Danger
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu tô meio sumida aqui do Nyah porque a vida tá literalmente uma loucura, mas eu finalmente consegui um tempinho para voltar a escrever pois eu tava morrendo de saudade de postar aqui!
Bom, essa é uma fic curtinha, uma adaptação de uma long fic que eu tinha postada aqui, com algumas mudanças que na minha opinião deixaram ela bem melhor.
Eu sempre fui apaixonada pela relação entre o Remo e a Tonks, e essa é uma ideia minha de como as coisas poderiam ter acontecido.
Espero que vocês gostem!
Boa Leitura!!
O retorno do Lorde das Trevas tornou a reunião da Ordem da Fênix essencial mais uma vez, após mais de uma década de paz desde a Primeira Guerra Bruxa. Todos os integrantes da primeira Ordem que ainda estavam vivos compareceram, e a eles juntaram-se alguns poucos bruxos que acreditavam em Dumbledore e Harry, como a jovem Auror Ninfadora Tonks.
Sirius havia oferecido a Casa dos Black no Largo Grimmauld a Dumbledore, e ela tornara-se a nova sede onde aconteciam as reuniões, e também onde Lupin conhecera meses antes a prima do amigo.
Tonks tinha literalmente o atingido em cheio em uma das primeiras reuniões da bruxa, ao tropeçar no porta guarda-chuvas de perna de trasgo, tendo a sorte porém de Remus estar perto o bastante para segura-la.
Ele tentava a todo o momento convencer a si mesmo que não sentia nada por ela, além da amizade formada entre eles no último ano entre missões juntos e as noites passadas conversando na cozinha enquanto tomavam chocolate quente. Mal ele sabia, que para Tonks por outro lado, a ficha já tinha caído há algum tempo, e ela vira-se completamente apaixonada pelo maroto.
Incontáveis vezes ela tentava demonstrar isso a ele, por meio de sorrisos mais demorados ou mesmo com toques discretos em seu rosto, que ainda que tão marcado pelas cicatrizes das transformações era terrivelmente bonito.
Gina e Hermione, que haviam acabado por se tornar grandes amigas da Auror e sabiam dos sentimentos dela por Remus, tinham certeza que a jovem de cabelos coloridos não saia da cabeça seu ex-professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.
A tensão entre os dois se intensificou depois do Natal, quando em uma armação de Gina, Hermione e do próprio Sirius, os dois se depararam com um pequeno visgo na porta da cozinha. O pequeno sorriso que se formou no rosto de Tonks impulsionou Remus a se inclinar e juntar seus lábios aos dela com ternura, sentindo-a retribuir ao colocar a mão na nuca dele, causando um arrepio no lobisomem.
Aquele beijo deu a Tonks a certeza de que ele de fato sentia algo por ela, e acabou por ocasionar inúmeras discussões entre os dois, nas quais a metamorfomaga tentava fazê-lo parar de resistir enquanto ele enumerava várias desculpas frágeis que os impedia de ficarem juntos.
Remus sempre se recriminava quando ela surgia em seus pensamentos, travando uma dura batalha em sua mente. Enquanto uma parte dele desejava beija-la mais uma vez e dizer a ela como ele realmente sentia-se, outra parte lhe dizia a todo o momento que ele não tinha aquele direito, que ele era velho de mais, pobre demais, perigoso demais para ela.
Seu peito doía ao lembrar quem ele era... O que ele era. E que jamais poderia condenar Tonks a ter que conviver com o monstro que em todas as noites de lua cheia aparecia.
A reunião que, no entanto, mudaria tudo, teve inicio quando os últimos raios de sol se punham no horizonte, dando lugar a uma bela noite iluminada pelo brilho das estrelas. Remus estava sentado junto aos demais membros da Ordem na mesa da cozinha, mas não prestava atenção ao que falavam, enquanto se perguntava onde diabos Tonks estaria.
Inevitavelmente, ele não conseguia deixar de ficar inquieto com os atrasos dela.
Quando ouviram o barulho da porta, ele imediatamente sabia que era ela. Ninfadora entrou no cômodo quase tropeçando outra vez, com os cabelos na cor azul na altura de seu ombro.
— Wotcher! – disse ela sorrindo. Apesar de cansada, chegar à mansão Black sempre a fazia se sentir bem – Desculpem o meu atraso.
— Tudo bem Srta. Tonks. – disse o Professor Dumbledore, sempre cortês – Parece que Alastor está lhe dando muito trabalho, não?
— Ele não consegue viver sem mim, certo Moody?! – ela respondeu, rindo e piscando para o seu tutor, que se resignou a rolar os olhos para sua protegida.
— Sente-se, Ninfadora. Aguardávamos sua chegada para começarmos. – ele disse, fazendo com que ela agora revirasse os olhos, suspirando. Não importava o quanto pedisse para que ele não a chamasse assim, ele insistia em tratá-la pelo primeiro nome.
Tonks procurou um lugar na mesa e acabou se sentando bem ao lado de Remus. Ela sorriu para ele ao se sentar, e ele retribuiu o sorriso instantaneamente.
— Wotcher Remus.
— Boa noite, Tonks.
A reunião seguiu normalmente: Dumbledore falava como estava sendo difícil fazer com que o Ministro da Magia acreditasse que Voldemort realmente havia retornado, e as consequências geradas por isso, como aumento do numero de mortes e de comensais começavam a tornar a situação ainda mais crítica.
Tonks permanecia distraída até Remus cutuca-la levemente com o ombro.
— Ninfadora? – chamou-a Dumbledore.
— Sim, Professor?
— Tenho uma missão para você. Preciso que vá até um vilarejo, procurar por Rosalie Grace e seu irmão, Pete Grace. Eles fizeram parte da primeira ordem, mas há alguns anos não temos noticias dos dois. Quero que descubra o paradeiro deles, e se tiver sorte, traga-os à Londres.
— Entendido professor. – ela assentiu.
— Mas ela vai sozinha Dumbledore? – interviu Remo, que até aquele momento havia permanecido calado.
— Não creio que seja necessário. É uma missão simples, e Ninfadora já é uma Auror experiente, dado o número de missões bem sucedidas cumpridas por ela. Acredito que ela seja perfeitamente capaz de realizar a tarefa. – explicou Dumbledore — A não ser, é claro, que ela deseje um parceiro. O que me diz Ninfadora?
— Não vejo problema algum.
— Bom, então com isso, podemos finalizar a reunião. Boa noite a todos, e até breve.
Dizendo isso Dumbledore desaparatou, ao que os demais se levantaram e retiraram-se, restando apenas Tonks, Lupin e Sirius por último.
— Parabéns priminha!– brincou Sirius abraçando-a – Sua primeira missão solo!
— Obrigada priminho. – ela sorriu.
— Eu estou cansado, acho que vou já me deitar. Boa noite para vocês – falou, piscando para Lupin disfarçadamente — Comportem-se na minha ausência, crianças.
— Boa noite – disseram os dois em coro.
Quando o barulho dos passos de Sirius subindo as escadas desapareceu no andar superior, Remo soltou uma respiração pesada que ele não percebera que estava segurando.
— Algum problema Remus? – Tonks perguntou, analisando-o apreensiva.
— Não concordo com isso. Você não deveria ir sozinha. – disse um pouco irritado, se levantando e indo em direção à sala da Mansão Black.
— Acha que eu não sou capaz? – ela questionou, seguindo-o de perto.
— Eu não disse isso.
— Então explique o que há de tão errado em eu ir sozinha.
— Eu... Eu só me preocupo. – ele murmurou, sem conseguir evitar que suas bochechas esquentassem, corando violentamente – Não quero que aconteça algo com você.
Ela também corou. Sempre que Tonks tentava falar com ele sobre o assunto “nós” ele se esquivava e, portanto, decidira parar de pressioná-lo por algum tempo. Agora, finalmente, tinha sua oportunidade de tocar no assunto que preenchera todos os seus pensamentos nos últimos dias.
— Se você se preocupa tanto assim comigo, porque sempre me evita? Por que insiste em ficar distante? – Ela percebeu seu cabelo mudando de cor, para um intenso vermelho, e respirou fundo para controlar seu timbre de voz antes de continuar – Porque não admite o que sente por mim?
— Você está mudando de assunto Ninfadora!
— Não me chame de Ninfadora! Quantas vezes já disse que amo você Remus?! Será que é tão difícil você entender isso?
Remo ficou sem palavras, mais uma vez, como sempre acontecia quando ela o colocava contra a parede daquele jeito.
— Tonks... Você não sabe o que está dizendo.
— Sim, eu sei muito bem Remus.
— Mas isto é loucura. Você sabe que não podemos ficar juntos. O que eu penso, não vai mudar nada disso. — ela se surpreendeu com as palavras dele.
— Não podemos? Então, eu exijo pelo menos um bom motivo para isso! – ela disse se aproximando – E não me venha com aquelas mesmas desculpas esfarrapadas para cima de mim Remus Lupin.
— É perigoso demais, para nós dois.
— Eu não me importo.
— Eu tenho medo de te machucar. Eu não quero isso.
— Remus, você me machuca muito mais quando diz que não podemos ficar juntos. Quando insiste em ficar distante de mim. – ela suspirou encarando-o, a dor eu seu olhos batendo em Remus como uma lâmina afiada.
— Me perdoe Tonks, mas se faço isso é por que... Porque eu te amo. – disse ele com uma expressão triste no olhar.
Ela se aproximou devagar, um pequeno sorriso iluminando o rosto, ao acariciar os cabelos fartos dele delicadamente.
— Remus...
— Eu não te mereço Tonks. Você merece alguém melhor, alguém mais jovem e sadio. Com quem possa ter uma vida de verdade.
— Mas que droga Remus! Eu não quero mais ninguém!— disse ela segurando em seu rosto, fazendo-o a encarar — É você e só você que pode me fazer feliz.
— Me desculpe, Tonks. – ele segurou suas mãos, afastando-as — Mas eu não posso acabar com a sua vida. – terminou, antes de subir para o andar de cima sem olhar novamente para ela.
Ela ouviu Remus bater a porta de seu quarto, deixando-se cair no sofá com as mãos sobre o rosto, quando Sirius desceu as escadas e olhou para ela, sem saber bem o que fazer.
— E então? Como foi? – ele perguntou.
— Inútil. E terrível. Odeio quando ele faz isso.
Sirius suspirou.
— Remus consegue ser mais cabeça dura que você as vezes.
— Eu não sei mais o que posso fazer. – ela disse dando um riso fraco e enxugando os olhos, rasos d’agua.
— Tenha paciência. Apesar de tudo, o Aluado não possui boas recordações de relacionamentos com outras pessoas. Todos se afastavam quando descobriam sobre ele ser um lobisomem, e talvez isso esteja deixando ele cego, com medo de tentar mais uma vez. Dê um tempo a ele, Tonks.
Neste momento, ouviram um barulho na cozinha ao que a coruja de Dumbledore apareceu. Uma bela ave acinzentada, que tinha um pelo brilhante e macio, trazendo um pergaminho endereçado a Tonks.
— São as instruções de Dumbledore para a missão. Terei de partir ao amanhecer. – disse ela enrolando o pergaminho, após verifica-lo rapidamente.
— Então você deve ir se preparar e descansar. Será um longo dia. — ela assentiu, e depois se despediu de Sirius com um abraço — Boa sorte Tonks.
— Obrigada Sirius. Mande... Um tchau para ele por mim, ok?
— Pode deixar.
Ela sorriu, desfazendo os feitiços de proteção para sair do Largo Grimmauld, e só então desaparatando em direção a sua casa.
♥
Tonks havia preparado na noite anterior tudo o que precisaria para poder partir, e estudara as informações que Dumbledore lhe passara. De acordo com o que lera, Rosalie era uma excelente jovem curandeira que se tornara auror após algum tempo trabalhando no St. Mungo’s. Ela e o irmão, também um auror experiente, trabalhavam juntos e capturaram vários comensais na Primeira Guerra, salvando assim a vida de muitas pessoas.
Em suma, os gêmeos Grace eram verdadeiros heróis.
Estava claro que Voldemort desejaria tê-los presos, ou talvez, melhor ainda, trabalhando a seu favor.
Quando o dia finalmente amanheceu, ela aparatou em um local afastado do vilarejo. Procurou por algumas horas até encontrar pistas do lugar certo, o qual veio a encontrar apenas quando o sol já desaparecia do céu.
No endereço, havia uma casa. Ou pelo menos o que sobrara do que um dia tinha sido uma casa. Janelas quebradas, pintura gasta, tijolos e telhas despedaçados por todos os cantos. A porta, visivelmente arrombada, rangeu quando ela a abriu.
— Lummus.
O interior estava tão devastado quanto o lado de fora da enorme casa. Madeira, poeira, móveis quebrados e uma completa escuridão preenchia o lugar que tinha um cheiro forte de mofo, como se ninguém tivesse estado ali há um bom tempo.
Tonks abriu passagem por entre o entulho procurando por algum sinal dos dois, mas nada parecia ser relevante.
Ela sentiu um arrepio em sua espinha, seus instintos deixando-a totalmente alerta quando a temperatura do ambiente caiu de súbito e ela se viu cercada por Dementadores. Ela quase podia ouvir a voz de Alastor gritando para ela “Vigilância Constante!” e imediatamente, ergueu a varinha pronunciando o feitiço:
— Expecto Patronum! – então, algo novo aconteceu. Seu patrono surgiu, entretanto ele não era o mesmo de sempre. Agora ele era um grande animal com caninos ferozes que impunham respeito. Primeiramente ela imaginou que fosse um cão, mas ao finalmente enxergá-lo com maior precisão, viu que seu patrono assumira a forma de um lobo.
— Remus... – ela sussurrou, vendo a figura prateada afugentar todos os Dementadores.
As figuras sinistras foram substituídas pelo som de uma risada inconfundível, e novamente ela se via cercada. Desta vez por Comensais da Morte.
— Ora, ora, ora... Se não é a filha de Andrômeda!
Bellatrix apareceu por detrás de uma das paredes, balançando a varinha e encarando a sobrinha com a cabeça levemente tombada e um olhar sádico, posicionando-se ao lado dos comensais.
— Olá, titia. – Tonks sorriu confiante, provocando-a.
— Como ousa me chamar assim? Há muito tempo, você deixou de fazer parte da nobre família Black. Quando a sua querida mãezinha escolheu a corja nojenta dos trouxas...
— Cale a boca Bellatrix. Muitos trouxas são bem melhores do que você.
— Insolente! Deveria ficar quieta e implorar por piedade. – Tonks conseguia ver pelo canto do olho, quatro dos homens preparando para atacá-la enquanto ela mantinha o diálogo com a bruxa, pronta para o duelo — O que veio fazer aqui, Sangue-Ruim?
— Não te interessa. – disse Tonks, rispidamente.
A Auror apontava a varinha para ela, e antes que perdesse sua pequena chance, atacou. Sabia que era precipitado, considerando sua desvantagem numérica, mas ela não tinha muitas escolhas.
— Estupefaça! – mas um dos comensais aparou o feitiço, antes que Bellatrix pudesse ser atingida.
— Para uma Auror, Ninfadora, você ainda é muito fraca. – sibilou Bellatrix enfim erguendo sua varinha, fazendo um ataque rápido.
— Estupore! – Tonks conseguiu desviar, antes que o feitiço a acertasse. Um dos comensais foi atingido, caindo no chão desacordado.
Menos um, pensou Tonks. Faltam quatro.
— Avada Kedrava! – atacou Bellatrix novamente. Desta vez, Tonks lançou o feitiço de proteção que quase não conseguiu repelir a Maldição da Morte, e aproveitou o momento de distração dos homens para atacá-los.
— Expelliarmus!— o comensal foi atirado longe, batendo no que sobrara de uma parede de tijolos.
Três.
Quando a esperança de vitória crescia em seu peito, tudo deu errado.
Bellatrix atacou-a e Tonks conseguiu aparar, mas outro comensal também a atacou por trás, sem permitir que ela pudesse se defender.
— Alarte Ascendare!
Tonks perdeu o controle de seu corpo, que foi içado para o alto, e depois despencou fazendo-a cair no chão com um estrondo. Sua perna latejava, e ao tentar se levantar, sua visão escureceu. Ela sentiu alguém se aproximando, e depois, o toque frio da ponta da varinha de Bellatrix em sua garganta.
— Vocês parecem que nunca aprendem, não é? Agora, fique quietinha, se não quiser morrer.
Tonks não sabia o que iria acontecer, e dada a situação, não tinha muito que pudesse fazer. Pensou em Remus pelo que poderia ser a última vez, e uma ideia lhe surgiu. Aproveitando a varinha ainda em sua mão, pronunciou seu provável último feitiço:
— Expecto Patronum.
O grande lobo apareceu novamente, feroz. Bellatrix se assustou e cambaleou para trás, deixando Tonks sozinha, permitindo que ela se levantasse. O patrono conjurado era na verdade uma mensagem direcionada à Ordem, contando o que acabara de acontecer, e este desapareceu na escuridão do céu.
Ela continuava zonza pela queda, mas Bellatrix e os outros já se recompunham. Empunhou sua varinha, pronta para continuar a lutar. Mas os comensais foram mais rápidos. Juntamente a Bellatrix atacaram-na com um feitiço estuporante, e fraca, mal conseguiu se defender.
— Sectumsempra! – o feitiço atingiu a lateral do corpo de Tonks que não tivera tempo de se desviar. Ela sentiu uma forte dor, e levou a mão ao local, sentindo em sua mão o sangue que jorrava do ferimento. Sem forças, ela caiu de joelhos.
— Durma bem... sobrinha. Estupefaça! – e então a visão de Tonks se escureceu.
♥
Já começava a anoitecer e outra vez, Remus estava preocupado com Tonks.
Ele passara o dia pensando nela.
Está tudo bem. Ela vai ficar bem. Ele repetia sem parar as palavras que começavam a se tornar um mantra em sua cabeça.
Sirius compartilhava sua ansiedade, ambos na cozinha quando o restante da Ordem chegou, se acomodando e iniciando a pequena reunião daquele dia.
— Por onde começamos? – perguntou Shacklebolt.
— Alguma noticia de Tonks? – pediu a matriarca do Weasley.
— Até agora nada, Molly. – respondeu Sirius.
— Já era para ela ter enviado noticias. – disse Olho-Tonto.
— Acha que pode ter acontecido alguma coisa Alastor? – perguntou Lupin.
— Não, acho que não. Tonks é forte, e esperta. Uma das melhores alunas que eu já tive. Ela se sairá bem, não há razão para nos preocuparmos.
Preste a passar para outro assunto a ser discutido, uma luz prateada brilhou no céu escuro de Londres e desceu rapidamente em direção à cozinha da mansão. Todos se puseram de pé, as varinhas em punho, prontos para o que quer que fosse.
O patrono lupino irrompeu pela porta da cozinha, e logo a voz de Tonks apareceu. Quando ela terminou, Remo agradeceu por estar perto da mesa, pois se não tivesse um algo para se apoiar provavelmente teria caído no chão.
— Essa não... – disse a Sra. Weasley, levando uma mão à boca.
— Tenho que fazer alguma coisa. – disse Remus, indo em direção ao jardim.
— Sozinho? – exclamou Sirius. – Você só pode estar brincando! Todos nós vamos fazer alguma coisa. Temos que ajudá-la.
Remus respirou fundo, tentando colocar a cabeça em ordem.
— Alastor? – ele chamou, pedindo por uma orientação.
Olho-Tonto hesitou por um segundo, pensando.
— Vamos até o local, procurá-la e ajudá-la.
Remus, Alastor, Kingsley, e Arthur aparataram no endereço em que Tonks estivera há pouco, deixando um Sirius contrariado na sede. Entre os montes de entulho, não havia nada a primeira vista que pudesse indicar um duelo recente.
— Tonks? Tonks! – gritou Remus, procurando-a pela casa.
Nada.
Após revistar todos os cômodos, sem encontrarem nada, decidiram que talvez seria melhor retornar para o Largo Grimmauld e lá decidirem o que iriam fazer.
— Ela não está aqui. Não sabemos há quanto tempo aconteceu. O patrono pode ter demorado a chegar à sede. – disse Kingsley.
— Remus? Encontrou alguma coisa? – perguntou Moody para Lupin, agachado em meio aos destroços.
— Sangue. – ele murmurou, erguendo a mão manchada com que poderia ser o sangue de Tonks — É tudo culpa minha, Alastor. Não deveria ter deixado ela vir sozinha. Eu poderia ter vindo com ela e impedido que isso acontecesse.
— Não diga bobagens Remus, não é sua culpa. Tonks vai ficar bem. Vamos encontrá-la. – disse o Sr. Weasley.
Remus assentiu levemente. E assim, os quatro desaparataram.
♥
Tonks abriu os olhos devagar, sentindo a dor pesar em todo o seu corpo, focalizando sua visão com dificuldade para então olhar ao redor e analisar o lugar frio e com uma péssima iluminação onde se encontrava.
— Que bom que você acordou. – disse uma voz feminina na escuridão.
Tonks se assustou e procurou por sua varinha, apenas para perceber que ela não estava ali.
— Quem é você? – perguntou incerta.
— Meu nome é Rosalie. Rosalie Grace. – disse a mulher se ajoelhando ao seu lado – E você? Qual o seu nome?
Na luz fraca, Tonks mal pode ver o rosto da mulher. Ela deveria ter um pouco mais de trinta anos, rosto sujo, os olhos castanhos cansados e o cabelo claro amarrado de maneira descuidada em um rabo de cavalo frouxo.
— Ninfadora Tonks. – ela disse sentando-se com uma careta de desconforto — Mas me chame apenas de Tonks.
— Ninfadora? Você é a filha de Andrômeda, certo? Sobrinha de Narcisa e Bellatrix?
— Sim, sou eu. – ela tentou um sorriso.
— Nossa como você cresceu! Conheci a sua mãe há alguns anos, você era uma criança ainda. Como veio parar aqui?
— Primeiramente, onde exatamente é aqui?
— Exatamente o que parece: um calabouço. Eu e meu irmão, temos quase certeza que este lugar esteja alguns metros abaixo da Mansão Malfoy. Mas o que aconteceu com você?
— Estava em uma missão da Ordem. Dumbledore me pediu para procurar por você e seu irmão, mas acabei sendo pega pelos comensais e...
— Eu sinto muito Tonks, você não precisava ter vindo nos procurar.
— Como não?! Dumbledore me falou sobre vocês, sobre tudo o que fizeram no passado. Demoramos muito até para procura-los.
— Obrigada, Tonks. – ela sorriu.
Tonks tentou outro movimento, mas foi impedida por uma forte dor na lateral de seu corpo, que a fez se sentar novamente apoiando a cabeça contra a parede de pedra nas suas costas.
— Não faça esforço, o ferimento pode voltar a sangrar. Desculpe, mas não pude fazer muito para ajudar. Sectumsempra é um feitiço perigoso e mortal. Tem sorte de ainda estar viva. Se eu estivesse com minha varinha, daria jeito nisso em dois tempos.
— Não se preocupe, eu vou ficar bem. – ela respondeu, sorrindo apesar da dor cortante, incapaz de baixar a guarda e mostrar sua fraqueza — Mas e vocês? Como vieram parar aqui?
Antes que Rosalie pudesse responder um grito ecoou pelo calabouço, vindo de algum ponto acima. A mulher apertou os olhos, como se sentisse a mesma dor da pessoa que gritara daquela forma.
— O que foi isso? – perguntou Tonks, alarmada.
— Pete. Eles o levaram lá para cima... De novo. Eles nos atacaram pouco depois de Dumbledore e o garoto Potter dizerem que o Lorde das Trevas tinha retornado e, depois de destruir nossa casa, nos trouxeram para esse lugar infernal. Eles têm nos mantido aqui até hoje, para nos tirar da ativa e tentar descobrir algum segredo sobre a Ordem da Fênix.
— Por meio da Maldição Cruciatus, eu suponho. – completou a jovem, olhando novamente para o teto, enfim compreendendo o que fizera alguém gritar com tamanha agonia.
— Meu irmão quase foi à loucura. – ela confirmou as palavras de Tonks, assentindo.
— Nós temos que dar um jeito de sair daqui, Rosalie.
— É impossível. O lugar é enfeitiçado e não podemos desaparatar, e não adianta tentar usar a força bruta. Acredite, nós já tentamos tudo Tonks, e nada deu certo. – ela suspirou, e mudando de assunto em seguida – Agora me diga, quem é Remus?
Tonks a fitou, com uma expressão confusa no rosto dada a pergunta de Rosalie.
— Hã... Por quê?
— Enquanto você dormia, repetiu este nome algumas vezes.
Tonks sentiu suas bochechas corarem e percebeu seu cabelo mudando de cor.
— Talvez você o conheça, ele fez parte da primeira Ordem.
— Remus... – ela pensou por alguns instantes, até se lembrar — Você está falando de Remus Lupin?
— O próprio.
— Eu o conheci. Era um dos melhores amigos dos Potter, um grande homem e um grande bruxo, apesar de todos os problemas.
— Sim, ele é. – disse Tonks, com um pequeno sorriso surgindo em seu rosto.
— Hm... Conheço esse olhar. Está apaixonada Tonks? – ela sorriu contente por ter algo para falar além de tudo o que tinha acontecido, o brilho nos olhos de Tonks lembrando-a porque eles continuavam lutando.
— Completamente. – respondeu com um sorriso sincero – Mas é complicado, nós...
Naquele instante, o som de dois homens descendo as escadas cortou Tonks. Um deles era uma comensal alto, todo de preto com a máscara escondendo-lhe o rosto. O outro aparentava estar muito fraco, magro e machucado, usando uma calça jeans surrada, com uma camisa e uma jaqueta de couro.
O comensal abriu o pequeno portão, e literalmente jogou Pete no calabouço, fazendo-o tropeçar e cair, batendo as mãos e o rosto no chão cimentado. Rosalie levantou-se rapidamente, e foi ajudá-lo.
Ainda no portão observando a cena, o comensal chamou, direcionando-se agora para Tonks.
— É a sua vez, Sangue-Ruim.
Outros dois comensais desceram as escadas, pegando Tonks facilmente pelos braços e a arrastando até o andar superior, enquanto ela se debatia tentando se soltar.
Ao alcançarem o andar superior, ela reconheceu imediatamente onde estava.
Mansão Malfoy.
Sua mãe havia descrito a casa de sua irmã Cissa em detalhes, por diversas vezes. O cheiro de móveis noveis, de cômodos limpos e encerados, misturado a uma atmosfera de superioridade que emanava de seus habitantes reinando na casa.
Com brutalidade os homens derrubaram Tonks de joelhos no chão e acorrentaram suas mãos apertadamente, certificando-se de que ela não faria nenhuma besteira ao se por ao lado dela com a varinha apontada para sua cabeça.
Não demorou muito até os passos de salto alto, vindos do canto noroeste do cômodo se tornassem mais altos e próximos, a medida que Bellatrix entrava em seu campo de visão.
— Finalmente terei o prazer em interrogá-la Ninfadora.
— Não. Me. Chame. De Ninfadora.
— Que seja. Vamos acabar logo com isso. – ela sibilou, encarando-a mais uma vez com um sorriso cruel brotando em seus lábios.
— Faça o seu pior, titia.
— Tenho a sensação que você tornará as coisas muito interessantes por aqui, Ninfadora – ela riu, enfim erguendo sua varinha e lançando a Maldição Imperdoável — Crucio!
Notas finais
Eu ia ficar muito feliz se vocês me contassem o que acharam nos comentários! #façaumaautorafelizedeixeseucomentário
Muuuuito obrigada por ler!!
Bjiinhooos da Kakau, e até breve!
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