Eu observo Tom enquanto ele escreve, concentrado, alguma coisa em um caderno grosso de brochura, que está apoiado em cima de suas pernas cruzadas na cama; as costas encostadas na cabeceira, parecendo estranhamente confortável. Sua posição o obriga a olhar para baixo ao escrever, fazendo com que sua franja estupidamente perfeita caia sobre sua face, escondendo seus olhos castanhos. Uma nova música? Talvez. Mas isso não tem importância. Não agora, quando dedico cada segundo do meu tempo para observá-lo, atentamente, com medo de perder um mínimo movimento sequer. Quantas vezes já não me peguei fazendo isso? Na maioria das vezes eu nem me dou conta de quando comecei, só percebo quando em algum momento ele levanta sua cabeça, jogando displecentemente sua franja para um lado, dessa vez retribuindo meu olhar. Um pequeno sorriso surge no canto de seus lábios finos e eu me vejo encantado por aquela visão. O sorriso que eu dou em resposta é dez vezes maior, e ele volta a abaixar a cabeça; sua mão não pára nem por um segundo sequer. Eu sinto uma pontada de curiosidade me atingir, mas ignoro.

Os segundos parecem passar mais devagar enquanto mantenho meus olhos presos na figura loira sentada há poucos metros de mim. Eu mal percebo quando Harry entra no quarto, murmurando algo sobre Dougie e pegando qualquer coisa sobre a mesa.

Eu acho que nunca vou conseguir descrever — pelo menos em palavras — a minha relação com Tom. É uma coisa indescritível, uma coisa que você só pode sentir. Alguma coisa que eu só sinto com ele. Tom me passa uma sensação de segurança, de proteção, alegria. Na verdade, ele passa sensações que eu nunca senti, e nem sabia que existiam. É estranho pensar assim sobre o meu melhor amigo. Seria mesmo só isso? Essa pergunta já me rendeu boas noites mal dormidas. E a resposta, estranhamente, nunca surgiu.

Talvez, por ele ser meu melhor amigo eu me sinta assim. Não sei. Eu só sei que eu meio que me tornei dependente dele, em todos os sentidos. Eu não consigo passar um dia sem vê-lo, sem ouvir sua voz. Eu não consigo pensar em algo, e não relacionar com Tom. Isso às vezes me frustra. Eu não consigo simplesmente ficar longe dele. É como se faltasse alguma coisa, que não poderia ser substituída. E, de fato, não pode.

Desde o dia em que botei meus olhos sobre Tom, eu soube que ele seria mais do que qualquer pessoa em minha vida. E essa certeza só foi se concretizando com o passar dos anos. Tom é aquele com quem eu compartilho tudo: segredos, risadas, lágrimas, momentos. Em todos os momentos de minha vida Tom esteve presente, mesmo que indiretamente. E isso parece tão normal... Ele já faz parte de minha vida, e eu não consigo a imaginar sem ele.

Todas as brincadeiras, os toques, os simples olhares me fazem a pessoa mais feliz do mundo, me trazem sensações únicas. Sensações que eu gosto de sentir. Sensações boas. Eu gosto quando ele ri das minhas piadas sem graça, quando ele me abraça ou quando ele simplesmente diz meu nome. São coisas pequenas, mas que tem um significado enorme.

Ás vezes me pergunto se ele também sente o mesmo. Mas, o que eu sinto, para saber se ele sente também? Eu não sei classificar esse sentimento. É uma mistura de tantos... Mas todos são bons. Eu deveria me sentir assim com ele? Só com ele?

Apoio minha cabeça em uma das mãos, ainda o observando. Poderia passar minha vida toda assim. Acho que Tom não sabe o quanto ele significa pra mim, o quanto ele é especial. Não... Ele é essencial. Ele é único. Já cheguei a pensar que estaria apaixonado por Tom. Isso me parece tão absurdo e tão óbvio ao mesmo tempo, que me confunde. Mas talvez não seja isso, não sei. Como eu já disse, não sei classificar.

Eu só sei que o que eu sinto por Tom, seja lá o que for, é para sempre. Disso eu tenho certeza.

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