Dangerous Love
3 Capítulo 3
Notas iniciais

— Bom dia, Srta. Smoak.
Hm. Eu juro que não iria me importar acordar todo dia assim.
— Bom dia... Eu acho? — perguntei incerta procurando meus óculos.
— Sim, bom dia, Srta. Smoak. Vejo que está melhor e de bom humor hoje. Eu preciso te examinar antes de liberar as visitas. E tem algumas pessoas bem agitadas lá fora, esperando por você, então Sara, sua enfermeira, vai te ajudar. — ele disse colocando várias pastas no sofá e vindo até mim com um sorriso lindo. — Pode ser?
— Sim.
Eu estou começando a aparecer uma idiota, olhando para com cara de idiota e quase babando de um jeito idiota. Não fui capaz nem de olhar a pobre Sara, que me deu um sorriso pervertido. Ela me flagrou. Merda.
Corei de má vontade.
— Como vai, Felicity? Eu sou Sara Lance, e aos poucos você poderá sair desta cama e se livrar de mim. Até lá, iremos compartilhar aquele banheiro muitas vezes... — Sara disse se aproximando de mim com um tom de flerte em sua voz e eu ri.
Ela era linda. Altura mediana, loira, olhos azuis, e corpo curvilíneo por baixo daquele uniforme pelo o que eu consegui ver. Eu espero que meu rosto não pareça tão envergonhado como eu estou me sentindo.
— Eu estou começando a ficar com ciúmes...
— Problema seu, Queen. — rebateu Sara com um tom alegre. Eles pareciam ser amigos. Assim como eu e Tommy, vivíamos trocando farpas. — Vamos te lavar e te arrumar para o exame e para as visitas.
— Espera aí, olhos azuis beta. — eu disse erguendo as mãos. Sara ergueu uma sobrancelha para mim. — Me lavar? Eu não posso andar? Oliver?
O descarado riu, e riu na minha cara. Eu devo ser super engraçada para ele, porque ele sempre esta rindo de mim. Iremos conversar sobre isso mais tarde. Sara olhou para nós dois e depois riu também.
— Você ficou mais de 20 dias em uma cama, em coma e ligada á aparelhos.
— Mas agora, eu estou perfeitamente bem e poss...
— Eu sei que agora você está acordada, sã e muito bem, mas ainda não está forte para sair da cama. Precisa continuar com a fisioterapia para poder sair da cama... — ele disse. — É para o seu próprio bem.
Ele piscou? Você está de brincadeira comigo! Golpe baixo.
— Eu preciso fazer xixi. — revelei e Sara apontou para algo que saía debaixo da minha coberta.
— Você está com uma sonda, Felicity. Por mais que sinta vontade, tudo vai... — ela começou a explicar e me revelou um tubo saindo de mim. O que era a coisa mais nojenta que eu já tinha visto nos meus vinte e três anos de vida.
O tubo ia até um saquinho que estava cheio de uma coisa amarela.
Meu xixi.
— Eu acho que vou vomitar. — eu disse desgostosa. Isso chegava a ser uma falta de respeito á minha pessoa.
— Não se preocupe. Vou te limpar e te trocar. A gente já tem bastante intimidade. — disse Sara piscando e eu me senti um pouco melhor.
Ela gostava de flertar. E não olhou para Oliver nenhuma vez. Ou era lésbica ou era cega, um dos dois. Ela era lésbica. Ela afastou o cobertor e me ajudou a sentar na cama.
— Você vai ficar assistindo? — perguntei para Oliver que estava sentado no sofá com suas pastas e uma caneta reluzente em mãos.
— Eu tenho que preencher relatórios e assinar altas, não se preocupe comigo.
Ergui uma sobrancelha significativa para ele. Acho que isso bastou, porque ele levantou do sofá com aquele sorriso maldito e caminhou em direção á porta.
— Preciso te lembrar sobre a política de pudor do hospital, Lance? — perguntou com a mão na maçaneta.
— Cai fora, Queen.
— Me chame quando terminar.
Percebi que ele estava usando jeans e uma camiseta do Starling City Rocketes coberta por seu avental. Sara o expulsou depois de dizer um "Okay", e só então eu deixei ela fazer seu trabalho em mim. Ela pediu licença e retirou aquele vestido hospitalar horroroso de mim e eu vi que eu tinha um soro ligado na veia e a tal sonda na minha barriga.
— O que aconteceu comigo?
— O Dr. Queen não lhe explicou?
— Ele disse que eu sofri um acidente de carro, mas quero saber depois que cheguei aqui...
— Hm, acho melhor o Dr. Robert e o Dr. Oliver lhe explicarem.
Eu me distraí completamente pensando no meu encontro com Oliver e na forma que ele me tratou ontem e hoje, enquanto Sara me dava um banho de gato com uma toalha morna. Eu ainda não acreditava que o irmão de Thea era o meu médico.
Quem diria? Eu, com certeza, não.
Não sei o que ele pensa de mim. Ele não demonstrou nada além de achar graça em tudo o que eu faço. Por que estou preocupada com o que ele pensa de mim?
A versão Felicity Alpha não se importa com o que os outros pensam dela.
Isso aí.
— Acho que terminamos... — disse Sara prendendo os cordões de outro vestido hospitalar horroroso. — Quer algo antes de chamarmos o Dr. Ranzinza?
— Pode prender meu cabelo?
Ela assentiu e penteou meu cabelo todo para trás com cuidado e fez um rabo de cavalo do jeito que eu gosto. Ficou firme e na altura certa. Depois recebi uma certa ajuda para escovar os dentes e me senti renovada. Sara refez todos os curativos necessários, e eu descobri que tinha um corte na lateral da testa. Por isso a enxaqueca.
Sara se afastou, me observou e sorriu.
— Você é tão bonita. Ele estava certo.
— Oliver?
— Sim. Ele disse que você era bonita e jovem demais para estar nesta situação, e eu concordo com ele. — ela disse e digitou algo em seu celular.
Hm. Então quer dizer que ele me acha bonita? Não deixei o conhecimento desta nova informação me afetar exteriormente, mas eu estava gritando por dentro. Pode apostar.
Em menos de dois minutos que Sara havia digitado em seu celular, Oliver reapareceu. Sorridente e lindo, mas desta vez eu consegui ver olheiras em seu rosto. Fundas e escuras.
— Como se sente agora? — perguntou sentando aos meus pés.
— Com fome. Você dormiu? — respondi e perguntei sem resistir.
Ele riu de novo.
O que eu tenho de tão engraçada?
— Um pouco no seu sofá, mas esse é um segredo nosso.
— Sér...
A porta se abriu e me virei para as cinco pessoas que entraram com jalecos brancos e sorrisos complacentes. Oliver piscou e eu percebi que ele não tinha brincado com a minha cara.
— Bom dia. Como se sente Felicity? Olá, Oliver. — o homem que me cumprimentou tinha algo muito familiar para mim, mas eu não sabia o que era. Ele era grisalho, muito bem conservado para alguém beirando os cinquenta e tinha olhos azuis gentis.
— Como alguém que dormiu por tempo demais, mas estou bem. Acho. — respondi e ele riu.
— Eu sou Robert Queen, e eu fui o neurologista responsável pelo seu quadro. Esses são os doutores Dark e Ramirez, e as doutoras Bertinelli e Rochev. E o Dr. Oliver você já conhece, não é? Nós todos fomos responsáveis pelo seu atendimento aqui no hospital. — ele gesticulou para cada um na sala e me direcionou mais um sorriso gentil.
Os olhos! O formato deles! Eram iguais aos de Thea!
Eu sabia que tinha algo familiar ali!
— Obrigado, ninguém nunca fala que meus filhos parecem comigo. Você se tornou uma paciente mais do que querida agora. — ele disse me voz baixa e todos riram.
Ah meu Deus... Eu fui a muitas aulas de fonologia e de controle corporal para voltar a balbuciar que nem um bebê logo agora, ou muito menos voltar a ter uma mente sem filtro.
— Eu sou pai de Thea, e devo dizer que ela está quase invadindo este quarto para confirmar seus próprios olhos que você está acordada e bem. — ele disse e eu ri.
— É bem a cara dela...
— Vamos te examinar.
— Quando eu posso sair daqui?
— Vamos com calma, Felicity. Você acordou ontem. — Robert disse e colocou uma lanterninha na frente dos meus olhos.
Segui ela para cima e para baixo, depois para direita e para esquerda. Ele testou minha sensibilidade, fez cócegas nos meus pés e tocou minha cabeça em vários pontos diferentes. Eu acho que estava bem, porque ele não parava de sorrir. Só me faltava ele ficar como o filho e ficar rindo de mim toda hora.
— Parabéns Oliver. Diagnóstico perfeito.
Epa. Eu sou examinada e ele que ganha os parabéns?
Percebi que o mesmo não tinha tirado os olhos de mim durante o exame. Também notei que o tal Dr. Dark olhou de cara feia para ele e Robert, mas parece que só eu percebi isso, então acho que me enganei. A única coisa que eu não me enganei foi com as duas mulheres que encaravam Oliver pelas costas como se fosse um pedaço de carne exposto. Não gostei disso. Muito menos delas.
— Felicity quer levantar René. Deve ser animador ter uma paciente tão impaciente, não acha? — disse Oliver olhando para o que parecia ser o mais jovem entre todos ali.
René tinha traços latinos e um sorriso de criança. Eu gostei dele, e de seu sorriso aberto. Mas não gostei da maneira que Oliver estava implicando comigo. Por que ele estava fazendo isso?
— É estimulante ter uma paciente empolgada, e se permite dizer... Linda. — disse René piscando para mim devolvendo a implicância de Oliver que parou de rir e foi a minha vez de rir.
Dr. Ramirez 1 X 0 Dr. Queen.
— Então assim que o Dr. Queen te liberar, eu te tranco na ala de fisioterapia e você vai sair dançando tango em uma semana. — ele disse e eu gostei dele. Ele me elogiava, tinha um sorriso lindo e me dava o que eu mais queria. Prazos.
— Qual dos...?
Robert riu.
— Oliver contou que você já sabe do acidente. Você se lembra de alguma coisa? — perguntou ele.
— De pegar a estrada em direção á Gotham e de ouviu sirenes abafadas. Só isso. — eu disse preferindo guardar a história do galpão, do buraco e da concha só para mim. Por hora.
— Muito bem. Você tinha um inchaço na sua cabeça, por isso colocamos você em coma induzido e o corte na sua testa precisou de alguns pontos, mas não irá ficar cicatriz. No que diz respeito á esse carinha aqui... — disse ele batucando o indicador em uma de minhas têmporas com carinho. — Ele está quase 100%. Está liberada para ir com o Dr. Ramirez para as seções de fisioterapia e depois a Dra. Rochev ficará encarregada no acompanhamento de seu estado clínico geral. A Dra. Bertinelli é a responsável pelo seu acompanhamento psicológico. Depois de todos os "Okay" deles, pode ir para casa.
— Por que preciso de acompanhamento psicológico? — perguntei olhando para a morena com um batom vermelho ridículo no fundo da sala. — E você é médico de que?
— Eu sou residente em neurologia, e admiti você assim que chegou. — respondeu Oliver. — Depois chamei meu chefe de departamento e ele assumiu o caso.
Ele acabou de chamar o pai de chefe? Sério mesmo?
— Você esteve em um acidente de carro e ficou em coma por quase um mês, por isso o acompanhamento psicológico. — respondeu também a outra pergunta.
Sara entrou com meu café da manhã que era um mingau meio cinza e um omelete branco. Nada muito apetitoso, por isso comecei a refeição pela salada de frutas que parecia normal. Todos saíram do quarto e mamãe entrou.
Completamente histérica.
Ela não parou nem para respirar, disse que ficou completamente assustada quando recebeu a notícia e pegou o primeiro trem de Gotham City para cá depois. Meu padrasto que era mais como um pai para mim só conseguiu dizer "Oi" e "Tchau", porque mamãe não calou a matraca. Eles deram a vez para os meus amigos.
Tommy passou na porta com um urso panda maior que ele e pelo menos duas dúzias de rosas brancas e amarelas. Fofo demais. Caitlin apareceu com Thea. Ambas estavam um caco e logo deitaram ao meu lado na cama. Diggle foi o mais normal, ele havia trazido um buquê de rosas azuis que Lyla escolheu e todos me engoliram em um abraço grupal.
— Nós temos que ser rápidos ou meu irmão expulsa a gente, mas saiba que Lyla vai vir te visitar ainda essa semana. Ela mandou eu dizer isso. — disse Thea me beijando na bochecha.
— Ela está bem? E o bebê?
— Estão bem. Oliver não deixou ela vir por causa da gravidez e por causa dos nervos de Lyla, mas ele já autorizou a vinda dela até aqui. — disse Diggle me dando um abraço de despedida.
Tommy me entregou meu notebook e me disse que ele foi a única coisa que sobreviveu ao acidente por estar enterrado em minha mala. Era tudo o que eu tinha, uma mala cheia de lingeries e um notebook. O resto foi queimado assim como o meu mini-cooper. Ele me abraçou e beijou minha testa antes de ir também.
Apenas Cailtin ficou comigo até o final do horário de visitas.
— Nunca mais faça isso comigo. Nem eu e nem você podemos morrer antes do casamento! — ela exclamou chorosa e eu ri abraçando ela mais uma vez.
Foi um longo dia, eu fiz minha primeira seção de fisioterapia e terapia normal com Caitlin ao meu lado e eu fiquei grata por ela não ter ido embora. Mamãe e papai estavam ajeitando a papelada na recepção por mim. Caitlin teve que ir embora depois. Me senti distraída o suficiente escrevendo um e-mail para o Sr. Fox explicando minha ausência até que anoiteceu. Oliver não apareceu mais. Será que algo aconteceu?
Eu estava cansada e acabei dormindo com o notebook no colo.
—-
— Então... O que estamos assistindo? — perguntou Sara entrando no meu quarto com dois potes de gelatina em mãos.
— Ainda não escolhi. Estou esperando o esquadrão chegar. — eu disse encarando o catalogo do Netflix que parecia ser interminável. Sara sentou ao meu lado e me entregou uma das gelatinas.
— Ah não se preocupe. Os exames de rotina serão feitos depois do almoço. O Dr. Robert está em cirurgia com o Dr. Damien. — ela disse abrindo o potinho dela.
— E o Dr. Oliver?
— Está de folga, finalmente. — disse Sara abrindo os braços e olhando para cima. — Ele ficou do seu lado todos os dias durante o coma, ao invés de dormir no escritório do Dr. Robert como sempre faz. Ele ficava te observando e até conversando as vezes.
Foi quando eu comecei a ouvir sua voz? Não sabia bem o que tudo isso poderia significar. Sara por fim escolheu Sense8 o que apenas confirmou a minha teoria de sua opção sexual e continuou falando enquanto a abertura da série passava na TV.
— Era um verdadeiro inferno porque as meninas do andar ficavam brigando para ver ele. Tudo bem que ele é lindo e gostoso, mas ele vir aqui em suas folgas só me deu trabalho para arrumar a escala do andar. — disse Sara com a boca cheia e um tom mal-humorado.
Até nas folgas dele? Outra informação que eu não conseguia interpretar.
— Hoje foi a primeira noite que ele não ficou e eu agradeço ao carinha lá em cima por isso. Acho que Thea parou de encher o saco dele depois da visita de hoje.
Oh. Ele ficava aqui á pedido de Thea, então?
Assistimos Sense8 e não falamos mais nada depois disso. Oliver vinha me visitar em seus dias de trabalho e folgas. Conversava comigo. E me observava. E me achava linda e jovem demais para estar dentro desta situação.
Ok. Nada demais.
Não houve novidade alguma no meu quadro. Eu continuei sendo limpa, trocada e cuidada por Sara. Eu fiz seções de fisioterapia com René e descobri que ele tinha uma noiva e filha logo depois dele me dar alta. Depois fiz seções de terapia com a Dra. Helena Bertinelli.
Dra. Helena fez questão de me perguntar o que eu lembrava do acidente, e eu contei sobre a moeda e levei uma bronca por causa dela como se fosse realmente necessário. E ela ainda quis saber sobre qualquer coisa durante o coma, mas eu não abri a boca e apenas disse que me sentia estranha e tinha perdido a noção do tempo. Ela pareceu acreditar e me deu alta.
Hoje era 26 de junho e já fazia uma semana que eu estava acordada. Eu já conseguia me sentar na poltrona e no sofá do quarto sem a ajuda de Sara, mas ainda precisava do meu reboque loiro para ir ao banheiro. Isso mesmo. Eu dei bye bye para sonda.
— Bom dia Felicity, como passou a noite?
Ergui o olhar da tela do notebook quando ouvi sua voz. Oliver entrou e o Sol pareceu entrar com ele. Ele tinha feito a barba e estava vestido normal sem seu jaleco por cima como sempre.
— Estou bem melhor agora...
Eu estava perdendo minha linha de controle rapidamente, mas isso era culpa de Sara que tinha me passado e apontado cada mulher que fazia parte do fã clube de Oliver enquanto passeávamos pelo hospital para alongar minhas pernas. Não gostei de nenhuma.
— Que bom, porque hoje eu vim acompanhado. — ele disse e abriu a porta por completo me dando a visão de uma morena com cabelos curtinhos e um barrigão enorme.
Coloquei meu notebook de lado e me virei na cama como fazia toda manhã. Oliver me apoiou com suas mãos e eu consegui abraçar Lyla. Ou quase isso. Sua barriga era...
Enorme.
— Eu senti tanta saudade sua, Ly! — eu disse em seu ombro e ela fungou.
— Eu fiquei tão preocupada! John tentou me esconder, mas você sabe que ele não consegue mentir para mim e depois esse daqui.... — disse ela quando nos separamos lançando um olhar feio para Oliver que ignorou tudo com um sorriso. — Não me deixou vir te visitar.
— Foi para o bem do seu bebê. — ele argumentou e ajudou nós duas a sentarmos na cama. — Vou estar no corredor, qualquer coisa me chamem.
Ele saiu e Lyla suspirou afagando a barrigona.
— Como você está?
— Bem, e você?
— Estamos bem. Preferia estar em outro turno no Afeganistão do que com uma melancia gigante no estômago, mas... — ela disse e eu ri. — O que está acontecendo por aqui?
— Como assim?
— Que troca de olhares foi essa entre você e Oliver?
— O que?
— Seus olhos não largam dele, e os deles não largam você. E não deveria ser Dr. Queen? — perguntou ela me olhando com olhos curiosos e eu revirei os meus.
— Todo mundo chama ele de Oliver por aqui, acho que é por causa do pai. — eu disse e ela não pareceu convencida.
— Então eu posso te contar a versão que ouvi pelos corredores. Ele é chamado de Oliver porque é galinha de marca maior por aqui. — ela disse e franziu o cenho. — Ele não se envolve, apenas fode. Está parecendo um episódio de Grey's Anatomy, não acha?
— Lyla, pare com isso. Não pense bobagens entre mim e Oliver...
— Eu conheço ele e conheço você. — ela disse e bufou.
— Hey. O que está sentindo?
— Quero fazer xixi.
Apontei para o banheiro e ela foi para lá.
— Oh não.
Isso não é bom.
— "Oh não", o que?
— A mini-granada explodiu. — ela disse
— O que?
— A mini-granada explodiu! — exclamou e isso deveria ser linguagem militar, porque eu não estava conseguindo entender nada.
— Fale a minha língua!
— A bolsa estourou, Felicity! Chame algum médico! - ela disse e começou a gemer.
Oh meu Deus! Procurei o controle que chamava as enfermeiras, mas não achei. O que... Cacete. Teria que andar até a porta, o que era mais do que eu estava acostumada. Forcei minhas pernas para funcionar e cheguei na porta com seis passos. Fiquei exausta. Abri a porta e dei de cara com um altão moreno. Ele me ajudou na hora que me viu ofegante e de pernas bambas.
— Minha amiga está... Em trabalho de parto... No meu banheiro. — eu disse á ele ofegante e ele gritou o nome de Sara.
Logo ela apareceu com Oliver. Sara ajudou Oliver a colocar Lyla em uma cadeira de rodas e correu com ela para o elevador. Lyla estava com muita dor, porque estava berrando e xingando John.
— Eu pego ela, Palmer. — disse Oliver e me tirou dos braços do príncipe da Disney na minha frente. Ele me ergueu com facilidade e eu fui posta na cama novamente, mas não antes de aproveitar o cheiro que Oliver Queen tinha. Era amadeirado e viciante. — Se comporte, enquanto eu vou atrás do John, okay?
— Okay.
Ele me analisou rapidamente e depois tirou uma mecha de cabelo que havia ficado presa na haste dos meus óculos. Me olhou diferente. Não sorriu. Apenas colocou o cabelo atrás da minha orelha e se foi.
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