhando com os dentes toda a extensão de pele pálida daquele corpo. Inconscientemente rebolou mais, mordendo o lábio inferior com a sensação do seu pênis se esfregando na cama. O sentimento de prazer se enrolava em seu estômago, fazendo-o mover a pélvis para frente e para trás à procura de mais atrito.

— Sasuke... – gemeu com necessidade; sua respiração ficando mais alta.

— Eu te pedi para me esperar. – soou igualmente ofegante. – É uma delícia te ouvir, mas está sendo uma tortura agora.

— Estou me contorcendo na cama, mostrando-me inteiramente pra você, esperando que você estivesse aqui para me tocar... – ele ouviu um leve arfar do outro lado da linha. – Eu quero sentir sua mão correr pelas minhas costas, pelas minhas nádegas e minhas bolas, pelas minhas pernas... – Naruto quase podia o ver se masturbando em sua frente, olhando-o com fome.

— Faz um favor para mim, Naruto? – pediu humildemente e de forma tensa.

— Hum? – a pergunta saiu como um gemido distraído, perdido demais pelo prazer.

— Leve os seus dedos até a boca e chupe-os bem forte, para que eu possa ouvi-lo. – comandou com a voz ofegante.

O Uzumaki nem pensou no porquê do pedido. Ele levou os dígitos para os lábios e os sugou com força, puxando e empurrando a mão, fazendo questão de que o som úmido se tornasse bem claro e audível pelo telefone. O barulho deve ter o atiçado, porque Sasuke ofegou e soltou pequenos lamentos.

— Imagine que está me chupando. Deslizo minhas mãos sobre o seu corpo e seguro seus cabelos, empurrando meu pau ainda mais na sua boca...

Naruto fechou os olhos e gemeu em desalento, pensando no homem, movendo o quadril em direção ao seu rosto, segurando-o com firmeza e tendo o controle total dos seus movimentos. Ouvi-lo gemer do outro lado da linha o acendia ainda mais. A necessidade de tê-lo ali, naquele exato momento, parecia potencializar o apetite e a necessidade.

— Consegue me ver atrás de você, Naruto? Quero que tire os dedos da boca e leve-os para a bunda. Eu quero que você os enfie nesse seu buraco apertado, e mova-os como se fosse eu quem estivesse te comendo... – ordenou em um tom gutural.

— Sasuke? – chamou com apreensão.

— Confia em mim, você vai gostar. – disse em um tom que não aceitava discussões, porque ele precisava que o Uzumaki tentasse. – Comece apenas com um... – instruiu.

Naruto ponderou, em dúvida se deveria atender ao pedido. No entanto, ele também não tinha motivos para recusar. Deslizou os dígitos pelos glúteos com um pouco de receio, quando alcançou a entrada enrugada, ronronou, enquanto brincava com o ponto sensível de pele, fazendo Sasuke ofegar em expectativa e vontade. Encorajado pela ânsia do outro, ele empurrou um dedo para dentro.

No início, sentiu um incômodo leve, mas suportável. Era estranho e diferente, mas de certa forma libertador e deliciosamente profano. Distraído e absorto demais na sensação da penetração, ele mal reparou que fez algum som que agradou o Uchiha, por o homem respondeu com um pequeno grunhido desesperado.

— Você está fazendo o que eu mandei?

O timbre gutural e rouco do moreno fez o loiro se arrepiar por inteiro. Ele tentou responder adequadamente, mas só conseguiu gemer em concordância, de maneira trêmula e entrecortada.

— Eu amo quando você faz o que eu mando. – grunhiu. – Estou batendo uma e querendo gozar só de te ouvir gemer assim, enquanto pensa em mim. Eu te quero empurrando os seus dedos nessa bunda gulosa, que eu estou sonhando para comer. Você me sente atrás de você, Naruto?

Tentou responder, mas o Uzumaki só conseguiu choramingar com urgência, enquanto movia seu dígito experimentalmente para dentro e para fora.

O loiro sentiu a carência acender, o incômodo leve desaparecer por completo e dar lugar apenas à excitação. E assim, ele entendeu o que o Uchiha disse no começo da conversa. Era tão bom, que não era suficiente, e, na ânsia por mais, também empurrou o indicador junto ao dedo do meio no canal estreito.

Naruto sentiu uma pequena picada seguida de uma queimação leve, que o fez prender o fôlego. Franziu a testa com mais força em concentração e imaginou a única pessoa que o enlouquecia nos últimos dias, colocando-o no lugar de seus dedos, movendo-se com a mesma fome. Ele quase podia sentir lábios percorrendo o seu ombro de forma suave, vez o outra mordendo e sugando a pele da sua coluna, e mãos pálidas apertando as bochechas de suas nádegas com firmeza.

— Porra! – o moreno resmungou em fôlego curto. – Você está me deixando louco só de gemer assim! Eu estou quase...

— Sasuke! – praticamente implorou pela presença esmagadora do homem.

Ele queria tanto o Uchiha ali.

Deixou o celular deitado no travesseiro, perto do ouvido e agarrou o próprio pênis. Os movimentos de seus dedos eram quase frenéticos, numa tentativa de fazer com que a penetração se assemelhasse ao sexo real e querendo fingir que o fruto da sua imaginação ficasse cada vez mais parecido com a realidade. Naruto choramingou contente com a estimulação dupla.

O moreno ouvia os lamentos abandonados do Uzumaki como se fossem as válvulas para o próprio orgasmo.

Naruto quase se esqueceu de que estava no telefone, até que Sasuke tornou a falar:

— Foda-se como se fosse o meu pau enterrado profundamente dentro de você... – murmurou de forma entrecortada e grave. – Eu queria tanto estar com você agora... Assistir você, como se fosse eu quem te fodesse... Deus, Naruto! – ele dizia pausadamente, enquanto ainda se concentrava no próprio prazer. – Morro de vontade de estar aí, com você...

A voz sexy e atrevida do Uchiha o aproximou mais do clímax.

— Pare de falar assim ou vou gozar muito rápido. – sussurrou com o timbre tenso, mordendo o lábio inferior com força, sentindo ondas de deleite correr pelo corpo; vagarosas como carícias.

— Eu também já estou quase... – o Uchiha deu um gemido gutural, fazendo o loiro soltar um som semelhante ao sentir a parede de seu reto ser massageada pelos dígitos ávidos. – Goza comigo? – pediu, rangendo os dentes.

E por fim, o Uzumaki ouviu Sasuke entrar em colapso. Escutar o homem murmurar seu nome daquele jeito carente foi tão sedutor, que todo o seu ser implorou para se liberar. Seu orgasmo foi violento e ele estremeceu em espasmos descontrolados. Seus olhos se fecharam com força, vendo pequenos raios coloridos correrem pelas pálpebras fechadas. O loiro mordeu o travesseiro macio, permitindo-se grunhir várias vezes ao mesmo tempo em que seu membro expelia jatos de sêmen pela cama. A força do seu gozo foi tanta, que ele teve que agarrar o tecido da fronha para procurar um alicerce que o impedisse de flutuar ou só perder a sanidade.

Dobe?— uma voz arrastada o chamou depois de alguns minutos, em que ambos tentavam apreciar o sentimento de relaxamento e felicidade.

O Uzumaki havia esquecido completamente o Uchiha. Pegou o telefone:

— Hm?

— Foi bom, não foi? – presunção escoou do timbre baixo.

— Isso foi... – respirou fundo. – Mais que bom... – suspirou em agrado.

— Hn...

O Uzumaki quase podia ver os lábios finos posicionados em um sorriso arrogante e uma das sobrancelhas finas e negras erguidas com atrevimento. Ele quase rangeu os dentes em irritação, se pudesse ficar irritado. No entanto, naquele momento, ele só queria aproveitar a forma como seus músculos cantarolavam com a alegria pós-sexo.

— Não vem com esse “hn” para cima de mim. – levantou-se da cama, ainda sentindo os ossos como se fosse geleia, e caminhou até o banheiro adjacente ao quarto.

— Hn.

— Bastardo. – murmurou carinhosamente, ligando a água do chuveiro e testando a temperatura. – Eu vou tomar um banho agora para poder ir para a faculdade, teme.

— Ok. Eu também tenho que dar um jeito aqui... – Naruto entendeu o significado por trás da frase discreta e concordou. – Você vem neste final de semana?

— Sim, depois que eu sair do escritório. – sorriu levemente.

A pergunta simples disse muito mais do que significava. Era a maneira de o Uchiha expressar que estava com saudades e que lhe esperava.

— Se cuida. – o Uzumaki murmurou em um tom íntimo.

— Você também. – respondeu no mesmo timbre, antes de desligar.

Naruto largou o celular no balcão de mármore da pia do banheiro e entrou no box, ostentando um sorriso contente e pensando em como tinha valido a pena dar mais este pequeno voto de confiança para Sasuke. Se o pouco que ele experimentou hoje era assim, tão intenso e maravilhoso, então ele queria mais.

(***)

Sasuke havia acabado de sair do banho, quando seu celular começou a tocar como louco na mesinha de cabeceira. Caminhou inabalável até o móvel com uma toalha presa na cintura e os cabelos molhados, para olhar o visor aceso do smartphone. No identificador de chamadas, ele leu “Mikoto U.” com o cenho franzido em preocupação.

— Mãe? – atendeu com incerteza.

— Finalmente! – a voz feminina e suave exclamou com uma energia não muito característica da mulher usualmente tranquila. – Estou te ligando há um bom tempo, onde você estava?

— No banho... – franziu ainda mais a testa. – O que aconteceu?

— Oh, você não vai acreditar no que eu fiz, Sasuke! – exclamou agoniada.

— Não estou entendendo, Kaa-san. – respondeu, sentindo o coração bater no peito, sem saber se tinha acontecido algo grave com alguém da família.

— Eu e teu pai tivemos uma reunião para definir a construção da nova filial da empresa... – começou denotando insegurança. – Os profissionais responsáveis são os pais do menino que você está saindo... Insisti com o seu pai e o conselho para que fossem eles, justamente porque queria aproximar as nossas famílias!

O homem nem precisou que a mãe terminasse para entender o que aconteceu. Ele esfregou a testa com a ponta dos dedos em aborrecimento.

— E você disse a eles sobre eu e Naruto? – jogou em um tom neutro, que contradizia completamente com as emoções no seu interior tempestuoso.

Gomen¹, nee?! – murmurou. – Eu não sabia que eles não sabiam...

Sasuke respirou fundo para tentar acalmar o coração que batia acelerado no peito, sentindo aterrorizado por Naruto e por si mesmo e inseguro sobre o que seria deles dali para frente.

Notas finais
Gomen¹ - Desculpa.