DanganRonpa: Death and Despair

8 Quando as luzes se apagam


Sobreviventes: 09

POV Justin

A cena era essa: O total desespero. Havia ocorrido um verdadeiro banho de sangue naquele banheiro. Amy estava morta na banheira cheia de sangue, o corpo cheio de cortes e ao seu lado, outro corpo. Funy havia cortado o próprio pescoço com uma garrafa de vinho quebrada, e os cacos verdes se espalhavam por toda a sala. Cacos no chão, cacos na banheira, cacos boiando no sangue, cacos boiando vinho derramado próximo à banheiro, cacos nos cacos. Vários salgadinhos sobre uma bandeja, caídos no chão, e agora estavam cheios de sangue.

Haviam roupas em um dos cantos do banheiro, junto com uma maletinha laranja, aberta. Nessa pequena maleta haviam tesouras, pentes, cremes, tudo o que um cabeleireiro precisaria para fazer um grande penteado.

Todos estavam encarando uns aos outros, com caras de quem não sabia o que pensar. O que teria ocorrido naquele local? A princípio, um homicídio seguido de suicídio, mas nós já erramos tantas vezes: Colin não se suicidou, nem Bessee nem Amy matou Murillo. Funy podia não ter matado Amy, mas Funy tirou a própria vida, isso todos confirmamos com nossos próprios olhos.

Aterrorizados e chocados, nenhum de nós percebeu a presença da diretora, e quando a mesma começou a falar, pelo menos metade dos rostos ao redor mostraram espanto.

— Outro assassinato aconteceu... Que tragédia... – Ela riu analisando a situação.

— Esse caso será dado como sem solução? – Louis perguntou.

— Sem solução? Porque eu daria esse caso como sem solução? – A diretora riu outra vez.

— A energia caiu, suas câmeras foram desligadas, e o assassinato ocorreu durante esse período, logo, nem você viu o assassino. – Louis concluiu sabiamente. Um raio de esperança, eu pude ver ao longe. Nos safaríamos dessa e não precisaríamos arriscar as nossas vidas no tão temido Julgamento Escolar? Aí que eu estava enganado, o pesadelo só estava começando.

— Mas as minhas câmeras estavam funcionando, e muito bem! – A diretora riu de novo – Louis, você é tão inteligente, acha que eu usaria o mesmo padrão de energia para as câmeras? Vocês não vão se safar dessa, queridinhos. As minhas câmeras também são equipadas com lentes especiais para que mesmo que as imagens no escuro, saiam boas como imagens diurnas! Eu pude ver quem matou Amy Larwence. Mas está na hora de vocês investigarem para descobrir!

Todos encararam o corpo morto de Funy, foi perceptível, e isso parecia alegrar muito a diretora, mas de uma forma estranha, de uma forma desesperadora.

— Ah, a Funy Rath. – A diretora se virou para Funy também, quando viu que todos haviam voltado a atenção para o corpo dela – Se quiserem podem investigar o assassinato dela também, mas ela se matou na frente de todos vocês. Então, por sorte, vocês só têm um caso para desvendar. E, como eu sou boazinha, vou falar alguns detalhes da morte da pequena Amy. Amy foi morta durante a noite, ou melhor dizendo, há alguns minutos atrás, bem aqui mesmo, no banheiro feminino, e a arma usada? Um objeto pontiagudo. Aliás, que sirva de lição para o próximo assassino: durante três casos, a arma foi um objeto pontiagudo. Que monótono! Variem suas armas, por favor.

— Mas você só deu informações das quais já sabíamos – Bessee interferiu – E não temos mais nada.

— Mais nada? – A diretora gargalhou – Vocês têm, mas se vão achar, o problema não é meu.

Antes de dar meia-volta e sair do banheiro, a diretora completou:

— O Julgamento Escola acontecerá amanhã, durante a tarde. Apareçam por volta de duas e meia!

— Mas assim quase não teremos tempo para investigar! – Bruce falou, mas era tarde demais. A diretora já havia ido embora, ignorando-o completamente.

E em meio a todo o silêncio, ouvia-se apenas choro. Iana sentada no chão chorando, com as costas na parede, parecia inconsolável, e de repente ela deu um grito de desespero:

— Porque a Amy?

Mishonni se prontificou a ajuda-la:

— Iana, não fica assim... Calma, eu vou fazer um chá de camomila para que você se acalme.

Logo, Mishonni saiu do banheiro em direção a cozinha, e aos poucos, Iana foi engolindo o choro. Continuávamos sem reação. O sangue de Funy simplesmente ia se espalhando cada vez mais e mais pelo banheiro, até que vimos a Estilista de Nível Super Colegial atravessar o banheiro, pulando cuidadosamente as poças de sangue para não sujar seus sapatos e pegando suas roupas que estavam no canto do banheiro, e voltando logo, numa agilidade impressionante, então disse:

— Imaginem se essas roupas ficam manchadas de sangue! Quem morreria seria eu! – Então a Florence saiu da sala com suas roupas, sem dizer mais nada.

Ela parecia insensível, mas eu tinha quase certeza de que ela saíra da sala apenas por um motivo: para chorar em paz em seu quarto. Amy era a sua melhor amiga aqui, impossível ela se manter inabalável a essa cena.

Bessee se abaixou e pegou um dos salgadinhos que não estavam sujos de sangue, então o colocou na boca, mastigou e engoliu.

— Que estranho, isso tá com um gosto um pouco... Diferente... – Bessee disse passando a mão na cabeça.

Logo, Mishonni apareceu com um pote vazio.

— Ei, gente. Quem de vocês usou toda a camomila? – Ela disse balançando o pote.

Não houve resposta.

— Então eu vou procurar outro calmante... – Então ela saiu novamente.

Aos poucos o local foi se esvaziando. Ali só ficaram eu, Iana, ainda inconsolável no chão e Louis e Bessee, além dos dois cadáveres.

Louis se aproximou da banheira onde Amy estava, completamente ensanguentada.

— Esse caso está muito estranho, não? – Louis disse ao pegar um dos cacos perto da banheira e comparar com o resto da garrafa quebrada que Funy havia pegado.

— O que quer dizer com “estranho”? – Ergui uma das sobrancelhas e me aproximei, tendo cuidado para não escorregar no sangue ou no vinho.

— Quero dizer que talvez não saiamos vivos dessa. O assassino foi muito inteligente. – Louis disse se levantando e indo até a maleta laranja de Funy, jogada no chão – Intactos. – Ele falou após ver o conteúdo – Como eu disse, estranho.

Antes de mais nada, ouvimos alguém cair no chão. Bessee havia caído a frente de Iana. Iana arregalou os olhos, parou de chorar e deu um pequeno grito de espanto, se levantando instantaneamente.

— O-Outro corpo? – Ela encarou Bessee no chão. Mas logo ela começou a roncar, o que causou a confusão. Bessee não estava morta ou desmaiada, ela estava dormindo. – Mas porque ela está dormindo num momento como esse?

— Eu acho mais estranho o fato de ela ter dormido no banheiro. – Falei com um pouco de sarcasmo.

Mishonni reapareceu com um grande copo de suco de maracujá e o entregou à Iana.

— Espero que se acalme, Iana. Nós vamos descobrir o culpado e vingar a morte da... – Mishonni interrompeu sua fala de repente ao ver o “cadáver” de Bessee, e seu rosto se converteu a espanto, mas só por alguns segundos, até ela perceber que a lutadora, estava, nada mais do que dormindo – Que susto! – Ela exclamou por fim. – Mas porque ela está dormindo aqui?

— Não sei, mas não podemos deixa-la dormindo aqui com dois cadáveres! – Falei.

— Vamos leva-la para o quarto. – Mishonni disse pegando os pés e fez sinal para que eu pegasse os braços.

— Como vão fazer isso? O quarto dela pode estar trancado... – Louis disse observando toda a cena ao redor.

— A Bessee não deixou o quarto trancado – Iana respondeu – Ela só tinha ido à cozinha pegar água, ela não tinha pretensões de demorar tanto. – Então Iana virou todo o copo de suco de maracujá na boca. – Vamos, eu vou ajuda-los a leva-la ao quarto dela.

Peguei os braços de Bessee e Iana nos ajudou a levantá-la. Saímos do banheiro e deixamos Louis sozinho com os dois corpos no local.

POV Louis

Assim que Justin, Mishonni, Iana e Bessee saíram, eu peguei o meu diário e o meu lápis. Então comecei a escrever sobre as mortes de Amy e Funy.

A ordem dos fatos é o que mais me intrigou. Luzes apagam, vidro quebra, um grito de dor, um grito de desespero, os dois gritos se cessam, luzes acendem, Amy já morta no banheiro, e Funy com a arma do crime na mão, se mata na nossa frente. Qualquer um pensaria que isso foi um homicídio seguido de suicídio, por isso ninguém ficou aqui para investigar.

Mas não foi, eu sei que não, não faria sentido, e eu tenho provas. Mas se não foi, não temos mais nenhuma pista, nada para seguir. Esse crime foi planejando por um bom tempo, e muito bem planejado. Fica difícil encontrar qualquer evidência. Mas eu vou encontrar. Eu vou.

POV Bessee

Acordei um pouco enjoada na minha cama. O sol já estava brilhando, parecia que eu havia dormido demais.

Levantei um pouco zonza e saí da minha cabana. Vi o Louis com um pequeno livro do lado de fora, lendo ele e andando de um lado para o outro, como se estivesse à procura de um milagre.

— Louis? – Chamei a atenção dele que rapidamente virou o olhar pra mim e parou de andar. Guardou o livro e então respondeu:

— Bessee, você acordou.

— O que houve depois de ontem? Só lembro dos corpos e... – Antes que eu pudesse terminar a frase, ele já respondeu:

— Você dormiu.

— Eu fiz o que!? – Indaguei.

— Tinham uns salgadinhos na festa das garotas. Você pegou um, comeu, disse que tinha um sabor estranho, e logo depois, simplesmente dormiu.

— M-Mas... – Continuei sem entender, estava sem palavras.

— Isso tem a ver com o caso, só não sei como. – Ele disse pegando o livro novamente e o folheando rapidamente até parar em uma página.

— Como você sabe que tem a ver com o caso? – Me aproximei para ver o livro também.

— Intuição. – Ele respondeu. Logo quando percebeu que eu havia me aproximado, fechou o livro rapidamente e o guardou no bolso de novo.

— O que é esse livro, Louis? Um diário? – Ri.

— Uma coisa que você não pode ler... Não por enquanto.

— Mas o que tem no livro? – Perguntei, séria.

— Você não pode saber, é algo muito importante, e você não pode ler.

Ele saiu sem dizer mais nada.

— Que estranho...

Saí em direção à cozinha. Taylor estava sozinho lá, mexendo em alguma coisa na parede, com uma xícara na mão. Quando eu chamei pelo seu nome, ele se assustou e quase derrubou a xícara.

— Taylor.

— Ai, que susto, Bessee! – Ele voltou sua atenção à coisa que estava na parede.

— O que é isso que você está mexendo? – Me aproximei e pude ver que era o painel de energia.

— O painel de energia. Tá vendo isso aqui? – Ele apontou para um relógio pequeno no painel de energia, ao lado dele tinha um retângulo branco – É um timer.

— O que é um timer? — Perguntei encarando o pequeno relógio que indicava oito horas no painel.

— Com os meus conhecimentos de programação — Ele começou — Isso basicamente é um relógio que indica a hora em que o painel será desligado.

— Está marcando oito horas — Falei.

— Sim, hoje de manhã, às oito horas, a energia caiu novamente. — Ele explicou — E, ontem a noite, quando a energia caiu eram oito horas também. Mas sabe o que é estranho?

— A energia ter caído? — Falei sem ter noção nenhuma do que ele estava dizendo.

— A energia nunca havia caído às oito horas antes. Ou seja, alguém ativou o timer depois das oito horas da manhã e antes das oito horas da noite. — Após essa outra fala, eu entendi um pouco mais.

— Então o assassino quem ativou o timer, dessa forma ele saberia a hora em que tudo ficaria escuro e assim poderia cometer o assassinato sem ninguém ver. — Uma explosão de uma inteligência veio à minha cabeça.

— Sim, isso mesmo! — Taylor sorriu — Agora eu vou reiniciar o timer para que a energia não volte a cair.

Eu me dirigi á geladeira para pegar a caixa de leite quando Taylor me perguntou:

— Você acha que foi a Funy? — Eu não sabia o que falar. Houve uma pausa na conversa até que ele resolveu falar novamente — Ela estava com a garrafa quebrada na mão, então eu pensei que...

Houve outra pausa.

— Eu não sei — Disse pegando a caixa de leite — Sinceramente eu não sei.

Coloquei o leite em uma caneca, botei a caixa de leite na geladeira de volta e a fechei. Tomei tudo de uma vez e pus a caneca sobre a pia.

— Reiniciado. — Taylor disse fechando e caixa do painel de energia — Bessee, acho bom você se apressar. O Julgamento Escolar começa daqui a pouco.

— O que? Que horas são? — Falei olhando para o relógio da cozinha. Era doze horas!

— Treze horas — Ele respondeu — E o Julgamento começa daqui a uma hora e meia segundo a diretora.

Taylor saiu da cozinha, se despedindo e me deixou sozinha com meus pensamentos. Estávamos indo para o julgamento com apenas uma informação relevante: o timer do painel de energia. Todos estavam pensando que era a Funy. Mas foi mesmo? A garrafa quebrada de vinho, os cacos, os gritos, a banheira, os salgadinhos. Nada poderia nos ajudar. Precisávamos de uma pista o mais rápido possível, não tínhamos nenhuma e o risco de votarmos errado era grande. Agora arriscaríamos as nossas vidas, pela terceira vez. Éramos nove, esse numero reduziria daqui a menos de duas horas. Seremos oito ao final disso. Mas há chances de sermos um, o um que escapará e deixara os outros para morrer. O desespero estava tomando conta de nós novamente.

POV Louis

Eu ainda estava tentando achar uma explicação lógica naquilo tudo. Talvez eu tenha deixado passar alguma coisa. Talvez tenha alguma coisa que eu não tenha investigado. Mas o que seria? Se alguém trouxesse para o Julgamento esse elemento que falta para minha conclusão...

Antes que eu pudesse pensar em mais uma coisa, o relógio já apontava duas e meia, e eu precisava ir para esse tão falado Julgamento. Funy está morta, e eu sei que ela não é a assassina, eu terei que defende-la, para que ninguém mais, além do verdadeiro assassino, morra. Pelo menos, não por hoje.

Saí da minha cabana, e a diretora já nos esperava pouco mais a frente, sentada em sua poltrona. Já havia algumas pessoas ao redor dela, todos aflitos e desesperados. Logo, me aproximei também. A diretora estava com um algodão-doce na mão, e comia lentamente enquanto observava os rostos assustados de seus queridos estudantes.

Quando todos já haviam chegado, a diretora deu o seu anúncio:

— Que comece o Julgamento Escolar! – Ela disse terminando de comer o algodão doce e então continuou: — Quem assassinou Amy Larwence? Será que foi a Funy Rath? – Ela deu uma risada sarcástica. Todos estavam encarando-a.

Apenas silêncio. A primeira fala veio de Iana:

— A culpada é a Funy, certo?

— É o que deu pra ver... – Florence concordou.

— Vamos analisar as pistas com cuidado mesmo assim. – Justin disse.

— Quando a energia caiu, qual foi a primeira coisa que ouvimos? – Bruce perguntou olhando para todos os lados.

— Se não estou enganada, foi a garrafa quebrando. – Mishonni respondeu.

— É, e quebraram a garrafa na banheira, né? – Bessee continuou — Porque os cacos estavam próximos à banheira e o vinho derramado também estava próximo à banheira. Assim seria mais fácil quebrar a garrafa e já atacar a vítima.

— Mas o máximo de vítimas de um assassinato são duas, não é? – Taylor disse – Porque o assassino não matou a Funy também?

— Isso é fácil de responder – Florence explicou – Porque a Funy é a culpada, ela estava com a arma do crime na mão.

— Calma, gente. Vocês lembram dos gritos depois que a garrafa foi quebrada? – Bruce perguntou de novo.

— É mesmo. – Bessee lembrou – O primeiro grito era de dor, só pode ser da Amy quando o assassino a matou.

— Mas houve um outro grito de desespero – Mishonni disse – Só estavam a Amy e a Funy no banheiro, então o segundo grito só pode ter sido da Funy, certo?

— Certo! – Iana concordou – A Funy entrou em um momento de fúria, quebrou a garrafa, matou Amy e depois se arrependeu do que fez, por isso ela gritou.

— Então chegamos a uma conclusão? – Justin perguntou, tentando pensar em evidências.

— Sim — William disse por fim – Essa é a história por trás do caso: Quando a energia caiu, Funy viu a oportunidade perfeita para cometer um assassinato. Agarrou a garrafa de vinho, se aproximou da banheira e a quebrou, o que explica o vinho e os cacos próximos à banheira. Arrependida do que fez, Funy gritou e decidiu se suicidar. É o fim. Bem, é a única coisa que podemos pensar, que Funy é a culpada, já que todos tínhamos álibis, estávamos todos juntos na cozinha.

— Isso está erado! – Gritei ao perceber o grande equívoco cometido por William.

— O que está errado? – William me perguntou.

— Ah, que droga, e eu que achei que já íamos ter uma execução! Como vocês são chatos... – Ela pegou outro algodão-doce e começou a comer.

— Você disse que todos tínhamos álibis, mas isso está errado. Ninguém tinha álibi. – Falei e todos se espantaram me encarando.

— O que quer dizer com isso? – Mishonni perguntou.

— Que todos nós, inclusive Funy poderíamos ter matado Amy. Não foi necessariamente ela. – Concluí.

— Acho que você quem está equivocado, todos nós estávamos na cozinha quando o assassinato aconteceu. – William justificou.

— Como você sabe disso, William? As luzes estavam apagadas, nós não vimos uns aos outros, nós não tínhamos como saber quem estava lá ou não. Qualquer um de nós pode ter saído da cozinha, ido até o banheiro, matado Amy e voltado, sem que gerasse suspeitas, colocando a culpa em Funy. – Falei e todos ficaram quietos.

— Mas isso ainda inclui todos nós e Funy, então ainda tem uma pequena porcentagem de chance de ela ser a assassina, não é? – Bruce parecia confuso.

— Não. Eu tenho provas que dizem que Funy Rath é inocente nesse caso. – Eu disse, então peguei a maleta laranja dela, abri e mostrei a todos – Esse é o kit de cabelereiro de Funy. Estava no banheiro. Naquela noite, Funy faria penteados nos cabelos das meninas, estou certo, Iana e Florence?

As duas concordaram positivamente com a cabeça.

— Então, ela levou sua maleta ao banheiro – Continuei – E, se estivesse tramando um assassinato, ela pegaria um dos objetos cortantes que têm em sua maleta e assassinaria Amy. – Tirei duas tesouras e mostrei para todos – Dessa forma, as tesouras estariam sujas de sangue. E não, ninguém as lavou, pois elas não estão enferrujadas.

Ninguém disse mais nada, então pensei que todos concordavam com o que disse. Logo, eu comecei a falar a outra prova:

— Já passamos por uma situação parecida no último Julgamento, já se esqueceram? Porque Bessee gritaria chamando a atenção para o assassinato de Murillo? Bessee não era a assassina, assim como Funy não é. Ela não tinha razões para gritar.

— Mas isso já foi discutido – William falou – Funy entrou em desespero por ter matado Amy. Como você mesmo disse, estava tudo escuro, e se alguém entrasse lá para mata-la, ela não tinha como ver. Ela só saberia que Amy morreu, caso ela fosse a assassina, não?

— Não mesmo. – Falei, arqueando uma das sobrancelhas e todos ficaram ainda mais espantados – Se você não percebeu, existe uma janela nos banheiros masculino e feminino. Por essa janela, passaria a luz da lua e a luz das estrelas, consequentemente, daria para ver caso alguém entrasse e atacasse Amy. Ela presenciou a ação, por isso entrou em desespero e se suicidou.

— Acha que a luz da lua e das estrelas iluminaria tanto assim? – William perguntou.

— Mas, William, quando eu, você e o Louis estávamos indo para a cozinha ver o que tinha acontecido, o local só estava sendo iluminado pela luz da lua e das estrelas, e conseguíamos ver tudo... – Bruce disse e William ficou em silêncio.

Mas após alguns segundos, ele voltou a dizer:

— Certo. Funy não é a assassina. – Ele admitiu – Mas, se qualquer um de nós poderia ter feito o assassinato, quem você acha que é?

— Eu não sei. – Falei, por fim.

— Então estamos em um labirinto sem saída. Sem suspeitos ou sem mais pistas. – William concluiu.

— Mas espere! Existe outra pista sim. – Taylor disse e todos voltaram a atenção à ele.

— Você está falando do painel de energia? – Bessee questionou.

— Sim... – Taylor respondeu e continuou a explicar — Eu e a Bessee descobrimos, que no painel de controle, alguém havia ativado o timer. Ele estava marcando oito horas, então, a energia estava programada para desligar às oito horas. Ontem a noite, foi esse horário que a energia caiu. E, hoje de manhã, quando a energia caiu, foi esse horário também. Então, o assassino ativou o timer e desse jeito, já sabia que horas a energia iria cair, assim poderia se preparar para cometer o assassinato.

— E tem outra coisa! – Bessee falou em seguida – Ontem, oito da manhã, a energia não caiu. Então, deduzimos que o assassino ligou o timer entre oito da manhã e oito da noite.

— Ah, se a Amy estivesse aqui... – Iana lamentou – Ontem ela passou o dia todo na cozinha, ela saberia dizer todas as pessoas que passaram pela cozinha durante esse horário.

— Quando eu estava na cozinha, pela parte da manhã, somente o Louis e o William entraram. – Taylor falou.

— E quando eu estava na cozinha cozinhando, somente a Amy e o William entraram lá. – Iana falou.

— Concluímos, então, que as únicas pessoas que poderiam ter entrado na cozinha pra ativar o timer são Iana, Taylor, William e o Louis. – Bruce falou, por fim.

Todos ficaram se encarando, assustados.

— Creio que para encontrarmos o culpado, devemos voltar um pouco nas pistas. – Falei – No banheiro, existem janelas que deixam passar a luz da lua e das estrelas. Funy viu alguém entrar, quebrar a garrafa e matar Amy, não? Mas, uma pergunta... Porque Amy não viu esse alguém entrar e quebrar a garrafa na banheira em que ela estava? Se ela só gritou depois que a garrafa quebrou, ela só gritou quando seu corpo estava sendo cortado. E a única razão pra ela não ter visto ou escutado nada, é que ela estava dormindo na banheira e acordou somente quando estava sendo assassinada.

— Dormindo? – Florence perguntou – Isso é ridículo! Ela adormeceu na banheira, do nada?

— Não foi do nada... Iana, quantos salgadinhos você fez? – Perguntei a ela.

— Se me lembro bem, foram dezoito. – Ela respondeu.

— Haviam somente dezessete salgadinhos na bandeja quando chegamos ao banheiro – Concluí – Então, alguém comeu um. Somente Funy e Amy estavam no banheiro. Amy comeu o salgadinho, porque o salgadinho é o único motivo que a faria dormir. Ela foi drogada.

— Ela foi o que!? – Bessee se espantou.

— Não tem drogas aqui, Louis... Acho que você imaginou demais... – Mishonni falou.

— Ela não foi drogada com esse tipo de drogas que estão pensando, especificamente. – Continuei – Mishonni, quando a Iana estava chorando, o que você ia fazer para ela se acalmar?

— Eu ia fazer um chá de camomila – Mishonni respondeu, tentando lembrar – Mas como a camomila tinha acabado, eu fiz um suco de maracujá mesmo.

— A camomila havia acabado. – Falei – Havia acabado porque alguém usou toda a camomila. No que? Na massa dos salgadinhos, porque só assim, alguém dormiria. Como eu sei? Quando Bessee comeu um dos salgadinhos, ela disse que sentiu um gosto estranho, e logo depois dormiu. A diferença é que Bessee acordou só quando o efeito passou, mas Amy acordou só quando o seu corpo estava sendo cortado, por isso gritou. A intenção do assassino era fazer Funy gritar, pensariam que o grito era de Amy, e quando fossem ao banheiro, veriam a cena e pensariam que Funy era a assassina. Mas o assassino falhou, pois Amy também gritou. A quantidade de camomila não foi suficiente.

— E quem conseguiria ligar o timer e colocar camomila na massa dos salgadinhos – Florence disse, por fim – Só pode ser uma pessoa que apareceu na cozinha na hora em que Iana estava cozinhando os salgadinhos, e antes disso para mexer no painel de energia.

— Exatamente, e a única pessoa que estava presente de manhã comigo e com o Taylor na cozinha, e que também estava presente de tarde com Iana e Amy na cozinha, era... – Fiz uma pausa para o suspense.

— Diga logo! – A diretora resmungou – Só eu posso fazer suspense aqui, tá entendido?

— Você – Apontei para o assassino – William Barney. Você ativou o timer de manhã. A tarde colocou toda a camomila nos salgadinhos. Esperou que a energia caísse e foi ao banheiro feminino cometer o seu assassinato. Estou certo?

— Então – A diretora falou – Se vocês realmente chegaram a uma conclusão, podem começar com a votação! Quem é o assassino de Amy Lar...?

A diretora foi interrompida de repente por uma longa gargalhada.

William terminou de rir, com um sorriso desesperado no rosto, olhos arregalados.

— Eu matei. Eu matei sim! Eu fiz tudo isso! – Ele riu de novo – Eu ouvi a conversa das meninas, eu sabia toda a programação, eu sabia o que ia acontecer, eu armei tudo desde o início, fiz com que parecesse que Funy fosse a culpada. Eu fiz tudo isso sim! – Ele deu uma longa risada novamente.

— Ok, William... Nós já sab... – A diretora foi interrompida de novo.

— Agora, por quê? – Ele continuou com a mesma expressão facial e então gritou: — Porque eu fiz isso? Bem, eu não sei vocês, mas eu tenho o meu sonho! Minha carreira como músico mal havia começado e eu já fui aprisionado nesta ilha! Eu sempre quis viajar todo o mundo, mostrar o meu talento, como eu consigo tocar três instrumentos de uma só vez e ainda orientar uma orquestra inteira de cinquenta músicos! Eu passei a minha vida toda estudando pra alcançar os meus objetivos, os meus sonhos...

William começou a chorar, ainda com o sorriso no rosto, e então abaixou a cabeça e disse:

— Mas agora, tudo está acabado, não é mesmo? Tudo acabou...

— É, vocês disseram que William Barney é o assassino de Amy Larwence, e aquele que fez Funy Rath se suicidar. – A diretor abriu um sorriso e levantou da poltrona – E estão corretos! Mais uma vez, que entediante!

Ela foi até William, que levantou a cabeça.

— Chega de drama e lamentação! Está na hora da punição! E eu gosto tanto disso! – Ela pegou a mão de William – Vamos, William. E nem adianta pestanejar.

William foi, sem dizer mais nada, com a diretora, adentrando a floresta.

Antes que a transmissão da execução de William começasse a passar na televisão eu falei para que todos os outros sete pudessem me ouvir:

— Agatha matou pelo desejo de se tornar uma grande jornalista. Toby matou por ter saudades das piscinas em que nadava. William matou pela vontade de mostrar ao mundo os seus talentos. Todos mataram por que se apegaram muito ao mundo. Se todos nós simplesmente esquecêssemos o mundo lá fora e aceitássemos viver aqui, talvez os assassinatos parariam. Restam 8 agora. Metade de nós já não está mais vivo. Desapeguem-se da sua antiga vida, e aceitem a nova.

Virei as costas e comecei a andar para a minha cabana, quando fui surpreendido por um grito:

— LOUIS! – Me virei, era Iana – Você não é Geógrafo de Nível Super Colegial, não é?

Fiquei em silêncio, e ela disse:

— Eu sei que não é.

Mas antes que eu pudesse responder, a televisão ligou e a imagem da diretora apareceu.

— Olá estudantes, por meio dessa televisão, vocês poderão ver a execução de William Barney, o assassino de Amy Larwence, aquele que fez com que Funy Rath tirasse a própria vida e Músico de Nível Super Colegial. A execução foi preparada especialmente para ele por mim.

Eu ia sair, mas aproveitei que já estava ali para ver a execução. Dessa vez, todos permaneceram ali para ver a execução de William. Mas eu já estava preocupado com outra coisa: parece que finalmente a hora de contar a verdade chegou. A verdade que eu escondi, porque não queria que todos soubessem, isso seria uma ameaça a mim mesmo. Iana estava certa, eu não sou Geógrafo de Nível Super Colegial.

Desviei minha atenção para a execução de William, que já estava começando na televisão.

William foi colocado em um grande corredor vazio, escuro à direita e escuro à esquerda, ele parecia assustado. De repente, começamos a ouvir uma grande e desarmoniosa banda tocando. De repente, uma procissão de músicos começa a vir da esquerda, e William corre para a direita, mas na direita há outra procissão de músicos tocando seus instrumentos de um jeito que qualquer um entraria em desespero. Ele tenta ir para a esquerda, mas lá estão os outros músicos, agora dava pra ver que não eram pessoas de verdade, eram músicos robôs. Então, William parece se ver preso e sem saída. Uma corda é jogada do alto para ele. Ele agarra a corda sem pensar duas vezes e começa a subir. Mas quando chega ao topo, encontra a diretora com protetores de ouvido e com uma guitarra superpotente ligada a vários amplificadores que estavam ali. Ela solta uma nota com a guitarra e os amplificadores fazem com que o som quadruplique de intensidade. Tudo o que vimos a mais foi William soltando a corda pela perturbação do barulho e caindo de uma altura absurdamente grande, até se chocar com o chão e morrer lentamente, espalhando sangue.

A transmissão, então, foi encerrada. E, antes que Iana pudesse falar mais alguma coisa sobre o meu talento nível super colegial, eu saí, enquanto todos ainda estavam chocados com o que acabara de acontecer. Fui para a minha cabana e logo veio uma reflexão: Vai acontecer de novo? Mas eu mesmo deveria saber que vai acontecer. Enquanto permanecermos nessa ilha, o desespero também irá permanecer, e era bom eu me preparar, pois eu poderia ser o próximo. Eu provavelmente vou ser um alvo para quem quiser sair daqui, pois não adianta mais esconder, eu vou ter que revelar o meu verdadeiro talento, eu sou Louis Carter, o Detetive de Nível Super Colegial.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.