Danger
10 A amiga.
Notas iniciais
Avião/7h23min
Olhou seu reflexo.
Estava coberta de hematomas nas costas, nos braços, e na coxa esquerda. Se aquele era o resultado do treinamento leve, ela não queria nem ver o pesado. Depois de apanhar durante quinze minutos, passou-se o que Ward disse ser o aquecimento. Então ela passou a socar um saco de boxe, pela meia hora seguinte, enquanto escutava, atentamente, as instruções do homem robótico ao seu lado. A conversa não chegou mais em um nível pessoal, pelo resto da noite.
– Skye. – A porta foi aberta
– Pode entrar Fitz. – Gritou reconhecendo a voz dele.
– O que é isso? – Apontou para seu corpo com uma cara horrorizada.
– É o resultado do meu treinamento com o Sr. Robô. – Sorriu e gesticulou para que sentasse. – Em que posso ajuda-lo, Leo Fitz?
– Eu, eu, eu... – Coçou a cabeça e bufou nervoso – Eu não sei o que fazer Skye. – Olhou para ele com a sobrancelha erguida. Leo estava claramente confuso, o que tornava a situação um tanto quanto cômica. O gênio da ciência estava ali, pedindo sua ajuda, de um modo encabulado. Não pode deixar de rir. –Quer saber – Ele sacudiu as mãos e levantou-se – Esquece, eu não sei onde tava com a cabeça quando vim aqui e...
– Leo. – Segurou-o antes que saísse – Confie em mim.
Ele olhou-a bem nos olhos, então Skye percebeu que ele tinha olhos muito bonitos. Não só os olhos, aliás, ele era muito bonito. Uma beleza natural, sem esforços, uma beleza tímida e recatada. Os cabelos que estavam um pouco grandes revelavam cachos loiros, que lhe davam um ar angelical. Fitz sorriu largo. E Skye lembrou-se de quando ele estava consolando-a. Sentiu uma ternura tão grande pelo cientista e colega de equipe. Num gesto impulsivo o abraçou, fazendo-o cambalear dois passos para trás.
– Obrigada, Fitz! – Sussurrou em seu ouvido e sentiu as lágrimas se formarem. – Obrigada, obrigada, obrigada. – Gritou o último “obrigada”, pendurou os braços em seu pescoço e plantou-lhe um beijo na bochecha.
Neste momento a porta foi aberta. E uma Jemma vermelha como tomate olhava para eles. O primeiro impulso, assim como abraça-lo, foi afastar-se dele. Skye sabia que sua amiga gostava de Fitz, e que eles tinham uma história um tanto mal resolvida. Não queria que aquele gesto de carinho fosse interpretado errado, não queria que Jemma ficasse magoada, não queria machucar ninguém.
– Oi, Fitz. Oi, Skye. – falou baixo – Oi, FitzSkye – Repetiu mais alto.
– FitzSkye. – Ela gargalhou ao repetir aquele nome esquisito. – Sabe, Jemma, FitzSimmons é mais bonito que FitzSkye.
– Talvez seja. – Murmurou.
– É sim! – Exclamou Fitz de forma alegre. Alegre de mais. Skye pensou. E ele deve ter adivinhado seu pensamento, porque enrubesceu na hora.
– É, acho que Skye não combina com Fitz.
– É, Skye combina mais com nomes tipo Ward. – O loiro deu de ombros e Skye lançou-lhe um olhar de poucos amigos. Ele prontamente levantou-se de onde estava e saiu pela porta, como o diabo que foge da cruz.
SkyeWard. Pensou e não pôde deixar de sorrir. Tinha uma boa sonoridade. Percebeu que Jemma ainda estava com ela, e fechou o sorriso. A loira sorriu largamente e quando Skye abriu a boca para protestar o dito cujo entrou em seu quarto. O que só fez sua amiga aumentar o sorriso. Lançou-lhe o mesmo olhar que lançou a Fitz, mas ela não correu como ele, apenas acenou timidamente com a cabeça, e seu sorriso abrandou-se um pouco.
– Coulson nos espera. – Foi tudo o que Ward disse e saiu.
– Coulson nos espera. – Fez uma má imitação da voz dele e Simmons gargalhou.
Caminharam até a sala de reuniões. Skye ainda era impressionada com o tanto de salas e corredores que aquele avião tinha. Quem o visse por fora não daria muito por ele, parecia um avião comum, era um pouco maior que os aviões de viagem, mas ainda sim não era lá grande coisa. Sentou-se ao lado de Simmons, que se pôs ao lado de Fitz. A sua esquerda estava May, e logo ao seu lado Ward. Ele havia tirado o gesso, reparou. E andava mancando, o que lhe acrescentava um charme particular.
– Este – Morto-vivo começou apontando para mesa holográfica, onde apareceu a imagem em 3D de uma mulher negra, com lábios grossos, cabelos cacheados e volumosos, olhos verdes, sorriso largo, corpo esguio. Era uma mulher linda. – É o nosso alvo.
– Um belo alvo. – Murmurou Skye e todos olharam para ela – O quê? Vai me dizer que essa mulher não é tipo uma deusa?
– Você não sabe o quão está certa, Skye. – Respondeu-lhe o líder da equipe.
– Certa? Eu?
– Ela? – Robô indagou com desdém e Xing ling franziu o cenho.
– Esta é Martina – Coulson disse ignorando as perguntas – Ela é de Asgard.
– Asgard!? – Skye não pôde conter o gritinho de excitação – Então ela é mesmo uma deusa.
– O termo correto é alienígena. – Fitz a corrigiu – Bem, os asgardianos são de outro planeta, o que faz deles extraterrestres. Com seus super poderes e tudo mais. Eles visitam nosso planeta desde muito cedo, causando grande... Rebuliço por aqui, e, como antes não se era possível entender nem explicar estes fenômenos, foi criada a mitologia nórdica. Tornando-os deuses. – Bonito e inteligente. Skye pensou olhando para Fitz, notando que Jemma fazia o mesmo.
– Alienígena ou não, o Thor é um gato. – Suspirou – Aquele homem é mesmo um deus.
– Skye! – Jemma cutucou-a com o cotovelo para que se calasse.
– Bem, nós temos de encontrar Martina. – Continuou Morto vivo. – E pegar o bracelete que ela pretende vender para o Quinn.
– Quinn? – Simmons indagou.
– Sim, ele tem ligações com a Centopeia, e esse bracelete parece ter alguma ligação com as operações de ambos.
– Que tipo de ligação? – Skye perguntou.
– É uma informação nível 8. Isso é tudo.
– Pousamos em 1h. – Foi a única coisa que May pilota xing ling disse antes de sair da sala.
– Então todos começaram a segui-la para fora. Sem fazer nenhuma pergunta como se não importasse saber do que se tratava ao certo aquela missão. Nível 8, nível 8. E daí se era nível 8? Eles iam à missão, eles mereciam saber do que se tratava. Era no que sua cabeça trabalhava enquanto caminhava emburrada para o quarto. Chutou o ar com um pouco de força de mais, e quase caiu. Suas costelas doeram e ela lembrou-se que ainda estava de recuperação. Nada de esforços além do necessário. Dissera-lhe Ward.
– Isso é tão idiota. – Socou o ar enquanto relembrava da noite anterior, em que treinara com Ward.
– O quê? – Escutou a voz atrás dela. Tão próxima que ela podia sentir a respiração dele em sua nuca.
– Você é idiota, agente. – Virou-se e ergueu o queixo para desafia-lo.
– Por que diz isso, agente? – Avançou um passo, de modo que as pontas dos pés de ambos se tocavam. Ele a estava desafiando, intimidando. Chama-la de agente quando sabia que ela não era uma. Aquilo fazia parte do treinamento.
– Isso faz parte do treinamento? – Ergueu a sobrancelha.
– Quero saber como age sobre pressão, Skye. Vamos ao campo hoje.
– Colher flores? – Sorriu. Os cantos da boca de Ward repuxaram-se para cima, se ele fosse normal, ela diria que aquilo era o indicio de um sorriso tímido.
– Se você acha que é pra isso que treinamos ontem. Então sim, eu tenho razão.
– Tem razão sobre o quê?
– A idiota é você, não eu. – Limitou-se a olha-lo, ele havia mesmo a insultado? Depois do treinamento ela pensou que tivessem progredido em sua relação, mas era óbvio que era impossível existir algum progresso quando se tratava de derreter todo aquele gelo. – Espero que você vista preto.
– Preto. – Ecoou sua última palavra, ainda estava incapaz de formular um pensamento lógico. Aquele homem estava acabando com os seus neurônios.
– Sim, é uma cor discreta, usada nas missões. – Sorriu e então aproximou a boca de sua orelha – E eu acho que preto cairá bem em você.
Então virou as costas. Deixando-a completamente atordoada. Aquelas palavras sinalizavam uma gota de progresso? Se sim, ele era pior do que imaginara. Definitivamente, aquele homem não era humano.
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