Notas iniciais
Oi pessoal! Como vocês estão hoje? Sei que demorei demais pra postar, mas foi um dia bem cheio.
Nesse capítulo vamos conhecer alguém *-*
Espero que gostem!
Tento retocar o lápis de olho enquanto Kyle dirige. Estou olhando no pequeno espelho que fica no teto no banco do passageiro. Kyle acha a maior graça e apenas balança a cabeça.
—O que foi? — pergunto retocando o lápis.—Eu não disse nada. — ele se defende.—Hm.Não sei como as mulheres conseguem fazer isso em ônibus, metrôs e nos carros, pra mim é uma missão impossível, mas consigo. Olho para minha roupa. Claro que quero causar uma boa impressão para o pai de Kyle. Decidi vestir uma calça jeans preta, sapatos da mesma cor, um cropped preto e um casaco preto de pelo por cima. Tive que ouvir uma piada sem graça do tipo "Você está de luto?" e logo depois mostrei o dedo do meio para ele.Kyle estava com a mesma roupa que foi me buscar no hospital, já que ele fora direto para minha casa.Ficamos em silêncio o trajeto inteiro. Eu estava muito ansiosa e acho que Kyle também. Mas era um silêncio bom,nada desconfortável. O céu estava nublado e tinha voltado a garoar novamente.***A clínica não era como eu achei que seria. Não era um prédio enorme e cheio de quartos, e sim uma casa muito grande com uma área absurdamente grande de um campo de futebol, piscinas, mesas de tênis... Parecia mais como um local de passar férias. Pelo menos por fora. Kyle e eu estávamos indo em direção a "casa" propriamente dita,andando lado a lado e eu me surpreendi quando seus dedos procuraram os meus e se entrelaçaram. Olhei para nossas mãos juntas e depois para seu rosto. Ele olhou para mim e estava visivelmente tenso. Sorri suavemente para tranquilizá-lo e então entramos.De primeira, estávamos em um corredor, passando por uma porta de vidro, e logo a nossa frente havia um balcão com uma recepcionista jovem que sorriu para Kyle. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo relaxado, seu cabelo era preto e enrolado.—Oi Kyle, veio ver seu pai?Kyle sorri.—É, ele queria almoçar. Jonas ligou para mim.A menina sorri e assente.—É, eu fiquei sabendo. — ela olha para mim. -Então essa é sua namorada! Oi, sou a Lizzie.Fico um pouco sem reação sem saber se devo apertar ou não sua mão. Apenas sorrio para ela.—Muito prazer. — digo.—E então,onde ele está? — Kyle pergunta.—Na salão de refeições. Pode ir lá.—Obrigado Lizzie. — Kyle sorri e então começa a andar.Sigo ele andando ao seu lado e entramos em um grande salão cheio de mesas redondas com quatro cadeiras. Há poucas pessoas ali, talvez por ser dia de semana e os pacientes não estarem recebendo visitas. É como um hotel, tirando os enfermeiros de roupas brancas.Kyle sai andando por entre as mesas e eu o sigo logo atrás dele.—Oi pai. — Kyle diz para um homem sentado em uma cadeira no canto do salão.O homem se levanta e dá um abraço forte em Kyle.—E aí, filhão? — ele bate algumas vezes nas costas do filho.— Pai, essa é a Alice. — Kyle se vira para me olhar.Sinto meu coração martelando forte e meu rosto esquentar sobre o olhar do pai do garoto de cabelos vermelhos.—Ora, muito prazer Alice, sou o Danny.—Muito prazer sr. Blake. -digo estendendo minha mão para ele.Ele desconsidera minha mão e me puxa para um abraço forte. Fico um pouco constrangida, mas sorrio e retribuo o abraço.—Tudo bem com o senhor? — pergunto.—Sim e com você? Fiquei sabendo do acidente, você está bem?Sorrio.—Sim, graças a Deus.Paro para analisar o homem que está á minha frente. Ele é mais baixo do que Kyle, tem cabelos lisos e muito grisalhos penteados para trás e usa óculos retangulares. Seus olhos são castanho claro e ele sorri.—Bom, vamos nos sentar sim?Kyle e eu nos sentamos nas cadeiras vazias. Me sento de frente para o pai de Kyle e Kyle do lado.—Obrigada por virem almoçar comigo.—É claro. — sorrio. — Então sr. Blake...Ele me interrompe com uma risada.—Sr. Blake não, Danny. Sei que sou velho,mas dispenso o senhor.Sinto minhas bochechas corarem e sorrio.—Tudo bem, desculpe... Danny. -enfatizo seu nome. — O Kyle não me contou muito sobre o que você fazia.Danny olha para o filho e finge estar magoado.—Talvez seja porque o Kyle não goste de Matemática. -e dá uma gargalhada.Kyle revira os olhos e sorri.—Não tem problema não, querida. Eu trabalhava em banco, com finanças. Amo números! Tenho uma coleção de moedas de todos os países em casa.Arqueio as sobrancelhas.—Sério? Que legal!—Legal, não é? — Danny sorri satisfeito. -Mas o Kyle prefere arte. Sempre preferiu. Igualzinho a mãe dele. — ele dá um tapinha no ombro de Kyle e ambos sorriem um para o outro.Sorrio com aquilo. É interessante que apesar das circunstâncias, eles falam abertamente sobre a mãe de Kyle.— Bom, eu gostaria de ver essa coleção de moedas. Sempre quis ver de perto um fiorino d'oro.Danny sorri e segura minhas mãos no meio da mesa.—Ah o florentin florentino é lindo! E seu italiano és belíssimo.Sorrio.—Pode deixar que lhe mostrarei um florentin.
—Mal posso esperar. Nos endireitamos na cadeira e olho para Kyle que está olhando para mim com uma expressão indecifrável. Ele não está sério e nem sorrindo,apenas me olhando.—Bom,vamos pedir o almoço então senão agora parto dessa pra melhor por fome.Dou risada com Danny e um garçom vestido com avental branco sorri para nós, vindo em direção á nossa mesa. ***A comida da clínica era ótima! Comemos arroz, uma salada mista com várias hortaliças raspadas, frango grelhado e purê irlandês. Enquanto comíamos Danny e eu conversamos muito mas Kyle não se pronunciou muito, apenas algumas vezes quando Danny se dirigia a ele, confirmando algum fato que ele estava contando.Descobri muita coisa sobre Danny e bastante coisa sobre a família de Kyle e alguns passeios da infância dele. Danny havia servido o exército por três anos antes de conhecer a mãe de Kyle, Claire, e então após uma noite de "fogo e paixão" -como Danny havia se referido me fazendo rir até chorar — Claire engravidou de Kyle. Eles moravam em uma cidadezinha pequena do estado de Ohio e construíram uma grande casa para eles morarem. Contou também que, após saber que sua esposa estava grávida, ele entrou no banco e começou a trabalhar lá, dando assim início ao seu amor por finanças e matemática. Ele tinha vinte e dois anos na época.Após muitas horas conversando com Danny sobre vários assuntos e sobre diferentes moedas e suas histórias, Danny olhou para Kyle e disse:—Kyle, queria falar sobre um assunto com você.—Sobre o quê? — Kyle se mostra apreensivo ao seu pai e beberica o suco de maracujá natural.—Sobre sair daqui.Kyle franze o cenho e balança a cabeça.—Como assim sair daqui?Danny dá de ombros.—Sei que ultimamente tive problemas mas, não quero maia ficar aqui. Quero voltar para a minha casa.Kyle parece transtornado e tira a jaqueta de couro que estava vestindo.—Pai, o senho enlouqueceu? Não se lembra o porquê mudamos de lá.Danny suspira e continua.—Claro que me lembro. Mas quero voltar para minha casa. Lá sempre será minha casa, filho. Não importa o que aconteceu,não mais. Estou aqui há muito tempo e me recuso a morrer aqui.Kyle fecha os olhos e respira fundo.—Pai...—Acho que pode ser uma boa ideia. — digo.Danny e Kyle olham para mim ao mesmo tempo.—Alice. — Kyle olha para mim com os olhos duros e eu me calo. Ele volta a olhar para seu pai. — Isso não é uma boa ideia pai, eu não sei. Não posso me mudar de volta para Ohio agora. Estou no último ano da faculdade.—Eu sei, filho. Não estou pedindo para você mudar, eu...—E quem vai cuidar de você? O senhor sabe o porquê coloquei o senhor aqui, não sabe? Para o senhor ser cuidado. —Eu sei filho, eu sei. Mas isso não será mais necessário e...—Olha, podemos conversar sobre isso em outra hora. -Kyle diz sério dando ponto final ao assunto.Vejo Danny e o filho se entreolharem por um momento. Danny enfim suspira e dá de ombros.—Tudo bem.***Depois da conversa tensa entre Kyle e seu pai,não ficamos lá por mais tempo. Na verdade,havíamos passado a tarde inteira lá na clínica. Na hora de ir embora, o gramado extenso estava iluminado com postes grandes de luz. Danny, Kyle, eu e um enfermeiro descíamos o gramado em silêncio olhando para todos os lados. Eu estava entre Kyle e Danny e olhava para os meus pés.Chegamos ao lado da picape preta de Kyle e ele disse:—Tchau pai, foi bom te ver. Volto amanhã, ou depois de amanhã tudo bem?—Claro, filho. Vejo eles trocarem um abraço rápido dando batidas nas costas um do outro. Me abraço numa tentativa inútil de me esquentar mais. O casaco de pelo não esta dando muito resultado.Danny olha para mim e abre os braços.—Querida Alice, foi um prazer conhecer você. Sorrio e lhe dou um abraço demorado e apertado.—Fico muito feliz por Kyle ter achado alguém tão bonita e inteligente como você.—Obrigada Danny. -agradeço segurando suas mãos. — Virei te visitar de novo, hein.—Ficarei esperando. Vê se você pode me trazer una charutos escondido.Dou risada quando o enfermeiro ao lado de Danny coloca as mãos na cintura e finge estar se incomodando com o rumo da conversa.—Não faça essa cara, você também gosta de charutos!—Sr. Danny, nem todo mundo precisa saber disso.Damos risada.—Obrigada pelo convite.Suas mãos trêmulas apertam meus dedos e ele sorri sem mostrar os dentes.Kyle e eu entramos no carro e colocamos o cinto de segurança. O vidro da janela ao lado de Kyle é abaixado e eu aceno de dentro do carro quando Kyle liga o carro e dá tchau para eles.Após nos afastarmos de seu pai e o enfermeiro, Kyle levanta o vidro novamente. O vento está forte e o céu quase todo escuro. Analiso o perfil dele. Ele está irritado, com uma expressão séria e olhando para frente enquanto suas mãos seguram o volante. Decido não falar nada por ora, mas sei que não deveria ter me intrometido no assunto de Danny voltar para casa.
Notas finais
E aí, o que vocês acharam do pai do Kyle? E do capítulo no geral? :)
Eu fiquei bem feliz com esse capítulo! Me contem aí ;)
Ah, hoje é dia nacional do escritor *-* melhor data ever! suausahush
Beijo grande pra vocês e até nossa #DangerousWednesday.
Amo muito vocês,
Lê.
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