Dangerous Love
38 Capítulo 38
Notas iniciais
O mundo pode parar? Eu não sabia se isso era possível ou não, talvez pesquisaria depois, mas eu me senti assim. Não importava quanto tempo passasse, dez anos, cem anos, ou dez segundos, não importava a circunstâncias ou formas. Eu sempre iria reconhecer ela.
Samantha.
A pessoa que eu pensei que nunca mais iria ver na minha vida de novo, estava ali com uma expressão de medo, dor e fragilidade. Lentamente ela levantou a cabeça, minha respiração parou completamente. Todos os sensores de alerta do meu corpo ligaram. Seu olhar corria de mim para Felicity, seu rosto pálido, a têmpora suada. Eu estava congelado para dizer no mínimo.
Eu ouvi a voz abafada de Felicity me perguntar algo, mas logo ela notou o motivo do qual estava me tirando uma reação dessa. Minha esposa ligou os pontos muito rapidamente e chegou a única conclusão possível e ficou tão chocada quanto eu estava.
— Oi Oliver, quanto tempo, não?
Senti um arrepio de puro ao medo ao ouvir sua voz novamente depois de tanto anos, e não tive tempo de reagir porque Felicity cambaleou contra mim e desmaiou. Eu senti uma descarga de adrenalina correr pelo meu corpo e empurrei qualquer tipo de pensamento que não fosse de Felicity para fora da minha cabeça.
Aparei seu corpo e a levantei em meus braços enquanto o resto seguia o roteiro de ficarem chocados, surpresos e depois partir para a ação. Fui até o quarto vazio mais próximo e a coloquei na cama. Sara apareceu rapidamente, e ergueu as pernas de Felicity em um ângulo de 90° enquanto eu checava seus sinais vitais e tentava afrouxar suas roupas.
Estava tudo bem e ela estava respondendo á tudo, apesar do desmaio
— Aqui... — disse Sara me entregando um cotonete embebido em iodo. Pairei o cotonete embaixo das narinas de Felicity por alguns segundos e ela abriu os olhos, confusa.
— Oliver...
— Eu estou aqui. — eu disse aparecendo em seu campo de visão e ajeitando seus óculos em seu rosto.
Pela expressão de choque e dor, ela estava lembrando que aconteceu antes de desmaiar. Eu esperei pacientemente, e Sara fechou as persianas do quarto nos protegendo dos olhos curiosos. Eu mantive minha respiração calma e a postura relaxada, Felicity estava provavelmente a beira de um surto que valeria por nós dois. Eu não posso me dar ao luxo de ter medo, de ser um menininho apavorado diante do seu pior pesadelo de infância, sendo que agora sou um homem que precisa proteger a pessoa mais importante da minha vida.
Bem, duas delas agora.
— Oliver, o que...? — ela começou em um sussurro e depois apertou os olhos se encolhendo na cama.
— Hey, está tudo bem. Foi apenas um susto. — eu disse pegando suas mãos e apertando levemente.
Ela assentiu e respirou profundamente algumas vezes antes de se sentar devagar.
A raiva e a angústia começaram a se arrastar pelo meu peito dominando o medo e o choque que estavam ali antes. Minha vontade era pegar Felicity no colo e fugir, me refugiar com ela em algum lugar onde poderia abraçá-la e saber que tudo estava bem, que tudo ficaria bem, que nosso bebê está protegido e longe de qualquer tipo de perigo que ela representasse. Senti o aperto suave da mão de Felicity em minha mão e olhei em seus olhos.
Eles estavam preocupados. Com mil razões para isso.
Servi um pouco de água em um copo para ela e ela bebeu gole por gole.
— Você não vai sair deste quarto. — ela decretou assim que terminou o copo inteiro e eu quis rir sem humor algum. — Eu não me importo se o Papa chegar com os miolos sangrando e você for o único que pode ajudar.
— Felicity, eu não sou mais uma criança. — eu disse levemente.
Algo que era mais para mim mesmo do que para ela.
— Eu sei, mas eu não casei com você para ser esposa de um homicida, Oliver. — ela disse e jogou as pernas de lado e se levantou devagar testando seus sentidos, e estavam ótimos. Principalmente seu equilíbrio. — Eu vou lá fora.
— Não.
— Oliver.
— Não.
Ela cruzou os braços.
— Não, Felicity.
— Eu preciso saber o que ela quer comigo e quais são os planos para William. E sim, eu vou conversar com ela. E não, você não vai junto. — ela disse caminhando até a porta aonde eu a alcancei rapidamente.
— O que William tem a ver com isso? — perguntei começando a sentir a raiva borbulhar dentro de mim.
— Ela é a mãe dele, Oliver. — Felicity revelou temerosa.
Fiquei sem palavras aí. Como uma pessoa como ela havia virado mãe? Ela não deveria sequer ser permitida perto de qualquer criança. Outra pergunta se formulou em minha mente e eu quis vomitar. Respirei fundo buscando toda a coragem que havia dentro de mim para fazer a pergunta mais importante, a que estava começando a doer demais. E a que eu menos queria saber a resposta.
— Quantos anos William tem, Felicity?
Deus, eu preciso estar enganado. Não é possível. Felicity pareceu entender o que eu queria saber e vi ela seu rosto apontar indícios que queria vomitar também. Deus, não. Aquilo não pode ter feito mal a mais alguém. Não é possível que aquela merda tenha uma fodida consequência além de mim.
— 14 anos. — ela respondeu e eu fechei meus olhos e esfreguei meu rosto.
Senti o mesmo medo de quando tinha apenas oito anos. Meus corpo inteiro tremeu, a respiração parou, o sangue parece ter congelado e o martelar do meu coração se tornou audível aos meus tímpanos. Meus olhos arregalados encarando o monstro diante de mim.
Foque. Não é hora para isso. Cacete.
— Eu vou vomitar. — ela anunciou e correu para o pequeno banheiro que tinha no quarto.
Eu fui logo atrás, mas Felicity não chegou ao vaso á tempo, então vomitou na pia e sujou suas roupas enquanto fazia isso. Balancei minha cabeça levemente tentando me livrar do arrepio constante que eu sentia no corpo e foquei em Felicity. Ela era a minha prioridade agora e não paranoias e teorias sobre o passado. Eu teria tempo para isso depois.
Tirei o cabelo de Felicity do caminho e ela continuou por mais alguns minutos.
— Melhor?
— Nenhum pouco. — respondeu em um sussurro.
— Eu vou pedir para Sara trazer um uniforme para você, okay?
Ela assentiu e ligou a torneira para tentar limpar a bagunça do vômito.
Peguei meu celular e fiquei na porta pronto para socorrer ela se fosse preciso. Achei o contato de Sara rapidamente e pedi um uniforme para Felicity, uma escova de dente e água, as roupas delas estavam arruinadas pelo vômito e o gosto em sua boca deveria ser horrível.
— Ela já vai trazer as coisas, okay?
Ela assentiu e eu a ajudei a sentar em cima da tampa do vazo sanitário.
Tirei sua jaqueta e sua blusa com facilidade e coloquei dentro de um dos sacos de objetos contaminados embaixo da pia do banheiro. Tirei o saco de lá e amarrei. Me virei de volta para Felicity e encontrei ela recostada na parede com a cabeça para cima.
Vi seus óculos na pia e os lavei por precaução. Sequei com a ajuda de algumas toalhinhas descartáveis e os repousei no rosto de Felicity novamente. Ela parecia bem melhor. Ouvi alguém bater na porta do quarto e nós dois olhamos na direção da mesma.
Caminhei até lá e encontrei Sara do lado de fora. Dei espaço para ela e peguei os uniformes de suas mãos e ignorei o olhar inquisidor dela em direção á Felicity e depois á mim. Ajudei Felicity com seus tênis e jeans e depois a vesti com o uniforme cirúrgico azul escuro que talvez antes a faria soltar uma de suas piadas sem graças sobre Grey's Anatomy, mas hoje não.
Calcei seus tênis em seus pés novamente e a sustentei na hora de levantar. Ela conseguia segurar todo o seu peso, mas seu equilibrio não estava bom como quando ela havia levantado da cama alguns momentos atrás. Ela começou a escovar os dentes e eu senti Sara atrás de mim na porta do banheiro ainda.
— Ela vai apagar em três minutos. — ela sussurrou e eu assenti.
Felicity tomou mais um copo de água e voltou a sentar na cama.
Conseguia observar seu corpo oscilando levemente e suas pálpebras ficaram pesadas e logo depois ela deitar e cair no sono.
— O que você deu pra ela?
— Bromazepan. Foi o único comprimido que eu achei que iria diluir completamente da água. — ela disse enquanto eu ajeitava Felicity na cama e a cobria com um dos cobertores. — O que aconteceu para ter toda essa reação?
— Ela está grávida.
— Eu sei, e entendo o estado dela, mas ainda sim não explica porque você parece que viu um fantasma. — ela disse cruzando os braços.
E eu tinha visto um mesmo, Sara.
— Quem está atendendo William? — perguntei.
— Isabel.
— Consegue fazer ela passar ele para mim?
— Claro. O PS está uma loucura lá embaixo. — ela disse dando ombros. — Mas alguém tem que falar com a mãe. Eu não gosto dela. Felicity também não.
Assenti.
Abri as persianas do quarto e saí junto com Sara. Ela conseguiria ficar de olho em Felicity por uns trinta, quarenta minutos. Esse era o tempo que eu tinha antes dela acordar. Olhei ao redor e não vi Samantha por ali, nem mesmo Billy que estava a acompanhando. Suspirei e fui até o quarto de William. Ele estava dormindo, mas estava bem machucado.
— William...
O nome dele saiu como uma facada do meu coração.
— Puta que pariu – sussurrei ao me dar conta que ele também foi abusado antes de hoje. Por isso está na instituição de Thea. E ele era filho de Samantha. Não, outra vez não. Até que eu lembrei que Felicity havia dito que ele foi atacado pelo namorado da mãe, e não a mãe em si. Mas isso ainda sim, não faz ela menos perigosa para ele.
Não é possível que justo esse menino seja filho dela. Não esse menino.
Não tão perto de nós. Tão perto da minha irmã e de Felicity.
Preciso proteger mais alguém dela. Preciso salvá-lo.
— Aqui. — virei e encontrei Alex, meu interno, segurando meu jaleco e meu estetoscópio com uma expressão cansada.
— Obrigada. Vá para casa, Alex. Você precisa descansar também para salvar vidas, garoto. — eu disse e ele assentiu e nem argumentou comigo. Bocejou e deu boa noite indo em direção aos elevadores. Me vesti e fui até Sara. — Aonde está a mãe?
— Sala de conferência 1. — ela respondeu e eu assenti.
Marchei até lá e até achei melhor ela estar em uma sala isolada do que em um quarto. Pessoas poderiam ouvir nossa conversa e isso também poderia chegar aos ouvidos errados.
Abri a porta e vi Samantha com os cotovelos apoiados na mesa e seu rosto entre suas mãos, e soluços baixos. Uau. Quem visse até poderia cair que ela realmente se importava com o filho. Respirei fundo e entrei na sala. Ela estava sozinha. Billy desapareceu de vista. Cocei minha garganta e fechei a porta atrás de mim.
— Oliver... — ela disse meu nome, o que me fez estralar o pescoço e ignorar tudo de ruim que estava aflorando dentro de mim agora.
— Nós vamos fazer isso do meu jeito. Eu sou o médico de William agora e preciso que responda algumas perguntas. — eu disse colocando abrindo o prontuário de William na mesa a minha frente. Ela estava na outra ponta da mesa, mas ainda sim parecia perto demais. — Quem o atacou?
Ela esfregou o rosto e parou de chorar.
— Quem o violentou? — eu repeti. — Nós precisamos saber para garantir a segurança dele aqui.
— Meu namorado. O nome dele é Colin Adams.
Que espécie de mãe sabe quem abusou do seu filho e o chama de namorado?
— William nos contou que ele tentou chamar a polícia e não conseguiu, mas seus vizinhos chamaram junto com a ambulância. O hospital tem obrigação em entregar o prontuário de William junto com a primeira queixa que os seus vizinhos fizeram contra esse homem. Fique ciente que o conselho tutelar vai entrar no cenário e você será entrevistada por uma assistente social. — eu disse o protocolo e ela se levantou da mesa com um rompante.
— Ele é meu filho! – ela gritou sem medo beirando a histeria, quase me fazendo sorrir. Aí está à verdade. Essa é a mulher que eu conheci. A que fode duro e forte, passando por cima de qualquer um, e não a frágil mãe que ela estava interpretando minutos atrás. — Nem você, nem ninguém tem o direito de tirá-lo de mim.
— Meu paciente! E no momento que nos encontramos, eu tenho maior autoridade aqui. — eu disse mantendo o tom sereno. – E você, realmente, vai me dizer que minhas preocupações são infundadas?
Algo refletiu em seus olhos, mas eu não me dei ao trabalho de tentar descobrir o que era. Assinei a primeira página do prontuário de William e passei para a segunda. Até que eu estava conseguindo ser paciente.
— Você não tem esse direito, Oliver. Não desconte nele. — ela pediu voltando ao ato de mãe do ano.
— Descontar?
Eu? Adoraria ser tão frio e calculista a ponto de usar um menino inocente para foder com sua vida, infelizmente esse não sou eu. Nunca fui e nem mesmo você vai me fazer descer tão baixo. Eu nunca seria como você, Samantha. Nunca. Nem que eu morra tentando.
— Eu não estou descontando em ninguém, estou protegendo e cuidando do meu paciente. – eu expliquei e ela começou a andar de um lado para o outro. Seu passo continha todo ódio e fúria que conheço tão bem. E sua máscara de boa mãe já estava rachada.
— Você está me acusando de machucar meu próprio filho! — ela exclamou raivosa e eu permaneci parado enquanto ela continuava andando pra lá e pra cá. — Pelo tudo que eu sei, poderia ser o médico que atende ele, as mulheres dentro daquele ong barata e até mesmo a tutorazinha dele que poderia estar machucando ele, não eu! Eu sou a mãe!
Senti alto estalar dentro da minha cabeça e fechei minhas mãos em punho.
— Nunca mais. — eu comecei e ela parou de andar. — Nunca mais nem pense em se dirigir á minha esposa como uma ameaça em potencial á William. Quando sabemos que a única ameaça á ele, é você.
Percebi que sua postura mudou, de agressiva foi para defensiva. Ela ficou no ponto da mesa mais longe de mim porque provavelmente notou que eu estava por um fio de ir arrancar sua garganta. Eu não me sentia culpado. Nunca mais vou me permitir ser o submisso. Eu sou o dominante agora. Meu olhar, meu corpo, minha voz, tudo em mim demonstram que ela não tem mais o poder sobre mim, ele agora me pertence.
As lágrimas que caíam por seu rosto, a cabeça baixa, os ombros encolhidos. E o medo refletido em seus olhos. O soluço que saiu da sua garganta deixou claro que ela entendeu perfeitamente a mensagem.
Assinei a segunda página do prontuário e empurrei o prontuário junto com a caneta até a ponta da mesa onde ela estava. Ela pegou e assinou que estava ciente de tudo que eu havia informado sobre os protocolos e o estado de William. Esta última parte, se ela soubesse algo, não seria por mim.
— Eu vou precisar solicitar um exame de DNA?
Ela ofegou.
— Vou precisar, Samantha? — perguntei novamente com um tom de voz mais firme.
— Não. Ele não é seu. — ela afirmou e deslizou a pasta de volta para mim.
— Você pode ir embora ou esperar na sala de espera até amanhã. Este andar está fechado para visitas neste horário e William já determinou quem ele quer que fique no quarto com ele, e é Dr. Malone. — eu disse pegando o prontuário de volta e batendo a porta da sala bem forte assim que eu sai dali.
—-
Eu fiquei no quarto com Felicity depois disso por algum tempo, estudei o caso de William e as anotações que Isabel havia feito sobre o primeiro atendimento. Ela estava preocupada com as possibilidades de hemorragia interna e ruptura de estômago, mas os exames dele ainda não havia saído para eu tentar investigar mais.
Olhei para cama onde Felicity babava levemente e sorri levemente. A única coisa que estava me mantendo são aqui, agora, nesta situação estava dormindo e babando na minha frente. Massageei minha têmpora esquerda que já dava sinais que eu teria uma enxaqueca pela frente e suspirei.
Duas batidas na porta me fizeram ficar em alerta até eu ver que era meu pai do lado de fora. Ele abriu a porta e entrou com um leve sorriso e um papel em mãos, estava usando seu uniforme cirúrgico e seu jaleco, ou seja, ele acabou de sair de uma cirurgia. Pelo cansaço em seus olhos, uma longa cirurgia.
— Oi filho.
— Oi. — cumprimentei.
— Estava me preparando para ir embora quando Daisy me pediu para trazer uma exame de sangue em nome de Felicity Smoak-Queen. — disse me estendendo o papel e eu sabia onde ele queria chegar. — Então eu vou ser avô?
Assenti lendo todas as informações do papel, e tirando seu nível de ferro que estava médio para baixo, Felicity estava muito bem. E muito grávida. Eu nunca tinha visto uma gravidez confirmada cientificamente com 94,6%. Todos aqueles 99,9% só existiam em filmes e séries e nós nem falávamos na possibilidade de um 100%, mas era o que todo teste ou exame de sangue atestava se fosse maior do que 65%.
— Daisy prometeu ser discreta sobre isso, mas manda suas felicitações. — continuou papai sentando no sofá ao meu lado. — Por que você não parece muito feliz com a notícia?
— Eu ainda não tive tempo de processar. Atacaram William que é um dos garotos que frequenta a instituição de Thea e está no programa de Felicity. Ele está no quarto ao lado e a situação não é das melhores. — eu disse esfregando os olhos e vi meu pai assentir levemente. — E eu não sei o que fazer em relação á ser pai. Você lembra de Steve, não lembra?
Ele riu levemente e cruzou os braços.
— O seu peixe dourado que durou três horas? — perguntou e eu assenti. — Eu lembro, eu tive que desentupir a pia depois que você deixou ele cair lá. Ainda não sei como ele não morreu.
Eu assenti pesadamente lembrando do bichinho que sofreu tanto na minha responsabilidade até que mamãe comprou um aquário enorme com mais peixes e que eu não precisava de muito esforço para dar comida á eles.
Acho que ele é vivo até hoje, mas não graças á mim.
— Felicity está feliz com a notícia? Ou vocês tem outros planos?
— Eu acho que ela também não processou ainda, mas não está encarando como uma notícia ruim. — eu disse voltando a observar Felicity dormindo. — Ela quer ficar com o bebê.
— E você?
— Eu não sei. Ser pai nunca estava nos meus planos, e nem ser casado, mas aqui estamos nós... — eu disse tentando fazer uma piada, meu pai até que bufou uma risada, mas ele conseguia ver através da minha merda. — Eu não sei se estou preparado para isso.
— Oliver, não tem como se preparar para isso. Quando a sua mãe estava grávida, nós nos planejamos e tudo saiu do nosso controle assim que você nasceu. E na gravidez de Thea achamos que havíamos cobrido cada brecha e possível cenário, e tudo saiu do controle de novo quando ela nasceu. — ele disse em voz baixa e eu me virei para ele. Seus olhos estavam nostálgicos. — Mas pode apostar que no momento em que conhecer o seu bebê, você vai saber exatamente o que precisa fazer para manter ele feliz e seguro. Se torna um instinto.
Franzi as sobrancelhas ao escutar isso. Claro que já ouvi várias histórias e presenciei várias famílias e o elo de amor era enorme, mas eu não sabia se eu iria ser capaz de construir um com esse bebê. Eu poderia tentar.
— Eu lembro até hoje o dia em que estávamos em um evento da empresa de uma ong que apoiava abrigos de animais. Um cachorro rosnou demais para a sua irmã e você se colocou na frente dela quase levando uma mordida bem feia, mas a sua mãe viu tudo e conseguiu pegar vocês dois. — ele contou e eu lembrava daquele dia vagamente.
Não com tantos detalhes, mas definitivamente lembrava dos dentes do cachorro.
— Vocês dois vão se dar bem, e eu mal posso esperar para ver a reação da sua mãe quando ela descobrir que vai ser avó. — ele disse rindo levemente imaginando um cenário colorido demais para o meu gosto. — Vocês já contaram para alguém?
— Acho que apenas Sara e você sabem além de nós dois. E Daisy agora também. — eu disse e ele assentiu. — Pode guardar esse segredo? Até as coisas se acalmarem?
— Claro que sim. Vou checar em uma paciente minha e vou embora antes que sua mãe mande a polícia atrás de mim. — ele disse batendo em meu ombro antes de se levantar e sair do quarto. — Estou feliz por você, filho. Você vai ser um pai ótimo, tenha fé.
Assenti e deixei o sentimento de calmaria penetrar em minha pele até os meus ossos.
Era algo que eu só sentia depois de conversar com meu pai. Apenas com ele.
Será que eu teria algo parecido com o bebê?
Suspirei e fechei o prontuário de William e coloquei o exame de Felicity no bolso interno do jaleco. Ele iria para o arquivo médico dela que eu mantinha em casa junto com o meu, e talvez eu teria que começar um outro para o bebê. Teria que tirar cópia deste então. Aqui era onde tudo em relação á sua gestação começava. Hm.
Levantei do sofá e fui checar o paciente da porta ao lado. Eu sabia que estava evitando entrar aqui. Não precisa de mais pequenas observações para alimentar a paranoia que rondava minha consciência. Me encostei na parede oposta á cama de William e me coloquei a observá-lo.
Ele pode ser, realmente, meu filho.
Os fios de cabelo e os olhos dele eram castanho claro, e me lembravam muito de Thea que havia puxado nossa avó, a ponta do nariz me lembrava mamãe e o modo como ele sorria de lado me lembrava meu pai. Não achei nenhuma semelhança física que nós dois compartilhássemos, mas... Deus. Se esse garoto for realmente meu, eu estava em sérios apuros com meus pais.
Samantha disse que ele não era meu, mas não era como se eu pudesse levar a palavra dela como um gospel, certo? Ela já mentiu inúmeras vezes antes para mim, para meus pais e provavelmente para William também. Suspirei e caminhei até a poltrona ao lado da cama dele. Eu sabia que não deixaria ninguém encostar nele sem o seu consentimento. Eu sabia muito bem como era estar em um cenário parecido e se dependesse de mim, a tão dita mãe sairia da vida dele.
Poderia parecer uma solução ruim, radical e simplesmente... Má, mas eu não conseguia nutrir nenhum sentimento bom por Samantha. Eu não me importava se ela estivesse dentro de um relacionamento abusivo ou não, eu não me importava se ele teve uma vida difícil ou se passou pelo inferno. Eu só sentia ódio em relação á ela e um oceano de ressentimento pronto para afogá-la quando ela deslizasse para fora da linha. Ela não teria meu perdão, minha piedade e nem minha compaixão.
Se isso me faz uma pessoa ruim, assim seja.
Fiquei um bom tempo ali com ele e atualizei seu prontuário depois de uma checagem rápida em todo o equipamento que estava ligado ao seu corpo e aos sinais vitais. Os reflexos involuntários teriam que esperar ele acordar, mas com a morfina que Isabel receitou, isso só seria bem mais tarde.
— Como está se sentindo?
Me virei para a porta do quarto e encontrei com Felicity ali. Seu cabelo estava amassado assim como parte do seu rosto que até tinha uma marca do travesseiro, mas ela não estava mais sonolenta. Seus olhos eram vigilantes e estavam preocupados, á esse ponto não sabia se era comigo, William, ou com ela mesma e o bebê.
Andei até ela colocando meu estetoscópio ao redor do pescoço e ajeitei uma mecha de cabelo que havia escapado de seu rabo de cavalo enquanto ela dormia. Sua expressão caiu um pouco e ela se apertou contra meu peito. Meu corpo foi inundado pelo calor e seu cheiro e eu a apertei de volta. Ela era tudo que eu precisava agora e até o final dos meus dias.
— Confuso e com medo. — confessei contra seu cabelo. — Estou com raiva também.
— É mais do que justificável.
— Independente disso, eu sei que vou proteger você e nosso bebê. — eu disse e senti ela se apertar ainda mais contra mim. Foi a primeira vez que eu mencionei o bebê como "nosso" e ela sabia disso. — Vamos conversar em outro lugar?
Ela assentiu e se separou de mim levemente e eu vi seus olhos marejados e a ponta de seu nariz começar a ficar vermelhinha. Acenei para Sara levemente que estava conversando com um acompanhante e ela acenou de volta. Optei por deixar o quarto em que Felicity estava livre, esse andar tinha um hábito horrível de encher nas primeiras horas da manhã que era quando a maior parte das cirurgias acabavam.
Acabamos em uma sala de descanso que eu sabia que ninguém usava. Era perto da ala de urologia e essa parte do hospital era sempre deserta. Acho que só uma ala era mais deserta que essa e era a psiquiatria. Entramos juntos na sala de descanso onde tinha um sofá e uma beliche com uma poltrona bem puída. Ala deserta, de fato. Eu pendurei meu jaleco ali por força do hábito e vi que Felicity notou isso ao sorrir levemente de lado.
Sentamos no sofá e ela se colou ao meu lado jogando suas pernas por cima do meu colo. Ficamos em silêncio por um tempo e pela janelinha pequena conseguia ver que as cores do céu começou a mudar, o Sol iria nascer daqui alguns minutos e tudo começaria de novo.
— O que está se passando na sua mente? — ela perguntou seguido por um cafuné entre meu cabelo que me fez relaxar por completo. Eu não precisava manter a guarda alta com ela. Nunca com ela. — E aqui dentro?
Apertei sua mão em meu peito e entrelacei nossos dedos.
— Estou com medo que ele seja meu. — revelei e ela nunca parou sua caricia em minha cabeça. — Mas eu acho que ele é.
— Por que?
— Ele me lembra um pouco dos meus pais, mas é muito fodido pensar assim. — eu disse desenhando todos os contornos das falanges e das veias do pulso de Felicity. — E dói pensar que toda aquela merda que eu vivi possa ter gerado uma vida inocente que agora está passando por tudo que eu passei. William não parece passar por isso.
— Ninguém merece, Oliver, mas pelas minhas contas... É uma possibilidade, se ela ficou grávida no último ano que ficou com a sua família, mais uma gestação e idade de William agora... — ela disse apoiando seu queixo em meu ombro. — E vocês nunca usaram camisinha, não é?
Neguei com a cabeça e o cafuné parou.
— Eu nem sabia que existia.
Nós dois respiramos profundamente e suspiramos em seguida.
— Meu pai sabe que está grávida. Ele trouxe um exame de sangue com o seu nome. — eu disse tentando aliviar o clima e ela me olhou surpresa. — Você fez com Sara, não fez? Ela sabe?
Felicity assentiu sem hesitar.
— Ele prometeu que não vai contar para ninguém. Vai esperar nós dois. — eu disse e ela sorriu bem levemente.
— Sara também. — ela garantiu e deitou sua cabeça em meu ombro.
Beijei seu cabelo e ela apertou minha mão enrolada na sua.
— Eu tenho certeza que se ele for seu, você ainda sim vai ser um ótimo pai, Oliver. — ela disse em voz baixa e eu senti meu peito se apertar.
— Eu não tenho tanta certeza.
— Que bom que eu tenho em fé em você por nós dois então. Ou três. Ou quatro. — ela disse separadamente e depois bufou uma risada que me fez sorrir. Só ela conseguia arrancar um sorriso meu, mesmo que pequeno, na situação que estávamos. — Está na hora de você ter um pouquinho também, não acha?
— Já me disseram isso três vezes só esta noite. Você, meu pai e Masseo. — eu disse e ela levantou sua cabeça. — Eu fui ter uma consulta de emergência com ele.
— Essa era a consulta que você precisava ir?
— Sim. — eu respondi. — Ele estava afastado da cidade por isso demorei tanto para chegar até aqui.
— E foi bom para você?
— Me senti um pouco aliviado quando saí de lá. Ele simplesmente me disse para processar tudo e tentar distinguir sentimentos que o trauma trazia a tona e os que eu estava me privando de sentir. Estou tentando fazer isso ainda, mas é difícil. — eu fui sincero e ela maneou a cabeça e piscou diversas vezes. — Eu posso não saber o que eu quero agora, mas sabia o que não queria assim que saí do consultório dele.
— O que?
— Não quero brigar mais com você, Felicity. Pelo menos não sobre o meu passado, por mais que ele tende a voltar a tona. — eu disse levemente amargo. — Também não quero mais que você chore ou que pense que está sozinha nisso. Nós fizemos esse bebê juntos e ele é nosso filho. A gente vai dar um jeito.
Ela assentiu e eu me virei o suficiente para nos abraçarmos. Apertei seu corpo contra o meu e enfiei meu rosto na curva de seu pescoço. Era o meu lugar preferido. Inalei seu cheiro e senti seu calor. Sussurrei que a amava e ela fez o mesmo beijando minha bochecha em seguida.
— Nós vamos ficar bem, não vamos?
— Não, esposa. Nós estamos bem e vamos ser pais.
—-
— Eu posso te beijar?
Oliver olhou para mim como se eu fosse louca em perguntar isso.
— Felicity...
Ele mergulhou em minha direção ao mesmo tempo que eu ergui meu rosto e nossos lábios se encontraram. Fazia uns dois dias completos que nós não nos tocávamos e muito menos, beijamos. E eu sentia falta dele e de seu toque, seu beijo. O que era um simples tocar significava o mundo para mim.
Eu achava que o nosso casamento fora o dia mais feliz da minha vida, mas hoje também era. Assim como o pior. Por razões óbvias, mas Oliver estava disposto á tentar. Isso era tudo que eu poderia pedir para ele. Ele iria tentar por nós e por nosso bebê. Para mim isso já era motivo de soltar mais fogos de artifício do que no fodido 4 de Julho.
Nos afastamos levemente e eu conseguia sentir meu coração bater loucamente em meu peito. Era o efeito Oliver. Encostei minha testa na dele e esfreguei nossos narizes levemente. Nós já passamos por tanta merda, mais uma não faria diferença alguma. Eu não iria deixar.
Ele voltou a me beijar e eu não me opus. Pensei que proximidade com Oliver seria algo arriscado depois de ele ter tantos gatilhos acionados em uma janela curta de tempo. Quer dizer, ele acabou de ver um fodido fantasma do passado que o traumatizou fisicamente há o que? Quatro horas atrás? Eu não sabia o certo, mas era muito pouco tempo. Ficar receosa em tocá-lo ou até mesmo querer proximidade não parecia um absurdo para mim, mas acho que Oliver discordava pelo jeito que estava me beijando.
— Você tem algum paciente te esperando? — perguntei levemente ofegante assim que nos separamos mais uma vez.
— Ahm, só William, mas ele não vai acordar tão cedo. Isabel receitou um remédio bem forte para ele. — ele disse soando levemente confuso com a minha pergunta, mas a respondeu de qualquer jeito. — Tecnicamente, ainda estou de férias, lembra?
Oh sim. Nós voltaríamos ao trabalho apenas na segunda-feira. E hoje era quin... Não, era sexta de manhã agora. Isso nos dava o que três dias para colocar tudo em ordem e voltar a viver novamente? Duvidava que isso acontecesse para Oliver, William, para mim e até mesmo para Samantha.
Voltei a beijar Oliver querendo esquecer esta última. Por hora. Eu sabia que em algum momento nós teríamos algum tipo de conversa em futuro não muito distante, mas agora eu queria focar no meu marido que estava bem na minha frente. Foquei nos lábios de Oliver e em sua língua e me aproximei ainda mais dele, o que ele correspondeu na medida certa.
Puxei minhas pernas de seu colo e me ajeitei em um posição mais confortável ao seu lado, mas Oliver tinha outros planos. Ele me puxou para frente pelo quadril e eu montei em seu colo. Meus joelhos afundaram no sofá e eu me apoiei em seus ombros, enquanto ainda nos beijávamos.
Não demorou muito para Oliver ficar ousado e se infiltrar por baixo do uniforme cirúrgico que eu estava usando. Os papéis se inverteram aqui e eu estava vestida para o papel de médica e ele de paciente, o que me fez rir levemente e puxar seu cabelo em sua nuca.
Ele começou a levantar o tecido do blusão e eu terminei o serviço por ele. Hoje eu não estava nenhuma lingerie em especial, nada de renda ou transparências, era um simples sutiã branco que eu tinha á bastante tempo e até tinha tirado as hastes de ferro que me incomodavam, mas Oliver me olhou como se eu estivesse usando algo exclusivo Victoria Secrets. Ele se inclinou e começou a distribuir beijos por toda a extensão da minha pele.
Alcancei a barra da sua camisa e arrastei-a para cima deixando clara a minha intenção e ele levantou os braços para me ajudar. Com a camisa fora, eu tinha mais contato com ele, mais calor. Era um fetiche meu e eu só o tinha com Oliver. Gostava de tocar em sua pele e trazer ela para mais perto da minha como se ele fosse a única fonte de calor que existia no mundo. Poeticamente desesperada, eu sei.
— Espera. — eu disse me afastando dele e ele me olhou confuso quando eu sai de cima de seu colo e fui até a porta. — Eu já assisti Grey's Anatomy demais para saber que isso sempre acontece.
Espiei o lado de fora e me deparei com o corredor vazio, o posto das enfermeiras estava completamente vazio e algumas luzes estavam até apagadas nos quartos vazios. Okay. A barra está limpa, eu acho.
— O que está fazendo? — Oliver perguntou de repente atrás de mim e eu voltei com a minha cabeça para dentro.
— É nessa hora que alguém interrompe o sexo maravilhoso que estamos prestes a ter, ou algum interno, ou alguma enfermeira ou outro casal querendo transar. — eu disse fechando a porta e trancando ela antes de me virar para Oliver de novo. Ele sorriu e revirou os olhos ás minhas observações.
Ele não gostava da série, mas eu não ouvia ele negando o que eu disse.
Ele me empurrou levemente contra a porta e eu senti minha garganta ficar seca.
— Oliver, o quão vocal eu vou poder ser? — perguntei quando ele se inclinou e começou a beijar meu pescoço.
— Hmm, vamos guardar os gritos para nossa casa. — ele disse contra a minha pele e eu quis revirar os olhos.
Chutei meus tênis para o lado junto com as meias e quando enganchei meus dedos na calça do uniforme, Oliver parou o que estava fazendo e me girou pela cintura. Eu estava encarando a porta agora e ele se prensou contra mim. Minha respiração falhou no momento em que senti que o quão excitado ele estava e percebi o quão eu excitava eu já estava. Não completamente preparada, mas ainda sim excitada. Senti suas mãos viajando dos meus ombros até o meu quadril. Ele forçou o tecido da calça para baixo levando minha calcinha junto e eu suspirei.
Senti meu corpo e meu rosto esquentarem quando ele se ajoelhou atrás de mim e eu soube o que estava por vir. Eu saí de dentro da calça e Oliver afastou minhas pernas levemente e se colocou ali. Sua respiração quente me arrepiava e a fricção da sua barba estava me fazendo pressionar minha testa ainda mais porta contra a porta.
Seus dedos vieram pela frente e eu suspirei assim que sentir ele começar os pequenos e sutis estímulos contra meus lábios. Suspirei e senti minhas pernas bambearam muito levemente quando sua língua me invadiu por trás e o calor aumentou.
— Oliver... — eu gemi baixinho e apoiei minhas mãos contra a madeira.
Suspirei assim que senti aquele ponto mais de um zilhão de terminações nervosas começar a vibrar querendo mais atenção. Essa parte do corpo humano, meu marido fez questão que eu aprendesse. Eu sentia o prazer preguiçoso que seus movimentos lentos estavam me causando e conseguia reconhecer a construção de um orgasmo.
Escorreguei uma de minhas mãos no centro em minhas pernas e estimulei a mim mesma. A mão de Oliver escorregou por minha coxa e ele deixou eu assumir essa posição. Minha respiração engatou e acelerou com a nova mistura de sensações que vieram como uma grande onda.
— Tão perto... — eu sussurrei e Oliver aumentou sua velocidade assim como eu e eu gozei segundos depois.
Não foi um orgasmo de tirar o meu fôlego e me deixar imóvel e sem palavras, mas ainda sim foi um orgasmo e eu precisei de alguns segundos para me recuperar. Nesse meio tempo, Oliver levantou e eu consegui ouvir o barulho de seu zíper e o tecido de seus jeans.
Ele me tirou da porta e me colocou contra a parede fria.
Provavelmente uma boa ideia.
Senti ele beijar meu ombro e abrir o fecho do meu sutiã com maestria absurda. Eu puxei as alças para baixo e logo suas mãos tomaram conta dos meus seios e começaram a brincar com meus mamilos sensíveis. Senti meu corpo pender para trás e Oliver me sustentou.
Okay. Tragam as armar grandes agora. Literalmente.
Tateei o corpo de Oliver até encontrar o que eu queria e trazê-lo ainda mais perto de mim. Meu marido entendeu muito bem a mensagem porque parou com sua massagem nos meus seios e se encaixou em minha entrada que parecia pulsar de ansiedade.
— Felicity... — ele sussurrou quando eu empurrei meu quadril para trás tomando seu cumprimento por inteiro. Ele voltou a nos prensar contra a parede e eu suspirei com o sentimento de plenitude.
Gemi abafada contra a parede quando ele começou a se mover e uma de suas mãos se apoiaram bem ao lado da minha cabeça. Sua mão esquerda. A aliança estava brilhando em seu dedo anelar e não vou mentir, aquilo não deixava de ser sexy. O círculo de platina que mostrava que Oliver era completamente meu, e eu dele.
Coloquei minha mão esquerda por cima dele e entrelacei nossos dedos ali.
Oliver conseguiu coordenar seu corpo junto com o meu em um ritmo acelerado e ao mesmo tempo carinhoso? Eu não sabia qual era a palavra certa para descrever, mas eu sentia isso. A forma como ele apertava a pele do meu quadril de formar firme e ao mesmo tempo gentil e até mesmo no tapa estalado que veio depois disso.
Sabia que um dos sinais do orgasmo estar perto era quando meus sentidos se aguçavam demais e depois eu tinha a sensação de um ouvido cheio d'água quando o prazer abafava tudo ao meu redor e eu me focava só nele. E foi exatamente assim que aconteceu quando o êxtase transbordou dentro de mim.
O segundo orgasmo foi maior e bem melhor que o primeiro e me deixou mole.
Oliver se inclinou contra mim e beijou meu ombro ainda ofegante e eu sorri.
Bom saber que eu não era a única ali que estava uma bagunça.
—-
— Eu vou comprar café para a gente e eu já volto, okay?
Oliver ergueu uma sobrancelha para mim e depois encarou minha barriga.
— Reformulando: Eu vou comprar café para você e para Sara e um chocolate quente para mim. — eu disse terminando de amarrar meus tênis.
— Você sabe que tem uma cafeteria no refeitório aqui, não sabe?
— Sim, mas eu também já provei aquele café e é horrível e eles não colocam marshmallows suficiente. — eu disse e levantei do sofá com um sorriso. — E vocês precisam de algo para comer que não sejam sanduíches.
— Você não vai trazer o Angelina inteiro para cá, vai? — perguntou ele temeroso pegando sua camiseta que havia caído no chão.
— Quem me dera... — eu disse suspirando ao lembrar da comida maravilhosa. — Mas tem uma Starbucks aqui do lado, eu vou lá e volto rapidinho enquanto você fica com William.
Ele assentiu sorrindo levemente ao meu tom mandão e seu celular apitou. Ele pegou no bolso do jaleco e leu algo ali.
— É uma mensagem da Sara. Ela marcou uma consulta com Makenna para você. — ele disse e eu franzi o cenho. — Ela é uma obstetra que trabalha aqui.
— Oh. Makenna Hall? Sara disse que ela era ótima. — eu disse e ele assentiu. — Que horas ela marcou?
— Um pouco antes do almoço. Você tem que comer e beber bastante água antes da consulta. — ele disse e vestiu seu jaleco. Agora foi a minha fez de sorrir ao escutar o tom de voz mandão dele. — Eu vou ver se os exames de William ficaram prontos e checar ele no meio tempo, okay?
— Okay. — eu disse e nós saímos da sala de descanso.
O andar continuava deserto exceto por alguns pacientes que estavam andando plugados em suportes com soro ou pequenas máquinas com rodinhas. Descemos até o térreo e Oliver me deu um beijo de despedida no ponto em que nos separávamos e seguíamos em direções diferentes.
Saí pela saída do pronto socorro que diferente de ontem á noite estava completamente calma, limpa e vazia. As enfermeiras se arrumavam e tomavam café em copinhos plásticas prontas para a troca de plantão e depois do que consegui ver ontem, eu também ficaria.
— Felicity?
Me virei e encontrei Samantha encostada em uma das ambulâncias que estava estacionadas ali parecendo miserável enquanto fumava um cigarro. Ela ainda usava seu uniforme de garçonete bem curto mas com o adicional de um casaco preto bem grosso por cima de tudo. Seu cabelo estava uma bagunça, seu rosto manchado por lágrimas que acabaram com sua maquiagem, olhos vermelhos, olheiras profundas e percebi que ela torcia as mãos nervosamente. Ela não estava drogada, estava?
— Sim?
— Você parece ser bem próxima de William...
— Sou tutora dele. Vejo ele toda semana, então sim, sou bem próxima dele, Samantha. Você saberia disso se interessasse pela vida do seu filho, talvez, teríamos nos conhecido em outras circunstâncias. — eu disse sem esconder o meu tom de voz rude.
Ela riu e bateu o seu cigarro no degrau da ambulância tirando o excesso de cinzas.
— E você casou com Oliver Queen. — ela disse sorrindo amarga.
— Sim. Se você vai continuar fazendo afirmações óbvias, eu vou embora porque tenho outras coisas para fazer. — eu disse gesticulando para a saída do estacionamento. Ela suspirou e se desencostou da ambulância. Terminou seu cigarro e o esmagou o que restou dele com a ponta de seu sapato. — O que você quer comigo?
— Ele te contou a versão dele, não contou?
— Ele me contou que você abusou ele durante cinco anos, e que ele também pode ser o pai do seu filho se minhas contas estiverem corretas. — eu afirmei em voz baixa. Ela teve a decência de olhar ao redor com medo para ver se alguém estava ouvindo nossa conversa, mas ninguém estava por ali.
— Não foi bem assim que aconteceu.
Cruzei meus braços e ergui uma sobrancelha. Nunca iria duvidar de Oliver e do que ele me contou, mas eu queria saber o que ela iria me dizer e até onde suas mentiras iriam.
— Você o acha lindo agora, não acha? Eu não sou cega, ele cresceu e mudou. Ele ainda é lindo, mas você já viu alguma foto dele criança? Ele era ainda mais lindo e muito mais sedutor. — ela disse dando uma passo em minha direção. — Loirinho, olhos azuis, sorriso fácil, inteligente demais para sua idade... Apenas um garotinho.
— Exatamente. Um garotinho. Uma criança de oito anos. — eu enfatizei a idade e ela se encolheu minimamente, mas bem minimamente mesmo.
— Até o dia em que eu entrei no quarto dele e o encontrei com uma Playboy no colo. — ela disse e um sorriso nojento se abriu em seus lábios. — Foi impossível resistir, então eu o ajudei a ter o prazer que ele estava procurando...
Minha mão voou sem eu ao menos perceber, mas eu não me importei de deixar uma marca dela vermelha em uma das bochechas de Samantha. Poderia ter sido meu punho fechado, mas me contentei com o tapa estalado e dolorido. Ela agarrou a bochecha surpresa e eu apontei um dedo em sua direção mesmo com a palma dolorida.
— Você é um monstro e esse tapa não é nenhuma fração de tudo que você merece. — eu disse.
— Você não me conhece, Felicity.
— Eu não quero conhecer, eu quero que você suma da minha vida e da vida de Oliver.
— William vai vir comigo. — ela ameaçou e eu ri.
— Depois do que aconteceu, você vai perder a guarda dele e mesmo se tentar fugir, ele é um garoto muito inteligente e vai se conseguir fugir de você. — eu disse e seus olhos se encheram de raiva.
— Eu fui abusada desde criança e morei na rua até conseguir meu primeiro emprego e me formar na escola. — ela disse e eu não me abalei com seu discurso triste.
A vida não era justa, mas ainda sim tínhamos que vivê-la, não é?
— Eu sinto muito que você tenha passado por isso também, mas nada justifica o que você fez com uma criança inocente e indefesa anos atrás. Você apenas perpetuou um comportamento repulsivo ao invés de procurar ajudar e tentar melhorar. Ninguém merece passar por isso, Samantha. Nem ele, nem William e nem você. — eu disse e respirei fundo. — Oliver não fez e nem vai fazer a mesma coisa que você fez, muito menos William e se esconder atrás de um trauma é ainda mais repulsivo do que o trauma em si. E eu aposto que você contou essa mesma história para si mesma durante anos e passou a acreditar nela.
— Eu.. Você não entende. Aposto que nossas realidades foram bem diferentes. — ela disse coçando sua testa com os olhos começando a jorrar lágrimas.
— Eu fui abandonada com sete anos de idade com uma mãe instável e suicida. Minha vida não foi fácil, mas eu não me escondo atrás disso. Não assuma que você me conhece. — eu disse trocando o peso de uma perna para a outra. — Nem Oliver, e aposto que nem William irá fazer isso, porque eles vão superar isso. Eles vão superar você.
— Acha mesmo que eu quis que o meu filho passasse por isso? Acha que eu não tentei impedir? Que não tentei fugir de Colin com ele? — ela se exaltou e seus punhos fecharam com força ao lado do quadril.
— Claramente você tentou muito pouco. — eu acusei.
Okay. Até eu achei que peguei pesado, mas Samantha riu em resposta.
— Eu tentei mais de uma vez, mas eu falhei todas as vezes. Por que você acha que William passava quase todas as noites naquela ong? Por que você acha que ele se cortava? Por causa de mim. Eu sei que sou a raiz de todos os problemas que William tem, mas isso não me faz menos mãe dele. E nem você e nem ninguém vai mudar isso. — ela discursou e eu realmente achei que ela estava sob o efeito de algo porque seus olhos estavam começando a ficar vidrados.
— Confie em mim, Samantha, ninguém iria querer mudar essa situação se você procurasse ajuda e tentasse mudar. A instituição teria acolhido vocês dois, ajudado vocês dois. Você escolheu permanecer no buraco que cavou todos esses anos, mas o seu filho quis sair deste poço. Não pode culpá-lo por isso. — eu rebati e ela voltou a rir baixinho.
— Você acha que só porque está grávida já sabe ser mãe?
Eu congelei por três segundos inteiros. Como ela sabia?
— Não ouse envolver o meu bebê nisso. — eu disse em um tom tão assustador que até eu mesma me surpreendi. — Essa conversa não está indo á lugar algum, mas eu vou te dizer o que vai acontecer. A polícia e a assistência social vão aparecer aqui porque o hospital é obrigado a notificar quando algo deste tipo acontece envolvendo um menor de idade. Eles vão te investigar e algo me diz que você não tem um histórico muito bom. Muito menos o seu namorado, Colin. Você vai perder a guarda de William e seu namorado vai ir preso no melhor cenário.
— E eu devo simplesmente sentar e aceitar?
— Não. Você sabe que não é a sua única opção, mas no final é que vai escolher porque você tem feito isso por anos. — eu acusei e ela secou as bochechas. — William cresceu sem você sendo uma figura presente, ele não tem uma casa, ele não tem família. Eu queria poder fazer você sumir, Samantha, mas não posso e não tiraria essa escolha dele. Você é mãe dele, quer eu queira ou não.
— Parece que você está finalmente conseguindo entender, loirinha. — ela alfinetou.
— Mas isso não te dá o direito de estragar tudo de bom que ele construiu até agora. — eu disse me aproximando um pouco quando sua expressão caiu. — Seu filho é muito inteligente e ele tem chances de ter um futuro incrível e brilhante. Não tente arrastá-lo para esse buraco que você está. Uma mãe não faria isso com o próprio filho.
— Eu acho que você está certa... Essa conversa não está nos levando a lugar algum, mas saiba que eu sou grata por todo o trabalho que a sua ong tem feito. William é feliz lá e eu reconheço isso. — e ela saiu andando depois de dizer isso.
Uma parte de mim quis ir atrás dela e oferecer ajuda mais uma vez, mas outra parte queria que ela fosse embora de uma vez e nunca mais voltasse para machucar nem Oliver e nem William. Respirei fundo e repousei minha mão em minha barriga plana.
— Eu não acho que vamos conseguir comer qualquer coisa depois disso, mas prometemos café para o papai... — sussurrei olhando em direção ao meu umbigo.
Apertei a jaqueta de Oliver ao meu redor e caminhei até a cafeteria do outro lado da avenida. Fiz os pedidos para viagem com torradas e waffles para viagem. Escolhi uma salada de fruta que eles haviam acabado de colocar na vitrine e voltei para o hospital com várias bandejas de papelão em mãos.
Optei por entrar pela entrada convencional e não pelo pronto socorro, as coisas por ali poderiam enlouquecer em segundos e eu já tinha um histórico de levar tombos por causa de sangue espirrado no chão. Acenei para Helen que estava assumindo seu lugar como chefe das enfermeiras e ela deu um de seus sorrisos maternais para mim.
— Adorei o visual, Felicity. Meio que combina com você. — ela disse pegando um pilha de prontuários e eu ri levemente maneando a cabeça. Se algum dia eu conseguisse encarar o interior do corpo humano por mais de dez minutos inteiro, quem sabe? Mas até lá, ficarei com meus computadores.
Fui para o andar de William e quando cheguei na porta de seu quarto vi que ele já estava acordado e tomando café com Oliver e Sara o rodeando como mamãe-galinhas que eram.
— Bom dia! — exclamei e os três me encararam. — Estou começando a considerar a mudança de área profissional, já me disseram que eu arraso nesse uniforme e a barista da cafeteria nem cobrou os extra marshmallows que eu pedi.
Sara riu e se inclinou na poltrona para checar minha bunda.
— Com certeza. Eu concordo. — ela disse e todos nós rimos.
Distribui os copos de café e as embalagens de comida. Fui até o lado de William e peguei em sua mão dando um aperto de leve. Ele sorriu levemente para mim e voltou a comer seu café da manhã que era basicamente mingau de aveia com um omelete muito pálido e suco de laranja. Tinha até uma pêra de sobremesa.
— Onde está o Billy? Eu trouxe um latte pra ele... — eu disse colocando a bandeja de papelão em cima de um dos balcõezinhos que tinha no quarto.
— Ele foi atender uma ligação lá fora. — respondeu Oliver de boca cheia.
— A gente suspeita que foi a esposa dele, porque ele começou a falar mais manso do que o normal. — disse William também de boca cheia.
Caminhei até Oliver e sentei ao seu lado no sofá perto da cama de William.
Sara se voluntariou para combater o silêncio meio que desconfortável que pairava sobre todos nós e começou a contar as fofocas de ontem á noite. Sobre dois casais que estavam dentro de um limusine que bateu e durante todo o atendimento, eles descobriram que todos eles se traíam entre si. O pai com a filha que a trouxe ao pronto-socorro por causa de uma assadura causada por um absorvente mal-ajustado.
— E lá fui eu explicar os tipos diferentes de absorventes para o cara. — disse Sara revirando os olhos e cortando seu waffles em cubinhos.
Eu ri junto com Oliver, mas William ficou quieto e terminou de comer.
— Eu dei alguns daqui do hospital para a garota que estava morrendo de vergonha para dizer no mínimo, mas eu eduquei aquele cara sobre menstruação e cobri todos os tópicos possíveis. — ela disse balançando o garfo na direção de nós três antes de comer mais um pouco.
— Deve ser legal ter um pai assim. Aposto que algum dia ele vai contar isso para o marido dela, ou esposa. — disse William e Sara assentiu.
— Eu faria, com certeza. Envergonhar os filhos deve ser a recompensa por carregar um remelento por nove meses e sofrer sete tipos de inferno durante todo esse tempo e nos vinte um anos que seguirem. — ela disse e eu ergui uma sobrancelha, enquanto Oliver revirava os olhos em direção á enfermeira perva.
Nós terminamos de tomar o café todos juntos e os exames de William saíram. Graças á Deus ele não tinha desenvolvido problemas internos durante o ataque e só precisaria de remédios para a dor e muita terapia pelos próximos dias.
A polícia chegou junto com uma assistente social que trabalhava conveniada com o hospital e parecia já conhecer Oliver e Sara infelizmente ou felizmente. Estava tentando decidir ainda. Enfim, eles se conheciam tanto que Sara deu o latte de Billy para Susan, a assistente social.
Os policiais tomaram o depoimento de todos nós e até mesmo de Isabel que foi a primeira a atender William e havia acabado de sair de uma cirurgia e de Billy que havia voltado de sua ligação com um copo enorme de café puro e um sorriso gentil no rosto como sempre. Susan explicou o cenário de William para ele e não foi diferente do que eu havia antecipado. A investigação sobre Samantha foi iniciada com o depoimento de William que fora imparcial em relação a mãe. Eu não tinha o que falar sobre ela para Susan e nem ninguém da equipe do hospital tirando Oliver, mas Billy tinha.
Aparentemente ele estava tentando construir uma relação com Samantha para tentar ajudá-la com os próprios traumas, mas estava falhando e se culpava por isso.
Susan foi embora depois disso para dar início a toda papelada e garantiu que William poderia ficar na instituição no meio tempo e ele não iria precisar ir para um orfanato ou coisa parecida. Não que eu fosse deixar também, é claro.
— Vocês vão me furar hoje?
William estava observando o tanto de acessos que estavam perfurando a pele do seu braço com um olhar desconfortável. Oliver caminhou até ele e colocou luvas descartáveis. Sara preparou uma bandeja sabe-Deus para que se aproximou também.
— Eu vou fazer uma coleta de sangue agora, e vou precisar fazer uma amanhã novamente para o acompanhamento, mas posso dar um jeito em todas as outras agulhas... Menos essa. — Oliver ofereceu mostrando entre os diversos tubinhos de plásticos e William aceitou a oferta.
Será que Oliver iria fazer um teste de DNA com aquela segundo tubinho cheio em especial? Ele e Sara começaram a desplugar ele e eu fiquei receosa. Se os fios estavam ali é porque precisavam estar ali, certo? Oliver me mandou um olhar que me dizia para parar de ficar paranoica e eu assenti afundando no sofá e continuei a observar eles trabalhando. O garoto parecia bem melhor sem tantas agulhas enfiadas nele, e eu o compreendia. Também não era fã de agulhas.
O telefone de Billy tocou novamente e ele pediu licença dizendo que era um de seus pacientes. Eu limpei nossa bagunça do café da manhã e me livrei do lixo todo. Peguei meu saco de lixo contaminado que tinha minhas roupas todas vomitadas e arrumei meus óculos no rosto.
— Hey, garoto. Eu vou para casa tomar um banho porque eu vomitei em mim mesma mais cedo e foi nojento. Por mais que eu esteja limpa, me sinto... Ugh ainda. — eu disse penteando o cabelo dele para o lado com os dedos tomando cuidado para não encostar em um dos seus machucados e eles eram muitos. — Vou voltar assim que tomar o banho, okay? Quer dizer, não assim que tomar banho porque eu vou ter que me vestir e pegar umas coisas...
— Acho que ele conseguiu entender, Felicity. — Oliver me cortou antes que eu continuasse e William riu levemente. Ele não estremecia mais ao rir ou ao sorrir, eu notei. — Eu vou levar e nós voltamos em uma hora no máximo.
— Billy, Sara e o policial Dennis vão estar aqui o tempo inteiro e você conhece Sara, é só apontar que ela vai para cima. — eu disse e Sara sorriu e levantou os polegares positivos para o garoto. — Uma hora no máximo, okay?
William assentiu e apertou minha mão levemente antes de soltar.
Eu e Oliver entramos direto no elevador que já estava no andar e descemos até o estacionamento. Para o meu desgosto, o carro estava bem longe da saída. Oliver havia escolhido a primeira vaga em vista e havia estacionado o carro completamente torto entre as duas linhas brancas no asfalto. Eu no lugar dele teria causado outro acidente de carro.
— Felicity! Espera!
Eu parei ao lado da porta aberta que Oliver segurava para mim e vi Billy correr até nós do outro lado do estacionamento. Quando ele chegou até nós, estava ofegante e se apoiou nos joelhos.
— O que aconteceu? Está tudo bem?
— Você precisa de ajuda?
Eu e Oliver disparamos, mas Billy ergueu uma mão e depois de respirar fundo, ele nos encarou com um olhar muito sombrio que simplesmente não ornava com seu rosto que sempre fora gentil e amigável.
— Samantha se suicidou.
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