Dar-se Uma Chance
8 Atração – Parte 8/9
Notas iniciais
Atração – Parte 8/9
Estímulo (substantivo masculino):
1. Aquilo que estimula;
2. Aguilhão;
3. Incentivo; brio; pundonor;
4. [Fisiologia] Agente externo ou interno capaz de provocar uma reação num órgão ou sistema.
Um arrepio correu pela espinha do Uzumaki, enquanto ele olhava os orbes negros brilharem como os de um gato que encurralou a sua presa. Seu corpo estava meio inclinado sobre a mesa de bilhar, enquanto a fenda da sua bunda era massageada lentamente e com firmeza por um membro rígido ainda coberto pela calça jeans. Ele ofegou audivelmente em um misto de prazer e insegurança. E se ele se desse ao trabalho de analisar melhor os seus sentimentos, saberia que estava com medo, puro e simples.
“Porra, me sinto como uma garota prestes a perder a virgindade!”, seu interior se remexeu incomodado.
No entanto, por trás da sua incerteza, seu corpo correspondia involuntariamente aos avanços do Uchiha. Instintivamente, seu quadril respondia as investidas e seu pênis endurecia sob a roupa constritiva. Era contraditório e sua mente estava uma bagunça. Ele não sabia ao certo se queria ou não deixar o moreno continuar com o seu intento. O pouco que o conhecia, já lhe dava a noção de que sua recusa acabaria com o clima sensual que tinha crescido entre eles. O mais velho entenderia, mas se sentiria sexualmente frustrado.
E isso era frustrante para ele também.
Naruto deveria ter compreendido o pedido silencioso do outro na despedida do festival e usado a semana para expor suas dúvidas, conversar sobre sua falta de confiança e alcançar um consenso justo sobre aquela nova experiência. Seria muito mais fácil e não daria a nenhum deles, a sensação de fracasso. Ele era um homem e até mesmo as mulheres odiavam que seus parceiros cortassem qualquer relação sexual na metade, ou no seu caso, no início, sem uma explicação decente.
Ele não estava pronto para isso ainda.
Seu cérebro galgava com uma velocidade impressionante e o loiro já estava começando a se sentir atordoado, tanto pelo seu desespero em encontrar uma solução, quanto pela língua que passeava lenta e deliciosamente na sua nuca, massageando pontos sensíveis em seu pescoço. Ele suspirou em deleite, quase desistindo de tentar resistir, ao sentir as mãos entrarem por dentro de sua camiseta e amassar os músculos tensos de suas costas, relaxando-o. A ação cuidadosa do outro, fez com que sua mente clareasse um pouco e iluminasse uma ideia em sua cabeça.
Tentando parar o ataque em sua traseira, o loiro girou seu corpo a fim de ficar de frente para Sasuke. Passou a mão no peito tonificado por cima da blusa e capturou os lábios rosados em um beijo intenso para distraí-lo. Sem que o outro percebesse, trocou as posições, colocando-o sentado em cima da mesa de sinuca e encaixando-se entre as pernas delgadas.
— Essa é a minha vingança para a sua provocação de mais cedo, teme. – olhos azuis encararam o semblante surpreso. Ele deu um sorriso debochado, antes de reivindicar a boca do homem mais uma vez.
— Hn. – o moreno revirou os olhos, xingando-se mentalmente pela brincadeira, mas aceitando a retaliação em silêncio e enlaçando os braços no pescoço do loiro.
O Uchiha respirou fundo quando sentiu o impulso do quadril para cima do seu, unindo as ereções em um atrito necessitado. As respirações se tornando ruidosas e descompassadas com o avanço das carícias vigorosas. Naruto agarrava a pélvis magra, afundando os dedos na boxer branca e apertando com vontade a carne macia da bunda para abaixar intencionalmente o cós da calça, enquanto o outro o segurava com mais força.
Os dois ficaram nessa lenga-lenga, até perceberem que aquele contato intenso, mas limitado, não era o suficiente. Sasuke afastou o Uzumaki, tentando esfriar a cabeça e reunir o ar que lhe fugiu dos pulmões. Quando achou que estavam prontos, empurrou a jaqueta jeans que o rapaz vestia e a jogou em algum lugar da sala, enquanto o puxava em direção ao corredor que ligava os cômodos do apartamento.
As mãos corriam com urgência para retirar todas as peças que conseguiam, sem que nenhum deles precisasse desunir os lábios. O desespero era tanto, que mesmo as unhas curtas arranhavam a tez na ânsia de tocar o máximo do calor que podiam alcançar. Impaciente, Naruto quase rasgou a blusa cinza que o outro vestia, ao tentar arrancá-la, e o Uchiha se aproveitou da chance de tirar as roupas para passar a mão em toda extensão do corpo delgado e bronzeado, sentindo a pele lisa e macia, assim como todas as ondulações dos músculos firmes.
Ambos bateram com violência na porta de madeira, antes de adentrar o quarto.
Naruto nem reparou nas paredes texturizadas em branco e azul marinho. Ignorou completamente o carpete acinzentado sob os seus pés descalços e outros aspectos do espaço que ele só daria o trabalho de detalhar quando ele e Sasuke acabassem o que estavam fazendo. Empurrou o mais velho na cama e aproveitou o fato dele se arrastar de costas para cima dos travesseiros, para puxar a calça pelas barras que cobriam os tornozelos.
Ele engatinhou até pairar sobre a figura corada do homem, encarando-o nos olhos que transbordavam necessidade e desejo. Ao abaixar o tronco, colou os corpos e aproveitou a proximidade para explorar a boca vermelha e irritada pela agressividade dos beijos que trocaram mais cedo. Com um impulso firme, incitou o quadril para instigá-los nesse contato prazeroso.
O moreno, ao perceber o estado semivestido do Uzumaki, começou a empurrar as duas últimas peças que o impediam de sentir o calor da pele dourada e abusar das bochechas firmes da bunda redonda. Naruto o ajudou, chutando as roupas pra longe.
Sem querer perder tempo, o loiro capturou um mamilo rosado entre os lábios e o chupou com força para soltá-lo com um audível “pop”. O moreno deu um pequeno chiado, acariciando os fios louros com delicadeza e os tirando do rosto bonito para ver melhor as ações que desenrolavam. Naruto brincava com o pequeno ponto sensível, ao mesmo tempo em que encarava Sasuke com paixão, malícia e diversão. Ele mordeu a pele levemente, antes de descer os beijos molhados para empurrar a língua cor-de-rosa no umbigo, massageando-o. Ele quase sorriu presunçosamente, quando o Uchiha se remexeu incomodado com o excesso de brincadeiras.
— Você é muito impaciente, teme... – murmurou com graça, enquanto brincava com o elástico da boxer branca, ameaçando tirá-la.
— Eu não sou a porra de uma garota pra você demorar nas preliminares, dobe. Faça o que tem que fazer de uma única vez! – rosnou futilmente, ganhando apenas um riso rouco como resposta. Ele sabia que o homem só estava sendo atencioso e que aquilo não se referia sobre tratá-lo como uma mulher, mas, inferno, ele estava tão ansioso! Tinha contado os dias pelo sexo por uma semana, ele necessitava daquele corpo masculino próximo ao seu!
Naruto puxou a única peça que os separava, libertando a ereção pesada e dolorida. Pegou o comprimento túrgido e o bombeou algumas vezes, arrancando suspiros do homem. Ponderando um momento, totalmente incerto sobre se deveria fazer o que queria, ele respirou fundo antes de se mover para dar ação aos seus pensamentos, sem dar margem para dúvidas. Deitando-se de bruços na cama espaçosa com a cabeça entre as pernas delgadas, o Uzumaki lambeu toda a extensão do membro pulsante, estranhando a sensação vívida em sua boca e fazendo o outro ofegar, surpreso ao sentir a carícia bem-vinda.
Ele não esperava que o loiro fosse fazer aquilo tão cedo, porque sabia as questões delicadas (e hipócritas em sua cabeça) que giravam ao redor desse ato no universo masculino, seja heterossexual ou não. Em alguns casos (e para algumas pessoas), a atitude significava submissão e servidão. Para ele, o oral não passava de outra forma de demonstrar cuidado, para fazer o outro se sentir bem. Infelizmente, não era fácil explicar isso pra qualquer um e para todo mundo.
Pelo visto, ele não precisava explanar nada para Naruto.
O homem usou a língua para massagear os testículos e o períneo, tentando lembrar o que gostava quando faziam com ele e quando se acariciava, e prestar atenção nas reações do moreno. Sasuke gemeu baixinho e mordeu o lábio inferior com força em um misto de impaciência, anseio e necessidade de autocontrole – seu desejo se resumia em agarrar os fios daquele cabelo dourado, empurrar para o calor escaldante entre os beiços molhados e fodê-lo, mas se segurava para não forçar uma situação que o outro não estava acostumado.
O sentimento era novo, mas o loiro fez o possível para bloquear o estranhamento e se preocupou só em agir e dar prazer, mudando-se novamente pra chupar a cabeça com força e não desviando o olhar do rosto pálido, corado pelo entusiasmo de seus gestos aquecidos, a fim de observar as variações de suas expressões e avaliar o que lhe agradava ou não.
Movendo a cabeça para cima e para baixo, enquanto explorava com excitação o pênis, Naruto assistiu, sentindo uma satisfação crescente, o outro fechar os olhos, franzir as sobrancelhas e soltar alguns sons nasalados. Contraindo as bochechas, mamou o órgão com sucções firmes, fazendo o companheiro revirar os olhos e contorcer os dedos dos pés ao sentir a familiar sensação de seu abdômen se contraindo e suas entranhas se retorcendo dentro do baixo-ventre com o tesão.
Quando o paladar do Uzumaki pegou o gosto peculiar e levemente amargo das gotas de pré-gozo, sugou profundamente a carne rígida. O Uchiha abriu a boca, mas nenhum som saiu; ele queria gritar, mas a única coisa que conseguiu fazer foi morder o torço da mão direita e choramingar, enquanto a sua respiração saía em calças curtas pelo nariz. Antes que pudesse liberar a tensão crescente em seu corpo, o mais novo parou as suas ministrações.
O loiro engatinhou sobre o corpo alto e tonificado, sorrindo com diversão para o olhar meio irritado e desnorteado que recebeu. Ele capturou os lábios de Sasuke em um beijo singelo, contradizendo o desejo de seus atos e depois se afastou, para colar as testas e vasculhar as íris negras de perto, dando-lhe segurança sobre suas decições.
— Como me saí? – sussurrou, balançando as sobrancelhas sugestivamente. Ele não precisava da resposta, pois era óbvio pela maneira como a respiração ofegante do outro custava para se normalizar.
— Eu poderia concluir melhor, se você tivesse terminado o que começou. – rebateu, querendo parecer irritado, mas falhando miseravelmente.
Naruto gargalhou com vontade, antes de concluir a conversa:
— Eu queria ser romântico e dizer para gozarmos juntos. – soltou um muxoxo.
Sasuke bufou um riso, revirando os olhos com descrença, antes de enfiar a mão por debaixo do travesseiro à procura do lubrificante e dos preservativos e entregá-los.
— Vamos fazer isso corretamente dessa vez. Não quero ficar com a bunda dolorida por dias como no começo da semana. – murmurou com humor e quase riu, quando o mais novo engasgou com a própria saliva.
— Você fala isso com tanta naturalidade, que me assusta! – ele retrucou, enquanto se sentava nos próprios calcanhares e analisava a embalagem do gel.
— Um dia, você vai se acostumar e vai tratar o assunto com a mesma espontaneidade. Agora, pare de falar e faça alguma coisa, usuratonkachi.
Naruto ia retrucar, mas mudou de ideia e molhou os dedos com a substância escorregadia e transparente que tinha dentro do frasco, para contornar o anel enrugado e empurrar um dedo dentro. O homem deitado sobre o colchão suspirou audivelmente com a invasão. A sensação lisa, úmida e quente ao redor dos seus dedos o fez expectante, e ele começou a suar com a ideia de estar dentro do corpo masculino novamente.
O Uzumaki rodeou o dígito e o empurrou no canal apertado, tirando pequenos sons do moreno. Quando o outro começou a corresponder os movimentos da sua mão, ele inseriu o indicador, tesourando para prepará-lo. Sentindo a pouca resistência, o loiro inseriu o anelar e, para amenizar o desconforto evidente, procurou pela próstata a fim de estimulá-la.
Uma vez que o loiro encontrou o conjunto específico de nervos, o Uchiha arqueou as costas, contraiu os dedos dos pés e fechou os olhos com força, engasgando um gemido. O mais velho sentiu a massagem desenrolar um prazer que crescia em seu baixo-ventre, para se espalhar pelo restante do corpo, dando-lhe a impressão que todo o seu ser formigava em necessidade de gozar. Sasuke estaria condenado se a rapidez de aprendizado do loiro se estendesse para as outras atividades também, porque ele parecia ainda melhor na segunda vez e aquilo era uma agonia!
— Naruto! – chamou em um só fôlego e segurou o pulso da mão que o torturava, praticamente implorando para que parasse.
Entendendo o pequeno apelo, o Uzumaki parou a carícia para se encaixar entre as pernas delgadas e colocar a camisinha. Ele ergueu a pélvis do outro e encaixou as coxas bronzeadas por baixo do quadril magro, mantendo a parte do corpo elevada. Ele segurou a parte traseira dos joelhos, mantendo-os afastados, antes de começar a penetrar vagarosamente.
Sasuke mordeu o lábio inferior com força ao ser preenchido pela carne túrgida. A posição imposta pelo rapaz favorecia o estímulo da próstata e o tornava ainda mais hipersensível. Naruto se inclinou para agarrar as mãos de encontro ao travesseiro, entrelaçando os dedos e as posicionando ao lado da cabeça repleta de fios negros bagunçados.
Num único impulso, o loiro entrou no canal apertado, arrancando uma exclamação surpresa e dolorida do outro homem. Ele até quis se sentir apologético pela pressa, mas a sensação em torno do seu pênis era divina e ele estava com saudade de sentir aquele aperto abrasador e gostoso. Sasuke se contorceu com incômodo e irritação e mirou um olhar irado em sua direção.
— Desculpa. – pediu sem estar de fato arrependido.
— Apenas continue o que estava fazendo. – rebateu com a voz rouca e entrecortada, sem amenizar o temperamento arisco. Ele desprendeu suas mãos para colocá-las no abdômen bronzeado. Se precisasse amenizar a afobação e o ânimo do Uzumaki, deveria estar livre.
Quando o Uchiha se acostumou, ele tirou todo o pênis do canal estreito, esperando alguns segundos para tomar uma respiração rápida, e entrou novamente com uma estocada violenta. O outro sentiu uma dor aguda, juntamente com o prazer ardente que queimava seu ser. Os movimentos bruscos pareciam atingir especificamente a parte mais sensível do seu reto e a necessidade o fez usar os pés para alavancar a pélvis e remexer o quadril, a fim de atender os movimentos frenéticos.
Sasuke queria agarrar o homem, mas suas unhas apenas rasparam pela superfície plana e molhada de suor da barriga, até que a impaciência o fez agarrá-lo pelo pescoço e o puxar para um abraço carente. Seus dedos correram pelas ondulações das costas de cima a baixo, até pararem no cabelo meio úmido. Seu nariz afundou na têmpora para inalar o cheiro refrescante que o engolia. Naruto transpirava uma energia inexplicável que o envolvia, principalmente quando transavam. Ele podia até se aborrecer com o vigor apressado e brutal do Uzumaki, mas o mau humor não durava por muito tempo, pois logo se sentia contagiado pela mesma emoção.
Os dois gemeram simultaneamente.
O Uzumaki até tentou beijar os lábios finos, mas a falta de ar nos seus pulmões só tornou possível um leve colidir entre as bocas. O vai e vem era firme e forte, como se ambos procurassem, quase em desespero, satisfazer a fome de seus corpos.
O loiro correu uma mão pela lateral do tronco delgado, sentindo as ondas sutis das costelas na pele branca. A carícia suave parecia acalmar a brasa que os incendiava. Naruto sentiu o ilíaco saliente sob as pontas dos dedos e só parou para acariciar o membro negligenciado, masturbando-o com passadas seguras, visto que gozaria a qualquer momento e precisava se assegurar que o Uchiha também tivesse seu próprio orgasmo. O mais velho até tentou engolir os clamores que lhe escapavam da boca, mas era quase impossível, quando a voz rouca do outro continuava a murmurar pornografias em seu ouvido e soltando seus próprios sons necessitados, tentando demonstrar todo o apreço que sentia.
— Geme pra mim... – sussurrou com o tom entrecortado, fazendo o moreno engasgar um gemido. – Você é tão gostoso, que te comeria por inteiro, Sasuke... – lambeu a clavícula leitosa, distribuindo beijos reverentes no pescoço longo. – Te morderia por inteiro... – apertou o quadril estreito abaixo do seu, aprofundando ainda mais as estocadas. – Te lamberia por inteiro... – mãos bronzeadas corriam pela pele com entusiasmo e força, sentindo a textura lisa. – E ainda não seria o suficiente... Jesus, Sasuke, você é tão bom! – murmurou.
Olhos azuis observaram com gula as íris negras brilharem como fogo, quase como se fossem vermelhas. Era como se o Uchiha pudesse ler o desejo mais profundo do seu ser e desvendar todos os segredos de sua alma. Naruto desviou a atenção para a boca entreaberta, com os lábios inchados e irritados, e lambeu a carne do beiço, pra capturá-lo em uma mordida dolorida, como se quisesse arrancar um pedaço do homem só para si.
Ele queria que a transa durasse para sempre, mas já estava começando a sentir os músculos se enrijecerem de sobreaviso. O moreno também estava quase chegando ao ápice, visto como a parede interna do reto apertava o seu pênis e o puxava involuntariamente para dentro, fazendo-o engolir em seco e estremecer violentamente.
Naruto tornou a masturbar o falo túrgido do outro com pressa, procurando levá-lo à conclusão junto com ele. Sasuke se contorceu em prazer com a familiar sensação do seu ser mudando em agonia e luxúria. Ele quis gritar, mas nenhum som saiu. E ele quis manter os olhos bem abertos, para olhar o rosto do mais novo figurado em deleite, mas suas pálpebras se fecharam antes que se desse conta.
E ele veio em todo o seu estômago, entre respirações rasas que eram incapazes de saciar um corpo urgente por ar. Ele mal sentiu o loiro continuar a se mover, ainda perdido na neblina gostosa do gozo necessário.
Com algumas estocadas irregulares, o rapaz finalmente liberou a tensão com um rugido rasgando a garganta, e soltou o peso sobre o corpo masculino.
Os dois ficaram na mesma posição por vários minutos, tomando respirações profundas para estabilizá-la e apreciando o mar de felicidade e relaxamento. O moreno passou os dedos longilíneos pelos fios dourados e molhados, afastando-o do rosto com cicatrizes. Ele deu um pequeno sorriso cansado, mas contente, antes de puxar Naruto para um beijo delicado e intenso.
Ambos teriam ficado assim por muito mais tempo, se o barulho de um ronco não os tivesse interrompido. Os dois se afastaram e o Uzumaki sorriu constrangido.
— Desculpe... – pediu o loiro, ficando vermelho. – Acho que estou com fome... – deu um sorriso sem graça. – Exercícios físicos me deixam faminto. – tentou justificar.
Sasuke revirou os olhos em resposta, tentando segurar o riso, e o empurrou para conseguir se levantar e caminhar até a cozinha.
— Você vai ficar aí parado, dobe? – pediu, apoiando-se no batente da porta.
Naruto arregalou os olhos, surpreso.
— Vai me alimentar desse jeito, teme?! – rebateu com a voz esganiçada, fazendo um nó na camisinha e jogando-a no lixo do banheiro adjacente ao cômodo. – Ao menos coloque uma cueca. Eu não vou conseguir comer com isso balançando pra fora! – protestou, pegando a própria boxer vermelha jogada no chão.
O moreno revirou os olhos novamente, mas andou pelo quarto para procurar pela cueca jogada em algum lugar entre os lençóis e o chão.
— Quem te ouve, pensa que você é uma puritana. – resmungou, pegando a roupa íntima que usava antes e colocando-a a contragosto. – Não te ouvi reclamar sobre o meu pau mais cedo. – ironizou.
— Porque o contexto era outro! – respondeu e deu um tapa estalado na bunda, agora, vestida, antes de caminhar até a cozinha e começar a cantarolar uma música qualquer, feliz com a perspectiva de comer algo delicioso depois de um sexo ainda melhor.
(***)
Quando Karin chegou mais tarde daquele mesmo dia, Naruto já tinha voltado para Niigata. A mulher de cabelos vermelhos encontrou seu melhor amigo sentado num banco alto no balcão da cozinha, fumando um cigarro e mexendo distraidamente em algo em seu iPad; perdido em pensamentos. Os fios escuros da cabeça estavam bagunçados e ele vestia somente uma calça moletom larga azul marinho, que caía folgada em seu quadril, mostrando a glória dos ilíacos salientes e a pequena trilha sutil do caminho da felicidade.
“Os benefícios de se morar com Sasuke Uchiha!”, deleitou-se a ruiva, admirando a figura do homem.
— Olá, Sasuke-kun! – exclamou alto o suficiente para chamar a atenção, largando a mala no corredor, juntamente com a bolsa que carregava.
— Hn. – resmungou, largando o fumo no cinzeiro de vidro, sem tirar os olhos da tela brilhante do tablet que segurava, e rolando uma notícia sem realmente lê-la.
— Como foram as coisas enquanto eu estive ausente? – perguntou, pescando uma garrafa de água na geladeira. A viagem tinha sido longa e ela não tinha parado para beber ou comer na estrada.
— Normais... – deu de ombros com indiferença.
— Uhum! – concordou com sarcasmo e caminhou até parar ao lado do Uchiha. – Eu estou vendo. – cutucou as manchas escuras de cinco dedos no quadril pálido. – Pelo menos, ele escolheu um lugar discreto dessa vez! – brincou com diversão. – Você foi encontrar o meu primo, não foi? E aí, o que aconteceu? – indagou, destampando a garrafa para sorver o líquido transparente.
— Você vai saber como foi, quando eu me levantar dessa cadeira e começar a andar... – resmungou mal-humorado.
A mulher parou.
E começou a tossir loucamente, dividindo-se entre gargalhar e tentar respirar, tudo ao mesmo tempo. A falta de oxigênio nos pulmões era tanta, que fez arder o peito e o rosto pálido ficar vermelho. Ela se abanava em desespero, procurando empurrar o ar para dentro, enquanto o moreno só olhava a cena de forma apática, como se a amiga não estivesse à beira de um colapso.
— Não diga essas coisas, seu idiota! – brigou em um só fôlego.
— Você quem perguntou... – ele deu de ombros, fingindo inocência.
Karin ainda tossiu algumas vezes para recuperar a garganta, antes de falar com um timbre ainda rouco pelo engasgo. Ela ainda balançou a cabeça vermelha algumas vezes, tentando expulsar a imagem mental perturbadora e sensual de Sasuke com Naruto dessa maneira.
— Vamos mudar de assunto! – depositou a garrafa em cima do balcão e começou a abrir os armários em busca de algo para comer. – Eu consegui um contrato muito bom na feira de exposições sobre Design de Interiores. E também levei algumas plantas e alguns projetos para mostrar para algumas empresas o meu trabalho e eles se interessaram muito sobre o meu estilo, troquei alguns contatos e acho que ainda essa semana eles me ligam para marcar reuniões.
Ela abriu um sorriso enorme e o olhou à procura de aprovação, fazendo o Uchiha sorrir também, mais resguardado e sutil. Karin parecia uma criança às vezes. E ele preferia morrer a admitir que ela parecesse fofa.
— Isso é muito bom... – Sasuke comentou vagamente, colocando o cotovelo em cima do tampo de mármore cinza e apoiando a cabeça nas mãos. – Só tente não pegar muitos projetos de uma vez, porque vai acabar não dando conta. Pegue um trabalho e o faça bem feito. – aconselhou.
— Eu sei... – ela pegou o último pacote de lámen com o cenho franzido em confusão. Ela tinha certeza que tinha mais desses nesse armário. – Você me parece pensativo. – comentou, olhando o moreno de soslaio. – Aconteceu alguma outra coisa, além dele acabar com o nosso estoque de macarrão instantâneo?
Nesse momento, o Uchiha riu.
— Ultimamente é tudo sobre o seu primo. – ele tamborilou os dedos na superfície fria. – Eu acho que ele não confia em mim tanto quanto eu achei que confiasse... – murmurou com os olhos perdidos em algum ponto da paisagem escura da janela.
Já havia anoitecido e, do alto do edifício, eles só conseguiam ver as luzes coloridas do centro de Nagano. O comércio ainda em movimento.
— Por que está dizendo isso? – a ruiva franziu as sobrancelhas, enquanto colocava água para ferver. – O que ele fez? – parou tudo para encarar o homem com atenção.
— Eu não sei se quero conversar sobre isso com você... – Sasuke enrugou o nariz.
— Então, não conversamos. Simples assim! – começou a se irritar. – Quem sabe você decida conversar com o seu irmão, o Itachi? – fez uma expressão maldosa.
“Maldita!”, ele trincou os dentes, tentando segurar a vontade que tinha de puxar os cabelos vermelhos até deixar a mulher careca. Karin definitivamente não era fofa.
— Ele parecia mais resguardado no sexo. Não sei explicar. – tornou a encarar a tela, agora apagada, do iPad, tentando impedir a vontade de corar de vergonha. – Mais esquivo e reticente, talvez. – explicou vagamente, meio encabulado sobre expor o que pensava com todas as letras.
Karin só olhou e esperou até perder o pouco que lhe restava da paciência, afinal, ela tinha trabalhado o final de semana todo e não queria desperdiçar tempo enrolando. Ainda queria tomar um banho e cair na cama cedo, porque tinha aula na manhã seguinte.
— Ele não te deixou ser o ativo? – deduziu em cheio, fazendo o homem arregalar os olhos. – Tem razão, eu não sou a pessoa adequada a falar sobre isso com você! – a mulher apontou com a mão e se virou para a chaleira no fogão. – Você deve falar sobre isso com o seu pinto amigo, quem sabe assim, ambos consigam resolver esse impasse! – ela deu um sorriso pequeno, antes de voltar a fazer uma cara séria.
— Karin... – o chamado era um aviso irritado, mas também uma súplica.
— O que você quer que eu diga? – ela largou a chaleira na pia com aborrecimento. – Os dois tiveram a noite toda, mais a tarde para falar sobre isso. Eu não posso dizer que ele não confia em você, porque ele já te deu provas o suficiente do contrário. – despejou o tempero no recipiente do macarrão instantâneo. – E eu não sei o que ele pensa sobre esses papéis na cama, porque... Enfim, você sabe! – resmungou. – Você tem que conversar com ele sobre isso!
— Eu deixei bem claro o que eu queria naquele festival. Ele entendeu, afinal, ele não é totalmente um idiota... – diante do olhar condescendente da ruiva, ele se calou e pensou um pouco melhor na declaração anterior. – Ok, ele é um idiota! – o moreno esfregou a testa em irritação. – Ao menos o seu primo poderia ter me dito que não queria na hora em que fui mais claro sobre isso!
— Eu não posso negar isso, porque você tem razão. – deu de ombros, começando a jogar a água quente no pote de isopor. – É um palpite, por isso, ainda sugiro que vá falar com ele, mas acho que ele está com medo... – apontou.
O moreno parou.
— Medo do quê? – franziu as sobrancelhas em confusão.
— Sexo anal ainda é um tabu para algumas pessoas; principalmente para os homens heterossexuais. Ele começou a se descobrir agora, Sasuke, dê-lhe um tempo para se acostumar! – ela deu a dica, caminhando para fora da cozinha carregando o macarrão consigo.
Sasuke bufou ainda relutante em dar o braço a torcer. Karin tinha razão. Por mais que achasse o conceito hipócrita, ele ainda existia. Naruto já tinha o surpreendido, dando-lhe um boquete na noite passada, mas não quer dizer que tudo seria simples e fácil na cabeça do Uzumaki.
— Eu odeio essas regras que a sociedade inventou. E se, mesmo depois da conversa, ele se recusar a me dar o que eu quero? – insistiu, assistindo a figura da mulher parar no meio do corredor e se virar com um olhar sombrio na face.
— Quem é você e o que fez com o Sasuke que eu conheço? – estreitou as pálpebras, quase escondendo os olhos castanho-avermelhados.
— Eu estou falando sério aqui, Karin! – rosnou impaciente.
— Eu também. – murmurou com a expressão assassina. – Quem é você e o que fez com o Sasuke? – repetiu a pergunta em um tom que exigia que fosse respondida.
— O que é isso agora? – rolou os orbes ônix, começando a achar que a mulher tinha enlouquecido de vez.
— Sasuke, eu vou te perguntar isso uma única vez e eu quero que você seja sincero na sua resposta. – ela começou em um tom explicativo, voltando para a cozinha e fazendo o Uchiha debochar com a ideia de não ser verdadeiro sobre algo. – Isso é muito importante para você? – questionou com seriedade.
O moreno arregalou os olhos novamente, enquanto entendia os princípios daquela pergunta aparentemente sem importância. E, naquele momento, o Uchiha se sentiu muito envergonhado, porque realmente parecia egoísta, ao analisar melhor as suas próprias inseguranças. No entanto, ele estava tão empolgado em mostrar coisas novas para Naruto, que ele esqueceu que tudo era muito novo para o loiro.
Ao olhar a expressão constrangida, a Uzumaki continuou.
— Consegue entender o que estou querendo dizer agora? – ela lambeu os lábios e remexeu o macarrão com um par de hashi. Impaciente demais para esperar para comer no sossego acolhedor do seu quarto, empurrou uma porção de comida na boca ali mesmo, em pé no meio da cozinha. – Naruto confia em você, isso é bem óbvio, caso o contrário, ele nem teria aceitado transar contigo naquele festival. Ele é um cara que gosta de se arriscar e é muito mente aberta para tudo, mas esse tudo também tem um limite para as coisas que desconhecemos, entende? – explicou de forma abafada, enquanto mastigava.
Sasuke mordeu o lábio inferior, sentindo-se autoconsciente pela primeira vez em tempos. Aquilo também era muito novo para ele e ele não estava acostumado a ser didático sobre sexo com alguém que entendia o que era sexo também, embora, de maneira diferente. Ele bufou, enquanto cogitava a possibilidade de ter se interessado por alguém menos complicado.
— Não, isso não é tão importante para mim. – admitiu, depois de esfregar o rosto. – Eu só me empolguei com a ideia de ele saber, sentir e entender o que eu sinto toda vez que estamos juntos. – confessou com a cabeça baixa.
— E ele sabe, Sasuke. – insistiu, voltando a caminhar em direção ao quarto. – Sério! – reforçou e parou novamente. – Eu acho que não preciso te dar esse tipo de conselho, visto como você é bem versado nesse assunto. Muito melhor do que eu, diga-se de passagem, porque enquanto você vira e mexe troca de namorados, eu continuo aqui, solteira. Contudo, vá conquistando devagar a ideia na cabeça dele. – deu de ombros. – Conhecendo Naruto como conheço, ele não é avesso ao fato de ser passivo por ser machista ou sexista. Você mesmo pode dizer isso! – apontou. – Ele deve estar com medo, porque deve estar se sentindo pressionado como se fosse perder a virgindade outra vez. – riu com a própria brincadeira. – Não diga para ele que eu te contei, mas a primeira vez dele foi com a Sakura, e ele entrou em colapso diversas vezes! Ele pode ser bastante impulsivo e extrovertido, mas ainda é muito romântico e não vê o sexo de forma casual, então, se preocupa muito e chega a ser tímido com relação ao tema. – contou com um sorriso também envergonhado. – Vá com calma. – deu uma piscadela e voltou a rumar para o quarto. – Não acredito que estou dando conselhos sobre sexo para alguém que passou o final de semana todo transando, enquanto eu passei esses dias todos trabalhando. – resmungou para si mesma, antes de se trancar em seu benquisto espaço pessoal.
Sasuke encarou o corredor vazio com um misto de admiração e resignação. Karin estava coberta de razão e ela tinha avisado no domingo anterior, que o outro não levava relacionamentos despreocupadamente. Ela podia até parecer louca a maior parte do tempo, mas era a pessoa mais sensata e madura que já conhecera. Ela sempre o surpreendia e, talvez, só talvez, isso fosse uma qualidade de ser um Uzumaki, porque Naruto também o assustava algumas vezes, com sua forma de ver o mundo.
— A parte mais difícil é ser paciente, quando tudo o que quero é pular em cima dele o tempo inteiro. – murmurou para a quietude da cozinha.
Ele sorriu extremamente constrangido em hipersensibilizar a situação e começar a ver coisas onde não existiam, tornando-o incerto sobre algo que estava certo. Ele, sempre tão seguro de si mesmo, estava se questionando constantemente ao redor do loiro, tamanho o poder que o homem tinha sobre ele.
Como um suspiro, ele brincou com as pontas do iPad e decidiu: conversaria com o mais novo sobre sua intenção, mas não para tornar a ideia mais fácil na cabeça do rapaz e, sim, para dissolver qualquer medo e insegurança que pudessem atrapalhar o sexo e o relacionamento. Dando um sorriso decidido, levantou-se e rumou para o próprio quarto. Essa semana, ele compraria alguma coisa para a amiga, a fim de agradecer a ajuda e alegrá-la. Pensou até em apresentá-la para alguém da sua turma na faculdade, afinal, ela o apresentara para Naruto e seria uma boa forma de retribuir, mas ninguém parecia digno o suficiente para a ruiva.
“Prefiro que ela continue solteira e estar com um cara qualquer!”, pensou com um toque de ciúme. E com o clique da porta se fechando atrás dele, Sasuke selou suas decisões.
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