Dangerous Love.
3 Festa de boas vindas.
Notas iniciais
– Quem era ela? — perguntei, tirando um maço de cigarros do bolso. Ofereci a Bill, que recusou com a cabeça.
– Uma garota que eu gostava, a um tempo atrás. Não gosto de falar disso, podemos mudar de assunto? — Bill suspirou e eu acendi o cigarro e o coloquei na boca, guardando o maço no bolso.
– Desculpe. Do que quer falar? — o encarei, tirando o cigarro da boca e soprando a fumaça.
– Você vai fazer algo hoj...
– Biiiill! Até que enfim eu te encontrei, Tom me disse que era pra eu falar com você. — Tifanny... Quem chamou ela aqui mesmo? Revirei os olhos e joguei o cigarro num canto do pátio, eu que não ia levantar só pra procurar o lixo.
– Sobre? — Bill perguntou, aparentemente desinteressado.
– Sobre a festa seu bobo!
– Que festa, Tifanny?
– Ai meu Deus, Tom não te falou? A festa que eu sempre faço de boas vindas! Ah e Samantta, mesmo eu te odiando, você tá convidada porque o Luke me obrigou .
– Quando vai ser? — perguntei.
– Amanhã a noite! Sexta ninguém vai vir para a aula porque vai ter palestra sobre drogas! Eu acho que você deveria vir, Sammi. — ela sorriu irônica.
" E você deveria ir numa palestra sobre como se prevenir de uma gravidez, fofa!"
– Eu acho... que eu vou. Você vai, Sammi? — Bill me perguntou.
– Nunca perco essa festa, né Tiff. — Olhei para ela, que agora parecia uma vaca mastigando a porcaria do chiclete. Tomara que ela engasgue.
– Ritual antigo, gata. Bom vejo vocês lá pelo jeito... tchauzinho!
– Vocês se odeiam ou o quê? — Ele me encarou, sorrindo.
– A gente era melhor amiga, a um tempo atrás. Até que... — fui interrompida por um sujeito estranho de calças largas.
– Cara, tá sabendo da festa da gostosa da Tifanny? Eu é que não perco! Você vai né Bill? Sabe que eu preciso de alguém pra dirigir para mim! E a mamãe tirou o meu carro! Então maninho, obrigado por aceitar me levar, amo você!
Ok, o sujeito estranho que eu tinha esquecido o nome não parou de falar nem por um segundo e Bill revirou os olhos quando o sujeito estava andando em direção as vadias do colégio.
– Pelo jeito eu vou nessa festa. — ele me olhou, com um sorriso malicioso no rosto. — Quem sabe vai ser divertido.
– É, quem sabe. — falei.
(...)
– Com que roupa eu vou? — perguntou Ashley, enquanto ela estava parada em frente ao espelho com praticamente todas as roupas dela em cima da cama.
– Meu Deus Ashley, falta uma hora pra festa começar e você ainda não escolheu a porcaria de uma roupa? — bufei e fui em direção as roupas. — Olha, esse rosa aqui é lindo. — Apontei para um vestido super decotado, mesmo que todos os vestidos da Ashley sejam assim, o vestido rosa era o mais decotado que ela tinha.
– Não, esse vestido é para ocasiões especiais.
– E essa não é uma ocasião especial?
– Só uso o vestido rosa quando quero fazer ciumes no meu ex-namorado. — ela sorriu.
– E esse? — apontei para um vestido vermelho, tomara que caia, e que provavelmente ficaria lindo no corpo da Ash, mas ela recusou com a cabeça. — Ahh se vira! — falei, descendo as escadas e parando para me ver no enorme espelho que tinha na sala dela. Eu estava vestindo uma camisa do Kiss, com outra camisa xadrez — aberta — por cima, uma short preto rasgado e nos pés o meu inseparável All Star preto. No rosto, uma maquiagem preta esfumada.
Enquanto eu esperava a Ashley se arrumar, deu tempo para fuçar a cozinha dela, ligar a TV, ver um episódio de um seriado qualquer, ver antigos álbuns de fotos, ler a sinopse de um livro, me olhar novamente no espelho, berrar nove vezes o nome dela, ai sim a criatura desceu as escadas. Ela estava com um vestido tomara que caia balonê azul escuro e na cintura havia um laço. E ela estava usando um salto alto azul camurça. E como sempre, estava com uma maquiagem roxa com preto forte.
– Tá pronta, noiva? — falei, enquanto pegava as chaves do carro.
– Ai, nem tô tão atrasada assim! — falou, enquanto entrava no carro.
– Claro que não, A festa começou só faz uma hora e meia!
– Então acelera porra! Se não eu vou chegar lá e não vai ter sobrado nenhum gatinho!
Assim que chegamos, demorei uns cinco minutos só para achar uma vaga. Assim que saímos do carro, já dava pra ouvir a música alta. Entrando na casa, pude ver gente fumando, se embebedando, e transando. Dei um passo dentro da casa da Tifanny e perdi Ashley de vista. Aquelas luzes coloridas idiotas me cegavam. Tentei procurar pessoas que eu conheço, mas nada. Também com um monte de gente dançando uma agarrada na outra e com aquelas luzes me ajudando muito, era impossível achar alguém. Tentei me enturmar, mas me enturmar com quem? Com as vadias que usavam um vestido curtíssimo e super decotados? Putas, não vou com a caras das putas.
Andei um pouco e avistei o sujeito que estava falando com Bill ontem, ele estava sozinho. Estranhei, ou ele tinha pegado todas as meninas da festa — o que eu considerava ser uma missão impossível — ou ele está deprimido e não conseguiu pegar ninguém. Me sentei na cadeira do lado dele, e ele me olhou com um sorriso fofo no rosto.
– Eiiii Sammi! — ele falou, enquanto terminava de tomar o líquido vermelho do copo. Que vergonha, ele sabe meu nome e eu não não lembro o nome dele.
– Então, qual é o seu nome mesmo? — tentei ser fofa, porque ele me acharia uma idiota né,
– Meu nome é Tom! E o seu é Samantta porque você me lembra uma garota! — ele riu. Eu acho que ele estava um pouco bêbado, só um pouco.
– A garota que o Bill gostava?
– É, essa mesmo! Nossa, ele ficou arrasadoo! Você nem imagina! — Ele deu ênfase nas palavras ' arrasado e imagina".
– Vamos dançar? — falei, querendo que ele não entrasse em detalhes sobre a tal garota que o Bill se apaixonou. Enquanto íamos para a pista de dança, peguei duas taças de uma bebida colorida que o garçom estava servindo. Eu já tinha tomado a bebida toda em um só gole, era doce, muito boa. Quando chegamos a pista de dança, Tom dançava com seu corpo colado no meu; peguei outra bebida. Mas dessa vez só para mim, para não ter que aguentar um cara bêbado me enchendo. Tom me ofereceu várias bebidas, mas recusei todas, eu não estava afim de sofrer um acidente. Puxei Tom novamente para a mesa, e acendi um cigarro.
– Pra que voltamos pra cá?
– A garota que estava dançando do nosso lado vomitou, não quero ser atingida pelo vomito de outra pessoa. — revirei os olhos e me sentei na cadeira. — Cadê o Bill?
– Da ultima vez que eu vi ele, ele estava conversando com a Tiffany, depois não vi mais eles.
– Uau, já conseguiu legar a Tiff pra cama, ele é bom. — Comentei, acendendo outro cigarro.
– Isso não é maconha né? — ele apontou para o meu cigarro.
– Não, mas se tu quiser, tinha gente vendendo ali na porta de entrada.
– Na saída me lembra de pegar!
E ele me puxou para a pista de dança.
– Você é nova aqui na cidade? — ele me perguntou.
– Não! Nasci aqui e nunca me mudei. E você?
– Vim pra cá com 10 anos de idade. — ele sorriu, enquanto acariciava minha cintura. — Meus pais vivem se mudando, coisa chaaata demais! — ele riu. — E o seus?
– Meus o quê?
– Seus pais, o que eles fazem?
– Bem, eu... eu não tenho mais pais.
– Uau, sério? Sinto muito! — ele me abraçou. — Perdeu eles com que idade?
– 14 anos. Ok, chega de falar desse assunto.
– Desculpa! Mas então, preciso te distrair... — desfiz o abraço e encarei ele. — Vem cá, vou te apresentar para os vadios que são meus amigos.
E demos toda a volta pelo salão, até encontrar uma mesa que tinham dois caras jogando animadamente uma partida de poker.
– Ei seus filhos da puta! — Me sentei numa cadeira e Tom se sentou numa do meu lado. — Essa é a Sammi. Sammi esse é o Gustav e o Georg. São dois retardados , não liga pro que eles disserem, metade é mentira e enfim.
– Você é bonita. — Falou Gustav, uma fofura.
– Isso não é mentira, quero deixar claro! Você é linda, Sammi! — Tom falou, enquanto eu colocava as mãos na bochecha.
– Ai para, vou ficar envergonhada! — falei, rindo. Logo vi Ashley se aproximando da mesa e Gustav levantando na mesma hora.
– Sammi, posso falar com você um minuto? — Ash me puxou para longe da mesma — Você pode me emprestar o seu carro? É, eu tô gostando do Gustav e o carro dele ta na oficina, ele veio de carona com o Bill, só que o Bill sumiu... Então, me empresta? Acho que o Tom tá afim de você, qualquer coisa você volta com ele.
– Sem nenhum arranhão, por favor! — entreguei as chaves do carro para ela. Se meu carro viesse arranhado, eu mataria a Ashley.
– Eu não estou bêbada, ok?
Olhei rapidamente o meu celular e já marcavam quatro horas da manhã. Como já era tão tarde? E tinha 7 ligações perdidas do meu irmão, é, eu estava ferrada.
Caminhei em direção a mesa e antes de eu me aproximar, eu consegui ouvir:
– É ela!
– Ela quem, Tom?
– Ela é a garota!
– Mas que porra de garota?
– Ela é AQUELA garota!
Voltei para a mesa, sem entender nada do diálogo que eu ouvi.
Fiquei tentada a perguntar sobre qual garota eles estavam falando. Mas pegaria mal eu mal conhecer os caras e já escutar conversas que eu não fui chamada.
– Hmm, Tom, eu preciso ir. — falei, encarando ele que estava tomando uma bebida vermelha sangue , só não sei da onde apareceu aquela bebida. A mesa era mais afastada de toda aquela barulheira.
– Mais já? Tá cedo! E você nem ficou bêbada! Poxa!!
– Na próxima festa eu prometo que fico bêbada, então!
– Georg, vamos fazer uma festa amanhã? — Tom riu. — Vem, eu te levo.
– Não precisa Tom, eu posso ir sozinha!! Tchau Georg! — dei um beijo na bochecha dele.
– Nessas horas? Andar sozinha? É como pedir um assalto ou uma agressão! Ou pedir pra alguém te estrupar! Vamos lá, eu te levo.
– Tooom, eu vou sozinha! — implorei, eu realmente queria ir sozinha.
– Não vai não, vamos.
– Mas espera, você não tá bêbado né?
– Cara, eu tô andando de boa e só tomei 5 bebidas!
– Ai, chato, pelo jeito você vai ter que me levar pra casa mesmo. — revirei os olhos.
Saímos da casa, e começamos a caminhar pela rua deserta e calma, uma maravilha caminhar essas horas.
– Cadê o seu carro?
– Esqueceu que minha mãe tirou o meu carro e vim de carona com o vadio do Bill só que o filho da puta sumiu com a Tiff?. Aliás onde você mora?
– Quando ele chegar em casa, pergunta se ele transou com ela com camisinha, ou eu acho que Bill vai ser pai de mais um dos filhos da Tiff. Moro num apartamento. — sorri.
– Isso se eles transaram! Bill não é o cara que mal fala com a garota e já leva pra cama, ele é romântico demais pra isso. Me fale a localização dele.
– A bebida muda uma pessoa, Tom. — suspirei — Ah é quase na mesma rua do colégio, então tipo, sabe a rua tem uma curva e naquela curva tem um prédio, ali que eu moro.
Eu achei que ele iria me perguntar sobre o porquê de eu ter dito aquilo, mas não me perguntou.
– Em que andar?
– Sétimo, porque?
– Legal, somos vizinhos.
– Somos? — O olhei. Ele fez um sinal positivo com a cabeça.
– Eu preciso saber onde meu irmão está! Tem certeza que voc~e realmente não viu ele? — Tom perguntou. — Porque se eu não tiver com a chave aqui eu tô ferrado.
– Quem é seu irmão?
– Bill, meu gêmeo.
– SÉRIO QUE VOCÊS SÃO GÊMEOS? NÃO BRINCA! — falei, meio que berrando. — Mas você já me perguntou isso e eu já te perguntei isso, eu não vi ele.
– Somos gêmeos sim! E se o Bill chegar mais tarde eu mato aquele animal, não quero dormir no tapete de bem vindo.
– Cara vocês não são parecidos! E se isso te consola, eu também não sei se trouxe a chave de caa porque eu tenho certeza absoluta que deixei no carro. — bufei.
– Claro que não somos parecidos, com aquele meio quilo de maquiagem no rosto ele nunca vai se parecer comigo! Você tem irmão? — ele me perguntou, digamos que ele parecia estar surpreso.
– Eu preferia não ter.
E fiquei em silêncio. Ele também.
Sabe quando você tem aquela sensação que está sendo seguida? E que vai acontecer algo muito errado e te bate um arrependimento de ter saído de casa? Eu estava com essa sensação, eu tive ela naquela noite. Bom, eu até queria falar pra alguém sobre o que eu estava sentindo na noite de dois anos atrás, antes de chegar em casa, mas me chamariam de louca.
Nao sei se era bem um pressentimento, mas era uma sensação que indicava que algo ruim ia acontecer.
Fale com o autor