Dangerous Love.

1 Relembrando o passado.


Eu sempre gostei do improvável. Eu sempre pensava em situações que nunca aconteceriam. Bom, pelo menos eu achava que nunca aconteceriam. Mas, e se você se apaixonasse pelo cara que ajudou a matar a sua família? A solução não é nada simples. Tudo começou num dia de inverno, em janeiro, quando eu tinha 14 anos. Na verdade, naquele dia eu estava completando 14 anos. Tínhamos acabado de voltar da Alemanha, país onde um dos meus irmãos — Gustavo- pretendia se casar e morar. Quando chegamos em casa, tudo estava silencioso. De cara, estranhei, afinal meu vizinho era um vadio que fazia festas todos os dias. Quando acendi a luz, havia várias pessoas e gritaram "surpresa". Olhei feio para o meu irmão mais novo — Bryan — que adorava fazer festas surpresas, e eu odiava festas desse tipo. Recebi vários presentes, a maioria era coisas rosas da família da minha mãe, que ainda achava que eu era uma menininha de 10 anos que amava rosa. Já passava das uma da manhã quando todos foram embora. Eu estava ajudando a arrumar a casa e meu pai foi lá fora, trancar o carro e provavelmente fumar maconha escondido. Mas quando ele voltou, não estava sozinho. Estava com quatro caras, armados, junto com ele.

– Calem a boca, e ninguém se machuca! — o mais alto falou, apontando arma para o meu pai. Todos estavam encapuzados, dois tinham quase a mesma altura, magros e um deles estava usando calças largas, e um era mais baixo e meio gordinho.

– Eu imploro, não faça nada com ele! — minha mãe berrou, já borrando toda a maquiagem, de tanto chorar.

– Cala a boca vadia, sua voz me irrita. — disse o cara que estava apontando a arma para o meu pai.

Eu fui empurrada por um dos meus irmãos, Gustavo. E acabei trombando com um dos caras encapuzados. Que tinha vindo atrás de mim, com certeza achando que eu iria fugir. Qual é, me obrigaram a usar um salto de sei lá quantos centímetros, no máximo eu iria correr até o portão, e cairia com tudo na calçada. Eu quase nunca usava salto alto. Eu odiava, só estava usando porque minha mãe disse que me daria dinheiro. Eu já estava querendo chorar, mas odiava chorar na frente dos outros, odiavam que sentiam pena ou dó de mim.

– Sammi, fica quieta, não faça nada, tudo vai ficar bem! — Gustavo me abraçou.

Um deles começou a vasculhar o primeiro andar da casa, e quando achou o banheiro, fez sinal para o cara que estava com o meu pai.

– Todos os homens para o banheiro, agora! — berrou , alternando a direção da arma para o meu pai e os meus irmãos, enquanto eles eram empurrados para o banheiros. E quando chegaram no banheiro, foram revistados. Pra não ter como chamar ajuda. E trancaram a porta.

Ficou só eu e a minha mãe. Quando eu iria pegar meu celular, que estava no meu bolso de trás, um deles falou;

– Bem gostosa aquela ali né? — apontou para mim -

– Pode crer, Hagen. E também a gente não pode ir embora sem aproveitar um pouco! — falou o cara de dreads.

– Fala sério, vocês dois já pegaram aquelas duas vadias que passaram na rua antes, deixa essa pra mim!

– E eu? — falou o gordinho. — Valeu por me excluírem!

– Todo mundo sabe que você namora aquela loira peituda! Ela é quente como o inferno, então não reclama. — disse o magrelo, se aproximando de mim e me puxando brutalmente pelo punho.

Então é isso? Eu iria ser estrupada e depois morta? Belo fim.

– Não faça nada com a minha filha, cara... — disse a minha mãe, tentando parar de chorar.

– Relaxa velha, se ela se comportar vai sair dali viva. — falou rindo, enquanto me empurrava escada á cima. — Levem essa velha para algum lugar, cuidado para não dar escândalo. E você maninho, — paramos no meio da escada — as vizinhas de trás são bem gostosas. — continuamos a subir as escadas.

O guiei para o meu quarto, eu podia tentar dar um chute bem naquele lugar, mas ele estava apontando uma arma para a minha cabeça, e eu já estava chorando, ele me jogou na cama e se sentou num dos pufes pretos. Ele jogou a arma em cima da mesa do computador , ergueu o capuz até a altura do nariz e acendeu um cigarro.

– Quer?

– Não fumo. — falei, tentando parecer calma. E ele sorriu, ele tinha um sorriso perfeito.

E eu fiquei encarando o teto, esperando a hora que ele fosse me atacar, ou fazer algo do tipo. Mas ele simplesmente ficou fumando enquanto eu podia muito bem ligar para a polícia.

– Se te perguntarem, você fala que foi estrupada e não deixa te examinarem. E se você não fizer isso, vou voltar aqui e fazer de verdade.

– Mas você não vai me... — não terminei e frase, comecei a tremer.

– Te estrupar? — senti um arrepio ao ouvir ele falando isso. — Não, é seu dia de sorte. Já comi quatro vadias hoje.

Já era o quinto cigarro que ele estava fumando, e eu ainda o encarava assustada. Ele riu e começou a olhar os inúmeros posters do meu quarto.

– Esse é seu quarto? — fiz um sinal positivo com a cabeça. — Belo gosto musical.

Revirei os olhos e dei um longo suspiro, colocando meus pés em cima de cama.

– Eu to achando que to sendo muito legal com você. — ele riu, e se levantou do pufe. Me puxou pelo braço com força e me prensou na parede. Meu coração disparou, e eu o beijei. Sem pensar. Literalmente eu o beijei, porque ele não correspondeu no beijo. Não deve ter durado nem dez segundos. E eu fui deslizando pela parede.

– Desculpa...

Ele me olhou espantado e logo começou a rir.

– Ér, foi tão ruim assim?

– Não... é que você é louca, garota!

É, beijar o cara que queria ou quer matar seus pais é loucura. Nunca pensei que faria isso.

– Percebi isso...

– Acho que você deve estar pensando que eu sou um ladrão bonzinho, do tipo que roubam para sustentar os filhos ou a família. Não, eu não sou. Eu tô muito longe de ser um príncipe encantado! — ele riu.

– Desculpa! — falei, me levantando.

Ele olhou para o relógio.

– Deu a hora, vai se importar se eu levar isso? — ele arrancou um poster do Metallica.

– Não vai fazer diferença nenhum então...

Ele destrancou a porta.

– Espera, qual o seu nome? — falei.

– Porque quer saber?

– Porque talvez alguém possa me matar hoje e eu quero saber o nome do garoto que eu passei meus ultimos minutos! — ele riu. -

– Macky. Pode me chamar assim.

– Seu nome realmente é Macky?

– É um apelido! Não sou idiota de falar meu nome.

Colocou a mão no capuz, e eu achei que ele iria baixar, mas me puxou violentamente pela cintura e me beijou. Senti seus labios encostarem nos meus, sua lingua quente invadir minha boca. Correspondi, o beijo dessa vez foi mais longo. Com certeza foi o melhor segundo beijo que alguem já teve. Nunca vou me esquecer daquele gosto de cigarro que talvez me proporcionaria um vicio mais tarde.

Assim que ele me soltou, disse para esperar quinze minutos. Iria sair e soltar os meus pais e os meus irmãos. Depois de dez minutos que ele saiu, parei no terceiro degrau, de cima para baixo, não dava pra ver nada da sala. Só ouvi três tiros seguidos serem disparados. Caí sentada no degrau, começando a chorar e me desesperar. Depois, o quarto tiro.

(...)

– Samantaaaaa! Oi! O que houvee? — saí do transe com uma mão acenando freneticamente na minha frente. Reconheci, Ashley, a drogada que estava segurando uma garrafa de vodka na minha frente. Como ela conseguiu entrar com isso no colégio e sem ser vista?

– Ein, quê? Que foi?

– Af, eu to falando que terminei com o safado do meu namorado e você não prestou a atenção? Af eu falo isso depois então... Você já viu os alunos novos? — ela falou, empolgadíssima demais.

– Não. — falei, sem dar atenção.

– COMO NÃO? — ela berrou.

– Cala a boca, Ashley! Tá, o que tem eles?

– Shh agora você, um deles tá vindo para cá e seja simpática por favor, haja como uma pessoa normal!

– Você fala isso porque não foi você que teve seus pais assassinados né?

– Aiii tá, sinto muito, mas isso foi a dois anos atrás, superaaaa! — ela falou, enquanto dava um gole na garrafa de vodka.

Revirei os olhos e quando eu ia me virar, esbarrei num garoto, usava maquiagem era lindo e puta merda, eu já tinha visto ele antes, eu tinha certeza disso.


Notas finais
podem dizer q ficou uma bosta, mass enfim, gostaram?