Daniel Alexander
3 Viver é melhor que Sonhar
Notas iniciais
Manhattan, Nova York.
Jason estava esperando por Piper na porta do prédio da garota. Estavam quase em cima da hora. O lado bom é que Jason estava com sua moto.
— Finalmente Pipes! — O loiro suspirou. — Estamos quase atrasados.
— Não se preocupe com isso Jason, afinal, hoje não vamos para a escola. — Piper falou com o namorado, que se surpreendeu.
— Como assim? — Jason seguiu ela pelo corredor, até o elevador. — Hoje temos uma prova importante, e entregar um trabalho sobre a Segunda Guerra Mundial.
— Esqueça, hoje temos que falar com Leo. — Piper entrou no elevador. — Ele quer falar algo sobre a ameaça que fizeram com a Annie e o Percy.
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Enquanto isso, Nico acabou de acordar, e ainda zonzo, se levanta, mas tropeça em seu caderno, caindo no chão.
— Porcaria. — Ele se levanta novamente. — Eu devia ter colocado esse caderno na estante. — Ele pega o caderno do chão, e o joga na cama. — Que merda!
Ele entrou no banheiro do quarto, de onde saiu com outras roupas, ainda pretas, a única cor que tinha em seu guarda-roupa. Olhou para o cesto de Maria, vazio, e então dirigiu o olhar para a janela.
— Mãe, saiba que eu ainda me verei livre do meu ódio. — Ele falou para o vento, e saiu do quarto.
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— Drew estava me enchendo o saco para saber mais sobre o apedrejamento do apartamento do Percy. — Piper contava para Jason como havia sido a noite anterior. — Foi terrível, ela me disse que ia me bater se não falasse “tudo”. — Piper fez o sinal de aspas com as mãos.
— Se aclame Rainha da Beleza. Eu descobri uma coisa importante sobre esse atentado, digamos assim. — Leo falou sem tirar os olhos do notebook.
Os três estavam reunidos no porão da casa de Leo, que servia como quarto e oficina do garoto. Iluminado por grandes lâmpadas fluorescentes, tudo era feito de metal, da mesa a cama de Leo. Diferentes tipos de metal eram fundidos para dar vida aos trabalhos de Leo, inclusive umas estatuas que ele tentava fazer. No quarto também era visível sua bateria. Os três amigos estavam sentados ao redor da mesa de Leo, lotada com peças e engrenagens.
— Fala o que foi Leo! — Piper batia os dedos na mesa.
— Bem, esse apedrejador misterioso, e possível estuprador da Annie, é muito esperto, mas ele esqueceu que hoje em dia dá pra saber qual a mão se usa para escrever. — Leo sorria com orgulho. — O cara que fez isso é canhoto, mis amigos!
— Ahn? — Piper levantou da cadeira em que estava sentada. — Você descobriu isso como?
— O melhor programa de análise de letras da Polícia de Nova York! — Leo sorriu. — Vocês sabem que eu sou um Hacker sensacional.
Jason, quieto desde que chegou, tomou a palavra.
— Não é melhor, tipo, deixar isso pra polícia mesmo? — Ele ajeitou os óculos.
— Sim, mas quem disse que não poderíamos fazer nossa própria investigação? — Leo sorriu com ar travesso.
— Léo... — Jason e Piper falaram em uníssono.
— Eu sei, é brilhante! — Leo recostou na cadeira, enquanto Piper corria para abraça-lo.
— Na verdade, eu acho perigoso, muito perigoso. — Jason falou.
— Se acalme Super-Homem, tudo vai dar certo! — Leo falou para o amigo.
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Hazel acabara de sair da escola, quando percebeu que havia esquecido o celular.
— Porcaria, porcaria, porcaria. — Ela murmurava enquanto voltava para a escola. — Justo hoje que eu não podia me atrasar!
Ela voltou ao prédio, e procurou pelas salas pelas quais passou. Após meia-hora ela estava desesperada. Ela precisava do celular hoje, para saber se poderia ir ao médico.
— O que eu faço? — Hazel estava quase desistindo, quando uma professora entrou na sala em que ela estava. Usava um vestido preto, e um jaleco da mesma cor, e seus cabelos eram grandes, chegavam na cintura, além de ostentarem um arco cravejado por mini diamantes de plástico.
— O que ainda faz aqui Hazel? — A mulher se sentou na cadeira, e observou a garota vir na direção dela.
— Senhorita Hecate! — Hazel apoiou as mãos na mesa dela. — A senhora viu um celular com uma capa com um diamante rosa desenhado?
— Não, infelizmente não vi, mas você pode checar nos achados e perdidos da escola. — Hecate falou, se levantando. — É no andar de cima, se quiser, eu posso...
— Não precisa professora, obrigado! — Hazel se despediu correndo da sala.
Hazel correu até o lugar, e começou a bater na porta da pequena sala, quando num balcão ao lado as janelas se abriram, e um garoto asiático saiu para falar com ela.
— O que deseja senhorita? — Ele falou com ela. — Espera, eu já te vi antes.
— Muito possivelmente, mas antes, eu preciso do meu celular! — Hazel apoiou as mãos no balcão, se levantando, tentado ver atrás do asiático. — Ele tem uma capa com um diamante rosa desenhado atrás.
— Um minuto. — O asiático saiu do balcão, e começou a buscar por uma caixa nas prateleiras. — Se estiver aqui, ele está nessa caixa. — E com a caixa em mãos, ele voltou para o balcão.
Ele retirou cerca de vinte celulares dali, e Hazel foi procurando, até encontrar o dela.
— Que alívio! — Ela suspirou, e então encarou o asiático. — Minha mãe ia me matar se eu estivesse sem esse celular hoje, obrigada!
— Hm, de nada! — O asiático corou, e depois começou a guardar os celulares na caixa. — Sabe, eu tenho certeza que já te vi antes. — O garoto falou. — Você é Hazel Levesque, a garota que gabaritou as provas de química durante dois anos seguidos.
— Sim, eu mesma. — Ela falou, olhando para o relógio. — Meu Deus, a hora! Eu tenho que ir, amanhã eu passo aqui de novo! — E Hazel saiu correndo do lugar, com o asiático olhando ela, quando percebe que uma pulseira tinha ficado no balcão.
— Isso não estava aqui antes. — Ele falou, pegando a pulseira e botando na mochila, quando uma mulher passou pelo balcão e se dirigiu a ele.
— É hora de fechar Frank, pode ir para casa. — A mulher, secretária da diretora, falou com ele.
— Claro, senhorita Aracne. — Ele pegou a mochila e foi para casa.
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Um trovão pode ser ouvido em toda ilha de Manhattan. A chuva começou a cair e molhava a janela do quarto de Annabeth. A garota chorava muito, por causa de uma possível solução que havia encontrado. Ela estava na dúvida, até que a porta do seu quarto se abriu, e seu namorado entrou.
— Percy. — Ela correu para abraça-lo. — Tudo bem com você?
— Sim Annabeth, tudo bem. — Ele a levou até uma cadeira. — Estive pensando, você não quer mesmo ir para Nova Roma?
— Percy, nós já conversamos sobre isso ontem. —Ela abaixou a cabeça, apoiando-a com a mão. — Eu não quero sair de Nova York sem terminar os meus estudos.
— Eu sei Annabeth, mas Nova Roma é mais seguro que aqui, com essas ameaças... — Percy foi cortado.
— Mas e se o maníaco nos seguir? — Annabeth se levantou da cadeira. — E se ele tiver escutas aqui? Não sabemos com quem estamos lidando, e isso pode ser muito mais perigoso do que pensamos. Por isso eu pensei numa saída temporária.
— Que saída Annabeth? — Percy perguntou para a garota, que agora encarava a janela molhada.
— Eu vou abortar. — Annabeth falou, e começou a ouvir Percy gritar, espernear e falar sobre a saúde dela, entre outras tentativas de fazê-la desistir da ideia.
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Na manhã seguinte, Annabeth e Percy estavam no carro amarelo de Jason, junto com Leo, e iam para a clínica que realizaria o procedimento.
— Não acredito que vai fazer isso Annabeth. — Jason falou com a garota.
— Deixe a garota Jason, ela não está cometendo nenhum crime. — Leo dirigia o carro, enquanto Jason estava no carona, com a habilitação vencida.
— Por causa de poucos dias, por que se ela esperasse mais um pouco, aí seria crime. — Jason cruzou os braços e apoiou a cabeça na janela.
— Jason, Eu também não concordei com isso, mas a decisão final é dela, e somente dela. — Percy se manifestou.
Annabeth tinha acordado mal e tinha ficado calada o dia todo. Era difícil ir tirar um feto de dentro de si, especialmente que ela poderia vir a criar, mas para ela era a melhor opção.
O silêncio reinou no carro, que parou no sinal vermelho. Ao lado, um carro preto abaixou o vidro, e mostrou uma metralhadora. Leo notou e gritou um palavrão no carro, enquanto Annabeth e Percy se abaixaram nos bancos de trás.
Quando o sinal abriu e Leo arrancou, que a rajada de tiros começou. Em uma perseguição tensa por Manhattan, que com certeza tivera seus cidadãos baleados, Leo desviava do jeito que podia, enquanto o carro preto tentava acertar o Pequeno Relâmpago, apelido que Jason colocara em seu carro.
Os tiros só pararam quando sirenes de polícia surgiam no ar. Leo encostou o carro metralhado de Jason, cujas rodas ainda estavam inteiras por sorte, ou vontade do atirador.
Eles desceram do veículo e Annabeth tremia com Percy abraçado ao seu lado. Jason estava desmaiado na calçada. Leo estava assustado, pois nunca pensaria que uma cena igual a dos filmes de ação ia acontecer com ele. Um pouco antes do primeiro carro de policia chegar, já com muitos anônimos em volta, espiando o que havia acontecido, ele encontrou um dardo preso no pneu esquerdo traseiro do carro, e junto dele um papel dobrado. Leo leu a nova ameaça do stalker de Annabeth e Percy. Ele se virou na direção do casal, com o bilhete em mãos.
— “Annabeth, você não vai conseguir tirar esse filho sem morrer. Esteja claro”. — Leo leu em voz alta, e Annabeth voltou a chorar, mas agora quase sem lágrimas.
— Agora mesmo é que estamos ferrados. — A loira falou olhando para o céu.
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Em um pequeno bar, Nico estava com um drink na mão. Apesar de proibido, ele gostava de beber de vez em quando para esquecer todos os problemas secretos de sua vida.
— Eu já disse que beber álcool faz mal para você!
Nico se virou no banco. Não era a pessoa que ele esperava, mas era a que sabia dos seus maiores segredos.
— William Solace, me seguindo de novo. — Nico entornou o copo com a bebida e se levantou para cumprimentá-lo.
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