Dangerous Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais

— Vamos Lissy! Estamos atrasadas para o nosso próprio horário! — reclamou Caitlin da sala. Ela está reclamando que estamos atrasadas? Isso era inédito na minha vida.
Eu já estava pronta com meu vestido simples preto, discreto e com um decote comportado. Nada que chamaria atenção demais. Maquiagem bem básica e meu cabelo amarrado em um rabo de cavalo. Essa sou eu. Previsível como sempre. Ah, meus óculos. Limpei as lentes e os coloquei no rosto. Agora sim. O espelho nunca mentia meu cabelo loiro e muito menos deixava a maquiagem esconder minha olheiras, ganhas após uma maratona no Netlfix.
— Graças... Ah meu Deus, você vai assim?
— Assim como? — perguntei olhando para mim mesma depois de ver um olhar de nojo no rosto de Caitlin.
Eu estava mais do que apresentável. Vestida como de costume, mas com o bônus de um salto alto hoje pelo outro lado estava vestida para chamar atenção e muita atenção. Calça de couro agarrada aos seus quadris e pernas, uma blusa de mangas compridas branca e com um decote cavado e saltos mais altos que os meus. Maquiagem perfeita ao redor dos olhos castanhos e seu cabelo perfeitamente liso solto. Poderia parecer muita informação, mas ficava perfeito nela.
Deu para notar a diferença, né?
— Caitlin, esse é o melhor que vou conseguir ás 8h da manhã. Já não estamos super atrasadas? — perguntei com a intenção de distraí-la e funcionou.
Doze minutos depois de uma caminhada pela Avenida Principal de Starling City, com o Sol dando seu ar da graça e nos dando toda vitamina D possível, chegamos até o tal lugar. Caitlin não parou de falar de tudo que o SPA tinha a oferecer e de como tínhamos carta branca dentro dele.
O SPA ficava dentro de um hotel da rede Deluxe com uma grande bandeira dos Estados Unidos na porta. Funcionários uniformizados que se moviam de acordo com a velocidade em que novos hóspedes chegavam.
Passamos pelo lobby e eu fiquei um pouco abobada pelo luxo que estava me rodeando de todos os lados. Dos inúmeros lustres de cristais no teto até o chão quadriculado em mármore no chão. Quando chegamos na recepção do hotel, Caitlin deu nossos nomes e aguardamos em poltronas super confortáveis.
A recepcionista ofereceu um chá de ervas, enquanto esperávamos, e eu até tentei dizer que só tomava quando ficava doente, mas sua simpatia e o olhar que Caitlin me direcionou fizeram eu aceitar a xícara. O chá desceu pela garganta, me aquecendo por inteiro e me relaxando também. Coisa que não acontece com frequência, ainda mais depois de cinco anos sendo amiga e colega de quarto de Caitlin Snow.
Tommy, o namorado, ou melhor dizendo, noivo de Caitlin que nos presenteou com um dia forrado de mimos neste SPA. Meu último dia em Starling City, porque amanhã irei para Gotham City para um vida nova. Sem minha família, sem meus amigos e até mesmo conhecidos.
— Senhoritas? Por favor, me acompanhem. — disse a recepcionista simpática e loira aparecendo novamente.
Ela era bem jovem. O pacote perfeito dentro de um uniforme branco com o logotipo do SPA. Ela nos levou até uma sala onde tinha cabides. Tirei minha roupa e coloquei um robe de seda. Era macio e escorregadio ao mesmo tempo. Fomos para uma sala com camas forradas de lençóis de algodão e com um aspecto de praia. Não sabia se era os milhares tons de azul nas paredes ou a música que tocava, mas eu me sentia na praia.
Eu me deitei de barriga para baixo e senti mãos em meu corpo. Pés e costas. Eu havia virado gelatina nos primeiros minutos da massagem, porém nunca estive tão consciente do meu corpo inteiro como agora.
Depois fomos para uma seção de purificação, onde esfregaram meu corpo inteiro para tirar impurezas e energias negativas. Impurezas? Eu tomo banho todo dia, ta? Eu não levava muita fé nessas coisas, mas não me opus.
Caitlin parecia estar no céu.
Eu fui para o céu quando fomos para uma área forrada de banheiras de todos os tamanhos. Entrei em uma em que a água estava quentinha e cheirava a jasmim. E depois mais uma massagem com pedras quentes. Eu rejuvenesci cinco anos? O que me levava a ter, o que? 18 anos? Não iria duvidar se alguém me dissesse que eu parecia mais jovem.
Depois da seção maravilhosa de massagens, banhos, esfrega esfrega, mais massagem... Fomos para área da beleza do SPA. Caitlin e eu estávamos olhando um guia de Gotham online, enquanto fazíamos manicure e pedicure, marcando os pontos turísticos que eu não poderia deixar de visitar. Como por exemplo o museu de antiguidades da família Wayne. A maior coleção de artefatos raros e para lá de caros da América.
Minhas unhas ficaram lindas com um esmalte azul esverdeado.
Depois recebi a melhor lavagem de cabelo do mundo pelas mãos de Wendy, a mesma pessoa que havia passado a tesoura em meus cabelos longos deixando eles curtos. Sempre me orgulhei dos meus cabelos loiros que quase batiam na minha bunda, mas agora eu realmente aprovei o cumprimento que estava uns dois dedos abaixo dos ombros. Caitlin adorou, mas não cortou o seu.
— Uau... Eu amei tudinho. Agradeça Tommy por mim. — eu disse assim que saímos do SPA e Cait riu.
— Você vai agradecer á ele hoje á noite. — ela disse quando pisamos para fora do hotel.
— Caitlin hoje não. Tenho que acordar cedo para pegar a estrada, e você sabe que é muito cansativo. — eu tentei argumentar e ela revirou os olhos.
— Você sabe muito bem que se não for por bem, Thea vai vir te arrastar por mal. Ela organizou uma noite inteira na Verdant para sua despedida. Não vamos brigar, você sabe que eu sempre ganho. — ela disse empinando o nariz e eu quis rir.
— Mas...
— "Mas" nada. Você vai, porque é a sua última noite com todos nós e depois será somente você e sua consciência em Gotham. — ela disse fazendo um voz que deveria soar ameaçadora e aterrorizante. Um futuro mais do que tentador. Não havia como discutir com Caitlin, ainda mais com a ameça que fez usando Thea como consequência.
Thea Queen, Caitlin e eu nos conhecemos na Biblioteca Regional de Boston. Eu estudava no MIT, e elas em Harvard. Elas estavam olhando artigos de lei online, quando o computador da biblioteca pifou. Eu ajudei e viramos amigas. Fácil assim. Agora, Thea era formada em Economia e Eventos e tinha sua franquia de boates, Verdant, pelo país inteiro e Caitlin era formada em Direito e era sócia na firma onde trabalhava e advogada de figurões. E eu? Bom eu me formei com bastante antecedência no MIT e trabalhava em várias companhias ao mesmo tempo.
Isso iria mudar amanhã. Estava indo para Gotham City para chefiar o departamento de Ciências Aplicadas da Wayne Enterprises. Uma oportunidade e tanto. Na verdade, eu apenas fiquei saturada de receber tantas ligações da secretária de Lucius Fox e aceitei o emprego.
Depois de dividirmos uma lasanha maravilhosa no almoço e terminar de empacotar minhas malas, Caitlin me fez refém em seu banheiro que tinha parafernália completa para um dia de noiva. Ela quase que me deu banho, porque não queria que eu borrasse a maquiagem que assistimos em vídeo tutorial no youtube e os cachos que custou a fazer no meu cabelo.
— Cuidado! — ela disse pela enésima vez e eu quis jogar água nela, mas não fiz porque ela estava soltando os seus cabelos de rolinhos coloridos, deixando eles super cacheados.
Fechei o registro do chuveiro e depois me enrolei em minha toalha cheia de patinhos fofos. Fui até meu quarto, consciente que Caitlin estava atrás de mim tirando os rolinhos restantes de seu cabelo quando eu vi uma caixa em cima da minha cama vazia. Era branca com um laço preto enorme e elaborado. Olhei para a minha sombra que apenas riu e continuou a fazer o que estava fazendo.
Desmanchei o laço morrendo de dó e levantei a tampa. Afastei o papel, e... Wow.
— Oh meu Deus... — eu disse erguendo o vestido vermelho de um ombro completamente lindo da caixa. Caitlin riu atrás de mim. — Foi você que escolheu?
— Eu e Tommy. Na verdade eu só escolhi a cor... — ela disse afagando os cabelos completamente livre de rolinhos e eu ri.
Logo coloquei o vestido que caiu como uma luva junto com um par de saltos da mesma cor do vestido que peguei emprestado com Cait porque tudo que era meu, exceto a roupa que iria usar para viajar amanhã, estava empacotado e pronto para mudança.
Caitlin colocou um vestido preto colado com um decote pequeno, e o conjunto de jóias da Cartier que eu havia dado a ela no primeiro Natal que passamos juntas. E ela estava pronta.
Tommy chegou na hora, o que era outra coisa inédita na minha vida e quando abrimos a porta ele estava segurando um buquê de rosas amarelas enormes com um cartaz que dizia: "Não Se Divirta Muito Em Gotham Sem Mim!". Eu ri e o abracei forte. Ele era, simplesmente, um dos meus melhores amigos.
— Estão prontas para a última noite de farra? — perguntou esfregando as mãos e eu ri.
Caitlin e Tommy faziam um casal perfeito. Ele era alto, moreno e de olhos azuis. Um verdadeiro príncipe da Disney com um sorriso canalha e um corpo muito bem conservado. Ela era baixinha, era morena de olhos chocolates com um corpo de dar inveja em qualquer mulher. Até mesmo eu.
Casais como eles não vemos todo dia. Pelo menos não fora da TV.
Tommy nos levou em seu carro até o centro financeiro de Starling City em rumo á Verdant, a primeira boate que Thea abriu de sua franquia. Na verdade, a Verdant era o causador da minha vida social. Foi nele que conheci Diggle, Lyla e Roy. Sei que meu círculo de amigos era fechado, mas eu até que gostava assim.
Diggle e Lyla já nos esperávamos quando chegamos á boate que já estava bombando e cheia de pessoas dançando e bebendo. Preciso dizer que fiquei meio deslocada? Não foi difícil achar a mesa que Dig e Lyla estavam sentados. Ele parecia um Hulk de tão grande que seus músculos eram e o barrigão de Lyla não era discreto.
— Lis, você está ótima! — disse Dig assim que me viu atrás de Caitlin e Tommy.
Nos abraçamos e ele me ergueu no ar um pouco, e eu apenas ri.
— Oi John... Lyla! Estava morrendo de saudades de você! — exclamei abraçando minha amiga sentada, o que era meio difícil por causa da sua barriga de grávida.
— E por que não me ligou? Eu aposto que iria para Gotham sem se despedir e não voltaria quando o bebê nascesse, se não fosse por Thea e Tommy. — ela disse bicuda e eu revirei os olhos internamente.
Hormônios...
— Não seja dramática. Você sabe que eu teria ligado todos os dias para checar você e o bebê... Estamos aqui e agora, não estamos? — perguntei e ela assentiu rindo e me abraçou de novo.
Como eu disse... Hormônios.
— Eu meio que tentei convencer o meu irmão á vir, mas ele está de plantão no hospital. — disse Thea aparecendo com Roy. — Sem sexo selvagem por hoje, vai ter que se contentar com nós.
Minhas bochechas queimaram. Eu que tinha fama de sair falando sem pensar, e não Thea. Espera. Observei seu rosto em meio a minha vergonha, enquanto todos riam, e percebi que ela estava falando sério. Ah meu Deus. Onde eu posso arrumar uma arma e dar um tiro em mim mesma agora? Thea e Tommy eram mestres em me deixar constrangida e vermelha em lugares público.
Hoje é a última noite, com certeza, eles iriam se empenhar.
— Okay okay... Vamos deixar ela aproveitar a noite e hoje as bebidas são por nossa conta. Tommy você é o mais rico aqui, pode fazer as honras. — disse Roy quando um garçom apareceu com uma bandeja forrada de shots de tequila. Respirei aliviada e olhei em agradecimento para Roy. Ele sempre me salvava. Ele piscou e ergueu seu shot. — A nova fase de Felicity!
Brindamos e viramos os shots. Depois vieram mais três rodadas e começamos a relembrar nossos melhores momentos juntos. Quando eu conheci as meninas, quando viemos na abertura da Verdant e conhecemos Dig e Lyla, quando Tommy caiu de para-quedas em nossas vidas, quando eu juntei os casais e apresentei Roy á Thea. Era como um filme de comédia e aventura. Minha vida em Starling City. E amanhã irei começar outro volume. Estava com medo e ao mesmo tempo ansiosa.
Depois dos shots, vieram martínis e cosmopolitans... Não sei quantos foram, mas sei que uma hora estava afagando a barriga de Lyla e no outro estava dançando com Caitlin na pista de dança uma música do Fault Out Boy. E depois com Tommy e depois com Thea.
Quando Lyla disse que estava cansada, eu também encerrei a noite. Eram quase duas horas da manhã, o que me dava seis horas de sono para fazer uma viagem de carro com mais de oito horas. Iria para casa com Diggle e Lyla e já estava prevendo que uma enxaqueca seria minha companheira de viagem.
Me despedi de Thea e Roy que me envolveram em um abraço-sanduíche e depois de Tommy que me segurou por tempo demais. Se não fosse por Caitlin, ele não teria me soltado. Diggle e Lyla me deram carona até em casa e só foram embora depois que eu prometi que teria cuidado, que iria dirigir com cuidado, iria ligar quando chegasse ou se tivesse algum problema, escrever emails contanto tudo e que não iria sumir. E mais importante, estaria de volta a tempo para o nascimento do bebê e para o casamento de Caitlin e Tommy.
Prometi tudo isso, me despedi dos dois e desabei na minha cama.
—-
O som de buzinas e carros freando me acordaram, o Sol estava atravessando a janela. Minha boca estava seca e eu me sentia completamente dolorida. Maldita ressaca. Eu levantei da cama e tropecei em uma das minhas malas, beijando o chão.
Ótima maneira de começar a nova fase da sua vida, Smoak.
Me ergui do chão e fui para o banheiro. Tomei banho e escovei os dentes. Vesti meus jeans favoritos e minha blusa favorita do MIT, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo mais curto do que o normal e coloquei meus óculos. Estava pronta agora.
Saí do quarto com minhas quatro malas e duas caixas de papelão e encontrei Caitlin com duas xícaras fumegantes em mãos na porta da cozinha e uma cara de choro.
— Bom dia. — ela disse fungando e eu ri pegando uma das xícaras que ela me ofereceu. O café parecia tinta. Forte e preto. Zero açúcar. Do tipo que cura ressaca em questão de minutos. O que era exatamente o que eu precisava agora.
— Bom dia. — eu disse depois de beber metade da xícara.
Comi uma maçã e uma barra de cereal, tomei uma aspirina e com a ajuda de Caitlin carreguei meu mini-cooper com minhas coisas. Tudo coube certinho no porta-mala e no banco de trás.
— Promete que vai me ligar assim que chegar lá? — perguntou Caitlin me engolindo em um abraço. Ela havia se recomposto.
Caitlin já tinha chegado chorando ontem a noite no meio da madrugada e tinha feito eu dormir com ela em uma mini-festa do pijama. Prometi á ela tudo que prometi a Lyla ontem e reafirmei que voltaria para seu casamento com Tommy com toda a convicção que eu tinha em meu ser.
— Okay... Boa viagem e boa sorte! — disse Caitlin me segurando pelos ombros, só para me abraçar mais uma vez.
Eu ri e a apertei com força. Ela era minha melhor amiga.
Não era fácil dizer "Adeus" para ela.
Me separei dela e entrei no carro. Manobrei e buzinei antes de sair do estacionamento do nosso prédio, bem, prédio dela. Já estava duas horas atrasada no cronograma, e ainda tinha que abastecer e comprar algo para comer durante as primeiras horas de viagem.
Estava exausta e nem tinha saído do quarteirão ainda. Parei apenas para abastecer e comprei dois números completos do Big Belly Burguer para viagem com alguns doces e bastante água.
Meu Deus, estou tão cansada que nem Madonna conseguia tirar o sono de mim. E era a minha música preferida dela! Dirigi por vinte minutos até sair dos limites de Starling City e tudo se tornou real. Eu estava realmente indo embora. Torci meu pescoço para os dois lados procurando alívio. Eu dormi toda torta e todas as juntas estavam doendo.
Abri a bolsa para pegar o dinheiro do primeiro pedágio quando minha carteira de moeda inventa de dar um mortal e cair no chão. Se bem que de onde eu estava, ela não tinha caído muito longe. Eu estava longe do pedágio, não tinha ninguém na minha frente e eu estava dirigindo em baixa velocidade. Se eu conseguisse me esticar só um pouco...
Ouch.
De onde veio esse barulho? Onde está a Maddona? Ela estava cantando "4 Minutes" agorinha mesmo com o Justin. Tudo estava doendo. Minha cabeça estava explodindo e a dor no pescoço e costas aumentou. Meus pulmões queimavam assim como todos os meus membros inferiores. E que porra de cheiro é esse? Ferro? Ferrugem? Para mim não tinha diferença, eles fediam do mesmo junto. Eca.
Estou me sentindo molhada, o que era estranho, porque eu lembro do Sol e do vento na estrada. Não estava chovendo. Mas o ar estava abafado e era difícil respirar.
Estou, oficialmente, ficando maluca.
Meus ouvidos estavam tirando sarro de mim. Sirenes abafadas. Era isso que estava ouvindo. Onde é o incêndio? O assalto á banco? Por que ninguém faz isso parar logo de uma vez? Estou com enxaqueca!
Estava começando a ficar irritada. Este deveria ser um ótimo dia, mas até agora não teve a parte do "ótimo". Nada saiu como o planejado. Eu não devia ter bebido ontem. Não devia ter acordado atrasada. Não devia estar com esta enxaqueca. Merda.
Onde eu estou? Eu ainda nem saí, oficialmente, de Starling City e já me perdi?
Não estava conseguindo ver nada por causa do Sol e da miopia. Onde estão meus óculos? Eles estavam no meu rosto agora á pouco... Quer dizer, onde está tudo que deveria estar perto de mim?
Silêncio.
Desculpe, Maddie. Mas o silêncio é maravilhoso e muito bem-vindo.
— Qual o seu nome?
Ouvi uma voz grave. Era um homem. De onde ele saiu? E por que sua voz estava tão perto do meu rosto? Chega pra lá, brother. Meus olhos pesaram e eu não consegui deixar eles abertos.
Tudo mudou novamente. A enxaqueca piorou ainda mais. O Sol foi embora. Eu gostava dele. Era quente, e agora estava tudo tão frio. O que infernos estava acontecendo? Não conseguia enxergar um palmo a minha frente sem meus óculos e sem a boa vontade das minhas pálpebras.
— O que aconteceu? Pressão? Sinais vitais? Quero o status completo da situação, lidamos com a polícia depois!
Polícia? Eu deveria me preocupar com o que a outra voz disse e com o que a primeira voz respondeu? Eu não entendia bolhufas. Por que ninguém me responde? Será que eles me perguntaram algo? Será que eu deveria responder?
— Onde ela estava? Tinha mais alguém com ela?
Meu Deus. Alguém responde essa voz maravilhosamente mal-humorada, eu estou com dor de cabeça ainda por aqui, por mais que eu queira saber o que vocês estão falando.
— Chame o meu pai ou Damien. Ela precisa dos melhores. Não podemos perdê-la.
Não sei quem são essas pessoas, mas quero conhecer a pessoa que colocou este ser com essa voz maravilhosa no mundo. Perguntinha rápida. Eles são melhores em que? Por ninguém me dá um tiquinho de atenção?
Humpf.
Vou dormir. Não aguento mais a dor de cabeça. Estou cansada demais.
Fale com o autor