Uso de meu tempo livre para caminhar pelo bosque que tomava conta da parte sul do colégio, na verdade é um ótimo lugar se você quer passar o tempo apenas consigo mesma ou então apenas para sair da zona que é a cantina nessa hora.

Ainda estava rememorando como iria falar para Edgar que não o queria nem hoje nem nunca.

Ele tivera tido a idéia genial de se declarar para mim dois dias atrás precisamente, não quero magoá-lo. Na verdade não me importo com isso, apenas quero que ele entenda claramente e sem rodeios que não gosto dele.

É um cara legal... Devo parar com isso.

Ele não é legal para mim, nunca foi, não sei o que deu nele para ter feito o que fez.

Edgar fazia parte do clube de química, não parecia, na verdade poucos são os que parecem que fazem parte desse ou daquele grupo para ser franca.

Sento-me embaixo de uma arvore de copa gigantesca e o tronco parecia mega velho. O que me fez deduzir que ela era bem velha, deixo que o vento meio frio acaricie meu rosto enquanto fecho os olhos e encosto minha cabeça no tronco pensativa.

É a única coisa que tenho feito ultimamente, pensar.

-Para! – grita alguém um pouco longe.

Abro meus olhos vendo que não havia ninguém por perto, levanto-me me adentrando mais no bosque querendo obviamente saber quem acabara de gritar. Mas nenhuma voz retorna a emitir som, assim prefiro voltar para minha antiga posição quando estanco vendo que o romeno vinha na minha direção com uma expressão seria.

O que ele está fazendo ali?

-O que veio fazer por aqui? – pergunta ele serio me olhando.

-Descansar – respondo voltando para onde antigamente estava – Esse lugar é relaxante.

-Volte para a cantina – pedi ele mais parecendo uma ordem.

Arqueio uma sobrancelha, mas depois prefiro fazer pouco caso de seu pedido e me encosto na arvore novamente deixando-o me olhando com a cabeça tombada de lado.

Afinal de contas o que ele está fazendo ali?

-Anda conhecendo o colégio? – indago com os olhos fechados.

Sem receber nenhuma resposta, abro os olhos deparando apenas com o bosque silencioso como sempre, sem vestígios de sua passagem.

Retorno a fechar meus olhos, esquecendo o pequeno encontro casual que tive com o romeno tornando a me concentrar no meu pequenino dilema que ainda precisava de solução.

-Sel? – me chama Edgar certamente.

Abro os olhos e confirmo vendo sua figura magra, com piercing na boca, olhos azuis escuros, a pele branca como neve e a sua altura mediana.

Ele tinha as mãos dentro dos bolsos da calça, parecia incomodado com algo.

Será que fora a escolha de seu fora?

-O que decidiu? – pergunta ele me encarando ansioso.

Dou um rápido suspiro antes de olhar em seus olhos sem tibutear.

-Não posso fazer isso – respondo solene – Não curto esse lance de amor que você tem por mim e quero que saiba se eu levasse isso pra frente acabaria por magoá-lo.

O silencio instala-se entre nós, certo de que não seria eu quem iria quebrá-lo. Edgar dá um passo na minha direção hesitando, analisando minha reação, mas como não me movi ele avançou até que sua mão estava na minha nuca e ele depositava um beijo amável na minha testa.

-Decisão sábia – ele diz se afastando em seguida.

Pisco tentando me reencontrar após essa atitude amigável de Edgar.

Esperava por algo mais dramático, mas cheio de remorso ou indignação.

Só que sem nada disso, é como tirar um peso irritante de minhas costas.

O vento assobia uma segunda vez e uma risada permeia meus ouvidos novamente.

Deixo aquilo para lá.

Deveria ser fruto de minha mente que estava em um estado que talvez não fosse de lucidez.

Ah fala serio.

Quem vou enganar?

Estou perfeitamente normal. Não bebi, não bati minha cabeça em lugar algum.

Então não é fruto da minha imaginação, a risada que ecoa mais uma vez no bosque fazendo-me ficar de pé no mesmo segundo.

Começo a girar ao meu redor procurando a direção de onde vinha à risada, mas era pior que achar um brinco no chão. Vinha de todas as direções às risadas.

Trinco meus dentes e caminho para norte procurando saber se minha intuição estar certa.

Novamente a risada invade meus ouvidos deixando-me tensa para ser franca. Estanco em frente uma arvore de sei lá quantos metros, já que não vejo a copa apenas os galhos e em um deles havia alguma coisa brilhante que chega me ofuscar que escondo meus olhos com a palma de minha mão.

Quando a luminosidade fica menor, torno a olhar para o galho só que não havia nada mais lá apenas uma pena azulada que deslizava pelo ar vindo pousar em minhas mãos deixando-me por um segundo intrigada.

Analiso a pena por mais um minuto antes de me lembrar que precisava retornar para o colégio e assistir as ultimas aulas que restavam.

Apresso o passo quando chego ao corredor da minha sala retribuindo os cumprimentos das pessoas que passavam por mim. Entro na sala pedindo desculpas ao professor de geografia que apenas assenti com a cabeça antes de retornar a explicar sobre as causas do aquecimento global.

Em vez de estar aqui na sala, ele bem que poderia estar em uma praça com um alto-falante na boca e esbravejando sua injuria para as pessoas do que para nós que temos consciência de tudo que ele falava.

-Selena – alguém me chama atrás de mim.

Volto-me para trás vendo que o lugar do romeno estava vazio. Retorno meu olhar imediatamente á garotinha de voz estridente que também pode ser conhecida como Miranda.

-Existe uma vaga no grupo de dança – conta ela o mais baixo possível – Se quiser ela, deve ir à secretaria depois de bater o sinal.

-Não querem conversar mais lá fora, garotas? – indaga o professor completamente irritado.

-Não precisa – disse Miranda endireitando-se, o que fiz na mesma hora.

Grupo de dança...

Alguns podem achar que seria um tremendo porre entrar numa coisa dessas, mas achava interessante quando via as apresentações do grupo que deixava muita gente de queixo caído e faziam que muitos outros engolissem o que poderiam ter dito.

Bato a caneta no meu caderno enquanto o professor fazia um lindo desenho no quadro quando o romeno; tenho que parar de chamá-lo assim, bate na porta pedindo desculpas por seu atraso.

-Acabei me perdendo pelos corredores – esclarece ele todo sem jeito, o que faz as meninas falarem coisas meigas para ele.

-Tome seu assento – instrui o professor detestando aquela troca de atenção para o novato.

Notavelmente Leon deixa seus olhos azuis caírem sobre mim deixando entrever nada alem de opacidade, assim penso eu. Sinto a leveza da pena que trouxera comigo no bolso da minha calça, não me pergunte como sinto, só apenas sinto.

Levei minha mão a boca escondendo meu bocejo, se o professor me visse fazendo isso era certo que estaria um segundo depois fora de sua aula.

Nunca tinha visto professor tendo TPM.

Dessa vez penso com alivio que sua aula tenha acabado, arrumo minhas coisas com Miranda me instigando a ver sobre a vaga no grupo.

-Está bem – concordo com ela me empurrando para fora da sala – Irei ver isso agora.

Ela bate palmas dando um pulinho no meio do corredor, fazendo metade dos alunos a olharem curiosos.

-Ninguém viu – disse ela sonoramente enquanto eu revirava os olhos saindo de perto dela.

A secretaria ficava em outra parte medonha do colégio que me exigia uma pequena velocidade na minha caminhada.

Bati apenas três únicas vezes na porta de vidro translúcido antes que pudesse haver um consentimento antes de entrar. Girei a maçaneta e entrei me deparando com a toda esquisita senhorita Roldener passando álcool gel nas mãos.

-Angelique – disse ela pronunciando meu nome do meio com um rápido sorriso – Qual fora o problema?

-Soube que o grupo de dança possui uma vaga – comentei leviana ajeitando minha blusa também desejando que a vaga já estivesse preenchida.

Ela me olha por um segundo antes de remexer numa gaveta de sua mesa procurando a papelada necessária para verificação.

-Está com sorte – disse ela olhando um dos papeis – Existem não apenas uma vaga, mas cinco.

-Como é? – perguntei um pouco surpresa, não é habitual um único clube ficar com tantas vagas em aberto.

-Realmente é estranho – ela mordeu o lábio inferior – Mais quer entrar no grupo?

Ponderei a idéia por dez segundos exatos.

Era pegar ou largar.

Não havia terceira opção.

-Quero – confirmei seria já me vendo rodopiando dentro de uma sala.

Ela me entregou alguns papeis.

-Preencha isso tudo e me entregue até o final da aula, certo? – indaga ela me encarando curiosa – Por que resolveu entrar justamente para dança?

A olho por um tempo.

Curiosidade mata minha senhora.

-Eu não sei – disse sincera me retirando de sua sala.

Entrei na sala, pedindo desculpas a professora magrinha de espanhol que falava gesticulando rapidamente sobre algum texto que iria ser a atividade de sua aula.

Leon me acompanhava com os olhos enquanto ia para minha carteira sentindo pela primeira vez o desconforto de ter aqueles olhos sobre mim tão intensamente.

-Sebastian não tira os olhos de você – cochicha Miranda com um risinho.

-Mesmo? – indago desinteressada pegando minha caneta para preencher o formulário.

-Claro sua boba – disse ela dando um tapinha em meu ombro.

-Mal para ele – replico acida.

-Não diga que não o acha bonito? – indaga ela retórica

-Ele e metade do colégio também – replico usando de minha acidez novamente enquanto minha mão rapidamente assinalava o formulário – Não me contou que havia tantas vagas assim no grupo de dança.

-E não tem – disse ela convicta

-Roldener disse o contrario – discordei passando para a outra folha do formulário.

-As demais vagas são destinadas aos novatos – explica ela dando um bocejo – Semana de alunos de intercambio, Selena. Ou se esqueceu disso?

Digo um “Ah” e concentro-me totalmente na minha atividade.

Sinceramente havia me esquecido dessa semana onde sempre recebemos alunos de outros paises para a temporada do ano letivo. Por isso que o romeno estava aqui.

De onde seriam os outros?

-Senhorita Cross – chama a professora

Ergo a mão e depois o olhar para ela que assenti terminando de fazer a chamada enquanto minha mão esquerda termina aquela ladainha de formulário.

Endireito-me na minha cadeira sentindo a pena em meu bolso fico tentada em tirá-la de lá, mas vai que as pessoas acham estranho ou coisa parecida?

Não, não, melhor não.

O sinal toca depois de mais alguns minutos me libertando daquela embromação latina que me deixava louca.

Simplesmente não gosto de espanhol.

Bato a porta da secretaria e sou atendida na primeira batida.

Entro na sala deparando-me com Roldener mexendo nos enfeites que havia na estante atrás de sua mesa.

Ela parava um segundo quieta.

-Acabou? – ela indaga me analisando.

Estendo o formulário a ela que vê se tudo está certo e logo depois balança a cabeça afirmamente.

-Os treinos do grupo de dança são imprevisíveis – conta ela dando a volta na sua mesa – Mais soube que haverá um amanhã depois das aulas, no salão da ala oeste. Assim deve estar lá sem falta.

Faço que sim com a cabeça e depois saio da sala acabo dando de cara com um casal vindo na minha direção.

E que casal.

Ela era uma morena alta, com o cabelo castanho quimicamente liso deslizando de um ombro até bater na sua cintura, os olhos eram negros como a noite e suas curvas eram altamente claras que quase apagavam o sorriso de seus lábios.

O rapaz por outro lado era baixo, loiro de olhos verdes, a pele rósea sendo mais proeminente em suas bochechas, havia músculos mais evidentes como de seus braços.

Deixo a porta aberta para que eles pudessem entrar na sala.

-Oi – me cumprimenta a morena acenando para mim deixando seu sotaque latino, talvez cubano evidente.

Dou-lhe um sorriso e depois me afasto deixando-os conversando com a secretaria.

Pelo visto tinha conhecido dois estrangeiros.

A garota latina e o garoto?

Possivelmente inglês ou então francês.

Um dos dois.

Entro na sala sem professor ainda, mas com todos decidindo o que fazer no fim de semana que seria depois de amanhã. Miranda vem até mim com a curiosidade em seu rosto pequeno.

-Conseguiu? – ela indaga ansiosa

Faço que sim com a cabeça deixando-a alegre com um sorriso nos lábios largos.

-Terei mais companhia no grupo – disse ela feliz.

-Faz parte do clube também? – indago arqueando uma sobrancelha.

Ela balança a cabeça com fervor enquanto contraio meu corpo inteiro pensando nas horas que terei que passar ao seu lado.

Tenho todos os motivos para não ter que aturá-la.

Numero um, ela é irritante, segundo uma fofoqueira de primeira que não se deve contar nada caso não queira ter seu segredo na primeira pagina do jornal escolar.

Dou um sorriso forçado e depois retorno minha atenção para rua que mostrava seus pedestres, os carros dos mais diversos estilos.

Completamente imersa nisso que não paro de prestar atenção nas conversinhas paralelas que corriam na sala.

Até ouvir um assobio de um dos garotos.

Retorno meu olhar para dentro da sala ficando surpresa ao ver que a morena de antes estava com metade de seu corpo dentro da sala e procurava por alguém.

-Selena Cross? – ela me chama depositando seu olhar em mim que me levanto antes que ela termine de pronunciar meu nome completamente – Venha comigo.

Notas finais
O que vocês acham que a morena vai aprontar pra cima da Selena?