Dangerous Love
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Eu não estava conseguindo dormir. Oliver não estava deitado ao meu lado. Suspirei. E isso era patético. Nunca tive problemas para dormir. Sozinha ou com alguém ao meu lado. Agora eu tenho. Suspirei mais uma vez e me levantei da cama, afastando o edredom e indo até a sala onde tinha deixado Oliver depois de nossa discussão.
O encontrei deitado no maior sofá dos três que tinha na sala de estar e me aproximei lentamente. Fiquei de joelhos ao seu lado e observei seu semblante pacífico. O que será que aconteceu com ele? Era esse o grande mistério? Esse era o enigma que durante meses eu estava tentando desvendar?
Passei a mão em seus cabelos e depois em seu rosto. Eu amava esse homem, mesmo querendo e não querendo. E isso era uma merda, porque eu não conseguia ficar longe por muito tempo. Voltei a passar a mão em seus cabelos e ele se remexeu todo com o cenho franzido. Será que estava tendo um sonho ruim? Talvez, um pesadelo? Me inclinei e beijei seu lábios calidamente e...
Ow. Quando é que eu vim parar no chão? Meu rosto estava ardendo, assim como minhas costelas e o pulso. De onde veio tudo isso? Me senti levemente tonta e vi o teto branco da sala de estar rodar em cima de mim.
Quando consegui me focar novamente e coordenar minha visão embaçada, já que o óculos havia caído longe de mim, eu entendi o cenário. Eu estava deitada no chão de bruços, por isso a dor nas costelas e acho que havia dado mal jeito no pulso quando caí, por isso a dor nele também.
Tateei o chão até encontrar meus óculos e me sentei no chão, olhando ao redor.
Encontrei Oliver sentado no sofá olhando para mim com olhos mortos. Seu rosto parecia torturado e assustado ao mesmo tempo. Seu peito subia e descia rapidamente como se tivesse levado o maior susto de sua vida inteira agora. Ele começou a tremer.
Deus... O que está acontecendo aqui?
Oliver fez a última coisa que eu esperava. Começou a chorar. Lágrimas começaram a marcar seu rosto. Literalmente chorar como uma criança que levou alguma bronca por alguma artimanha. Eu ergui a mão até seu rosto, mas ele se afastou ainda chorando no sofá.
Ele estava ferido. E eu estava chocada.
Ele se encolheu como uma bola no sofá, sussurrava alguma coisa em voz baixa, e eu não soube o que fazer. Me levantei mesmo ainda sentindo a dor no corpo e no rosto e me aproximei com cuidado dele.
— Não... Não...
Ele estava sussurrando repetidamente a mesma palavra.
— Oliver... – chamei em voz baixa, mas ele não pareceu escutar porque estava chorando e sussurrando ainda. – Oliver?
Ele estava sonhando ainda? Apertei minha mandíbula tentando amortecer a dor que estava ali. Eu sabia que havia sido Oliver que me havia me derrubado no chão. Deus, o que eu fiz com ele? O que ele fez comigo? O que infernos está acontecendo aqui?
Ele estava em pânico. Eu estava em pânico. O que fazer?
— Oliver? Por favor... Oliver! – gritei e ele pareceu acordar finalmente de seu inferno particular.
Ele sentou no sofá novamente e quando olhou para mim tinha certeza que estava mais são, porque a confusão inundou seu rosto enquanto ele olhava ao redor. O horror veio. A culpa em seguida. E por último a vergonha. Como lidar com tantas personalidades de uma vez só? Era impossível!
— Oliver?
— Você não... – ele sussurrou e levantou do sofá.
Com esforço, eu fiz a mesma coisa. Antes que eu dissesse qualquer coisa, a bile subiu por minha garganta e eu corri para cozinha e despejei tudo que havia comido no dia dentro da pia. Oliver estava atrás de mim, mas não se aproximou muito. E eu agradeci por isso. Passei a mão em minha boca e liguei a torneira para limpar a maior parte da bagunça que eu havia feito.
Oliver saiu da cozinha e eu o segui até o quarto. Entrei no banheiro e escovei meus dentes, mesmo com o pulso ardendo. Resmunguei com a dor e isso chamou a atenção dele.
— Me deixe ver... – ele pediu e eu dei um passo para trás.
Não. Não antes de eu saber o que porra aconteceu agora. Ele abaixou a cabeça e esfregou o rosto. Quebrado. Eu estava vendo um homem quebrado na minha frente. Eu estava com dor, confusa e com vontade de chorar o tanto quanto ele chorou enquanto estava sonhando ainda.
— Olhe para mim...
— Eu já vi o que eu fiz com você, Felicity. – ele disse e cruzou os braços na defensiva, ainda olhava para baixo ou para qualquer outro lugar que não fosse os meus olhos. – O seu rosto está vermelho de apenas um lado, está segurando seu pulso com uma cara de dor, acabou de vomitar... E se isso ainda não bastasse, você está me afastando. Eu não preciso olhar para saber o que eu fiz.
Me aproximei dele, mesmo com receio, e toquei em seu braço. Isso fez ele olhar nos meus olhos. Uma lágrima caiu de seus lindos olhos azuis e esta lágrima parecia ser mais dolorosa do que todo aquele choro no sofá.
— Eu sinto muito... Me desculpe, Felicity. – ele disse e eu senti meu coração doer.
— O que aconteceu aqui, Oliver?
— O que foi que você fez? – perguntou, sua voz combinava com seus olhos caídos e tristes.
— Eu não estava conseguindo dormir sem você, então fui até a sala e vi você dormindo. Eu fiz cafuné e quando fui dar um beijo, fui parar no chão... – eu respondi e ele assentiu e outra lágrima caiu.
— E depois?
— Você teve uma crise e eu fiquei sem reação. – eu respondi e ele esfregou as mãos no rosto de novo. Estava envergonhado?
— Me desculpe, Felicity...
— Eu não quero desculpas, quero saber o que te deixou daquele jeito. – eu disse e ignorei a dor no pulso que começou a aumentar. – Eu quero saber o que está acontecendo com você aqui.
— É por isso que eu deixo todos afastados de mim.
Sua resposta me fez refletir sobre todas as nossas conversas anteriores.
— Por isso nunca dormiu na casa de nenhuma mulher? – perguntei e ele não precisou responder, seus olhos diziam tudo que eu precisava saber. – E por que se arriscou comigo?
— Eu já disse milhões de vezes que com você é diferente... Eu não tenho controle de nada com você, Felicity. – ele disse e eu assenti. – Eu não tive medo de passar as noites ao seu lado.
— Mas está com medo agora. Por que essa reação? – perguntei.
— Você não é burra, Felicity. O que você quer eu te diga? Que tipo de admissão de culpa você está tanto esperando de mim? O que você ainda não entendeu? – suas perguntas eram rajadas de puro gelo vindo em minha direção. Sua voz se tornou fria.
— Eu quero a fodida verdade! – respondi elevando o tom de voz. – Eu quero saber realmente quais são os riscos que estou correndo aqui e agora.
— Riscos? – a voz dele foi fria e cortante como uma navalha.
— Sim, quantas vezes eu pedi para você me contar? Quantas vezes eu implorei para saber quem é você e o que tinha acontecido com você?
— Quantas vezes eu disse para você ficar longe? – rebateu ele ficando tão puto quanto eu estava. O que era fodidamente irônico.
— Você se aproximou de mim! – acusei e ele riu irônico.
— Porque nós conseguimos ficar um longe do outro, não é mesmo?
Fiquei quieta. Sabia que não era justo acusar somente ele. Eu tinha culpa também. Mas eu estava possessa da vida agora e com dor. Não estava dando a mínima para meu senso de justiça agora.
— O que você está tentando me dizer?
— Eu realmente tentei, Smoak. Você realmente acha que eu queria te dar alta? Não, mas era o melhor para você. Acha que eu queria te ver toda semana na empresa quando era uma tortura para mim? Eu simplesmente não conseguia ficar longe de você e desta sua maldita língua afiada, sempre pronta para me dar uma resposta. Caímos dentro de um jogo vicioso, e quando eu finalmente aceitei que você estava ganhando, você vira para mim e disse que havia cansado de tudo... – ele riu mais uma vez irônico. – Mas aquele momento no carro, eu soube que se eu pressionasse um pouco, você iria voltar para o jogo e você voltou. O jogo acabou, e no final, ninguém ganhou.
— Então foi tudo um jogo para você?
— Não. – ele respondeu rápido demais. – A partir do momento em que você acordou naquele leito de hospital, eu sabia que seria diferente, porque eu estava me sentindo diferente. E pra que? Pra arruinar tudo que eu sabia que aconteceria desde o momento em que vi você abrir seus olhos.
Eu estava chorando, e só percebi isso quando senti o nó em minha garganta se apertar.
Funguei e limpei o nariz.
— Eu não estou entend...
— Quanto mais eu te afastava, mais você queria estar perto. Eu te perguntei várias vezes o porquê de me escolher, lembra? Você sempre respondeu que nunca foi escolha sua e que me via diferente do que eu via a mim mesmo... – ele respondeu e começou a andar ao redor do quarto, olhando para o teto. – E agora? O que você vê? O seu Oliver ou o verdadeiro?
— O meu Oliver é o verdadeiro. – eu disse.
— Não é não, e você sabe disso.
Eu estava cansada, triste, com dor e percebendo que tudo isso era mais desgastante do que qualquer outra coisa. Esse namoro... Simplesmente não estava dando certo. Não era para nós.
— Oliver... Essa é a última vez que eu vou perguntar. Que tipo de merda aconteceu com você? – perguntei com a voz controlada, mas sentia o pior dos sentimentos dentro de mim. Algo que eu não sentia em cinco anos, havia voltado com tudo.
— Se eu te contar, você vai ir embora. – ele disse sentando na cama e apoiando os cotovelos no joelho.
— Eu vou ir embora se você não contar. – corrigi sua frase e ele suspirou. — O que adianta eu falar, falar e falar? O que adianta eu falar que te amo quando você não acredita e nem confia em nada que eu digo? O que adianta você pedir para eu te ensinar algo que você apenas tem que sentir?
— Por favor... Felicity...
— Você não vai falar. E eu não quero mais ouvir. – eu disse e entrei no closet. Mesmo sem uma mão ajudando, as duas malas ficaram prontas rapidamente e Oliver ficou do jeito que estava na cama. Ótimo. Sem drama desnecessário.
— Você não precisa fazer isso...
— Você e eu precisamos de um tempo. Eu não consigo entender nada perto de você, talvez longe eu consiga alguma coisa. Nesse meio tempo, eu peço que você volte para sua rotina normal, trabalho e qualquer outra coisa que faça você se sentir você. Descubra quem você é e o que você realmente quer com tudo isso que está acontecendo... – eu disse vestindo uma roupa e alcançando o celular. Eram 02h da manhã. Abri o aplicativo do Uber e chamei o mais próximo daqui. – Eu vou fazer o mesmo.
— E os seus exames?
— Não se preocupe com isso, já tem um despertador para amanhã e para os remédios. – eu disse e arrastei as malas com apenas uma mão para fora do quarto até o hall de elevadores. Calcei um par de sapatilhas e apertei o botão redondo e vermelho neon.
— Me deixe te levar pelo menos... – ele pediu e o elevador chegou.
— Não. Chega de caronas suas. – beijei seu bochecha sem resistir um último contato com ele. – Eu te amo, e espero que acredite nisso pelo menos desta vez.
Entrei dentro do elevador e mantive o olhar no chão, até as portas se fecharam.

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