Daniel Alexander
6 Doce Ilusão
Notas iniciais
Manhattan, Nova York. – Quatro meses depois...
O Inverno chegaria logo em NY, e Percy comprava ensandecido roupas e roupas de bebê. Ele estava enlouquecido também pelo resultado do Ultrassom, para saber se o bebê seria menino ou menina. Annabeth disse para ele que só quando o exame estivesse nas mãos dela que ele saberia qual ia ocorrer: Menino ou menina.
O frio vento de outono não era nada para Perseu. O inverno praticamente já estava aí, só esperavam o dia 21 ou 22 de Dezembro para bater o martelo. E o Natal estava próximo também, o que lembrou a Percy dos amigos e da família, e ele resolveu endoidecer um pouco mais voltando no dia seguinte para comprar o presente dos mesmos.
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Sally, Poseidon, Atena, Tyson, Malcom, Nico, Jason, Piper, e Leo em uma cadeira de rodas, encaravam Annabeth, que estava sentada na mesa de jantar do apartamento dos Jackson, esperando por Percy, para falar sobre o bebê. Ela lamentava Grover chegar apenas daqui alguns dias, e que Hazel teve que ir ao médico naquele dia.
Atena encarava Poseidon com raiva no olhar, possivelmente porque Annabeth não conseguiu falar para a mãe que ela havia sido vítima de um estupro. Nico estava quieto num canto, enquanto Leo, Jason e Piper conversavam, possivelmente sobre a figura sombria que os atormentava. Resolveram chama-la de Primordial, sem motivo aparente.
Quando a porta abriu e Percy entrou meio assustado, Annabeth começou a falar.
— Que bom que todos estão presentes aqui. — Ela falou pegando o envelope. — Hoje saberemos se essa gracinha é menino ou menina.
Percy esperava por um menino, enquanto Annabeth lia o exame ele deixou as sacolas no chão e correu para o lado de Annabeth.
— E parece que Daniel Alexander vem por aí. — Annabeth falou rindo.
— É um garoto mesmo! — A redundância de Percy veio em lágrimas. Apesar de tudo, eles estavam sem ser importunados fazia um bom tempo, o que justificava um pouco da alegria dos mesmos.
Os outros começaram a felicitar Annabeth e Percy. Depois de felicita-los, Nico ficou parado num canto ao lado de Leo e Piper.
— Leo, sabe quem está voltando para Nova York? — Ela perguntou para o amigo.
—Quem seria? Mais uma das conquistas de Leo Valdez? — Ele perguntou sarcástico.
— Sim, Thalia volta da turnê nessa semana. — O nome da irmã de Jason fez Leo despertar.
— Não dou crédito que a Cara de Pinheiro vai voltar... — Nico se pronunciou. — Aquela se deu bem, com o talento que ela tem para o Rock, fazendo fortuna com a banda.
— Às vezes me esqueço de que você, Percy e Jason são primos Nico. — Piper falou com um sorriso amarelo de canto de boca, um pouco nervosa.
— Eu sei, eu sou muito diferente dos dois. — Nico pegou um copo com refrigerante e tomou de uma vez. — Mas esteja certa que nós três temos muitos problemas, assim como nossos irmãos.
Piper ficou pensativa, provavelmente pensando em Jason, e no tipo de problema que teria tido, ou até estaria tendo.
— Bem, mas com Thalia de volta, quem sabe eu não volto a tocar bateria... — Nico pensou alto, e recebeu um olhar de Leo.
— Sério que você toca bateria di Angelo? — Leo se animou. — Eu, você e Thalia. Nós podíamos tocar juntos quando ela voltar.
— Boa ideia Valdez, mas o que você sabe tocar? — Nico olhou descrente para o mecânico.
— De tudo um pouco, mas um teclado é muito show, e é o instrumento perfeito para mim, o grandiosíssimo e aclamadíssimo tecladista-pianista Leo Valdez. — Leo respondeu com seu senso de humor.
— Ok Leo, quando ela chegar, enviaremos essa proposta para ela. — Nico ficou realmente empolgado com a ideia. — Se ela aceitar, teremos que nos esforçar, afinal, ela tem esse talento natural para dar o tom de rock para qualquer coisa.
— Concordo Nico, Thalia tem música, e uns choquinhos, nos sangue. — Leo falou.
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Bianca estava sentada em frente ao pai. O silêncio reinava na mesa de jantar dos di Angelo, até Bianca suspirar.
— É isso. Eles acham que alguém envenenou a mamãe, e dizem que os laudos são forjados. — Bianca terminava de vez uma conversa de meses.
Desde que ela voltara de Roma, ela interpelava o pai, que não acreditava na palavra da família da mulher. Mas naquela manhã ele decidiu ouvir mais uma vez o que Bianca vinha falando nos últimos tempos.
— Faz sentido. — Hades deu o braço a torcer. — Ela estava excelente de saúde, tínhamos ido ao médico na sexta anterior ao domingo, quando a fatalidade ocorreu.
— Finalmente entendeu né pai. Alguém queria matar a mamãe. — Bianca bufou vitoriosa.
— Mas quem estaria interessado nisso? — Hades olhava a filha como se procurasse respostas. Não pensava em quem poderia matar Maria di Angelo.
— Contratemos um detetive, é o primeiro passo. — Bianca se levantou da mesa. — Não fale com Nico por enquanto, ele pode ficar muito abalado. E não confie na polícia, afinal se os laudos foram mesmo forjados, podemos entrar em um perigo sem proporções.
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Hazel encarava o travesseiro. Ficar deitada durante o dia todo foi tenso para ela, acostumada a correr e se movimentar pelas ruas de Nova York, mesmo coma consulta do dia anterior, mas o que a chocava era os tufos de cabelo que estavam sobre o travesseiro.
Ultimamente os cabelos da garota estavam caindo muito mais do que há quatro meses, quando ela descobriu a doença. Mais magra e fraca a menina tinha uma consulta no dia seguinte, mas ela queria sair antes. Possivelmente seu tratamento entraria numa nova fase, com a quimioterapia ela acreditava, mas tão perto do Natal ela se sentia sozinha, vazia, ela queria que a mãe passasse mais tempo com ela, apesar da mulher ter passado a atender seus clientes somente em metade do dia. Quando finalmente decidiu deixar o quarto, ela pegou o telefone, desbloqueou e foi aos contatos, tocando em cima de um nome: Nico.
Para a garota ele estava agindo como um irmão. Nos últimos meses, Nico a acompanhara ao médico quando a mãe não podia e, mesmo contra sua vontade, o garoto lhe comprara vários remédios para amenizar alguns sintomas que a doença impunha nela. Além disso, ela descobriu que ele fazia parte da mesma família de um de seus melhores amigos, Percy Jackson.
— Nico? — Ela perguntou. — Que bom que atendeu. Você está ocupado?
— Não, está precisando de algo, Hazel? — O garoto parecia preocupado do outro lado da linha.
— Você pode vir pra cá? — Ela falava encarando os carros que trafegavam de um lado para o outro. — Eu queria uma companhia.
— Já sei, eu vou passar aí, mas você vai conhecer a minha casa hoje! — Nico falou do outro lado da linha, e desligou. Hazel foi se arrumar.
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Percy estava com Annabeth no terraço do prédio do jovem. O vento frio de outono parecia já trazer pedaços de neve, quando Annabeth se pronunciou.
— Primordial é um ser que te odeia, mas ainda não sei por qual razão... — Ela não completou a frase, esperando por qualquer reação de Perseu.
— Não entendi Annie. — Ele questionou.
— Você não se lembra de ter feito nada de ruim para ninguém? Nada de nada? — A loira foi direto ao ponto.
— Já briguei com muita gente, mas nada para a pessoa voltar e se vingar de mim Annabeth. — Percy também foi direto. — Quem nunca brigou na vida?
— Eu sei Percy, mas esse Primordial, pelo que ele já fez, parece que ele guarda muita mágoa, rancor de você. — Annabeth soltou a mão de Percy, e foi ver o movimento do transito. O frio parecia que inebriava os pensamentos da garota.
— Calma Sabidinha, nada vai acontecer com você. — Percy abraçou a garota e a beijou, enquanto o sol se punha, deixando o céu alaranjado e aconchegante.
Quando se separaram, o telefone de Percy tocou. O garoto estranhou, mas atendeu o número desconhecido, e do outro lado da linha uma voz destorcida falava com o garoto.
— Bom dia Perseu. — A voz falou sarcástica.
— Quem fala? — Ele disse enquanto Annabeth assumia uma expressão preocupada.
— É tão difícil saber quem eu sou Perseu? — A voz gargalhou tão alto que Annabeth se arrepiou com o barulho da mesma. — Sou aquele que vocês chama de Primordial.
— Então você é o filho da puta que está ferrando com a minha vida? — O tom raivoso de Percy assustou Annabeth. — Seu merda, pra que você tá fazendo isso? O que é que você quer comigo?
— Acalme-se e controle essa boca, Perseu! — A voz pediu gentilmente.
— Não vou me acalmar porra nenhuma, responda as minhas perguntas antes de pedir qualquer coisa pra mim! — Percy bufava e gritava com o aparelho.
— Ora essa Pequeno, você sabe que o meu objetivo é ver você sofrer, Perseu! — A voz não alterava do tom gentil. — E sofrer muito.
A ligação caiu, e Percy com raiva atirou seu celular edifício abaixo. O estalo do aparelho no asfalto pode ser ouvido dali.
— O que ele queria Percy? — Annie indagou o namorado, abraçando-o.
— Possivelmente brincar comigo. — Percy falou colocando a mão nos olhos e suspirando em seguida. — Vamos entrar e comer algo Annie, afinal, como diz aquela série de tevê: “O Inverno está chegando”.
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Irritado.
Assim Leo poderia se descrever enquanto estava no quarto de Nico di Angelo.
O elfo latino havia sofrido um acidente, rolando o lance de escadas que separava o apartamento onde Percy morava do apartamento de Nico. Piper foi a primeira a vê-lo, e resolveu tocar na campainha do lado obscuro da família de Percy.
A irmã de Nico, que nenhum deles conhecia, os atendeu e levou ao quarto do irmão, obrigando Leo a ficar deitado, enquanto Piper esperava pelo médico do moreno. E nisso quarenta minutos se passaram.
Nico saiu da comemoração de Percy e Annabeth depois de receber uma ligação de Hazel, por isso ele agradecia de não ter que ver o pequeno nerd, emo, gótico, raro, e diferente naquele lugar. Aquilo o tranquilizava um pouco.
Mas ainda estava irritado e inquieto, e decidiu tentar se levantar. Alcançou a cadeira de rodas, e com seu jeito de sempre dar um jeito, ele conseguiu se sentar na mesma. Piper ficaria uma fera com ele, mas graças a isso ele pode notar melhor o quarto de Nico, do preto das paredes, até a cama pendurada no teto, e viu que estava em uma cama improvisada por Bianca, ao lado da escrivaninha de Nico.
Leo parou um pouco e resolveu ir até a estante de livros do garoto, vendo desde as séries adolescentes, aos livros pedidos pela faculdade, passando ainda pelos contos de terror, analisou a poeira que as lombadas continham, e viu alguns exemplares que o deixaram curioso. Estava para pegar um quando a porta se mexeu e ele rapidamente disfarçou sua intenção quando Nico entrou com Hazel.
— Valdez? — Nico estranhou.
— Leo! Quanto tempo! —Hazel disparou quarto adentro, abraçando Leo, tão debilitado quanto ela. Após algum tempo, Leo percebeu que Nico não estava gostando muito da sua presença ali e se soltou de Hazel, para explicar-se.
— Nico, desculpe estar aqui, mas eu sofri um acidente, estou apenas esperando um médico e a sua irmã disse que não tinha problema, aliás, olha ela aí. — Leo sorriu aliviado ao ver Bianca di Angelo com Piper ao lado. — Depois ela te conta detalhadamente o que aconteceu.
Nico assentiu, esperou Leo sair, e se fechou com Hazel. Leo foi com Bianca e Piper até a porta, onde estavam se despedindo.
— Muito obrigado mesmo, Bianca. — Leo agradeceu a garota. — Acho que se fosse por seu irmão eu tinha ficado esperando socorro aqui no corredor.
— Que nada! Nico parece do mal às vezes, mas tem um bom coração. — Bianca sorriu para o novo amigo.
— Ah, mais uma pergunta! — Ele tentou pensar uma forma dela não soar tão estranha. — Nico é canhoto?
— Sim Leo, por que pergunta? — Bianca disse confusa.
— Nada de mais, apenas curiosidade. — E com isso, Leo deixou o prédio com uma suspeita, ainda leve, em Nico di Angelo.
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