Notas iniciais
TRILHA SONORA: WIPED OUT — THE NEIGHBOOURHOOD
Fui liberada do hospital naquela manhã chuvosa e escura. O médico fora muito claro sobre o meu repouso necessário pelo resto da semana. Me passou analgésicos, caso eu sentisse alguma dor e me instruiu a voltar ao hospital, caso eu sentisse muita vertigem ou se a dor de cabeça não cessasse com os remédios. Também respondi algumas perguntas do tipo "Do que você se lembra?"; "Quem estava dirigindo?"; "Para onde você estava indo no momento do acidente?"; "Como você está se sentindo sobre isso?". E, logo depois de respondê-las pacientemente, o médico saiu do quarto com Kyle e eu fui ao banheiro para tomar um banho rápido. Sean havia trago algumas peças de roupa para mim. Eu estava feliz de finalmente me livrar daquela camisola cinza horrorosa.
Tomei um banho rápido, apesar da água do chuveiro estar numa temperatura quente e agradável com uma pressão boa para relaxar os ombros e vesti a roupa que Sean havia trago para mim do meu closet. Fiquei feliz em saber que meu irmão sabia combinar as roupas muito bem. Ele havia trago para mim uma calça jeans azul escura cintura alta, um suéter rosa claro de manga comprida e meu par de sapatilhas. Tudo bem que um tênis seria mais apropriado já que todos estavam falando o quanto estava frio. Mas não teria que me importar com isso já que voltaria para casa de carro com Kyle.
A ideia de andar de carro novamente era um pouco assustadora depois do ocorrido. Mas, eu confiava em Kyle e em seu modo de dirigir, apesar de ele não ser acostumado a andar com cinto de segurança — assim como Matt.
Passo a mão pelo espelho embaçado pelo vapor do chuveiro quente e olho meu reflexo nele. Meus arranhados me incomodam, meu machucado na boca também. Mas, o que mais está me incomodando é aquele corte na lateral da testa — agora já sem os pontos- mas, ainda cicatrizando. Não há nada que eu possa fazer para escondê-los porque nem maquiagem eu não tinha em mãos, então saio do banheiro e vejo Kyle encostado na cama vazia com o celular na mão digitando algo com a testa franzida.
—Tudo bem? — eu pergunto da porta do banheiro.
Ele olha para mim e se endireita, ficando mais ereto.
—Sim. Gostei da sua roupa, mas você vai passar frio com isso.
Dou de ombros.
—É o que Sean trouxe.
Kyle dá de ombros e suspira.
—Você está bem mesmo? — pergunto.
—Sim. Vamos?
Concordo com a cabeça e então saímos do quarto.
***
Kyle, por incrível que pareça, coloca o cinto de segurança sem eu mandar. Sorrio com isso e ele revira os olhos e finge não estar com vontade de rir.
—Bom, pelo menos esse acidente serviu de alguma coisa, não?
—Engraçadinha. — ele responde enquanto começa a dirigir pelo estacionamento do hospital.
Olho pela janela, o céu está cinzento e cai uma garoa fina do lado de fora. Estou feliz de ver o grande hospital ficando para trás depois de passarmos pela cancela do estacionamento.
—Você está com fome?
—Não muito, só... Quero ir pra casa.
—Tudo hem. — ele assente. — Você quer ir pro seu apartamento ou pro meu?
—Pro meu. Sei que você não vai poder faltar a semana inteira no trabalho e nem deve fazer isso. Acho melhor eu ficar por aqui.
—Você que manda.
Sorrio e encaro minhas mãos no meu colo. As palavras da minha mãe ainda martelam em meu pensamento.
—O que foi boneca?
Olho para ele e balanço a cabeça
—Nada. Estava só... pensando.
—Sei que você disse que está cansada, mas acho que vou te levar em um lugar para comer.
***
Não posso deixar de sorrir quando vejo Kyle trazendo dois cachorros quentes na mão. Estou sentada na grama do grande Central Park há uns vinte minutos com a vista de pessoas fitness correndo ou com pais e mães com suas crianças. A garoa fina parou de cair. Observo-o vindo até mim. Seus cabelos vermelhos se destacam na multidão. Não consigo deixar de achá-lo atraente com aqueles cabelos. Ele é uma rara excessão pois eu sempre abominei cabelos coloridos de uma cor tão berrante. Mas ele é lindo. Ele se destaca com sua jaqueta de couro, calça jeans e All-Star entre uma multidão de gente vestida de terninhos para anotar seus números num quadro branco gigante. Ele é meu artista.
Enfim o semáforo se abre e ele atravessa com os dois cachorros quentes. O vento está gelado, mas nada que eu não possa suportar já que peguei uma blusa de frio sua jogada no banco traseiro do carro.
—Nunca vi aquela barraca de cachorro quente tão cheia como hoje.
Dou risada quando ele se senta ao meu lado e me entrega um dos cachorros quentes.
—Obrigada. — digo e dou uma mordida grande.
Suspiro e olho para Kyle que abocanha quase metade do seu cachorro quente com uma só mordida.
—Gosto de você, sabia? — comento de boca cheia.
Ele olha para mim enquanto mastiga e não diz nada. Ficamos comendo e nos olhando. A verdade é que eu o amo. Agora posso dizer isso milhares de vezes sem medo, já que ele foi o primeiro a dar esse passo importante — e assustador.
***
Quando Kyle abre a porta amarela do meu apartamento, sou invadida por uma sensação de gratidão e alívio. Senti saudades do meu apartamento. Do tapete branco de pelos, dos sofás macios, da enorme janela de vidro da sala e do meu quarto...De tudo!
Ando até o meu quarto e abro a porta. Está tudo arrumadinho, Sean deve ter arrumado a cama depois de acordar. Tiro minhas sapatilhas e as coloco debaixo da cama uma do lado da outra e deito na minha cama king size extremamente confortável de barriga para baixo.
—Sentiu saudades da cama? — ouço Kyle perguntar.
—Sim. — respondo mas não me mecho. Estou de olhos fechados.
Ouço os passos de Kyle se aproximando da cama e o barulho dos cadarços dos seus tênis serem desamarrados. Segundos depois sinto o colchão afundar um pouco mais e então ouço a voz de Kyle no meu ouvido:
—E de mim?
Sorrio sem abrir os olhos.
—Claro que sim.
Sinto seus lábios pressionarem minha bochecha direita e seu peso afundar o lado direito do colchão. Abro os olhos e o vejo deitado de lado olhando pra mim.
—Obrigada. — digo. — Por tudo.
—Você sabe que não precisa agradecer.
—Mesmo assim. — insisto. — Obrigada, Kyle.
Sua mão vai até meus cabelos soltos e ele os acaricia. Depois ele se aproxima de mim e encosta seus lábios suavemente nos meus. Dou espaço para sua língua acariciar a minha e logo ele está em cima de mim, me beijando, passando a mão por minhas coxas, descendo até a panturrilha e voltando para cima movamente. Um gemido escapa da minha boca quando ele morde meu lábio inferior.
—Te amo, Ally.
—Eu também te amo.
Kyle desabotoa minha calça jeans e a tira sem pressa. Seus olhos verdes fitando meu rosto. Ele fica de pé e desabotoa sua calça e a tira. Volta para a cama sem camisa e seus dedos vão para a barra do meu suéter, puxando-o para cima com lentidão, fazendo o tecido me arrepiar.
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