Daniel Alexander
12 A Realidade é apenas um Ponto de Vista
Notas iniciais
Manhattan, Nova York.
Piper estava indignada, e Leo assustado. Jason encarava ambos. O quarto de Leo estava com a janela aberta e com o vidro aberto. Ventava muito.
— Porque você não nos contou? — Piper choramingou. A garota estava com os olhos inchados de tanto chorar.
— Eu já disse que não podia. — Leo respondeu indignado, como se ninguém o tivesse compreendido ainda. — O Primordial podia sacar tudo! Ver que eu andava, e que não desisti de nada!
— Leo, esquece dele um pouco! — Jason interviu na conversa. — Você sabe que ele não se importaria com você se não tivesse começado essa investigação!
— Pode ser verdade! — Leo rugiu para os amigos. — Mas eu só comecei a levar isso tudo a sério depois que nós dois, junto do Percy e da Annie fomos quase alvejados no meio das ruas! Você se lembra disso Jason? Ahn?
— Eu lembro Leo, mas eu não saí atrás de um criminoso preocupado em destruir o meu primo! — Jason respondeu mantendo o tom de voz controlado. — Eu me preocupo muito com ele, mas não seria louco a esse ponto. E sabe, eu acho que a detetive Reyna faz certo em te investigar!
— Jason, você não acredita que o Leo tenha algo contra o Percy, não é? — Piper agora estava receosa com o que o namorado poderia falar.
— Não sei. — Jason falou e segurou a mão de Piper, que se soltou e abraçou Leo, que se espantou coma resposta de Jason e o abraço da amiga, para em seguida voltar para o loiro. O casal saiu do quarto deixando um Leo chocado e pensativo.
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Frank saiu correndo quando amanheceu, pois queria encontrar seu pai. Queria conversar com ele sobre uma parte da conversa que tinha escutado entre Annabeth e seu irmão no restaurante. Alguém da sua escola investigava o Primordial, e ele tinha necessidade de vingar a mãe.
De ônibus, depois barco, assim chegou em Staten Island, onde seu pai estava com a gangue de motocicletas. Andou por algumas ruas caçando o galpão, esbarrou numa garota de cabelos longos e bandana vermelha na cabeça. Ela o olhou torto e logo continuou seu caminho. Frank ficou assustado, mas também seguiu em frente.
Depois de alguns minutos achou o galpão abandonado onde seu pai e os seguidores estavam. O papel até descrevia qual campainha ele devia tocar. Frank esperou alguns minutos até um cara com longos cabelos roxos abriu o portão para ele. A encarada fez Frank sentir vontade de virar um gato, caso pudesse. O sino-canadense então começou a gaguejar, mas o cara saiu da frente dele e Frank agradeceu acenando a cabeça, e logo encarou várias motos, veículos abandonados, e motoqueiros, que limpavam as motos.
— Guri, vem comigo. — O cara de cabelos roxos o chamou, e logo o Zhang o seguiu para uma sala pouco iluminada, onde seu pai estava sentado na cadeira maior e de couro, e outro cara, esse com cabelos azuis, se encontrava recolhido, como se temesse desagradar alguém. — Marte, eis o teu filho.
— Frank, meu garoto! — O motoqueiro ficou de pé, e assumiu sua gigantesca altura, indo abraçar o filho.
Ainda meio desconfortável Frank retribuiu o abraço do pai sentindo os olhares dos outros dois seres presentes no ambiente.
— Deixa eu aproveitar e te mostrar seus irmãos. — Ele deu um tapa carinhoso e um pouco forte, que fez Frank se desequilibrar um pouco, mas logo o Zhang ficou parado. — O de cabelos roxos é Fobos, e o de cabelos azuis é Deimos. Eles são gêmeos.
— O Guri já me conhece. — Fobos falou atraindo os olhares dos irmãos e do pai. — Eu que abri o portão para ele.
— Não ligue para o Binho, tem vezes que ele é lerdo. — Deimos falou se revirando no sofá.
— E vocês não abraçarão seu irmão, não? — Marte falou um pouco ríspido com os dois, que correram para um abraço triplo que fez Frank corar de vergonha. — Então, o que te traz aqui meu menino?
— Bem, lembra do que eu te falei sobre a minha mãe? — Frank encarou o chão.
— Hm, o cara que está atormentando Nova York, pude me informar melhor depois. — Marte refletiu. Fobos e Deimos deitaram de lados opostos no sofá do local. — Por que deseterrar o assunto meu filho?
— Pistas, eu escutei algo que me deixou curioso no restaurante. — Frank dava um tímido sorriso enquanto falava. — Um aluno da minha escola conseguiu algumas informações sobre o maldito. Ele está investigando desde que ocorreu um tiroteio há meses.
— Interessante meu filho, realmente interessante. — Marte refletiu mais um pouco. — Mas o que você espera que façamos com isso?
— Podemos pegar alguma coisa com ele. — Frank falou excitado como se estivesse declamando um novo poema clássico. — Alguma coisa que pode nos levar para o maldito que tirou a vida da minha mãe, e quase tirou a minha também!
Fobos e Deimos levantaram as cabeças dos braços do sofá, e escutavam o que Frank falava. Marte tirou os óculos e encarou profundamente Frank.
— Pode até ser Frank, eu realmente quero te ajudar. — Marte ficou calado por mais um momento e se levantou da cadeira — Mas para isso, quem sabe não seja preciso um treinamento para você? — Marte fez um sinal para Fobos e Deimos saírem da sala.
— Como assim? — O menino questionou o pai. — Pra que eu precisaria de um treinamento?
— Para estar preparado caso encontre o Primordial. — O motoqueiro se encostou na mesa. — Artes marciais, sabe alguma?
— Alguns movimentos de Kong-fu, apenas. — Frank olhou para o teto.
— Tire as luvas, o cachecol, o casaco e a touca. Sua dieta é boa? — Marte perguntou enquanto pegava as roupas do filho e deixava em cima da mesa.
— Bem, desde que eu comecei a fazer exercícios de novo, sim, eu melhorei o meu modo de comer, um pouco. — Frank se perguntava o porquê de tantas perguntas?
— Bem, tire a camisa, eu quero ver como isso reflete no seu corpo. — Marte pediu e Frank fez. No instante seguinte, Fobos e Deimos entraram com um saco de boxe e uma sacola. — Bem, eu quero te treinar Frank, e por isso decidi deixar seus irmãos aqui, afinal, não posso ficar muito tempo no estado de Nova York, e obviamente, inclui a cidade. Quero você forte para enfrentar esse ser, e mais, quero você como um membro honorário da gangue. Quero você forte e esperto, de preferência mais esperto que esses dois pelo menos.
Frank ficou chocado e boquiaberto, porém sorriu. Os irmãos montaram o saco de boxe e tiraram tatames montando-os no chão, além de tirar uma camisa da gangue para o menino.
— Lembre-se, eu faço de tudo pra te ver feliz meu filho. — Marte abraçou o filho colocando o braço ao redor do ombro de Frank. — Inclusive vingar sua mãe.
O Zhang sorriu e logo estava treinando com Fobos e Deimos.
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Percy resolvera ir até a escola. Não sabia o porquê, só sabia que queria falar com Atena, e sem Annabeth estar presente. Porém, no caminho resolveu seguir para a casa da namorada.
A campainha já devia ter irritado quem quer que fosse ali, afinal, o filho de Poseidon tocou por mais de cinco minutos e ninguém veio atendê-lo. Percy se cansou e tentou ligar para ela, mas o celular dava fora de área. Como numa epifania, ele se lembrou de que a namorada prestaria o depoimento hoje.
Frustrado o menino resolveu sair do prédio pela escada. Precisava pensar mais e mais. Não estava mais aguentando escutar os pais discutindo sobre possíveis traições que eles teriam cometido. Também não se conformava de ter recebido a notícia de que Tyson possivelmente era visto como um suspeito pela delegada Reyna.
Percy chegou ao saguão do prédio pensando em dar uma volta no Central Park, quando escutou alguém gritando o nome dele. Percy se virou e encarou a porta do elevador fechando com Annabeth.
— Depois eu te ligo amor! — Ele gritou de volta, e esperou a porta fechar por inteiro para poder se virar e encarar a multidão que circulava por Nova York.
Percy saiu correndo atrás da delegacia. Queria questionar Reyna agora, saber se ela realmente considerava seu irmão que, realmente, não ficava muito em casa, mas o amava desde sempre.
Após meia hora o garoto estava com o corpo colado na cadeira da sala de Reyna. Ela o encarava, irritada, mas ele não ligava para isso.
— Então é verdade. — Percy batia o pé no piso freneticamente. — Você colocou meu irmão na lista de suspeitos pra ser o Primordial.
— Você não deveria entrar na sala de ninguém sem ser convidado seu moleque. — Reyna respondeu. — Você deu sorte ainda por cima. Já ia fechar o arquivo do seu irmão para ver o próximo.
— Por que ele? Por quê? — Percy segurou no braço da cadeira. — Ele me ama desde que eu nasci, não tem motivo pra querer me ver morto de jeito algum.
— Talvez, por isso ele é um dos próximos, junto com seus primos: Jason e Nico. — Reyna começou a discorrer sobre os próximos inqueridos a prestar depoimentos. — Logo seus pais, sua sogra, seus outros amigos. Todos serão investigados.
— E a Annie, o que ela falou no depoimento dela? — Percy resolveu perguntar.
— É sigiloso por enquanto. — Reyna respondeu seca.
— Me fala alguma coisa, por favor! — Percy quase gritou. — Já estou cansado de não saber nada Reyna!
— Ok, eu vou te dar uma fala dela. — A delegada puxou um arquivo da gaveta que ficava embaixo da mesa, e abriu. — Quando perguntada sobre se ela sabia algo comprometedor do seu passado, ela respondeu: “Talvez um coração quebrado, eu tenho essa suspeita que ele deixou um coração quebrado”. E eu perguntei de quem seria.
Percy olhou Reyna assustado, como se esperasse que ela continuasse logo, mas ela só o fez quando ele balançou a cabeça dando o sinal para ela prosseguir.
— Annabeth respondeu: “Nico di Angelo, o primo mais novo dele”. — Reyna respondeu e Percy gritou caindo no chão, mas batendo a cabeça na mesa da delegada.
Reyna gritou chamando ajuda para a vítima principal do Primordial.
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Jason e Piper aproveitavam o recesso no cinema. Os dois estavam ansiosos pela chegada do novo ano. Piper aproveitava também para esquecer um pouco do Primordial, de Leo e todos os outros. Tudo que a menina mais desejava era passar aquele tempo com seu namorado.
Ao fim da sessão, os dois saíram de mãos dadas pelo cinema.
— Jason, realmente, eu precisava desse descanso, sabia? — Piper admitiu para o namorado enquanto apoiava os cabelos castanhos no ombro do loiro.
— Bem, é realmente bom, até porque eu vejo como desnecessária essa ajuda que você dá ao Leo nessa perseguição louca contra o Primordial. — Jason concordava com a amada, mexendo nos cabelos dela com a mão livre. — Vamos para onde agora?
— Que tal naquela livraria? — Piper falou se virando para encarar o rosto do namorado.
Eles então caminharam para o edifício que ficava perto do cinema, e logo se acomodaram admirando a imensidão de livros e estantes.
Depois de andarem por algumas fileiras, Jason entregou sua mochila para Piper, e foi ao banheiro. A menina resolveu então sentar num divã que ficava próximo da entrada do prédio.
Ao sentir a mochila vibrar, lembrou deixara seu telefone ali, mas não lembrava em que bolso. Vasculhou a mochila do amado, porém além do celular, Piper encontrou uma carta estranha, e logo abriu a mesma, começando a ler.
Depois de se chocar com as palavras, jogou a mesma no chão. Não queria acreditar nas letras escritas pelo Primordial em relação a Percy, Annabeth e Thalia. As ameaças ainda eram tão graves quanto as mais antigas, mas a menina cherokee só pode sentir medo e repulsa ao ler aquilo.
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Hazel estava preparada para o que viria agora. Nico e Will estavam ao seu lado, preparados para apoia-la. Era o dia de decisão em relação ao próximo passo do tratamento da menina. Muito provavelmente seria confirmado que ele faria o Transplante de Medula o mais rápido possível, apesar de ainda não ter nenhum doador em vista.
— Doutor Asclépio, quais as novidades? — A jovem perguntou assim que se sentou na cadeira apoiada por Nico que entrou com ela na sala.
— Você já está apta para a cirurgia, meu bem. — O homem apoiou as mãos sobre a mesa. — Porém, não encontramos nenhum doador compatível com você.
— E quanto tempo que isso vai demorar? — O menino questionou.
— Depende, os parentes, geralmente os irmãos, têm mais chances de terem a medula compatível, mas a senhorita Hazel não possui nenhum irmão. Isso é bem complicado. — O médico mexia as mãos agitadamente enquanto explicava. — Mas obviamente há alguém com a medula compatível para doação, teríamos que esperar.
— Esperar quanto tempo, quanto tempo para eu me curar? — Hazel também questionou o médico. — Fale logo doutor.
— Bem, até um compatível aparecer pode demorar. — Doutor Asclépio gaguejou um pouco no começo da fala. — Amanhã posso te ligar e te dar essa notícia, ou então só daqui há meses.
— Doutor, poderia eu ser um doador? — Nico indagou ao médico.
— Dependendo da sua idade sim, jovem. — O médico começou a escrever no papel. — Fora isso vou te dar mais algumas recomendações, e rezar para que logo possamos realizar a cirurgia.
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