Ontem tive mais um sonho estranho, isso já estava virando uma rotina entediante. Quando me levantei hoje estava confortavelmente espalhada em minha cama. Fiquei feliz ao perceber que minhas lembranças haviam voltado, lembrava de toda minha vida com a minha família antes daquela ideia "maravilhosa" de viajar para "conhecer as belezas do nosso novo lar", mas enfim... Agora estou aqui prestes a fazer coisas que não quero para manter minha família viva, mas um dia isso vai ter um fim.

Bom... assim espero.

Sai do meu quarto com esses vestidos de época, mas por baixo estava com jeans e camiseta de banda, e para alegrar meu dia quando cheguei à sala meu pai e minha mãe conversavam com Paul que estava com um sorriso radiante. Minha mãe me viu e piscou para mim me convidando a participar da conversa.

— Filha não sabia que Paul tinha se interessado em você! — ela estava exultante.

— Pois é mãe, nem eu sei como isso aconteceu. — Respondi seca.

— Como não querida você é linda! — disse meu pai fazendo carinho na minha bochecha.

— Obrigada pai. — Respondi. Meu pai é um lindo mesmo, me faz sorrir mesmo que eu estivesse querendo morrer por dentro.

Sorri para meus pais de forma triste, vendo que eles estavam sobre efeito de alguma droga que Paul estava dando a eles.

— Chérie vamos passear? Estava pedindo permissão para seus pais para leva-la a um lugar especial e eles concederam. — disse Paul com todo charme do mundo, mas eu estava muito nervosa com ele para perceber alguma coisa. — Vamos?

— Claro vamos sim! Mãe, Pai. — fiz um aceno de cabeça e fui para o lado de Paul.

— Petit... — ele ergueu o braço para eu entrelaçar o meu — Michael, Joan.

Saímos andando pelo corredor de braços entrelaçados, mas eu mal prestava atenção no que estava acontecendo ao meu redor. Ao chegar no jardim encontramos Shane brincando, mas quando o pequeno me viu veio correndo ao meu encontro, me abraçando apertado. Ele puxou minha manga e me fez abaixar para ouvir o que ele tinha a dizer.

— Você tá namorando com o tio Paul, do mesmo jeito que a tia Josette tá namorando o Richard? — ele me perguntou no seu tom inocente e infantil.

— O Richard tá namorando? — perguntei de volta olhando de lado para Paul percebendo a surpresa no olhar dele também.

— Tão... Eca! Mas você também tá? — ele perguntou novamente.

— Sim, ela está. — Paul tomou a frente na resposta.

Shane fez uma careta, deus de ombros e saiu andando.

Olhei para Paul e ele estava olhando para o lado absorto em seus próprios pensamentos.

— Paul? Você ainda está entre nós? — perguntei sarcástica.

Ele voltou à atenção para mim sorrindo.

— Não estou entre vocês já fazem alguns anos — Ele sorriu fraco para mim -Vamos amour?

— Não precisa me chamar assim quando ninguém está nos observando. — eu disse em tom de tédio. Ele estendeu o braço para mim, mas eu me afastei dele

Retomamos o nosso caminho para um lugar desconhecido por mim. Andamos quase vinte minutos e chegamos a um castelo, e meu deus como eu detesto andar. Aquilo só estava cooperando para o meu humor ficar péssimo. Paul me direcionou até a parte dos fundos onde bateu em uma espécie de alçapão, e as portas deste se abriram. Descemos por uma escada em espiral que nos levou a uma espécie de câmara semelhante a aquela em que estive presa, mas essa tinha algumas diferenças, tinha livros espalhados e mais algumas coisas estranhas. Chegando ao centro daquele lugar o tal ancião que aparentava ter dois anos a mais que eu, veio nos receber.

— Oi Claude, trouxe sua mais nova pupila. — Cumprimentou Paul com um aceno de cabeça.

— Oi Paul. — ele cumprimentou com respeito — Olá Lana...

Não respondi.

Paul me olhou censurando, mas não me importei, Claude apenas observava, e então se manifestou.

— Bom Lana nós iremos trazer seus poderes para seu domínio hoje.

Pude observar Paul indo se sentar ao lado do elfo que estava nos observando. Falta dois membros do conselho, mas isso não me importava, quanto menor o número de pessoas a ver meu fracasso melhor.

— Como assim? Já disse que não tenho poderes. — Respondi seca.

— Tem sim — Claude sorria pra mim de forma simpática, ele estava se esforçando, mas eu estava com ódio. — E nós vamos desperta-los, venha comigo.

Ele me levou até um enorme símbolo desenhado no chão.

— Claude... É esse seu nome certo? — Perguntei.

— Sim, o que foi? — Ele perguntou me olhando gentilmente

— Me deixa tirar esse vestido primeiro? — Perguntei já começando tirar aquele monte de pano pesado.

— Hã? — Ele ficou completamente corado e olhava furtivamente para Paul que estava à beira de um ataque de riso.

— Calma Claude. Eu estou usando outras roupas por baixo desse vestido. — Falei antes que ele tivesse um ataque. A essa altura já se podia ouvir as gargalhadas de Paul e do elfo misturadas, que amigos ótimos que são esses dois.

— Tudo bem... — Ele baixou o tom de voz — Só não me assuste mais ele disse constrangido e pela primeira vez eu acabei simpatizando com ele, pois eu entendo como ele se sente. Eu tirei o vestido e joguei querendo queimar ele, e fiquei com meu jeans e camiseta do The Doors, e voltei para o círculo.

— Lana se você se sentir mal nós paramos tudo bem? — Ele me olhava preocupado.

— Ok! — respondi tentando parecer calma, mas na verdade eu estava cética e com medo.

— Feche os olhos e esvazie a mente. — Eu segui suas instruções — Fique pronta.

Nessa hora ele começou a recitar palavras que eu não conhecia em uma velocidade ritmada como se fosse uma canção. Uma pontada forte tomou minhas entranhas e tive vontade de vomitar, mas me mantive em pé, sem falar nada. A dor se intensificou fazendo-me sentir como se não houvesse mais chão sob meus pés. Sentia-me flutuando. Um formigamento tomou minhas mãos e uma espécie de nó se fez ao redor do meu coração. A ânsia foi se intensificando. Uma dor aguda foi passando por cada membro do meu corpo, desde os pés até a cabeça... Quando essa dor tomou minha cabeça não resisti ficar em pé. Será que eu já posso pedir para parar?

Me ajoelhei.

Ouvi a voz de Paul me chamando, mas apenas ignorei, a dor não me deixava pensar minha cabeça iria explodir, eu tinha certeza eu queria pedir para parar, mas minha boca não pronunciava as palavras. A dor só aumentava e eu abri os olhos tentando enxergar o que acontecia, mas não conseguia ver nada... A dor era tanta que não resisti me entreguei a ela e um clarão tomou conta dos meus pensamentos me deixando em um estado de inconsciência.

Paul:

Nunca tinha visto nada igual na minha vida...

Enquanto Lana se contorcia no centro do círculo vi Claude caindo no chão desesperado se contorcendo, enquanto feridas se abriam em seu corpo.

Eu gritei o nome de Lana e ela olhou na minha direção, mas não para mim e sim para Calardan que no mesmo instante começou a se debater e seus olhos reviravam nas órbitas.

Senti medo.

Como há muito tempo não sentia.

Cortes se abriam tanto no corpo de Claude quanto no de Calardan, olhei para Lana e ela tinha começado a flutuar e seu corpo fazia uma envergadura inumana para trás. Minha vista escureceu, sabia que era Lana, mas eu não podia fazer nada contra ela... Seu poder era muito grande, mais do que todos nós imaginamos.

Comecei a sentir a carne do meu corpo se rasgando em algumas partes. Eu tenho que desperta-la se não todos iremos morrer.

Andei até Claude que se debatia.

— Como eu a faço parar? — perguntei a ele segurando seu rosto na minha direção

— Você tem que AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHhhhh

Dei um passo para traz e pude ver que a perna da sua calça estava ficando ensopada de sangue. Me aproximei dele novamente, sentindo minha coluna receber um corte diagonal enorme e profundo.

— COMO EU FAÇO PARA PARA-LA?

— O livro, 2...3...5...

Claude desmaiou.

Fui até o livro e procurei a página da numeração que ele falou, lá tinha um feitiço que não sei se sou capaz de executar, mas não custa tentar. Olhei a minha volta, a câmara estava coberta de sangue, não tinha um espaço se quer sem o liquido carmesim. Aquilo me deixava com fome, mas estava controlado, mas estava perdendo muito sangue... Teria que me alimentar depois de tudo isso. Cheguei o mais perto dela que consegui. Quanto mais perto mais dores e cortes eu recebia, tirando o fato de ter começado a alucinar assim que toquei no livro... Via imagens distorcidas da minha vida, todas as lembranças tristes se amplificaram.

Comecei a entoar o cântico, e parece que toda a concentração dela se voltou para mim. Claude tinha parado de se debater e ficou imóvel com a boca espumando, Calardan estava agachado em um canto balançando como se fosse a criatura mais insana desse mundo.

Tudo o que eu temia apareceu para assolar a minha mente nesse momento, eu quis sair dali, queria fugir, mas não podia, eu tinha que para-la para seu próprio bem e para o nosso. Continuei a executar o feitiço, e meu corpo foi ao chão.

Lana estava me retalhando de forma psicológica e física, lagrimas escoriam por meu rosto e talhos cada vez mais fundos abriam em meu corpo, mas eu não me renderia.

Entoei as palavras com mais força.

E assim como eu ela colocou mais força no que estava fazendo comigo, ela veio na minha direção flutuando de forma fantasmagórica e tudo ficou escuro, mas eu não parei com que estava fazendo. Ela segurou meu pescoço e apertou.

Mas eu não deixaria isso passar barato. Eu sou um homem orgulhoso de mais. Eu sei que ela não tem culpa, mas mesmo assim...

Num último ato desesperado eu fiz um movimento rápido, me livrando de seu aperto, fui para suas costas e a segurei por traz, fazendo seu pescoço ficar exposto para mim. Ela tentou me afastar, mas a fome me fez ficar mais forte, mesmo sentindo meu corpo se abrindo em cortes em vários pontos distintos eu mordi seu pescoço, na hora minha dor começou a se aliviar, eu sugava seu sangue com muita rapidez, senti seu corpo amolecendo em meus braços, mas não parei.

Ela enfraqueceu devido à perda de sangue.

Calardan e Claude se levantaram e nos fitaram assustados.

Continuei a sugar seu sangue, nós estávamos iniciando uma conexão, recebi suas lembranças e pensamento começando a sentir o que ela sentia.

Prazer.

Era isso o que a mordida de um vampiro trazia, mesmo quando se está morrendo. Ouvi Claude chamar meu nome, e senti mãos me afastando dela, da mesma forma que ela perdeu o controle eu também perdi, eu conseguia sentir cada fibra do meu corpo ansiando por ela.

Me afastai e sai da sala.

Meu corpo começava a se curar dos cortes, mas eu ainda não estava controlado no meio de todo aquele sangue, iria tomar um ar e depois iria pegar Lana para leva-la para casa.

Depois de um tempo do lado de fora daquela câmara, me senti um pouco melhor, mas ainda tinha que voltar lá e pegar Lana e sinceramente não queria voltar para aquele lugar nem tão cedo. Eu estava assustado com o poder dela, eu estava me curando de ferimentos profundos e eu estava com lembranças dolorosas bem claras na minha mente. Eu não queria ver ninguém nesse momento, mas a menina não tem culpa, nós forçamos nosso plano nela, nos forçamos o despertar da força dela, então posso dizer que todo esse caos foi merecido. Voltei para lá contra gosto e encontrei uma Lana absurdamente pálida, um Claude parecendo que ia desmaiar a qualquer momento lendo um livro e Calardan na sua postura real meio abalado e muito ferido.

— Então... Vamos embora Lana?

— Ela não pode ir ainda. — Claude me respondeu.

— Como não? — olhei ameaçador para ele.

— Ela precisa se recompor e eu preciso analisar se os poderes dela não vão oscilar e machucar alguém sem que ela queira. — Ao ver que minha expressão não era muito boa acrescentou — Mas não precisa ser aqui. Vamos para a sala.

— Ok.

Peguei Lana no colo e fui indo para a sala de estar de Claude, não estava afim de ficar ali e estava muito nervoso, queria acabar com Claude, mas a culpa não era dele também, pois ali do concelho ele era o mais novo e estava cumprindo ordens assim como eu, ele precisava prevenir futuros acidentes para o bem de Lana e todos aqueles que a cercam, se ela ferisse algum membro de sua família ela jamais se perdoaria e a nenhum de nós.

Deixei-a descansando no sofá, ela já estava com o vestido o que facilitava ver a marca da minha mordida em seu pescoço.

Ela me olhava tensa, e eu não podia culpa-la.

Isso vai ser difícil.

Mas antes de encara-la eu preciso entender o que Claude precisa fazer com ela nesse momento, e ter certeza que ela ficará bem e se isso não pode esperar.

Lana:

Eu olhava para Paul com uma evidente tensão.

Mas eu não estava nervosa com ele.

Agora eu o via de outra forma.

Uma nova ligação se fez entre nós dois e ele não percebe por estar nervoso, mas eu sentia um pouco do que ele estava sentindo. Dor, angustia, medo, preocupação e outros sentimentos confusos. Eu estou fraca de mais ainda pelo esforço que fiz e pela mordida que ele me deu, eu não estava apta para ajuda-lo nesse momento, mas o que mais me preocupa é a mordida. Porque eu quero que ele faça de novo. Mas não tenho coragem de falar isso em voz alta.

E eu nem deveria querer que ele faça isso, mas a sensação boa que senti era um tanto viciante e eu gostaria de senti-la novamente e isso estava me causando um conflito interno muito grande e eu não queria pensar em nada. Na realidade eu gostaria de dormir.

Interrompendo meus pensamentos e sentimentos conflitantes, Claude e Calardan entraram na sala e os três começaram a conversar, e Paul estava se exaltando parecia que ele saltaria em cima de um dos dois para mata-los. E olhando os seus olhos vermelhos e injetados de raiva tenho certeza que ele faria isso.

Ele olhou para mim disse mais alguma coisa e se aproximou.

— Vamos para casa! — Assenti com a cabeça e tentei me levantar para segui-lo, mas estava meio cambaleante, de forma que ele sempre estava a minha frente e eu estava p seguindo aos tropeços.

Quando já estávamos no bosque ele parou abruptamente me fazendo bater nas suas costas e quase cair para traz. Só não cai porque ele me segurou de uma forma muito rápida, mas em seguida ele me soltou e se afastou.

— Presta atenção só vou dizer uma vez isso... Não faço isso sempre... Então me escuta bem! — Ele disse olhando nos meus olhos e apertando meus braços de forma tensa. — Me desculpe por te morder, não devia tê-lo feito ok, mas eu não sabia o que fazer com você e eu estava ficando fraco de mais para te ajudar, você estava ficando cada vez mais forte e eu precisava te enfraquecer de alguma forma e com magia eu não iria conseguir, você é forte de mais para o seu próprio bem.

Olhei para ele e assenti com um movimento de cabeça.

— Não irei mais fazer isso, eu...

— NÃO diz isso! — eu soltei rápido demais interrompendo-o enquanto observava seu olhar confuso e arrependido.

Ele me encarava.

— O quê? — ele perguntou como se estivesse duvidando do que estava ouvindo.

E eu o olhava quase entrando em desespero.

— Que foi chérie? — seu tom confuso estava sendo substituído por preocupação, pois eu não o respondia e estava meio que em transe olhando para os seus olhos. — Chérie? — ele repetiu se aproximando de vagar colocando uma mão em meu ombro enquanto a outra segurando meu rosto. Ele me chacoalhou de leve. — Petit você está bem?

— Eu estou sim...Só não diga aquilo de novo! — eu respondi saindo do meu estupor momentâneo.

Foi tudo o que eu consegui dizer e voltei a andar cambaleante pelo bosque. Então senti minhas pernas ficarem suspensas e senti-me pressionada contra o corpo de Paul. Ele estava correndo e em minutos estávamos no jardim de sua casa e vimos minha família ao longe e provavelmente teríamos que encara-los, mas eu estava meio abatida e Paul estava com os olhos vermelhos de vampiro ainda a mostra. Ele me soltou observando se eu me sustentaria sozinha e ao garantir que estava tudo bem ele seguiu na direção de seu escritório.

— Você não vem Paul? — perguntei me sentindo insegura.

— Não, tenho assuntos a resolver. Você consegue fazer isso por nós chérie eu sei. — ele me disse, mas mesmo assim ele estava com um tom de voz preocupado, porém por fim ele piscou e saiu andando.

Não entendo ele.

Paul:

Convoquei uma reunião com o conselho.

Temos que decidir se é seguro continuar a usar a Lana dessa forma, não acho isso certo e muito menos saudável já que quase morremos a poucos minutos atras quando tentamos. Claude ainda está fraco e Calardan machucado, eu só estou bem porque eu tenho os dons vampirescos que me ajudam a superar esse tipo de coisa, mas o pior não foi nem isso. O pior foi ver Lana sem controle do que estava fazendo, quase nos matando... Pra mim o problema não é morrer, pois já estou morto, mas ela não aguentaria levar esse tipo de culpa com ela, mas vamos ver o que o conselho decide, infelizmente eu também cumpro os desejos deles.

E ali estavam sentados à minha frente os membros do conselho.

Era hora de descobrir o futuro dela.

— Então monsieurs, o que decidimos a respeito da Lana? — Perguntei.

— Decidimos que vamos prosseguir com isso. — Fred disse calmo. — Alguém tem que nós libertar disso.

— Mas não é certo usar uma criança de forma tão cruel. Ela está sem opções. — Kaylum rebateu.

— Mas ela é a garota que todas as profecias falam, ela tem todas as características e vai ser simples ela liberta o cara e a gente fica livre para voltarmos aos nossos reinos em segurança. — Defendeu-se Fred.

— Mas ninguém nos assegura de que se o libertarmos vamos poder retornar em segurança. Esse é um caminho perigoso. É uma linha tênue entre morte e destruição e a nossa liberdade. — Disse Calardan com sabedoria.

— Concordo com Calardan... — Claude tomou posse da palavra. — Nós não temos como saber da força dele. Se ele nos trouxe aqui e ainda consegue nos ameaçar para nos fazer prisioneiros e cumprir suas vontades ainda cativo imaginem o que ele pode fazer se for liberto?

— Devemos admitir que nunca pensávamos nisso. — Fred franziu o cenho enquanto pensava.

— Errado meu amigo. — Olhei na direção do lobisomem — Eu pensei! — passei tempo demais observando e agora me sinto à vontade para colocar meu ponto de vista para eles. — Eu sempre pensei nisso, antes se ser o vampiro que vos fala, fui um alquimista e estudioso, não deixei de pensar em todas as possibilidades e sinto informar que acho que esta é uma missão suicida. — Fitei nos olhos de cada um que estava a mesa — Ao libertar ele, vamos estar em um perigo eminente. Ou vocês acham que nossos ancestrais o prenderam sem motivo? Ele só causa destruição e como estamos à frente disso vamos morrer primeiro, ele não poupará ninguém. Só estamos colocando uma criança e o nosso povo em perigo porque fomos covardes no início e não recusamos a oferta dele... Se bem que não tivemos escolha. — Sorri pensando em Josette e como ela seria ainda mais usada contra mim — Se nós não fizermos nada agora todos pereceremos. — Vi o olhar de todos sobre mim, e alguns ainda estavam meio incrédulos — Eu tenho como provar que estou falando sério monsieurs. Os registros archóticos estão comigo. Eu os roubei em nossa última visita a ele.

Vi o olhar espantados de todos eles recaindo sobre mim.

Dei uma leve risada sem energia, eu estou cansado.

— Você está louco Paul? Isso poderia nos levar a ruína. — Kaylum estava quase pulando por cima da mesa para me bater.

— Se não tivesse feito isso não teria confirmado minhas suspeitas de que todos vamos morrer. — Rebati em minha defesa. — Agora eu estou a par da maioria dos planos dele e sou o único que pode ler os registros. Podemos nos preparar para um contra-ataque, sem que abusemos ainda mais dos poderes de Lana.

— Como assim? — Perguntou-me Claude

— Quem escreveu os registros foram os ancestrais da vadia que me transformou e eles selaram os registros com um feitiço de sangue. Tenho o sangue dela em mim posso ler os registros.

— Certo, geralmente registros dessa magnitude são selados a sangue mesmo. — Claude pareceu desapontado, provavelmente mesmo com medo ele gostaria de colocar as mãos em tais registros.

— Então mousieurs o que me dizem? Vão me ajudar a parar ele ou vão se acovardar novamente? — Perguntei olhando nos olhos de cada um.

— Estou com você. Pelo meu povo. — Me respondeu Calardan

— Eu também estou com você. — Claude me respondeu calmo.

— Kaylum, Fred estão conosco? — Perguntei

— Eu estou. Pelo meu povo — Disse Kaylum.

— Pela minha raça — Disse Fred

— Bom acho que por hora a reunião está encerrada. — Falei soando cansado. — Vamos tentar abusar o menos possível dos poderes de Lana. Eles são muito instáveis, ela é muito jovem, é um risco usa-la de forma irresponsável.

Em um piscar de olhos todos haviam sumido.

Fui para meus aposentos tomar um banho descansar. Estava precisando.

Lana:

Fiquei com minha família por um bom tempo, respondendo a todos os tipos de perguntas sobre Paul e eu... Como se realmente houvesse algo entre nós, mas agora tinha conseguido escapar deles e estava indo em direção ao meu quarto quando do nada Josette apareceu e me levou para outro corredor.

— Lana como foi a sua primeira aula? — ela me olhava preocupada.

— Um desastre. — soltei um muxoxo

— Sinto muito. — ela respondeu me observando mais de perto.

— Não sinta, eu quase matei todos que estavam lá, sou horrível. — eu estava tão cansada que nem reparei onde estava indo — Aonde você está me levando? — perguntei confusa.

— Nunca te trouxe para cá? — ela me perguntou calma.

— Não. — Respondi olhando em volta e absorvendo os padrões dos moveis e quadros que estavam dispostos naquele corredor.

— Pardon, essa é a área dos quartos dos moradores da casa. Onde fica meu quarto o e o de mon frère.

— Ah tá, não precisa pedir perdão não. — eu sorri sem jeito pensando em como quase matei o irmão dessa moça tão fofa.

Ela abriu uma porta e me puxou para dentro.

Era o quarto dela.

Totalmente lilás e com moveis vitorianos.

Era lindo.

Ela me puxou para sentar na cama com ela.

— Lana... — Ela me olhou parecendo aflita — Pardon por tudo que estamos fazendo a você. Eu não queria. Paul não quer também. — Seus olhos encheram de lagrimas. — Nunca teria coragem de machucar sa famille.

— Calma Josette eu sei. — Olhei para seu rosto aflito, aparentemente quando ela fica nervosa o seu sotaque francês fica mais carregado, é bonitinho de ouvir. Ficamos conversando por um tempo ela me pedindo desculpas pelo que aconteceu hoje no meu treino e eu falando que ela não tem culpa de nada.

— Merci por me ouvir, chérie. — Ela esboçou um sorriso triste — Vous estava indo descansar e eu te atrapalhei. Sabe voltar daqui?

— Sei sim, pode ficar aqui eu vou sozinha. Não se preocupe. — Ela estava extremamente abalada e pálida, até mesmo para uma vampira. Fiz um aceno de cabeça e sai do quarto dela. Olhei em volta e vi que havia uma porta entre aberta. Será que era o quarto de Paul? Eu queria falar com ele.

Eu fui me aproximando do quarto e vi que alguém se mexia lá dentro. Cheguei mais perto e pude ver que era Paul.

Ele estava só com uma toalha enrolada na cintura e seu cabelo estava molhado, senti meu rosto esquentar e estava virando para sair dali quando ouvi uma risada abafada.

— Chérie não precisa ficar me espionando escondida, se quiser me ver nu é só pedir.

Continuei de costas e respondi.

— Foi um acidente, não estava te espionando só queria falar com você. — Respondi tentando soar calma.

— Tem certeza que foi acidente? — eu senti a provocação no tom de voz dele.

Sua voz foi um sussurro no meu ouvido, fiquei alarmada ele estava atrás de mim, sentia sua respiração no meu pescoço. Tinha que sair rápido daqui aposto que ele sabe que eu estou vermelha, e que estou tensa. Ele pode sentir a temperatura do meu corpo e ver a tensão em meus músculos.

— Tenho sim eu estou indo já, outra hora a gente se fala. Desculpe o incomodo. — Comecei a andar, mas ele segurou meu pulso.

— Tem certeza que não queria me ver nu? — O tom de zombaria que ele usava estava me tirando do sério já.

Ele me virou de frente para ele e eu abaixei meu rosto fitando meus pés. Ao fazer isso pude ver sua toalha branca indo ao chão. Levantei o rosto exasperada e acabei tento uma visão completa de seu corpo.

Acho que virei um pimentão.

Puxei meu pulso virei e sai correndo dali ouvindo a sua risada nas minhas costas.

Cheguei tão rápido ao meu quarto que quando menos percebi estava sentada na cama com meu bichinho de pelúcia no colo e olhando para o nada, perplexa com o que eu tinha presenciado.

Ele ia me pagar por isso.

Com certeza!