Dangerous Love - Seddie
7 Anjos não machucam
Notas iniciais
10 meses depois...
26 de Agosto, 2011...
P.O.V Da Sam
Hoje faz exatamente 5 dias que eu completei 13 anos de idade. Apesar de ser apenas uma garota que ainda está entrando na fase da adolescência, eu sinto que sou mais madura que as outras garotas que tem minha idade. Não sou mais aquela garotinha assustada e frágil que perdeu os pais quando tinha apenas 8 anos.
Tenho a consciência de que sou uma sobrevivente, eu consegui escapar da morte. Ainda lembro das palavras do meu pai, ele ordenou que eu fugisse, minha vida dependia daquilo. E foi o que eu fiz, corri até não poder mais me aguentar em pé.
Quando minhas pernas cederam e eu desabei na beira da estrada lamacenta embaixo daquela chuva, pensei que aquilo seria meu fim, achei que aqueles homens armados iriam me alcançar. E foi então que Freddie apareceu, surgiu como um herói que chega sempre na hora certa para salvar mocinhas em apuros.
Oh! Eu realmente estava em apuros. Eu pedi ajuda a um desconhecido que parou o carro de noite na estrada, assim que o ouvi pensei que ele fosse um anjo enviado do céu para me salvar. Um anjo de cabelos escuros e olhos cor de chocolate, eu sempre acreditei que anjos tivessem cabelos e olhos claros, mas este era especial, ele era o meu anjo.
Freddie me tirou daquela estrada e me levou para a sua casa em Portland. No dia seguinte ele disse que me levaria para um Orfanato, me desesperei, eu não queria ser abandonada. Acho que ele ficou com pena de mim, pois permitiu que eu morasse com ele, mas então ele me mostrou o que ele fazia para ganhar a vida.
De início, fiquei um pouco assustada quando ele sacou uma arma e abordou todas aquelas pessoas num supermercado em Portland. Foi apenas uma pequena amostra de coisas erradas que ele fazia...
Antes de sairmos de Portland pois as imagens do Freddie fazendo uma abordagem naquele supermercado passaram nos noticiários. Ele foi na minha antiga casa e pegou todos os meus documentos, eu precisava deles, e Freddie achou melhor a gente ter meus documentos em mãos.
Anos se passaram e eu ainda sofro pela perda dos meus pais. Ainda bem que eu tenho o Freddie, e agradeço por tê-lo. O que eu seria sem ele? E se ele não aparecesse naquela noite? Aqueles homens teriam me encontrado? Oh! Eu não quero nem imaginar o que seria de mim se Freddie não tivesse surgido em minha vida.
Sei que as coisas que ele faz são erradas, matar e roubar são crimes, e também são pecados. Mas eu não tenho o direito de julgá-lo, eu aceitei ficar com ele, eu já até me acostumei com seus modos, manias e principalmente me acostumei com sua personalidade.
Ele é bipolar, às vezes é muito difícil de lidar com ele, seu jeito arrogante e mandão me irritam e muito. É difícil ver ele de bom-humor, ele sempre se mantém sério e às vezes me trata com uma certa frieza.
Ele sempre fica falando que sou irritante e teimosa, e é por isso que ele sempre pega no meu pé e vive me dando broncas.
[...]
Sexta-feira, às 17h:26min... da tarde...
Quando cheguei da escola, só encontrei um bilhete pregado na geladeira dizendo o seguinte:
"Fui trabalhar, por favor, não coloque fogo na casa."
Sorri ao lembrar da vez que eu provoquei um pequeno incêndio na cozinha, e o Freddie ficou furioso e alegou que eu nunca mais deveria colocar os pés na cozinha para tentar cozinhar algo.
Poxa! Eu só tinha 11 anos e estava tentando esquentar meu leite, foi um acidente, mesmo assim eu levei uma "bela" bronca que deve ter durado mais de 30 minutos e olha que o Freddie não é de falar muito.
Bom, ele foi "trabalhar" e isso me preocupa, nunca sei se ele irá voltar bem para a casa. Eu sempre tenho medo que aconteça algo e coloque a vida dele em risco, eu não suportaria perdê-lo.
Preparei dois sanduíches de queijo e presunto, bastante presunto e agora estou aqui na sala comendo meu lanche enquanto assisto uma série juvenil que eu não sei o nome.
A porta principal se abriu e o Freddie entrou, noto sua expressão carrancuda assim que ele terminou de trancar a porta e se virou e adentrou mais a sala com passos lentos.
Logo me assusto ao ver seus olhos com um brilho frio me encarando, permaneço parada no mesmo lugar, sentada no sofá um pouco encolhida. Sei que ele não se encontra em seu estado normal, seus olhos avermelhados e dilatados denunciam o quanto ele está alterado.
— O que foi, garota? — Pergunta em tom rude.
Não respondo, ele caminha em minha direção com passos rápidos, seu olhar parece ser de um demônio, muito semelhante ao olhos de um demônio que um dia vi num filme de terror.
— Quando eu te perguntar qualquer coisa você tem que me responder, porra! — Fala irritado parando de andar e ficando abaixado na minha frente com os joelhos apoiados no chão.
Desvio o olhar, mas logo sinto o meu queixo ser puxado e ele me faz olhar para seu rosto. Sua expressão é séria e seu olhar é sombrio.
Sempre que ele usa drogas, ele fica mais agressivo, destrói coisas com pisões, eu sempre me tranco no quarto e fico rezando para que os efeitos dessas drogas passem logo.
— Por quê está me olhando como se eu fosse um Bicho-Papão, boneca? — Perguntou com um sorrinho estranho.
— Não... Eu não estou! — Falo pausadamente, sinto minhas mãos tremerem, minha voz saiu tão baixa.
— Não precisa mentir, sabe que eu odeio mentiras, não é? — Diz menos irritado, mas sinto um aperto no meu queixo.
— Sim, eu sei. — Falo baixinho.
Ele solta meu queixo e coloca as mãos nas minhas bochechas, ele as acaricia, seus toques são leves.
— Minha pequena, eu jamais te machucaria! — Sussurrou se afastando e se levantando.
Ele saiu da sala, com certeza indo para o quarto dele. Respirei aliviada, eu estava com medo. Medo dele me machucar, ele nunca me bateu, mas eu não consigo confiar nele quando ele fica nesse estado alterado.
[...]
Horas depois: Às 22h da noite...
Está chovendo muito forte, junto com a chuva há trovões, os barulhos estão ficando cada vez mais alto e eu tenho medo. Me levanto da cama e calço minhas pantufas de coelhinho azul. Corro para a porta abrindo-a rapidamente e saio do meu quarto.
Bato na porta do quarto do Freddie com força e logo ele abre...
— Deixa eu adivinhar? Hum... Está com medo de trovões e por isso quer dormir comigo? — Perguntou com a voz mais rouca que o normal.
Assinto e ele revira os olhos e por fim me deixa entrar em seu quarto. Observo que ele está usando apenas uma calça preta de moletom e seu cabelo está um pouco bagunçado.
— Não sente frio? — Pergunto olhando o meu amigo sem camisa.
— Não. Eu sou quente, baby! — Responde dando um sorrisinho. Mas logo fica sério e sua expressão muda e eu não sei o porquê.
— Droga! — Resmunga baixinho e em seguida caminha indo se deitar.
— O que foi? — Perguntei confusa.
— Nada. Vem, deita aqui e dorme logo antes que eu mude de ideia! — Fala sério apontando para o lugar vazio ao seu lado.
O obedeço e deito ao seu lado, estou debaixo de sua coberta quentinha, encosto meu corpo no seu e o abraço.
— Não faz isso! — Pede tirando minha meu braço que estava o abraçando.
— Isso o quê? — Pergunto. Não entendo porque ele não gosta que eu o abrace.
— Não gosto que me toque, Sam! — Fala ríspido.
— Por quê? — Sussurro.
— Não fique me questionando, apenas pare de me abraçar! — Diz ele irritado.
O obedeço, me levanto e sento em cima de sua barriga, com as pernas uma em cada lado de seu corpo. Ele me olha com os olhos arregalados e eu sorrio me divertindo.
— O que pensa que está fazendo? — Sua voz sai diferente, parece que tem algo entalado em sua garganta.
— Estou sentando em você, oras! — Respondo sorrindo.
— Sai. De. Cima. De. Mim. Agora! — Ordena pausadamente.
— Ah! Você é muito chato. Não me deixa abraçá-lo, tocá-lo e nem brincar com você! — Digo emburrada.
Ele fecha o olhos e respira fundo, eu acho graça, é divertido implicar com ele. Por isso sentei em cima dele, mesmo sabendo que ele não aprovaria esse ato.
— Eu vou contar até 5 e se você não sair, eu mesmo irei te tirar! — Avisou.
— 1, 2, 3, 4... — Ele parou de contar e me lançou um olhar ameaçador. — 5! — Exclamou.
E tudo aconteceu tão rápido, lgo senti meu corpo ser virado e prensado na cama. Eu estava de costas para ele e com a frente do corpo sendo prensada no colchão.
Senti um peso nas minhas costas e meus braços foram puxados para trás, e ele os segurou.
— E aí, loirinha, está gostando? — Perguntou num tom divertido.
— Isso foi golpe baixo, agora me solta, você é pesado! — Resmunguei.
— Ah! Não, Sam! Agora que a brincadeira está ficando boa! — Falou soltando uma risada.
— É sério, Freddie... Seu gordo! — Digo rindo abafado.
— Gordo, eu? Garota, eu malho todos os dias para mantêr meu corpinho sexy em forma! — Falou sério.
— Sexy? O que é isso? — Perguntei.
— Ah! Um dia você vai entender o significado dessa palavra! — Falou me soltando e saindo de cima das minhas costas.
Me virei e me deitei direito, minha respiração estava um pouco ofegante, ele se jogou na cama ao meu lado. Sorri ao ver seu sorriso.
— Seu sorriso é lindo, você deveria sempre deveria sorrir! — Falei. — Fica quietinha, Sam. E dorme logo! — Falou baixinho. Me aproximei de seu corpo me encostando nele, logo sinto seu braço passar por debaixo do meu corpo e ele me envolve num abraço de lado. — Boa noite, anjo! — Sussurrei encostando minha cabeça em seu ombro me aconchegando em seu corpo. — Boa noite, pequena! — Sussurrou de volta.
Agora sei que posso confiar nele, sei que ele jamais me machucaria, não terei mais medo.
Porque anjos não machucam.
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