Daqui para frente
1 Nova Escola
1-Escola nova
Como de costume no primeiro dia de aula, minha mãe queria me arrumar, detestava isso, mais ela não desistia enquanto eu não ficava vestido de modo que ela queria, logo que sai do banho vi as roupas que ela tinha escolhido em cima da minha cama, uma regata branca (Para ela isso me deixava mais “másculo”, pra mim só me deixava parecendo um frangote metido a besta), uma bermuda jeans abaixo do joelho, e um tênis do tipo que skatistas usavam. Não tinha escolha vesti aquilo e disse que estava pronto, mais só aquela roupa ridícula não bastava pra ela, tinha também que pentear meu cabelo. Ela pegou um pote de gel e me levou para frente do espelho, e então começou a fazer um topete em meu cabelo:
-O quê acha filho? — Perguntou ela.
-Ridículo. — Respondi em tom firme.
-Tá “gatão” em filho vai pegar todas na escola – Disse meu pai tentando me animar.
-Eu não vou pra escola pra pegar ninguém, eu vou estudar.
-Mais tem que se divertir um pouco né?! — Respondeu ele com tom irônico.
Sai do quarto e fui para a cozinha almoçar, a comida já estava na mesa, e minha mãe tinha me feito um prato com comida suficiente para alimentar um cavalo, meu pai sentou logo em seguida na mesa, e minha mãe se despediu da gente, saiu do nosso pequeno apartamento e foi trabalhar. Só ficou eu e meu pai em casa, ele olhava pra mim reprovando o meu modo de comer, enquanto eu estava com garfo e faca cortando a carne e colocando na boca em pequenos pedaços, um pai pegava a carne com uma colher e cortava com os dentes, em cinco ou sete minutos ele já tinha terminado, largou o prato na pia e foi para o quarto se deitar. Aproveitei que ele não estava ali e joguei a comida fora, fui no meu quarto e peguei uma blusa de frio azul marinho (Não sei o que minha mãe tinha na cabeça de me deixar só de regata, estava chovendo lá fora). Coloquei uma calça, tirei todo aquele gel do cabelo e sequei, foi bom ver meu cabelo preto escorrido de novo. Tirei aquele tênis, e coloquei um All Star, finalmente coloquei minha mochila nas costas e sai, cheguei naquela escola gigante, logo entenderia o porque de uma escola tão grande apenas para o ensino médio, entrei em um dos vários corredores das salas de aula, aqueles brutamontes corriam de um lado para o outro, olhei para trás e vi um garoto com porte pra lutador de MMA vindo em minha direção, ele esbarrou em mim me fazendo cair, “Sai da frente tampinha”, mais gente corria eu vi meu caderno ser pisoteado, e meu meu estojo chutado pra longe. Me contia para não chorar, não sei porque meus pais tinham me colocado naquele inferno, porque não continuar na minha antiga escola com meus amigos? Comecei a pegar minhas coisas do chão, e então alguém me estendeu a mão para me entregar meu estojo:
-'Era um garoto muito lindo, loiro olhos verdes, cabelo liso e com franja, resumindo ele era lindo!'
Peguei o estojo e agradeci, ele sorriu e me mostrou onde era minha sala, agradeci mais uma vez e ele saiu fiquei observando ele até ele chegar no fim do corredor e ir para o outro, entrei na sala e fui direto para o fundo onde me sentei, as mesas eram duplas e não havia ninguém ao meu lado, o sinal bateu e aquele garoto que tinha me ajudado mais cedo apareceu na porta:
-Desculpe professora... — Disse ele correndo pela sala e sentando ao meu lado.
-Ok Masami. — Respondeu ela.
-'Masami, o nome dela era Masami??? Tudo haver com ele, agora vi que não era a toa que ele era tão gentil e bonito' – Pensei.
-Oi cara... — Ele me cumprimentou.
-O-oi, se sua sala era aqui por quê não ficou? — Perguntei.
-Eu fui cumprimentar o pessoal...- Respondeu, antes de perguntar- Qual seu nome?
-Kenji – Respondi.
Começamos a copiar a lição e não dissemos mais nenhuma palavra, o sinal do intervalo bateu e ele foi direto atrás dos amigos dele, em um grupo, os cinco saíram da sala, eu fui para o refeitório, peguei meu lanche e me sentei distante de todos, estava comendo quando Masami sentou ao meu lado:
-Por quê não está com seus amigos? — Perguntei.
-Aoshi tá me enchendo o saco, prefiro ficar aqui com você. — Disse ele sorrindo logo em seguida.
Começamos a conversar, e eu notei algo de diferente nele. -'Talvez ele fosse igual a mim, haha estou me animando com isso... hmm...' — Logo depois que as aulas acabaram eu fui para casa, a porta de entrada da minha casa era na cozinha, e meus pais estavam na sala, fui gritar o “Mãe cheguei!”, mais ouvi a palavra 'Gay' vindo da TV, olhei de mansinho para ver o que eles estavam assistindo, e na TV falava sobre a legalização do casamento gay em São Francisco:
-Vermes, esse negócio de casamento homossexual não devia existir. — Disse meu pai com raiva.
-Gays são pestes no mundo, deviam ser todos mortos – Disse minha mãe.
Eles passaram por volta de cinco minutos chingando os gays sem notar minha presença, mais aquelas palavras já tinham me ferido, como eu ia ser feliz se meus pais pensavam assim a respeito dos gays? Eles nunca me aceitariam do jeito que eu era, aquilo me fez mal, mas eu não podia mais continuar na cozinha então fui para o quarto, passei pela sala sem dizer uma palavra, e meus pais pareciam que não tinham me visto, mais na verdade eles não se importavam muito comigo. Fui para o quarto e chorei até o fim da noite.
Notas finais
PS: -'blá, blá' Significa o pensamento do personagem!
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