Danger.
4 Amizade na estrada.
Notas iniciais
Comi o resto da lasanha – porém, não me sentindo satisfeita o suficiente – e logo fui dormir. Estava morta de sono e dormindo, seria o único jeito de esquecer todas as merdas que aconteceram por hoje.
Acordei e abri meus olhos vagarosamente. Olho fixo para o teto. Alguns furos no teto de madeira faziam com que a luz de mais um novo dia penetrassem dentro do galpão. Levantei, arrumando as cobertas que estavam caindo e me direcionando para o tanque que tinha no canto do galpão, escovando meus dentes e lavando meu rosto, logo fazendo minhas necessidades dentro de um cubículo de madeira com um vaso sanitário. É, meu banheiro era esse.
Troquei aqueles trapos de roupa que eu chamava de pijama. Uma calça de moletom até as canelas e uma camisa de manga comprida verde musgo bastante furada. Coloquei minha roupa e lembrei que havia decidido ir na casa de Lana, no centro de Las Vegas.
Pelo que eu lembre, fui uma vez no centro de Las Vegas, mas é algo para nunca esquecer. É tão rico, chique e... sei lá... iluminado. Aqueles prédios enormes, estabelecimentos esbanjando riqueza e dinheiro, bares de apostadores, placas e mais placas de luz, torres altíssimas, turistas tirando fotos e com os olhos brilhando ao ver tudo aquilo. Estava feliz, por um lado, de ir até lá. Saber como é uma cidade de verdade. Mas, sem dinheiro nenhum para gastar. Para comprar comida, vou em um mercado no interior daqui. Graças a Deus tem um bendito estabelecimento de comida por esses lados.
Peguei a ração de Bick, minha galinha e acariciei sua cabeça. Peguei minha bolsa e fui a caminho de Las Vegas sem mesmo saber como eu iniciaria uma conversa com Lana e sem, ao menos, saber bem onde ela mora. Mas lembro que certa vez, ela me explicou que era em um prédio espelhado, na qual o nome era Center Vegas Building. Me perguntei: Um restaurante a beira da estrada deve dar uma boa grana, hein... Um prédio em Las Vegas é caríssimo.
Percebi que a viagem estava meio silenciosa e liguei o rádio, como sempre. Nas estradas eu não conseguia ir devagar e sem dar curvas violentas. Aquelas estradas estavam desertas e aproveitei isso. Sorri, mordendo os lábios e pisei fundo, olhando o velocímetro e vendo o ponteiro ir cada vez mais rápido, até que cheguei aos 200 km/h. Ria euforicamente enquanto dirigia feito uma maluca.
P.O.V Justin Bieber
– Justin! Acorda, panaca! – Matt dizia, me sacudindo. – Eu tava dando umas voltas e a camionete estragou. Tu que sabe arrumar, veiculo, arruma pra mim, cara!
– Ah fala sério, mano... – resmunguei.
– É o seguinte... Se tu não arrumar aquela porra, como que a gente vai roubar lá no centro? A pé? Levanta e faz o que eu tô mandando.
Dei um soco no travesseiro e levantei, bufando de raiva. Fui do jeito que eu estava mesmo. Sem camisa e uma calça de pijama cinza.
– Ui gostoso! – Becca disse, rindo ao me ver indo para a porta. Ri fraco.
Estava um dia quente. A única coisa que salvava aquela temperatura infernal era um forte vento.
Matt havia deixado a camionete na beira da estrada. Burro, pensei. A policia já conhece nosso carro e, se alguma viatura passasse por lá, e... o pior, me ver, a gente tava fodido.
Olhei para os lados, verificando se não vinha alguma policia e abri o capô. Ao abri-lo, escutei um ronco muito forte vindo a quilômetros de distancia. Olhei para trás, era um carro vindo a mil por hora. Sorri vendo aquilo e encaixei minha mão na testa, tapando o sol que vinha de cima. Quando o carro passou na minha frente, vi que era uma garota.
– Nossa... Queria uma namorada que dirigisse assim... – disse, a mim mesmo, acompanhando a velocidade do carro, que, de repente, começou a parar e no seu capô estava saindo fumaça. – Hora de salvar a gatinha.
Fechei o capô e fui até o carro dela que, estava a poucos metros de distancia. Ela desceu do carro e eu automaticamente parei no caminho, abrindo a boca e me espantando com a beleza daquela mulher.
Loira com o cabelo levemente bagunçado, corpo escultural, pernas saradas e alta. Era como a imagem dela fosse em câmera lenta na minha cabeça. Lambi os lábios e pensei: Vou falar com ela... Sei lá, dizer “E aí?” ou algo assim. Me liguei e fui até ela, que estava abrindo o capo do carro, indignada.
– Posso ajudar, moça? – eu disse, me escorando no seu carro.
Quando ela virou para mim, olhei bem para seus olhos. Eram verdes. Um verde encantador. Quase paralisei de novo, mas foquei em não perder essa garota.
– Oi... Não sei se você consegue ver o que aconteceu aqui no meu... – vi que ela me olhou dos pés a cabeça e ficou encarando meu abdome. – o meu... é... meu carro.
– Claro, deixa eu ver. – eu disse, dando um sorriso malicioso e me pondo na frente do carro. Percebi que ela continuava a encarar meu corpo. – Eu acho que é problema no motor.
– Motor? Ok... – ela foi até seu carro, abriu o porta luvas, deixando suas pernas pra fora do carro que, obviamente encarei. Ela voltou com algumas ferramentas.
Fiquei impressionado que ela entendia de carros também. Manuseava aquelas ferramentas de uma maneira tão impressionante. Analisava aquelas coisas no motor e rapidamente solucionava o que tinha de fazer. Garota inteligente.
– Acho que concertei. Vou ver. – ela disse, fechando o capô e entrando no carro, ligando o motor e fazendo o carro andar novamente.
– Você pode me ajudar com a minha camionete? – eu disse, me curvando para falar com ela pela janela.
– Claro!
Ela desceu no carro e a acompanhei. Até o jeito dela andar era lindo. Não conseguia tirar o sorriso do meu rosto com aquela garota perto de mim. Mas... pensei fixamente em não estar apaixonado. Eu não podia estar apaixonado. Conheci a garota agora. Amor a primeira vista, pensei automaticamente. Não pode ser. Eu sou o tipo de garoto que apenas tem garotas por diversão. Mas quando a vi algo mudou.
– Como é o teu nome? – eu disse, enquanto ela olhava o capô.
– Tiffany. – ela virou-se de volta. – E o seu?
– Justin.
– Bonito nome... Justin.
Tiffany sorriu, deixando seu sorriso belo e branco mostrar-se para mim pela primeira vez. Fiquei a encarando feito um bobo.
– O problema é no alternador... É um problema bem grave. – disse, colocando as mãos na cintura.
– O que aconteceu? – pedi, confuso.
– Não tá gerando energia elétrica. E se não gera energia elétrica, não tem bateria.
– Ou seja...
– O carro não tem mais bateria pra sair do lugar. Ele parou aqui?
Puta merda. Eu não podia dizer que eu morava no meio do mato. Ainda mais para uma garota dessas. O que ela vai achar de mim quando eu disser que eu moro aqui perto?
– Não sei... Foi o meu amigo que disse que ele tava com problemas. Acho que ele empurrou ele até aqui. Você consegue arrumar?
– Isso eu não consigo. Acho que você vai ter que colocar um alternador novo. Esse aqui tá... se me permite dizer... velho, sujo e caindo aos pedaços.
Ri e ela riu logo em seguida.
– Como entende tanto de carros? – pedi. Eu também entendia muito, eu sempre arrumava essa merda de camionete, mas eu não queria que ela fosse embora.
– Desde pequena eu amo carros. Leio livros e tal. – sorriu.
– Algum de seus pais entende de carro?
Ela abaixou a cabeça.
– Eles morreram quando eu tinha 14. – ela disse, olhando para o horizonte.
– Ah, cara... Desculpa, eu... eu não sabia... Desculpa mesmo. Sério. – Isso cara, estraga as coisas. Toca em um assunto que ela não gosta.
– Tudo bem. Você não iria adivinhar. E você?
– Eu moro com meus amigos. Eu também não tenho pais.
– Então você me entende. – mordeu os lábios. Que garota maravilhosa! – Eu vou indo então...
– Calma! – segurei o braço dela. – Você tem telefone?
– Claro.
– Pode me dizer?
Ela sorriu, indo a seu carro pegar uma caneta. Anotou em meu abdome e em seguida, deu tapinhas. Garota provocante. Amo isso.
Tiffany me deu um beijo na bochecha, seguido de um olhar provocante e foi em direção ao seu carro. Antes de entrar ela abanou e seguiu correndo com seu carro, radicalmente.
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