Dangerous Love.
7 Está chovendo hoje...
Notas iniciais
Ouvi um som irritante vir da cozinha. Parecia ser um liquidificador. Me mexi na cama, e coloquei o travesseiro sobre a minha cabeça tentando amenizar o barulho.
– Você não deveria estar aqui. — reconheci a voz de Bill, antes de um pano ser colocado na minha boca e eu perder a consciência aos poucos.
Levantei-me num pulo ao lembrar da noite passada. O quarto estava escuro, tateei a parede em busca de algum interruptor, quando o encontrei , acendi a luz.
Era o meu quarto. Eu me questionava sobre várias coisas no momento; a principal era: como eu vim parar no meu quarto? Eu apaguei depois que o Bill colocou aquilo na minha boca e... Bill, Bryan!
Corri até a cozinha, e me deparei com meu irmão virando a garrafa de vodka no liquidificador. Até não ter mais nenhuma gota de álcool na garrafa. Suspirei aliviada.
- Ah, eai pirralha! Acordou cedo hoje, hein? — olhei no relógio, eram apenas seis e meia de domingo.
- Sou mais velha que você, estrupício. Você interrompeu meu sono com esse barulho irritante.
- Esse barulho te irrita? — ele sorriu, enquanto pegava outra garrafa de vodka no armário. Quem comprava isso pra ele?
- Sim.
- Bom saber disso. — ele deu um sorriso cínico antes de ligar o liquidificador de volta. Tampei meus ouvidos e andei até Bryan, estiquei minha mão e puxei o fio do liquidificador da tomada. — Ei! — vociferou.
- Não é muito cedo para começar a beber não?
- E tem hora pra isso?
- Bryan...
- Relaxa Sammi, vou encher a cara todos os dias só até os meus 40 anos, depois disso eu paro.
- Se você estiver vivo até lá! — disse, saindo da cozinha.
- Não tem aquele ditado: Deus protege os bêbados? — ele falou. Bufei e andei calmamente até o meu quarto.
- Não ligue a porcaria desse liquidificador de novo! — bati a porta e me joguei na cama.
Dormi tranquilamente e bem. Bryan não me incomodou mais com o liquidificador.
Meu sono foi novamente interrompido pelo trovões que ribombavam no céu. Continuei deitada e com os olhos fechados, tentando manter a calma e parar de tremer. Eu estava quase recuperando o meu sono, quando um estrondo alto e mais intenso que os outros me fez cair da cama. Tamanho foi o meu susto.
- Puta que pariu! — reclamei. Olhei pela janela, a chuva caia fortemente. Me levantei e fui até ela, observando a rua.
- Você tem medo de trovoada?
- Ai filho da puta! — dei um pulo e me virei, encarando o garoto com as roupas pretas, mas sem nenhuma maquiagem no rosto. Ele ficava mais bonito assim. Na verdade, ele era lindo de qualquer jeito. — Como você entrou aqui, Bill? Porta aberta de novo?
- Na verdade, seu irmão disse que você não poderia ficar sozinha e que ele estava indo comprar uma garrafa de vodka, porque as que ele tinha aqui, acabaram.
- Ai Deus, e você o deixou sair?
- Não era pra deixar ele sair?
- Ele estava bêbado?
- Um pouco, nada demais.
- Então ele vai ficar bem! O que aconteceu ontem á noite, Bill?
- Virei a noite jogando Guitar Hero com Georg, e você?
- GEORG! — gritei, assustando Bill.
Andei rapidamente pelo meu apertamento.
- Espera, onde você vai? — Bill segurou meu punho.
- Onde Georg mora?
- Do outro lado da cidade, pra quê?
- Preciso ir até lá!
- Vai sair nessa chuva?
- Não Bill, vou ficar plantada aqui esperando a próxima! Eu preciso muito falar com ele!
- Sobrê? — perguntou, desinteressado.
- Bill, simplesmente, não se mete. Ok?
- Ok, então vai lá conversar com ele. — ele se aproximou, passando levemente os dedos pelo machucado da minha mão. — Debaixo dessa chuva e com esses trovões. Vai lá.
- Eu vou mesmo. — sorri, sem acreditar em mim mesma.
- Está blefando. — ele sorriu.
- Não estou, Bill.
- Então está esperando o quê?
- Ai, merda. Tá bom, estou blefando.
- Então você tem medo de trovoadas?
- Como você sabe?
- Você estava tremendo, e caiu da cama por causa de um trovão!
- Você estava me observando enquanto eu dormia?
- Sim... E a propósito, você é linda. — ele sorriu e eu corei.
Outro trovão. Abracei-o fortemente. Ele beijou o topo da minha cabeça, enquanto me apertava contra ele. Encarei-o, e selei nosso lábios. Bill me puxou para um beijo mais profundo. Senti meus pés saírem do chão e ele apertar-me mais junto ao abraço. Sorri timidamente entre o beijo e senti-me leve e protegida perto dele, o medo da trovoada havia sumido. Aos poucos, o beijo foi se intensificando, enlacei minhas pernas ao redor da cintura de Bill, enquanto suas mãos estavam em minhas coxas, as apertando de leve. Ele me carregou até o meu quarto, sentou-se na cama enquanto eu continuava sentada no colo dele. Pude sentir sua ereção em baixo de mim. Aproximou suas mãos da minha cintura, e deslizou rapidamente por baixo da minha blusa, lentamente seus dedos tocaram minha barriga. Uma corrente elétrica percorreu meu corpo. Joguei minha cabeça para trás e recebi mordidas não muito leves, e beijos por toda extensão do meus pescoço.
- Sammiiiiiii! Cheguei! — ouvi Bryan gritando.
- Filho da puta! Ah que se foda! — sorri e voltei a beijar Bill.
- Olha, sabe aquele vizinho ali, — Bryan andava pelo corredor, berrando — o travesti, gay, sei lá? Então, eu acho que ele tá afim de você, dai, toma, eu comprei umas camisinhas pra vocês usarem caso vocês forem pra cama e... — ele entrou no meu quarto, nem me toquei que eu estava sentada no colo de Bill. Quando me lembrei desse detalhe saí rapidamente do colo dele. — Toma! — Bryan riu e me entregou um pacote de camisinhas. — Tem sabores sortidos aí, cara acho que eu previ o futuro, passou algo na minha cabeça, e eu comprei as camisinhas, sério, isso nunca aconteceu! Será que eu um tenho dom? — Bryan riu, olhei Bill e revirei os olhos. — Imagina se eu não tivesse chegado, você poderia estar grávida agora! Vou lá comprar pílula pra você, tá? Tchau!
E Bryan saiu.
- Bill, olha, me desculpa por isso e...
- Tá tudo bem. — ele sorriu. — Eu só preciso... Me acalmar.
- Vou lá com meu irmão...
Andei até a sala, e Bryan estava deitado no tapete da sala.
- Bryan? — perguntei.
- Oie! — ele falou.
- O que você tá fazendo?
- Contando quantas cores o tapete tem!
- O tapete é preto, Bryan!
- Mentira! To vendo uma cor diferente. Um grafite sabe? Vamos processar o cara que vendeu isso aqui, ele fez propaganda falsa! Esse tapete não é totalmente preto!
- Ok Bryan, divirta-se contando as cores que o tapete tem.
Andei novamente até o meu quarto. Encontrei Bill deitado na cama e olhando o porta retrato da minha família. Assim que ele me viu, largou o porta retrato e se sentou na cama.
- Se acalmou? — sorri. Ele fez um gesto positivo com a cabeça. Olhei para a janela. Estava chovendo na mesma intensidade de antes. Me sentei na cama ao lado de Bill.
- São seus pais? — ele estava tremendo, e estava com um olhar assustado na cara.
- São... O que foi?
- Não é nada. — ele sorriu.
- Bill, você mora sozinho, não mora? — observei ele se levantar para fechar a cortina e a porta. Em seguida ele se deitou, e me puxou para deitar com ele.
- Eu e o Tom? Sim, moramos.
- Porque?
- É um assunto complicado.
- Simplifica. — ri.
- Bom, meus pais estavam endividados com a empresa, e tinha um cara que o meu pai estava devendo quase um milhão de dólares... E quando meu pai foi pagar o filho da puta, ele matou meu pai e minha mãe. E ainda fugiu com o dinheiro.
Ouvi Bill soluçar. Ele estava... chorando?
- Ei Bill, — beijei todo o seu rosto, eu não sabia como acalmá-lo. — Eu sinto a mesma coisa que você, eu também perdi meus pais, eu sei que dói, e muito. Mas a vida continua, e temos que nos acostumar a perder pessoas que amamos. Porque eles não vão ficar para sempre conosco! — Ele me abraçou fortemente.
- Sammi...
- O que?
- Eu acho que gosto de você.
Emudeci.
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