Dança das Borboletas
1 Rosa e Azul
Notas iniciais
Devemos enaltecer mais esse casal tão fofinho que quase não tem visibilidade (o que é uma pena) mas que eu adoro ♥
Uma história bem fluffy porque não só de putaria vive Cosmos :p
História postada também no Spirit.
Espero que gostem ^-^
Boa leitura~
Kanao e Aoi se conheciam á tempos, entretanto, mesmo convivendo no mesmo lugar – a Estalagem da Borboleta – e passarem uma pela outra com muita frequência, elas não eram realmente próximas. Mesmo após alguns anos de convivência, elas poderiam contar nos dedos das mãos as vezes que tiveram um tempo maior entre elas ou tiveram conversas com mais de 20 frases entre ambas. Entretanto, elas já não sabiam dizer por quanto tempo se pegavam observando a outra em silêncio, longe uma da outra, ou quantas vezes que, ao que seus olhares se encontravam acidentalmente em um desses momentos, viraram o rosto com vergonha por sua atitude. Elas se gostavam, de verdade, mas eram envergonhadas demais para chegar na outra e iniciar um diálogo, quiçá se declarar. Sendo assim, elas apenas seguiam com suas vidas, admirando a menina que gostava em silêncio, estando ela tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe, como algo intocável.
Mesmo que tanto Kanao quanto Aoi tentassem disfarçar o que elas sabiam que ocorria entre elas, outras pessoas como Shinobu, Kiyo, Sumi e Naho conseguiam perceber o clima que ficava no ambiente quando as duas se encontravam. Se Kanae ainda estivesse viva, ela com certeza falaria ou faria algo para juntá-las, e mesmo que Shinobu tentasse ser mais parecida com sua irmã mais velha, para ela era impossível realizar algo do tipo; conhecia o gênio duro de Aoi e a submissão de Kanao, então tentar força-las não seria nada bom e poderia afastá-las ainda mais, e ela não queria isso e ficava frustrada por não conseguir pensar em um plano. No entanto, na estalagem havia três pequenas garotinhas que queriam ajudar; Naho, Sumi e Kiyo. Mesmo sendo pequenas, elas conseguiam entender as entrelinhas existentes entre as meninas mais velhas, e por acharem que elas estavam tristes daquela forma de não tentarem se aproximar, elas pensaram em como fariam isso. Mesmo que fosse algo que Aoi costuma esconder, ela adora dançar e é muito boa nisso, então iriam usar isso como uma forma de aproximar as garotas: fariam elas dançarem juntas.
O Hanami Matsuri – ou Festival das Cerejeiras – estava se aproximando, e era um tipo de tradição na Estalagem da Borboleta elas realizarem uma grande comemoração para o festival, com bastante comida, bebida e performances artísticas para as pessoas, uma forma de mostrar que, mesmo em um mundo com onis, as pessoas poderiam relaxar e apreciar as cerejeiras; aquele seria o primeiro ano sem a presença de Kanae, e por isso era importante para as residentes, e por essa mesma razão que as menininhas resolveram que na última noite do festival seria a data ideal para juntar Kanao e Aoi. Mas sozinhas elas não conseguiriam, então pediram auxílio de Shinobu, que ficou mais do que encantada e empolgada com a ideia; ela iria dar o seu máximo para que tudo ficasse perfeito.
{...}
O último dia do Hanami havia chegado e já escurecia na Estalagem da Borboleta; as pessoas iam embora e agradecendo pela hospitalidade e por tudo o que lhes fora oferecido no local, dizendo que tudo estava belo e que as comidas não poderiam ser mais gostosas. Shinobu, como a anfitriã, agradecia a presença dos convidados e lhes desejava uma boa noite e volta segura para suas casas – ela havia dado pequenos sacos com glicínias só por precaução. Os músicos contratados já haviam ido embora também, sobrando apenas as meninas na grande estalagem; hora de colocar o plano em prática.
Enquanto Sumi ia chamar Kanao e Aoi para o pátio, Kiyo, Naho e Shinobu iam preparando seus instrumentos para tocarem uma música festiva quando as outras garotas chegassem. Quando Sumi apareceu com a Tsuyuri e a Kanzaki, ela foi correndo para onde seu komabue estava preparada para si; Naho estava com um koto, Kiyo tinha em mãos um taiko de tamanho pequeno e Shinobu segurava um sanshin. As caçadoras mais novas ficaram confusas, mas quando a Hashira começou a tocar seu instrumento e em seguida ser acompanhada pelas crianças, Kanao e Aoi perceberam o que elas estavam fazendo. A morena de olhos azuis ficou contagiada pela música rapidamente e sentia suas desejando dançar, mas ela tinha vergonha em fazer isso na frente das outras pessoas; por outro lado, a morena de olhos rosados estava estática em seu lugar. O que deveria fazer? Ela segurava as mãos na frente do corpo com uma pequena gota de suor escorrendo por sua nuca, olhava para Shinobu como se pedisse por ordens; poderia jogar a moeda para decidir entre dançar – cara — ou não fazer nada — coroa, mas e se caso saísse coroa? Ela podia ver a animação contida de Aoi ao seu lado e como as outras estava tocando tão alegremente e sentia que deveria entrar no clima; mas Kanao era quase uma boneca, raramente decidia as coisas por si, precisava de alguém que lhe dissesse o que fazer ou ficaria al, parada, olhando as coisas a sua frente acontecendo, mas sem conseguir fazer algo por conta própria.
Kanzaki, percebendo que Tsuyuri estava com um rosto de alguém que não sabia o que fazer, bufou com a atitude da outra garota, sabia que ela era assim, mas as vezes irritava-se com tal comportamento, pois gostaria que ela tivesse a iniciativa de ir falar consigo – mas também não poderia ser hipócrita pois também nunca tomou a frente para fazer algo. Decidida a entrar na onda das outras garotas, se virou para Kanao com seu costumeiro semblante irritado, mas suavizou o rosto e deu um pequeno sorriso, pegou a outra pelos pulsos e a puxou para mais perto das moças. Kanao poderia ser a Tsuguko de Shinobu e uma caçadora forte e com reflexos incríveis, flexível e veloz, mas tinha certeza de que ela não sabia como dançar, algo que confirmou quando tentou fazê-la entrar no ritmo da música. A de olhos rosados era completamente sem coordenação e parecia ter dois pés esquerdos, olhando para o chão e tentando imitar os movimentos da de olhos azuis. Nos primeiros momentos foi um completo desastre a sincronia das garotas em tentar entrar no ritmo da música, já que Kanao realmente não sabia dançar, mas Aoi era teimosa e persistente, então, de forma paciente, aproximou os corpos e colocou as mãos da outra em seus ombros enquanto punhas as próprias na cintura fina e delicada, mas firme da menina a sua frente. Bochechas de ambas coraram, mas no momento deixaram de lado, e gradualmente, Tsuyuri imitava perfeitamente os passos de Kanzaki e se arriscava em alguns movimentos diferentes; elas realmente estavam dançando juntas agora.
Percebendo o progresso que tiveram, as moças com os instrumentos começaram a tocar uma bela sinfonia mais romântica e energética, e Aoi conduziu a dança de forma majestosa. A forma que as meninas bailavam eram graciosas, ritmadas, perfeitas, exatamente como o bater de asas de uma borboleta; ou melhor, de duas borboletas, como se fosse um cortejo. As duas sorriam em meio a música, giravam em torno da outra e si mesma, arrastavam os pés no chão e os jogavam ao ar, moviam os braços como se fossem voar; os olhos róseos e azuis nunca deixavam de se encarar, os cabelos de cores escuras se movendo junto aos corpos que começavam a suar pela energia que as contagiava assim como as que tocavam a bela sinfonia. Shinobu era claramente quem estava mais feliz com a dança das garotas, gostaria muito que Kanae pudesse estar com elas para testemunhar aquele belo romance que estava nascendo, mas tinha certeza que sua irmã as observava de um lugar especial no paraíso.
Ao que a música se aproximava do fim, seu ritmo aumentou até seu máximo, o claro clímax perfeito para aquele término do bailar de duas graciosas borboletas de cor rosa e azul. Todas já estavam suadas, animadas e com adrenalina pura correndo em suas veias, se preparando para um fim digno e grandioso. Aoi e Kanao estavam de mãos dadas, girando, saltando, se dobrando e se aproximando da outra de forma lenta até que estivessem abraçadas – as mãos de Kanao agora seguravam os quadris de Aoi enquanto a mesma tinha as mãos em seus braços. Nas ultimas notas, Tsuyuri ergueu Kanzaki acima de si e a garota ergueu os braços de forma graciosa e ao que a última nota se estendeu por alguns segundos, a Tsuguko puxou a outra caçadora para perto de si e a fez tombar para ficar paralela ao chão, segurando em sua cintura com uma mão e a outra estando erguida; Aoi segurava em suas costas e tinha a outra mão reta para o lado, os sorrisos das duas tão grandes que chegava a doer as bochechas.
Ao que elas perceberam que a música havia acabado, Kanao ajudou Aoi a se manter de pé e todas as cinco moças estavam visivelmente cansadas e suadas, com os peitos subindo e descendo para regular a respiração, mas satisfeitas e contentes com o que havia acabado de ocorrer. Quando estava mais calma, Kanao ficou bastante envergonhada de ter dançado e estado tão próxima de Aoi que desviou o olhar e agarrou um dos pulsos em timidez; e já cansada de ficar quieta, Kanzaki segurou delicadamente o queixo da menina a sua frente e a fez olhar para si, e antes que a outra pudesse pensar em fazer algo, selou os lábios sem experiência, mas com ternura e gentileza; um toque singelo, mas cheio de paixão e sentimentos presos até o momento. O selinho não durou mais do que alguns breves segundos, mas foi o suficiente para aquelas duas covardes que se encararam intensamente e riram de sua estupidez e medo; poderiam ter feito aquilo a muito tempo.
— Ara ara, vejo que vocês duas finalmente se entenderam. Isso é fantástico. – Shinobu disse com graça e de forma doce. Kanao e Aoi ficaram mais vermelhas pois haviam esquecido da presença das outras.
— Yey, elas se beijaram. – As garotinhas comemoraram alegremente em uníssono, contentes de que o plano havia dado certo, melhor do que haviam planejado.
— Sim sim, muito bom. Mas está ficando tarde e temos de recolher os enfeites, então ainda temos trabalho a fazer. Mas depois vamos ter uma janta farta e depois dormir, tudo bem meninas? – A mais velha dizia para as mais novas que concordaram e iam levando os instrumentos para dentro da estalagem. – Vocês vem? – Perguntou ao recém-formado casal.
— Hm, claro. – Aoi disse sem jeito e coçando a nuca; Shinobu riu e entrou na residência. – Vamos Kanao? – Ofereceu a mão a outra, que a olhou por alguns segundos até segurá-la.
— Claro, vamos Aoi. – Seu sorriso era pequeno, mas cheio de felicidade, o que deixou a de olhos azuis mais envergonhada, mas que também sorriu.
De mãos dadas, entraram na estalagem para ajudarem as outras a tirarem os enfeites e os guardarem.
E do lado de fora, voando perto das belas flores do jardim, haviam duas borboletas se movendo como em uma dança; uma rosa e outra azul.
Notas finais
Me perdoem qualquer erro que eu tenha deixado passar e espero que tenham gostado.
Essa é - provavelmente - a minha última história desse ano, mas se preparem que em 2020 irei trazer muitas outras fics desse fandom que eu amo de paixão ♥
Bom Ano Novo meu povo e bebam com moderação ;)
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