Danger Line

1 O início de tudo.


Lana:

Nós estávamos andando de um lado para outro com malas por toda a parte para fazer uma viagem, todo ano era a mesma coisa, aquela confusão de mochilas, e pessoas indo de um lado para o outro para uma nova "aventura em família" como dizia meu pai. Ele gosta de dedicar esse tempo para a nossa interação familiar, já que nós quase não temos tempo juntos devido ao cotidiano corrido.

— Vamos crianças tenho que colocar as malas no carro e arrumar a cadeirinha do Shane... — Meu pai poético rei das aventuras.

— Calma Michael... Eles estão vindo! — Joan, minha mãe olhava para o meu pai com um ar sereno enquanto estava com o pequeno Shane no colo.

— Pronto pai as minhas coisas eu já coloquei no carro! — Richard o meu irmão mais velho avisou nosso pai, protetor e sacana. Fui descendo as escadas de forma atrapalhada com algumas malas.

— Richard ajuda a Lana... Não a queremos com o braço ou perna quebrada nessas férias... De novo... — Pediu meu pai com ar zombeteiro.

— Obrigado por lembrar isso pai! — fiz uma cara de "para isso nem acontece com tanta frequência"

— Nem faz essa cara que isso acontece com frequência sim Lana — Disse Richard risonho, enquanto o pai gargalhava entrando no carro se juntando à senhora Flanders

— Parem de rir vocês dois... — Os risos se intensificaram — Ô MÃE... — Alguém tinha que me defender nessa casa porque sinceramente, eu também não consigo me defender as vezes.

— Parem com isso vocês, não é engraçado para ela... — ela sorriu pra mim gentil, mas querendo rir também — Não é Shane? — minha mãe olhava carinhosamente Shane na cadeirinha no banco de traz.

— É! — Respondeu Shane no auge de sua fofura de quatro anos de idade. Depois de uma breve discussão sobre o nosso destino, nós entramos no carro, eu e meu irmão ficamos um de cada lado de Shane que estava na sua cadeirinha e segurando meus fones de ouvidos enquanto esperava o Richard colocar algum desenho para ele assistir durante o caminho em seu tablet... As vezes ele nem parece criança de tão comportado que ele era.

Viagem em família é uma coisa boa, mas quando a família é igual a minha e sempre bom tomar um pouquinho de cuidado, porque sempre alguma coisa dá errado, mas no fim as férias são sempre boas. Depois de um tempo, Shane acabou adormecendo seguindo o exemplo de Richard que estava com os fones de ouvido todos tortos porque ele estava encostado no vidro. Eu me mantive acordada vendo a cor das pesadas nuvens de tempestade que vão se formando aqui no interior de Paris... Pra ser mais exata na região de Loire, elas estavam bizarramente escuras e eu estava ficando tensa. Eu não sou francesa quem me dera, mas minha família se mudou para França já faz uns 8 meses porque o trabalho do meu pai o transferiu para a unidade da França. Essa mudança foi muito legal e agora vamos ter nossas primeiras férias juntos aqui, mas nesse primeiro dia já vamos ter um belo de um contratempo, pois está começando um temporal absurdo que tirou toda a visibilidade da estrada... Que por acaso é de terra, e que por acaso fez o carro atolar de forma nada agradável fazendo com que meus irmãos acordassem assustados.

— Estamos presos aqui até chuva passar linda família. — Meu pai falou num tom desanimado e respirando fundo.

— Tudo bem querido nós esperamos. — Disse minha mãe tranquilizadora.

— É esperamos no meio de uma chuva de ventos que fazem as arvores envergarem, as vacas voarem e serem atingidas por raios como se fossem tiro ao alvo enquanto um relâmpago faz um estrondo monstruoso clareando até minha alma. — Disse entrando em desespero, já que eu tenho pavor de tempestades desde criança — Sem contar que estamos presos num cubículo sem espaço. — Sou meio claustrofóbica.

Assim que disse isso um clarão iluminou o céu por uns 7 segundos. Tempo demais com barulhos horríveis que me fizeram fechar os olhos e me encolher no banco, eu morro de medo de trovões, isso me gera um certo pânico, e esse foi literalmente um que me gerou uma crise bem alarmante, pois eu estava prestes a ter uma crise de falta de ar. Por que será que essa chuva repentina está tão estranha? Por que eu tenho que entrar em crise logo agora?

Parte I

Depois daquele clarão e daquele som ensurdecedor que fez com que Shane começasse a chorar completamente assustado, soluçando e ficando com o rosto lavado em lagrimas enquanto eu tentava acalmar a minha respiração. Isso fez com que Richard reclamasse que não devíamos ter saído de casa, e todo aquele papo de reclamão de sempre sobre as nossas viagens começarem as ser melhor planejadas, e feitas em uma época de clima mais propício, tudo isso enquanto ele me olhava preocupado e tentava acalmar nosso irmão pegando ele no colo, porém a chuva já tinha parado e ele estava só reclamando para si mesmo.

Um segundo. Só agora que percebi, a chuva parou assim, DO NADA! Isso é muito estranho... Já ouvi falar em chuva de verão mais isso é ridículo! Foi questão de menos de 3 minutos, agora que eu estava mais controlada eu notei esse absurdo Choveu, teve um relâmpago, um trovão ensurdecedor e um raio e simplesmente parou de chover, assim sem mais nem menos, mas o céu continuava com aquela "cara" de que iria começar a chover a qualquer minuto novamente.

— Mãe, dá um jeito no Shane, por favor. — Pediu Richard, porque ele não estava conseguindo lidar com o choro do pequeno.

— Lana acalma seu irmão pra mim. — Minha mãe não estava em condições de pega-lo, então estendi o braço para pegar Shane, meu irmão mais velho ainda me olhava preocupado porque ele foi o único que notou minha pequena crise, mas mesmo relutante ele me entrou o bebe depois de que eu dei um sinal para que ele entendesse que eu já estava melhor. Peguei o pequeno e comecei cantarolar uma canção acariciando a ponta do seu nariz.

— Richard vem comigo aqui fora ver se tem como desatolar o carro. — Meu pai pediu com um ar cansado.

Richard desceu com papai eu fiquei observando pela janela enquanto Shane parava de chorar aos poucos. Era estranho ver que a estrada não estava lamacenta, nem parecia que choveu, e as arvores estavam estranhamente diferentes, como se estivessem mais densas, mais imponentes e selvagens.

— Família boas notícias, não estamos atolados, mas estamos perdidos... — Meu pai nos avisou se apoiando na janela com uma cara nada feliz. — Joan vem aqui fora um pouco.

Isso não é bom. Definitivamente não é bom!

Richard entrou no carro enquanto a mamãe me olhava pra conferir um Shane totalmente sorridente e calmo pronto pra voltar a dormir. Até tenho um pouco de inveja desta criança. Queria poder não me preocupar igual a ele, me dando o luxo de apenas seguir o fluxo dos acontecimentos, porém tinha uma sensação bem estranha me incomodando. Algum tipo de alerta que eu não sei identificar.

— Richard o que está acontecendo? — Perguntei enquanto brincava com Shane

— Não sei... Nós estávamos em uma floresta perto do Loire... E bem continuamos nela, eu acho, mas ela está diferente... Não sei bem te explicar...

— Que estranho. Espera, como assim você acha que continuamos nela?

— Bom, ela está diferente, mas nós estávamos no caminho certo, mas os GPS não estão funcionando.

—Eu estou entendo, mas não assimilando. Isso é loucura! — Olhei pra fora e vi uma pessoa se aproximando a cavalo com uma longa capa negra e uma espada presa ao cinto. — Richard fala pro pai e pra mãe entrar no carro... — Ele ficou me olhando tipo: "Hã?" — AGORA!

Mas não dava mais tempo o cara estranho estava parando porque meu pai pediu informação... COMO VOCÊ PEDE INFORMAÇÃO PARA UM CARA ARMADO COM UMA ESPADA? E QUEM ANDA COM UMA ESPADA EMBAINHADA NO CINTO? EM PLENO SÉCULO 21? Meu pai não tem um pingo de senso de auto preservação!

Meu pai começou a falar com o homem e este retirou o capuz da capa. Talvez não tenha sido uma má ideia pedir informação afinal de contas. Ele era muito bonito pelo que eu pude ver pelo seu perfil. Cabelos pretos até a altura dos ombros bem bagunçado, era meio pálido, mas estava com as bochechas rosadas do vento e dava pra ver que tinha um porte atlético, não daqueles "tenho músculo na minha testa... quer ver?", mas daqueles "tenho saúde e sou vaidoso".

Conclusão: Lindo! Meu tipo de homem dos jogos medievais que tenho instalados no meu computador, porém, por que ele tem uma espada? E pensando bem as roupas dele parecem antiquadas, essa sensação de alerta que não me abandona está me matando!

— Para de babar no vidro Lana! — Richard me tirou do transe em que eu me encontrava me deixando vermelha feito um tomate ou mais.

— Não estava babando... — Retruquei sem muita vontade de iniciar uma discussão e atrair atenção indesejada.

— Ela estava né Shane? — Richard induziu um Shane sonolento a concordar com ele.

— Tava babando no vido! — Concordou Shane naquela voz de criança sapeca que está quase dormindo.

— Esse moleque é meu irmão mesmo! — Richard levantou a mão pro Shane bater. E eles fizeram um toque dos "Mano" no momento em que Shane pegou no sono completamente e meu pai coloca a cabeça dentro do caro e diz:

— Crianças o Sr. Brown nos ofereceu um quarto em sua casa... Porque vai cair outro temporal e não temos onde ficar... Ele disse que a casa dele é perto e... — Cortei meu pai na maior ousadia.

— Pai você acha isso seguro você nem conhece ele e... — Ele me cortou de volta com aquela cara de quando ele imita jovens mocinhas que acham gente mais velha meio ridícula e fazem questão de demonstrar — Eu sei o que eu estou fazendo Lana.

— A mamãe concorda? — perguntei deixando minhas dúvidas sobre ele saber o que está fazendo bem claras.

— Plenamente! Ela está pensando em vocês. — Ele respondeu rindo sabendo que eu não estava convencida.

— Tudo bem então! — suspirei derrotada. ­- Se o membro mais ajuizado da família diz pra ir com o estranho....

Meu pai saiu de perto do carro revirando os olhos e falando com o tal de Brown...

— Ui ela tá com "vergoinha" ... — Richard voltou com as provocações.

— Cala a sua boca Richard. — Cortei aquele papo furado.

Ele caiu na gargalhada enquanto Shane se remexia no meu colo. Então nossos pais entraram no carro e começamos a seguir o Sr. Brown em seu cavalo, mas eu estou com uma sensação estranha a respeito desse cara. Depois de uns 10 minutos chegamos ao humilde lar do cara...

Era simplesmente um castelo.

Que tinha o nome de Amboise... Ele não podia morar ali é impossível. Desde 1840, esse está classificado como monumento histórico pelo ministério francês da cultura. Realmente não se pode morar num monumento....

— Pai... — eu falei com aquele tom de "eu estou avisando pai"

— Já sei Lana ele é estranho, mas o que eu posso fazer? É a nossa esperança de passar essa noite em segurança.

— Ok. pai. — Eu estava ficando nervosa e meus pais já notaram isso.

O carro parou em frente à entrada e todos nós descemos com nossas malas deixando-as em frente a porta do castelo, fiquei com Shane no colo — que havia acordado no meio de tanto movimento — enquanto ele brincava nos meus cabelos ondulados e pretos que ele vivia dizendo que eram bonitos e queria ter o cabelo preto também, Shane não tem os cabelos pretos como o do papai, do Richard e do meu... O gordinho tinha os cabelos loiros dourados igual ao da mamãe.

O Sr. Brown levou meu pai até um lugar para ele deixar o carro e depois os dois voltaram andando. Em seguida entramos na casa — apareceram empregados pra levar nossas malas — e o dono do castelo nos levou ao que eu acho que era uma sala para recepcionar as visitas... A sala era enorme e linda num estilo que mostrava a transição entre o barroco gótico e o rococó. Ele nos indicou os sofás, nós sentamos confortavelmente, meu irmão e eu ficamos lado a lado olhando as coisas ao redor, e nos encarando com uma comunicação de suspeitas através dos nossos olhares.

Enquanto Richard observava os moveis uma moça entrou na sala com um vestido medieval lindo — mas devo dizer que foi estranho ver um vestido desse estilo sendo usado era mais impactante do que as roupas do Sr. Brown — ela era muito linda... Tinha longos cabelos lisos e de um preto azulado preso em um penteado clássico, ela era tão pálida quanto o Sr. Brown, mas as maçãs de seu rosto tinham um tom rosado natural ela era um pouco mais alta que eu, só que tinha um lindo corpo, que parecia que estava sofrendo pelo aperto do espartilho. Eu acho que ela é mais velha que eu também, não sei dizer, mas aparenta ter os mesmos 22 anos de Richard.

Olhei para lado e ri ao ver a expressão do meu irmão... Curvei para o seu lado e sussurrei vitoriosa "quem tá babando agora?" e ele me olhou com um ar divertido, mas doido pra me ofender.

— Bom, Sr. e Sra. Flanders, essa é minha irmã mais nova. — Essa era a primeira vez que eu escutei a voz do homem e eu tive que olhar pra baixo para tentar disfarçar a minha expressão perplexa. — Josette vai cuidar para que sua estadia seja confortável... — A voz dele era grave e carregada com um sotaque francês encantador. Ai meu coração.

— É um prazer Sr. e Sra. Flanders — disse ela olhando para os meus pais.

— O prazer é nosso querida — Minha mãe respondeu com o seu famoso tom maternal e completamente amável — E esses são nossos filhos — Ela apontou pra gente, fazendo os Brown repararem em nós pela primeira vez — Richard, Lana e Shane.

Eu e o Richard balançamos a cabeça envergonhados e o Shane abriu seu lindo sorriso de covinhas sendo muito mais simpático que nós e disse

— Oi. Eu sou o Shane. — A Josette sorriu e respondeu se aproximando dele e segurando sua mãozinha.

— Oi Shane eu sou Josette — Ela fitou os olhos azuis de Shane com os seus cinzas — Oh mon dieu como ele é lindo.

— Obrigada — Disse minha mãe sorrindo orgulhosa de "sua obra" bochechuda e angelical.

Quando eu parei de olhar para Shane e Josette que estavam se entendo bem vi que o Sr. Brown me olhava fixamente e eu fiquei vermelha.

Que maravilha.

Então ele se aproximou do meu irmão e apertou-lhe a mão sorrindo em um lindo de forma cavalheiresca e cordial, enquanto meu irmão ficava sem ação com tamanha educação — logicamente eu vou usar isso contra ele depois — e em seguida ele veio até a mim.

— Mademoiselle. — E segurou minha mão beijou-a sem tirar os olhos dos meus — Sou Paul Brown é um prazer.

Corei.

Como nunca havia corado antes.

Eu respondi a ele com uma mesura, tentando muito manter a postura de uma moça completamente educada e comportada sem ter um sangramento nasal devido a fortes emoções.

— O prazer é meu senhor Brown. — falei com a voz prestes a fraquejar equilibrando meu pequeno irmão no colo.

É, eu acho que vai ser uma viagem interessante.

Notas finais
Republicando ela melhorada depois de MUITOS anos :3
Espero que vocês gostem!