Dangerous Love
11 Capítulo 11
Notas iniciais

Está frio e nevando quando eu acordo. Me levanto da cama com todo o cuidado do mundo e vou para o meu quarto com a camisola em mãos. Eu precisava de uma ducha para acordar.
O banheiro do quarto de hóspedes é muito espaçoso e completamente de mármore creme. Com banheira e tudo. Olhei pela janela que ia do chão ao teto para ter certeza que ninguém iria espiar, e depois de convencida, fui até o box e liguei a água quente.
Lavei meu cabelo duas vezes estranhando um pouco o comprimento curto e depois deixei o condicionador agindo, enquanto escovava os dentes. A água estava fervendo, mas eu gosto assim. Acho até relaxante, porque me lembrava o dia de SPA que tive com Cait antes do acidente.
— Achei...
Eu estava completamente distraída e molhada até que ouvi a voz de Oliver. Me virei para a porta e vi ele completamente nu com um sorriso maroto em seu rosto, enquanto segurava a minha calcinha em pedaços em uma das mãos.
— Achei a dona da calcinha que estava largada do meu quarto.
Hm. Ele acordou de bom humor.
— Eu gostava dessa. Tinha valor sentimental. — eu disse terminando de escovar os dentes e enxaguando o condicionador.
Em outros tempos eu teria ficado mais do que desconfortável e corada por outra pessoa estar me assistindo tomar meu banho como um completo pervertido, mas agora eu só me permitia corar. Era Oliver ali. Ele riu ao ver meu rubor através do vapor.
— Sempre anda pelado por aí?
— Não sabia que isso incomodava você. Eu, definitivamente, não estou incomodado com o que estou vendo. — ele disse cruzando os braços e seus bíceps musculosos saltaram. — Bom dia, Felicity.
— Bom dia, Oliv... Hey!
— O que? Eu quero tomar banho também. — ele disse ao entrar no box e alcançar meu shampoo.
— Você tem seu próprio banheiro que deve ser maior que esse! — repliquei enquanto via ele lavar o próprio cabelo.
— Eu quero economizar água para as nações futuras. Sou um cara completamente ecológico, até faço parte do Green Peace. — ele disse irônico batendo seu polegar cheio de espuma no meu nariz. — Sem contar que faríamos uma bagunça enorme se eu te arrastasse para o meu banheiro agora, molhada do jeito que está.
— Duplo sentido pela manhã? Sério? — perguntei enxaguando seu cabelo com as mãos.
Ele me virou de costas para seu peito e senti suas mãos passando o sabonete por toda a minha espinha dorsal. Espalhando, massageando e limpando. Tudo ao mesmo tempo.
— Provocador... — disse assim que senti suas mãos apertarem minha bunda.
Seu riso soou logo em seguida.
— Isso é um elogio para mim.
Ele me puxou para ele e fez a mesma coisa com a minha barriga e subiu para os seios dando bastante atenção para os mesmo e eu gemi de prazer quando senti seus dedos começarem a brincar por ali. Joguei a cabeça contra seu ombro e senti sua boca atacar meu pescoço.
— Oliver, por que você nunca ficou com um paciente? — perguntei ao me lembrar da noite passada. Ele parou de me beijar e eu me virei. — O que?
— Você estava prestando atenção?
— Muito pouca, mas eu ouvi algumas partes. — eu disse sincera e ele assentiu parecendo estar escolhendo as palavras que iria dizer. — Quais são as regras que você quebrou ontem comigo?
— Podemos falar disso depois, eu ainda tenho que ensaboar algumas partes... — ele disse olhando para minhas coxas.
A água estava caindo sobre nós fervendo e eu apenas toquei seu braço que estava em minha cintura e seu olhar voltou para o meu rosto. Ele ainda não aprendeu que eu consigo ser mais teimosa que ele?
— Uma hora nós teremos que conversar sobre isso e quanto mais demorar, mais perguntas eu terei... — eu disse e ele sorriu minimamente.
— Estarei enfrentando um longo interrogatório então, Smoak? — perguntou de volta e eu ri da forma que ele havia me chamado.
Eu assenti e voltei a me virar para parede.
— Ninguém nunca me chamou assim... — eu disse aproveitando a água enquanto ele ensaboava minha bunda mais do que o necessário.
— Fico feliz em saber disso...
— Não sei muito bem o que fazer com você, doc. É um mistério para mim que ainda estou tentando desvendar. Não sei o que fazer com a confusão de sentimentos, com essa atração maldita... — ele riu e desceu até minha panturrilha. — Com a sua família, com a minha, com nossos amigos e é claro as mulheres...
— Que mulheres? — ele interrompeu a massagem e eu ri.
— Sara me contou sobre a fila que elas fazem esperando uma chance com você. — eu disse e a massagem retornou, porém ele parecia mais hesitante agora.
— Não posso fazer nada já que você decidiu furar a fila, mas gostaria de alguns nomes... — ele disse voltando para cima e puxando meu cabelo inteiro para trás.
— Você falando assim só me faz ter mais perguntas, Queen.
De jeito nenhum iria dedurar Sara ainda mais.
Ele terminou de me ensaboar e eu retribuí o favor descobrindo algumas partes de seu corpo que eu ainda não tinha visto, apenas tocado. Suas costas eram lisas, ele tinha várias pintinhas no corpo. Todos os músculos eram tonificados. Só seus pés que não eram tão atraentes como o resto do corpo. Terminamos tudo juntos e eu fiquei abismada quando vi ele colocar uma toalha em sua cintura.
— Só agora você decide colocar uma toalha na cintura, Oliver?!
— Eu não quero ficar gripado. — ele disse abrindo outra e me embalando nela. — E não quero ouvir acusações de atentado ao pudor dentro dessas paredes.
Ele foi para o quarto dele e eu fui me vestir. Coloquei um jeans e camiseta completamente básicos e sequei meu cabelo bem rapidamente. Quando estava limpando meus óculos, Oliver entrou com um copo de água e meus remédios em mãos. Ele estava tão básico quanto eu.
— Seus remédios... — ele me entregou os três compridos e eu mandei tudo para dentro de uma vez com um gole de água. — Eu tenho uma solução para o nosso desencontro mais cedo.
Ergui uma sobrancelha para ele.
— Que desencontro?
— Onde estão suas roupas? — perguntou e eu apontei para o closet, enquanto bebia mais água. Senti uma espécie de dejá-vú ao ver tacando os cabides com as roupas e sapatos dentro da mala novamente, só que bem mais rápido desta vez. — Vá até o banheiro e pegue suas coisas...
Assenti e deixei o copo de lado. Fui até o banheiro e peguei tudo que era meu e equilibrei em meus braços mais do que confusa. Ele pegou a mala do chão com a maior facilidade e andou para fora do quarto. Eu o segui. Entramos na porta ao lado onde tinha uma cama com lençóis amassados que me fizeram corar levemente.
Oliver abriu as portas duplas misteriosas e eu descobri que ali era seu closet. E tinha até um puff grande ali dentro. Ele tirou três paletós que estavam pendurados no lado esquerdo e os moveu para o direito. E depois pendurou todas as minhas roupas no lado vazio.
— Agora eu sei onde você vai estar...
— Quer que eu durma no seu closet? — perguntei e ele cerrou os olhos para mim.
— Não, mas suas roupas estarão aqui. E eu sei onde você irá dormir e tomar banho. — ele respondeu e colocou todas as minhas lingeries em gavetas vazias do lado direito do closet. E em cada camisola pega, ele a estendia em minha direção e analisava.
Bastardo.
Oliver pegou meus produtos de higiene e levou para seu banheiro, na volta ele parecia mais do que tranquilo com tudo isso, enquanto eu estava ligeiramente chocada com sua atitude.
— Estou com fome. Vamos comer?
Assenti e nós saímos do quarto juntos, mas não fomos em direção ao paraíso de aço inox, fomos em direção ao hall do elevador.
— Onde você está indo?
— Para a Starbucks mais próxima.
— Você não tem comida aqui? Nada? Nadinha? — perguntei e ele negou parecendo envergonhado por isso. — Posso?
Ele assentiu. Fui até o paraíso inox. Os armários eram dourados e combinavam com todo aço inox ao meu redor. Tinha uma ilha de mármore no meio da cozinha e absolutamente nada dentro da geladeira de duas portas. Parecia que nunca foi usada!
— Que espécie de médico é você que não tem nada na geladeira? — perguntei me virando para ele e o encontrando de braços cruzados apoiado no batente da porta vai e vem.
Abri os armários e não achei nada. Nenhuma latinha perdida. Nem um pacote de qualquer coisa vencida. Nada. Fui até a porta lateral que deduzi ser a dispensa e lá tinha uma coisa. Cookies semi-assados de 2012! Oliver poderia ter inventado uma nova espécie de bactéria ou fungo e nem sabia disso. Me virei para encarar ele e cruzei os braços.
— Não me olhe assim! Eu mal paro aqui, sempre estou no hospital, e quando estou aqui peço algo nos restaurantes da avenida. — ele disse erguendo as mãos como se tivesse pedindo arrego e franzindo as sobrancelhas.
— Por que comprou o apartamento então?
— Tinha que ter uma alternativa para quando meu pai me expulsasse de lá. — ele disse e eu ri alto. — Podemos? Estou com fome...
Ele me puxou pela mão e em menos de quinze minutos estávamos na Starbucks mais próxima de seu apartamento. O lugar ainda estava todo enfeitado com enfeites natalinos que me faziam espirrar toda vez que chegava perto de alguma guirlanda artesanal.
Eu quis apenas um café e um brownie, já Oliver pediu um pelotão de comida. Café, suco de laranja, muffins, cookies, brownies e um lanche natural. Eu até tentei roubar um cookie, mas ele me deu um olhar mais do que significativo e eu mudei de ideia. Ele comia muito. E isso me fez rir.
— O que? — perguntou de boca cheia. Levantei a mão e limpei o farelo de cookie que havia ficado em um dos cantos de sua boca. Lambi meu indicador e depois bebi meu próprio café. — Conta...
— Você está sempre com tanta fome assim? — perguntei fazendo um gesto para os pratos, agora vazios na mesa.
Ele me olhou maliciosamente e eu quase cuspi meu café.
— Não sei, mas posso ficar.
Nós terminamos e Oliver não deixou eu pagar a conta ou metade dela. Voltamos para dentro de seu carro que descobri ser uma Mercedes e eu mostrei o caminho para o supermercado mais perto. Que por acaso era o mesmo em que eu fazia as compras de casa desde que havia me mudado de Boston para Starling City.
Quando chegamos na maior filial da Macy's nos estado de Washington D.C, Oliver parecia animado quando pegou o carrinho antes de entramos no supermercado. Ele parecia estar se aventurando.
— Você sabia que eles vendem refeições congeladas aqui, né? Daquelas que você só precisa esquentar e comer? — perguntei quando entramos no primeiro corredor lado a lado.
— Não, mas eu me contento em empurrar o carrinho e carregar as compras depois. Você é muito melhor do que eu nisso. — ele disse e eu comecei a pegar o que sempre comprava para mim e Cait só que em escalas maiores já que Oliver Queen se mostrou ser uma verdadeira draga.
— Como sabe que eu sou melhor?
— Você sabe o que comprar, eu me contento em saber o que fazer com você entre quatro paredes. — disse distraído pelo o que eu colocava dentro do carrinho.
— O que você gosta de comer, Oliver?
— Hm... Você. — disse e eu corei forte olhando ao redor com medo de alguém ter ouvido isso. — Massas. Sou filho de italiana, é impossível não gostar.
Fiquei perplexa de como ele fazia isso parecer fácil. Esse humor inconstante iria me dar cabelos grisalhos antes da hora, eu já estava começando a aceitar este fato desde já.
Andamos pelos corredores pegando tudo que ele gostava e que eu achava necessário. Estava tentando criar cardápios na minha mente, mas toda vez que parava, Oliver me beijava ou me tocava... Isso me distraía completamente.
— Você gosta disso? — perguntei com certo nojo olhando para o pote de cogumelos em conserva que ele estava segurando.
— Não. Não dá para comer com você. — ele soltou mais de seus comentários pervos e eu corei ainda mais e empurrei o carrinho para longe dele. — Felicity?
— Você tem que aprender a se comportar em público, Queen. — disse vermelha e ele riu atrás de mim.
Nada que saía de sua boca era inocente ou não tinha duplo sentido. E eu apenas corava e ignorava o leve formigamento que começou a se concentrar em minha barriga.
— Smoak, eu gosto disso. Só preciso saber qual você gosta. — ele disse parando na frente da seção de geleias naturais.
— Frutas vermelhas e pêssego. — eu disse ao pegar alguns pacotes de torrada. O carrinho já está mais do que cheio. Ele colocou três potinhos dentro do carrinho e sorriu abertamente. — O que?
— Você vai ficar tão gostosa com pêssego. — ele disse e eu revirei os olhos batendo em seu peito. — Okay. Parei.
Assenti sem me convencer. Ele tinha dito a mesma coisa quando pegamos estávamos escolhendo cenouras e pepinos. Eu assumi o volante do carrinho e Oliver ficou atrás de mim. Pensei que iria ficar desconfortável, mas não ficou.
Fui até a seção dos sorvetes e peguei vários de chocolate com menta, porque era o meu favorito. Oliver decidiu me dar uma trégua e apenas me observava de longe, ele apenas pediu um sorvete de pistache para ele. Quando fui até o estande de caldas, eu peguei duas e quando me virei, esbarrei em alguém.
Já ia resmungar para Oliver, mas não era ele. E sim, outro homem com um pote de sorvete de amora nas mãos. Eu não sabia que existia sorvete de amora. Procurei Oliver ao redor, e não o achei. Okay. Não é necessário entrar em pânico. Você está em um local público e as chances de ser assassinada perto da seção de sorvetes era bem pequena.
— Desculpe, sou Adrian. Como vai? Estava distraído, me desculpe. — ele disse pegando a calda que havia caído no chão.
— Não tem problema. — eu disse procurando Oliver no corredor á minha frente.
Onde ele se meteu?
— Qual o seu nome?
— Felicity.
Ele me olhava estranho e eu não gostei dele.
— O nome da minha filha é Felicia! Olha que acaso! — ele disse e eu vi que ele não usava aliança, deveria ter uns trinta e poucos, então duvidei um pouco de sua filha hipotética.
— Que coisa, não?
— Posso te ajudar em alguma coisa? Sou realmente bom em escolher caldas e drinks também... Quer sair e tomar algum um dia desses? — perguntou e antes mesmo de respirar, senti Oliver atrás de mim.
Suas mãos abraçaram minha cintura e senti seus lábios em meus cabelos. Suspirei aliviada. Ele sorriu levemente para mim e depois pareceu notar Adrian na frente do nosso carrinho. Ele franziu a testa.
Uh-oh. A cara de bravo.
— Oliver Queen.
— Adrian Chase.
— Como vai? Desculpe interromper a conversa, mas eu estou com fome e preciso levá-la para casa... — Oliver disse e não esperou a resposta de Adrian. Apenas manobrou o carrinho e me levou junto para o caixa mais próximo.
Okay. Agora é a hora de testar terreno. Ele passou todas as compras do carrinho e depois colocou tudo em sacolas pardas. Não falou e nem olhou para mim. Fiquei levemente irritada por isso. Eu não tinha feito nada de errado. Oliver pagou as compras sem ao menos olhar o total ou olhar a caixa que estava tentando atrair sua atenção desde a fila que pegamos.
— Pronta? — perguntou Oliver empurrando o carrinho com as sacolas pardas dentro dele.
— Oh! Você está falando comigo?
Ele ergueu uma sobrancelha e eu tentei ignorar o fato que isso foi muito sexy.
— Por que não estaria falando com você? — perguntou de volta e fomos para o estacionamento.
Suspirei.
Por que ele não poderia ter fios e um manual de instrução?
Eu saberia lidar com mais facilidade.
Ele carregou o porta-malas com as compras e eu levei o carrinho de volta para a entrada do mercado. Quando voltei, não queria aquele clima de briga. Não queria um remake da noite de Natal, por mais que ela tenha acabado de um jeito maravilhoso. Ele estava esperando na lateral do carro de braços cruzados e com sua cara de mau quando eu voltei.
— Você estava feliz, por que está no modo Dr. Ranzinza agora? — perguntei.
— Eu pareço ranzinza para você?
— Na verdade, parece bravo.
— Não estou.
— Oliver, eu já te vi bravo, então posso dizer que está no mínimo zangado com algo e se controlando para não brigar comigo. — eu disse ficando bem na sua frente. — O que foi?
— Não gosto de outros homens olhando para você. Tem noção de quanto tempo aquele cara estava observando a gente? De como ele se aproximava só para ouvir você gemer com as provocações? — perguntou e eu vi a mais pura raiva brilhando em seus olhos azuis.
Oh.
— Por que me deixou sozinha? Eu estava procurando você! — eu repliquei batendo em seu braço levemente e ele desviou o olhar.
— Eu estava perto, e me custou muito para não quebrar um osso dele ali mesmo. — ele disse e abriu a porta para mim querendo encerrar o assunto.
Nan-na-ni-na-não.
— Eu também não estou entendendo nada disso, e eu...
— Shh. — silenciou o meu começo do meu surto com um selinho. — Não se estresse, não é bom para você.
Quis mandar ele ir para o inferno, mas me contive. Vi o tal Adrian sair do mercado e agarrei o rosto de Oliver e o puxei para mim. Dei uma verdadeira aula de anatomia para quem quer que estivesse passando por ali e ainda me esfreguei contra o corpo de Oliver que foi pego de surpresa.
— Você ainda vai me enlouquecer, Queen. — eu disse ofegante assim que nos separamos.
Ele sorriu e eu entrei no carro. Ele entrou logo depois e ligou o motor.
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