Dangerous Love

7 Capítulo VI - Conversa às Escuras


Notas iniciais
Heeeey *---*
Então, eu fiquei muito feliz mesmo com os reviews que eu recebi no outro capítulo, e por isso estou postando mais cedo do que normalmente postaria.
Espero que gostem, porque sinceramente, deu um trabalhinho de escrever fazendo uma personalidade pra ele... kkkk
Não me matem.

- Quem é você?

Uma risada como o vento em uma nevasca entrou pelos meus ouvidos.

– Não sei. Tente me dizer quem você é.

Fiquei calada. Tinha alguma coisa em como ele se portava, o jeito displicente de se apoiar na parede às suas costas, na maneira em que ele era frio que... Simplesmente me lembrava o de alguém.

- Te conheço? – Pergunto.

- Talvez.

Ele deu um passo à frente. E meu queixo caiu. Era ele.

Capítulo VI — Conversa às Escuras

A primeira coisa que pensei quando o vi de perto foi que tudo nele era antagônico. Seu sorriso era quente, e fazia você querer se aproximar, mas seus olhos eram glaciais e diziam que se você o fizesse, iria congelar. Ele conseguia ser displicente, mas elegante. Concentrado, mas despreocupado. Transmitia a impressão de alguém tolerante, e mesmo assim, enfezado.

Minha boca entreaberta não dizia palavra alguma. Não conseguia. Falava a língua do silêncio. Finalmente, ela deixou escapulir alguma coisa que se parecia com uma frase. Não era eu falando. Era outro alguém através de mim. Usando o meu corpo para se pronunciar, apesar de que as coisas que ela dizia eram extremamente parecidas com o que eu sentia.

- Você está me perseguindo?

Ele riu sua risada grossa e áspera como raspas de gelo. Levou as mãos aos bolsos, em um ato de naturalidade extrema, e de lá retirou um maço de cigarros e um isqueiro. Pegou um embrulho delgado e branco, e manuseou-o, relaxado. Levou o fumo aos lábios, acendendo-o com o fogo. Deu um trago longo e calmo. Levantou a caixinha para que eu pudesse vê-la.

- Quer?

Peguei, hesitante, um embrulho fino que ele me estendia.

- Você não respondeu a minha pergunta.

Ele deu de ombros.

- Tenho a tendência de encontrar quem eu quero quando quero. Chamo isso de sorte. Mas chame de como preferir.

Não entendi se aquilo era um sim ou um não, então me calei. Olhei para baixo, em um ato reflexo. O chão se encontrava logo abaixo, mas o que eu via na minha frente fitava o vazio. Seus olhos negros, arrepiantes e maníacos. Não pude conter o desejo de observá-los furtivamente.

Negro, negro, negro... Uma negritude cheia de luz, e ainda assim, mais escura que o breu da noite. Lúcidos e astutos, mas loucos. Não consigo explicar com exatidão o que havia dentro deles. Era simplesmente um brilho vívido que irradiava apenas daqueles que já houvessem sabido o que era a morte. Afastei tal pensamento da cabeça. Era perturbador demais.

- Mas... Quem é você?

Nesse momento ele sorriu. Sua face se retorceu e se esticou para todos os lugares. Ela estava se derretendo e se refazendo diante dos meus olhos. Seus olhos brilhavam de ansiedade e loucura, como se estivesse realmente divertido de um jeito maníaco. Os dentes à mostra eram apenas isso. Dentes à mostra. Não havia nenhum sinal de humanidade naquele rosto, e pela primeira vez senti um arrepio descendo pelas costas devagar. Era óbvio que a pergunta o divertia, e que ele estava esperando por ela.

- Depende. – Deu de ombros novamente. — Vários filósofos e pessoas mais inteligentes que eu já tentaram se descrever, sem sucesso. Dizem que você é quem você quer ser, o que você escolhe ser, que você é apenas aquilo que está dentro de você... Não sei. Quer um nome? Uma idade? De onde vim? Seja mais específica.

Garoto confuso. E estranho. De um jeito extremamente irritante e... Atraente. Balancei a cabeça para afastar tal pensamento.

- Vem cá, você é sempre confuso assim? – Ele fita a parede a sua frente.

Mais uma tragada. Uma baforada lenta. Anéis de fumaça saíam da ponta do cigarro lentamente, como se estivessem com preguiça de sair de dentro do embrulho.

- Não.

Silêncio.

Ele ainda estava recostado na parede, parecendo displicente. Sob a luz que emanava da única lâmpada no local, seus olhos derretiam-se. O negro dentro deles se ressaltava de forma contrastante, queimando.

Algo dentro daquele garoto era tão escuro, tão perturbador e tão maligno, que era muito estranho o fato de ele me fazer sentir como se eu fosse apenas luz. Era sobre isso que os poetas e românticos escrevem? Isso é o amor? É o amor então aquilo que te levanta, te carrega, te flutua até a mais alta nuvem, depois te desce, calmamente, lentamente, te girando, acariciando tão ternamente...? É o amor essa sensação que te consome, que te arde o peito, que te faz sorrir por motivos bobos e quaisqueres?

Finalmente, acho que entendo o que Camões quis dizer. Nunca o tinha compreendido até este momento. “Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente”
A antagonia é a única coisa capaz de descrever esse sentimento louco e imprevisível que é o amor. Mas como assim? Isso não pode ser amor. Eu mal o conheço. Estou ficando maluca. Tendo alucinações ou algo do tipo. Só pode ser isso.

Decido falar alguma coisa, só pra conseguir parar a torrente de pensamentos que explodem na minha cabeça.

- Então... Está quente. Por que você fica andando por aí de casaco?

Ele para de focar a parede a sua frente e me fita, como se eu tivesse feito uma pergunta muito idiota.

- É estiloso.

Que tipo de pessoa mais retardada usa uma roupa só por quê ela é estilosa?

Ah, é mesmo. Eu.

Ficamos em silêncio. Mas era um silêncio calmo. Daqueles que se fazem presentes depois que você e sua melhor amiga ficam conversando até tarde, e de repente, vocês param de falar, simplesmente porque não há mais nada a ser dito. Ele terminou o cigarro e se levantou lentamente. A luz fazia com que sua silhueta saísse e entrasse em foco constantemente. Era uma imagem bonita aquela. Ele dançava, sem estar realmente dançando. Sorri com o pensamento que a simples imaginação do fato me trouxe.

- Então, a gente se vê. – Ele falou.

- Você já vai embora?

Era tão cedo... E nós mal tínhamos nos falado direito... Como ele queria ir assim tão de repente?

- Sim, princesa.

Baixei os olhos. Ele havia me chamado de princesa. Ele havia me chamado de princesa. Ele havia me chamado de princesa. Eu poderia apostar que minhas bochechas estavam corando intensamente nesse momento. Agradeci ao fato de que estava extremamente escuro.

- Então, tchau.

Ele veio se aproximando lentamente para perto de mim. Meu coração começou a dar mil saltos. Era uma louca corrida para ele bater o recorde mundial de corações acelerados. Eu conseguia ouvir as minhas pulsações frenéticas ecoando dentro dos meus ouvidos. Havia uma bateria na minha cabeça, pulsando, pulsando, cada vez mais veloz. Meus olhos não encontravam um ponto fixo para olhar. Meus joelhos tremiam, como se eu tivesse acabado de correr uma maratona. As palmas das minhas mãos estavam suadas e meladas.

O seu rosto entrava e saía de foco. As lâmpadas refletiam em seus olhos da cor do breu. Seus movimentos eram tão suaves. Eu achei que já deveria estar ali parada fazia séculos. Meus pulmões haviam se esquecido de como se fazia para puxar o ar. Minha garganta estava apertada e seca. E ele chegava cada vez mais perto. Tão lenta, e mesmo assim, tão rapidamente.

Eu queria que ele se afastasse. Ou pelo menos, tentava me convencer de que queria isso. Porque a cada passo que ele dava, eu me embolava mais, e me perdia dentro dos meus próprios quereres e não quereres. Nossos olhos não se desgrudavam durante nem mesmo um segundo. E eu agora acho que esse era motivo principal de tanta confusão.

E de repente, ele estava na minha frente.

Ele era alto. Eu estava sentada na soleira daquela estreita porta, naquele pequeno pátio, com apenas uma nesga do céu acima de minha cabeça.

Ele se abaixou lentamente ainda, porém ágil como um felino. Ficamos durante um tempo parados. Analisando um ao outro. Nos medindo. Poderíamos ter ficado assim durante muito tempo. Ou pouco. Não estava contando. E acho que ele também não estava. Ou assim eu esperava e ansiava.

Foi olhando para os seus olhos que eu me perdi. Já devo ter comentado o quão interessantes seus olhos são. Com certeza já escrevi parágrafos e mais parágrafos sobre eles. Como eles são loucos e lúcidos, escuros, e mesmo assim, tão claros. Pensando nisso, uma pontada de curiosidade abriu espaço em meu peito. Uma pergunta sem resposta. Eu queria olhá-los mais de perto. E fui me inclinando. Cada vez mais.

De perto, suas orbes tinham bolinhas. Estou falando sério. Elas eram brilhantes. Ou talvez elas parecessem brilhantes porque estavam circundadas pelo negro. Qualquer coisa opaca pareceria iridescente se levando em conta seus olhos.

Ele fechou as pálpebras, e quando me dei conta, seus lábios encobriam os meus. Ele tinha gosto de cigarro e perigo. E, tão rápido quanto ele tinha se inclinado, ele se afastou. Fiquei parada enquanto ele se levantava e ia pra longe.

Eu estava em choque. Foi por isso que, muito tempo depois, quando olhei para cima, ele já não estava mais lá.

Algumas horas depois, minhas amigas me encontraram. Elas me perguntaram se eu estava bem. Respondi que sim, é claro, mas eu ainda estava em choque. Não fizeram mais perguntas. Todavia, me lançavam olhares de esguelha de tempos em tempos.

Eu tentei me recuperar durante o percurso para casa. Realmente tentei. Mas é que orbes negras fitavam me perseguindo a cada vez que eu fechava os olhos. E também lábios. Seus lábios de sabor de cigarro e perigo, que encobriam os meus a cada vez que eu me desconcentrava, e deixavam sobre a minha boca um leve formigamento que nada tinha a ver com a intensidade do nosso beijo. E isso mais que me assustava. Simplesmente me apavorava.

Porque eu não podia suportar a ideia de estar apaixonada, e nem mesmo saber o nome dele.

Notas finais
Gostaram???? Como eu disse antes, não me matem, por favor, por não ter colocado o nome dele. Eu juro que vai aparecer. Só não sei quando, kkkkk. Mas pelo menos eu coloquei um beijinho entre eles. Compensa?
Obrigada pela atenção de todo mundo que está lendo e gostando. Vocês são muito fofos, gente, sério. Muito, muito,muito obrigada por tudo.
Beijooos!