Dangerous
8 I Wanna Be Yours
Notas iniciais
— Aqui estamos nós. — Digo depois de recuperar um pouco do fôlego. — Dividindo a mesma cama...
— Sem piadinhas para você também, Molly Hooper. — Ele diz de forma séria, mas quando me atrevo à olhá-lo; ele sorri. — Não tem nada de errado em... Dividir a cama.
— Pode me dar mais espaço? — Ouço sua gargalhada. — Não é uma piada. Por qual motivo tenho que me sentar na beira da cama...
— Quando nós dois sabemos que você já se deitou aqui há aproximadamente vinte e quatro horas atrás? — Completa minha frase da pior forma, me deixando sem jeito.
"Controle-se." Repito o comando algumas vezes até a vontade de socá-lo ir embora. Paro de pensar por algum tempo e apenas olho para ele. Sherlock Holmes, ao meu lado, de pijamas azuis. Os cabelos mais bagunçados que o normal, os olhos tão indecifráveis como sempre e os lábios levemente rosados por conta do chá extremamente cor de rosa.
— Uma moeda por seus pensamentos. — Ele disse de repente.
— Gosto da forma com que a manga direita do seu pijama está dobrada. — Sorrio. — Te deixa absolutamente sexy.
— Molly! — Suas bochechas ficam mais violentamente coradas do que os lábios.
Indiscutivelmente a visão do paraíso... Sherlock e suas bochechas coradas. Quero beijá-lo. Constantemente à beira de tentar beijá-lo à qualquer momento. Mais do que nunca. "Controle-se." Repito mais algumas vezes enquanto respiro fundo — sem me preocupar com o fato de tê-lo me observando o tempo inteiro... Ele sabe que estou à beira de um colapso. Ele sabe que se eu explodir, o resultado será... Interessante.
— Controle-se. — Ele sussurra, tentando parecer confiante. — Mas se vamos ter esse tipo de conversa... Seu novo corte é selvagem, sua nova atitude é agradável e seu batom lhe caiu bem.
— Mas... — Ele inicialmente tinha acreditado que eu estava sem batom... Por ser discreto e... Não importa!
Faz sinal de silêncio — colocando o dedo indicador sob os lábios, parecendo ainda mais sexy — e sorri de forma sedutora. Sherlock se move de forma rápida e me dá o espaço que havia pedido. Me deito ao seu lado. A cabeça fluindo com milhões de pensamentos... Tom... Não, Tom não. Não agora. "Cala a boca, consciência." Penso, me sentindo naturalmente bêbada. Bêbada com a presença dele.
— Aqui estamos nós... — Encaro-o e sorrio. — Desculpe, mas não posso poupar o momento... Aqui estamos nós, deitados na mesma cama. Isso é...
— Estranho. — Seus olhos grudados nos meus.
Milhões de estrelas em seus olhos. Brilhando e penetrando minha alma. Pedindo autorização para ler minha alma... Colocando em melhores palavras, já lendo minha alma sem pedir autorização alguma.
— Então é isso. — Coloco minhas pernas sob as dele.
Sinto seu calor, mesmo com o tecido de algodão de seu pijama entre nossas pernas. Seus olhos ainda grudados nos meus, um sorriso brincando em seus lábios.
— Uma promessa de lhe fazer chá sempre que quiser por seus pensamentos? — Tento, erguendo uma das sobrancelhas.
— Queria entender o motivo de estar estampado na sua camisola. — Aponta para minha barriga, onde a estampa está localizada.
Continuo em silêncio e observo sua mão se aproximando do desenho e tocando-o. Um Sherlock fofo e com cachos adoráveis estampado na camisola preta — a que eu jurei que ele nunca veria — um sorriso bastante psicopata no rosto do pequeno detetive e um balão indicando sua fala... "I took your pulse."
Não pude deixar de sorrir enquanto sentia seu dedo indicador frio passeando pela minha pele — mesmo por cima da camisola. Nosso contato visual quebrado, ambos olhando para o mesmo lugar. Não consigo resistir e volto a encará-lo. Ainda sentindo seus dedos dançando sob minha barriga. Ainda vendo-o encarar o desenho.
— Eu não sou... — Os olhos ainda grudados no próprio auto retrato. — Fofo. Sou?
— Você... É...
Não encontrei nada para continuar. Não sabia o que dizer. Não queria saber. Só queria continuar ali, sentindo seu toque e olhando seu rosto. A melhor sensação do mundo.
— Olhe para mim. — Peço, corajosamente levando minha mão ao seu queixo.
Tocá-lo parece o paraíso. "Como alguém pode ser tão magicamente misterioso?" Finalmente, ele volta seus olhos aos meus. E ficamos por alguns segundos em silêncio. Sua mão ainda no mesmo lugar, a minha também. Não sabia o que estava acontecendo, ao certo, mas daria qualquer coisa para saber o que estava passando pela cabeça dele.
— Molly Hooper, você é a pessoa mais atrevida que conheço. — Foi o que ele disse enquanto um sorriso maravilhoso brincava em seus lábios. — Você não é uma boa garota. Não é! Você é algo que eu não recomendaria à um homem são. Sabia disso?
— Devo me sentir ofendida?
— Homens sãos não têm capacidade de prendê-la. — Sua expressão passou de divertida para desafiadora. — Nunca terão.
— Sherlock... — Sussurro.
Não quero parecer fraca. Não quero parecer uma idiota... Mas é impossível me manter indiferente. Ele altera toda a atmosfera e faz à cada minuto um pouco mais difícil o movimento simples de respirar.
— Não estrague o que eu estou tentando dizer. — Afasta sua mão da estampa da camisola e leva o mesmo indicador aos meus lábios.
Mandando-me calar a boca e fazendo meu coração acelerar de forma audível.
— Eu não acho que homem nenhum a mereça, Molly. — Sua expressão séria, distante, impassível como uma pedra. — Você é demais para todos eles.
Sorrio involuntariamente. Elogios de Sherlock Holmes... "Isso realmente está acontecendo?" Respiro fundo e tento me controlar.
— E claro, eu não posso estar ao seu lado, sendo quem eu sou. — Sua expressão pareceu triste por alguns segundos, mas passou. — Não posso colocá-la em perigo por um capricho dessa corpo imbecil que carrego junto com o cérebro. Eu não posso me deixar fazer isso. Você entende?
Balanço a cabeça, sem palavras na cabeça para respondê-lo.
— Mas... Essa noite... Talvez eu só queira ser... — Dá uma pausa. Parece difícil para ele dizer o que está prestes à dizer. — Seu.
Sinto meu raciocínio parar. Nada funciona, nenhuma parte do corpo. Minha mão em seu queixo se afasta involuntariamente. Sinto-me de repente tão assustada e incapaz de compreender aquela palavra de apenas três letras... "Seu."
— Quantos segredos você consegue guardar? — Sorri.
Não consigo responder. Me sinto paralisada e bastante idiota por não conseguir fazer nada. Observo-o enquanto — com bastante diversão no rosto — se aproxima lentamente e leva as duas mãos aos meus cabelos. Sinto-o soltar o rabo-de-cavalo de forma delicada e depois afundar as mãos entre os fios.
Um arrepio percorre meu corpo inteiro. Fecho os olhos e relaxo, sentindo-o se aproximar ainda mais. Minhas pernas agora presas entre pernas dele, seu corpo se posicionando acima do meu, as mãos puxando meu rosto com cuidado e — finalmente — sinto seus lábios nos meus.
— Eu quero ser seu. — Sussurra antes de me beijar novamente, dessa vez de forma mais profunda e violenta.
"Secrets I have held in my heartAre harder to hide than I thought
Maybe I just wanna be yours
I wanna be yours, I wanna be yours"
Arctic Monkeys — I wanna be yours
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