Danilo
1 love, love, love
Notas iniciais
Pra todo mundo que eu não respondi ainda: Me desculpem e não desistam de mim, a vida tá complexa. Mas eu já tinha essa one terminada, então só precisava de tempo para revisá-la. Ela não vai ser a única, porém! Já aviso que teremos também outro spin-off chamado "Thales", hmmm do que será?
O nome do capítulo é baseado nessa música aqui do Of Monsters And Men: https://www.youtube.com/watch?v=beiPP_MGz6I
Puta merda.
Eu realmente amo o Théo.
Acho que devo ter pensado isso umas mil vezes desde que Thales apontou para a minha cara, rindo:
— Você gosta do meu irmão né? De um jeito gay, ‘tô falando.
É muito tempo. É muito sentimento. Achei que ia passar com a puberdade.
Sinceramente achei que conseguiria odiar Théo como eu mesmo me odeio.
Mas nunca consegui me afastar dele. E há cada ano que passávamos juntos, percebia que o amava mais.
Claro que eu não achei possível o Théo me retribuir. Quando Thales pediu para eu não falar nada, achei que o único motivo seria esse: Não estragar a nossa amizade forçando Théo a aceitar os meus sentimentos.
Sempre fui o único amigo do Théo e eu não podia estragar isso para ele.
Thales era mais velho. Para mim ele era como um guru, sabia de tudo. E ele sempre se aproveitou disso, de nós dois. Só notei isso depois de muito tempo. Hoje em dia tudo que sinto por ele é ódio.
Mas claro que Théo vai morrer sem saber disso.
Sou uma pessoa muito passiva. É o que escuto da minha mãe o tempo todo, que eu não tomo atitude, eu aceito as coisas como são, que as pessoas se aproveitam de mim.
Então eu sabia que eu ia conseguir morrer amando Théo em silêncio.
Ele sempre foi mais inocente, mais puro, sei lá. Acho que eu penso assim porque gosto dele, mas foda-se. O medo de destruir essa inocência sempre me deixou paralisado.
Mas então o mundo o destruiu e eu não pude fazer nada.
Fiquei desesperado. Era como se o Théo estivesse esfarelando entre os meus dedos.
Então me confessei, da forma mais egoísta do mundo. Não sabia qual a reação dele, eu só queria alguma coisa. Só queria que ele visse que Thales não era única coisa na sua vida.
Também estou e vou estar sempre aqui.
Acho que sempre julgo Théo mal, em algum nível. Talvez eu goste de cuidar dele demais, talvez isso seja natural com quem interage com ele – Nathália virou a mãe dele agora – ou talvez seja meu ego querendo ser idolatrado por alguém.
Mas várias vezes ele me surpreende com a forma que reage. Tipo me beijar. Nunca fiquei tão feliz antes na vida, e é vergonhoso o quanto isso é sério. Nunca achei que o Théo ia ter atitude primeiro.
Théo é mais forte do que eu pensei.
Talvez mais forte do que eu, na verdade. Por quê eu demorei anos para aceitar que eu conseguia beijar garotas, beijar garotos, beijar pessoas não binárias e gostar de todas elas igualmente.
Mas nenhuma delas iam superar Théo.
Théo, em questão de segundos, me aceitou completamente. E se aceitou completamente quando me beijou.
Ele disse que é provavelmente demissexual, mas não liga menos para rótulos. Apenas me ama e é isso.
Eu gosto de rótulos. Mas eu entendo quem não gosta de rótulos. E ‘tá tudo bem com isso.
‘Tô tentando não me embaraçar mais do que me embaraço diariamente fingindo que segurar a mão de Théo não faz o meu corpo entrar em combustão. Estamos na fila do cinema.
Sim, isso é um encontro. Primeiro encontro.
Depois de uns meses de terapia, Théo me chamou para sair.
Nós finalmente vamos sair.
Nem parece que eu conheço esse garoto desde os três anos. Parece que ele é um completo estranho, e parece que eu estou ouvindo a risada dele pela a primeira vez, enquanto fala sem parar desse filme de desenho que me convenceu a ver.
— Do jeito que você ‘tá animado ‘pro filme, a gente vai ver mesmo hem.
Théo demorou alguns segundos para entender o que eu queria dizer. Me arrependi amargamente da minha boca grande e minha falta de tato.
Tudo só ficava pior graças à Théo.
— Dá para equilibrar. – Théo respondeu tranquilamente, me matando mais uma vez. Ele sorriu e apertou a minha mão e eu quis virar uma poça de slime no chão.
Eu não deveria gostar tanto dele, mas eu gosto.
— Porra, Théo... Era ‘pra você me bater ou algo do tipo...
— ‘Pra quê? – ele ficou confuso. – Eu que te chamei para o cinema, Dani.
Ele estava completamente certo e eu odeio ele por isso.
Eu não consigo nem mentir.
Consigo perceber as pessoas nos encarando. Apesar disso me incomodar e me dar ansiedade, sei que eu preciso aprender lidar para ficar com Théo.
Eu não quero que ele ache que eu tenho vergonha dele, porque eu não tenho. Eu só queria que o mundo não fosse tão difícil.
Nós nunca parecemos amigos normais antes, imagine agora.
Pelo menos ambos sabíamos que ficaríamos seguros no escuro da sala do cinema. Théo quis muito comprar pipoca, e apesar de eu saber (por experiência) que vai ser o maior desperdício, quando eu consegui dizer não para ele?
Nem curto pipoca. Mas toda vez que a gente vai no cinema ele me faz comer pelo menos um pouco. As vezes eu mesmo pego de forma distraída, ou as vezes ele enfia na minha boca para me fazer calar a boca e prestar atenção no filme.
Também não curto cinema. Estou longe de ser cinéfilo ou coisa do tipo. Prefiro muito mais séries no conforto da pirataria da minha casa.
Théo vê séries comigo, eu vejo filmes com ele. ‘Tá equilibrado. Mas cinema em um encontro nunca significa ver nada...
Quando a gente finalmente entrou na sala do filme, os trailers já haviam começado porque nos atrasamos na fila de pipoca.
— Por que a gente tá sentando no fundo?
Respirei fundo. A vergonha é um monstro de sete cabeças dentro do meu estômago, não é possível.
— Você quer que eu desenhe?
Mostrei como era uma área segura, assim ninguém poderia nos ver de frente e nem por trás. Ainda dava para ver o filme, o problema seria a dor no pescoço depois...
— Você ‘tá me devendo uma massagem no pescoço. – Théo disse após a minha explicação. Tive que rir.
— Não brinca que eu faço.
— Nah. Você é muito desajeitado. Ia acabar deslocando algum osso meu.
— Como é que é? – exclamei, ofendido, me inclinando para encarar Théo. Ele começou a rir daquela forma adorável dele, como uma criança feliz. Não via a menor diferença entre o Théo de dezesseis anos e o Théo de dez anos, quando eu percebi pela a primeira vez que gostava dele mais do que como amigo. – Eu vou deslocar mesmo, de propósito.
Comecei a fazer cosquinha em Théo pela a cintura e a barriga, e ele lutou mais para controlar a gargalhada do que para me afastar de fato. Eu queria ter o deixado implorando por ar, mas o perigo de ser expulso do cinema antes do filme começar era real.
A gente não podia chamar atenção, de qualquer forma.
Não me afastei de Théo mesmo após ter terminado a sessão de cosquinha, mas isso não é nenhuma surpresa. Nunca consigo me afastar dele.
Théo levou a mão até o meu rosto e me beijou.
Pelas as duas horas seguintes, eu esqueci totalmente onde estávamos e que pagamos para ver um filme.
Para mim, eu paguei para segurar Théo e o beijá-lo o tanto que eu podia.
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