Danganronpa: Puppetmasters' Strings
1 Young Generation of Miracles and Sorrow
Notas iniciais
O local que produz os maiores prodígios de toda a sociedade humana. Sim, a Academia Topo da Esperança. Várias das mentes brilhantes e engenhosas que habitam o mundo vieram de lá, e construíram autênticos impérios, sejam de conhecimento, fortunas materiais, ou contribuições para a humanidade. Para um aluno de ensino médio comum, a escola é só um sonho distante, algo que é inalcançável, alvo apenas de brincadeiras supondo a entrada de alguns deles na tal academia. Uma casta limitadíssima da sociedade tem acesso a tal formação, os Super Colegiais. Jovens que são os absolutos melhores no que fazem. Seja o que for, para que entre em um lugar tão milagroso e miraculoso, este é o requisito. Afinal, apenas seres tão fantásticos conseguiriam ser… as esperanças para o futuro da humanidade.
Local: ???
Hora: ???
Era possível ouvir o som de uma tempestade do lado de fora. As gotas não davam trégua, e continuavam caindo no mesmo ritmo, atingindo o chão. Relâmpagos também eram constantes, e preenchiam aquele céu cinza, nublado. Ás vezes, acontecia um trovão ou outro, e o estrondo era tremendo. De fato, aquela tempestade parecia estar presa a muito tempo, sem esperança, desesperada para sair, e agora, livre, demonstra toda a sua força avassaladora.
Dentro de um certo local, era possível ver, caídas, várias pessoas. Aparentavam ser jovens, não passando de vinte anos. As tábuas do chão eram gastas, demonstrando a idade das mesmas, cheias de buracos e algumas teias de aranha nos rodapés, próximos das paredes. Ali parecia um cubículo,
era uma sala minúscula que aqueles que ali estavam mal cabiam. Em frente, havia uma grande porta, intimidadora, que parecia ter alguma história por trás. Algumas marcas na madeira, desenhavam leões rugindo, em ambos os lados. Era possível ver flores também, tudo que parecia ter sido feito com extrema cautela e capricho, mas, assim como as tábuas do chão, a idade era evidente. Apesar de não sofrer com buracos, haviam teias de aranha, e na base e topo era possível ver que a mesma estava gasta, parte da camada superficial da madeira já estava destacada. O material utilizado na maçaneta, provavelmente algum tipo de metal mais caro, incrivelmente não sofria quase nenhum dano. Era brilhante, e não parecia emperrar ou agarrar. Iluminando o local, apenas um lustre, no mesmo estado dos outros objetos citados, com cinco velas acesas. Era precário, mas dava pro gasto.
Alguns minutos se passavam. A tempestade continuava fortíssima. Mas, enfim, era possível vê-los acordando. Não simultaneamente, mas com pequenos intervalos de tempo de um para outro. Se levantavam, com um pouco de dificuldade, efeito do tempo que estavam ali deitados, adormecidos. A visão deles não deveria estar no melhor dos estados, também. Tontura era comum, e mais forte em alguns casos, tanto que procuraram instintivamente as paredes para se apoiarem, com as mãos na testa. Esse processo foi muito parecido com todos ali presentes, até que, enfim, todos estavam acordados e se tocando da situação. Todos se olhavam, com um olhar de estranheza, tanto por nunca terem se visto e por estarem em um local completamente diferente do que se lembraram, ainda mais com uma apresentação tão precária. Era possível ver sutis sinais de pânico nos rostos de alguns.
— O que… aconteceu…?
Com a voz fadigada, um garoto é o primeiro a quebrar o silêncio. Possuía um cabelo sedoso e um topete invejável. Um chapéu que era estiloso, também. Parecia ter algum tipo de significado para aquele que o utilizava, pois havia um símbolo nele, esse mesmo chapéu era branco, como a neve. Possuía também um cachecol azul, feito de seda, e que tinha uma procedência aparentemente valorosa. O resto de suas roupas se assimilavam a um uniforme, com uma camisa branca e gravata negra, calças e botas grandes e negras. Luvas negras, mas extremamente chamativas.
— Eu não sei… estou tão perdida quanto você.
Quem respondia o garoto era uma garota bastante chamativa. Possuía uma touca amarela única na cabeça, o que dava um toque especial à sua beleza, deixando-a adorável, principalmente com uma bola no topo da mesma, que era feita de um material felpudo. A cor da pele da garota era branquíssima, quase chegando à palidez. Sua blusa era feita de lã, tinha mangas compridas e seu tom era um cor-de-rosa suave. Tinha luvas também de lã, e eram verdes. Com longas calças, azuis, e um sapato peculiar, que escondia algum segredo, pelo menos era o que a aparência levava a entender.
O clima continuava pesado e confuso, ouviam-se vozes murmurando sobre aquela situação, confusos, sem saber o que fazer. Algumas estavam carregadas dom um tom de pânico, outras preocupadas, e também haviam aqueles que se mantinham em silêncio. Até que, ouvia-se uma voz vívida vindo do mesmo garoto de antes.
— Bem… eu sei que estamos todos confusos, mas… que tal se nos apresentarmos, e aí conseguiremos pensar melhor no que fazer, o que acham?
Ninguém respondeu ao garoto, porém todo aqueles murmúrios haviam parado, como se estivessem interessados mas não demonstrassem diretamente tal coisa.
— Ah… tudo bem! Eu começo, então. Eu sou Kazeno Hayato! E… bem, eu sou o Piloto de Nível Super Colegial.
O clima começava a aliviar. Seria a forma, o tom com que o garoto proferia suas palavras? E além disso, chamou a atenção dos outros ali o fato de ele ter citado a sua habilidade, causando um efeito de identificação, já que cada um deles também possuía um talento de Nível Super Colegial.
— E eu sou a--
A garota de antes é interrompida por uma voz mais animada e mais alta do que a dela, também com a intenção de se apresentar.
— Sou a incrível Arabie Aya! Consigo prever o futuro de vocês todos com as minhas cartas, afinal, é por isso que sou a Leitora de Tarot de Nível Super Colegial!
Bastante animada, e trazendo um clima mais descontraído ao local, ela possuía um cabelo longo e roxo, que iria até abaixo de sua cintura. Seu vestido era um forte vermelho com detalhes em amarelo, o que fazia o mesmo se destacar no meio de tantas pessoas, e era tão longo quanto o seu cabelo. Na região do seu pescoço, possuía um colar aparentemente simplista, em contraste com o resto de seu corpo, mas que carregava uma pedra azulada que, apesar de não brilhar muito, era impressionante e admirável de se observar. O que mais chamava a atenção, no entanto, era que a garota andava completamente descalça, sem se preocupar com nada. Muitos se questionaram isso, mas ninguém se atreveu a perguntar a razão. Seus olhos eram negros como a noite, e ela sempre fazia questão de estar com três ou quatro cartas em suas mãos, como forma de exibir os seus “poderes místicos”.
— E EU SOU HANAYOSHI TSUYOI! SOU FORTE COMO AS RAÍZES DE UMA ÁRVORE MILENAR, O INCRÍVEL JARDINEIRO DE NÍVEL SUPER COLEGIAL!
A voz de Tsuyoi era alta e grave, tomava todo aquele espaço pequeno e ecoava nas cabeças de todos. Ele parecia ter ficado bastante animado de uma hora para a outra, talvez tenha se empolgado com as primeiras apresentações. O corpo dele era extremamente malhado, haviam músculos em toda parte. Seu cabelo também era enorme, encaracolado e desarrumado… talvez porque ele queria que ele parecesse uma copa de árvore. Em contraste a toda essa figura máscula, ele utilizava um macacão de jardineiro que parecia infantil, com uma roupa xadrez por baixo, de manga curta. Havia também enormes botas, compatíveis com o tamanho de seus pés.
— Caramba, não dá pra falar mais baixo, não? Estamos todos no mesmo cômodo!
— Sou Hanako Fushigi, a Paleontóloga de Nível Super Colegial. No básico, eu só escavo os lugares procurando fósseis.
A garota transbordava uma boa aura. Animada na medida certa, tentava ser descontraída nos seus comentários e simpática, ao mesmo tempo. Como era de se esperar, ela possuía um capacete de exploração, parecido com aqueles que se vê em minas ou locais parecidos, mas, totalmente adaptados aos gostos dela, o mesmo tinha uma ilustração de um dinossauro, demonstrando a paixão da garota por esses gigantescos animais. Aparentava ser ingênua, mas isso só disfarçava a complexidade do trabalho que exercia. Por ter serviços em lugares quentes, suas roupas eram curtas, sua barriga ficava exposta, com uma camisa até um pouco abaixo dos seios, e um short bem curto. Seus cabelos também chamavam a atenção, eram verdes e brilhantes, e assim como seu capacete, suas luvas eram também, extremamente estilosas.
— Eu sou Yari Kamyu! Espero que sejam gentis comigo, tá bom? Prometo que vou ser uma boa menina! Ah, e sou a Empresária de Nível Super Colegial!
Tudo em Kamyu era contrário. Ela possuía um jeito fofo, delicado, inocente, e sua voz contribuía para isso. E além de tudo isso, utilizava uma saia que iria até os seus joelhos, parecidas com àquelas de maids, com um arco na cabeça que simulava orelhinhas de gatinho, sua pele era pálida, talvez pela quantidade visível de maquiagem aplicada à mesma. Suas vestimentas eram repletas de laços das mais variadas cores, na sua blusa, saia, cabeça. Era a coisa mais fácil de se encontrar. Isso só deixava as cores nela ainda mais variadas. Era como um arco-íris ambulante. E fora que, todos ali ficaram um pouco espantados com a revelação, alguns mais do que outros, como uma garota com aquelas características, aquele físico, conseguiria ser uma empresária de sucesso? Será que ela utilizava o seu próprio corpo como marca? Essas perguntas rondavam a cabeça de muitos, mas ninguém, mais uma vez, se atreveu a questionar algo.
— Se me permitem, caros, gostaria de executar a minha apresentação brevemente. Sou Newrose Joseph. Como possivelmente ou não vossas senhorias já perceberam, sou o Gentleman de Nível Super Colegial.
Ele transpirava classe. A forma que falava, que se vestia, fazia jus ao seu título. Não havia sequer um erro na postura, modo de falar, movimento corporal. Era uma pura aula de etiqueta ambulante. Fazia até questão de se vestir estereotipadamente, com o clássico traje de gentleman inglês. Blazer preto, com uma gravata vermelha, calças e sapatos sociais e pretos, uma cartola incrivelmente estilosa, um monóculo e um bastão. A sua intenção era não apenas parecer, mas ser um autêntico cavalheiro. E conseguia. Tinha sucesso.
— Ah, oi, galera! Eu sou Ikano Jinrui, não sei se me conhecessem, mas sou um Mangaká de Nível Super Colegial! Talvez conheçam meu nome da incrível série Beater X Beater….
Era possível perceber certo orgulho vindo das palavras de Jinrui, mas suas palavras eram verdadeiras, espontâneas. Mas o que mais chamava a atenção era o visual gritantemente desleixado do garoto. Sim, é impressionante que alguém consiga uma série de mangás com a idade dele, um sucesso mundial. Tinha um cabelo grande e desarrumado, uma barba que cresceu um pouco demais, obviamente, não era gigante, mas havia passado um pouco do ponto. Um óculos bem fundo também, talvez porque forçasse sua visão demais desenhando seu mangá. Sua camisa era amarrotada também, e suas calças a mesma coisa. Enfim, o garoto, apesar de um gênio, transmitia seu desleixo com sua estética. Passava também um tom bastante elétrico, o que fazia alguns poucos pensarem se ele era viciado em alguma coisa, como cafeína.
— Oi, pessoal. Sou Naruhodou Okabe, espero que sejamos amigos. Eu não entendo direito, mas sempre me chamaram de Engenheiro Social de Nível Super Colegial…
Com um tom aparentemente inocente, simpático e modesto. Ele não deixava de surpreender as outras pessoas ali presentes, graças ao seu talento. Se perguntavam: “Mas o que diabos é um engenheiro social, quem é ele?”, mas o seu visual não representava o esplendor causado pelo destaque proveniente de seu talento. Seu cabelo era liso, usava óculos, e seu corpo parecia extremamente frágil, era magricela e utilizava uma roupa de abotoar, assim como calças e sapatos sociais. Era como se todo aquele visual de aluno do ensino médio contrastasse com as suas habilidades sociais. Alguns até se questionavam se por trás daquele visual simples, comum, não haveria um demônio escondido por trás, capaz de manipular qualquer grupo como bem entendesse, e sutilmente.
— Ah, eu sou Terry e tal, vocês já sabem. Sou um mercenário.
A apresentação de Terry era extremamente preguiçosa. Parecia que, mesmo naquela situação bizarra, estava desinteressado no que estava acontecendo e, de fato, não se importava com nada. Só queria sair logo dali e voltar pra algum lugar. Demonstrava ter chegado em um ponto na vida que nada mais lhe irritava, lhe incomodava. Ele aparentava ser mais velho também, com um pouco mais que vinte anos, e a sua barba era um pouco menor do que a de Jinrui, indicando que também não era muito de se importar com a mesma. Mas, em contrapartida, utilizava um chapéu invejável, marrom e com uma faixa preta, feito a couro. Seu cabelo era roxo e curto nas laterais, mas era relativamente longo atrás, chegando até o fim de seu pescoço. E utilizava também um grande casaco de peles, felpudo, como se fosse de algum animal que tivesse caçado em alguns de seus trabalhos como mercenário. Seu visual era, de fato, chamativo, ao contrário de sua personalidade desinteressada e levemente intimidadora.
— Sou Masayoshi Mikasa! Sirvo como advogada de defesa e promotora, então se se sentirem ameaçados, venham até mim! Por isso me chamam de Advogada de Nível Super Colegial!
Era visível a energia que vinha de Mikasa. Parecia decidida, auto afirmativa e impunha respeito sem parecer orgulhosa ou metida. Sua voz trazia confiança, vida. Um fenômeno bastante interessante de se observar, principalmente no semblante dos alunos, que ficaram chocados com a presença que a garota tinha após começar a falar, tomando a atenção de todos ali. Suas vestimentas apenas reafirmavam a impressão que havia deixado, a de uma mulher que era dona de si. Com roupa social cinza, unhas especialmente pintadas com uma tonalidade chamativa, salto alto. Ela passava a impressão que era para Kamyu passar, como empresária.
— O-Oi, eu sou…
O garoto acabava tropeçando e caindo no chão, mas logo se levantou.
— Ah! Desculpa, desculpa. Sou Warui Kousuke, e meu talento é estranho… sou o Azarado de Nível Super Colegial…
Desastrado, desengonçado, desajeitado… enfim, tais palavras definiriam a personalidade e o jeito de ser de Kousuke. Sofria constantemente com isso, e suas ações eram sempre acompanhadas de receio por parte dele, porque nunca sabia o que o seu azar poderia fazê-lo causar. Essa natureza desajeitada se refletia no visual de Kousuke, com cabelos inconstantes e desarrumados, e roupas normais, mas com cores que não combinavam nem um pouco umas com as outras. Talvez seu azar se refletia no seu gosto para roupas? E, além disso, passava um ar de ingenuidade e fraqueza, o que o seu corpo confirmava, com a sua magreza evidente. Ninguém ali o levou a sério, e ele sabia disso. Por dentro, encarava seu azar não como um talento, mas sim uma doença crônica.
— Acho que é minha vez, então… sou Namida Umiko. Gosto de surfar, então meu talento de Surfista de Nível Super Colegial é justificável.
A garota passava uma impressão de calma, cautela, relaxamento. Sua voz era quieta, mas o sentimento que ela transmitia, mesmo que sutilmente, era o de paz de espírito. Seu corpo e vestimentas eram ousados: ela utilizava um biquíni com cores quentes, com apenas uma saia. Isso se dava devido à grande quantidade de tatuagens pelo corpo da garota. Qualquer lugar que se observasse, seja na barriga, busto, costas, ombros, enfim, havia alguma tatuagem, que provavelmente tinha uma história interessante por trás. Seus cabelos eram negros e longos, pareciam uma calma correnteza de um rio, com a forma que desciam pelo seu belíssimo corpo. E gostava muito de usar seus chinelos, não os retirava quase nunca, a menos que estivesse no mar, surfando, a coisa que ela mais gosta de fazer. Apesar de toda essa aura relaxante e doce, era possível perceber o olho atento da garota, sempre observando seus arredores com análises ágeis.
No fundo da sala, era possível ver uma pessoa murmurando palavras que ninguém conseguia identificar. Era rápido demais, e não parecia ser de um idioma conhecido. Então, Tsuyoi, o Jardineiro, se aproximou do garoto para ver o que estava acontecendo.
— Ei… você tá bem aí, carinha?
Disse com um tom levemente preocupado.
— Ekrao naser tir lemetnar…. KYAAAAAH!!
O garoto estava concentrado proferindo palavras desconhecidas, e logo se assusta com a presença de Tsuyoi logo ali.
— O que está fazendo tão perto!? Saia, demônio!
O garoto se levantava, assustado com aquilo, e se afastava dele, arrastando seu corpo na parede, com os olhos amedrontados. Ele tentava falar, e depois de alguns segundos, palavras compreensíveis saíam da boca dele:
— É o meu nome que querem, não é!? Kamiga Gotoku! Religioso de Nível Super Colegial!! Agora saiam de perto de mim, ekren varren porketurtes!
Ninguém entendia muito bem aquele garoto. Seus olhos pareciam dizer que estava olhando para espécies desconhecidas, as quais tinha nojo ou aversão. Era até um pouco assustador, mas excêntrico e curioso, o que certamente despertou a atenção e o interesse de alguns ali. E a aparência dele também era única: possuía um cabelo estilo mohawk, com as laterais completamente raspadas, com o cabelo em linha reta no centro da cabeça. Possuía também dois brincos que pareciam ser de ouro, pois brilhavam muito. Assim como a surfista, era bastante tatuado, principalmente no rosto e em seu peitoral. Não utilizava nenhuma roupa por baixo, apenas um colete vermelho. Usava um colar com um símbolo desconhecido para todos ali, com um círculo e uma clava. Mas o que mais chamou a atenção, é que quando se virou de costas, era possível ver, tatuado lá, a seguinte frase: “Death is only the beginning”; com bermudas e uma sandália que parecia específica de alguma tribo ou clã, o garoto continuava murmurando suas palavras indecifráveis, distante do resto do grupo.
Todos pareciam ter se apresentado, mas repararam em algum canto um garoto parado, alisando seus cabelos e se olhando em um espelho de mão. Com tantos olhares em sua direção, ele acabou notando a atenção que havia atraído (o que ele gostava bastante, diga-se de passagem). Virou-se com estilo, fazendo seus longos cabelos brilhantes e azuis dançarem com o vento. Passava a mão no mesmo para ajeitá-lo, como se fosse um ciclo vicioso. E então, se dirigia à eles, mas de um jeito peculiar:
— Oras, Mirror-san… parece que atraímos a atenção desses… comuns.
Ele conversava com seu espelho de mão.
— Aposto que estão curiosíssimos sobre a nossa identidade… e caso não tenham percebido pela minha beleza estonteante, sou a reencarnação da perfeição neste mundo. Sou Kagami Francis, o Narcisista de Super Nível Colegial. Ah, mas não me importo de me chamarem de Deus.
O ego do garoto transbordava por toda a sala. Ele nem sequer olhava nos olhos dos outros para falar com eles, apenas continuava se olhando no espelho, sempre ajeitando alguma parte do seu corpo, principalmente os cabelos, os quais ele parecia se orgulhar muito. Na mentalidade dele, quem deveria despertar o interesse, e correr atrás de conhecer alguém seriam aqueles que se dirigissem a ele, e nunca ele próprio. Era bom demais pra isso, e todos já tinham percebido a natureza dele. Possuía cabelos azuis, longos e sedosos. Mais bem tratado do que o de qualquer mulher que se preocupa com estética Muitos se recusavam a aceitar, mas o cabelo de Francis era impecável. Seus cílios, sobrancelhas, lábios, pele, enfim, era tudo extremamente bem cuidado, uma estética perfeita. E o que fazia do mesmo um narcisista não era necessariamente o extremo cuidado com o corpo, mas sim a forma com a qual ele demonstrava tal característica, sendo orgulhoso, e atraindo sempre toda a atenção para si. Utilizava uma roupa branca bem agarrada ao seu corpo, com uma gola alta, que cobria todo o pescoço. Uma calça simples, com uma sapatilha preta. Não parecia se importar em vestir roupas extravagantes, provavelmente para exaltar a beleza natural do seu corpo.
— D-DEUS!? Como ousa? Markei oepre kenethustra!
Gotoku falava, como se sentisse ofendido pelo comentário de Francis, se assemelhando a um Deus.
Antes que a discussão pudesse prosseguir, repentinamente um som de uma tranca se destravando poderia ser ouvido. Imediatamente, todos olharam para a porta, supondo que antes estava trancada e que agora, finalmente poderiam sair daquela sala apertadíssima. Tsuyoi, o mais precipitado de todos ali, rapidamente se aproximou da porta gasta, e girou a maçaneta. A porta fazia um som demonstrando a sua idade, mas que não durou muito, graças à velocidade com que o mesmo abriu. Lentamente, todos iam saindo de lá, um a um, até não sobrar ninguém.
Todos se viam agora em um enorme hall, com quatro lustres com luzes bem fortes, graças à quantidade maior de velas presentes nos mesmos, em comparação com aquele da sala anterior. Um enorme tapete vermelho com vários símbolos e marcas com os quais não se importaram muito em deduzir o significado. Eram apenas decorações, não valia a pena se importar com isso. Este era o pensamento que passava na mente de cada um. Havia, a norte, uma escada levando para uma espécie de segundo andar, mas havia um enorme portão bloqueando ela, e, se reparasse com mais cautela, havia uma que descia também, bloqueada pelo portão. E adiante, no fundo do Hall, havia uma porta enorme e estilosa, com detalhes em ouro e completamente acolchoada.
— Isso aqui… está parecendo a entrada de uma casa…
Sugeriu Hayato.
— Não é uma casa qualquer, pelo menos. Olha o tamanho deste hall, tem até uma escada para o segundo andar!
Fushigi apontava para a mesma.
— Caramba, como foi que eu vim parar aqui? Eu só estava normal, desenhando meus mangás e…
Dizia Jinrui.
Ninguém havia percebido ainda, mas atrás de todos eles havia também uma enorme porta, que possuía as mesmas marcas de leão que a aquela da pequena sala em que estavam. Enquanto todos observavam o hall, um barulho, indicando o fechamento da porta, foi ouvido por todos.
— AAH! O QUE FOI ISSO!?
Dizia Kamyu, demonstrando a reação de susto que possivelmente todos ali tiveram. E então, no centro do Hall, uma luz que, ninguém sabia ao certo de onde vinha, apareceu repentinamente, e uma criatura pequena, mas elegante, se destacava.
— Olá, juventude! Sejam bem-vindos à minha casa!
Era uma criatura que se assemelhava a um urso de pelúcia, com uma metade branca e a outra preta.
Um de seus olhos era perturbadoramente vermelho, e sua forma se parecia com uma cicatriz. Ele utilizava um blazer, com um broche que tinha uma ilustração que lembrava o seu olho, completamente vermelho. Usava uma cartola, e também uma bengala. Seu visual parecia a de um homem de negócios, rico.
Todos ali se espantavam com aquela criatura. Eram tantos acontecimentos bizarros em um só dia, que todos se apavoraram. Como, um urso de pelúcia falante? E essas roupas? Esse lugar? Essas perguntas rondavam a cabeça de todos.
— Como assim? Um urso de pelúcia que fala? Isso é impossível, até para fósseis milenares…
Dizia Fushigi, espantada.
— Do que você tá falando, é idiota? Ele é claramente um robô!
Retrucava Mikasa.
— Ei, pessoal… se acalmem…
Dizia Hayato, com um tom de pacificidade.
— Se acalmem, jovens extremamente impacientes. Explicarei tudo graciosa e especificamente. Sou MonoSir, o proprietário desta casa, ou melhor, desta mansão em que estão. Bem-vindos à Miraculous Mansion, onde todos os seus sonhos podem se tornar realidade!
Ao terminar de falar, várias luzes, parecidas com holofotes, as quais os jovens constantemente se perguntavam de onde vinham, se acendiam, como se todo o discurso de MonoSir fosse um espetáculo.
— E acalmem-se, sei que como são jovens radiantes à procura de seus sonhos e desejos, darei um jeito de entretê-los, os meus hóspedes! Sim, sim. Que tal um joguinho, pra descontrair? Sei que pessoas da idade de vocês adoram um joguinho aqui e ali. Não estou certo? É claro que eu estou, sou MonoSir, o dono de uma fortuna exorbitante!
A forma rápida que a criatura falava deixou todos em choque. A ficha ainda não tinha caído que um urso de pelúcia bem apessoado estava falando tudo aquilo com eles.
— Oras, não tenho respostas? Pelo jeito, ficaram paralisados de tanta ansiedade com o meu joguinho! Então, vamos pras regras! Aqui, para que alcance o seu sonho ou desejo mais profundo, que eu, MonoSir, oferecerei, você basicamente tem que fazer apenas uma coisa: matar um de seus amiguinhos, e não ser descoberto no Class Trial, uma espécie de julgamento! Que tal, um preço legal para isso, não? Se o seu sonho for ressuscitar a sua avó falecida, ou ganhar bilhões, viajar pelo mundo, ser imortal… enfim, MonoSir pode realizar qualquer coisa! Não há nada que a minha fortuna não possa comprar!
Todas aquelas palavras atingiam as mentes de todos ali como um forte trovão. Eram rápidas, mas assim temíveis, e, espantosas. Qualquer desejo? Matar alguém? Perguntas rondavam a cabeça de todos, e várias conversas paralelas surgiram, até ameaças.
— Hã…? MATAR!?
Dizia Jinrui.
— Que palhaçada toda é essa!? Ninguém acreditaria num bichinho de pelúcia, né?
Dizia Aya, que sempre lidou com não acreditarem no seu tarot. No fundo, era possível ver um sorriso surgindo no rosto de Okabe, como se estivesse amando toda aquela situação.
— Não pode ser…
Murmurava Kamyu.
— EI, EI! PARE COM ISSO, NÃO ESTAMOS BRINCANDO AQUI, MANO!
Dizia Tsuyoi, com seu tom de voz extremamente alto.
— Mas que azar… olha onde eu fui me meter…
Dizia Kousuke.
— Se acalmem, juventude apressada. Sei que estão confusos, mas uma coisa que aprendi na minha vida é que a prática leva ao entendimento e compreensão! Portanto, para mostrá-los como este jogo é sério, e para que entendam as regras… que a propósito estão pregadas naquele painel, para que todo vejam. Eu preparei um desafio para todos vocês!
Todos pararam de falar imediatamente assim que a bizarra criatura falava. Se calavam, esperando a conclusão.
— Para motivá-los, vou lhes ofere---
Era possível ouvir um enorme rugido vinha de fora, o que assustou todos ali.
— Ora! Ele já está faminto! Sim, esse som é do Godofredo, meu bichinho de estimação. E, como ele não come a vários dias… eu vou dá-los uma motivação para começar o nosso joguinho super divertido! Basicamente, se em dois dias, ninguém cometer um assassinato…
Todos engoliam seco, ansiosos com toda aquela situação.
— Escolherei um de vocês aleatoriamente… para virar comidinha pro meu Godofredo!
Aquelas palavras atingiam todos como flechas, perfurando suas existências. Começavam a acreditar em tudo aquilo com tamanhas ameaças. Era o início de mais um terrível, enojante, amedrontador… Killing Game.
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