Dangerous Love - Seddie
32 Um X9 entre nós?
Notas iniciais
3 Semanas depois...
P.O.V Da Sam
Depois de algumas horas de viagem chegamos ao nosso destino. Passaremos o final de semana no chalé do Freddie,era a segunda vez que ele me trazia para esse lugar calmo e isolado,bem perto da natureza. Saimos do carro,ajeitei minha mochila nas costas e seguimos por uma pequena trilha até chegar ao chalé. Quando viemos pela primeira vez eu tinha 12 anos,foi muito divertido,passamos a tarde aproveitando o belo lago,e a noite fizemos uma fogueira e assamos Marshmallows enquanto ele contava algumas histórias envolvendo assombrações.
Entramos no chalé,o piso de madeira parece estar limpo apesar de que passamos anos sem vir aqui. Olhei para a lareira,para as duas poltronas cobertas por um grande pano branco,a pequena sala com poucos móveis cobertos por panos brancos parecia sombria. Havia também a cozinha,o quarto com suíte e a varanda com uma cadeira de balanço velha e um balanço que o Freddie fez para mim numa árvore.
— Pode ir deixar sua mochila lá no quarto,vou levar as sacolas para a cozinha. — Disse e eu assenti.
Assim que cheguei no quarto senti o cheiro de mofo,os móveis estavam cobertos de poeira. Ainda tínhamos que limpar tudo para depois aproveitarmos bem o nosso final de semana sozinhos e longe da civilização e dos barulhos cotidianos da Zona urbana.
3 horas depois...
Terminamos a nossa faxina,me joguei no chão quase exausta. Freddie fez o mesmo,se jogando ao meu lado. Tinha até um esquilo "brincando" na chaminé,olhei para a lareira vazia,o Benson daria um jeito de arranjar lenha depois.
— Do que está rindo? — Ele perguntou sentando no chão polido.
— De você,do susto que levou quando aquele esquilinho quase pulou em você. — Falei entre risadas.
— Ha,ha,ha muito engraçado, loirinha,só quero ver quando chegar a noite e os lobos estiverem uivando,todos famintos ao redor do chalé! — Tentou me amedrontar.
— Eu não tenho medo. — Me levantei,apertei o meu coque que estava quase se desfazendo.
— Para aonde vai? — Perguntou quando eu estava saindo da sala.
— Tomar banho. — Falei alto.
Minutos depois...
Enchi a banheira oval com sais de banho com essência de Lavanda e Sândalo. Tirei minhas roupas e entrei na banheira fazendo a espuma transbordar e descer pelas bordas,fechei os olhos relaxando,sentindo a água morna relaxar meus músculos.
— Será que tem lugar para mim? — Freddie bateu na porta.
— Acho que não. — Falei ainda de olhos fechados.
— Por quê você trancou a porta? — Perguntou,ouvi o barulho na maçaneta.
Me levantei com cuidado,sai da banheira e peguei meu roupão. Decidi abrir a porta,ele entrou rapidamente empurrando a porta com o pé,fechando-a.
Me prensou contra a parede amadeirada perto da pia,suas mãos foram para o laço do meu roupão desamarrando-o depressa.
— Não se tranque,não gosto disso.... — Murmurou me despindo,me encolhi nua contra a parede,sentindo seu corpo colado ao meu. — Tudo que eu queria era ficar à sós com você,longe de tudo e de todos. Você está com medo,pequena? — Perguntou segurando meu rosto com ambas as mãos me fazendo encará-lo.
— Não. — Respondi.
O afastei e voltei para a banheira,meu coração estava acelerado e o meu corpo estava tenso,algo me dizia que ele poderia perder o controle a qualquer momento. Vi ele se despindo devagar,logo se juntou a mim na banheira,me encolhi sentada abraçando minhas pernas.
— Não me olhe assim,Sam. Não fique com medo,eu não vou te machucar. Estou sob o controle,estou tomando meus remédios direitinho... — Disse num tom calmo.
— Me desculpe. — Sussurrei me aproximando devagar. — Eu acredito em você... — Me acomodei em seus braços,ele me abraçou,opoiei minha cabeça em seu ombro direito e ficamos em silêncio,ali abraçadinhos sentindo a água morna e perfumada nos aconchegar.
[...]
Me assustei quando vi suas costas marcadas com cicatrizes,eram finas linhas,várias delas cruzadas. Eu nunca havia reparado nelas,mas pensando bem,só podem ser vistas de pertinho,parei de massagear seus ombros e continuei olhando para as cicatrizes atentamente,me sentindo angustiada.
Ele estava sentado na cama de costas para mim e eu estava ajoelhada fazendo uma massagem. Deslizei meus dedos por suas costas sobre as cicatrizes,seu corpo imediatamente ficou rígido e ele ficou imóvel.
— Quêm fez isso com você? — Minha voz saiu num sussurro,quase sufocada.
— Ainda são visíveis? — Perguntou baixinho.
— Sim. — Respondi passando meus braços ao seu redor,o abraçando com carinho.
— Eu ainda era criança,meu pai sempre chegava bêbado em casa e ele maltratava a minha mãe,sempre batia nela... E eu só queria defendê-la,impedir que ele a machucasse,mas meu pai era um homem muito violento... Ele me maltratava,dizia que eu era um imprestável,um lixo. Dizia que filho dele não devia ser fracote e chorão,dizia que eu nunca deveria ter nascido... — Contou,sua voz estava carregada de dor e tristeza.
— Eu sinto muito. — Sussurrei chorando.
"Como um pai pôde ser tão cruel com um filho? Maltratar uma criança inocente? Causar dor,desprezo e cicatrizes no próprio filho? Eu nem imaginava como a infância de Freddie foi tão sofrida,dolorosa..."
— Ele não me amava,meu próprio pai me odiava,aquele homem me machucou tanto. Causou tanto sofrimento para a minha mãe,eu só queria que ele sumisse e nos deixassem em paz... — Disse com a voz embargada.
— Continue desabafando,eu estou aqui te ouvindo. — Beijei seu ombro.
— Minha mãe ficou depressiva,morreu quando eu ainda era pequeno. Mas Leonard disse que ela tinha cancêr,mas se dependesse dele ela apodreceria numa cama... Um dia eu acordei e encontrei minha mãe morta,caída ao lado da cama,dois dias depois o Leonard sumiu,me abandonando naquela casa com uma situação precária. Sem pais,sem dinheiro e sem um teto seguro eu fui para as ruas,tive que furtar para não passar fome,me virar sozinho... Entrei para a criminalidade cometendo pequenos delitos,e aos 16 anos eu conheci o Dexter. Ele me tirou das ruas,me deu um lar e um emprego. Entrei para a sua elite de assassinos de aluguel e me tornei o que eu sou hoje... — Falou num tom seco,afastou minhas mãos do seu corpo e se levantou,se virando para mim. — Você sabe o que eu sou,nunca escondi de você. E eu me odeio por ter te metido nessa vida que levo,mesmo que ainda não tenha derramado sangue você é uma de nós agora! — Me olhou sério.
— Eu te amo e é isso que importa. Nunca vou te abandonar,farei tudo que estiver ao meu alcance. Não pretendo sair da equipe,Chloe e James se tornaram grandes amigos meus,são como a minha família e você é o meu namorado,a pessoa que eu mais amo no mundo! — Confessei.
— Também te amo,daria minha vida por você. Nunca vou deixar o Dexter te machucar,nem ele e nem os malditos que ainda trabalham para ele,eu prometo minha linda!
[...]
P.O.V Do Freddie
Estávamos sentados em cima das almofadas no chão,de frente para a lareira. Estava frio demais para ficamos lá fora,e eu fiquei sem vontade de montar uma fogueira,optei por acender a lareira e ficarmos dentro do chalé,mesmo assim a Sam não desistiu da ideia de assar Mashmallows.
— Vai lá na cozinha buscar meus Mashmallows! — Ordenou.
— Tá bom,mandona! — Ri e beijei seu pescoço sentindo sua pele alva e quente se arrepiar.
Me afastei dela,me levantei com preguiça e fui para a cozinha. Quando entrei ouvi barulhinhos,estranhei porque os barulhinhos pareciam familiares,semelhantes com sons emitidos por um tipo de relógio caseiro. Assim que me aproximei do armário,os "tic tac's" aumentaram,percebi que estavam vindo da última porta do armário.
Assim que abri aquela porta me deparei com uma bomba-relógio caseira,aquilo era um aviso. Pois a bomba não era tão potente apesar de estar acionada,uma potente e moderna devia estar escondida,preparada para fazer o chalé ir para os ares.
E sem pensar duas vezes,corri para a sala,faltavam 7 minutos para a bomba caseira explodir e detonar a cozinha.
— Rápido,Sam,corra para o quarto e pegue a sua mochila,é urgente. Vamos dar o fora daqui! — Avisei apressando-a.
Ela se levantou confusa,mas foi fazer o que eu havia pedido. Peguei uma pistola que estava escondida debaixo do estofado da minha poltrona,estava carregada. A Sam retornou com a mochila,peguei sua mão direita,sai puxando-a para a porta.
— O que está acontecendo? — Perguntou enquanto corríamos para longe dali.
— Tem uma bomba lá dentro,na verdade,são duas. — Respondi conduzindo-a pela trilha.
E não demorou muito para ouvirmos o chalé explodindo,olhamos para trás e o estrago estava feito. Tudo estava sendo consumindo pelas chamas,a fumaça começou a surgir e subir pelo céu escurecido...
— Vamos? — A chamei e voltamos a correr,rumando para aonde estava o meu carro.
"Puta merda! Quêm foi o filho da puta que fez isso? Invadiu meu chalé sem arrombar portas e janelas? Como sabia que viríamos para cá?"
Pensei enquanto entrávamos no carro,pedi para a Sam colocar o cinto e entreguei a pistola para ela.
— Caralho!!! Sabotaram o carro. Que merda! — Soquei o volante com raiva.
O carro não ligava de jeito nenhum,algum desgraçado havia feito uma bela sabotagem.
— Temos que sair daqui. — Falei tirando o cinto da Sam. — Vamos para a estrada,temos que dar um jeito de voltarmos para Seattle! — Peguei sua mão assim que saimos do automóvel.
Estava de noite,estava fazendo frio e eu estava apenas de calça de moletom e camiseta. Sam estava com uma calça de moletom e uma blusinha com alças finas,peguei sua mochila e a pistola,seguimos para a estrada...
— Algum desgraçado está querendo me matar,a rixa só pode ser comigo. — Falei quando chegamos no acostamento.
— Droga! E agora? Como vamos sair daqui? Como ele ou ela sabia que você viria para cá? Isso é muito estranho. — Disse um pouco ofegante.
— Eu sei... Apenas James,Chloe e Carly sabiam que iríamos passar o final de semana aqui... — Murmurei confuso.
— Você confia plenamente neles? — Perguntou de repente,me fazendo parar de andar e pensar.
— Acha que um deles é um X9? Que pode ser um aliado de Dexter? — Questionei ainda pensativo.
— Eu não sei,Freddie. Não faço ideia... — Respondeu.
— Jay é como um irmão para mim,ele jamais me trairia. E a Chloe é uma amiga de confiança,ambos estão do nosso lado,são nossos amigos. Mas a Carly,não sabemos quase nada sobre ela,nem mesmo o sobrenome e o Jay a conheceu vagando por aí... Então é isso,a Carly deve ser uma aliada do Dexter,uma X9 infiltrada entre nós! — Concluí e a Sam me olhou descrente.
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