Notas iniciais
Hora de apresentar mais alguém.

Suava com violência me remexendo na cama.

A ardência em meu braço não diminuía tão logo e minhas costas doíam por conta da cicatriz provocada por Sean.

Abro meus olhos sentando-me na cama encostada no topo dela.

Meu cabelo era uma bagunça só, mas nem me importava com isso.

O calor que meu corpo emanava não era normal. Não sentia tanta dor, mas era desconfortável.

Meus olhos novamente se fecham de maneira brusca e...

Não sei se esboçava surpresa de estar em um novo ambiente ou se gritava como uma desesperada correndo pelas vielas que via mais abaixo do morro.

O céu exibia um azul límpido acompanhado de nuvens brancas que não escondiam o sol que queria torrar minha cabeça, possivelmente.

As casas eram todas de estrutura colonial, remetidas ao século XVII ou XIX, não me arriscaria a chutar tão rapidamente, o cheiro que emanava de qualquer lugar era de plantas molhadas, mas via apenas uma grande floresta que se estendia á leste tomando boa parte da minha visão.

Risadas por entre ela me chamaram atenção que tive por um segundo a vontade de correr alameda abaixo se não fosse o fato de que vi figuras se moverem com agilidade impressionante por entres as plantas, me dando a sede de querer saber quem eram.

Na real, o que eram.

Aperto meu casaco que surpreendentemente estava usado de contra o meu corpo, mas de maneira protetora do que para aplacar o frio que fazia nas imediações da floresta.

Dei ainda mais uma olhada para as casinhas jeitosas que estavam com janelas e portas fechadas que me pergunto se era por medo ou o quê.

Balanço a cabeça afastando aqueles pensamentos e entro de vez na floresta me arrependendo de imediato por ter feito.

Já que a maldita risada de Ária ressoa ao meu redor com a força de um carro em velocidade máxima. Trinco meus dentes e cruzo meus braços abaixando minha cabeça.

Não havia trilha alguma e tinha que tomar muito cuidado para não tropeçar nos emaranhados de galhos que se empilhavam no chão.

-Corra mais, Johan – instiga uma voz cantada por minhas costas.

Uma onda de temor corre por minhas veias.

E no segundo seguinte apenas noto que meu corpo tomara a decisão por minha mente.

Corria o máximo que podia, mas não ouvia nenhuma risada apenas o som de meus pés pisando nas folhas secas ou dos galhinhos arranhando minha pele.

Não sabia porque estava correndo, mas algo me dizia que era melhor correr do que ficar parada esperando pelas pessoas que corriam pela floresta.

Um grito sai da minha boca ao segundo que minha passagem é bloqueada por um homem de aparência nada amigável, os olhos vermelhos por completo, o cabelo repleto de folhas secas, bagunçado apesar de manter-se liso e o dourado de outrora.O corpo magro, mas com os músculos bem desenvolvidos estava meio inclinado na minha direção numa posição ofensiva.

Giro em meus próprios calcanhares na tentativa de seguir outro caminho, mas uma mulher com uma aparência ainda mais assustadora bloqueia-me.

Ela possuía o cabelo ruivo, colocado de lado em forma de longa trança, os olhos lembravam os de uma cobra em todos os sentidos, a pele de marfim deixava alguns arranhões claros, era alta e atlética, parecia para mim tenebrosa.

-O que temos aqui – disse ela com um sorriso fantasmagórico formando-se em seus lábios – O que acha, Johan?

-Que teremos um banquete devido hoje – responde o rapaz que estava por minhas costas.

Enrijeço em um segundo.

Como poderia escapar agora?

Minhas pernas estavam me deixando na mão e por mais que gritasse mentalmente Sean não me dava ouvidos, parecia morto.

-Terão uma má indigestão se me comerem – alerto querendo ganhar tempo arrumando uma maneira de sair dali.

Os dois gargalham.

A ruiva dá um passo para frente enquanto recuo um.

Pense, Selena.

Ela faz um biquinho antes de passar a língua nos lábios.

-Que parte você irá querer, Johan? – pergunta ela dando mais um passo na minha direção.

-Vai ter que ficar pra próxima – digo correndo na direção oeste.

Não sabia onde me levaria, na verdade se seria capaz de agüentar correr em comparação aquela dupla que parecia voar no meu encalço.

Meu coração dava pulos querendo sair da minha boca para dançar samba na minha frente. Minhas pernas reclamavam do grande esforço que estava fazendo, mas não podia parar quando dois seres querendo provar da minha carne estavam nas minhas costas e pareciam diminuir a distância existente.

Fecho os olhos por um segundo, querendo enfim acordar do sonho, mas não é tão simples como se pensa.

Queria estar no Distrito 15 que parecia ser bem mais saudável do que aquela cidadezinha macabra que estava me saindo melhor do que filme de terror de quinta categoria.

Desvio de uma arvore quase escorregando por conta do musgo que havia no chão, pulo depois um tronco velho vendo que na minha direita Johan mantinha-se na minha velocidade praticamente emparelhado a mim. Lançou-me um sorriso triunfante antes de desaparecer aos meus olhos e no segundo seguinte agarra-me por trás me derrubando.

Acabo batendo meu rosto com tudo no chão, o que me faz soltar um gemido de dor.

Ele me vira, ficando em cima de mim prendendo meus braços sobre minha barriga.

Um sorriso estava estampado em seu rosto enquanto me debatia freneticamente querendo sair daquele abraço, mas a sua força era maior que a minha certamente.

Uso de minhas pernas, sendo que meu joelho acaba por acertar suas costas o que faz com que ele caia de lado me xingando.

Ergo-me no mesmo instante e ponho a correr de novo sem saber que direção ou rumo tomar, apenas meu cérebro emitia que devia permanecer correndo que uma hora chegaria em algum lugar, mas onde?

Minha respiração finalmente ficava mais difícil e correr pior ainda.

Sentia que Johan estava ainda no meu encalço, mas da ruiva nem sinal de sua mais tenebrosa presença, isso até ver que ela me seguia pulando de galho em galho, como a macaca que era.

Solto um gemido de lamentação.

Não conseguiria lidar com aqueles dois.

Não lidava nem com um, imagine dois!

Acabo tropeçando em uma raiz que me faz ir ao chão apoiando-me em minhas próprias mãos para amortecer a queda, apesar de engolir um pouco de terra e folhas secas.

Então como numa lentidão impressionante Johan e a ruiva caminham lentamente ao meu encontro com sorrisos prazerosos nos lábios e os olhos mais que famintos já me devorando com os olhos.

Arrasto-me pelo chão querendo manter ainda a distância que os impedia de saltar sobre mim engolindo-me, mas algo que nem mesmo sei explicar ocorre.

Um clarão se sucede fazendo a dupla cobrir os olhos com as mãos e forçadamente serem repelidos de perto de mim desaparecendo em pleno vácuo.

Busco oxigênio com a mesma vontade de saber o que ocorrera com eles, mas braços fortes erguem-me trazendo-me de volta para o presente.

-Não está machucada? – indaga o homem todo prestativo.

O encaro perplexa.

Seus olhos negros como a noite era a marca registrada do corpo alvo atlético e que lembrava o de Seth, apesar de ser mais assustador, o cabelo castanho dourado ia até sua nuca com fios caindo por sua testa, mas o impressionante era a mascara que jazia de um lado de sua cabeça ocupando boa parte de sua cabeça e pegando até o inicio de seu olho.

Afasto-me dele temerosa.

Não parecia ser uma figura segura, não depois de ter dois canibais em minha perseguição.

-Quem é você? – pergunto tropeçando nas palavras, ainda estava meio em choque para ser franca.

-Não deveria primeiro me agradecer por salvar sua vida? – replica ele retórico franzindo o cenho.

-Faria isso se soubesse com quem estou lidando – devolvo com o ar de superioridade na voz e no olhar, na verdade não sabia de onde estava tirando tamanha presunção.

Um belo sorriso que me lembra o de Leon aparece no rosto dele, o que acaba baixando minha guarda.

-Me chamo Jax – apresenta-se ele sacudindo os ombros – E você, quem é?

-Selena – respondo hesitante – Valeu por ter salvado meu pescoço e...

Paro ao notar o choque passando por seu rosto e parar numa expressão indecifrável. Ele avança sobre mim com passos rápidos e precisos.

-É um prazer revê-la novamente, Angelique – disse ele agarrando meu pulso – Mais esse lugar não é seguro para você.

-Como pode me conhecer? – pergunto atônita por ele me chamar por meu segundo nome e me dizer tais coisas.

-Os Arrancars não podem te encontrar aqui – disse ele alheio a minha pergunta arrastando—me em direção a uma arvore.

-Arranca o que? – pergunto sem entender nada.

-Arrancars – ele me corrige – São a raça gerada da relação dos deuses com os demônios, não queremos que eles te encontrem.

-Do que está falando? – pergunto fincando meus pés no chão.

Ele bate uma única vez no tronco velho que abre uma grande fenda no meio deixando-me ver outras árvores e tudo mais.

-Vá e fique perto de seus guardadores – instrui ele me empurrando rumo a fenda – Vá quando ainda possui tempo.

-Jax, me explica o que está havendo – peço quase suplicando.

Ele me olha compadecido.

-Sua vida é mais especial e valiosa do que você pensa, Selena – conta ele solene – Muitos te querem morta, o quanto antes.

Antes que pudesse abrir minha boca algumas pessoas cobertas por capas vermelhas rubras com os capuzes cobrindo seu rosto aparecem querendo cercar Jax que me empurra de vez na fenda e depois apenas sinto as lágrimas descendo de meus olhos ao notar que me encontrava em algum lugar de Vancouver.

Notas finais
E a esperada discussão acontece no próximo cap.
Até mais.
o/