Dança

16 Capítulo 16 - "Vernácula"


Notas iniciais
"vernáculo 2. fig. diz-se de linguagem correta, sem estrangeirismos na pronúncia, vocabulário ou construções sintáticas; castiço." Boa leitura!

"Eu posso ir?"

Seus olhos brilhavam em entusiasmo. Tinha recém recebido o tão esperado e-mail. Aquele, da escola onde tanto estivera ansiando para entrar.

Largando o pincel, seu pai suspirou, abrindo um sorriso cansado. "É claro, Yuki."

A garota soltou um gritinho de felicidade. Ao canto da sala, sua mãe a encarava em silêncio. Ultimamente, aquilo era tudo que a mulher fazia. Manter um diálogo normal era impossível; por isso, Miyuki falava apenas o necessário, utilizando-se de uma vernácula.

"Não se empolgue tanto, mocinha.", o homem retirou as luvas de borracha, mantendo o riso. "Se for como no formulário, está cheia de malas para fazer."

A garota pôs as mãos nos quadris, bufando. "Eu posso usar a mochila!"

O pintor riu. "Como pretende levar sua luneta dentro daquela mochilinha?"

Sem conseguir responder de imediato, Miyuki cruzou os braços, contentada com a derrota. Seu pai terminou de despir a sujeira do trabalho, e olhou-a de forma mais séria. "O e-mail está aberto? Seria bom poder lê-lo."

Ela assentiu, empolgada. O pai passou por ela, sumindo pelo corredor.

Sua mãe endureceu o olhar, sugando o ânimo da filha. "Precisamos ter uma conversa."

Encarou-a de volta. "Não.", respondeu, devagar e fria.