DanganRonpa: Death and Despair
4 Sujos de sangue

Sobreviventes: 14
POV Florence
Na manhã seguinte ao Julgamento Escolar, depois da execução de Agatha, parece que todos resolveram ficar dentro de seus quartos. Eu acabei acordando cedo, morrendo de fome, mas lá fora estava tão deserto e eu não quis ir sozinha à cozinha, o dia havia amanhecido extremamente frio, por sorte eu sempre usava jaquetas.
Já que não havia mais nada para fazer ali, decidi reorganizar minhas roupas pela centésima quadragésima quinta vez. Comecei separando as blusas, do vermelho até o roxo. Cada camada de cor era separada por tecidos, e blusas de mesmos tecidos eram separadas por marcas. Era o meu modelo de organização, uma boa estilista sempre deveria seguir isso, era mais fácil na hora de montar um look.
De repente ouvi pessoas conversando lá fora e um vento frio bateu, o que me fez cruzar os braços e aquecer as mãos com a boca. Abri a porta da minha cabana e encontrei Mishonni e Justin conversando, Mishonni parecia bastante abalada, enquanto Justin, mesmo com uma expressão de tristeza, a tentava consolar:
— Aconteceu só uma vez... Não vai acontecer de novo... – Ele dizia.
— Eu estou com tanto medo – Ao falar isso, Mishonni deu-lhe um abraço, eles permaneceram abraçados. Que inveja! Também queria abraçar alguém, tá um frio!
Saí de minha cabana e bati a porta com força para que ouvissem, logo Mishonni tiro os braços de Justin e os dois voltaram seus olhares para mim.
— Oi Florence – Justin falou, simpático.
— Oi – Falei, tentando ser simpática também, e me aproximei – Eu tô com uma fome, vamos pra cozinha comer alguma coisa? Eu não quero ir sozinha...
— Por quê? – Justin me perguntou.
— Sei lá, vai que alguém me pega de surpresa e me assassina, não sei! – Falei revirando os olhos – Vamos?
Quando eu falei “assassina”, percebi que Mishonni aumentava seu estado de tensão.
— Vamos, também estou com fome – Justin falou e então nós três seguimos para a cozinha, enquanto passávamos pela sala de jantar, Mishonni finalmente falou algo:
— Que mapas são esses? – Ela disse apontando pros mapas que eu e Amy havíamos deixado em cima da mesa no dia anterior. Pelo visto ninguém havia mexido neles.
— Eu e a Amy encontramos aqui ontem na cozinha – Expliquei – Só não sabemos que coisa é essa com o símbolo de televisão – Apontei pra televisão no mapa.
Mishonni olhou pra Justin, parecia assustada.
— Mas é uma casa... – Mishonni falou.
— O que? – Indaguei – Que casa? É uma televisão, tá louca? Justin, empresta seus óculos pra ela.
— Não é isso, a gente foi nesse local ontem – Mishonni olhou pra Justin novamente – É uma casa velha e abandonada, terreno proibido, meu colar quase explodiu quando tentei entrar – Ela explicou.
— Mas então porque aqui é uma televisão? – Justin perguntou olhando para o mapa.
— E eu sei lá, talvez a diretora tem algum nível de autismo e confundiu tudo – Falei – Isso explicaria porque ela fez isso tudo, agora vamos logo que eu tô pra cair de fome – Fui para a cozinha sem falar mais nada.
Fiz um sanduíche com queijo e presunto pra mim, Mishonni preferiu comer umas frutas e Justin fez café.
— Estranho – Disse Justin ao abrir um dos armários da cozinha – Não tinha sopa enlatada ontem – Ele pegou uma lata de sopa e a examinou.
— Talvez você só não tenha visto... – Falei esperando o sanduíche ficar pronto na sanduicheira.
— Eu me esqueci de mencionar esse detalhe – A diretora abriu a porta que levava da cozinha a lavanderia subitamente o que nos assustou de início, mas logo ignorei – Todos os alimentos são repostos, todas as noites.
— Sério? – Mishonni indagou.
— É sim. Ah, tenham um bom dia! – A diretora fechou a porta da lavanderia e saiu da cozinha pela sala de jantar, a acompanhei e ela saiu da casa, provavelmente havia ido perambular na floresta de novo.
— Nem perguntamos do mapa! – Mishonni lembrou.
— Você devia ter lembrado quando ela estava aqui – Falei.
— Mas eu esqueci – Mishonni explicou.
— Café pronto – Justin disse destampando a garrafa de café – Alguém quer?
— Eu quero. – Respondi e Justin pegou duas xícaras – Coloca bastante açúcar no meu, tudo fica melhor doce – Sorri.
Justin colocou açúcar nas xícaras e em seguida adicionou o café e mexeu, então bebeu um pouco do seu café, soprando-o antes e deu-me a outra xícara.
Bebi um pouco, mas estava quente demais e acabei queimando a boca:
— Ah! – Afastei a xícara de minha boca imediatamente – Está pior que fogo! – Reclamei.
— Claro... Acabei de fazer com água fervendo... – Justin falou soprando o café outra vez.
— Poderia ter feito com água normal né! – Falei outra vez.
— Ei, gente... – Mishonni interrompeu nossa discussão – Que cheiro é esse?
— Que cheiro? Não tá vendo que eu estou discutindo com o Justin sobre a temperatura da água do café? – Falei, sarcasticamente.
— Cheiro de queimado! – Mishonni gritou dando uma última mordida e jogando o miolo da maçã no lixeiro.
— Meu sanduíche! – Gritei, pois havia me lembrado que o coloquei na sanduicheira. A desliguei imediatamente e a abri com cuidado, uma fumaça com cheiro de presunto e queijo se espalhou pela cozinha – Torrou – Falei colocando o sanduíche em um prato – Café quente, sanduíche quente – Reclamei – Ao menos o dia está frio! – Peguei o prato e a xícara e fui para a sala de jantar.
Após dar a primeira mordida no sanduíche, com certeza depois de ficar muito tempo o soprando e o esperando esfriar, Funy entrou no local.
— Bom dia – Eu disse a ela e ela apenas acenou a cabeça, se sentando de frente pra mim na mesa – Dormiu bem?
Perguntei esperando uma resposta verbal, mas recebi apenas outro aceno de cabeça o que me fez revirar os olhos, irritada.
— Você é cabeleireira, não é? – Ela acenou a cabeça novamente – Você poderia testar suas habilidades em mim hoje? Quero mudar o corte de cabelo... – Ela acenou a cabeça novamente, com olhos vazios – Uma estilista e uma cabeleireira, nossos talentos se completam! Estamos sempre com estilo! Eu poderia te ajudar com roupas também.
Ela continuou em silêncio então eu continuei minha fala:
— Sabia que laranja não é a melhor opção para a estação? – Falei virando a xícara de café na boca em seguida, agora já estava mais frio.
— Obrigada, mas prefiro o laranja mesmo – Ela disse, finalmente Funy havia dito algo!
Fiquei sem reação, pois nunca a tinha visto falar uma frase tão grande assim.
— Legal... – Só falei isso e depois de um tempo terminei de comer o meu sanduíche e de tomar café. Justin e Mishonni permaneceram o tempo todo na cozinha, conversando.
Eu levei o meu prato e a xícara até a pia e depois saí sem dizer mais nenhuma palavra. No caminho para minha cabana, vi Iana andando apressadamente.
— Ei Iana, tá indo pra onde tão apressada assim? Não vai nem tomar café? – Perguntei quando parei na porta de minha cabana.
— Já tomei café, sou acostumada a acordar cedo... – Ela falou – Eu vou pra cabana do Taylor, você não vem?
— Fazer o que lá? – Perguntei.
— Ele não te chamou? Ele vai tentar hackear o sistema como naquele dia – Iana explicou – Ele chamou a Amy também... Eu achei que ele tivesse te chamado.
— Talvez ele esqueceu... – Revirei os olhos.
— Vamos logo! – Ela saiu andando apressada de novo e eu a segui a passos lentos.
Ao chegar na cabana de Taylor, Iana bateu na porta com força e ele respondeu de lá de dentro:
— Quem é?
— Iana! – Ela gritou.
— Ah, pode entrar, está aberto. – Ele falou e Iana abriu a porta. Nós entramos e nos aproximamos, ele estava sentado na cama com o notebook e Amy estava em pé com o livro de Colin ao lado dele, folheando-o.
— Já fizeram algo? Perdemos a parte legal? – Iana perguntou animada.
— Bem, nós... – Taylor virou o olhar do notebook para nós e então interrompeu sua fala imediatamente – Florence! O que você está fazendo aqui? Eu só chamei a Amy e a Iana.
— Não era pra ela vir? – Iana perguntou sorrindo – Eu chamei ela, achamos que você tinha esquecido dela.
— Se tem uma coisa que eu não esqueci foi a bagunça que ela fez no meu armário da última vez que veio aqui! – Taylor falou, parecia irritado.
— Bagunça? – Coloquei as mãos na cintura – Eu sou Florence Emily, estilista de nível super colegial e você quer contestar como eu arrumo as roupas? Eu facilitei pra você, arrumei tudo com base nos comprimentos de ondas das cores, por textura e por último, por marca!
— Me perdi na parte das ondas... – Ele falou se virando para o notebook novamente – E fique longe do meu armário!
— Então, o Taylor tem um programa que reconhece sistemas de computadores em 200 metros – Amy explicou – E agora ele está processando.
— Por enquanto não achamos nada – Taylor disse – O programa só alcançou 63 metros até agora.
— Deve ter alguma coisa naquela televisão – Falei levantando os ombros.
— Que televisão, Florence? – Amy me perguntou.
— Você não lembra, Amy? – Falei – Naquele mapa que achamos na sala de jantar...
— É mesmo! – Ela lembrou.
— Eu falei com a Mishonni e o Justin hoje, eles foram até o local e só acharam uma casa velha e abandonada – Falei – Mas quando foram entrar o colar de Mishonni quase explodiu.
— Deve ser lá que a diretora fica – Taylor falou – A televisão deve indicar que ela vê tudo o que estamos fazendo...
— Sim, tem câmeras em todos os lugares! – Amy falou — Até do lado de fora das cabanas, só não tem nos banheiros e dentro das próprias cabanas.
PLIM!
Um barulho vindo do notebook nos assustou.
— 82 metros, achamos um computador! – Taylor digitou algumas coisas e depois mexeu com o mouse – Smartphone? – Ele perguntou a si mesmo.
— Ah, deve ser a Sophia – Iana falou.
— Mas o que ela está fazendo há 82 metros daqui? – Taylor perguntou a Iana.
— 82 metros é daqui até a região mais afastada da praia... Talvez ela esteja tomando um banho lá – Iana disse – Não sei!
— Está quase chegando a 100 metros! – Alertei quando o programa chegou a 90 metros.
— Iana, você sabe quantos metros são daqui até a parte mais fechada na floresta? – Taylor perguntou e depois completou: — Eu deveria ter chamado o geógrafo pra isso.
— Bem... Devem ser uns 100 metros – Iana disse – Na verdade, eu não faço ideia!
PLIM!
O mesmo barulho de antes veio do notebook novamente.
— Não pode ser a Sophia dessa vez... – Taylor deu os mesmos comandos de antes – Achei outro sistema de computador a 96 metros daqui na direção norte!
— É na floresta! – Iana exclamou.
— A televisão, estávamos certos! – Amy sorriu.
— Mas se formos lá vamos morrer! – Lembrei – Como pretendem adquirir informações?
— Ah, Florence... Você acha que eu criaria um programa tão besta assim? – Taylor que até então estava configurando algumas coisas se virou e falou, em seguida se virou para o notebook de novo e apertou um botão vermelho na tela escrito “Obter informações” – Pronto!
Ele uniu os dedos das mãos e esticou os braços pra frente, sorrindo de olhos fechados. Enquanto ele se sentia super feliz por ter tudo dado certo, víamos várias sequências do que ele chamava código binário na tela do computador, em cor verde, toda a tela estava preta e os números passavam numa velocidade enorme.
— Mas Taylor... – Amy falou – O que é isso?
Ele abriu os olhos e virou o rosto para o notebook.
— Não! Os arquivos estão codificados! – Ele mexeu em algumas teclas e mexeu com o mouse, desesperado.
— E o que isso quer dizer? – Ian perguntou.
— O computador está tentando descodificar todos os arquivos, e isso vai demorar muito tempo, até lá a diretora já vai ter percebido que hackeamos o computador dela! – Taylor engoliu a seco – Assim que tivéssemos acesso aos arquivos eu copiaria tudo para o meu notebook e ela nem perceberia que invadimos o sistema!
— Então pare a decodificação... – Amy falou, como se parecesse simples.
— Não é assim, Amy – Taylor olhou para nós com cara de desespero – Uma vez que se começa a decodificação, não se pode parar. – Ele falou – Eu devia imaginar! A diretora sabia que teria um programador aqui e se preveniu, se eu pudesse criaria outro programa, mas o notebook está com a bateria baixa e não tem tomadas aqui para que eu conecte ao carregador.
Houve um silêncio geral, apenas pelo barulho dos números no computador, sendo decodificados.
— Eu não quero morrer! – Taylor passou a mão no pescoço, mais especificamente no colar.
— A diretora não vai te matar – Falei – Relaxa, ela não falou que era proibido hackear o computador dela.
— Nem precisa falar! – Amy disse e Taylor abaixou a cabeça, quase chorando – Ah... Desculpa, Taylor. Vai ficar tudo bem. – Ela colocou a mão no ombro dele, fechando o livro e o colocando sobre a cama.
— Reunião geral! Quero todos fora de suas cabanas, imediatamente! Me encontrem do lado de fora de suas cabanas! – A diretora falou por alto-falante.
— Vamos lá! – Iana disse abrindo a porta, eu e Amy a seguimos – Vamos, Taylor!
— Eu vou pra minha morte... – Ele falou devagar.
— Ah, para de drama! – Iana foi até ele, o pegou pela mão e o levou para fora da cabana.
Ao sairmos, vimos Funy, Mishonni e Justin que estavam saindo da cabana principal, e alguns outros que saíam de suas cabanas aos poucos.
— O que essa velha quer agora? – Bessee saía irritada de sua cabana – Interrompeu meu treino matinal!
Caminhamos um pouco até a vermos a diretora ali, parada. Ela estava rodeada de alguns alunos, ao nos aproximarmos, percebemos que só faltava Sophia a chegar. Taylor parecia bastante tenso e nervoso, engolia a seco o tempo inteiro, ou pelo menos quando não coçava o pescoço ou o cabelo, ou demonstrava algum sinal de extrema ansiedade.
Logo, Sophia veio correndo da praia com o celular na mão.
— Me desculpem o atraso, eu estava fazendo o meu ensaio fotográfico na praia – Ela guardou o celular no bolso e então se virou para a diretora – Algum problema?
— Claro que há problemas! – Ela falou colocando as mãos na cintura, parecia irritada – Vocês tentaram invadir o meu sistema de computador, hackearam, mas os arquivos estão codificados, desculpe. – Ela riu – Acha que eu não pensaria em algo tão óbvio? – Ela riu novamente.
Taylor estava suando frio, prestes a desmaiar.
— Infelizmente esqueci de impor regras contra que os impedisse de invadir o meu sistema de computador – Ela falou com um tom de desapontamento – Então, não poderei punir o culpado pela façanha – Taylor ergueu a cabeça, parecia feliz e aliviado, Amy e Iana trocaram sorrisos – Mas além de proibi-los de hackear o computador, os impedirei de utilizar qualquer sistema de computador nesta ilha!
A notícia pareceu não abalar a todos, com exceção de Taylor e Sophia que devem ter sentido o mundo cair.
— Nada de notebook, nada de celular, nem mesmo simples calculadoras ou relógios – Ela riu outra vez, parecia se divertir com o desespero de todos – Nada de computadores, nada de nada! Serei a única que poderei usar! – Ela deu uma imensa gargalhada dessa vez.
— Não... – Sophia falou tirando o celular do bolso – Você não pode fazer isso! Meu celular é a minha vida!
— Não posso? – A diretor cruzou os braços – Eu posso sim, Sophia! Eu sou a diretora!
— Você? – Sophia falou com desdém – Você é só uma velha ignorante, uma psicopata assassina sedenta por sangue! Você não vale nada, desocupada da terceira idade! Você não merece nem ser chamada de gente, quanto mais de diretora! Quem você acha que é pra estar fazendo isso com a gente? Isso é uma prisão e somos escravos da sua diversão que consiste em ver morte e desespero! – Ela gritou.
Houve um grande silêncio entre todos, Sophia fez pose de quem está com raiva e a expressão concordou.
— Sophia – A diretora quebrou o silêncio – Eu não estou gostando do seu comportamento.
— O problema é seu. – Sophia virou o olhar para o celular e começou a mexer nele – Com licença, tenho fotos pra editar – Ela virou as costas e saiu andando.
— Sophia, isso é contra as regras! – A diretora alertou.
— Foda-se as regras! – Ela disse.
— Que pena... – A diretora sorriu, Sophia não viu por está de costas, mas de repente começamos a ouvir um barulho de algo apitando. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Pausadamente.
Sophia virou-se de repente e o seu colar estava com um brilho vermelho.
— O que é isso? – Sophia gritou de desespero.
— Quem quebra as regras sofre punição! – A diretora riu e Sophia gritou se jogando pra cima da diretora.
— Eu vou levar você comigo, vadia! – Sophia gritou abraçando a diretora.
— Sai daqui! – A diretora empurrou Sophia pra longe e o barulho ficou mais alto e mais rápido, Mishonni parecia super assustada, afinal, ela já havia passado por situação parecida.
Sophia caiu no chão junto de seu celular, ela pegou o celular e o jogou na cabeça da diretora que cambaleou um pouco pra trás, parece que sentiu dor.
— Agressão contra a diretora é contra as regras! – O barulho ficou ainda mais alto e ainda mais alto!
Sophia gritou ainda mais alto, estava chorando e então se atirou aos braços de Bessee.
— Sophia... – Bessee falou afastando Sophia de si.
— Alguém me ajude, alguém me ajude! – Sophia caiu ajoelhada no chão gritando e chorando.
O barulho ficou ainda mais alto e rápido, parecia que estava prestes a explodir, quando Sophia gritou, a beira da morte:
— Eu sei! Eu sei! Essa mulher! – Apontou para a diretora, tremendo.
— Bye, bye, Soph... – A diretora disse isso e sorriu.
— Ela... – O colar explodiu impedindo Sophia de terminar sua frase.
O colar explodiu e ouvimos um grande barulho. Sangue jorrou em nossos rostos, em nossas roupas, em nossos cabelos, em nossas peles.
A cabeça de Sophia foi lançada ao alto e depois caiu no chão, rolando aos pés da diretora. O resto do corpo, que estava ajoelhado, caiu no chão, cheio de sangue.
Sophia havia morrido de uma das formas mais cruéis do mundo. Enquanto todos estávamos chocados com a cena, a gargalhada da diretora era o que ilustrava o fundo musical daquilo. Sangue jorrava do pescoço de Sophia, ainda preso ao corpo, espelhando o sangue pela grama, pela terra, até alcançar nossos sapatos, o que nos fez recuar um pouco.
— Parece que todos vão ter que colocar suas roupas pra lavar — A diretora disse sorrindo. – Taylor, que fique de aviso para você não tentar hackear o meu computador de novo! Não tentem fugir, não temem me matar, a morte será tão dolorosa quanto essa para quem o fizer. Eu senti que realmente precisava dar um exemplo a vocês – Ela riu novamente – Entendem que isso não é brincadeira? Espero que sim. – Ela chutou a cabeça de Sophia para perto do corpo, pegou o celular dela e o jogou para Bessee – Podem ficar com isso! – Ela caminhou para a floresta.
— Seu monstro! – Bessee gritou quando a diretora já estava mais longe, então tentou mexer no celular de Sophia, sem sucesso – Como liga isso?
— Tenta apertar no botão do lado. – Taylor falou.
— Você está louco? – Murillo correu e tomou o celular de Bessee – A diretora acabou de matar a Sophia por ela querer usar o celular e vocês estão querendo usar o celular dela?
— Eu havia me esquecido... – Bessee passou a mão no pescoço.
— Vamos destruir todos os aparelhos assim para não corrermos riscos! – Murillo sugeriu.
— Até o meu notebook? – Taylor recuou.
— Sim. – Murillo falou — Acredito que não há outros aparelhos fora esse celular e o seu notebook. Pegue-o agora e vamos jogá-lo no lago.
Muitas pessoas dali, saíram correndo par suas cabanas, ver o corpo da Sophia ali era uma cena muito forte, quem continuou no local apenas fomos eu, Bessee, Murillo, Taylor, Iana e Amy.
— O que está esperando para pegar seu notebook? – Murillo falou após uma pausa.
— Tudo bem, eu vou pegar... – Taylor deu de costas e foi andando para sua cabana.
— Espere, eu vou com você! – Iana foi atrás dele, conversando com ele.
— Esse cheiro de sangue tá insuportável! – Bessee falou se afastando.
— Já morreram três... Eu estou com medo... – Amy disse me abraçando.
— Calma, gente! Não acredito que mais alguém aqui tenha algum motivo para matar alguém! Eu acho, pelo menos... – Murillo falou, parecia assustado também.
Logo Taylor e Iana voltaram com o notebook.
— Vamos acabar com isso – Iana falou.
— Nunca saberemos os segredos daqui... – Taylor falou quase chorando.
— Claro que saberemos! – Bessee gritou – Nós iremos escapar dessa ilha e matar aquela maldita diretora! – Bessee deu um grito de guerra ou coisa parecida e deu um tapa no celular de Sophia que estava nas mãos de Murillo, fazendo-o cair e trincar a tela – Opa... – Ela se conteve.
— Vamos logo! – Murillo disse pegando o celular de novo.
— Será que ninguém tem mais algum aparelho? – Amy perguntou.
— O que poderiam ter? Quase nenhum dos outros talentos envolve tecnologia! – Falei.
— Temos uma dançarina, uma lutadora, uma estilista, uma domadora e um pescador aqui – Murillo falou – Vamos ver os talentos dos outros...
— William é músico, Funy é cabelereira – Completei.
— Mishonni turista, Justin escritor – Amy falou, parou por um tempo e depois continuou: — Louis é geógrafo.
— Toby, nadador. Bruce, jogador de basquete. E já foram todos... Eu contei. – Taylor falou – Tirando eu, claro, mas já, já vamos nos livrar do meu notebook...
— E desse celular... – Murillo completou mostrando o celular.
— E eu vou poder tomar um banho pra poder tirar esse sangue do meu corpo – Amy falou.
— Boa ideia – Bessee disse.
— Boa ideia? – Resmunguei – Eu que não entro nesse rio cheio de vermes! Vai saber o que tem aí dentro? Urina, fezes, animais estranhos... Ugh! Prefiro o meu bom e velho banheiro!
— Frescura! – Iana riu.
Logo chegamos ao lago.
— Prontos? – Murillo perguntou ameaçando jogar o celular no rio.
— Não... – Taylor disse baixinho abraçando o notebook.
— Vamos! – Murillo gritou jogando o celular no lago e então Bessee pulou, mergulhou e depois apareceu de novo. Murillo também entrou na água.
— Taylor, joga o notebook! – Bessee gritou.
— Meu notebook... – Taylor abraçou o notebook ainda mais forte – Eu prometo que não vou usar! Eu prometo!
De repente Iana veio por trás de Taylor e o empurrou no lago, junto do notebook, em seguida ela pulou gritando, eu e Amy ficamos na margem.
— Vamos, Florence? – Amy me perguntou e eu simplesmente dei risada, cruzei os braços e retribuí um “não” seco.
— Meu notebook! – Taylor gritava, quase chorando, na água.
Iana e Taylor logo saíram do lago.
— Eu vou ir tomar um banho direito no chuveiro agora! – Iana disse e então nós quatro saímos dali deixando Bessee e Murillo no lago.
POV Murillo
Os outros quatro saíram e eu fiquei sozinho com Bessee, de repente senti algo passando na minha perna, mergulhei e vi um peixe.
— Esse rio tem peixe! – Falei ao voltar pra superfície.
— É um rio... – Bessee falou, sarcasticamente.
— Mas tem rio que não tem peixe! – Expliquei saindo do rio.
— Já vai também? – Bessee perguntou.
— Não, eu vou pegar meu equipamento de pesca lá na minha cabana! – Eu disse – Fica aí, que já eu volto! Vou te ensinar a pescar que tal?
— É uma boa coisa a se fazer, guerreiros de verdade buscam o próprio alimento! – Bessee disse colocando a mão debaixo da água e logo tirando de lá um peixe com as próprias mãos.
— Talvez você não precise de uma vara... – Falei, admirado.
— Não preciso mesmo n... – Bessee interrompeu sua fala quando o peixe escorregou de sua mão e foi parar na sua cabeça, fazendo-a tropeçar provavelmente em uma pedra debaixo da água e cair com tudo, logo ela voltou a cabeça a superfície – Eu nunca gostei de peixe...
— Eu já volto! – Calcei meus chinelos e saí correndo rapidamente dali. Não sei se estou ficando maluco ou qualquer outra coisa, talvez possa ser o teor de gordura nas comidas que venho comendo nos últimos dias, ou o fato de eu acabar de ver uma pessoa morrer brutalmente na minha frente e estar emocionalmente e psicologicamente sensível pelos traumas mentais que esse jogo de matança vem me causando, mas eu acho que eu estou, talvez, uma possibilidade, gostando da Bessee.
Será que estou?
Fale com o autor