Dangereuse Attraction
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Quando acordei meus padrinhos me olhavam atentamente.
– Oi, tio Harry, tia Ginny – eu disse me sentando.
– Oi, querida – minha madrinha passou a mão pelo me cabelo – Como está?
– Estou bem, aparentemente eu tenho uma doença trouxa. Depressão, já ouviu falar, padrinho?
– Já sim, Vicky. Ela pode ser muito séria, mas o Doutor Burke disse que a sua era algo leve.
– Então, eu vou poder voltar logo para Hogwarts? – perguntei esperançosa.
– Não sei ao certo – ele deu de ombros.
Eu ia perguntar por Alvo e Lily, mas não precisei.
– Pai! Manda a Luna me soltar! – implorou Alvo que se parecia muito com meu padrinho. Mesmo cabelo bagunçado, mesmos olhos verdes, uma fofura, tinha uns nove anos.
Nas costas de Alvo estava Lily. Lilian Luna é uma baixinha invocada, ruiva e olhos verdes iguais ao do pai também. Quem conheceu Lilian, mãe do tio Harry, dizia que Lily era uma mistura incrível de tia Gina com Lilian. E tinha apenas sete anos.
– Lily, desça das costas do seu irmão – tia Gina mandou.
– Mas, mãe! É legal ficar aqui em cima! – Lily argumentou.
– Já mandei descer!
Lily, então, saiu das costas do irmão e ficou de cara emburrada até que tio Harry, um pai que fazia tudo pela caçulinha, pegou ela e colocou em suas costas. Fazendo com que minha madrinha bufasse.
Alvo veio correndo e se jogou na minha cama.
– Oi, francesa – ele sempre me chamava assim – Como estão meus irmãos?
– Eu estou doente, num hospital e você me pergunta dos seus irmãos?!
– Ah, desculpe, como está, francesa? – ele perguntou distraído.
– Bem.
– Que bom, e meus irmãos? – ele perguntou de novo.
– Arg! O James está ótimo, aprontando todas por Hogwarts – comentei.
– E o Ted?
– Não faço a mínima ideia, não estamos nos falando.
– Ah, é! Esqueci desse detalhe – ele disse inocentemente.
– Como assim, esqueceu? Você nem deveria saber! – ralhou tia Gina – Você pegou as cartas de Teddy na minha gaveta?
– Talvez – ele sorriu amarelo.
– Alvo Severo! Nós teremos uma conversa muito séria quando chegarmos em casa! – tia Gina fez a famosa pose Weasley.
– Haha, Severo se ferrou! – cantarolou Lily.
– Nem vem, Luna! Você também leu! – Alvo dedurou, fazendo Lily mostrar a língua pra ele.
– Lilian Luna, também teremos uma boa conversa em casa! – tia Gina avisou, fazendo a ruivinha murchar nas costas do pai – Harry, leve as crianças lá pra fora. Quero conversar com Victoire.
Meu padrinho me deu um beijo no rosto e saiu levando os pirralhos.
– Fale, madrinha – eu pedi já sabendo o que ela iria falar cobre o Teddy.
– Como Alvo já disse, Teddy mandou algumas cartas falando sobre a briga de vocês – ela disse o óbvio.
– Madrinha, me desculpe, mas não quero falar do Lupin, quero dizer, Potter.
– Por favor, Victoire. Me explica direito o que está acontecendo. Teddy só diz coisas vagas como ele ser apaixonado por você e ter te encontrado saindo do quarto de outro e de como vocês discutiram e... eu só quero entender pra poder ajudar meu menino – ela implorou.
– Pra começar que eu estava saindo do quarto de um amigo que me encontrou chorando depois que seu filho me agarrou – eu disse rancorosa.
– Ele fez o que? – ela parecia surpresa.
– Ele me beijou a força, madrinha. Eu fiquei desesperada e sai correndo até meu salão comunal. Mas eu estava tão arrasada que não conseguia pensar na pergunta que a águia fez, então Ethan me encontrou chorando no corredor, ao lado da aldrava. – deixei que toda história escapasse por meus lábios – Então, ele me levou ao seu quarto para conversarmos sem ninguém atrapalhar. Teddy adentrou o meu salão comunal no exato momento que eu descia com Ethan do dormitório masculino.
Minha madrinha parecia arrasada com o que eu estava falando.
– Teddy agiu irracionalmente e avançou em Ethan dando-lhe um soco e o fazendo ficar caído no chão meio atordoado. Então começamos a discutir, no final ele falou tanta coisa que a interpretação final era: ele estava me chamando de piranha – eu já deixava lágrimas escapar de meus olhos – Então, eu expulsei ele do salão comunal.
– Meu Merlin! E ele não tentou se desculpar? — ela definitivamente estava arrasada.
– Diversas vezes. Mas eu pedi que Madame Nightingale não permitisse a visita dele, mas ele ignorou e invadiu a Ala Hospital durante a noite e nós discutimos brevemente. Desde, então eu só ouvi falar dele por James que deixara escapar que Teddy os ajudara em alguma coisa.
– Agora tudo faz mais sentido. Não a culpo por não querer falar com ele – ela me abraçou – Só me responda uma coisa?
– Claro.
– Você gosta dele?
– Claro que gosto, madrinha. Apesar dele ter sido um imbecil, ele ainda é meu primo, meu melhor amigo.
– Não é disso que eu estou falando, Vicky, não se faça de desentendida – ela bufou.
– Ah, entendi. Não, é claro que eu não gosto dele desse jeito – fui direta.
– Então está bom, eu vou procura-lo para conversar direito com ele, saber a versão dele da história – ela disse se levantando.
– Você acha que estou mentindo?
– Claro que não! – ela me beijou na bochecha – Só quero saber como ele enxerga tudo isso. Preciso ir, sabe como as crianças fazem seu padrinho de bobo quando eu não estou por perto.
Então, ela também se foi. Sei que verei ela novamente, mas toda pessoa que sai por aquela porta tenho a sensação de que nunca mais as verei. Odiava essa sensação, na verdade eu odiava tudo na minha vida nesse momento. E foi isso que eu disse ao Doutor Burke quando ele veio me visitar nessa tarde. Falei da escola e de meus amigos como tínhamos combinado, mas no final quando ele estava indo embora e eu perguntei se ele voltaria.
– Você volta, não é?
– Claro que sim, por que a pergunta? – ele questionou.
– Tenho sempre a sensação de que não voltarão, depois que saem por essa porta – dei de ombros.
– Alguém deixou de voltar?
– Todo mundo. Minha irmã veio comigo até aqui, decorou o meu quarto, voltou para escola e ainda não veio me visitar, mas eu sei que ela está ocupada com as aulas. Mas meus pais também não voltaram, então a sensação só fica mais viva dentro de mim.
– Eles voltarão, confie em mim. Eles te amam demais para te abandonarem – dito isso, ele saiu.
De fato eles voltaram, meus pais vieram naquela noite e nos dias seguintes também. Dominique e meus primos me escreveram um testamento em forma de carta dizendo que eu não estava perdendo nada, só umas pegadinhas que James, Fred e Roxanne estavam aprontando e deixando McGonnagal louca. Ethan conseguiu me visitar um dia e Jenny conseguiu vir num outro dia. Eu tinha minhas sessões diárias com o Doutor Burke, o que mantinha distraída.
Na sexta-feira, Doutor Burke chegou com uma novidade. Eu poderia voltar para Hogwarts, na manhã seguinte.
– Oba! Mal posso esperar pra voltar pra minhas aulas – ri.
– Só tenho três condições – ele disse me fazendo murchar.
– Estava bom demais pra ser verdade – murmurei.
– A primeira é que você não vai deixar de tomar suas poções – sim, eu tomava três poções por dia – Entendeu?
– Claro, pode deixar! A azul meia hora antes do café-da-manhã, a roxa na hora do almoço e a laranja uma hora depois do jantar – repeti os horários das poções para confirmar que eu já sabia.
– A segunda é que você virá duas vezes na semana para mais sessões de terapia – terá que vir na quarta de noite, entre a sua última aula e o jantar. Não venha muito tarde, duvido que você queira trocar o banquete do castelo pela comida horrorosa do hospital. – ele brincou.
– Ah, não é tão ruim a comida daqui...
– Mas não é o banquete do castelo!
– De fato!
– Sábado você vem pela manhã, ok?
– Sábado de manhã e quarta antes do jantar, entendi! – confirmei.
– A última condição é a mais complicada. Me conte uma coisa... Por que, em nenhuma de nossas conversas você falou de Teddy?
Fiquei uns dois minutos atordoada com a pergunta repentina.
– Responda, Victoire! – ele disse com a voz firme – Por que você nunca falou de Teddy Potter?
– Não conheço Teddy Potter! – eu gritei.
– Como assim?
– Eu não conheço nenhum Teddy de sobrenome Potter – eu repeti chorando – O único Teddy que conheço é o Lupin. Mas há muito tempo não o vejo, ele sumiu, desapareceu – surtei.
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