Dangerous

16 Baby Holmes part I


Notas iniciais
aeeeeeeeeeeeeeee, vamo lá

— Entenda isso, meu irmão... — Sherlock falava pausadamente, enquanto se enrolava nos lençóis de onde se recusara à sair. — Se alguém tocar em Molly, essa pessoa vai sofrer. E eventualmente, morrer.

— Eu cuido disso, Sherlock. — Mycroft continuava de pé, fitando o irmão mais novo encolhido no sofá. — Sua querida Molly te mandou dormir no sofá?

— Eu durmo no sofá por escolha minha. Quero que ela se sinta confortável. — O moreno revirou os olhos. — Não que isso seja da sua conta, Mycroft.

— Mas isso não o impede de ir até o quarto enquanto ela dorme e se deitar por uma ou duas horas ao lado dela todas as noites, certo, irmãozinho?

— Por favor... — Sherlock escondeu o rosto com o lençol. — Vá embora.

— Eu sei que está totalmente envolvido com a sua querida... Esposa. — Mycroft caminhava até a porta enquanto falava. — Mas tome cuidado, querido irmão.

Sherlock pulou do sofá, exibindo-se apenas de cueca para o irmão mais velho. Mycroft mostrou sua pior careta e revirou os olhos. Por que seu irmão seria sempre tão infantil?

— Se qualquer pessoa tentar ferir Molly Hooper, vai prestar contas comigo. — Empurrou o irmão para a saída. — Agora vá. Eu cuido da minha família.

— Mamãe vai gostar de...

— Já conversei com ela. — Colocou o irmão do outro lado da porta. — Adeus.

Então bateu a porta. Em seguida, revirou os olhos. Já era a segunda semana na companhia de Molly e mesmo assim, ele já sabia que ela havia mudado tudo. 221B estava mais organizado do que nunca. Tudo no seu lugar. Tudo cheirando extremamente bem. Com um freezer no canto da sala especial para o armazenamento de partes do corpo humano e a geladeira livre de todas aquelas coisas nojentas. Molly sentia o estômago revirar só de imaginar partes do corpo humano guardadas junto com sua comida.

Por isso ela havia limpado a geladeira no mínimo quatro vezes nas últimas duas semanas. Tinha abastecido com comidas que não estavam vencidas. E claro, proibido o detetive de guardar outras coisas estranhas ali. Por esse motivo ela trouxe o presente; um freezer especial para partes do corpo humano. Molly era perfeita.

Ela não podia enfrentar situações muito fortes. Sua gravidez era de extremo risco — como Mary já havia explicado mais de mil vezes para o detetive. No mesmo dia da fecundação, o corpo de Molly fora atacado pelo veneno da cobra, por isso haviam milhões e milhões de chances de haver alguma complicação. Era perigoso. Por isso ele evitava qualquer tipo de briga e discussão. Se Molly queria algo, ela ia ter o que quisesse. Seriam os nove meses mais tranquilos da vida dela, se isso dependesse de Sherlock Holmes.

Sherlock esquivou-se do piano no meio da sala e caminhou lentamente até o quarto. Molly dormia como um anjo. Abraçando um travesseiro fofo enquanto um sorriso estava estampado no rosto dela. Se Sherlock pintasse, ele faria uma pintura dela naquele exato momento. Mas ele não sabia pintar. Por esse motivo, depositou um beijo na testa de Molly, outro em sua barriga e se retirou do quarto. Sentou-se na sala e pegou seu violino. Não sabia pintar, mas ainda sabia compôr. Ia compôr uma música para ela.

Os três meses que passaram beiraram a barreira do impossível. Molly sentia-se vivendo em um sonho. Sherlock trabalhava muito durante a tarde e deixava-a sozinha em Baker Street — ou na companhia da Sra. Hudson — para que aproveitasse seu dia. Foram milhares de faxinas, limpezas e mudanças até que Molly se sentisse exatamente à vontade.

Todas as noites, ele se despedia dela e do bebê e ia dormir na sala. Mas Molly não fingia não notar quando bem mais tarde ele se arrastava até a própria cama e se deitava ao lado dela. Ela sentia o conforto do corpo dele e os braços fortes envolvendo sua barriga, e quando estava acordada os dois passavam a madrugada inteira trocando carícias e beijos.

Quando comentou que gostaria de voltar à tocar piano, no dia seguinte havia um piano magistral no meio da sala. Ele mantinha o quarto de John fechado e sempre dizia que estava em reformas e que ela teria uma surpresa em alguns meses — Molly havia visto-o uma semana atrás levando roupas de bebê para o quarto, mas ainda fingia que não sabia que ele estava montando o quarto do herdeiro Holmes.

No casamento de John, os dois não se desgrudaram por um minuto. Molly se enjoava facilmente com as comidas de casamento, enquanto ele tentava escolher o que seria "menos ruim" para que ela comesse. Então ele fez seu discursso de padrinho e Molly explodiu em lágrimas. Era tão emocionante estar grávida.

No momento da valsa, ela não conseguia tirar os olhos dele. Se perdeu em milhões de pensamentos. Pensava no quanto estava apaixonada e no quanto ele parecia um anjo enquanto tocava aquele violino... E ele, apesar de perdido na valsa, reparava os olhares de Molly.

Assim que a valsa dos noivos acabou, Sherlock pediu licença para tocar outra música. De forma alguma, alguém negaria. Ele tocava tão bem e estava sendo tão agradável no casamento de John que ninguém ousaria negá-lo algo tão simples.

— Compus essa música enquanto observava um anjo. — Ele sorriu. — Ou dois anjos... Que seja.

Então sorriu discretamente para ela e atirou-a uma rosa — que antes estivera presa em seu traje de padrinho. Molly jurava que podia escutar seu próprio coração explodir de tanta emoção. Ele era tão perfeito!

Enquanto ele tocava a música, Molly reconheceu-a rapidamente. Ela sempre acordava àquele som e ia procurá-lo na sala. Por vezes, se sentava ao piano e acompanhava-o, recebendo um olhar tão cheio de orgulho e felicidade — que por Deus, Molly jurava que iria explodir se recebesse mais olhares como aqueles.

Os dois dançaram até os pés de Molly doerem na festa. Sempre com a preocupação exagerada de Sherlock. Sempre com aquelas perguntas que já haviam se tornado habituais... "Você precisa de alguma coisa, Molls?" Ele perguntava de cinco em cinco minutos. "Acho melhor nos sentarmos." Ele dizia, quando reparava que já haviam dançado muitas músicas. "Molls, você está bem?"

— Quando eu estiver cansada, eu juro que vou te avisar. — Molly segurou o rosto do detetive e beijou-o.

Foi um susto. Eles não costumavam se beijar muito — exceto nas madrugadas em que ele se enfiava na cama de Molly e ela o pegava desprevinido. Mas ele apenas segurou a cintura de Molly e continuou beijando-a.

— Dance comigo, Sherlock Holmes. — Ela sussurrou bem perto da orelha dele e sentiu-o estremecer.

Aquilo era tão bom. Molly ia guardar cada momento ao lado daquele homem. Ele segurou a cintura dela com firmeza e ela passou os braços envolta do pescoço dele... Assim ficaram até o final da festa.

Era uma sexta-feira tranquila. Sherlock havia passado a semana inteira em um caso remunerado bastante cansativo. Então ele chegou em casa de manhã e disse que queria mostrá-la algo.

Segurou a mão de Molly e levou-a para o antigo quarto de John. Ela não pôde evitar as lágrimas. Era como ela já imaginava — o quarto do bebê. Um berço de madeira maravilhoso. Um pequeno guarda-roupas cheio de fraldas e roupinhas. Sapatinhos. Tudo nas cores verde, amarelo e branco. Eles combinaram que não iam querer saber o sexo do bebê antes do nascimento.

— Por isso eu aceitei muitos casos remunerados. — Ele sussurrou. — Tinha que montar um quarto para o nosso pequeno Holmes.

— Sherlock... — Ela secou suas lágrimas. — Você é o homem mais imbecil que já conheci. Mas isso é demais... Eu nunca imaginei que fosse dizer isso, mas você é o maior e melhor homem que já conheci... Apesar de ser imbecil às vezes. Você vai ser o melhor pai do mundo.

— Você concorda com a sua mãe, bebê? — Ele sorriu para a barriga de Molly.

Ela já estava consideravelmente aparecendo. Não muito. Aos quatro meses era impossível ter uma barriga enorme, mas já estava tomando forma. Sherlock se ajoelhou aos pés dela e levantou a blusa, beijando-lhe a barriga. "Oh meu Deus, Sherlock." Ela disse, enquanto chorava emocionada. "Se continuar me fazendo chorar dessa forma..."

— Não estrague o momento. — Ele olhou para cima, sorriu para Molly e se virou novamente para a barriga. — Eu te amo, bebê Holmes.

À tarde, sentaram-se no sofá e pediram uma pizza. O desejo de Molly era sempre uma ordem, então ficaram ali, assistindo televisão. E não era como se ele estivesse infeliz como antigamente. Ele se sentia completo. Ao invés de assistir a televisão, pousava as mãos na barriga da castanha e ficava ali, observando-a rir de algum filme ou de algum programa da TV. Havia uma vez ou outra um vilão que ela dizia que era lindo e maravilhoso. Ele sentia ciúmes. E quando ela chorava enquanto um dos personagens apanhava ou morria, ele revirava os olhos. Molly era tão engraçada.

Quando a pizza chegou, Sherlock se levantou e foi atender a porta. De pijamas, entediado e morrendo de fome. Porque sentia tanta fome agora? Molly havia acostumado seu estômago muito mal. Quando abriu a porta, o que encontrou foi uma arma apontada para si. Era Harry. Ele passou por Sherlock e invadiu a sala.

Molly ainda estava virada para a televisão, sem notar qualquer atividade diferente na casa. "Molly, venha até aqui." Sherlock disse, tentando controlar sua voz. O que aquele infeliz estava fazendo ali? Molly se virou na direção de Sherlock e viu Tom ou Harry com uma arma apontada para o detetive. Sentiu uma pontada enorme de dor em sua barriga. Aquilo não podia estar acontecendo.

Se levantou e correu para os braços de Sherlock, enquanto observava o sorriso triunfante no rosto de Harry.

— Então quer dizer que nós teremos um herdeiro? — Ele gargalhou, jogando a pizza no chão. — Agora sim, o jogo está completo!

Notas finais
AEEEEEEE PORRA