Notas iniciais
Yo
o/

Prendo meu cabelo em um alto rabo de cavalo vendo minha figura pálida em frente ao espelho oval. Dou uma última checada na minha produção que não passava de uma blusa de gola alta lilás acompanhada de um casaco preto que ia até metade das minhas coxas enquanto finalizava com uma calça jeans de lavagem escura e uma sandália de salto alto preta.

Até que não estava tão mal assim considerando que não sabia para onde precisamente o romeno estava me levando.

Pego meu celular e saio do quarto encontrando-o bebendo água deixando que um filete deslizasse de sua boca.

-Deveria ser mais cuidadoso – digo levemente fazendo-o me encarar sem emoção – Que foi? Menti por acaso?

-Pensei que tinha me livrado do seu sarcasmo – ele refletiu vindo ao meu encontro – Só que pelo visto apenas tinha tirado umas férias dele.

-Trágico não? – indago com escárnio enquanto seguíamos para a porta – Agora tenho o direito de saber para onde estamos indo.

-Um pub – ele contou enquanto abria a porta deixando que passasse a frente fazendo uma careta pra ele – Sou cavalheiro caso não tenha notado.

-Em outro planeta – satirizo – Porque nesse, tenho a impressão que você é grosso e muito severo comigo.

-Tenho razões para ser assim – ele se defendeu ao tempo que entravamos no elevador.

-Ah tá – reviro os olhos – Ser deus da guerra é uma formidável desculpa.

-Não é a única que tenho – ele replicou num tom misterioso que me fez virar para olhá-lo – Que foi?

-Você está escondendo algo – sentencio olhando seus olhos.

-Todo mundo tem segredos – ele retorquiu voltando-se seu olhar para a porta. – Ou vai me dizer que não tem nenhum?

-Claro que tenho – digo rapidamente – E você está desviando do assunto de novo.

-Pensei que já estivesse acostumada – ele disse com um leve sorriso aparecendo em seus lábios fazendo-me olhá-lo surpresa – O que foi agora?

-Você está sorrindo – digo o óbvio.

-E? – ele incitou me encarando confuso.

-Nunca sorriu pra mim – conto piscando ainda surpresa – Isso é uma novidade.

-Antigamente ficaria aborrecida se sorrisse pra você – ele contou saindo do elevador comigo em seu encalço.

-O que aconteceu? – pergunto tentando acompanhar seus passos.

-Sobre o que? – ele respondeu confuso.

-O que aconteceu entre nós dois? – explico vendo sua expressão se tornar indecifrável.

-Nada que deva se importar – ele respondeu por fim solene indo para o seu carro não dando chance para que o pressionasse.

Bem, se ele não conta, conheço uma guardiã que não veria problemas em me contar algo.

No caminho ao tal pub permaneço calada, estava mais pensativa que nunca.

Afinal de contas aconteceu alguma coisa no meu passado que ele não quer abrir a boca para contar e ao que parece outras pessoas também não vão traí-lo.

Deixo um suspiro sair da minha boca antes de notar que o carro já estava estacionando em frente ao pub que tinha uma cara de bares britânicos, afinal de contas é isso que é mesmo.

Saio deparando-me com Leon numa expressão meio séria, não acredito que ainda tinha haver com a pergunta que fiz sobre nosso passado.

Tenho o direito de saber o que aconteceu antes para que fosse dessa maneira comigo, se é que fiz algo de errado.

-Está se sentindo mal? – ele indagou ficando ao meu lado.

-Acho que eu é que tenho que perguntar isso – satirizo antes de entrar no estabelecimento vendo as diversas pessoas já bebendo cerveja, já que é a bebida mais comum em pubs.

-Leon! – uma garçonete exclamou vindo ao nosso encontro com um sorriso que penso que vai sair de seu rosto.

Vejo um sorriso se formar no rosto dele também antes dela correr seus olhos azuis pra mim.

-Essa deve ser sua namorada não? – ela indagou sorridente.

-Só se eu estivesse morta e louca – satirizo suavemente.

-Lembra-se da Selena não? – ele indagou ignorando meu comentário.

O rosto da mulher torna a ter uma expressão que poderia classificar como espanto, mas era mais do que isso.

-Guerra – ela murmurou como se fosse uma repreensão.

-Não é o que está pensando – ele logo tratou se de explicar – Selena essa é Rachel, ela é igual a você.

-Em que sentido? – pergunto enquanto íamos para uma mesa acompanhados da mulher.

-Alma – ele respondeu enquanto sentávamos – Seria uma boa conhecer alguém que não está mais na ativa.

-Por qual razão? – pergunto curiosa, tinha algo que não estava prestando atenção.

Ele limita-se a dar de ombros enquanto Rachel retorna segurando um bloco de notas e uma caneta.

-Imaginei que iria te ver logo, Angelique – ela murmurou lançando um olhar irritado para Leon – Só que não queria que fosse assim.

-Desculpe – digo franzindo o cenho – O que aconteceu? Ou o que está acontecendo?
-Ainda não contou a ela? – ela indagou á Leon deixando claro sua irritação.

-Não irei contar absolutamente nada – ele disse solene – Não temos que reviver o passado.

-Não acha que está na hora de parar de protegê-la? – ela replicou.

-Vou dar uma volta – digo saindo de perto dos dois, por mais que queira saber do que estão tratando, prefiro não estar perto quando ela o matá-lo.

Porque simplesmente a achei assustadora.

Retiro meu celular do bolso mandando uma mensagem para Miranda querendo encontrá-la no shopping, estava precisando de alguém digamos “normal” por perto antes que ficasse zangada.

Leon não vai se importar de voltar sozinho ainda mais porque a noite é uma criança pra ele provavelmente.

Guardo meu celular no bolso do meu casaco e começo a caminhar, o shopping era perto de onde me encontrava, afinal tinha o visto no caminho de ida. Bastava apenas tomar cuidado com um certo deus romeno pra lá de poderoso e que precisa urgente de aulas de etiqueta.

O vento frio toca meu rosto fazendo os pelos da minha nuca ficarem eriçados, cruzo meus braços enquanto meus olhos varrem ao meu redor sentindo que havia algo de diferente no ambiente, como se estivesse sendo seguida.

Balanço minha cabeça afastando aquele pensamento.

Pura besteira da minha parte.

Dou mais alguns passos sentindo finalmente a mudança brusca de temperatura já que meus pulmões doíam com cada respiração que tinha que dar.

Estanco de vez afinal de contas alguma coisa não estava certa naquela história, não era apenas a temperatura que continuava a diminuir horrores, mas sim outra coisa.

Uma presença esmagadora e que parecia que ia me sufocar.

A lâmpada que jazia no poste começou a fazer birra de ficar piscando enquanto meu coração já dava pulinhos que penso que foi ter um infarto até o segundo que sinto a potência do meu corpo de contra o poste, fazendo-me gritar de dor.

Ótimo, era isso que me bastava.

-Olá, Raphael – grito sentindo minhas costelas começarem a reclamar da dor.

-Oh – ele disse caminhando na minha direção batendo palmas – Fantástico.

-Você sempre gosta de me lançar de um lado pra outro – satirizo.

Ele deixa um sorriso emoldurar seus lábios antes de ficar a poucos centímetros do meu corpo que ainda estava colado ao poste.

-Por onde vai começar a cortar? – satirizo novamente – Braço, pescoço.

-Que a língua? – ele sugeriu me encarando – Poderia me livrar dela imediatamente, mas no momento quero que me dê respostas e sem mentiras.

-Será que ninguém te avisou que minhas lembranças já eram? – indago retórica – Não me lembro nada que tenha ocorrido enquanto fui uma Guardiã.

-Sean não contou nada? – ele indagou surpreso – Como ele é egoísta não? Deixando a amada tão as escuras, muito trágico.

-O que quer dizer com isso? – pergunto curiosa, isso já estava me deixando louca.

-Que existem dois deuses que anteriormente disputavam por você e agora retornam a fazer isso novamente – ele respondeu categórico.

-Onde quer chegar com isso? – pergunto confusa.

-Você é tão lerda – ele lamentou – Será que não notou nada entre os deuses? Afinal de contas é um corpo perfeito e digamos que ambos quebraram as regras...

-Fala tudo de uma vez! – vocifero sentindo o sangue subir para meu rosto com rapidez.

Ele me olhou surpreso só que antes que tivesse tempo para abrir a boca era novamente pego por Leon que dessa vez nem abriu a boca pra falar algo apenas acertou um soco em cheio nele, fazendo-me ver a fúria estampada em seu semblante.

-Leon! – grito antes que ele desfira outro soco no Raphael.

-Meu deus – Wade disse vindo ao meu encontro amparando-me em seus braços – Controle-se Sebastian.

Ele tinha erguido Raphael que tinha o nariz sangrando, acaba por soltá-lo imediatamente. Ofego sentindo-me desnorteada.

Afinal de contas o que aconteceu, melhor, o que está acontecendo?

Notas finais
Não vou mentir que o cap. foi mediano porque não foi, digito que foi um dos piores que já escrevi, mas acabei esquecendo de boa parte da cena e quando tentei reconstituir é melhor deixar passar.
Só que no próximo foi compensar por esse fiasco.
Assim até lá e fiquem certos, uma verdade vai ser mostrada.
o/