Dangerous Love - Seddie
17 Arrependimento & Declarações
Notas iniciais
No dia seguinte...
P.O.V Da Sam
Passei a noite em claro, estou exausta apesar de ter passado a noite inteira deitada. Tentei dormir mas infelizmente não consegui e a cada vez que fechava os olhos eu me lembrava de toda a dor que o Freddie me fez passar. Aquele que me machucou não era meu anjo, não podia ser, e acredito que era um demônio.
Meu corpo inteiro está dolorido, minha garganta também está doendo de tanto esforço que fiz gritando ontem à noite. Não tenho forças e nem vontade de sair desse quarto. O que ele fez comigo foi tão cruel. Por quê ele tinha que fazer aquilo? Por quê sentia prazer em me machucar daquele jeito?
O que eu fiz de errado para ele?
Eu não entendo, juro que não entendo. A primeira vez que ele havia tocado no meu corpo foi tão bom, tudo que fizemos na cama aquele dia foi tão especial para mim. Seus beijos, seus toques e ele dentro de mim... Foi tão carinhoso e cuidadoso.
Mas dessa vez foi completamente diferente, tudo que ele me causou foi medo e dor. Suas mãos e sua boca percorrendo o meu corpo e ele dentro de mim me machucando, foi horrível.
Agora eu não consigo sentir nada, o medo se foi, as lágrimas se foram, o desespero se foi, as minhas forças, a minha felicidade ou qualquer tipo de sentimento sendo ele bom ou ruim desapareceram. Parece que todos esses sentimentos sumiram, sairam de mim, me deixando apenas o vazio.
Vazia.
É exatamente como estou me sentindo agora. Totalmente vazia, não consigo sentir mais nada. Minha vitalidade e a alegria de viver me abandonaram, devem ter escorrido pelo ralo quando eu estava tomando banho e lutando para me livrar de seu cheiro que estava impregnado no meu corpo.
E eu não sei o que teria sido de mim se o James não tivesse chegado e me tirado daquele quarto. No momento em que o Freddie havia saído de cima de mim eu desejei profundamente morrer, eu só queria morrer. Tudo que havia restado era a dor crua, a grande e monstruosa dor.
Seus xingamentos e suas ofensas me atingiam como facadas. Seus gemidos foram os piores sons além do meu choro que ecoava pelo quarto junto com meus gritos. Eu não sentia nojo pois naquele momento o meu desespero de fugir era bem maior. Mas ele sempre foi mais forte e nem me deu chances para correr. E ele só parou de me machucar quando eu senti algo quente me preenchendo e escorrendo por minhas pernas. Além de um líquido nojento, também havia sangue, ele havia me feito sangrar.
Me machucou por fora e por dentro.
[...]
— SAM! — Ouvi um grito, meu corpo estremeceu, era ele. — SAM! — Gritou novamente batendo na porta do meu quarto.
— Se acalma, Freddie! — Ouvi a voz do James.
— PELO AMOR DE DEUS, SAM! ABRA A PORTA E DIZ PRA MIM QUE EU NÃO TE MACHUQUEI! POR FAVOR, DIZ PRA MIM QUE EU NÃO TE MACHUQUEI! — Seus gritos soaram, ele estava desesperado e também estava chorando.
Comecei a chorar descontroladamente, me encolhi na cama abraçando minhas pernas e fechei os olhos.
— Vem Freddie, ela só precisa de um tempo! — Era James tentando acalmá-lo.
— NÃO! EU PRECISO OUVIR ISSO DA BOCA DELA. VOCÊ ESTÁ MENTINDO, POR QUÊ ESTÁ FAZENDO ISSO COMIGO, PERTESON? — Gritou raivoso.
— EU NÃO TENHO MOTIVOS PARA FICAR TE ENGANANDO. QUANDO EU CHEGUEI AQUI VOCÊ HAVIA ACABADO DE ESTUPRAR A GAROTA. EU OUVI OS GRITOS DELA E POR ISSO ARROMBEI A PORTA. ACEITA O FATO DE QUE VOCÊ É DOENTE! ESTÁ PRECISANDO URGENTEMENTE SE TRATAR! — Gritou James irritado.
— EU NUNCA MACHUCARIA ELA, EU NÃO LEMBRO DE NADA. SAM! SAM! SAM! ABRA A PORTA! — Gritou ainda mais desesperado.
Não respondi, continuei no mesmo lugar, na mesma posição, tentando ignorar seus gritos.
— AAAAAAAAHHHH! — Era o Freddie gritando novamente, coloquei as mãos na boca tentando abafar o som do meu choro.
E logo comecei a ouvir batidas, fortes barulhos de batidas contra a parede.
— PARE COM ISSO, PARE COM ISSO. ASSIM VOCÊ IRÁ SE MATAR! — James gritou desesperado.
— ME DEIXA, PORRA! — Dessa vez era o Freddie gritando e as fortes batidas só aumentavam.
— SAM, ELE ESTÁ TENTANDO SE MATAR. VEM LOGO, ELE PRECISA DE VOCÊ! — Gritou James ainda mais desesperado.
Me levantei da cama ignorando toda a dor que eu sentia pelo corpo e corri para a porta abrindo-a e vi o James tentando fazer o Freddie parar de bater a cabeça contra a parede.
— Freddie! — Falei com a ajuda de forças que eu havia reunido, ele parou de se machucar e virou o rosto na minha direção.
Sua testa estava sangrando, ele estava arrasado e eu conseguia ver a dor apenas em seu olhar direcionado à mim.
— Sam. — Ele pronunciou meu nome com pesar, Freddie estava chorando assim como eu. Ele correu para me abraçar, fiquei imóvel sentindo seus braços ao meu redor. — Sammy ,minha pequena... — Sussurrou me apertando contra o corpo dele.
Soluços escapavam da minha boca, eu não tinha forças para afastá-lo de mim.
— Eu quero morrer, eu quero morrer, eu quero morrer. Quebrei minha promessa, eu sou um monstro. Sei que nunca irá conseguir me perdoar! — Disse repetindo aquelas mesmas palavras diversas vezes. Não retribuí o abraço, doía nele e também estava doendo em mim.
Ele me soltou e se afastou um pouco para poder me encarar, seu rosto estava inchado e seus olhos estava vermelhos de tanto chorar, o sangue ainda descia de sua testa para o seu rosto, ele mesmo havia aberto uma ferida quando estava se batendo.
Fechei os olhos quando senti suas mãos no meu rosto, o James havia nos deixado sozinhos naquele corredor. Ele começou a limpar minhas lágrimas com as pontas dos dedos enquanto sussurrava
"Me perdoa, por favor!" a cada segundo.
Abri os olhos com coragem o suficiente para poder encará-lo.
Ele encostou nossas testas e continuou sussurrando:
"Me perdoa, por favor!"
— Peça perdão à Deus, só ele pode te perdoar. Quem sou eu para te dar o poder do perdão? — Sussurrei me soltando de seus braços.
— Você poderia me perdoar também, mas já deixou claro que não fará isso! — Disse baixinho e completamente rouco.
— Eu nunca me esquecerei da tamanha dor que você me causou ontem à noite. Antes de arrancar minhas roupas você disse que seria inesquecível e realmente será. Eu nunca irei esquecer! — Falei com a voz embargada e rouca também.
— Eu sinto muito! — Lamentou.
— Eu também! — Afirmei sendo sincera.
[...]
Encarei a comida em meu prato, eu não sentia a mínima vontade de comer. Estávamos juntos à mesa, James havia preparado o almoço e resolveu nos deixar sozinhos alegando que teriamos conviver com tudo que havia acontecido pois não havia algo que pudesse apagar nossas memórias, principalmente a minha já que o Freddie havia se lembrado de poucas coisas.
O Freddie também nem sequer ousou tocar na comida. Ele estava completamente arrasado e eu ainda não conseguia sentir nada. A sensação de vazio havia se apossado do meu corpo e eu só queria poder esquecer de tudo.
— Isso está me matando! — Falou expressando toda a tristeza em seu tom de voz.
— Sinto muito. — Murmurei.
— Você está com medo de mim? — Perguntou temeroso e eu ergui o rosto para olhá-lo, balancei a cabeça negando.
— Não estou com medo... Tudo que estou sentindo agora é pena de você! — Falei com firmeza. — Agora eu entendo o que Chloe tentava me fazer entender, eu deveria ter percebido isso antes... Que você é doente, que necessita de cuidados! — Afirmei encarando-o, me levantei e saí da cozinha rapidamente.
Minutos depois...
P.O.V Do Freddie
Eu e o James estávamos conversando na sala, eu estava me sentindo péssimo. Ver a Sam sofrendo estava acabando comigo...
— Ficar chorando e se lamentando não irá mudar a merda que você fez! — Avisou James num tom irritado. — Você já desgraçou a vida da garota, ela sabe que você está arrependido, mas não irá conseguir te perdoar tão cedo! — Falou.
— VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI? — Gritei ainda chorando. — Como vai ser agora? E se ela nunca me perdoar? — Perguntei desesperado.
— Nunca diga nunca! — Ele deu um pequeno sorriso. — Vai sim, cara. Ela te ama! — Disse sério.
— Eu sou um monstro, James. Machuquei minha pequena Sammy! — Lamentei soluçando.
[...]
A campainha começou a tocar e o Jay se levantandou do sofá e eu continuei parado sem fazer nada.
— Eu atendo a porta? — Perguntou e eu assenti. — Não é perigoso? — Sussurrou.
— Não sei... — Murmurei.
Ele foi atender a porta e uma mulher entrou na minha casa empurrando o Jay. Os barulhinhos de salto tilintaram alto arranhando o piso de acordo com seus passos apressados até a mim.
Me levantei do sofá rapidamente e encarei a mulher que estava usando um sobretudo preto, um lenço preto que cobria o cabelo e óculos escuros.
— Chloe? — Perguntei surpreso a reconhecendo pela forte cor de seu batom cor de vinho. Ela tirou os óculos e arrancou o lenço da cabeça.
— Desgraçado! — Esbravejou me dando um forte tapa quase me fazendo cair em cima do sofá.
Coloquei a mão no meu rosto, no local onde havia atingindo e olhei para ela confuso.
— Chloe? — Jay se aproximou dela sorrindo.
— Por quê estão surpresos? Pensavam que eu estava morta? Eu já ia pegar o vôo para Grécia, mas cancelei minha viagem! — Disse me encarando com raiva.
— Por quê me bateu? — Perguntei ainda confuso.
— Por quê você estuprou a Sam? — Cuspiu as palavras com ódio.
— Como você sabe? — Indaguei e olhei para o Jay que rapidamente virou o rosto. — Você contou à ela não foi? — Me controlei para não voar em cima dele.
— Sim, ele me mandou uma mensagem para o meu E-mail dizendo que você havia abusado da Sam e sabe por quê eu estou aqui? — Perguntou ainda com raiva.
— Para me dar um grande sermão e ficar jogando na minha cara que eu sou um monstro?
— Não. Vim buscar a Sam, vou levá-la comigo. — Respondeu e eu senti um aperto no coração quando ela disse aquilo.
— Nunca! — Avisei encarando-a.
— Vou sim, Freddie. Eu amo aquela garota e eu estou me odiando por nunca ter avisado pra ela que você sofria de transtornos e poderia machucá-la a qualquer momento quando tivesse um maldito surto! — Falou me encarando com tristeza.
— Você não vai tirá-la de mim, você não tem esse direito. A Sam é minha, eu não vou deixar você fazer isso. — Avisei sério.
— Ele tem razão, Chloe. Isso só vai piorar as coisas! — Disse James.
— Se manda daqui, Crazy-J. Meu assunto é com o Killer-B e não com você, vaza daqui antes que eu perca a paciência e estoure os seus miólos também. — Ameaçou o fuzilando.
— Se eu soubesse que você faria isso eu não teria te contado, porra! — Falou irritado.
— Vai embora, James! — Falou apontando para porta e ele cruzou os braços. Ela sacou a arma que estava encondida no sobretudo e apontou para ele, o loiro sorriu debochado e logo sacou a arma apontando para ela.
— Parem já com isso! — Ordenei me colocando entre eles.
— A minha é uma Striker, baby. 5 vezes mais pontente que a sua! — Avisou sorrindo, o Jay estava com uma Shoutgun.
— Sai da frente, Freddie! — Ele pediu me empurrando e me tirando da frente deles.
A Chloe se aproximou e encostou a ponta do cano da Striker na testa do Jay.
— Se não vazar daqui, eu atiro! — Ameaçou séria.
— A garota vai ficar com ele, é melhor você ir embora. Serei obrigado a te machucar se não fizer isso! — Avisou com raiva encostando a ponta da Shoutgun na testa dela.
— Eu irei levá-la comigo! — Decretou. — Vocês não irão me impedir! — Sorriu maldosa.
— Chloe? — Ouvimos a voz da Sam, o Jay aproveitou que a morena se distraiu para olhar para a Sam e ele rapidamente bateu na mão dela jogando sua arma para longe e a agarrou, imobilizando-a.
— Solte ela! — Sam pediu assustada.
— Me solta, seu estúpido. — Ordenou se debatendo.
— Largue ela, Jay! — Pedi autoritário.
Ele obedeceu contrariado e ela logo recuperou a postura, e sorriu para a Sam. Chloe correu para a abraçar a loirinha enquanto a pequena começou a chorar sendo consolada pela morena.
30 Minutos depois...
As duas desceram caladas, a Sam estava arrumada e com uma mochila enquanto Chloe carregava uma pequena mala.
— Não precisa de despedidas, apenas vamos, querida! — Disse a morena e Sam me olhou triste.
— Não. Sam, você não pode ir com ela! — Falei me controlando para não gritar.
— Já está decidido, Benson! — Chloe avisou.
— Quer mesmo colocar a vida dela em perigo? — Perguntei irritado.
— Jamais faria isso, eu vou trazê-la de volta daqui há 1 mês ou 2 meses e talvez 3 meses se for preciso, eu prometo. Ela só precisa de um tempo longe, ela precisa se recuperar e eu vou ajudá-la. — Disse com calma.
— Por favor, Chloe, não leve ela! — Pedi me aproximando das duas que pararam perto da escada.
Olhei para Sam que estava com os olhos marejados, eu estava destruído por dentro.
— Sammy, fica comigo. Por favor, não me deixe, eu preciso de você! — Me aproximei dela que recuou e abraçou a Chloe.
— Ela não quer ficar, vamos querida? — Chamou e logo foram andando em direção a porta.
— SAM! — Gritei desesperado vendo Chloe abrir a porta. Ela se virou para mim chorando. — Não me deixe, por favor. Eu preciso de você... Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, eu nunca me arrependi de ter parado o carro naquela noite em que te encontrei sozinha na beira da estrada. Você mudou a minha vida, você que foi um verdadeiro presente, o melhor de todos que eu poderia ganhar. Foi um anjo que entrou na minha vida... E eu... Me apaixonei por você, sim, eu tenho certeza que te amo e te amo com todas as minhas forças. Eu daria minha vida para salvar a sua, eu não te trocaria por nada nesse mundo... Eu te amo tanto! — Me declarei, eu já estava caído de joelhos no chão, chorando com medo de perdê-la.
Ela ficou me encarando imóvel, as lágrimas banhavam seu rosto sem parar.
— Me perdoa, meu amor. Fica comigo! — Implorei.
— É você que escolhe querida, quer ir ou quer ficar com ele? — Chloe perguntou chorando emocionada.
A Sam continuou me olhando, ela estava chorando sem se importar de enxugar as lágrimas.
— Eu... — Ela parou de falar, parecia estar pensando. — Eu... — Ela tentou falar mas não estava conseguindo. — Eu... — Ela soltou um suspiro e fechou os olhos.
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