Dangerous Love
27 Capítulo 27
Notas iniciais

Oliver e eu havíamos adquirido um pequeno hábito novo, que era almoçarmos com Thea pelo menos duas vezes na semana quando ela tinha dias tranquilos na instituição. Normalmente, Moira se juntava á nós, mas como ela havia saído em uma espécie de turnê de visitações em todas as filiais da Queen Consolidated, éramos só nós três e Dinah se juntava ás vezes também. Eu havia começado a adorar as interações entre Oliver e Thea e as histórias da infância de ambos também. Me fazia querer ter um irmão, ás vezes.
Dinah estava em uma das mesas de piquenique do pátio com William e Zoe. Ela tinha sido encarregado de comprar nossa comida hoje e espero que tenha comprado o suficiente para todo mundo já que tínhamos dois convidados especiais ao que parecia.
— Felicity! Hey! — disse Zoe sorrindo ao me ver e eu sorri acenando levemente, enquanto subia na calçada.
Eu adorava ficar perto de Zoe. Ela me lembrava á mim mesma quando era bem menor. Inteligente. Curiosa. Aquela nerd super fofa que todo mundo quer ser amigo para passar de ano. Esse era o caso de Zoe, porque no meu? Ninguém queria ser meu amigo nem para pegar as respostas, o que era meio triste e solitário, mas eu não me importava mais.
Entrei na instituição passando por Mackenna, que era a recepcionista e uma das orientadoras, e fui até a sala de Thea sem precisar pedir direções. Antes eu conseguia me perder aqui dentro, mas depois com o lançamento do programa e o almoços mais frequentes com Thea, eu havia decorado a planta do prédio inteira e não me perdia mais.
Deixei minha bolsa e meu casaco na sala de Thea que estava vazia, não era bem uma novidade, e me virei para ir embora dando de cara com Oliver escorado no batente da porta.
— Hey você... — eu disse sorrindo.
A manhã fora tão corrida que não conseguimos nem tomar café juntos, nosso contato se limitou á um beijo antes dele ir correndo para o hospital. Ele estava usando seus jeans novamente o que significava que seu plantão havia terminado. Seus olhos estavam levemente cansados, mas pareciam felizes ao menos.
— Seria muito brega, eu dizer que senti muito a sua falta hoje? — perguntou quando eu me aproximei dele e enlacei meus braços em sua nuca.
— Um pouquinho. — eu disse e esfreguei meu nariz no dele.
— Então vamos fingir que eu já disse e você está duas vezes mais apaixonada por mim do que antes... — ele sussurrou e me deu um selinho demorado para depois se afastar, mas eu o engoli em um abraço antes que ele fosse longe demais.
Oliver e eu tínhamos um combinado estrito. Se estivéssemos na instituição ou na empresa, nossa demonstração de afeto tinha que ser bem controlada. Em respeito ás crianças e funcionários, e para evitar as fofocas nos corredores respectivamente.
— Dinah já está esperando por nós com William e Zoe. — eu disse quando nos separamos e Oliver sorriu. — O que?
— Estou feliz que você, finalmente, vai deixar eu conhecer seus minions. — ele disse dando ombros e eu ri. — Você só fala deles em casa, Felicity.
— Pode ter certeza que eu também só falo de você para eles, não precisa ficar com ciúmes. — eu disse entrelaçando nossas mãos e arrastando ele para o corredor.
— Preciso saber de algum detalhe antes de conhecê-los?
Suspirei baixinho e assenti. Oliver ergueu uma sobrancelha.
— Você já conhece o básico da história de Zoe e William, mas ele teve uma recaída essa semana e errou a mão...
— Como assim?
— Ele voltou a se cortar. Nós conversamos um pouco e ele disse que começou a se cortar atrás dos joelhos e depois foi para os pulsos, mas não estavam fazendo mais o mesmo efeito. — eu disse fechando os olhos levemente. — Então ele fez cortes novos em cima dos antigos e atingiu uma veia, Dinah levou ele para o hospital e ele teve alta ontem de manhã. Dr. Malone e ele tiveram uma consulta hoje sobre isso.
— O que ele usou para se cortar?
— Pelo jeito que ele conta, ele usa o que tiver pela frente. Faca, agulha, chaves, canivetes, ás vezes se queima com os cigarros da mãe ou se morde. Ele ficou bem magoado consigo mesmo, tinha ficado quase três meses sem se cortar e a recaída o abalou um pouco... — eu sussurrei assim que passamos por uma seção em grupo e Oliver assentiu e apertou minha mão.
— O garoto deve ser sedutor então, não é?
Ergui uma sobrancelha e Oliver abafou uma risada irônica demais para o meu gosto.
— Algumas pessoas que sofrem abusos podem não aparentar sequelas... — ele começou a dizer quando viramos em um corredor deserto. O "como eu" permaneceu não dito, mas eu o ouvi do mesmo jeito. — Outras sofrem oscilações de humor, desenvolvem medo de abandono ou de qualquer coisa que altere a rotina, ter tendências impulsivas e até mesmo suicidas. Se chama Síndrome Borderline. Não há bem uma regra ou categoria para classificar o que cada um sente, o importante é que o garoto voltou para cá depois de ter a recaída.
Eu assenti e respirei fundo. Oliver parou.
— Hey... Se você achar que está se envolvendo demais, se afaste Felicity. Não vai fazer bem para você e muito menos para o garoto. — ele disse com olhos preocupados e eu assenti. — Promete?
— Eu prometo. — eu disse e ele beijou minha testa rapidamente e fomos direto para o pátio. — Desde que você não use seus termos médicos para parecer inteligente, okay? Podem ser gatilhos para ele.
— Sim, senhora.
Caímos no pátio e fomos em direção a mesa de piquenique onde Dinah estava com as crianças. Eles tinham colocado a mesa para sete pessoas, o que era um prato á mais pelas minhas contas. Quem iria se juntar a nós, além de Thea? Olhei ao redor e vi outros grupos começando a se formar nas outras mesas e na grama para a hora do lanche.
— Hey William! — cumprimentei ele primeiro com um leve apertão em seu ombro o que fez ele sorrir ao me ver ali e levantar. — Eu quero te apresentar para uma pessoa muito especial para mim.
Ele ergueu uma sobrancelha, suspeito, e eu ri levemente.
— William, este é Oliver. Foi ele quem fundou a instituição, e ele também é o irmão mais velho de Thea. — eu disse e Oliver sorriu um pouco e estendeu sua mão da qual William aceitou com um certo receio.
— Oh, oi. Eu sou William.
O aperto durou um pouco mais do que o necessário, mas foi Oliver que recolheu a mão primeiro.
— Prazer, William. Ouvi falar de você bastante. Felicity não se cansa de gabar que vocês dois venceram Curtis em experimento que parecia ser bastante complicado... — Oliver espelhando o sorriso de William. O garoto até ficou vermelhinho. — E a garota com os cachos azuis deve ser Zoe, a única que ganhou de vocês dois juntos.
Zoe riu levemente e sorriu.
— Culpada.
Eles trocaram um aperto de mão também.
— Em minha defesa, o timer não fez o barulho que deveria ter feito. Ela começou antes do sinal. — eu disse fazendo uma careta.
— O que significa trapaça. — completou William e nós dois olhamos para Zoe que revirou os olhos fazendo Dinah e Oliver rirem.
Nós sentamos para comer e Dinah distribuiu os tacos recheados para cada um de nós. Ela sempre gostava de mimar as crianças, mesmo que as crianças tivessem mais de vinte anos como eu, Oliver e Thea. Para Dinah, éramos todos crianças.
— Eu não acredito que vocês não nos esperaram!
Olhei para trás e vi Roy e Thea caminharem até nós de mãos dadas. Não sabia o que era o mais surpreendente com essa cena. Eu poderia jurar que eles iriam terminar o namoro depois das turbulências que tiveram com o relacionamento, estava até começando a planejar um calendário para mim e Oliver nos dividirmos com os dois sem deixar ninguém de fora. Uma olhada para o lado me confirmou que Oliver havia pensado a mesma coisa.
— Eu não sabia que você ia vir hoje... — disse William assim que eles sentaram na mesa.
— Você continua o mesmo pirralho que odeia não saber das coisas, não é? — alfinetou Roy. — E aí, Zo?
A resposta de William foi um simples revirar de olhos, seguido por uma mordida enorme em seu taco. Observei a interação de Roy com as crianças e percebi que eles já deveriam ter se conhecido antes mesmo de eu ter conhecido os dois. Zoe apenas acenou para Roy porque estava com a boca cheia.
— Bom, eu ouvi dizer que o nosso mandachuva estava no prédio e vim entregar o recado pessoalmente... — disse Thea olhando para Oliver e depois entregou um envelope vermelho para ele. — Eu consegui, irmãozinho.
— Sem chance... — disse Oliver de boca cheia e Thea assentiu. — Ela está na Suíça.
— Mas não mora lá. Duh. — rebateu Thea e Oliver abriu o envelope vermelho e eu espiei pelo ombro dele o que era.
Um convite? Quem era Laurel Lance?
— Laurel Lance concordou em se juntar á nós e discursar no nosso evento beneficente que temos, agora, todos os anos para arrecadação de fundos para a nova instituição que queremos abrir. Estamos quase lotados por aqui, infelizmente. — explicou Thea para o resto da mesa que estava tão por fora quanto eu.
— E quem é ela? — perguntou Dinah antes que eu pudesse falar eu mesma.
— A deusa da psiquiatria. Ela é especialista na área que atuamos e foi para Harvard com Ollie. — Thea voltou a explicar. — Agora ela está em uma conferência na Suíça, mas vai voltar á tempo para o nosso evento.
Uau. Isso sim era uma presença significativa em um evento significativo.
— Espero que ela tenha lábia suficiente para abrir as carteiras dos ricaços... — disse Roy o que fez as crianças rirem levemente, mas eles estavam mais preocupados com a comida do que a conversa.
— Você vai gostar, Felicity. Laurel é um amor de pessoa e é a única que conhece mais podres de Ollie do que o próprio Tommy... — disse Thea e eu ri levemente ao ver a cara assustada do meu namorado.
— Podemos concordar que a faculdade foi uma fase da qual nós dois superamos e deixamos para trás? — perguntou Oliver sussurrando em meu ouvido e eu assenti, sorrindo e depositando um selinho leve em seus lábios.
— Eu vou ser a juíza disso, não você... — sussurrei de volta e ele assentiu e beijou minha testa mais uma vez.
— O que infernos é isso?!
Todos nós nos assustamos com o grito agudo e viramos na direção que o som havia vindo. No pequeno portão do pátio, estava Helena usando um vestido azul e um rabo de cavalo, mas não era o seu visual que chamava atenção e sim sua bandeja caída no chão e sua expressão de fúria.
— O que está fazendo com ela, Oliver?!
Oliver se levantou lentamente e Thea também. Dinah começou a fazer sinais para os outros monitores e os grupos foram se dispersando rapidamente, até só ficar o nosso no pátio inteiro.
— Eu confiei em você, Felicity! Achei que fosse minha amiga e agora está agindo como uma perfeita vadia tentando roubar ele de mim? — perguntou ela voltando a gritar em minha direção agora.
— Hey, abaixe o tom. Estamos em uma instituição de caridade e não em qualquer lugar... — avisou Roy se levantando também.
— Eles se lembraram disso quando me traíram na frente de todos? Como você pode fazer isso, Oliver? Ainda mais com essa... Com essa... — Helena falava com suas mãos tremendo, mas sua voz era firme e acusatória. E eu não tinha a mínima ideia de como reagir á tudo isso. — Ainda mais no meu local de trabalho? Com sua irmã aqui? Com crianças ao nosso redor? Você me pediu para vir para cá! Você falou que me amava e que me queria aqui!
— Helena, nunca tivemos nada... — começou Oliver, mas Helena o cortou com mais um de seus gritos.
— Nada?! E as rosas que eu recebo todos os dias? Suas declarações? Todas as noites que passamos juntos? Isso é nada para você, Oliver? — ela perguntou e começou a andar de um lado para o outro.
— Helena, Oliver... Se acalmem por favor, vocês vão assustar as crianças. — pediu Dinah tentando ser diplomática e isso me tirou do meu estado de choque ao lembrar que Zoe e William estavam assistindo á cena também.
Me levantei e peguei o braço de Oliver para ele lembrar que eu estava ali também e que qualquer tipo de cena ou escândalo que Helena estava tentando montar agora não valia a pena ou o tempo de ninguém.
— Dinah, pode pedir para que nos deixem á sós? — pediu Thea e Dinah assentiu se virando para Zoe e William que levantaram da mesa, relutantes.
— Pensei que você e Moira estivessem do meu lado... — Helena redirecionou seu ataque para Thea agora que a olhava com desinteresse completo. — Que tipo de pessoa faz isso dias antes do noivado do irmão? Como estão fazendo tudo isso com a consciência tranquila? Escolhendo uma vadia interesseira...
— Hey! Se eu fosse você, escolheria melhor as próximas palavras, moça... — ameaçou William quando ele passou perto suficiente de Helena.
O garoto estava com os punhos cerrados e a respiração acelerada, não muito diferente de Oliver agora, mas eu tinha refreado Oliver quando abracei um de seus braços, mas William estava solto e eu não queria que ele fosse violento por causa de mim. Dinah o puxou pelos ombros e ele entrou para dentro da instituição, mas não antes de dirigir um olhar nada amigável á Helena.
— Eu te amo, Oliver. Eu a sou a única que te ama... — Helena começou a chorar depois disso como se implorasse ou rezasse, eu não sabia ao certo. A cena era muito desconcertante para eu reagir de qualquer forma, mas senti pena por ela.
Oliver deu um passo para frente e eu fui junto. Ele estava tenso da cabeça aos pés.
— Nunca houve nada entre nós, Helena. Eu amo Felicity, ela é a minha mulher. Foi sempre ela. — Oliver disse com um tom suave, porém firme e logo dois enfermeiros apareceram por trás de Helena com seringas em mãos. Dinah deve tê-los enviado assim que entrou.
Helena tentou tocar no rosto de Oliver, mas ele não permitiu e logo estava estava caindo feito gelatina nos braços dos enfermeiros depois se injetada com algum tipo de medicamento. O Dr. Malone apareceu segundos depois e auxiliou os dois enfermeiros á levarem Helena para dentro da instituição com máxima discrição possível. Roy foi atrás para garantir isso.
— Thea, eu não a quero aqui. Se ela tentar entrar aqui novamente ou se aproximar das crianças, chame a polícia. — disse Oliver para a irmã que estava ao seu lado agora usando aquele tom de voz que não deixava margens para qualquer tipo de argumento.
— Eu já mandei uma mensagem para Mackenna esvaziar o consultório dela e mandar tudo para a casa dela. — Thea disse e suspirou. — O que infernos acabou de acontecer aqui, Oliver?
— Eu não tenho a mínima ideia...
— Não foi sua culpa. — eu sussurrei ao ouvir o rastro de culpa na voz de Oliver, e eles lembraram que eu também estava ali. — Ela está doente e precisa de ajuda agora.
— Desde que ela consiga bem longe da minha família e da minha instituição, eu não vejo problema algum em ajudar ela a conseguir a ajuda que precisa. — disse Thea com um leve rastro de veneno em suas palavras. — Mamãe e papai vão pirar.
Oliver apertou minha mão e eu apertei de volta.
— Vamos resolver isso... Juntos. — eu prometi e ele assentiu, quieto.
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— Transtorno Delirante Erotomaníaco ou Síndrome de Clerambault. — eu disse em voz alta e Oliver levantou o olhar para mim. Ele estava fazendo macarrão com queijo para nós jantarmos e eu estava no balcão pesquisando os sintomas de Helena para, finalmente, conseguir algumas respostas para perguntas que só pareciam se acumular na minha mente. — Google disse, então é verdade.
— Por mais que a minha especialidade seja cérebros humanos, eu ainda não estou familiarizados com doenças mentais, Felicity.
— Okay, basicamente diz que uma pessoa sofre um tipo de esquizofrenia e realmente acredita que é amada por você. Se sua psicose for forte o suficiente, ela pode fabricar situações e cenas que pode julgar ser memórias reais. — eu li em voz alta o artigo, enquanto Oliver mexia o macarrão dentro da meleca de queijo que havia feito. — Ela não faz por maldade, apenas reage ao que acha que é real.
Oliver ficou quieto por alguns momentos, mas eu não deixei o silêncio nos envolver.
— O que é meio assustador já que ela tem um diploma em Psicologia. Como será que ela mesma não notou os sinais? — perguntei e Oliver deu de ombros e começou a despejar nosso jantar grudento em uma caçarola. — Aqui também diz que afeta as pessoas mais solitárias que se imaginam em uma relação com uma pessoa se status superior... Ow, a quantidade de pessoas que tiveram episódios com famosos é surpreendente.
— Okay. Chega de ler isso. Vamos comer. — disse Oliver colocando a caçarola entre os nossos pratos já postos em cima do balcão.
Eu suspirei levemente, porém concordei e coloquei o tablet de lado. Oliver serviu nós dois e eu servi o vinho em duas taças. Nós estávamos tomando muito vinho nos últimos dias, mas não por bons motivos infelizmente.
— Meu pai disse que conseguiu uma licença prévia para ela ser afastada do hospital e da instituição. O único problema é que algum familiar tem que se responsabilizar por ela, não podemos forçar ela a nenhum tratamento sem consentimento. — disse Oliver, enquanto eu dei a primeira garfada.
Uau.
Meleca de queijo + Macarrão + Mágica de Oliver = Oitava maravilha do mundo.
— E algum familiar se voluntariou?
— Não, porque assim que chegaram na casa da mãe de Helena, tudo estava dentro do normal e a mãe achou que meu pai e Billy eram os únicos que precisavam de tratamento. Ela estava mais do que bem, não parecia que tinha acabado de gritar e chorar no meio da rua seguido por um tranquilizante bem potente. — disse Oliver de boca cheia e eu continuei comendo também. — Ela os apresentou como colegas de trabalho até.
Desviei meu olhar do prato para a janela. A cidade estava brilhante e acordada, o que fazia o piano de Oliver reluzir. Sorri levemente ao ver o arranjo de rosas de hoje em cima dele. Eram rosas azuis. Oliver tinha parado de mandar apenas rosas amarelas e brancas, todo dia era uma cor diferente ou uma paleta diferente. Eu as recebia na empresa ás vezes também. Eram a melhor parte do meu dia...
— Espere aí. — eu disse e abaixei meu garfo e peguei meu tablet de volta.
— Felicity...
— Quando estávamos na instituição, Helena disse que também recebia flores todos os dias. Rosas. Como as minhas. — eu disse e entrei no site da floricultura que mandava os meus arranjos para mim e não foi difícil derrubar o firewall de defesa deles até achar a conta no nome de Oliver. — Até nós reatarmos isso era algo que pouca gente sabia, e mesmo quando reatamos o círculo de pessoas era mínimo.
Oliver parou de comer quando entendeu a minha linha de raciocínio.
— Aqui. — eu disse e estendi a tela com o sistema da floricultura para ele poder ver. — Tem duas remessas diárias no seu nome. Rosas derivadas com o nosso endereço e o endereço da empresa e rosas vermelhas para outro endereço...
— De Helena?
Assenti.
— Estou pagando á mais? — perguntou Oliver e bebeu seu vinho.
Olhei as datas dos cadastros e depois acessei o arquivo das câmeras de vigilância para quase quatro meses atrás. Eu assisti Oliver entrar na floricultura com a mão ainda engessada e fazer seu cadastro e pagar pelas remessas diárias que eu ganhava, dois dias depois disso, Helena apareceu na mesma floricultura e fez outro cadastro em seu nome para o próprio endereço, usando um de seus cartões. Ela estava sorridente e estava usando um rabo de cavalo de novo. Pelo áudio, ela conseguiu enganar a pobre atendente direitinho falando que era secretária de Oliver e que precisava das flores entregues para a noiva dele.
— Não. Uma das remessas está registrada em um cartão de crédito no nome dela. — eu disse e foi a minha vez de beber. — Está sendo difícil acreditar que ela está doente, porque para mim isso parece que você tem uma stalker, Oliver.
— O cabelo dela. Os vestidos... — Oliver murmurou enquanto olhava para seu prato pensativo. — Ela parou de usar o batom vermelho.
— Você esteve notando o vestuário dela?
— Sim, porque parando para pensar... Ela estava começando se vestir como você. — ele disse e esfregou o rosto com um suspiro bem alto.
Empurrei o prato levemente quando a náusea me abateu em ondas pequenas. Eu não estava paranoica, então. Eu não estava sendo a namorada chata que cria histórias dentro da própria cabeça, porque este posto já pertencia á Helena que estava á um passo de pintar o próprio cabelo de loiro e começar a usar óculos se isso significasse chamar a atenção de Oliver para si mesma.
— Hey. Ela não vai chegar perto de você, eu não vou deixar. — disse Oliver tomando uma de minhas mãos entre as suas. Seu calor fez eu me centrar novamente e eu assenti.
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— Felicity, eu estou começando a ver suas paranoias ganharem vida própria dentro da sua cabecinha de genia... — cantarolou Sara na minha frente e eu suspirei levemente e deixei o panfleto de prevenção contra o câncer de pele que estava fingindo ler de lado. — Você sabe que tudo vai dar certo e você não tem que se preocupar com nada além de comprar uma nova lingerie para depois da festa de Oliver e Thea.
— O vestido que eu vou usar não permite que eu use lingerie por baixo do pano...
— Okay... Estou ouvindo. — Sara disse sorrindo e se inclinando para frente com um de seus sorrisos pervos e eu ri levemente.
Estava no hospital esperando Oliver se trocar para irmos embora. Seu carro estava na oficina para a revisão anual que ele sempre fazia e eu, pelo menos uma vez, era a carona dele. Isso me fazia sorrir também. Oliver sempre era o motorista da relação, eu gostava de estar no poder do volante.
— Ele tem as costas abertas. É azul. — eu disse e Sara colocou uma caneta entre os dentes e balançou as sobrancelhas sugestivamente e eu sorri um pouco mais.
— Oliver vai se dar bem, então?
— Quando ele não se dá? — perguntei e nós rimos juntas.
Ela digitou algo rapidamente e a impressora atrás de sua cadeira começou a cuspir folhas e mais folhas. Olhei ao redor e fiquei impressionada de quão tranquilo estava o lobby e a sala de espera do Starling General. Minhas últimas visitas aqui não foram lá bem agradáveis e tudo sempre parecia um caos. Essa mudança de cenário era boa.
Ainda melhor sabendo que Helena não pisaria aqui pelos próximos trinta dias que foi o tempo que Robert havia conseguido com a licença de stress que havia tirado em nome de Helena. Nada que fosse ilegal quando se tinha apoio de mais três doutores, quer dizer meus três super-heróis. Isabel Rochev. Billy Malone e René Ramirez. Eles também havia notado as diferenças gritantes no comportamento de Helena e havia apoiado Robert na reunião que o conselho do hospital teve. O caso seria investigado quando ela retornasse, mas até lá...
Paz.
— Ah meu Deus!
Me assustei com o grito repentino de Sara e me virei em sua direção procurando o motivo de seu susto. Segui seu olhar e vi uma outra loira encostada em um dos pilares da entrada do hospital com uma mala de rodinhas vermelhas ao seu lado. Ela era linda. Loira, olhos azuis, sorriso brilhante e pernas longas. Um produto americano perfeito e me custava dizer isso em relação á outra mulher sem querer objetificar e rotular ela.
Sara saiu de trás de seu balcão de enfermeira e correu até a desconhecida, engolindo ela em um abraço. Okay. Eu admito que fiquei levemente ciumenta, porque aquele tipo de abraço era reservado apenas para mim, mas okay. Tudo bem. Tudo supinpa.
— Por que não disse que ia chegar mais cedo? Eu teria ido te buscar!
— E estragar o elemento surpresa? De jeito nenhum! Você deveria ter visto sua cara!
— Merda, eu ainda tenho algumas horas aqui.
— E nós temos muito o que conversar.
— Eu sei! Eu quero saber de todos os detalhes da viagem.
Aparentemente eu fui esquecida durante o reencontro fervoroso, mas não culpei nenhuma das duas. Só Deus sabe quantas vezes foi eu e Caitlin ali no mesmo lugar que elas. Peguei minha bolsa e caminhei até a saída de funcionários a tempo de ver Oliver colocando sua bolsa nos ombros. Ele tinha tomado banho e o cheiro do seu sabonete atacou minhas narinas e me fez espirrar.
— Desculpe. Eu realmente precisava desse banheiro depois de ser atingindo por um jato enorme de sangue... — ele disse me dando um selinho e eu assenti e espirrei mais uma vez.
— Agora mesmo eu estou mais preocupada com você explodindo a cabeça de alguém... — espirro. — Do que com a minha alergia...
Espirro. Oliver riu e me deu mais um selinho. Eu espirrei na cara dele em seguida.
— Desculpe. Desculpe.
— Está tudo bem... — ele disse rindo e limpando sua bochecha levemente. — Eu ainda te amo do mesmo jeito.
— Ótimo.
Rimos juntos.
— Ollie? — eu e ele viramos na direção da voz que chamou Oliver e vimos Sara e a loira desconhecida de braços dados. — Oliver Queen?
— Laurel?
Ela sorriu. Ele também.
Ele se afastou de mim. Ela se afastou de Sara.
Eles se abraçaram.
Eu fiquei com ciúmes de novo, porque aquele tipo de abraço, novamente, era reservado pra mim e só pra mim. Teremos que conversar sobre limites pelo que estou vendo.
— Oh meu Deus! Você parece tão... Adulto. — ela disse ainda no meio do abraço com meu namorado e depois apertou um de seus bíceps e ombros. — E voltou para academia!
— Laurel. Pare com isso antes que você morra nas primeiras horas em Starling City novamente. — aconselhou Sara vindo até o meu lado. — Felicity está procurando vítimas e o cara que você esta agarrada e apertando é o namorado dela. Me parece motivo suficiente para um homicídio passional.
Eles pareceram se lembrar que tinham outras pessoas ali e se separaram, mas não esconderam a felicidade máxima do reencontro. Sorri bem falsamente em direção á tal Laurel. Ela era a deusa da psiquiatria que Thea havia comentado? Por que parecia que tinha mais nessa história? Porque provavelmente tinha. Ninguém dividia olhares como Oliver e Laurel estavam dividindo sem ter um certo nível de intimidade.
Que ótimo.
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