Dangerous Love
7 Capítulo 7
Notas iniciais

Depois de um mês trabalhando na Queen Consolidated, eu descobri três coisas sobre os Queen que quase ninguém mais sabia.
Primeira. Oliver sempre visitava sua mãe nas quartas-feiras, porque era quando ele pegava plantões mais tarde. Só que de quartas-feiras eram os dias que Curtis ficava no laboratório com a equipe de suporte e eu ficava sozinha da Disney Geek. Moira e ele sempre me visitavam e eu acabava entrando naquele jogo vicioso de perguntas e respostas com ele. O placar estava 5x4 para ele agora, por causa da nossa montanha russa. Alguns dias ele estava irritado e distante, indiferente até, outros dias ele se sentia particularmente inspirado para me provocar. E o mesmo acontecia comigo.
Segunda. Moira adorava dar festas. Eu recebi pelo menos três convites para jantares em sua casa, dois convites para almoço com Robert e Oliver e um café da manhã com ela e Thea. Este último eu acabei aceitando, porque não tem como dizer "Não" para minha querida amiga.
Terceira. Todos os Queen pareciam achar que eu era uma piada com pernas.
Olhei pelas portas francesas na minha frente a neve se acumular do lado de fora. Era Véspera de Natal. E eu estava na Mansão Queen. Tinha acabado de chegar e estava me sentindo levemente deslocada no meio de tantos convidados. Eu só tinha vindo para esta festa, porque mamãe e papai viajaram para Nanda Parbat, cidade natal de papai no Tibet e porque Caitlin e Tommy tinha (finalmente) voltado de lua-de-mel.
Tomei um gole do champagne e consegui ver meu reflexo nas janelas francesas. Eu estava usando um vestido vermelho justo nos lugares certos com zíper em diferentes direções como adornos. Eu tinha adorado este vestido e Thea me intimou á usá-lo na festa junto com saltos vermelhos combinando. Cabelo preso em um coque folgado e quase nada de maquiagem. Só porque era Natal, eu decidi usar meu batom vermelho que eu nunca tinha usado antes. Estava até com o lacre quando eu o peguei na gaveta.
Estava me sentindo linda, e se os olhares masculinos fossem alguma indicação...
A casa estava decorada com piscas-piscas e tinha uma árvore de Natal decorada e forrada de presentes em cada cômodo que eu consegui ver da mansão. As lareiras estavam acesas e músicas natalinas tocavam suavemente. Pessoas conversavam e riam. Algumas crianças corriam para lá e para cá. Era uma vibe bem família.
— Ah meu Deus... Eu fico fora por um mês e você decide se repaginar? — perguntou uma voz atrás de mim e eu suspirei aliviada. Cait. Ela tinha voltado. Finalmente.
Me virei e dei um giro para ela me analisar por completo.
— Ahhh... Você perdeu peso. Tomou Sol. E cortou o cabelo? — perguntou ela me segurando pelos ombros com um olhar analítico.
— Como você sabe? — perguntei curiosa. Meu cabelo estava preso.
— Eu sou sua melhor amiga. — ela simplesmente me respondeu e me engoliu em um abraço apertado e sufocante. O meu tipo preferido que só Caitlin Snow sabia dar.
Quando nos separamos, percebi que ela tinha mudado também. Seu cabelo estava completamente liso, sem os cachos que ela tanto amava, ela estava bronzeada e tinha ganhado algumas curvas que estavam acentuadas pelo vestido tomara-que-cai preto de veludo que estava usando. Uau. O casamento transformou ela.
— Tommy cuidou de você direito? — perguntei e ela riu.
— Sim, obrigada pela lua-de-mel. — ela disse jogando um braço por cima dos meus ombros.
— Como assim?
— Felicity, a única pessoa que sabia que eu queria ir conhecer a França era você. — ela disse e eu revirei os olhos. — Foi tão mágico!
— Me conte.
Ela me contou tudo em detalhes. Visitar a Torre Eifel, as praias de Monte Carlo, o festival de Cannes, os vinhedos em Nice, os campos de tulipas em Valensole... Tudo do jeito que ela sempre quis. Eu acertei em cheio e Tommy seguiu o plano á risca.
Logo ele apareceu vestindo um terno preto, e trouxe consigo John, Lyla e a pequena Sara que estava linda em um vestido verde com várias reninhas. Roubei ela de Lyla e começamos a dançar juntas. Ela sorria banguela para mim. Estava com quase quatro meses agora. Passou tão rápido. E era seu primeiro Natal!
— Okay... Okay... Me dê essa coisinha linda para eu paparicar um pouco, Smoak. — disse uma voz conhecida atrás de mim e eu dei de cara com Sara. Não Sara, a bebê linda que estava no meu colo, e sim Sara, a minha enfermeira perva.
Nos abraçamos e eu deixei ela pegar a pequena Sara de mim.
— Como você está? Faz tempo que eu não te vejo! — ela disse arrumando o lacinho na cabeça da pequena Sara.
— Faz tempo? Você me viu na semana passada quando fui fazer meu acompanhamento com a Dra. Rochev! — eu disse e ela riu.
— Muito tempo. — reafirmou e eu ri.
Só então, eu comecei a reconhecer alguns rostos do hospital entre os convidados da festa. Conversei muito com Sara, e eu apresentei Sara á todo mundo. Thea chegou em um vestido preto brilhante com Roy. Os dois estavam fantásticos. Todos nós colocamos o papo em dia e bebemos juntos.
— Felicity! Que bom te ver! — disse Robert Queen chegando perto de nós com um terno preto e uma gravata natalina ridícula que me fez rir. — Me dá a honra de uma dança?
Assenti e nós fomos para a pequena pista improvisada. "Silent Night" estava tocando.
— Eu gosto de dançar e conversar com você, Felicity. Só estou ouvindo seu nome entre essas paredes ultimamente. — ele disse e eu ri.
— Eu também gosto de dançar com você, Robert. E também ouço bastante o seu nome. — eu disse e foi a vez dele de rir.
— Vou sempre ter uma dança reservada com você, então?
— Claro que sim! — eu disse e ele me girou.
— Lembra-se de nossa última conversa no casamento de Thomas?
ISSO! YES! Meu subconsciente jogou o punho para o ar e fez a dancinha da vitória com direito á mortais e piruetas. Eu lembro! E quero continuá-la agora mesmo, doc!
— Vagamente, estávamos nos falando sobre Thea e Oliver, não? — perguntei me fazendo de desentendida e ele assentiu.
— Oliver tocava Mozart sem parar, mas de um dia para o outro começou a tocar apenas Chopin. Quando perguntei á ele o porquê disso, ele me respondeu que era um homem e iria tocar peças de homens e não de crianças. — ele disse e eu franzi o cenho. Ele era apenas uma criança e já tinha uma opinião forte assim? — Acho que foi por causa de Thea. Ele quis ser o irmão mais velho para ela, e amadureceu rápido demais.
Okay. A conversa foi para um rumo totalmente inesperado.
— Sempre responsável.
— Mas completamente amável...
Robert então olhou para mim e sorriu.
— Fico feliz que pense isso. É uma das poucas pessoas que o acha...
— Posso ter a honra da próxima dança?
Eu olhei para os olhos azuis que tinha esperado, secretamente, desde que tinha chegado na festa. Oliver estava aqui. Assim como o pai vestindo um terno, mas sem gravatas natalinas.
— Meus filhos sempre te roubam de nossas danças, não é mesmo Felicity? — perguntou Robert e eu ri corada. — Pelo menos o mais velho foi mais educado. Lembre-se do que me disse, Felicity.
Robert se foi e Oliver tomou seu lugar. Seu cheiro veio em ondas violentas e eu quase deixei um suspiro satisfeito escapar. Percebi que sua barba tinha crescido um pouco desde a última vez que nos vimos. Suas mãos estavam em minha cintura e minha mão com gentileza. Outra música começou. Eu não reconhecia, porque era um solo de piano.
E não era uma peça de meu querido Ludwig.
— Você tocava piano? — perguntei quando o silêncio se tornou entediante.
Sentia falta de sua voz.
— Meu pai é um fofoqueiro. — ele respondeu com um sorriso pequeno.
— Sim. Disse que gostava de Mozart quando criança. Eu não conheço nada de música clássica que não seja relacionada á Beethoven. — eu disse sincera e ele riu para depois suspirar.
Ele me arrepiou inteira com apenas um suspiro! Oliver me girou e me trouxe para ainda mais perto de seu corpo. Decidi explorar. Deslizei minha mão que estava em seu ombro até sua nuca e ele tremeu levemente. A-há. Achei um ponto de fraqueza, finalmente.
— O que o meu pai quer que você lembre?
— Que você é amável.
— Por que está fazendo isso? — seu tom de voz mudou radicalmente e eu olhei em seus olhos.
— Fazendo o que?
— Minha família inteira se apaixonou por você. Tem alguma noção do que está fazendo?
— Eu sei exatamente o que eu estou fazendo, Oliver. E sei os riscos que estou correndo aqui. A pergunta é: Você sabe? — perguntei e sua mandíbula ficou tensa. — Você começou o jogo e agora nós vamos até o final.
Isso foi a gota que fez o balde de Oliver transbordar. Mesmo a música estando na metade, nós saímos da pista e fomos para um canto isolado da casa. Poucos convidados estavam ali por perto.
— Por que eu? Você não me conhece. — perguntou ficando em minha frente.
Me senti vulnerável sob seu olhar inquisidor.
— Eu não te escolhi. Não é assim que a banda toca, Queen. — eu disse e suspirei.
— Você não sabe como eu sou, e com certeza não sabe como jogar comigo. Você é uma menininha que acha que sabe jogar com os caras grandes. — ele disse e eu revirei os olhos internamente. — Você não precisa disso, e merece algo bem melhor.
Essa foi minha deixa. O jantar foi servido e eu sentei o mais longe possível de Oliver Queen. Caitlin me olhava curiosa, assim como Lyla e eu apenas ignorei elas como ignorei ele. O peru estava uma delícia, assim como o clássico macarrão com queijo e purê de batatas. Tinha muita comida variada. E eu acho que iria engordar os quilos que perdi hoje mesmo.
Repentinamente, fiquei cansada. Dos jogos, das perguntas e respostas, da distância de Oliver e de seu sorriso idiota. Estava cansada, não... Estava exausta. Ele estava certo, eu não conhecia ele. Por mais que tivemos uma pequena diversão juntos, ela tinha que acabar agora antes que as coisas ficassem realmente complicadas. Eu ficaria sem responder essa pergunta. As coisas aconteciam rápido demais entre ele e eu, e eu não conseguia acompanhar sua mudança constante de humores. Definitivamente, não.
— Por que você fugiu de mim? Ainda não terminamos. — ele disse chegando perto do meu ouvido com um sorriso falso no rosto.
Ele me direcionou para o corredor e depois entramos em um cômodo que parecia ser o salão de jogos da família Queen. Oliver parecia confortável ali. Eu estava o oposto. Aqui não é o meu terreno. E o jogo acabou, não acabou?
— Eu cansei, Oliver. Eu sou a menininha e você é o cara grande, não é? Game over. — eu disse e dei um passo para a porta.
— Eu disse que...
— Não me importa. Você disse quem eu sou, mas este tempo inteiro eu apenas quis saber quem é você. Por que você finge ser o vilão? Por que finge ser rabugento e ranzinza? Por que afasta todos de você, inclusive sua própria família? Por que se esconde naquele hospital? Por que você fode com qualquer vagina que lhe ronde como um profissional? Quem é você? — eu perguntei ele pareceu mais do que surpreso com a minha explosão.
— Como é que é?
— Se as histórias são alguma indicação da sua fama...
Ele esfregou o rosto.
— Você é um garoto mimado que sempre teve tudo ao seu alcance, mas tem medo de se apegar. Por que? Por que você tem medo de se apegar? — eu perguntei e ele parecia a ponto de explodir também. — Você estava certo no final das contas. Eu mereço mais e quero mais. Nenhum joguinho de provocações com você vai mudar isso tão cedo.
— Felicity, você não sab...
— Oh! Achei vocês! Filho, Helena está te procurando. — disse Moira entrando no salão de jogos se fingindo alheia ao clima que tínhamos criado. — Vá logo e não a deixe esperar.
Oliver respirou fundo, afrouxou sua gravata um pouco e olhou para mim.
— Com licença.
Duas palavras ditas e ele foi embora.
Moira então fez um gesto para o sofá de couro e eu assenti.
— O que está acontecendo entre vocês dois, querida? Estou vendo faíscas entre vocês dois desde o casamento de Tommy e Caitlin. Agora não sei se estão flertando ou brigando no final das contas. — ela foi sincera ao caminhar do meu lado.
— Moira...
— Felicity, a gravidez de Oliver foi muito difícil, e quando ele nasceu foi a alegria da família. Ele cresceu e se fechou completamente. Só estudava e depois só trabalhava naquele maldito hospital. Nunca conhecemos nenhuma namorada dele, embora fosse e ainda é difícil ignorar os rumores. — ela disse alisando a saia de seu vestido dourado. — Tanto no hospital, como na empresa, Oliver fez... Amigas íntimas.
Ergui uma sobrancelha para a matriarca.
— Até você chegar. — eu a encarei. — Eu nunca vi ele prestar tanta atenção em alguém, como faz com você. Robert notou isso também, e eu acho que até Thea notou. Há algo entre vocês, eu sei qu...
Minha vista escureceu e eu fiquei tonta.
— Felicity, se sente! — disse Moira alarmada.
— Estou bem, estou bem, Moira. Só tomei muito champagne e bem... O stress também não ajuda. — eu disse quando me recuperei e encarei seu olhar preocupado.
— Em todo caso, posso chamar Robert?
— Não! Por favor... Não precisa se preocupar com isso.
— Então eu vou procurar alguém que te leve para casa, mas você sempre pode dormir aqui. — ela ofereceu e eu sorri.
— Pode ver se Caitlin e Tommy já foram embora?
Ela assentiu e foi atrás deles. Eu respirei fundo várias vezes e me acalmei. Estaria com uma dor de cabeça desgraçada pela manhã. Na verdade, eu já estava tendo ela e nem dormi ainda! Eu tinha que parar com o champagne em festas.
Tirei os saltos e levantei do sofá. Mais firme. Mais seguro. E, com certeza, mais confortável. Ao sair do salão, dou de cara com quem? Ding ding ding! 1 milhão de dólares para quem disse Oliver Queen.
— Thomas e Caitlin já foram embora, assim como John e Lyla. Então pedi para Oliver te levar. — explicou Moira e eu assenti com a cara fechada.
Moira me abraçou apertado.
— Não contei nada á ele, mas se sentir algo mais... Me ligue. — ela sussurrou e eu sorri.
Que mulher maravilhosa.
— Oliver. Seja gentil e educado com Felicity. Sem mais gritos nesta casa. — disse Moira dando um abraço em seu filho e depois um beijo em sua bochecha.
Oliver colocou a mão na base de minha coluna e me direcionou até a saída.
— Eu sempre sou. Este é o problema.
Eu me afastei de seu toque e apenas segui ele até a garagem subterrânea dos Queen. O carro completamente preto de Oliver nos esperava bem na porta de entrada. O chão estava congelando, mas eu não me importei. Oliver abriu a porta para mim, e eu entrei. O carro estava quentinho.
Respirei fundo.
É só uma carona. Sem mais gritos. Sem mais discussões.
Sem mais nada.
Coloquei o cinto e ele entrou. O motor foi ligado silenciosamente e ele colocou o cinto também. O carro cantou pneu para fora da propriedade dos Queen. Parece que ele estava tão ansioso quanto eu para colocar alguns quilômetros de distância entre nós dois.
Fiquei olhando pela minha janela a neve grudada no chão. Parecia tão melancólica. Eu conseguia sentir a tensão no ar, mas não liguei. Só queria chegar em casa logo. E isso iria acontecer logo, porque Oliver ignorou dois sinais vermelhos. Entramos na avenida principal e passamos pela Queen Consolidated. Desta vez Oliver parou no sinal vermelho. Oh! Ele estava parando apenas nos faróis que eram controlados pelo radar.
Oliver esmurrou o volante e isso me fez olhar para ele. Seu rosto estava mais do que fechado. Ele tinha olhos fixos na pista, mas sua respiração estava rápida e seu corpo tenso. Parecia completamente furioso. Ótimo. Eu também estava, e agora ele teria um gostinho de como é.
Ele ignorou um sinal vermelho e parou no próximo.
Cacete.
Todos os sinais desta cidade resolveram ficar vermelhos?
— Que tipo de merda passou pela sua cabeça para você falar comigo daquele jeito, Felicity? — ele disse pausadamente e eu o ignorei. Não queria conversar. Não queria que ele falasse meu nome.
O sinal ficou verde, mas Oliver o ignorou.
— Tratamento de silêncio agora? É assim que vai ser? — perguntou e eu o ignorei novamente.
Pelas ruas eu conseguia ver os prédios decorados, as famílias comemorando pelas janelas. Bonecos de neve nas portas das casas. Outra merda de sinal vermelho. Mas que caralho. Quantos faróis existem na merda de Starling City?
— O que você acha que sabe sobre a minha vida? Quem você pensa que é? Ninguém sabe de nada. Não venha me julgar com base na sua vida perfeitinha. Eu não sou perfeito. Ninguém é. — ele disse novamente e eu quis chorar.
Qual a parte do "Eu estou cansada", ele não entendeu?
Espiei de lado e vi seu contorcido em fúria. Ele acelerou. Parece que a cada sinal vermelho teríamos o início de uma discussão nova. Então, eu fiquei em silêncio e o ignorei. Ele não tirava os olhos da estrada, mas seu peito subia e descia rápido demais.
Abracei meus joelhos e virei o olhar.
— Eu não tenho medo de ser quem eu sou. Eu não tenho medo de me apaixonar. Eu não tenho nenhum dos medos que você falou. Muito pelo contrário. Não é para mim. Será que dá para entender? — perguntou em voz baixa com um tom congelante.
O silêncio reinou dentro do carro no próximo farol.
— Me responda. Você acha que eu não quero uma mulher para ser feliz e formar uma família como a dos meus pais? Para quando chegar do trabalho ter alguém esperando por mim, fazer planos e todas as merdas que casais fazem...? — perguntou controlado.
E isso me deu medo.
Prefiro o Oliver em fúria, cuspindo fogo, e não este controlado.
— Responda.
— Eu não sei, porque você não deixa ninguém entrar! — gritei de volta e ele apertou o volante.
Só mais um pouquinho e eu chego em casa.
— Eu sei exatamente o que eu quero, Felicity. E sei os ricos agora. — ele afirmou com a mais absoluta certeza do mundo agora, mas eu ignorei. Se eu soltasse mais algum grito, iria acabar chorando.
Calcei os sapatos novamente quando reconheci a avenida perto de casa. Me recompus e normalizei a respiração. Chega de gritos. Sem chorar na frente dele. Olhei para ele e percebi que ele estava tendo uma batalha interna.
— Hey... Minha casa é para lá! — eu disse apontando para minha rua, mas ele ignorou e acelerou.
— Mas a minha é para cá. — ele respondeu e eu fiquei boquiaberta.
— Oliver?
— O jogo acabou, Felicity.
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